Quinn voltou ao pub com uma expressão indecifrável. Passou por Finn como um foguete. Então ele ouviu a porta do escritório bater com força.
Quinn ficou em pé, no meio da sala, com as mãos na cintura. Olhou para as paredes, sem nem saber o que estava fazendo. Olhou para o sofá onde ela e Rachel haviam estado antes. A recordação recente fez uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Neste momento ela ouviu uma batida na porta. Ela enxugou o rosto, fechou os olhos e respirou fundo.
- Entra! – ela disse.
Finn abriu a porta devagar e colocou a cabeça para dentro, avaliando o "terreno".
- Entra logo! – ela disse se dirigindo a umas bebidas que estavam em um canto.
Pegou uma cerveja, abriu e deu uns goles. Sentou na ponta do sofá e ficou mirando a garrafa.
- Essa cerveja está quente, Quinn! – Finn comentou.
- Foda-se! – foi a resposta que ouviu.
Finn não queria falar sobre o que vira, então falou a primeira coisa que veio na cabeça:
- Vamos fechar o caixa ou não?
Quinn levantou o olhar para ele, franzindo a testa e sorrindo irônica.
- Você só pode estar de sacanagem com a minha cara! – ela balançou a cabeça – Foda-se o caixa! Foda-se você! Foda-se todo mundo!
- Mas... Quinn...
Ela fuzilou ele com o olhar.
- Qual a parte do foda-se você não entendeu? – e virou toda a cerveja.
Finn encarou-a sem ação.
- Ok, eu não ia comentar nada, mas diante da sua atitude... – ele disse sentando ao lado dela.
Ela fez menção de levantar, mas ela a segurou e puxou-a de volta ao sofá.
- Não, não, Fabray! Você vai ficar quietinha aqui. – ele teve que segurá-la firme, porque ela tentava levantar novamente – E não adianta fazer força, porque eu sou mais forte que você. – ele respirou fundo – Olha, eu não vou me desculpar novamente pelo que aconteceu. Primeiro porque eu já pedi desculpas, segundo porque não adiantaria mesmo e terceiro, bem... terceiro porque eu acho que eu não tive culpa. Vocês deveriam ter trancado esta bendita porta.
Quinn olhou-o com os olhos marejados.
- Ai, droga! Vem cá! – ele abraçou-a – O que houve, Quinn? Você nunca ficou assim por ninguém! Nem pelos caras e nem pelas garotas.
- Não sei, Finn! Ela... ela é diferente! Ela...cara... ela me pegou no primeiro beijo. Só com um beijo eu já estava louca por ela!
- Acho que você já estava louca por ela antes disso. – corrigiu ele – Quando ela abriu a boca e cantou. A voz dela... porra Quinn, você precisava ver sua cara de boba vendo ela cantar.
- Você acha? – ela perguntou.
- Eu não duvido! Olha só o que houve entre vocês! Você sempre foi cuidadosa. Assim... nunca partiu para cima de cara. Você se resguardava para não se machucar. Mas quando eu entrei nesta sala... uau! Se eu não tivesse entrado, vocês duas... você...
- Teria tido a noite mais maravilhosa da minha vida! – ela completou, enxugando uma lágrima.
- Você teria mesmo transado com ela aqui?
- Do jeito que a gente estava pegando fogo, se ela não me parasse, com certeza!
- Então, procura ela!
- Como, Finn? Ela não deixou endereço, telefone, nada! Nem o dinheiro do cachê ela levou.
Finn pegou o rádio.
- Artie? – ele disse – Eu e Quinn estamos aqui nos fundos. Por favor, traz aquele catálogo para gente aqui?
Não demorou muito e o rapaz chegou com o catálogo. Finn o pegou e procurou por Berry, Rachel. Não achou. Ele balançou a cabeça para Quinn.
- Berry, Rachel! Tem certeza que não tem nada aí? – ela perguntou se colocando ao lado dele para procurar.
- Nada, Quinn!
- Vocês estão querendo o telefone da moça que cantou? – perguntou Artie, que ficou por ali.
- Sim, você sabe de algo? – Quinn perguntou esperançosa.
- Não, mas se me lembro bem, ela foi a última a entrar. Lembra, Finn? – ele assentiu – Então, eu lembro que ela me deu um cheque para pagar.
Quinn sorriu para Finn.
- Sócio, vamos fechar o maldito caixa! – ela disse, o puxando pela mão.
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Rachel entrou no seu apartamento se arrastando. Nem sabia como tinha chegado. Trancou a porta e se encostou nela com os olhos fechados. Não acreditava na noite que tivera. Primeiro tomara um bolo. Depois realizara o sonho de cantar para uma platéia que não eram seus pais e familiares. E eles haviam gostado dela! Deu um sorriso. E este sorriso se alargou quando se lembrou do melhor de tudo: Quinn. A loira que conhecera atrás do bar. A loira que dera seu nome a um drink. A loira que assumira o risco e a deixara cantar. A loira que fizera seu corpo sentir coisas fantásticas com apenas alguns beijos.
Ela tirou seus sapatos e jogou-os de lado. Sentou e pegou sua bolsa. Abriu-a e retirou de lá a bandana de Quinn. Sim, ela estava caída próxima à sua bolsa, então ela não resistiu e carregou-a com ela, antes de sair de lá. Levou a bandana ao rosto, sentindo o perfume dela. Lágrimas vieram aos seus olhos.
- Por que você é tão idiota e insegura? – perguntou-se em voz alta.
O que será que Quinn está pensando agora? Imaginou Rachel. Ela deve me achar uma boba por sair correndo ou uma otária por nem ter pego o dinheiro. Eles todos devem estar rindo de mim agora. Eu devo ter sido apenas mais uma que se jogou nos braços dela.
- Merda! – falou alto.
Ela foi ao banheiro e se olhou no espelho. Estava com cara de bêbada e drogada. Seu rímel estava escorrido por baixo do olho. Seu batom e gloss já tinham ido há muito tempo. Grande parte havia ficado na boca de Quinn. Ela molhou o rosto e começou a tirar sua maquiagem, ou o pouco que restou dela. Ela suspirou. Ia ser difícil esquecer a loira. Mas ela realmente queria esquecê-la? E Quinn? O que...
- Para Rachel! – ordenou a ela mesma.
Decidiu não pensar mais naquilo. Pelo menos por aquela noite. Ela então tomou um banho, fez um café forte, bebeu e deitou. Mal colocou a cabeça no travesseiro e a loira apareceu novamente em seu pensamento. Na mão de Rachel, a bandana colorida.
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- Achei! – exclamou Mike.
Quinn e Finn tinham colocado todos os funcionário para procurar o cheque.
- Achou? – Deixa eu ver! – pediu Quinn e Mike entregou-o a ela.
Ela leu.
- Bank of Boston... – ela virou o cheque – Droga! Ela não escreveu nada atrás. – ela suspirou – Voltamos à estaca zero! – disse colocando o cheque no balcão.
Finn pegou o cheque.
- Talvez não, Quinn! Veja! – ele apontou algo no cheque – Agência Downtown 2
- E daí? Em que isso muda algo? Eles não passam o endereço ou telefone dos correntistas.
- Downtown 2, Quinn! Santana trabalha nesta agência!
Os olhos da loira brilharam ao se lembrar da amiga.
- Vou ligar para ela! – disse pegando o telefone.
- Às 4h00 da manhã? – Perguntou Finn.
- É, ok, claro! Vou ligar lá pelas 10h00, quando abrir o banco. Melhor, eu vou até lá! – ela olhou para todos – Obrigada pessoal.
Quinn chegou ao seu apartamento, tomou um banho e deitou. Não conseguiu dormir, pensando nela, na voz dela, no beijo dela, nas mãos pequenas e quentes, no pescoço lisinho. Suspirou.
- Santana Lopez, você é a minha esperança!
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10h30 – Bank of Boston - Agência Downtown 2
- Claro que eu não vou dar o endereço! – exclamou Santana.
- Mas San...
- Quinn Fabray, você sabe que me apunhalou pelas costas.
- Eu? Como assim? – ela perguntou com os olhos arregalados.
- Você não é sócia do Finnasco?
- Ah, claro, o Finn. Mas o que...
- Isso foi o punhal cravado nas minhas costas. – ela disse balançando a cabeça, de olhos fechados e com a mão no peito.
- Deixa de drama, San. Se você está chateada com ele, ok. Mas não desconta na sua amiga aqui.
- Amiga? Se você fosse realmente minha amiga, teria me ajudado num bom plano para matá-lo.
Quinn revirou os olhos.
- Escuta só, San. O Finn só é meu sócio. Além do mais, você não está bem melhor agora, com a Brit?
- Muito! O Finnpotente é passado!
- Então, vai ficar com raiva de mim porque eu sou sócia dele?
Santana entortou a cara.
- Afinal, por que você quer o endereço dessa dona aí?
- Ah, bem, ela cantou no pub ontem e... eu quero... assim... contratá-la.
- Ontem? Mas ontem não seria a Mercedes?
- Ih, longa história. A Mercedes deu um bolo na gente. Aliás, você e Brit nem deram as caras ontem!
- Estávamos celebrando um ano de namoro.
- Que bom! – ela disse e voltou ao que interessava – E o endereço, San?
- Eu não disse ainda que vou dar.
- Santana!
- Como essa Rachel Berry surgiu nessa história toda?
- Nós estávamos conversando no bar, aí recebemos a ligação da Mercedes, então a Rachel disse que cantava. Mais ou menos isso. – resumiu ela.
Santana estreitou os olhos para ela.
- Conversando? Você não é de dar papo aos clientes. – disse desconfiada.
- Ah... assim... ela...
- Como ela é, Q?
- Hã? Como? Bem... ela é simpática, comunicativa...
- A anatomia, Fabray! – exclamou a latina, interrompendo-a.
- Eu... ah, nem reparei.
Santana levantou uma das sobrancelhas, inclinou a cabeça para o lado e cruzou os braços na frente.
- Droga! Ok! Morena, não é alta, cabelos castanhos ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Olhos castanhos penetrantes, pernas e coxas bem torneadas e uma bunda que... nossa!
- Conversando hein!
- Ok, San. Eu nunca senti nada assim por ninguém. Homem ou mulher. A gente... a gente meio que se beijou. Aí o Finn apareceu.
- Claro que o Finnpata tinha que surgir na história.
- Ela saiu correndo. Eu tenho que achá-la!
Santana olhou bem para ela.
- Bem... se a razão fosse só para contratá-la, para dar lucro ao Finnbecil, eu não daria o endereço, mas nesse caso... Você sabe que eu não tenho permissão de passar informações dos correntistas, não sabe?
- Por favor, por favor! – Quinn pediu com as mãos unidas a frente, como se estivesse rezando.
- O que eu vou ganhar com isso?
- Minha eterna gratidão?
Santana sorriu.
- Seis meses de entrada e bebida grátis no F&Q. Para mim e para Brit!
- Seis? Ok, ok. O Finn vai me matar, mas é por uma boa causa.
- Se ele quiser te matar, me fala que eu mato ele antes. Coisa que eu já devia ter feito há muito tempo!
Quinn riu. Santana se afastou para a área interna do banco. Cinco minutos depois ela voltou com um papel.
- Toma! Não precisa me agradecer! Apenas vai se lembrando dos ingredientes daquele drink verde que só você sabe fazer. Eu vou querer um monte deles.
Quinn se debruçou sobre o balcão, agarrou a latina e deu um beijo estalado na bochecha dela.
- Louca! Eu estou trabalhando!
- Obrigada, amiga!
- Ah, ok, ok! Vai buscar sua garota, Fabray!
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Rachel acordou com uma dor de cabeça de matar. Não podia nem reclamar, ela tinha abusado mesmo. Levantou da cama ainda com a bandana da loira na mão. Instintivamente levantou a bandana até seu rosto, tal como fizera antes. O cheiro dela ainda estava impregnado no tecido. Suspirou e foi tomar banho. Já estava atrasada para o trabalho. Vestiu uma roupa qualquer e saiu comendo uma maçã. Fez sua parada habitual na Delicatessen próxima ao escritório e saiu de lá com um cappuccino e um bagel.
Assim que entrou no escritório, ouviu um pigarro atrás dela. Ela se virou.
- Oi, preciso falar com você! – Puck disse.
- Não quero falar com você! – ela saiu andando.
- Rachel, você não está exagerando? – ele foi atrás dela.
Ela olhou para ele incrédula.
- Você me chama para sair, fura na última hora e aparece com outra a tiracolo. Ainda acha que eu estou exagerando?
Ela chegou à baia dela, pendurou sua bolsa no suporte da mesa e se sentou.
- Rachel, aquela garota não é ninguém. Eu a conheci ontem mesmo, no pub.
- Olha só, Noah, não me importa se você a conheceu ontem, ano passado ou se vocês eram amigos de infância. Eu não estou mais afim, ok? – ela se virou para seu notebook.
- Você vai realmente me dar o fora? – ele perguntou.
- Você ainda está aí? Vai mostrar o Big Puck à outra clientela! Comigo, chega! Dá o fora, porque eu estou com dor de cabeça e quero tomar meu café da manhã.
O telefone tocou e Rachel atendeu.
- Alô... sei... ele está aqui...ah é? Nossa! Pode deixar que eu dou o recado. Faço questão de parabenizá-lo... aham... ok... obrigada.
- Era para mim?
- Sim. A sua ruiva, aquela que você "conheceu ontem", está lá na recepção com um exame de sangue nas mãos. Parabéns, papai Puck!
Puck ficou verde.
- O...o q-quê?
- Vai lá, big daddy! – disse Rachel com sarcasmo.
Noah saiu cambaleando pelo corredor. Rachel deu um gole no seu cappuccino e uma mordida no bagel. Acabava de virar uma página na sua vida.
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Quinn pediu que Finn fosse com ela. Eles chegaram ao endereço passado por Santana.
- O que eu digo a ela, Finn?
- Como assim? Eu não sei. Você sempre foi a rainha da lábia.
- Mas...
- Vamos logo, Quinn! Na hora você vai saber o que dizer.
- Ok, vamos lá!
O endereço passado por Santana era de um escritório. Quinn chegou na recepção e falou com a recepcionista:
- Oi! Eu gostaria de falar com uma funcionária de vocês. O nome é Rachel.
- Rachel? – a mulher digitou no computador – Nós temos uma Rachel Towsend no RH, uma Rachel Vallens em Compras e uma Rachel Coors, secretária da diretoria. Qual delas é?
Quinn chegou mais perto, como se tentasse olhar a tela do computador.
- Rachel Berry. O sobrenome é Berry.
- Desculpe, mas não temos nenhuma funcionária com esse nome.
- Com licença? – disse uma senhora que empurrava um carrinho com sucos – Essa Rachel que vocês estão procurando é uma morena com uma voz bonita?
- Sim, é ela! – disse Quinn abrindo um sorriso.
- Ah, essa moça cantou para gente na festa da empresa há três anos. Foi tão lindo!
- E onde ela está?
- Ela pediu demissão há pouco mais de um ano. – ela suspirou – Uma pena. Tão simpática!
Quinn insistiu.
- A senhora sabe dizer se há alguma pessoa aqui que era próxima a ela? Uma amiga, que possa saber onde a Rachel está?
- Infelizmente não, senhorita. Com sua licença. – e saiu com o carrinho de sucos.
- Ok, obrigada.
Quinn murchou completamente. Finn passou o braço pelo seu ombro, dando força a ela.
Eles saíram dos elevadores para o estacionamento.
- Ela deve ter mantido a conta, mesmo tendo se desligado da empresa. – disse Finn.
- É. Com certeza foi isso! – ela concordou.
- E agora, Quinn?
- Não sei. Mas eu não desisti!
Eles entraram no carro e seguiram para o pub. Lá chegando, Finn pegou duas cervejas no bar e entregou uma à sócia.
- Você está precisando disso! – ele disse.
Eles beberam em silêncio, até que Quinn disse:
- O que você acha de um anúncio do jornal?
- Hein? – disse distraído.
- Acorda, Finn! Jornal, anúncio, Rachel!
- Será que vai dar certo? E se ela não for leitora do jornal em que você...
- Eu colocarei em todos!
- Nossa, Quinn, que paixão!
- Você não tem idéia, Finn! Meu medo é dela ter esquecido tudo, ou eu ter sido só uma experiência para ela, afinal ela me pareceu bem hétero, até que...
- Até que vocês se beijaram. – completou Finn.
- Exatamente!
- Se bem me lembro de onde estava a mão dela quando eu entrei naquele escritório... porra Quinn! No mínimo bi! Hétero nunca!
- Ela estava bêbada, Finn.
- E daí? Eu já fiquei bêbado algumas vezes e nunca saí beijando homens por aí.
- Tem certeza? – ela disse com um sorriso maroto.
Ele franziu a testa para ela.
- Estou brincando, bobo! – disse ela com um sorriso e indo em direção ao computador. – New York Times, você é o primeiro!
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Rachel passou o dia todo pensando em Quinn. No meio do expediente ela entrou no site do F&Q e clicou em "About Us" (Sobre Nós). Lá falava um pouco dos donos, Quinn e Finn, e tinha uma foto de cada, uma ao lado da outra. Rachel ficou boquiaberta com a beleza da loira. Na foto, Quinn usava um vestido vermelho curto, mas super elegante e usava uma sandália alta de salto fino. Os cabelos estavam mais compridos. Finn estava de camisa e calça social. Ficou admirando a foto, enquanto tomava um copo de água.
Neste momento sua colega chegou perto.
- Uau! Que gato! – disse, assustando Rachel.
- Hã? O quê?
- O cara aí da foto. Um gato!
- Ah... é...
- Eles dois são casados? – disse, apontando para Quinn e Finn.
- Não. São sócios no F&Q.
- Ah, o pub no Village. Já ouvi falar. – ela disse e continuou – Ah, mas eles devem ter um casinho. Com certeza!
- Não têm! São só amigos!
- Como você sabe? – perguntou a colega.
- Porque eu os conheço! – disse Rachel, bebericando sua água.
- Ah, ninguém pode ser "só amiga" de uma cara desses! Só se um deles for gay!
Rachel se engasgou com a água e começou a tossir violentamente.
- Rachel! Ei Rachel, tudo bem? – disse a colega batendo de leve em suas costas.
- S-sim... ok... o-obrigada.
- Já que você conhece os donos, você bem que poderia descolar umas duas entradas, para mim e meu namorado.
- Eu os conheço, mas não nesse grau de intimidade. – cortou Rachel.
- Ah, ok, não custou tentar, né? Deixa eu voltar para o que eu estava fazendo.
Mal sabia a colega que o "pouco" grau de intimidade já chegava ao ponto de ter estado com sua língua dentro da boca da dona do pub e vice versa. Ela teve que sorrir com o pensamento.
Voltou ao site e, discretamente, salvou a foto de Quinn para dentro do seu notebook.
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22h00
- Mike! – chamou Quinn – Por favor, aproveite que ainda falta uma hora para abrirmos e dá uma procurada pela Rachel nas redes sociais. De repente, a gente a acha no Facebook ou algum desses. Eu vou me arrumar.
Quinn tomou uma ducha no próprio pub e colocou sua roupa. Quando procurou pela sua bandana colorida, não achou.
- Ué! Cadê ela? – perguntou-se, até que lembrou que Rachel a tinha puxado e jogado em algum lugar daquela sala.
Olhou em tudo. Não encontrou. Então foi à gaveta da escrivaninha e pegou outra. Desta vez uma vermelha e cinza. Foi direto ao bar. Tinha que focar no trabalho, senão ia ficar maluca pensando na morena. No fundinho do peito, ela tinha esperança de Rachel voltar ao pub e procurá-la.
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Em seu apartamento, Rachel encarava o interior do seu armário. Procurava uma roupa bonita e atraente que pudesse vestir. Até 10min atrás, ela estava esparramada no sofá, rodando todos os canais da TV, tentando, em vão, afastar Quinn do seu pensamento. O que era muito improvável de acontecer, uma vez que Rachel estava sempre com a bandana da loira junto a ela. Ela então decidiu que ia ao pub. Levantou-se e foi se arrumar. Finalmente escolheu um vestido esverdeado, que era mais simples e discreto que o preto da noite anterior, mas ainda assim bem bonito. Calçou uma sandália de salto alto, maquiou-se e foi à luta. Ainda no táxi, ficou imaginando o que diria à Quinn.
"Ah... oi Quinn! Eu... ah... vim aqui devolver sua bandana, que peguei por engano" – Não! Isso não dá! Você nem trouxe a bandana!
"Oi, Quinn! Lembra de mim? Então... eu gostei tanto do seu drink que não resisti em voltar aqui só para bebê-lo novamente." – Não Rachel! Louca! Ela vai pensar que você é uma alcoólatra. Ainda mais depois do porre de ontem.
"Ei, Quinn! Puxa, eu saí tão apressada ontem que acabei não pegando o dinheiro do cachê. Que cabeça a minha, não é? – Definitivamente não! Você disse que não fez aquilo por dinheiro. Vai parecer mercenária.
"Então... tinha tanta gente bonita aqui ontem! Quem sabe eu não vou encontrar minha alma gêmea aqui?" – Podre Rachel! Muito podre!
O taxista olhava intrigado pelo retrovisor as expressões da sua passageira. Parecia que falava consigo mesma. Balançava a cabeça, torcia o nariz, franzia a testa. Eu hein! Cada louco por aí! Pensou ele.
- F&Q, senhorita! – anunciou o taxista parando o táxi.
- Hã?
- O pub, moça! Chegamos!
- Ah, sim, sim!
Rachel pagou e saiu do táxi. Ficou parada uns minutos na calçada olhando o movimento. O burburinho na entrada era grande, mas sem o tumulto e quantidade de gente da noite anterior. Ela se dirigiu à bilheteria. O rapaz que estava lá não era o mesmo da outra noite.
- Oi! Eu quero uma entrada!
- Claro! – ele disse pegando um ticket.
- Onde está o rapaz da cadeira de rodas? – ela perguntou.
- Ah... o Artie? Ele não pôde vir hoje, então meu irmão me pediu para ajudar.
- Você é irmão do Finn?
- Sim, eu sou o Kurt. Você o conhece?
- É... mais ou menos.
Ela pagou e ele lhe deu o ticket.
- Divirta-se! – ele disse.
- Obrigada!
Ela então entrou. Seu olhar foi direto ao bar. Lá estava ela! Linda! Rachel sentiu sua temperatura se elevar, só em ver a loira. Deus, eu não vou conseguir me aproximar! Pensou.
Viu uma mesa vaga e sentou. Agradeceu mentalmente pela mesa ser em um local discreto, no canto, meio na penumbra, mas próxima ao bar, onde ela teria uma ótima visão de Quinn. Então o garçom se aproximou.
- Algo para beber?
- Eu... ah... – pensou em pedir um "Rachel Berry", mas Quinn saberia na hora que ela estava lá – Uma margarita, não muito forte, por favor.
- Eu conheço a senhorita? – disse ele.
- Como?
- A senhorita não cantou aqui ontem?
- Eu? – calma Rachel! – Você está enganado. Eu não canto nem em karaokê, para não passar vergonha.
- Ah, então desculpe, mas é que a senhorita é muito parecida com ela. Com licença, vou pegar sua bebida. – disse e se afastou.
Ele levou o pedido ao bar. Ela viu Quinn preparar a bebida rapidamente e deixar o copo no balcão. O garçom colocou-a na bandeja com um guardanapo e levou a ela.
- Obrigada! – ela disse.
Ficou então tomando sua bebida devagar, enquanto olhava para o bar, tomando coragem. Quando finalmente decidiu e levantou para ir até ela, viu uma loira com um corpaço chegar ao bar. Quinn abriu um sorriso e a abraçou forte. Rachel voltou a sentar. Ela não conseguia ouvir o que falavam, mas toda a coragem que a margarita havia lhe dado, foi embora pelo ralo, assim que viu que as duas mulheres pareciam bem íntimas.
- Nossa Quinn, quanto tempo! – disse Brittany.
- Pois é Brit, depois me lembre de puxar a orelha da Santana. Aposto que é ela que não quer trazer você aqui.
- Você não conhece a San? Ainda é aquela história com o Finn. Mas ela gosta a beça do Q&Q! Ela está vindo aí também.
- Brit, o nome do pub é F&Q e não Q&Q.
- Eu sei, mas a San me faz substituir o F pelo Q. - e as duas caíram na gargalhada, com Quinn se dobrando de rir e colocando a mão no ombro de Brittany para se apoiar.
Rachel decidiu ir embora. Estava na cara que Quinn e a outra mulher tinham algo. Pediu a conta, pagou e saiu. Viu um táxi chegando. Quando o carro parou, ela imediatamente foi até a porta e aguardou a passageira pagar e sair. Então saiu uma morena muito bonita, com todo jeito de latina. Rachel cumprimentou-a com um balançar de cabeça, por educação, e se abaixou um pouco para perguntar ao taxista:
- O senhor me levaria ao Soho?
- Claro, pode entrar!
Com Rachel de quadril empinado para trás, Santana não levou nem dois segundos para reconhecer a descrição de Quinn: Morena, não é alta, cabelos castanhos ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Olhos castanhos penetrantes, pernas e coxas bem torneadas e uma bunda...
Rachel entrou no táxi e ele arrancou, sob o olhar da latina.
Santana entrou no pub e avistou Brit e Quinn no bar em um papo animado. Foi direto para lá.
- Ei! – deu um selinho em Brit – Gostei de ver, Q! Meu nome está na porta, conforme combinado.
- Promessa é dívida! – disse Quinn – E você nem perdeu tempo!
- Nunca! – ela riu – Aliás, e nem você por sinal!
- Eu? Como assim?
- É! Você! A tal de Rachel não sei das quantas acabou de deixar o pub! Você acha a garota e dispensa rápido assim?
Quinn deu um pulo por cima do balcão do bar e segurou Santana pelos ombros.
- Você viu... a... ela...ela... a Rachel estava aqui?
- Sim! Saiu há cinco minutinhos!
Quinn correu desabalada para a porta.
- Fabray! Ei! – tentou chamar Santana.
Um minuto depois Quinn retornou ao bar. Santana estava dando goles na bebida de Brittany.
- Ela não estava lá fora!
- Você não me deixou terminar! Ela saiu e pegou o mesmo táxi que me trouxe.
Quinn suspirou.
- Como você sabe que era ela? – perguntou Quinn desconfiada – Você nunca a viu.
- Você me descreveu, lembra? Bate certinho com ela. Ainda mais com aquela... tampe os ouvidos Brit! – ela pediu à namorada – Bunda! Realmente...
- Não complete isso! – disse Quinn.
- Era aquela tal moça que a Quinn quer pegar, San? Estava lá fora?
- Santana, foi assim que você contou a minha história para Brittany?
- E você não quer pegar?
- Mas do jeito que você fala... merda! – ela voltou para trás do bar – A Rachel estava aqui e nem veio falar comigo.
- Quinn, esquece a garota um segundo e me faz um drink daqueles.
- Vou pensar!
- Ah, é assim? Então também não vou contar o que eu ouvi a morena falar ao taxista.
- O quê? O que ela falou? – perguntou Quinn.
- O senhor pode me levar ao Soho? – disse imitando a voz de Rachel.
Trinta segundos depois, o drink estava na mão da latina.
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Rachel voltou desolada ao seu apartamento. Ela era uma idiota mesmo! Claro que Quinn não estava nem aí para ela. Uma noite. Só uma noite depois e ela estava jogando charme para outra vítima. Aposto que aquela loira está agora mesmo naquela salinha dos fundos com a língua de Quinn dentro da sua boca. Com as mãos de Quinn por dentro do seu vestido. Possivelmente dentro da sua calcinha.
- Para, Rachel! – disse alto – Esquece ela!
E outra: Foi você quem provocou! Foi você quem a beijou primeiro. Ela nem queria no início, mas você forçou a barra. Claro! Ela também te beijou por pena. Tal qual o safado do Noah. A loira já deve até ter espalhado que você é péssima de beijo.
Droga! Chega de Quinn Fabray! Pegou a bandana colorida e jogou em uma gaveta da cômoda. Não antes de aspirar novamente o cheiro da loira.
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Quinn passou o resto da noite feito um robô. Atendia os clientes no piloto automático. Chegou a entregar uma bebida errada para um e errar os ingredientes de um drink de outro. Coisas que nunca tinham acontecido. Nem as presenças de Santana e Brittany a estavam animando.
- Que merda, Q! Vai ficar com essa cara a noite toda? – perguntou Santana.
- Deixa ela, San! – tentou Brittany.
- Não vou deixar não! Ela não é assim! Anima aí, Fabray! Pelo menos você sabe que ela mora no Soho.
- Aham... como se o Soho fosse do tamanho desse pub. – Quinn estava com o cotovelo no balcão, inclinada e com o rosto se apoiando na mão. Completamente desligada – E quem garante que ela mora no Soho? De repente ela nem estava indo para casa dela.
- Você acha que não, Q? – perguntou Brittany.
- Eu não acho mais nada, Brit! Ela veio até aqui, entrou e não veio falar comigo. Com certeza se arrependeu do que fez!
- Você vai desistir? – Santana quis saber – Vai ver ela está com medo de você não querer nada com ela.
- Se depois do nosso beijo, ela ainda acha isso. Caramba! – disse ela – Bem, eu já botei os anúncios nos jornais. Vão sair por três dias seguidos. Se ela ler e quiser, ela sabe onde me achar.
- Quinn! – chamou Mike.
- Sim!
- Você não perguntou e eu acabei me esquecendo de te falar. Eu não a encontrei nem no Facebook, nem no Twiiter, Orkut, MySpace, nada! Desculpe.
- Ok, Mike. Obrigada!
Quando ele se afastou, ela se virou para as amigas.
- É..., acho que acabou mesmo.
