Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.
You're all I have
Kaline Bogard
Capítulo 11
Adeus
O último dia em Muspelheim passou incrivelmente rápido. Logo após o desjejum os irmãos foram convidados para conhecer os terrenos ao redor do palácio, convite prontamente aceito.
Também ali, assim como em tudo naquele reino, as cores predominantes eram avermelhadas, no céu e no solo.
Os visitantes caminharam envoltos pelos Muspel em sua forma diminuta até um ponto em que o solo divergia para um pequeno barranco.
A vista que se descortinava logo abaixo era de tirar o fôlego: um campo repleto de flores desabrochadas que, assim como as árvores daquela floresta, possuíam tamanho bem maior do que o que estavam acostumados. A menor delas obrigaria Thor a se erguer na ponta dos pés e esticar o braço para tentar tocar suas pétalas.
Os demônios do fogo precipitaram-se barranco abaixo, esvoaçando entre as flores carmim, como crianças brincando no jardim.
Os asgardianos se contentaram em sentarem-se na ponta do barranco, os pés balançando livres no ar, apenas observando a movimentação das criaturas ardentes.
– É a última plantação de Minmesias – Sinmore, em sua forma humanóide, surgiu em pé ao lado dos deuses irmãos – Elas são perfeitamente simétricas em seu ciclo.
– Florescem apenas a cada duzentos anos – Loki completou a informação demonstrando seu vasto conhecimento.
– Exato, Loki Odinson. E cada vez que desabrocham mantêm as pétalas abertas por mais duzentos anos. Essas acabaram de florescer.
Não disse mais nada. Até mesmo Thor entendeu as entrelinhas: não haveria outro ciclo para aquelas lindas flores. Provavelmente era a última vez que exibiam tamanha beleza sem igual.
Observaram a paisagem por mais um tempo antes de seguiram para um pouco mais ao norte. Sinmore lhes apresentou o rio Terlft que, segundo a lenda, dava acesso ao Hel, mas apenas aos mortos, inclusive de outros reinos. Todos tinham que passar por aquele rio antes de alcançar seu destino final.
Evidentemente era apenas uma lenda. Poderia ser real ou não. Odin nunca dissera nada aquele respeito, nem os irmãos haviam perguntado.
Loki já lera algo parecido em algum lugar. Tinha quase certeza de ter sido em um livro escrito em Muspel.
Diferente do padrão, as águas do rio eram escuras e turbulentas. Os demônios do fogo não se aproximaram muito das margens, temendo até mesmo um respingo daquelas águas tidas como sagradas.
As árvores ao redor do leito eram escuras e feias. Uma espécie de névoa cinzenta planava dando um ar deprimente. A sensação era tão ruim que Thor chegou a tocar o martelo preso ao cinto, como que para garantir que ele estava ali em caso de algo desconhecido saltar daquelas águas.
– Ninguém vem aqui – Sinmore afirmou cortando um pouco do clima ruim.
Thor lançou um breve olhar em direção a Loki. O moreno acenou em concordância. Ambos sabiam o que a criatura fazia: ela apresentava os pontos importantes que ainda existiam em Muspelheim. Mostrava aos deuses em secreta esperança que eles mantivessem tudo aquilo vivo em suas memórias.
Quando o reino dos demônios de fogo desaparecesse de vez restaria apenas a literatura, mas as páginas de um livro não são como as lembranças. Thor e Loki guardariam momentos maravilhosos não só na mente, mas também em seus corações.
Isso sim era permanecer vivo e pulsante, mesmo quando não existissem mais. Esse era o legado dos Muspel.
Nem Thor nem Loki acreditavam em destino. No entanto a presença deles ali, em um momento tão delicado, não podia ser considerada simples coincidência.
Ficaram pouco tempo à beira daquele rio feio e escuro.
Foram guiados a um campo gramado atrás do palácio. Grandes toalhas haviam sido arrumadas sobre o solo e uma refeição deliciosa os aguardava. Mas não foi isso que despertou o interesse dos asgardianos.
Os olhos dos jovens deuses se ergueram para o céu, onde uma gama impressionante de animais esvoaçava. Criaturas que variavam do belo ao quase bizarro, em suas formas diversificadas.
Criaturas que Loki só vira em estampas nos seus amados livros e que em breve também não existiriam mais.
Animais acostumados a conviver com os Muspel, por isso logo procuraram interação, chegando perto sem medo. Ao mesmo tempo em que os demônios de fogo assumiram as formas humanóides masculinas e femininas. Crianças, adultos e velhos; espalhando-se e tomando lugar às toalhas estendidas. Sinmore, sua serva e outros se acomodaram junto a Thor e Loki.
Naquele clima amigável e descontraído começou o piquenique. Logo os demônios do fogo com formas infantis perderam o interesse pela comida e preferiram correr de um lado para o outro, perseguindo os bichinhos que por ali estavam.
Thor pareceu achar particularmente engraçado quando um garotinho conseguiu grudar em algo que lembrava uma borboleta gigante. A criatura ergueu vôo assustada, com o guri segurando firme em seus pés arredondados. Vendo que ia ser levado embora ele soltou, voltando para a forma de pequena chama, enquanto os coleguinhas riam dele.
Loki apenas observou.
Pensava em quanto o universo perderia quando Muspelheim deixasse de existir. Toda aquela riqueza, a flora e a fauna sem iguais, os habitantes tão acolhedores... tudo desapareceria. E, um dia, nem mesmo uma lembrança restaria.
O pensamento o deixou levemente deprimido. Não tinha pretensão de acreditar que algo poderia ser, verdadeiramente, eterno. Nem os deuses de Asgard. Nem Odin, o pai de todos. Ou Thor.
Tudo, mais cedo ou mais tarde, seria renovado.
Ouviu a risada cristalina de seu irmão novamente. O deus do trovão se divertia um bocado com os Muspel. Então Loki teve um daqueles momentos de iluminação que surgem nas situações mais inusitadas: Thor vivia o presente. Essa era mais uma das diferenças marcantes entre ambos. Enquanto Loki planejava o futuro, arquitetava suas ações e estruturava tudo o que devia acontecer; Thor simplesmente se jogava, se deixava levar pelo impulso e tirava o máximo possível do presente, sem tentar adivinhar ou controlar o que estava por vir.
Tão diferente de Loki.
Mas parecido com os Muspel, criaturas a beira da extinção, que tiravam coisas boas até de um destino tão cruel. É... o deus mago ainda tinha muito o que aprender.
Depois da farta refeição seus anfitriões se espalharam pelo campo, esticando-se no gramado macio. A maioria foi dominada pela letargia. Mesmo o asgardiano loiro, sempre disposto e animado não resistiu, fez um sinal para Loki, pedindo que se acomodasse sobre seu tórax forte, enquanto também se acomodava cruzando um braço atrás da cabeça.
O convite foi prontamente aceito, Loki recostou-se ao corpo do irmão sentindo-lhe a respiração pausada e calma, contagiado imediatamente pelo calor tão conhecido.
A mão livre do loiro tocou os cabelos negros e começou a acariciá-los. O cafuné foi tão gostoso que deixou o deus-mago sonolento. Deslizar para o mundo dos sonhos foi inevitável.
A tarde se findava quando os irmãos acordaram. Todos os Muspel, com exceção de Sinmore, planavam em suas pequenas formas pelo céu, como estrelas avermelhadas desenhando novas constelações.
O caçula sentou-se e esticou o corpo, parecendo um gato satisfeito. Thor riu e ganhou um olhar feio de volta.
– Temos que partir, Sinmore – Loki informou para a Muspel sentada próxima a eles abraçando as pernas.
– Sei disso, Loki Odinson. Lifthrasir...
A jovem serva destacou-se no meio dos pequenos pontos e voltou a forma similar humanóide. Em silêncio agitou a mão para o lado, espirrando duas pequenas bolas de fogo que se esticaram em todas as direções, manipuladas por mãos invisíveis, crescendo até se tornarem dois magníficos corcéis alados.
– Eles os guiarão à fronteira, filhos de Odin.
– Obrigado – os deuses agradeceram com sinceridade.
Sinmore aproximou-se de Loki, segurou-lhe o rosto e depositou um beijo em cada face, agraciando-o com o calor suave que emanava de suas chamas. Depois foi até Thor e tocou-lhe o ombro com respeito.
– Não nos agradeça. Cumprimos os desígnios de nosso destino com orgulho e honra. Nossa existência foi repleta de felicidade e bênçãos. Os Muspel partirão desse mundo deixando alianças poderosas e fortes laços de amizade – a voz da criatura de fogo vacilou um pouco antes de concluir – E recebemos, além disso, um último presente: a visita de Loki Odinson. Nós é que temos que agradecer, deus do fogo.
– Nunca esqueceremos seu povo – Loki garantiu – Enquanto Asgard existir haverá menções e cânticos em vossa honra.
Thor concordou.
Aquilo encerrou as despedidas. Os asgardianos montaram os alazões de fogo. Os animais agitaram as asas e começaram a ganhar os céus lentamente, como se quisessem prolongar o momento por mais tempo.
Sinmore ergueu o braço e acenou. As centenas de Muspel revoaram em volta dos irmãos, enquanto eles se elevavam no céu, mas logo ficaram pra trás. Todos sabiam: não se tratava de um "até breve". Era, em verdade, o adeus definitivo.
– Isso foi... – Loki começou a falar, porém ficou surpreso – Irmão... você está chorando?
– Claro que não! – o loiro resmungou. Não era uma lágrima que escorria pelo canto dos olhos azuis. Era apenas... um cisco. Imagina, o grande deus do trovão chorando numa despedida. Aff...
Loki sorriu e desviou os olhos. Respeitou a privacidade do loiro que não estava acostumando a mostrar seus sentimentos.
Sabia, lá no fundo, que Thor ficaria marcado pela bondade dos Muspel. Tanto quanto ele próprio ficaria.
Continua
Olá pessoas! Sem mimimi dessa vez. Em primeiro lugar, muito obrigada pelo apoio, quando eu digo que os leitores dessa fic são gatos é sem exagero!
Então, aproveitando a onda de animo, aviso que a marida e eu estamos trabalhando em um novo projeto! Logo logo postaremos novidades pra vocês!
Esse capítulo não estava previsto. Já era pra ser um rascunho dos Trolls, mas eu fiquei pensando que os Muspel mereciam uma despedida digna. Então aqui está.
Como disse nos primeiros capítulos não to pesquisando nada de mitologia nórdica. Só me baseio no filme, em fics que leio por aí e na minha imaginação pervertida. Não levem nada do que eu digo a sério: nem no Couraçado Desbravador (a Karnilla não tem um barco que voa!), nem nessas flores aí dos duzentos anos, ou na forma verdadeira dos demônios de fogo. Menos ainda o rio lá que leva os mortos ou os animais que convivem nesse reino. É tudo invenção.
Ah, esses demônios do fogo também não estão em extinção. Eu fiz uma busca na santa wikipedia e lá diz que Sutur desapareceu, mas não diz porquê. Então minha mente doentia pensou: porque ele não pode ser o primeiro? Como demônio mais velho e ele partiu e iniciou o fim da espécie.
Por último: não foi betado! Por favor, ignorem os erros grotescos! Não queria atrasar mais pra postar.
Beijos e até a próxima!
