Capítulo XII

Almas perdidas

Era quase meio-dia quando Harry e Gina aparataram no jardim da Toca. Sra Weasley estava na cozinha preparando o almoço de domingo, quando o casal entrou pela porta da frente.

- Oi mãe, tudo bem? – perguntou Gina abraçando a matriarca Weasley.

- Oi minha filha.

- Olá Sra Weasley. – falou Harry.

- Oi Harry querido. Por acaso vocês viram o Rony por ai, porque eu fui ao quarto dele a uma hora, e ele não estava, e a cama estava toda feita, parece que não dormiu em casa. – falou a Sra. Weasley preocupada.

Um sorriso tomou conta dos lábios de Gina.

- Mãe, eu acho que ele realmente não dormiu em casa, mas não se preocupe, ele está em boas mãos. – falou a ruiva com um sorriso travesso.

Gina se virou para Harry que também estava sorrindo.

- Você acha que... – começou Gina baixinho para que a mãe não ouvisse.

- Provavelmente sim! – completou Harry.

Mas nesse instante escutaram um barulho vindo do quarto de Rony. O casal correu até o último andar da casa, mas antes de abrir a porta Harry sacou a varinha, e com um toque ele a abriu.

- O meu Merlin! – exclamou Gina estupefata.

Rony estava parado no meio do quarto, todo desarrumado, os cabelos estavam mais desgrenhados do que nunca, a sua gravata cor de vinho estava ao redor de seu pescoço, a camisa estava completamente amarrotada e alguns botões estavam abertos, mostrando algumas marcas vermelhas em sua pele branca.

- Oi maninho, como foi a sua noite? – perguntou Gina fazendo força para não rir do estado do irmão.

- Melhor impossível. – falou Rony com um sorriso bobo na cara, sem dar muita importância para seu estado lastimável.

De repente Molly Weasley entra no quarto assustada.

- Harry? Gina? O que foi aquele barulho? – perguntou Molly se virando para o casal.

Os dois apontavam para o ruivo mais a frente.

- OH MEU MERLIN, o que aconteceu com você meu filho? Te fizeram alguma coisa? – perguntou Molly eufórica, verificando se estava tudo bem com o filho.

Rony não respondeu.

- Pelo amor de Merlin, fala alguma coisa Ronald! – pediu uma assustada Sra. Weasley.

- Se acalma Sra. Weasley. – falou Harry a puxando gentilmente para um canto do quarto. – Eu sei por que Rony está assim.

- Então fale querido, porque o meu filho chega em casa completamente desarrumado, depois de não dormir em casa.

- A senhora não percebeu. Ele está todo desarrumado, não dormiu em casa essa noite, e está com um sorriso bobo na cara. O que a senhora acha que é? – perguntou Harry como se parecesse óbvio.

Molly olhou para o filho que estava com um olhar vago, perdido em seus próprios pensamentos, e voltou a olhar para o genro a sua frente.

- Ainda não entendi o estado do meu filho. – concluiu a Sra. Weasley.

Gina que estava escutando a conversa de Harry e a mãe acabou perdendo a paciência com a tentativa em vão de o namorado fazer com que sua mãe entendesse o que havia acontecido.

- MÃE VOCÊ AINDA NÃO PERCEBEU QUE RONY E HERMIONE DORMIRAM JUNTOS. SABE AQUILO? ACONTECEU! – falou Gina gritando.

- E o que te faz pensar isso Ginevra? – perguntou a Sra. Weasley desconfiada.

Gina passou a mão nervosamente pelos cabelos ruivos que estavam presos em um rabo de cavalo, e algumas mechas caiam pelo rosto. A garota bufou e respondeu com a maior calma possível para a mãe:

- Olhe para o Rony, mamãe. – pediu se virando para o irmão que ainda mantinha o olhar abobado. – Ontem o seu filho saiu para jantar com Hermione, e ELE. – apontou para o irmão. – Não dormiu em casa, está todo desarrumado, e está com cara de idiota, mas ele já é um, então não faz muita diferença, mas olhe como os olhos dele brilham.

- Você tem razão Gina, eles... – falou Molly.

- Mas é claro que tenho. – concluiu a ruiva.

- Então faça com que seu irmão volte à consciência, eu tenho que terminar de preparar o almoço. – falou e se retirou do quarto rapidamente.

Harry e Gina se entreolharam, e voltaram a olhar Rony que ainda mantinha o olhar vidrado, absolto em seus próprios pensamentos.

- O que vamos fazer para que ele recobre a consciência mental. Eu posso estuporá-lo se quiser. – falou Harry já com a varinha em punho.

- Não. – abaixando a mão de Harry. – Poderia causar um trama nele, mamãe nos mataria por isso, eu tenho um plano melhor.

- Qual? – perguntou Harry desconfiado.

- Você vai ver. – falou Gina com um sorriso.

A ruiva foi até o irmão e se posicionou atrás dele chegou perto de seu ouvido e gritou:

- HERMIONE!

Rony pulou de susto.

- Onde? Cadê? Ela já chegou? – perguntou assustado.

- Ela não chegou ainda. Mas é melhor tomar um jeito de se arrumar, porque você não está muito apresentável para o almoço de família. – falou Gina tentando ser mais séria possível.

- Oh é mesmo, hoje é domingo, almoço de família. – falou Rony, e saiu para tomar um banho.

- Sabe será que algum dia Rony vai crescer? – perguntou Gina olhando o sol de verão pela janela.

- Não. Ele é assim, então não tem muito que fazer. – falou Harry a abraçando por trás.

Ficaram abraçados em silêncio só observando o sol escaldante do meio-dia.

- Sabe, ás vezes eu fico me perguntando, se você não fosse o "menino-que-sobreviveu", se não tivesse encontrado com a minha família na estação de King Cross há oito anos, se você não tivesse naquela cabine onde Rony estava no expresso de Hogwarts, se não tivesse acontecido tudo o que nós passamos. Será que nós estaríamos juntos? – perguntou Gina.

- Não sei, talvez sim, ou talvez não, quem poderia saber? Mas eu sei de uma coisa. – falou Harry.

- Qual? – perguntou Gina finalmente virando a cabeça para poder olhá-lo.

- Eu só sei que eu acabei com o cara de cobra, e voltei para a minha ruivinha, e agora eu vou poder ter uma família e paz, duas coisas que eu nunca tive, ou não me lembro de tê-las. – falou Harry e em seguida a beijou.

Gina virou o corpo para poder corresponder melhor o beijo. Mas quando se deram conta, já haviam se deitado na cama de Rony. Harry já percorria caminhos já conhecidos pelo corpo de Gina, mas ouviram uma voz distante os chamarem, fazendo que voltassem para dura realidade.

- Eu acho que vocês dois deveriam parar de se agarrar onde outras pessoas possam entrar, Rony poderia pegar vocês, e Harry não sobreviveria para contar a história. – falou Hermione com cara de riso.

- Você tem razão Mione, nós dois devíamos parar de nos beijar onde possa haver cama, sofá, colchão ou qualquer coisa onde possamos nos deitar. – falou Harry se levantando e fechando os botões da camisa azul que usava.

- Mas Harry, essa coisa de parar de se beijar em lugares em que aja cama, sofá, colchão, não funciona. Lembra daquela vez que nós... – começou Gina.

- GINA WEASLEY!- exclamou Harry.

A ruiva se calou imediatamente, Hermione ria da cara dos amigos.

- Gina, a sua mãe está te chamando lá em baixo para que a ajude com o almoço. – disse Hermione se recuperando.

- Ah claro! – falou ajeitando a roupa e o cabelo.

A ruiva deu um beijo no noivo e saiu.

- Então? – perguntou Harry se virando para Hermione.

- Então o que? – perguntou a garota.

- Como foi a sua noite?

- Muito boa, o jantar estava perfeito. – falou Hermione.

- Eu não estou falando do jantar, estou falando da "sobremesa". – falou Harry sendo um pouco mais direto.

- A sobremesa também estava ótima, sorvete de morango e mais alguma coisa que eu não sei o que era, mas estava uma delicia.

- Eu não estou falando dessa sobremesa Hermione. – falou Harry.

- Eu não estou te estendendo. – concluiu Hermione.

- Eu estou falando da sua noite com Rony, e não se faça de desentendida Srta. Hermione Jane Granger. – falou Harry.

- Está tão na cara assim? – perguntou Hermione furiosamente corada.

- Você não, mas o bendito do seu namorado, meio que escreve na testa o que aconteceu, está sorrindo feito bobo. – falou Harry sorrindo. – Então como foi?

- Foi perfeito, nós ficamos na casa dos meus pais, eles estão viajando. Rony me pediu em casamento Harry! – exclamou Hermione alegremente mostrando o anel.

- Que ótimo. – falou a abraçando.

Rony chegou completamente arrumado e devidamente vestido.

- Pelo visto você já contou a ele. – falou Rony.

- Sim.

- Parabéns a vocês dois. Agora é a minha vez de alertar você cara, é melhor a faze–lá feliz senão eu é que vou quebrar a sua cara. – falou Harry abraçando Hermione que sorriu envergonhada.

- Pode deixar cara. – disse Rony se juntando ao abraço.

O trio desceu para ajudar a com o almoço e viram que Jorge havia chegado.

- Oi pessoal, queria apresentar a vocês a minha nova namorada. Eu acho que vocês já a conhecem. Vem cá Angelina! – chamou Jorge.

Angelina Johnson, ex-capitã do time da Grifinória, e ex-namorada de Fred, entrou na sala.

- Oi Harry, Rony e Hermione. – cumprimentou Angelina.

- Oi Angelina. – falaram os três.

- Quanto tempo, hein? Soube que depois que eu terminei os estudos em Hogwarts, você se tornou capitão do time da Grifinória Harry.

- É, me tornei sim, mas foi só por um ano e nem conseguimos a taça de ouro para a Grifinória. – falou Harry que ainda não se esquecerá por que.

- É eu ouvi falar que a Grifinória ficou em segundo lugar, porque vocês perderam um jogo. Mas também soube que não venceram por que você levou um balaço na cabeça de um jogador da sua equipe, não foi? – perguntou Angelina.

- É foi sim. McLaggen estava substituindo Rony que havia sido envenenado e não pode jogar, ele estava querendo dar uma de capitão e eu gritei com ele, e então só me lembro de estar deitado na cama da ala hospitalar e com a cabeça cheia de bandagens. – falou Harry com um pouco de raiva.

- E aquele idiota ainda queria sair com Hermione. – falou Rony com mais raiva ainda.

- Nem me lembre disso, ele só sabia falar de si mesmo e de suas "conquistas" no quadribol. – disse Hermione.

- Mas Gina ajudou muito no último jogo, ela garantiu a taça de prata para a Grifinória, eu tinha pegado uma detenção com Snape e não pude jogar então eu a escalei para jogar no meu lugar como apanhadora. Mas aquele foi o melhor jogo da minha vida, mesmo eu não tendo jogado. – falou Harry com uma expressão sonhadora muito parecida com a de Luna Lovegood.

- Por quê? – perguntaram Rony, Angelina e Jorge.

Hermione mantinha uma expressão alegre, aquela mesma expressão que dizia "eu sei de coisas que você não sabe".

- Porque foi nesse dia que Harry e eu demos o nosso primeiro beijo, na verdade ele me beijou. – falou Gina entrando na sala. – Digamos que foi um dos melhores dias da minha vida. – falou sorrindo para o noivo.

- Ah é, soube que vocês estavam namorando, parabéns para o casal. E a vocês também Rony e Hermione. – falou Angelina.

- Rony e eu não somos apenas namorados, ele me pediu em casamento ontem. – falou Hermione mostrando o anel.

- Oh é lindo!

Angelina e Hermione foram para um canto conversar.

- Até que enfim Ronald! – exclamou Jorge.

- O que?

- Até que enfim o Roniquinho desencalhou, o Roniquinho vai se casar! – cantarolou Jorge e Harry se juntou ao coro desafinado de "Roniquinho vai se casar!".

O resto da família Weasley chegou logo depois, todos iriam almoçar no jardim porque não cabiam todos na cozinha. Rony anunciou o seu noivado com Hermione para todos, a Sra. Weasley teve seu costureiro ataque de desmaios pós anuncio de casamento. Depois que todos se acalmaram e a matriarca Weasley voltou a respirar normalmente, Arthur Weasley se levantou e pediu novamente a atenção de todos.

- Como viram existem dois casamentos a vista, e agora eu pergunto, a Harry e Gina se eles já decidiram a data do deles?

Harry e Gina se levantaram.

- Nós conversamos ontem e achamos melhor fazer a festa aqui mesmo, no jardim da Toca, e só para alguns convidados, não queremos uma coisa muito grande, basta as grandes coisas que já passamos. – falou Gina.

- E como queremos uma festa pequena eu particularmente não quero fotógrafos ou repórteres por perto querendo se infiltrar no nosso casamento. Então eu vou dar um jeito de lançar alguns feitiços de proteção ao redor da casa, se for preciso eu vou escalar alguns aurores para que não deixem que entrem na propriedade. Eu não quero ser o famoso Harry Potter no meu casamento, eu só quero ser o Harry, um rapaz que quer se casar e viver em paz. – falou Harry um pouco alterado.

- Ta bom amor, vamos fazer o possível para que não tentem entrar aqui, mas se acalma. – pediu Gina.

- Você acha que eu to brincando, mas eu estou falando sério. – falou Harry.

- Ta bom querido, sabemos que está falando sério, mas dá para falar quando marcaram o casamento? – perguntou a Sra. Weasley fazendo com que Harry se sentar-se.

- Nós achamos que daqui para um mês está bom. – falou Gina pondo a mão no ombro do noivo.

- O QUE? Mas já? Tão perto assim? – perguntou Molly.

- Mãe entenda, nós já esperamos demais, queremos isso mais do que tudo, e de preferência o mais rápido possível. – falou Gina.

- Está bem! Então vou começar a arrumar tudo amanhã mesmo. Preparar um casamento não é nada fácil, Gui e Fleur que o digam.

- O que pensa que vai fazer? A senhora ficou estressada com o casamento de Gui, imagine com o meu. – falou Gina apontando para o irmão que estava do outro lado da mesa.

- Ginevra Molly Weasley! A senhorita não vai me impedir de arrumar o seu casamento, você é minha filha, minha caçula e eu sou sua mãe, vou ajudar querendo ou não. – falou a Sra. Weasley em um tom mais alto.

Gina sentou a lado de Harry e sussurrou:

- Está bem, se a senhora quer assim.

- Então temos que começar a pensar já, aposto que Hermione vai querer ajudar, não é querida? – perguntou a Molly a futura nora.

- Claro que sim. – falou Hermione. – Não perderia por nada, vai ser ótimo ajudar.

- Obrigado! – agradeceram Harry e Gina sorrindo.

Se passarão duas semana desde a "reunião familiar", os preparativos do casamento de Harry e Gina estavam a mil, e a Sra. Weasley andava mais estressada do que nunca, ninguém ousava cruzar o seu caminho.


Harry estava em seu apartamento naquela tarde de terça, o moreno se arrumava para poder ir ao Beco Diagonal comprar o terno para o casamento. Assim que se vestiu ele escutou a campainha de seu apartamento tocar, dirigiu-se até a porta da sala e a abriu.

- Oi Harry, quanto tempo! – exclamou Cho Chang.

- O que você ta fazendo aqui? – perguntou Harry surpreso.

- Faz tempo que não o vejo então resolvi passar por aqui, soube que morava num apartamento no centro de Londres. – falou Cho e se aproximou e o abraçou.

Harry permaneceu no mesmo lugar, sem qualquer manifestação de sentimento.

- Você não está feliz em me ver? – perguntou Cho um pouco triste.

- Não digo que estou feliz, só surpreso. – falou Harry.

- Não vai me convidar para entrar? – perguntou a garota.

Harry deu espaço para que Cho entrasse, fechou a porta e se virou para encara - lá.

- Pois bem, também soube por fontes confiáveis que você vai se casar daqui a duas semanas. Quem é a sortuda? – perguntou Cho com uma pontinha de sarcasmo na voz que Harry percebeu.

- Até parece que você não sabe? – ele rebateu sem nenhuma expressão.

- Ah então só pode ser a Weasley, não é?

- Claro, eu sou apaixonado pela Gina, sempre fui. – disse Harry com frieza.

- Então temos que comemorar o casamento de Harry Potter. – falou Cho indo em direção a cozinha. – Você tem vinho aqui? A claro que tem, já achei.

Cho tirou uma garrafa de dentro do pequeno estoque de Harry e pegou duas taças, as encheu com um liquido vermelho sangue e entregou uma ao moreno.

- A Harry Potter e Gina Weasley! – brindou ela.

Harry tomou o seu vinho num gole e pousou a taça na bancada, ele a mirou e sentiu imediatamente seus olhos fecharem, lutou para mantê-los abertos, mas alguma coisa dentro de sim o forçava a fechá-los.

- Cho o que você fez comigo? – pergunto Harry num sussurro tentando se apoiar na bancada para que não caísse.

- Digamos que um pouco de uma simples poção de sono, mas de muita eficácia ajuda um pouco. – disse Cho com um sorrisinho presunçoso.

- O QUE VOCE QUER? – gritou Harry tentando suportar o peso que seu corpo fazia.

- Eu estou evitando que você acabe com a sua vida, Harry. – falou o levando para a sala.

Harry não conseguiu manter-se acordado e acabou adormecendo no sofá.

- Ótimo a primeira parte está completa, consegui derrubar Harry Potter. – falou Cho para si mesma.

Ela apontou a varinha para o rapaz no sofá e falou:

- Locomotor Harry Potter.

O corpo inerte de Harry flutuou e a garota o levou até o quarto onde o despiu deixando-o apenas de cueca. Foi até a sala e escreveu um bilhete.

Cara Ginevra Weasley

Harry Potter não é aquilo que você pensa ser vá ao apartamento do seu futuro ou ex marido e saberá do que estou falando.

Cho prendeu a carta na pata da coruja e a viu desaparecer entre as nuvens. Voltou ao quarto, tirou a roupa ficando apenas com as suas roupas intimas e deitou no peito de Harry que ressonava lentamente.

- Agora é questão de tempo, em poucos minutos eu irei acabar com o casamento de Harry Potter, se ele não pode ser meu não será de mais ninguém.

Enquanto isso...

Gina e Hermione andavam histericamente pelo Beco Diagonal procurando desesperadamente um vestido para a madrinha do casamento, já haviam ido a várias lojas, mas as duas não haviam gostado de nenhum. Hermione estava à beira de um ataque de histeria quando Gina resolveu a acalmar.

- Calma Hermione, nós vamos achar o seu vestido, se não acharmos aqui vamos às lojas trouxas.

- Está bem vamos até aquela última loja ali se não acharmos nós iremos até a as lojas trouxas amanhã. – falou Hermione.

De repente as garotas avistaram uma coruja vindo em direção a elas. Ela pousou no ombro de Gina e a garota tirou o pergaminho da pata da coruja que levantou vôo e desapareceu no meio das nuvens. Gina e desenrolou-o e começou a ler, e a casa palavra Gina abria mais a boca, espantada, ela entregou o pergaminho a Hermione que ficou mais assustada do que a amiga.

- Você não acha possível que...? – perguntou uma Hermione atônica.

- Eu não sei! Você acha que devo ir até lá? – perguntou Gina insegura.

- Achar eu não acho nada, mas se você quiser ir até lá, eu posso voltar pra casa. Mas Gina tome cuidado, pode ser uma armadilha ou uma brincadeira de mau gosto, muitos têm inveja do casamento de vocês dois. – alertou Hermione.

- Pode deixar.

Gina aparatou no meio da sala do apartamento de Harry. Todas as luzes estavam apagadas. O silêncio predominava no local.

- Harry? Harry, você está ai? – perguntou a ruiva empunhando a sua varinha por precaução.

A ruiva se encaminhou até a cozinha, mas não havia ninguém. Gina percebeu que a porta do quarto de Harry estava entreaberta, empurrou-a com a ponta da varinha. Quando percebeu o que realmente havia no quarto, foi como se abrissem um buraco sobre seus pés.

- HARRY TIAGO POTTER, O QUE SIGNIFICA ISSO?! – gritou Gina com lágrimas nos olhos.

Harry caiu da cama com um baque, se levantou rapidamente com uma dor aguda nas costas. O rapaz olhou para Gina que estava tão vermelho quanto os seus cabelos, olhou para Cho do outro lado do quarto, ela apresentava uma expressão totalmente inocente e olhou para si mesmo e percebeu que estava apenas de cueca.

- Gi eu posso explicar, não é o que você está pensando. – falou Harry se aproximando lentamente.

- Não é o que eu estou pensando? Ninguém me contou Harry, eu estou vendo. Você dormiu com essa vadia metida a chinesa. – sussurrou Gina, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

A garota tremia de raiva, seus olhos banhados de lágrimas demonstravam ódio e repulsa. Nunca se sentirá assim antes, algo queimava dentro de si, um fogo que a impedia de raciocinar, mas não ligava para isso, não precisava pensar, apenas sentia seu mundo desmoronando a sua frente. Como ele pode? Não sabia a única razão que via era que tudo havia acabado.

- Gi, eu...

- NÃO ME CHAME ASSIM. ESTÁ TUDO ACABADO. – gritou.

Gina tirou o colar com a letra H, e o anel e os atirou no chão sobre os pés de Harry e aparatou para bem longe dali.

Harry ficou em estado de choque por algum tempo, processando tudo o que havia acontecido nesse curto espaço de tempo. Ele olhou para Cho que estava encolhida a um canto, com a mesma cara de inocente, e então pode compreender tudo.

- Foi tudo culpa sua garota. E agora está feliz? Conseguiu acabar com o meu casamento, você conseguiu acabar com a minha VIDA. FORA DAQUI! – gritou Harry apontando para a porta.

Cho vestiu-se e saiu rapidamente dali sem falar absolutamente nada.

Harry a ouviu aparatar da sala e nesse momento a realidade finalmente o atingiu em cheio como um balaç havia terminado com ele, a mulher da sua vida havia ido embora. Harry deixou o seu corpo cair, seu joelho bateu com um baque surdo no chão, não, não sentiu sua perna latejar de dor com a pancada, a única dor que sentia era a de seu coração que falhava uma batida cada vez que tentava respirar. Mas para que respirar? Se sua definitivamente não valia mais.

Não podia acreditar, não queria acreditar, a sua ruiva, a sua ruivinha, o seu futuro, mas tudo havia acabado em questão de minutos. Eles iriam se casar faltava apenas duas semanas, mas agora tudo havia acabado num passe de mágica.

Harry sentirá uma lágrima quente desce-lhe o rosto, e adentrar os seus lábios entreabertos, tentou se levantar, mas algo o prendia, então puxou lençóis e cobertores de cima da cama e deitou ali mesmo no chão. Seu corpo todo tremia. Frio? Não, não era frio, muito longe de ser frio, apenas tremia talvez um pouco de raiva de si mesmo, sabia que Gina não tinha culpa, ele que fora idiota de acreditar em Cho. Sentia um vazio enorme, parecia que Gina havia levado a maior parte de seu coração assim que aparatou dali.

Harry começou a chorar descontroladamente, queria gritar o nome de Gina, mas a voz lhe faltava, apenas sussurrava seu nome. O moreno abriu os olhos e reparou num reflexo dourado a alguns metros a sua frente, esticou a mão e pegou o anel e o colar.

Harry se levantou com um pouco de dificuldade e deitou-se na cama e apertou com força o anel e o colar em sua mão. Seu choro frenético se tornará sussurros incompreensíveis. Harry se encolherá como um bebê.

Ele ainda podia sentir o perfume floral de Gina impregnado em cada canto daquele quarto, em cada pedaço de lençol da cama. Harry abraçará o travesseiro que Gina costumava usar quando dormia no apartamento dele.

Harry adormeceu abraçado ao travesseiro sem ao menos saber o que seria a sua vida agora que havia perdido a mulher da sua vida.