Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon:
Thor
Casal:
Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso:
Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.

You're all I have
Kaline Bogard

Capítulo 12
Os subterrâneos

A paisagem começou a mudar lentamente conforme os cavalos cavalgavam os céus. Os tons vermelhos deixavam de ser predominantes, substituídos por cores escuras e sombrias.

– Estamos próximos a fronteira – Loki reconheceu o cenário que já visitara antes.

Thor moveu a cabeça em concordância.

– Estamos mais ao norte.

– Não me lembro de nenhuma passagem por aqui. Nunca fui tão longe em minhas incursões.

– Então iremos mais ao centro.

Loki apertou os lábios. Ir mais ao centro significava correr mais chances de encontrar com Trolls ou gigantes. Não seria nada agradável enfrentá-los. Desviou os olhos para Mjölnir preso ao cinto de seu irmão mais velho. Aquela arma era uma defesa e tanto, porém não podia se valer apenas disso.

– Nada de atos impensados, irmão. Podemos nos defender bem, mas não quero arriscar.

Thor segurou a risada. Desde que Loki estivesse ao seu lado nenhum perigo os alcançaria. Preferiu concordar apenas para deixá-lo tranqüilo.

– Serei precavido – o sorriso aumentou – na medida do possível.

O moreno rolou os olhos. Antes que dissesse algo mais os cavalos reclinaram suavemente para baixo e começaram a descer. Estariam cansados de cavalgar a noite toda?

– Acho que é o limite deles – Loki falou.

Rapidamente ganharam o solo pedregoso. Os cavalos encostaram os cascos no chão e abaixaram as asas de modo a facilitar a descida de seus cavaleiros.

Thor soltou primeiro e levou um susto. O chão parecia ser feito de vidro!

– Irmão...

Loki teve a mesma sensação ao desmontar. Fixou os olhos verdes nos pedriscos que cobriam todo o terreno. Pareciam firmes, mas davam a sensação de ser o mais puro cristal.

– Entendi – o moreno afirmou – Essa é a última fronteira que liga Muspelheim ao resto do mundo. O chão parece frágil, por que está frágil. Está ficando mais e mais fino. E é por isso que os cavalos não podem prosseguir com a gente.

– Parece que estou pisando em vidro.

– Sim. Essa fronteira é frágil como vidro. Não vai resistir por muito mais tempo e quando quebrar isolará os Muspel para sempre.

– Temos que nos apressar.

O deus-mago concordou com um aceno. A sensação era tão forte que provavelmente a fronteira não duraria muito. Tomado por uma urgência atípica, ele virou-se para o garanhão e tocou-lhe a crina.

– Obrigado, amigo. Nos separamos aqui.

O cavalo relinchou e bateu o casco no solo. Então o que trouxera Thor abriu as asas e ganhou os céus, logo seguido por seu igual.

Os asgardianos observaram silenciosos enquanto os alazões desapareciam na distância, voando em direção ao sol nascente.

– Vamos? – a impaciência de Thor era gritante. Sua preocupação era pela forma como aquele solo dava a falsa impressão de segurança, quando na verdade poderia ruir a qualquer momento.

– Vamos.

Ambos deram um passo e depois outro. A sensação de caminhar sobre algo fino e delicado era angustiante. Por algum tempo avançaram com cuidado e precaução, até a paisagem ir se alterando. Arvores envelhecidas e de aspecto decaído surgiram aqui e ali.

O solo passou de pedroso para umedecido. Como solos típicos de pantanais.

O reino dos trolls não era chamado de subterrâneos por ficar embaixo da terra. Ele, assim como os demais, se encontrava na superfície. Mas era cheio de pântanos e vegetação apodrecida, o que dava o ar triste, sufocante.

Além da mudança da paisagem a sensação do risco de cair a cada passo diminuiu gradativamente até desaparecer, fazendo com o que os irmãos pudessem caminhar novamente com desenvoltura e sem preocupação.

– Estamos longe da fronteira – Thor afirmou.

Loki concordou com um aceno de cabeça. E numa mudança totalmente brusca de assunto fez uma pergunta que martelava sua mente há tempos.

– Como foi em Midgard?

O loiro observou o caçula antes de responder.

– Uma experiência indescritível. Aprendi muitas coisas.

– Ah.

Thor não se deixou enganar pela exclamação curta. Seu irmão ainda parecia remoer o assunto, por isso incentivou.

– Por que?

– Por nada – o deus-mago deu de ombros – Só perguntei.

– Eu te conheço, irmãozinho. Não pode ser tão simples assim.

Loki praguejou irritado. Tinha acabado de enfiar o pé numa poça de lama.

– Maldição. Odeio esse lugar.

– Logo sairemos daqui – o mais velho observou enquanto Loki tentava limpar um pouco da sujeira que aderira ao sapado.

– Hn. Não conheço essa região muito bem. Já vi alguns mapas, mas nunca vim pessoalmente.

– Se tivesse uma das passagens secretas por aqui...

– Não tem, Thor. Não que eu conheça. Precisamos ir mais ao centro do reino.

O loiro torceu os lábios sem rebater. Esperou o moreno limpar o melhor possível seu calçado para que recomeçassem a caminhada evitando as poças, desviando de pedaços de árvore caídos, tão podres que iriam se desfazer ao menor toque.

O silêncio começava a sufocar quando Loki lançou outra questão que o incomodava.

– Você foi pra cama com Jane Foster?

Thor quase engasgou. Olhou de rabo de olho para o rapaz que caminhava ao seu lado com a expressão que denunciava seu ciúmes.

– Isso importa?

A tentativa de desconversar irritou o moreno.

– Não.

Suspirando Thor meneou a cabeça.

– Não fiquei tanto tempo assim em Midgard, irmão. E não sou um galanteador como Frandal, que não pode ver uma mulher.

– Oh... Frandal? Ele não gosta de mulheres tanto assim...

A revelação deixou Thor aturdido.

– Não? Frandal? Nunca pensei que ele só tivesse aquela pose toda.

– Sim – o deus-mago sorriu de lado – Pura aparência.

O loiro emburrou.

– E como você descobriu isso?

– Descobrindo – Loki desdenhou como se não fosse algo importante.

Thor aproximou-se do irmão e passou o braço forte por seu ombro, puxando-o para bem perto de si.

– É melhor parar de descobrir esse tipo de coisa, irmãozinho.

O moreno riu baixo deliciando-se com o ciúmes que respingava do loiro. Sentiu-se devidamente vingado pela história da mortal Jane Foster.

Foi assim, meio abraçados, que caminharam por um bom tempo. Loki pediu que Thor contasse como estavam as coisas em Asgard depois que ele fugira.

O loiro obedeceu, revelando o sofrimento inconsolável de Frigg e todo seu desespero de mãe. A silenciosa lamentação de Odin, que não se permitia mostrar como a perda de seu caçula doera fundo em sua alma. Também falou sobre a indiferença de Sif e os três guerreiros que não evitavam dizer o quão trágica fora aquela perda.

Loki ouviu tudo em silêncio, meditando cada palavra.

Sentia muito por causar aquilo a seus pais. Não ia ser hipócrita e dizer que se arrependia do que planejara. Arrependia-se apenas de não ter calculado todas as margens de erro.

Se tivesse agido com mais cuidado, planejado melhor... nada daquilo seria necessário.

Mas então talvez as coisas não tivessem caminhado como até então. Talvez não conhecessem Karnilla e os Muspel. E, mais terrível de tudo, quem sabe ele e Thor não tivessem se acertado...

O pensamento fez com que Loki se aconchegasse mais ao corpo que o abraçava, sendo plenamente acolhido. Ambos desejaram aquilo por tanto tempo que mal podiam contar, mesmo que o amor tivesse sido assumido a pouco. Não era algo que nascera naquela aventura. O sentimento vinha cultivado de longos anos.

– Acho que aqui é um bom lugar para passarmos a noite.

O moreno observou tudo ao redor. Pra ele parecia exatamente igual ao resto: pântanos, lama e arvores mortas. Um cheiro pesado, não desagradável, mas angustiante. No entanto, mesmo que caminhassem mais, não havia garantias de que melhoraria. Precisava levar em conta que caminharam por todo o dia sem ao menos uma parada.

– Vamos descansar aqui.

Os asgardianos perceberam que uma névoa fina esvoaçava pelo chão. O céu era parcialmente encoberto pelas árvores, o que bloqueava a visão. Provavelmente a noite caia. E seria fria.

– Temos que marcar bem de onde viemos.

Thor resmungou. A paisagem era tão aborrecidamente igual!

Antes que Loki respondessem ouviram barulho na vegetação à esquerda deles. A moita de folhas escuras foi empurrada e um troll passou por elas. Era alto e forte, com os cabelos sujos e grudentos. A face meio monstruosa demonstrava urgência.

Quase com desespero as mãos procuraram o cós da calça encardida. Mas, pra alivio dos irmãos, antes que fosse abaixada o troll percebeu que não estava sozinho.

Por constrangedores dois segundos eles apenas se observaram, até o nativo do locar sair de seu estupor.

– Asgardianos – resmungou para então recuperar-se da surpresa por completo – ASGARDIANOS!

A mão de Thor voou para o martelo. Mas tanto ele quanto Loki intuíram a enrascada. Mesmo que matassem aquele cara o alarme já fora dado. A prova disso era o eco de várias e várias vozes que repediam aquela palavra.

Asgardianos.

Asgardianos flagrados nos subterrâneos exatamente quando os trolls recebiam a visita de gigantes.

Eita falta de sorte miserável.

Continua

Cidadãos de Gotan City... eis que estamos acabando.

Não se preocupem: não planejo nada além de um ou dois estupros pro Loki.

o.o

Brinks, gente. Cadê o senso de humor?

O próximo capítulo é, provavelmente, o último. Somado a um epílogo. Eu realmente amo epílogos e prólogos!

Obrigado especial a marida que fez a gentileza de dar uma arredondada nesse capítulo! Obrigada, sua gata especial!

Era só isso. Até segunda que vem!