2º Dia
Domingo é um dia de descanso e paz. Ninguém acorda cedo num domingo. Ninguém suporta acordar cedo num domingo. Exatamente por esse motivo, domingo era o dia perfeito.
Os melhores planos exigem certos sacrifícios. E esse meu novo plano exigiu que eu acordasse cedo nesse domingo. Tentei não exagerar muito, eram sete horas da manhã quando levantei da cama, exibindo um enorme sorriso.
Eu já não havia dormido bem porque fiquei bolando outros tantos planos e enviando cartas. Se eu vou ter que ficar com o Potter durante tanto tempo, pelo menos posso tentar me divertir um pouco, não é?
Abri, vagarosamente, a porta do dormitório masculino do sétimo ano e pude ouvir os roncos de Peter. Caminhei entre as camas, procurando a certa. Potter estava deitado de barriga pra cima, apenas com a calça do pijama. Lembrei-me de Alice falando que eu devia aproveitar a oportunidade. Potter tem um corpo realmente muito atraente.
Forçando meus olhos a se afastarem do físico dele, aproximei-me e me ajoelhei ao seu lado.
- Bom dia! – Exclamei, alto o suficiente para acordar os quatro, e pulei na cama dele, abraçando-o. Vou confessar que precisei de muita coragem, mas o que é um pingo para quem já está todo molhado?
Fingir gostar de James Potter não é tão difícil quando eu imaginava. Para falar a verdade, foi delicioso ver a cara dele quando eu o acordei, fingindo o melhor sorriso apaixonado que eu podia.
Precisei me proteger quando ele sentou rapidamente, quase me empurrando pra fora da cama.
- O que...? Mas que mer... – Entreguei os óculos dele, que estavam ao lado da cama, e sorri quando ele me olhou – Lily? Mas... aconteceu alguma coisa? Você está bem?
- Claro que estou bem, seu bobo! Anda, levanta! Vamos fazer um passeio!
- O que...? Que horas são? – Ele olhou em volta. Os outros marotos nos observavam com as caras amassadas de sono.
- Sete e meia! – Respondi, prontamente, exibindo o maior sorriso que podia.
- Sete e meia? – Ele quase berrou, franziu a testa, bufou e voltou a se deitar.
- James?
- Hm?
- Jay! Levanta!
- Ah, Lily! – Ele pegou a coberta e se tapou até a cabeça – É domingo!
Minha expressão devia ser de um cachorrinho abandonado. Não sei se estava dando muito certo, mas Remus parecia ter ficado com um pouco de pena. Sirius estava escondendo o rosto no cobertor. Precisei me segurar para não rir.
- Mas eu planejei um passeio tão legal pra nós hoje... depois de ontem, pensei que gostasse de mim...
A voz dele saiu abafada e irritada.
- São sete e meia, Lily! Existem coisas muito mais importantes para se fazer às sete e meia de domingo. Na verdade, uma coisa mais importante: dormir!
- Tudo bem, Jay. Se você quer assim. Estou indo embora.
Tentei dar a maior ênfase que pude às últimas palavras. Ele colocou a cabeça pra fora do cobertor e abriu um olho para ver minha expressão. Pareceu se assustar, já que se levantou um pouco.
- Como assim?
- Isso que você ouviu. Estou indo e não vou voltar. Talvez você não goste tanto de mim quanto diz.
Eu podia sentir o olhar incrédulo dos outros marotos nas minhas costas, mas mantive a expressão firme. Tentei parecer o mais sentida que conseguia.
- Lily, não diga bobagens! Eu só estou com sono. Podemos passear mais tarde. É domingo!
- Você realmente não gosta de mim. – Senti que meus olhos começaram a arder. Se a carreira de Curandeira não vingar, eu virarei atriz!
Potter se levantou de um pulo e eu tentei controlar o espanto, abracei-o com força, depositando minha cabeça em seu peito definido. Estremeci com o contato de sua pele nua.
- Lily, não diga isso! Claro que eu gosto de você! – Ele suspirou, acariciando meus cabelos – Se é tão importante assim pra você, vamos fazer o tal passeio. Mas, antes, preciso de uma ducha.
Afastei-me dele, passando a mão embaixo dos olhos, fingindo limpar lágrimas inexistentes e concordei com a cabeça, saindo do quarto.
Quando estava sentada na poltrona, segurando-me para não rir muito alto, Sirius apareceu, parecendo surpreso, animado e muito admirado.
- Quando você disse que teve ideias para incrementar o plano, eu não imaginei que fosse esse tipo de coisa! – Ele riu, sentando-se ao meu lado – Depois dessa, eu até mesmo te aceitaria como namorada do meu melhor amigo e nova marota.
Eu ri também, fazendo uma reverência.
- Muito obrigada, mas prefiro continuar no meu papel de suposta namorada até que ele se canse de mim. Logo, espero. E você ainda não viu nada, querido.
Eu pisquei e ele riu, olhando para a escada.
- Está desculpada. – Disse, piscando pra mim também, antes de se levantar – Boa noite, Pimentinha.
- Boa noite, Almofadinhas. – Respondi, usando o apelido que os marotos deram para Sirius e quem vem sei lá de onde!
Ouvi a risada rouca dele antes de a porta ser fechada.
Potter não demorou muito para aparecer, ainda um pouco mal-humorado. Ele passou um braço ao redor da minha cintura e eu estremeci, agradecendo que era de manhã cedo de um domingo e, por isso, não havia mais ninguém na sala comunal. Fingir gostar do Potter na frente dos amigos dele é uma coisa. Não tão difícil. Mas fingir gostar dele na frente da escola inteira...
- Ontem você me mostrou seu lugar secreto, agora é minha vez. – Eu disse, forçando um tom animado enquanto o puxava para a orla da floresta. Eu já tinha preparado tudo ontem à noite.
- Isso envolve se embrenhar na floresta proibida? E eu que achei que você tivesse medo desse tipo de coisa. – Ele riu.
- Não tenho medo – Corei – E não vamos nos embrenhar na floresta proibida. É logo no início.
Eu estava tomando coragem, a partir daquele momento, meu plano tomaria outras rédeas. Rédeas que não foram vistas por Sirius com tanta eficiência. Acho que tem algo a ver com o sexto sentido feminino.
Entramos na floresta e andamos pouco até chegarmos a um grande muro que se estendia de fora a fora, como uma fortaleza.
- Eu nunca vim pra esse lado. – Ele admitiu, tão admirado com aquilo quanto eu fiquei na primeira vez que estive ali.
- Hagrid me mostrou por acidente. – Comentei – Você sabe como ele é desastrado. – Rimos – Ele não gosta que venham aqui, então não diga nada pra ninguém. Só venho aqui quando quero ficar sozinha, entende? É meu cantinho especial.
Continuei entrando na floresta, margeando o muro. Ele me seguia, incerto de onde estávamos indo.
Depois de uns dois minutos, encontrei a grande rachadura que começava nos pés do muro e subia até onde não podíamos mais ver. Apontei a varinha para o local e murmurei:
- Mungidon.
No lugar da rachadura, a parede se separou, revelando uma entrada grande o suficiente para passarmos juntos. Uma vez dentro da fortaleza, virei-me, apontando para o espaço vazio entre as pedras.
- Mungindoff.
E a parede se fechou com um ruído baixo.
Eu já havia preparado tudo e ele ficou realmente muito surpreso quando viu, em meio a árvores frutíferas, uma grande toalha estendida na grama, repleta das mais deliciosas guloseimas de Hogwarts, proeza conseguida com a ajuda de alguns elfos domésticos que conheci em uma das viagens à cozinha.
O lugar não era grande, pouco menor que um campo de Quadribol, e estava completamente cercado por aqueles muros protegidos magicamente.
- Hagrid gosta de usar esse lugar para esconder seus "animais bonitinhos". – Eu disse, olhando em volta para comprovar, pela terceira vez, que Hagrid não escondera nada nos últimos tempos.
- Isso é a cara do Hagrid. – Ele riu. Seu humor já estava de volta ao normal.
- Está com fome? – Perguntei, indo me sentar na beira da toalha. Ele me seguiu.
- Faminto.
Mas ele sentou-se bem próximo a mim, sem nem olhar para a comida.
- O que foi? – Perguntei, corada por ele estar me fitando daquela forma.
- Por que isso agora? – Ele não parecia desconfiado, mas muito curioso. O fato de eu preparar um piquenique para nós devia ser mesmo muito estranho.
Mas eu já tinha a resposta na ponta da língua.
- Achei que te devia algo depois de tanto tempo te tratando tão mal. Você não parece guardar nenhum rancor, apesar de eu merecer.
Ele riu.
- Quem disse que eu não guardo rancor? – Ele ergueu uma sobrancelha, divertido – Preciso de mais que um piquenique pra te perdoar pelo modo que você me tratava.
- Precisa, é? De que, por exemplo? – Eu exibia um sorriso simples, mas travava uma luta interna. Meu lado atriz querendo agir e meu lado normal querendo ir para longe. Meu plano contra mim mesma.
- Disso aqui. – Ele segurou minha cintura com uma das mãos e minha nuca com a outra, puxando-me de encontro a ele e me beijando. Levei um susto tão grande que não consegui corresponder, no início.
Eu o beijei ontem, mas foi algo diferente. O beijo de ontem era mais doce, comedido, como se ele estivesse testando minha reação. Mas esse outro beijo...
O beijo de hoje chegou mais perto da parte da tentação. Não era moderado, nem suave, era quase apaixonado. Seria se houvesse paixão. Correspondi, deixando meu coração acelerar e meu estômago revirar com as borboletas, aproveitando a sensação. Eu já estava na chuva, um pingo a mais não me mataria.
Por um breve momento eu me esqueci de tudo. Esqueci meu plano, onde estava, o que estava fazendo... eu só conseguia pensar naquele beijo, naquele longo e maravilhoso beijo que me deixou ofegante.
Quando ele se separou de mim, apenas o suficiente para me olhar nos olhos, foi que me lembrei do que tinha que fazer. E precisava fazer logo, antes que aquele plano de Sirius acabasse saindo ao contrário do que queríamos.
- Ah! Meu fofinho! – Agarrei o pescoço dele, num abraço apertado – Jayzinho fofinho do meu coração.
Ele começou a rir e eu o larguei.
- Você é surpreendente. Eu nunca sei o que esperar de você.
Eu sentia meu rosto ficar cada vez mais corado, mas mantive o sorriso no rosto.
- O que você quer fazer depois de comer? – Perguntei, pegando uma tortinha e dando para ele, na boca.
- O que você quer fazer? – Ele deu uma mordida e fez uma careta, engolindo rapidamente e colocando a língua pra fora – Que coisa é essa?
- Tortinha de abóbora e melão, recheada com rabanete e pimenta do reino. É bom!
Eu peguei outra tortinha, que estava mais afastada e eu sabia que era apenas de abóbora, e comi.
- Então – Peguei outra tortinha de abóbora, apenas, e comi – Você já fez o trabalho de Transfiguração?
Ele fez um barulho estranho com a boca e revirou os olhos.
- Ainda não.
- Eu também não fiz. – E realmente não tinha feito – Você é melhor que eu em Transfiguração, não quer me ajudar?
- Você ainda não fez? – Ele ficou espantado – E está pedindo ajuda? Eu já estava desconfiado, você não é a Lily.
Eu ri.
- Claro que sou, seu bobo! – Abracei-o de novo e senti seus braços ao meu redor.
- Então, você admite que eu sou melhor que você? – Ele começou a sorrir, daquela forma convencida que eu odiava.
- Só um pouquinho! – Eu disse, tentando me conter. Ele não é melhor que eu, mas se eu preciso agir como as outras, tenho que elogiá-lo, ainda que ele não mereça.
- Só um pouquinho?
- É! Só um pouquinho!
Ele riu e deitou.
- Quem a McGonagall elogiou na última aula por ter feito o mais perfeito bule de chá a partir de clips de papel que ela já viu?
Respirei fundo, meu lado Lily dominando o lado atriz por algum tempo.
- Você.
- E na aula anterior, quem transfigurou o armário na flor mais bonita e ganhou dez pontos para a Grifinória pela criatividade?
- E foi chamado durante uma semana de viado? Você, é claro.
Ele riu ainda mais.
- Não fui chamado de viado. Foi de veado.
Franzi a testa.
- Não entendi.
- Nem tente.
Depois de eu devorar todas as tortinhas de abóbora e de ele fingir gostar daquelas outras tortinhas detestáveis, voltamos para dentro do castelo. Muitos alunos já estavam acordados e a surpresa era cada vez mais crescente enquanto passávamos de mãos dadas.
- Neném - Chamei-o com voz melosa quando estávamos chegando na torre da Grifinória – O que vamos fazer agora?
- Eu tenho que falar com o Sirius. Ele disse que tinha planos pra hoje.
- Você vai ficar com eles, então? – Fiz um biquinho.
- Você pode vir junto, eu acho.
- Mas eu queria ficar só com você! – Agarrei seu braço, fazendo manha.
- Já passamos o dia inteiro juntos ontem, Lily. Preciso ficar um pouco com os meus amigos também. – Ele acariciou meu rosto e sorriu, apesar de seu tom ser um pouco triste.
- Você está bem? – Perguntei. Era estranho vê-lo sem seu sorriso normal.
- Sim, sim.
Os outros três marotos estavam na sala comunal, assim como Alice e outras duas colegas de quarto minhas.
- Como foi o passeio? – Sirius perguntou, com um enorme sorriso.
- Foi bom. – Potter sentou no chão com as costas na poltrona de Peter e me puxou para sentar em seu colo – O que vamos fazer hoje?
Sirius me olhou, em dúvida.
- Acho que a escola está muito parada, mas sua namorada não vai querer nos acompanhar.
Potter riu.
- Lily ainda tem que fazer o trabalho de Transfiguração. Já sabe o que fazer?
- Ei! – Interrompi – Você também não fez!
- Eu sei, mas eu me viro depois.
- Pensei que ia me ajudar... – Fiz um beicinho e vi que ele ficou dividido – Por favor?
Ele suspirou e lançou um olhar de desculpa aos outros antes de se levantar.
- Depois vou querer saber em detalhes como foi.
Ele subiu para pegar seu material e eu disse que faria o mesmo. Antes de subir, porém, chamei Sirius em um canto.
- O que você está fazendo? – Ele perguntou, rindo.
- Tentando agir como qualquer outra nesse castelo! Não é pra fazer isso?
Eu bufei quando ele riu ainda mais.
- Ele vai acabar desconfiando.
- Não vai, não! – Olhei em volta, para ver se alguém nos ouvia, e continuei – Escuta, preciso que faça todos os alunos permanecerem aqui na sala comunal ao anoitecer.
- Por quê? – Ele franziu a testa.
- Faça isso, não vai se arrepender! – Eu ri, ouvindo um barulho na escada do dormitório masculino – E reclame bastante com ele porque eu não o deixo passar mais tempo com os amigos!
Ele riu também e voltou para junto dos outros marotos enquanto eu subia para pegar meu material.
Quando desci, percebi que Sirius discutia alguma coisa com Potter e tentei não rir. Chamei-o e saímos pela passagem do quadro.
- Ai, obrigada, meu bebezinho! Coisinha mais linda desse mundo! – Abracei-o pela cintura sem parar de andar.
- Almofadinhas está chateado.
- Almofadinhas?
- Sirius.
- Ah... por que Almofadinhas?
- Os pés dele parecem almofadinhas. – Ele disse, simplesmente.
- Os pés?
- É, são bem peludos e grandes... e fofos...
- Você acha os pés dele fofos?
Ele começou a rir, mas eu não via graça nenhuma.
- Por que ele está chateado? – Perguntei e ele parou de rir.
- Ele não gosta que eu troque os planos dos marotos por você.
- Ah, bebê! Não fica assim! – Fiz uma voz infantil – Você vai se divertir muito mais aqui comigo!
Se ele se divertiu, eu não sei, mas eu me diverti muito.
Pela primeira vez, eu não fui à biblioteca para estudar, ou fui, mas não o fiz. Ao invés de prestar atenção no trabalho de Transfiguração, comecei a fazer corações nos livros dele, murmurar apelidos ridículos e enjoativos, falar de um jeito meloso e entediante, ou simplesmente fitá-lo durante longos minutos com um sorriso bobo no rosto.
Ele não parava de olhar pela janela, na certa imaginando onde os outros marotos estariam. Onde ele estaria se não tivesse resolvido me perseguir nos últimos anos. Há! Meu plano está indo de vento em poupa!
No final do dia, nem metade dos nossos trabalhos de Transfiguração estavam prontos, mas eu sabia que ele estava mais do que enjoado da minha presença. Fiz o maior esforço para parecer uma garota fútil o suficiente para falar só de moda, roupa, maquiagem, tudo aquilo que os garotos consideram frescuras. Nenhum conteúdo, nada de interessante.
A Lily Evans que ele achava que existia não existe mais! Pelo menos, não pra ele!
Saímos da biblioteca quando já estava escurecendo e eu fiz questão de pegar o caminho mais longo. Eu ainda tinha algumas coisas em mente.
- Você é a coisa mais linda desse mundo! – Apertei sua bochecha – Meu Tchucutchucu!
Ele suspirou, visivelmente exausto.
- Tchucutchucu?
- É sim! Meu Tchucutchucu mais lindo desse mundo!
Ele fez uma cara estranha, de quem ia começar a rir, mas parou no meio do caminho, percebendo que eu falava sério. Ou assim eu queria parecer.
- Ah! Quase me esqueci! – Eu não havia esquecido, realmente, mas quis dar um pouco mais de emoção à situação. Não que ele precisasse de mais emoção no momento, mas eu ainda tenho esperanças no ataque do coração. Apontei a varinha na direção da torre da Grifinória e convoquei duas pequenas caixas que chegaram rapidamente às minhas mãos – Mandei personalizar para nós!
Estendi a caixa azul e ele a pegou, relutante. Esperei, com uma excitação crescente.
Sua expressão foi realmente mais hilária do que eu teria imaginado e eu precisei me conter para não rir e continuar na atuação do meu papel.
Seu rosto ficou branco, vermelho, azul e então ele começou a rir.
- Você só pode estar de brincadeira! – Ele pegou a fita vermelha com dizeres em dourado: Tchucutchucu.
- Não, não é brincadeira. – Eu disse, abrindo minha própria caixa e pegando uma fita idêntica, mas com os dizeres: Tchutchuquinha.
Prendi-a ao meu pescoço pela presilhinha, sorrindo de orelha a orelha.
- Não... – Ele murmurou, olhando para a própria fita, sem sorrir – Não vou usar isso, Lily.
- Por quê? – Fiz um beicinho – É tão fofo. E todo mundo vai saber que eu sou só sua e você é só meu!
- Então, não confia em mim? Tem que me colocar numa coleira?
Aquilo me pegou de surpresa, mas mantive meu papel.
- Não. Não é isso. Eu só achei bonitinho. Achei que seria legal. – Olhei no fundo de seus olhos, aproximando-me o suficiente para deixar apenas o espaço de um dedo entre nossas bocas – Por favor? – Dei um selinho, fazendo-o sorrir – Por mim? – Dei outro beijinho, mais demorado dessa vez – Só por hoje?
Ele ia me beijar mais, mas eu me afastei, sem parar de olhá-lo. Ele suspirou e olhou para a janela. Eu sabia o que ele estava pensando, já era noite, iríamos voltar para o dormitório, quase ninguém nos veria, ele tiraria a "coleira", jogaria fora, fingiria que a perdeu e tudo ficaria bem.
Era um plano interessante, no mínimo.
- Está bem. – Ele concordou, colocando a faixa ao redor do pescoço.
Eu sorri, vitoriosa. O plano dele era bom, mas o meu era melhor. Ele não conseguiria tirar a "coleira". Pelo menos, não até dizer as palavras mágicas. As palavras mágicas que apenas eu sei.
Voltamos para a torre da Grifinória pelo caminho mais longo e mais deserto, escolha dele, é claro.
Isso não me incomodou. Se Sirius tivesse seguido meu conselho, todo aquele esforço que James estava fazendo seria inútil.
E foi.
Quando o quadro da mulher gorda girou, levei um susto. Nem quando a Grifinória ganha a taça de quadribol a sala comunal fica tão cheia.
Os marotos estavam perto da entrada. Sirius devia estar mais do que curioso para saber o porquê de eu ter feito aquele pedido. E, com certeza, não se arrependeu de ter atendido.
Eu também estava pagando um mico, é lógico. Minha coleira é tão reluzente e chamativa quanto a dele. Mas a satisfação de vê-lo sem graça na frente de todos os colegas grifinórios foi, esplendorosamente, gratificante.
Eu nunca imaginei que veria James Potter ficar tão sem graça quanto naquele momento. Escondi meu sorriso, fingindo estar tão surpresa quanto ele por ver todos ali.
- Ei, Tchucutchucu! – Sirius chamou – Chega aí. Não quer saber as novidades? Você sumiu o dia todo!
James resmungou e se recompôs, ignorando os risos e as piadinhas.
- Tchucutchucu – Chamei, com voz melosa, seguindo-o – Eu já vou subir.
- Ah, certo. – Ele se virou e me deu um selinho – Boa noite, Lily.
- Tchutchuquinha, Tchucutchucu. – Sirius corrigiu.
- Boa noite, amorzinho. – Dei outro selinho nele e subi correndo para poder rir à vontade no dormitório feminino.
Assim que entrei no quarto, tirei minha coleira e a guardei, pegando alguns fogos de artifícios especiais que encomendei e chegaram hoje de manhã.
Se esse namoro durar até amanhã, ele não perde por esperar.
N/A: Oi, meus amores!
Espero que tenham gostado deste capítulo.
Logo, logo estarei postando o próximo! ^-^
Obrigada pelos comentários, vocês são o máximo!
Beijinhos,
Cristal Evans.
