Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.
You're all I have
Kaline Bogard
Capítulo 08
O presente de Karnilla
Thor mal esperou a pergunta ser pronunciada e já se preparou para responder por seu irmão com um sonoro, inquestionável e grosseiro "Não". Não ia permitir que Loki ficasse ali em Muspelheim com aquelas criaturas atrevidas.
Intuindo a ação do loiro, Loki ergueu uma mão e o impediu de falar qualquer coisa, respondendo antes:
– Gostaria de pensar nisso um pouco. – pediu.
– Evidentemente. – Sinmore respondeu feliz. Tanto ela quanto Loki ignoraram delicadamente a surpresa e o choque estampados na face de Thor. O deus do Trovão não conseguiu disfarçar seus sentimentos – Pode demorar o tempo que achar necessário, Loki Odinson. Enquanto isso aproveite nossa hospitalidade.
Por um segundo Thor ficou tentado a mandar tanta hospitalidade a merda, pegar Loki pelo braço e o arrastar de volta para casa. Só não o fez por que o moreno começou a andar ao lado de Sinmore rumo ao castelo de cristal. Acabou engolindo em seco e seguindo-os com raiva. Na mente a fervorosa decisão de fazer Loki perceber a imprudência de aceitar tal pedido. Aceitar ficar para trás...
oOo
Os irmãos foram levados a um quarto monumental. O aposento era amplo e arejado, com uma grande janela que se abria para uma varanda suspensa, de onde se via toda a paisagem em tons de carmim, que pareciam sombrios com o cair da noite.
Havia duas grandes camas de dossel sobre um carpete felpudo e macio com arabescos coloridos. A serva de Sinmore informou que a outra porta levava a sala de banhos. Pediu que repousassem ali até o jantar estar pronto e, despedindo-se de forma cortês, se foi.
Nem bem a porta fechou-se e Thor virou-se para o caçula que admirava as camas pensativo:
– Você não está levando isso a sério!
Loki voltou-se e fitou o irmão com olhos distantes:
– "Isso" o quê?
– Ficar aqui em Muspelheim!
– Ah, talvez. Porque não?
Thor inflou de indignação:
– Porque? Como assim "porque não", irmão? Eu vim buscá-lo. Não volto pra casa sem você.
Foi a vez de Loki se exaltar:
– Viu aquilo lá fora, Thor? Eles me adoram! Me veneram! Me senti especial.
– Você não precisa de um bando de faíscas voando ao seu redor pra ser especial. Já é especial pra mim, Loki.
O moreno ia protestar, mas calou-se. Fixou os olhos em Thor que sentiu-se tragado por um mar de imensidão esverdeada. Um mar em tempestade.
– Irmãozinho...
Loki cortou a frase com um gesto desdenhoso. Irritado começou a andar pelo quarto, o salto do sapato ressoava abafado no carpete e o vestido de noiva ondulava acompanhando o ritmo furioso:
– Não me venha com "irmãozinho", Thor! Você está sempre no centro das atenções, não sabe como é ficar de lado. Essa é a minha chance de ser grande, de ser importante de verdade!
Thor acalmou-se um pouco:
– Disse algo errado: não é ficar de lado. É ficar ao meu lado, Loki. Nunca me importei de estar ou não no centro das atenções desde que estivesse comigo.
A afirmação teve o efeito de irritar ainda mais ao deus-mago. Quem Thor pensava que era pra agir de forma tão simplista? Dizer aquelas coisas sinceras que faziam o pobre coração de Loki se encher de vã esperança para em seguida se despedaçar ao lembrar-se que sempre seria um sentimento fraternal. Forte, profundo, real, mas eternamente o amor de um irmão?
Loki estava farto, cansado de desejar algo que nunca poderia ter. Foi como se a gota que faltava para transbordar o copo viesse no olhar amoroso e paciente do loiro. Uma barreira invisível se partiu na mente do caçula e, sem que se controlasse, ele estourou de vez:
– Não é suficiente, Thor! – a voz áspera magoou o mais velho – Não quero ficar ao seu lado assim! Guarde esse sentimento todo pra você! Pra mim já não basta mais!
– Loki... – tudo que o deus do Trovão conseguiu fazer foi sussurrar o nome do outro. Não esperava tal rompante. Não estava preparado para as lágrimas que transbordaram os olhos verdes e deslizaram pela face subitamente pálida.
O caçula chorava. Não queria, mas chorava.
Thor não conseguia enfrentar aquelas íris cheias de dor e súplica. Virou o rosto observando um ponto qualquer no carpete.
– Maldição. – Loki passou as mãos pelas bochechas de forma brusca tentando secar as lágrimas indesejadas. – Vê o que faz comigo, irmão? Não tenho mais forças pra lutar contra isso. Não posso mais, Thor. Talvez estar longe me faça esquecer, faça a dor passar. Talvez... ficar em Muspelheim seja o certo.
– Não! – a voz grave ressoou pelo aposento fazendo Loki estremecer. O céu lá fora, visível através da grande janela, escureceu coberto por densas nuvens de tempestade. Raios riscaram vários pontos, irregulares como feridas recém abertas. Em duas passadas o loiro estava diante do irmão, segurando-o pelos ombros – Não é o certo.
Esmeraldas confusas prenderam-se no turbilhão azul. Mais que suplicar, Loki implorava para que aquela dor não prosseguisse:
– Por favor, Thor. Me deixe...
– Eu nunca vou deixá-lo ir, Loki. – a voz baixou de tom – Você é tudo o que eu tenho. Isso é tão errado...
As palavras finais foram um golpe no coração do deus-mago. Novas lágrimas deslizaram e ele não fez nada para as impedir:
– Sinto muito. É errado, mas não posso impedir de sentir. Sinto...
– Shhhh. – Thor o silenciou – O que você sente não é errado. Errado é que eu retribua.
Loki arregalou os olhos. Antes mesmo que a compreensão exata lhe atingisse Thor moveu as mãos segurando-o pela cintura de modo a colar os corpos e pela nuca, inclinando o moreno de leve para trás.
Lábios se encontraram. Ou melhor, os lábios de Thor tomaram os do irmão num beijo que pouco tinha de gentil ou suave. O contato foi urgente, fervoroso e voraz. O loiro dominou o moreno por completo, sua língua enroscando na outra, acariciando, ditando o ritmo daquela dança íntima. Terminou o beijo mordiscando o lábio inferior de um jeito muito sensual.
Quando afastou-se Loki estava, além de pasmo, sem fôlego.
– Eu que devo me desculpar, Loki. Estou cansado de achar que o perdi. Estou cansado de vê-lo escapar bem diante dos meus olhos. Você não ficará em Muspelheim. Eu não permito que me abandone.
– Thor...
As mãos fortes deslizaram com experiência pelas costas do moreno, procurando um fecho ou algo similar que abrisse aquele vestido:
– Meu lugar é em Asgard. E o seu lugar é ao meu lado. Você vai voltar pra casa comigo, Loki Odinson. Isso está fora de discussão.
O moreno sorriu torto. Sua resposta foi segurar no rosto de Thor, erguer-se nas pontas do pé e tomar a iniciativa do beijo. Ele começou suavemente, beijando os lábios tão desejados que se entreabriram para acolher e retribuir a investida.
Os dedos do mais velho pareceram ganhar vida própria, traçando um caminho pelo corpo esbelto coberto de tecido branco. Mais que acariciar e explorar, Thor procurava uma mínima forma de tirá-lo.
Percebendo que não encontraria nem mesmo um botão, os dedos fortes foram com decisão para a frente do vestido, segurando na gola com firmeza e puxando o pano delicado.
Sem parar o beijo Loki tentou ajudar o irmão. Suas mãos cobriram as de Thor e juntas forcejaram na vã tentativa de rasgar o vestido de noiva. Nem um fiapo escapou.
Thor encerrou o beijo para soltar um grito de pura frustração. Não haveria uma forma de arrancar aquela porcaria de trapo que Karnilla inventara?
Loki riu da expressão quase desesperada do loiro, apesar de estar igualmente frustrado.
– Já sei! – Thor sorriu largo – Vamos puxar a saia e tirá-la por cima...
O moreno ficou sério:
– Não. – abaixou os braços e segurou o pano de modo a impedir que Thor tentasse erguer – Assim é muito humilhante!
– Não seja fresco irmãozinho. Deixa que eu...
– Já disse que não! – o moreno afastou-se do mais alto e, ainda segurando firme na saia, foi para o lado de lá do quarto. – Arrume outro jeito.
Tanta eloquência fez Thor desconfiar:
– O que Karnilla colocou aí debaixo?
O efeito foi instantâneo: Loki corou e ficou mais vermelho que as maçãs do pomar de Frigg.
– Na-não tenho certeza... – gaguejou – Não insista.
Ao invés de desistir Thor sorriu predatório. Tudo que tinha a ver com Loki lhe interessava, ainda mais se desse a oportunidade de espiar embaixo do vestido branco:
– Agora preciso ver isso, Loki. – e avançou rápido na direção do moreno que desviou no último segundo de ser preso pelos braços fortes. A agilidade do deus-mago estava acima das habilidades de Thor. Ele correu rápido e, ainda segurando a saia do vestido, saltou sobre o colchão de uma das camas.
– Me deixe em paz! – o moreno rosnou sem parecer ameaçador de verdade. A tensão e raiva anteriores estavam totalmente dissipados. Ele se sentia leve e feliz por saber dos sentimentos de Thor, que iam além dos fraternais. – Vamos dar um jeito de tirar esse vestido isso sim e...
Loki calou-se surpreso porque o mais velho investira outra vez praticamente saltando sobre a cama e derrubando-o no colchão. Forcejaram por alguns minutos, o som dos risos se misturando com ofegos. Mas logo a força de Thor se mostrou superior e ele prendeu o moreno que acabara meio enrolado entre as cobertas de pele.
– Te peguei, irmãozinho.
– Thor... – Loki resmungou abafado sentindo-se quase sufocar com o rosto apertado contra a cama. O deus do trovão estava meio deitado meio sentado sobre suas costas, imobilizando-o. Quando sentiu os dedos firmes deslizando por sobre a perna direita, rumo a barra do vestido, o rosto esquentou. – THOR!
O loiro não parou. Pelo contrário, puxou o tecido devagar revelando uma parte da meia-calça branca:
– Ei... isso não estava aqui antes... – a satisfação na voz era evidente. Até antes dos beijos trocados ele podia jurar que Loki não usava aquela peça. Talvez ela tivesse surgido com o "calor" do momento e nesse caso... – Não me diga que a Rainha Karnilla colocou mesmo uma lingerie sensual aí embaixo...
– THOR! – Loki rosnou irritado de verdade dessa vez – Eu vou arrancar as suas orelhas se você levantar esse vestido!
O loiro sorriu e continuou a puxar devagar o tecido delicado revelando mais e mais da meia calça, ignorando completamente os protestos do caçula.
Quando a saia atingiu a altura perigosa dos joelhos e continuou subindo, batidas firmes na porta fizeram os dois paralisarem-se surpresos.
– Minha mestra Sinmore pede que os convide para o jantar. – a voz tímida soou através da madeira.
Thor riu abafado, sentindo-se um tanto frustrado. O alívio de Loki foi visível.
– Estamos indo. – o deus do trovão respondeu já erguendo-se e libertando o moreno. – Na primeira chance perguntamos se Sinmore sabe como tirar esse vestido, está bem?
– Idiota. – Loki reclamou. Apesar do mau humor Thor achou que aquele biquinho enfezado era uma graça!
oOo
O jantar servido estava delicioso. Uma quantidade impressionante de iguarias típicas fora distribuída por uma mesa muito cumprida. O salão de jantar também era revestido com cristais e ouro branco, uma verdadeira obra de arte.
Por todo o local as criaturas do fogo flutuavam, em suas formas pequeninas, como faíscas flamejantes iluminando o jantar e dando um ar encantado a tudo.
A única que mantinha a forma humanoide era Sinmore, que partilhava a refeição com seus convidados. Em momento algum tocou-se no assunto do convite feito a Loki, por isso o clima era cordial.
A certa altura, depois de ter conversado um pouco sobre Asgard e seus habitantes, sobre Muspelheim e seu triste destino, tocaram num tema mais polêmico: Karnilla e suas ideias sem sentido.
Foi o ponto ideal para Loki tentar decifrar a charada em forma de um vestido de noiva de Midgard.
– Você deu a entender que sabia um jeito de tirar essa roupa. – começou como quem não quer nada, provando um pouco de um doce amarelado – É realmente inconveniente e eu gostaria de aceitar a oferta de um banho.
– Sim. Posso ver claramente o único jeito de fazer essa magia desaparecer. – Sinmore respondeu parando de comer. – Não há lâmina afiada o bastante para cortá-lo nem força que consiga rasgá-lo.
Tanto Loki quanto Thor prestaram atenção. O loiro pensava em emprestar uma faca para cortar o maldito traje em tiras, agora sua idéia acabara de ser frustrada.
– Eu agradeceria se pudesse nos ajudar. – Loki quase implorou. Tinha arrepios de pensar em ficar o resto da vida usando aquilo.
Sinmore não possuía nenhum sinal de lábios ou algo que indicasse um sorriso em sua face e apesar disso os asgardianos tiveram certeza de que a criatura se divertia um bocado com a situação:
– Esse é um vestido de noiva, Loki Odinson. A noiva só pode tirar seu vestido branco depois do casamento.
Continua...
YAHOOO
Revelado o segredo do vestido. Rainha Karnilla sacaninha, hein? Capítulo tenso, mas eles já começaram a por os pingos nos is.
Aproveitando pra avisar: no próximo capítulo tem o lemon, finalmente, esses dois vão fazer coisas inadequadas para menores de 18 anos. E vou agradecer a Agnostic que vai me ajudar com as cenas.
Porém...
Entramos na semana do Anime Friends, e eu vou viajar pra São Paulo, vai ser meio corrido e talvez eu não consiga postar segunda-feira que vem. Ah, caso alguém aí vá pro AF no último final de semana me avisa, daí a gente se encontra por lá.
Por último, agradeço a todos que estão acompanhando e comentando! Vocês são muito gatos, e enchem meu dia de amor! VALEU!
