A saudade dói
Se passará uma semana desde que Gina havia terminado com Harry, o moreno mal via o resto da família Weasley, não queria se encontrar com Gina, porque sabia que aquela dor viria, toda aquela dor que tentava esquecer, mas a cada dia ficava mais difícil, não pensar naquele cabelo, naqueles lábios, naquele cheiro. Harry apenas via Rony no trabalho e perguntava como estavam todos.
Hermione estava sendo um verdadeiro ombro amigo naqueles dias, quando se sentia solitário, na imensidão do seu apartamento escuro e sem vida, ele aparatava para o apartamento novo da amiga e ela o ajudava a tirar um enorme peso de suas costas, ela sabia que ele era inocente, todos sabiam, a única que não enxergava a verdade era Gina.
Era tarde ensolarada de quarta, Harry e Rony estavam numa monótona sessão de treinamento superior de aurores, quando um auror júnior entrou correndo no campo de batalha.
- Harry Potter? – perguntou o rapaz com medo de ser atingido por algum feitiço.
- Sim. Espere um pouco. ESTUPEFAÇA! – gritou Harry acertando em cheio o seu adversário fazendo com que caísse de costas contra a parede e escorregasse até o chão.
- Tenho um recado ao senhor. – falou o auror que provavelmente acabara de sair de Hogwarts.
Um jato vermelho passou a centímetros do rosto de Harry, ele deu um giro rápido e apontou a varinha para o oponente.
- EXPELLIARMUS! – gritou Harry desarmando-o. – PETRIFICUS TOTALUS! – gritou mais uma vez fazendo com que o seu oponente ficasse completamente imóvel e caísse com estrondo no chão.
- Qual é o recado? – perguntou Harry limpando o suor da testa.
- O chefe está chamando o senhor na sala dele imediatamente. – falou o rapaz e saiu rapidamente dali, se desviando de vários jatos de feitiços.
- O que o senhor Lautner quer com você? – perguntou Rony imobilizando também o seu oponente.
- Não sei, mas tomará que não seja uma viajem para outro pais, não estou com animo para viajar. – falou Harry com desgosto.
Harry se despediu do amigo e saiu do campo de treinamento indo em direção ao andar superior. O moreno bateu na porta e escutou um "entre".
- O senhor me chamou? – perguntou Harry somente com a cabeça dentro da sala.
- Oh chamei sim , entre e se sente meu rapaz. – falou o homem meio careca com o olhar cansado, provavelmente pelos constantes ataques de comensais da morte revolucionários com a morte do Lord das Trevas.
Harry fechou a porta atrás de si e se sentou.
- Então , ontem me informaram que á comensais da morte na França e o ministério francês pediu para que eu enviasse o meu melhor auror para ajudar na operação de caça de comensais, e eu estou o chamando aqui porque eu o indiquei para ajudá-los. Então eu espero que parta dentro de 24 horas para a França, suas passagens já estão prontas e já foram feitas as reservas no hotel em que você vai ficar. Perguntas? – falou limpando o suor da careca.
- Mas vai ser por quanto tempo? – perguntou Harry.
- A situação na França está muito complicada, digamos que de todos os países que tem comensais, a França seja a mais prejudicada, acontece vários ataques a trouxas a toda hora, por isso querem reforços, a situação está incontrolável. Então eu estimo que seja de um ou seis se seu trabalho for bom por lá. – falou Lautner.
- O senhor quis dizer de seis dias ou um mês, não é? – perguntou Harry desconfiado.
- Não, eu quis dizer seis meses ou um ano .
- E porque eu vou ter que ir de avião para a França? Eu poderia pegar uma chave de portal ou aparatar por lá. – falou Harry.
- O ministério da França prefere que você vá de avião, os comensais estão rastreando as chaves de portal e aparatar de Londres pra França é perigoso você pode ser destrunxado. – falou Lautner. - Agora se eu já tiver tirado todas as suas dúvidas peço que se retire, tenho que mandar alguns aurores até a Irlanda. – Lautner com um breve sorriso.
Harry se retirou da sala totalmente incrédulo com a situação, como poderia ficar longe por tanto tempo? Harry encontrou Rony no final do corredor.
- O que Lautner queria? – perguntou o ruivo.
- Quer que eu viaje para a França dentro de 24 horas. – falou Harry passando a mão nervosamente pelos cabelos.
- Por quanto tempo? – perguntou Rony.
- Seis meses ou um ano, tempo indeterminado, Lautner disse que a situação não está muito boa na França. - falou Harry passando a mão nos cabelos novamente.
- Mas como eles querem que você fique longe por tanto tempo? – perguntou Rony boquiaberto.
- Estou me fazendo à mesma pergunta. – falou Harry cabisbaixo.
- Hermione vai surtar quando souber. – disse Rony.
- Tenho que certeza que sim, então vocês me acompanhar até o aeroporto? – perguntou Harry num meio sorriso.
- Claro que sim, mas não vai se despedir do resto dos Weasley? – perguntou Rony erguendo uma das sobrancelhas em sinal de inquisição.
- Eu... eu não... eu não tenho muito tempo, vou voltar para casa agora, tomar um banho, arrumar tudo e partir. – Falou Harry tentando sustentar o meu sorriso que dava ao amigo.
Rony olhou para o amigo, aquela mascara sorridente não o enganava, o ruivo sabia por que Harry não queria se despedir dos Weasley's ou talvez não quisesse se despedir de uma única ruiva.
Harry se despediu de Rony e aparatou para casa, o moreno se largou no sofá e ficou encarando o teto branco tipo marfim. Como queriam que ele ficasse por tanto tempo longe de casa, tanto tempo longe de Rony e Hermione, tanto tempo longe do lugar que tinha lembranças maravilhosas, dos atos de amor dele e de Gina, cada canto daquele apartamento fazia com que se lembrasse de Gina como se ela ainda estivesse do seu lado.
Harry se levantou e tirou a camisa que Gina lhe dera de presente uma vez, a largou no sofá e se encaminhou até o banheiro tirou o resto de suas roupas e entrou debaixo da água fria, ficou vários minutos ali parado deixando a água cair-lhe pelo corpo tenso esperando que o líquido frio levasse embora pelo ralo todos os problemas que tinha, toda dor e tristeza que sentia. Não queria viajar, mas era preciso.
O garoto saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, vestiu uma calça jeans preta e uma camisa verde, pegou sua mala e a colocou aberta em cima da cama, apontou a varinha para o guarda-roupa que começou a sair várias peças diretamente para a mala.
Depois de algum tempo tentando fechar a mala, Harry ouviu alguém aparatando na sala, o garoto saiu do quarto e foi ver o que era. Rony e Hermione estavam parados no meio da sala encarando o amigo que acabará de aparecer na porta da sala.
- Oh Harry! – exclamou Hermione correndo para abraçar o amigo. – Como querem que você fique fora de Londres por tanto tempo?
- Pode ter certeza Mione eu ainda estou me fazendo à mesma pergunta. – falou o moreno a encarando com um leve sorriso.
- Rony me falou que você não quer se despedir do resto do Weasley's. Por quê? – perguntou a garota se separando do abraço do amigo e o encarando inquisitivamente.
Harry lançou um olhar mortal ao amigo que se encolheu e recuou um passo para trás da namorada.
- Entenda Hermione, não é que eu não queira me despedir, eu... eu só... eu só quero ir o mais rápido o possível para poder acabar com isso logo e voltar para casa. – falou Harry.
- Tem certeza que é isso? Ou é porque você não quer se despedir de Gina? – falou Hermione diretamente séria.
Harry se engasgou ao ouvir o nome de Gina, olhou para o amuado Rony detrás da namorada, e voltou a olhar para Hermione que ainda esperava a resposta e percebeu que havia corado.
- Não, claro que não! Gina e eu não temos mais nada então não preciso ficar fugindo dela. – falou Harry tentando convencer Hermione e a si mesmo de que isso era verdade.
- Então porque faz uma semana que você não vai a Toca? – perguntou Hermione a Harry.
- Eu ando meio ocupado, só isso. – falou Harry sustentando o olhar da amiga.
- Ah então o que Rony me disse sobre você ir ao ministério treinar um pouco e depois voltar para casa e se trancar aqui pelo resto do dia não é verdade? E você deve ter tempo de sobra já que você esqueceu que uma pessoa precisa se alimentar. – falou Hermione olhando para o aspecto pálido e magro de Harry.
Harry deu outro olhar mortal a Rony que agora se escondeu completamente atrás de Hermione e está mantinha a mesma posição dura e séria perante o amigo.
- Ta Hermione, quando eu voltar nós discutimos a minha alimentação, mas agora eu realmente preciso ir. – falou Harry fugindo do assunto.
Harry se encaminhou até o seu quarto e voltou com uma mala nas mãos.
- Vocês vão continuar a me interrogar sobre o meu suposto desaparecimento da Toca ou vão me acompanhar até o aeroporto? – perguntou Harry pondo fim naquela conversa.
- Claro que vamos. – responderam em uníssono.
Harry fechou o apartamento e o trio aparatou para o aeroporto de Londres.
- Um de vocês dois poderia de vez em quando ir até o meu apartamento e deixar Henri caçar? – falou Harry entregando as chávez do seu apartamento.
- Pode deixar, vamos cuidar dela, mas não se esqueça de escrever. – falou Rony pegando as chávez e dando um abraço no amigo.
E então uma voz feminina ecoou pelo saguão movimentado.
"Ultima chamada para o vôo Londres – Paris, repito ultima chamada para o vôo Londres – Paris"
- Acho que chegou a minha hora. – falou Harry com um olhar triste para o portão de embarque.
Hermione se jogou no pescoço do amigo e o abraçou, mas antes de se soltar de Harry a garota sussurrou em seu ouvido.
- Gina começou a entender que o que ocorreu não foi culpa sua, quem sabe quando você voltar ela já terá entendido tudo e então poderá conversar com ela e acertar tudo.
Após ouvir isso o monstro que ronronava triste em seu peito deu um enorme rugido e o garoto até estranhou que Hermione não ouviu. E ele então sorriu para a amiga.
- Tomará que sim Hermione.
- Anda logo, vai acabar perdendo o avião cara! – falou Rony o apressando.
Harry olhou para a plataforma de embarque.
- Então é isso. Tchau gente.
Harry pegou a mala e encaminhou até a plataforma.
- Tchau Harry! – gritaram Hermione e Rony para a o amigo.
O vôo durou algumas horas, Harry não soube quanto tempo passou perdido em pensamentos. Chegou ao hotel, no centro da capital francesa, descansou algumas horas, depois tomou um banho relaxante e se apresentou no ministério Frances.
Enquanto isso...
Rony e Hermione viram Harry desaparecer pela plataforma de embarque e logo depois aparataram para a Toca.
- Oi Rony e Hermione, como foi o trabalho? – perguntou a da cozinha.
- Como sempre mãe. Cadê o papai? Eu e Hermione precisamos falar com vocês. – falou Rony.
olhou o filho e a nora com preocupação, nunca os tinha visto com aquela cara.
- Seu pai está lá em cima, o que aconteceu Ronald? – perguntou Molly indo de encontro com os dois.
- PAI, DESCE AQUI! – gritou Rony perto da escada.
O Sr. Weasley desceu as escadas com uma enorme rapidez.
- O que foi Rony? – perguntou Arthur um pouco assustado.
- Sr e Sra. Weasley sentem-se, por favor. – falou Hermione.
Arthur e Molly se entreolharam e olharam para o casal que ainda mantinha a expressão séria e triste.
- Dá pra falar o que está acontecendo, vocês estão ma assustando. Ronald se você engravidou Hermione pode ter certeza que vamos entender. – falou Sra. Weasley pondo a mão no ombro do filho em sinal de solidariedade materna.
- Não mão, não é isso, é que o Harry...
- O que aconteceu com o Harry? – perguntou Molly completamente assustada e preocupada, Harry era como um filho e não suportaria que acontecesse nada com ele.
- O Harry viajou. – falou Rony.
- Como assim viajou? – perguntou Molly.
- Hoje ele foi chamado na sala do Sr. Lautner, e disseram que a França...
- HARRY VIAJOU PARA A FRANÇA?! – gritaram Sr e Sra. Weasley boquiabertos.
- Como eu ia dizendo a França está sofrendo constantes ataques de comensais e precisavam de reforços então chamaram o Harry, ele falou que talvez vá ficar fora por um ano, é um tempo indeterminado. Ele disse que não pode se despedir porque estava com um pouco de pressa. – falou Rony sem amenos parar para respirar.
De repente viram um borrão ruivo passar zunindo e subir as escadas rapidamente, não repararam que Gina havia chegado do trabalho (Ela havia sido contratada pelo time de quadribol das Harpias de Holyhead como artilheira, quatro dias depois de se separar de Harry).
A garota ouvirá tudo o que o irmão falou, e não podia suportar a idéia de estar longe de Harry do que já estava. Gina subirá as escadas chorando e se trancou em seu quarto.
- Eu vou ver como ela está. – falou Rony indo em direção da escada.
- Não Ronald. – falou Hermione segurando o braço do namorado. – Deixa ela pensar um pouco, essa viajem vai ser boa por um lado, Gina vai poder organizar os seus sentimentos em relação ao Harry e vai entender a verdade.
- Você tem razão. – falou Rony a abraçando.
