Capítulo XVI
Desculpa
Se passará uma semana e Harry ainda continuava em total repouso no hospital St. Mungus, o moreno já começará a ficar impaciente, passava a maior parte do dia deitado naquela cama. A única coisa de bom nisso tudo era que Gina o visitava todos os dias depois dos treinos de quadribol, mas ainda não tinham conversado sobre eles, talvez tivessem um acordo mudo de não tocarem no assunto até que Harry saísse dali.
Depois de mais alguns dias Harry foi liberado para voltar para a casa, mas a Sra. Weasley insistiu para que passa-se alguns dias na Toca até que estivesse cem por sento curado, ele não teve outras opção a não ser aceitar.
- Obrigado Sra. Weasley por me convidar, eu realmente não sei o que seria de mim sozinho naquele apartamento – falou Harry se levantando com a ajuda de Rony.
- Não tem de que querido.
- Mas antes de ir, eu preciso passar lá em casa para pegar algumas roupas Sra. Weasley, eu não sei o que aconteceu com os meus pertences que levei para a França – falou Harry.
- Não precisa querido, Hermione entrou em contato com o Ministério francês e eles mandaram as suas coisas, elas estão lá na Toca – falou Sra. Weasley sorrindo.
Harry sorriu para a amiga ao seu lado.
- Rony ajude o Harry a aparatar até a Toca – pediu Molly.
- Segure firme Harry – disse Rony pronto para aparatar.
- Espera um momento. Se não for muito incomodo, eu prefiro aparatar com Hermione, sabe... eu... acho mais seguro – falou Harry se lembrando da vez em que Rony aparatou e acabou esquecendo uma parte sua para trás.
Harry mancou até Hermione e Rony lhe lançou um olhar não muito agradável.
- Se você acha melhor Harry, então se segure em mim – disse Hermione desconsertada.
Harry passou o seu braço em torno do pescoço da amiga e se apoiou nela, de repente sentiu a estranha sensação de estar sendo empurrado a força para dentro de um grosso cano de borracha, não conseguia respirar, cada parte de seu corpo comprimia-se insuportavelmente, então quando pensou que ia sufocar, pode sentir a sensação de alivio, o cheiro da Toca tomou conta de seu consciente quando aterrissou no terreno da casa, cambaleou e quase caiu mas Hermione o segurou.
- Acho que perdi o costume de aparatar – falou Harry sorrindo para Hermione.
Logo em seguida Rony e a Sra. Weasley aparataram ao seu lado.
- Vamos entrar. Harry querido, você vai ficar no quarto de Jorge – falou Sra. Weasley pegando em seu braço e o ajudando a andar.
Harry pode ver neste instante a casa que considerou sua por tanto tempo, continuava da mesma forma que há virá oito meses. Mas o que lhe chamou atenção foi uma garota parada no parapeito da janela no terceiro andar, o seu cabelo vermelho vivo esvoaçava com o movimento do vento de primavera, e o seu sorriso era radiante tanto quanto o sol. "Como é linda" – pensou Harry com um enorme sorriso. A ruiva desapareceu da janela fazendo com que Harry acordasse de seus devaneios.
Rony e Hermione ajudaram Harry a entrar em casa.
- Você deve estar com fome, querido – falou a Sra. Weasley.
- Estou, sinceramente àquela comida do hospital não era das melhores – assentiu Harry.
- Então vou preparar o almoço.
A mulher se retirou da sala e se encaminhou a cozinha. De repente ouviram barulhos vindos das escadas, passos apressados faziam com que escada ribombasse.
- Oi Harry como está se sentindo? – perguntou Gina sorrindo.
- Eu estou bem melhor, pronto para uma partida de quadribol – falou Harry.
Os dois ficaram se encarando por um longo tempo, como se apenas pelo olhar pudesse ser dito tudo aquilo que sentiam, mas Rony os tirou de seus pensamentos, fazendo com que notassem a presença dele e de Hermione.
- Então Harry vamos jogar uma partida de xadrez? – perguntou Rony
- Para que? Eu sei que vou perder mesmo, foi assim durante todos esses anos – falou Harry desanimado.
- Ah vamos lá! Quem sabe dessa vez você ganha – falou Rony.
- Você sempre fala isso e eu sempre perco, mas fazer o que, vamos jogar – concordou Harry.
Quando a Sra. Weasley os chamou para almoçar, Rony já havia ganhado três vezes de Harry que estava furioso. O garoto comeu como se não tivesse comido há meses que de certa forma era verdade. Quando terminou Harry pensou em dar uma volta e tomar um ar puro, mas a Sra. Weasley o impediu.
- Querido você não vai a lugar algum, o seu medibruxo receitou que ficasse deitado descansando – falou a matriarca Weasley.
- Mas Sra. Weasley, eu... – começou Harry.
- Sem mais, você vai deitar e descansar agora – falou a mulher colocando as mãos nos quadris, como Gina fazia.
- Esta bem – falou Harry um pouco assustado.
Harry subiu as escadas com a ajuda de Hermione, o garoto deitou-se na cama assim que a amiga o deixou sozinho, ficou encarando o teto por um longo tempo só pensando; pensando em uma certa ruiva, a imagem de Gina parada na janela de seu quarto lhe veio a cabeça. "Como era linda" – pensou Harry com um enorme sorriso.
Passara tanto tempo sem vê-la e agora estavam sobre o mesmo teto, ficava muito feliz em pensar que ela estava ali, a poucos metros de distância e não a quilômetros como era antes. Como sentirá a falta dela, teve tanto medo de perde-lá, mas agora estava tudo bem, sairá daquele hospital, estava em seu país e junto daqueles que amava daqueles que considerava sua família, junto de sua ruivinha, e isso já o deixava imensamente feliz, conversaria com Gina mais tarde, explicaria que não havia acontecido nada entre ele e Cho, que cairá num plano dela para que se separassem, explicaria que não deveria ter viajado deixando-a sozinha, explicaria que a amava e nunca deixará de amar, nem que para isso tivesse que matar outros Basiliscos, e depois de se desculpar tudo ficaria bem, iriam remarcar a data do casamento e teriam vários filhos. Harry adormeceu pensando no futuro e com um leve sorriso no rosto.
Harry acordou um pouco assustado, sonhará com o momento que esteve enfrentando Sutch, reviu mentalmente quando matará Joe, seu único amigo enquanto esteve na França, queria poder ter ido ao funeral dele, consolar a família que certamente sofria, sabia que era casado e tinha dois filhos. Harry se levantou devagar e foi até a porta e a abriu cuidadosamente, colocou a cabeça para fora do quarto e olhou para o olhou para o corredor vazio, a única coisa que se fazia ouvir era o silêncio, ou todos estavam ocupados demais ou haviam saído. Olhou novamente para o corredor e não avistou ninguém, saiu do quarto cautelosamente e desceu as escadas com um pouco de dificuldade, sua perna ainda doía quando tentava se apoiar nela.
Saiu para os jardins da Sra. Weasley, sentiu o vento passar por seus cabelos rebeldes os bagunçando mais ainda, caminhou mais um tempo passando pelo canteiro de rosas e pelo pequeno pomar, mas estacou assim que viu lindos cabelos ruivos, Gina estava sentada na grama e se recostava em uma árvore, olhava atentamente para a pequena lagoa a sua frente, Harry se aproximou cautelosamente da garota mas quando estava a uns poucos metros de distância...
- Não deveria estar descansando Harry? – perguntou Gina ainda olhando para a pequena lagoa.
- Como fez isso? – perguntou Harry chegando mais perto completamente confuso.
- Fiz o que? – rebateu a ruiva.
- Como você sabe que era eu que estava se aproximando?
- Porque mamãe foi até o Beco Diagonal, Hermione e Rony foram para o apartamento dela e papai está no Ministério então só sobramos nós dois aqui – respondeu Gina.
Harry sorriu com a idéia de estarem sozinhos.
- Posso me sentar aqui? – perguntou Harry.
- Claro – respondeu a garota sem olhá-lo.
- Mas Gina, como você soube que tinha alguém se aproximando? Eu não fiz barulho algum – perguntou Harry a encarando.
- Essa eu não sei te explicar, eu simplesmente sei quando você está perto de mim, eu sinto a sua presença mesmo eu não te vendo, eu só sinto – falou Gina girando lentamente a cabeça para olhá-lo.
Ficaram alguns minutos parados em silencio, só ouvindo o farfalhar das folhas acima de suas cabeças. Todo esse silêncio constrangedor fez com que Harry revisse tudo que iria falar e então respirou fundo e falou:
- Gina, eu...
- Eu sei o que você vai dizer, sei exatamente que iria dizer que não dormira com Cho Chang e que havia sido tudo armação para nos separar, que não deveria ter viajado e me deixado sozinha – falou Gina o olhando nos olhos.
- Bem, era isso que eu ia dizer, mas se quiser eu posso pensar em outra coisa – disse Harry com um meio sorriso.
Gina sorriu deixando o moreno mais abobado com o belo sorriso da ruiva.
- Não. Eu sabia que iria dizer isso, eu esperava que disse-se isso, mas o que realmente quero é te pedir desculpas, não, desculpas não, eu quero te pedir perdão Harry – falou Gina completamente séria.
- Perdão? Mas por quê? Eu que deveria lhe pedir perdão Gina, fui eu que não tentei conversar com você depois que saiu correndo e chorando do meu apartamento naquele dia, eu tive medo de pedir para que voltasse, tive medo de ouvir o que não queria – falou Harry se aproximando.
- Não Harry, eu que fiquei idiota, eu duvidei de você, eu deveria saber que você seria incapaz de me trair, nós estávamos de casamento marcado e eu simplesmente joguei tudo pro alto. Quando eu te vi ali deitado com aquela metida a chinesinha vagabunda que se enroscava em você como uma cobra foi como se o meu chão tivesse sumido, a raiva tomou conta de mim e a única solução era descontar o ódio que eu sentia descontar o ódio que eu sentia em você, naquele momento eu nem pensei na possibilidade de que tudo fosse uma armação, a única coisa que eu pensava era na raiva e no ódio que eu sentia. Depois de quase uma semana Hermione me fez abrir os olhos e enxergar o quanto eu estava sendo idiota e quando finalmente deixei o orgulho de lado e resolvi conversar com você, eu vejo Rony e Hermione falando para os meus pais que você havia viajado para França, e que só voltaria daqui a um ano, você tinha ido sem ao menos se despedir, eu ouvi quando Rony disse que você estava com um pouco de pressa, mas eu sabia porque não se despediu, você não quis se despedir de mim – desabafou Gina que agora chorava.
- Gina me desculpe, mas se eu viesse ate aqui me despedir e te visse provavelmente eu não conseguiria mais viajar – falou Harry limpando as lágrimas que molhavam a bochecha rosada da garota.
- Mas se estivéssemos juntos, você não iria ter viajado e não teria ficado em coma e quase morrido, foi tudo minha culpa – falou Gina deixando mais lágrimas escorrer-lhe pela face.
- Você não tem culpa de nada Gi...
- Claro que tenho, eu deveria saber, depois de tudo que passamos que você não me trairia – falou Gina olhando novamente para o lago e enterrando as mãos nos cabelos ruivos.
- Olha pra mim Gi, você não teve culpa de nada, eu acho que depois de tudo que passamos, nós ficamos com medo de perder um ao outro. Gina eu só quero que saiba que te amo mais que tudo nessa vida, foi você que salvou a minha vida quando eu estava em coma naquele hospital por dias, ninguém conseguirá me acordar, mas assim que eu ouvi a sua voz foi como se algo dentro de mim começasse a reagir, e quando eu senti você me beijando foi como se a vida tivesse me dado um dos maiores motivos para viver, viver por você. Eu te amo Gina Weasley, eu te amo mais que uma pessoa normal pode suportar, e eu estou dizendo que não sou normal, não sou normal por te amar tanto assim. Gina Molly Weasley pela terceira vez eu faço essa pergunta, volta pra mim? – perguntou Harry segurando as mãos frias da ruiva.
- E pela terceira vez eu respondo, claro que sim – falou Gina sorrindo.
Harry colocou as mãos no rosto de Gina, queria poder sentir aquela linda pelo sobre seus dedos, ela era tão macia e quente, sentia uma sensação incrível ao tocá-la, afastou uma mecha de cabelo ruivo, passou o seu dedo pelos lábios da garota, queria poder sentir e comprovar que tudo aquilo era real, não os sonhos que tivera na França.
- Eu senti tanto a sua falta, minha ruivinha, você não faz idéia do quanto.
Harry se aproximou mais de Gina e pode sentir a respiração pausada da garota, roçou seus lábios com os dela fazendo que arrepiasse e então o garoto os capturou num beijo que tanto ansiava desde que acordara no hospital, queria matar a saudade, passará quase um ano sem senti-la em seus braços, sem sentir o gosto de seus beijos.
Depois de longos minutos que pareceram vários dias ensolarados, eles se separaram os dois com as respirações ofegantes tentando colocar ar em seus pulmões, e de repente os dois começaram a rir, não sabiam por que, apenas riam.
Gina recostou sua cabeça no peito de Harry e este a puxou mais para perto, pode sentir aquele cheiro, aquele cheiro floral que tanto amava.
- Sabe Harry será que dessa vez nós vamos poder ser felizes juntos sem que ninguém mais atrapalhe? – perguntou Gina.
- Acho que dessa vez nós vamos nos casar, comprar uma casa enorme e ter vários filhos – falou Harry acariciando seus cabelos.
- Harry, não me entenda mal, mas eu não quero ser igual a minha mãe, eu quero no máximo três.
Três está ótimo – falou o moreno sorrindo e apertando mais contra o seu corpo.
- Harry? – chamou Gina depois de algum tempo.
- Sim – respondeu Harry.
- Posso te falar uma coisa? – perguntou Gina.
- Claro.
- Quando esteve internado no St. Mungus uma enfermeira ficou muito de olho em você e a lambisgóia fazia questão de ir ao seu quarto de meia em meia hora para ver como você estava e se a aquela loira oxigenada voltar a olhar você eu azaro ela – falou Gina com a cara amarrada.
Harry riu.
- Do que está rindo? Isso não tem absolutamente nada de engraçado – falou a garota.
- Eu sentia falta disso, dos seus ataques de ciúmes bobos.
- Mais eu estou falando sério Harry Potter – disse Gina.
- Então se não gostou da minha enfermeira, você Srta. Weasley não quer se candidatar ao cargo? – perguntou Harry com um sorriso malicioso.
- Isso é uma oferta muito tentadora Sr. Potter, claro que aceito, você vai ficar curado em pouco tempo. – falou Gina o encarando com o mesmo sorriso maroto.
- Mas Gi, falando sério, se sua mão continuar a me mandar repousar a cada vez que eu dou dez passos vou acabar enlouquecendo, eu não agüento ficar deitado o dia todo – falou Harry.
- Pode deixar que eu vou cuidar de você pessoalmente.
Gina o puxou para mais um beijo e ficaram a admirar o por do sol pelo resto da tarde.
