10º Dia
Quando acordei, só conseguia pensar em uma coisa: eu precisava falar com James.
É incrível como o que antes parecia tão absurdo de uma hora para outra passou a ser tão óbvio. Toda aquela teimosia de antes parecia tola e infundada quando acordei. Tudo o que eu queria era contar a verdade para James e acabar de uma vez com essa história.
Liana tinha razão, afinal. E por mais difícil que fosse, eu sabia que me sentiria aliviada depois.
Mas não era tão simples assim. Eu não podia chegar de uma hora para outra e dizer: "James, eu te amo, mas menti pra você durante esse tempo todo. Tudo o que eu queria era me livrar de você, mas agora quero que fiquemos juntos. Você não se importa, não é?".
Sem chance.
Por isso, passei a manhã mais nervosa da minha vida. James quase não conversou comigo, parecia estar preocupado com alguma coisa ligada aos marotos. Achei que pudesse ser a lua cheia chegando. Remus não estava nada bem também.
Na verdade, todos os marotos pareciam muito abatidos. Até Sirius, com seu problema chamado 'Liana'. E no meio de tudo isso estava eu, nervosa e insegura, tentando elaborar minhas falas e pensando no melhor momento para falar com James.
Coitada da Alice, teve que aguentar meus ataques histéricos durante toda a manhã. Segundo ela, eu tremia tanto que devo ter provocado um terremoto do outro lado do mundo. Claro que isso não me deixou mais calma. Agora eu também sou a culpada por dezenas de mortes!
Na hora do almoço, os marotos desapareceram e Alice precisou ir ao corujal enviar uma carta para o Frank, de modo que acabei ficando sozinha.
Eu sabia que se fosse para o salão principal, Lia viria falar comigo e me lembrar de que era o último dia para contar ao James sobre o plano. Eu tinha a ligeira impressão de que o único motivo pelo qual ela ainda não havia ido me lembrar desse detalhe era que Sirius estava sempre por perto.
Por isso, decidi subir para a torre da Grifinória e almoçar mais tarde, quando eu encontrasse James e os outros.
No meio do caminho, escutei alguém me chamando.
- Lily! Pimentinha!
- Ah, oi, Sirius. Cadê o James?
- Não sei. Eu... preciso falar com você.
- Falar comigo? – Encarei-o com desconfiança, ele estava tão inseguro que nem parecia Sirius Black. – E o que é?
- Eu preciso... preciso da... sjuda...
- Quê? Desculpe, não entendi, fala mais alto.
- Eu preciso dasjuda.
- Não estou entendendo, Sirius! Precisa de quê?
Ele respirou fundo e revirou os olhos.
- Eu preciso da sua ajuda.
Fiquei encarando-o, boquiaberta, durante um bom tempo antes de começar a rir.
- Eu entendi direito? Você, Sirius Black, está pedindo a minha ajuda? É isso?
- Não precisa judiar... – Ele resmungou, revirando os olhos. – Vai me ajudar ou não? Afinal, você está me devendo um favor!
- Claro. Porque o seu brilhante plano para afastar o James de mim deu muito certo, não foi? – Ele fechou a cara e eu ri. – Está bem. O plano não foi de todo ruim. O que eu posso fazer por você?
- Eu queria... bom, você conhece bem a Liana, não é?
- Por que eu sabia que era isso? – Tentei controlar o riso antes que acabasse sendo azarada. – Certo, eu posso até te ajudar, Sirius, mas você tem certeza de que é isso o que você quer? Quero dizer, você quer que a Lia seja sua namorada, não é isso?
- Ah, pimentinha, a palavra namorada é tão... tão comprometedora...
- Sirius! É isso ou nada! Você precisa escolher!
- Por que vocês mulheres são tão complicadas, hein? – Ele bufou, depois fez um gesto de descaso com a mão. – Certo, certo. O que eu preciso fazer pra que aquela cabeça-dura aceite ficar comigo?
- Não é muito difícil. O principal você já fez, que foi admitir que gosta dela. Agora só falta ela saber disso.
- E como eu posso fazer isso?
- Você tem que se declarar pra ela.
- Passo. Qual o próximo?
- Sirius! Você pediu a minha ajuda ou não?
- Pedi, mas não vou fazer papel de idiota na frente de todo mundo. Tem que ter outro jeito.
- Você pode mandar flores pra ela. Mulheres adoram receber flores.
- Certo. O próximo?
Suspirei.
- Pelo jeito isso vai ser difícil. Por que não as flores?
- Pimentinha... – Ele riu. – Flores? Isso é cafonice! Se eu mandar flores ela vai me achar um frouxo!
- Não, não vai.
- De qualquer forma, eu passo.
- Você já tinha pensado em algo, por acaso?
- Pensei. Eu podia agarrar ela num canto escuro. Ela não ia resistir.
- Claro. O auge do romantismo. – Revirei os olhos. – Você não pensou mesmo nisso, pensou?
- É claro que não, Lily. Mas não me venha com essa história de flores, bombons e declarações de amor. Tem que haver outro jeito!
- Ai, Merlin! Onde eu fui me meter? Certo, certo... sem flores, bombons e declarações... já sei! Quem sabe uma bola de cristal?
- Você não está ajudando...
- A culpa não é minha! Você recusa todas as minhas ideias! E se você escrevesse uma carta?
- Não.
- Já tentou pelo menos conversar com ela?
- Ela foge de mim cada vez que eu apareço.
- Assim fica difícil.
- Por isso eu pedi a sua ajuda. – Ele disse como se explicasse algo para uma criança de cinco anos. – Olha, vocês são amigas, e se você falasse com ela?
- Falar o quê?
- Que eu sou um cara muito legal e que ela vai perder muito se não ficar comigo.
Eu revirei os olhos.
- Que tal se eu disser que você está sofrendo muito e faria de tudo pra ficar com ela?
- Você quer acabar com a minha reputação, não é?
- Você não é o cara insensível que acha que é, Six.
Ele sorriu.
- Certo, faça como achar melhor, mas convença-a de me encontrar hoje depois do treino.
- Ela vai estar lá.
- Você é a melhor! – Ele me levantou e me girou, me fazendo rir.
- Eu sei, eu sei!
- E sabe o que mais? – Perguntou enquanto me colocava de volta no chão. – Acho que o Pontas precisa saber disso também.
- É, eu sei. Eu vou falar com ele hoje.
- Vocês não vão chegar a lugar nenhum se não... espera aí... o que foi que você disse?
- Eu vou falar com ele hoje. Vou contar tudo. – Ele abriu um grande sorriso. – Acha que ele vai ficar muito bravo?
- Um pouco. – Ele ainda estava sorrindo muito, tanto que eu comecei a ficar com um pouco de medo. – Mas ele vai entender.
Depois disso, fui obrigada a parar de fugir de Lia e da frase "hoje é sua última chance de contar a verdade para o James". Fui até o salão principal e a encontrei almoçando com algumas amigas. Fiz um gesto para que viesse falar comigo quando terminasse e sentei-me sozinha à mesa da Grifinória. Poucos minutos depois ela se sentou ao meu lado.
- Hoje é segunda-feira. O décimo dia.
- E eu tenho até meia-noite para contar, eu sei. – Revirei os olhos. Será que nada nem ninguém me deixaria esquecer aquele assunto? – Mas quero falar com você sobre outra coisa.
- O que houve?
Terminei de comer um pedaço de coxa de galinha e fiquei de frente para ela.
- Sirius veio me procurar.
Ela fez menção de falar, mas eu a impedi com um movimento de mão.
- Ele não está nada bem, Lia. Ele gosta mesmo de você, mas é cabeça-dura demais pra admitir. – Revirei os olhos, lembrando-me do modo como ele desprezou todas as minhas ideias.
Ela sorriu de uma forma irônica.
- Lily, você é tão inteligente. Não me diga que acreditou mesmo naquele idiota!
- Eu conheço o Sirius, Lia. Sei que ele estava falando sério!
- Bom, você pode até ter acreditado, Lily, mas eu não acredito. Ele vai ter que fazer melhor do que pedir pra você vir falar comigo.
- Lia...
- Não, Lily. Fui uma idiota de ter aceitado sair com ele. Fui muito burra. Mas isso não vai se repetir. Ele que se divirta com seus brinquedinhos. Eu não vou ser um deles. – Ela se levantou, com raiva. – E acho bom a senhorita falar logo com o James, ou amanhã, bem cedo, eu conto tudo.
Então, foi embora. Essa garota consegue ser ainda mais teimosa do que eu.
O dia já estava terminando quando resolvi que era hora de me preocupar com meu próprio relacionamento. Eu e James mal havíamos nos falado e meu prazo estava se esgotando. Estava quase na hora do treino, por isso resolvi esperá-lo no campo de quadribol. Acabei, contudo, encontrando-o antes de sair do castelo.
- James! James, espera!
Ele olhou para trás e pareceu não ter gostado de me ver ali.
- Ah, oi, Lily. Eu não posso conversar agora. Nos falamos depois.
Ele recomeçou a andar e eu precisei correr para acompanhá-lo.
- Não! Espera! – Eu queria muito adiar aquela conversa, mas se continuasse adiando, acabaria não contando nunca. – Preciso muito falar com você!
- Agora não, Lily. Estou ocupado.
- James, espera! – Eu não conseguia entender por que ele estava sendo tão frio comigo. Depois do fim de semana que tivemos, eu tinha certeza de que ele gostava de mim. – É importante!
Ele parou de andar e me encarou, pensativo. Suspirou e pegou minha mão.
- Tenho uma coisa importante para falar também, mas não pode ser aqui. Vamos para a torre, não deve ter ninguém lá há essa hora.
Enquanto seguíamos para a torre da Grifinória, meu coração batia acelerado. James estava agindo daquela forma estranha de novo, mas não era isso o que me incomodava. Eu sabia que assim que eu contasse toda a verdade, tudo se resolveria e era com isso que eu estava preocupada. Como eu iria contar toda a verdade?
A coragem começava a falhar e eu já estava pensando em desculpas para adiar aquela conversa. Não me sentia preparada para enfrentar a decepção no olhar dele. E se ele não me perdoasse?
Quando chegamos à sala comunal, minha mente já não funcionava direito. Esperei que ele dissesse alguma coisa, tentando adiar ao máximo a minha confissão.
Mas ele parecia tão nervoso quanto eu. Abriu a boca algumas vezes e tornou a fechá-la toda vez que nossos olhares se encontravam. Eu não estava preocupada com o assunto que ele tinha para falar comigo, mas me fiz de curiosa, apenas para não ser a primeira a dizer o que precisava.
- E então? – Perguntei, instigando-o. Ele se afastou e ficou de costas para mim. Só então me dei conta de que o assunto que ele queria tratar podia ser tão importante quanto o meu. Por que outro motivo ele estaria tão pouco a vontade?
- Isso não está dando certo.
Ele continuou de costas enquanto minha mente parava de pensar nas palavras que eu precisava dizer e tentava se concentrar no que estava ouvindo.
- O quê?
- Eu e você. – Ele parecia estar fazendo um grande esforço ao dizer aquilo e eu precisava fazer um ainda maior para entender. Aos poucos o meu mundo todo começou a desabar e eu fui percebendo que eu não precisaria mais falar sobre o plano. Era tarde demais.
- Como assim?
- Você sabe do que eu estou falando. Nós nunca poderíamos dar certo, não é mesmo? – Esse era o tipo de coisa que eu costumava dizer, tempos atrás, mas ali, vindo dele, não fazia sentido. – Eu não fui feito para ficar com uma mulher só.
- Você está... terminando... comigo? – Não sei como consegui pronunciar as palavras. Não sabia nem mesmo como conseguia permanecer de pé. Talvez eu ainda estivesse sonhando. Porque tudo não parecia passar disso, um terrível pesadelo.
James não podia estar terminando comigo. Não depois de eu descobrir que sou apaixonada por ele, não depois de eu decidir lhe contar toda a verdade, não depois de todos os momentos em que estivemos juntos. Simplesmente, não fazia sentido.
No entanto, era exatamente isso que estava acontecendo.
- Estou. Eu sei que deve ser estranho pra você, depois desse tempo todo te pedindo pra ficar comigo. Mas eu descobri que prefiro ficar sozinho. E sei que é isso o que você prefere também. No fundo, você era mesmo só um desafio pra mim. E agora que eu já superei, não tem mais graça.
Meus piores pesadelos pareciam estar se transformando em realidade. Eu queria gritar, dizer que aquilo era ridículo, que ele não podia estar falando sério, mas o susto me manteve imóvel, encarando as costas do garoto que eu descobri amar tarde demais.
Ouvi um pedido de desculpas antes que ele me deixasse sozinha na sala comunal.
Por algum motivo, minha mente não conseguia registrar aquele fato. James havia ido embora, mas as coisas continuavam confusas. Ele nem ao menos havia me encarado ao terminar o namoro. Não foi como na primeira vez.
Alguma coisa estava errada. Muito errada.
O James que eu conhecia não agiria daquela forma. Ele, que sempre foi tão cheio de si, não esconderia o rosto só por estar terminando com uma garota. Ele encararia de frente a situação.
Além do mais, tudo aquilo que ele dissera não fazia sentido algum. Se era verdade que eu era apenas um desafio, então tudo o que eu vira em seu olhar no fim de semana era mentira. Mas eu prefiro acreditar num olhar a acreditar em palavras vazias. Algo acontecera naquele intervalo de tempo que fizera com que ele agisse daquela forma e eu precisava descobrir o que era.
- Lily? – Ouvi a voz do Sirius me chamando antes que ele entrasse pelo retrato da mulher gorda, arquejando. – Ah! Você está aqui! Ainda bem que eu te encontrei! Ouça, acabei de encontrar o Pontas e ele me contou o que aconteceu. Ignore tudo o que aquele idiota falou. Ele gosta de você e...
- Eu sei, eu sei. – Interrompi Sirius antes que ele acabasse com todo o ar de seu pulmão. – Não se preocupe. Alguém está tramando alguma coisa pra separar a gente, mas eu vou descobrir o que é.
Fazia muito sentido. James tem muitas admiradoras e várias delas fariam qualquer coisa para nos separar. Eu só não conseguia entender como James podia ter caído num truque de alguma delas, ele sempre pareceu mais inteligente que isso. E ele é um maroto, oras!
- Na verdade...
- Deve ter sido um plano muito engenhoso pra enganar o James, não acha?
- Bom...
- Eu sou uma idiota mesmo. Fiquei tão impressionada quando ele começou a falar que nós não estávamos dando certo que não consegui arrancar nenhuma dica... mas também eu ainda não havia entendido o que estava acontecendo...
- Pimentinha...
- Como eu fui burra! Preciso falar com ele... quem quer que esteja tentando separar a gente, não pode fazer um trabalho tão bom assim... eu não fiz nada de errado! Quero dizer, até fiz... droga, nem deu tempo de contar toda a história do plano pra ele... agora mais essa!
- Lily, escuta...
- O que foi, Sirius? Eu estou tentando pensar, não está vendo? Tem alguém tentando me separar do James e eu preciso fazer alguma coisa!
- Na verdade, Pimentinha, ninguém está tentando separar vocês. Pelo contrário, parece que todo mundo quer é juntar vocês dois.
Parei de andar de um lado para o outro e encarei Sirius, confusa.
- Como assim? Ele acabou de vir aqui terminar comigo! Por que ele faria isso se...
- Ele já sabe.
- Já sabe? Já sabe do quê? Do que você está...? – Sirius não precisou responder, eu entendi o que ele queria dizer, mas demorei algum tempo para conseguir me recuperar. – Ele... já... sabe?
- Sabe.
De repente tudo começou a fazer sentido. Todas as mudanças de humor de James e as vezes que ele parecia estar sendo cínico, a história do bebê, Aninia...
- Desde quando?
- Desde quarta.
Quarta-feira. O dia em que eu bebi, o dia em que voltei a namorar James, o dia em que ele começou a agir daquela forma estranha.
Eu estava ficando com muita raiva de mim mesma por não ter percebido aquilo antes. Como eu pude ser tão ingênua?
Eu não podia negar que eu havia enganado James no começo, mas eu estava sendo sincera naqueles últimos dias! Ele não tinha o direito de me enganar daquela forma!
- E desde quando você sabe que ele sabe?
Acho que Sirius percebeu a mudança no meu tom e deu um passo para trás. Lembrei-me da conversa que eu ouvira entre os dois e senti meu rosto esquentar de raiva.
- Há... algum tempo...
- Ah! Há algum tempo. – Eu sentia que estava prestes a explodir, mas resolvi deixar para fazer isso com a pessoa certa. – Cadê ele?
- Quem?
- QUEM, SIRUS? O DUMBLEDORE É QUE NÃO VAI SER! JAMES! ONDE ELE ESTÁ?
- Por quê? – Ele me olhou com desconfiança. – O que vai fazer?
- ONDE ELE ESTÁ, SIRIUS?
- Você não vai matar ele, vai?
- EU VOU MATAR VOCÊ SE NÃO ME DISSER ONDE AQUELE IDIOTA ESTÁ!
- Indo para o treino de quadribol, mas, Lily...
Bati com a mão na testa. O treino, claro!
Não deixei que Sirius terminasse de falar, saí da sala comunal correndo. Eu precisava encontrar James. Eu precisava encontrá-lo... e matá-lo!
Sirius veio atrás de mim.
- Espero que ele tenha te feito sentir muita dor quando soube do plano!
Ele riu, mas eu estava com ódio demais para achar graça do meu humor negro.
- Ele não é páreo pra mim nos duelos. Mas ele ficou com bastante raiva, sim.
- Como ele descobriu? – Eu não podia conter o meu tom de decepção. Eu me sentia envergonhada por ter sido descoberta e ainda mais por ter sido enganada durante tanto tempo.
- Naquela noite em que vocês terminaram. Ele estava com a capa e você estava chorando na sala comunal, comigo. – Ele sorriu, na certa ao se lembrar de como eu fiquei vulnerável, parecendo uma criancinha chorona. – Ele acabou escutando a nossa conversa.
- E você não me disse NADA! Eu te odeio, Sirius!
- Calma lá, pimentinha! Eu só estava tentando ajudar!
- Vê-se que conseguiu ajudar muito! Isso tudo é culpa sua!
- Ok! Não precisa judiar também!
Comecei a correr mais rápido. Sirius estava se segurando pra não rir. Como ele conseguia achar tanta graça numa situação tão trágica, eu não entendia.
- Isso não tem graça, Sirius. – Eu disse com raiva, quando chegávamos ao primeiro andar.
- Claro que tem! Eu nunca vi uma história tão complicada quanto à de vocês! Acredite, é engraçado.
Guardei a vontade de cometer um assassinato e somente lancei um olhar sinistro para o garoto ao meu lado. Já estávamos chegando ao campo de quadribol.
- JAMES POTTER! – Gritei o mais alto que conseguia enquanto invadia o campo.
O treino já havia começado e tudo o que eu podia ver eram manchas vermelhas voando para lá e para cá acima da minha cabeça. Uma delas parou assim que me ouviu e pude reconhecer os inconfundíveis cabelos negros e os óculos de aro redondo.
Ele se aproximou devagar, como se quisesse se certificar de que aquela era realmente eu.
Minha boca se abriu, pronta para berrar os mais diversos insultos, mas não conseguiu. Vindo sei lá de onde, um balaço se aproximava com rapidez por trás de James, sem que ele percebesse. Meu coração começou a martelar no peito e um grito esganiçado foi o que saiu da minha boca.
- JAMES! CUIDADO!
Agora, aqui estou eu, na enfermaria, ao lado de um James desacordado, sentindo ao mesmo tempo raiva e culpa.
Sirius e Peter tiveram que ir para o dormitório, mas não explicaram exatamente o porquê. E Remus não pôde ficar aqui por ser lua cheia.
Daqui a pouco, Madame Pomfrey deve passar por aqui me expulsando. Mas, até lá, não vou conseguir sair do lado de James. A enfermeira disse que ele vai ficar bem, não foi nada muito grave, mas não consigo deixar de me preocupar.
Maldito maroto!
