Da ferida aberta no meu peito
Espirra e jorra escuridão e dor
E dissolvem pensamentos
O anjo observava o loiro deitado. Havia tantas marcas em seu corpo, mais ainda em sua alma. Chegava a sentir sua dor e seu desespero, sentia quando o loiro morria a cada palavra que o mais novo dos Winchesters lhe proferia na intenção de machucá-lo. Sentia o peito arder na sua impotência de poder ajudá-lo.
Tendo um pesadelo em uma febre
Que não posso acordar
Eu não consigo ouvir sua última voz
Viu o corpo de Dean debater-se, e a garganta fazer um grunhido, como um grito sufocado. Em menos de um segundo estava ao lado do loiro, com a mão em sua cabeça tentou fazer com que se acalmasse, e em pouco tempo o outro voltou a dormir tranquilamente. Castiel sorriu, estava tudo bem agora. Dean sonharia apenas com coisas felizes, pelo menos em sonhos ele deveria ver coisas boas.
Não chore
Se eu te abraçasse ao ponto de você parecer quebrar
Você tremeria
Castiel assustou-se ao ver o loiro sentar-se e rapidamente sacar a arma que ficava embaixo do travesseiro. Os olhos grandes e verdes marejados, como se algo ruim tivesse acontecido. O anjo pegou a pistola de sua mão, calmamente passou os braços por seu pescoço. Sentiu os músculos tensos relaxarem e beijou-lhe o pescoço. Apertou o abraço quando sentiu as mãos grandes em seu quadril e ofegou baixo. O loiro chorava.
Como a areia que sopra e cai
Eu faço um curto desejo perto da luz
Lágrimas que não secam mancham seu rosto fechado
Tentou secar as lágrimas que caiam dos olhos de Dean, o loiro pegou a mão pálida entre as suas e a beijou com delicadeza. Castiel sabia que era uma forma de se desculpar. Conhecia Dean em seu íntimo, sabia que ele estava se desculpando por algo que não deveria, o que Sam fazia de errado o mais velho se desculpava por ele. Castiel tocou com os dedos os lábios entreabertos do outro, mas não sorriu ao fazê-lo o que fez Dean encará-lo com olhar culpado.
Preces penetram profundamente
Pelas feridas entre meus dedos estendidos
Não chore
Castiel parecia querer gritar com olhos, queria gritar a Dean o quanto o machucava ver o loiro quebrado daquele modo, de como ficava sentindo-se impotente diante daqueles incríveis e magoados olhos verdes. Queria privá-lo da dor.
De quanto sofrimento e dor ilimitada
Eu fui capaz de te salvar
Em suas mentes vinham os flashes do dia em que foram salvos. Dean salvo por Castiel, do inferno, e Castiel salvo por Dean de uma existência sem amor. Sentiam-se tão completos um com o outro, era uma lástima que Sam não pudesse entender o que sentiam.
Me mostre que você ainda vai tocar
Minha mãos erguidas com mais força
As mãos entrelaçaram-se e com um pedido mudo de compreensão Dean colou os lábios aos do anjo, que correspondeu prontamente a carícia pura.
Sempre e nunca
Eu saltarei, bem distante
Com asas de vida estampada
Dean sentiu-se flutuar ao sentir o gosto tão familiar e tão magnífico da boca macia do anjo. Sam sempre foi mais que um irmão, Sam sempre foi tudo que Dean queria.
O loiro vivia para o outro, não se importava com nada a não ser o pequeno e frágil Sammy mas, Castiel surgiu, salvou-o e mostrou que vivia pra ele, Dean se maravilhou, e não foi difícil começar a nutrir pelo anjo um amor incondicional, como ou até mais forte que aquele que sentia por Sam.
O mais novo não aceitou que a submissão de Dean tivesse se acabado, não aceitou seu admirador ter uma pessoa especial que só pensava nele.
Sammuel Winchester se enfureceu perante o amor que passou a uni-los e a excluir Dean de sua vida.
Se foi para não ver que Dean era feliz com Castiel.
Almejando pelo próximo mundo no qual renascerei.
