Uma reunião em família

Parte 5: Uma luta inevitável

Goku e Kibitoshin seguiram voando rumo ao Caminho da Serpente até certa altura, onde aterrissaram.

- Então, se pularmos do Caminho da Serpente, desceremos ao inferno?

- Sim. Uns anos atrás eu caí daqui, Kibitoshin.

- Então, vamos, Goku.

Os dois deram um salto por entre as nuvens alaranjadas e desceram vários metros, até tocarem o chão do local. Logo que chegaram, deram de cara com os dois ogros que eram os guardiões do local. Após uma rápida conversa, Goku e Kibitoshin souberam que havia algum evento anormal por ali, mas que os ogros não sabiam explicar, visto que um morto dali desaparecia a cada cinquenta anos.

E logo foi revelado que dessa vez havia desaparecido dois mortos dali. Os ogros eram ruins de memória para lembrarem os nomes de quem havia sumido, mas, em compensação, sabiam descrevê-los.

- Pois é – um deles disse. – Um deles parece uma barata com voz irritante e é um feiticeiro. Feio e chato pra caramba.

- E o outro? – Goku perguntou.

- Bem... Lembra quando teve aquela luta contra Majin Boo? Esse outro morto se parece muito com aquele baixinho de cabelo espetado que te ajudou na luta... Fora a barba.

- Baixinho de cabelo espetado... – o guerreiro colocava a cabeça pra funcionar. – Que me ajudou na luta contra Majin Boo...?

Goku raciocinou mais um pouquinho, até chegar à resposta:

- Ah, agora tudo faz sentido! O nome que estava lá no livro do senhor Enma Daioh era o do pai do Vegeta!

- Então, isso significa que pai e filho têm o mesmo nome, certo? – Kibitoshin questionou.

- Sim. Afinal, o planeta também tinha o mesmo nome.

- Mas... O que o pai do Vegeta iria querer com ele e o irmão?

- Essa é uma boa pergunta...


Rei Vegeta apontou a mão, que carregava uma esfera de energia, para a direção para a qual Tarble, Trunks e Bulma haviam fugido. No entanto, não concretizou seu intento. Algo chamou a sua atenção: seu filho mais velho havia aumentado seu poder de luta de forma considerável.

- Não me ignore, velho. – Vegeta disse asperamente. – Eu sou o seu adversário.

- Tem mesmo a coragem de enfrentar o próprio pai?

- Heh... – o príncipe sorriu com sarcasmo. – Mas é claro...! Sei que você está escondendo o seu verdadeiro poder.

- Parece que nada escapa à sua perspicácia, não é mesmo?

- Eu devia herdar algo que preste de meu pai, não?

- Rebelde como sempre...

Vegeta deu o sorriso mais sarcástico que poderia dar:

- Sempre vivi em rebeldia. Fui o único a não ser um fantoche daquele asqueroso do Freeza... Ao contrário de quase toda a raça saiyajin, que se deixou iludir por um manipulador que fazia tudo a seu bel-prazer.

- Foi um risco que a raça saiyajin deveria correr. Se não fosse a aliança com Freeza, certamente estaríamos em grande atraso. E eu sabia desse risco de sermos traídos.

- Como é?

- Eu esperava que você fosse competente o bastante para derrubar Freeza e tomar o lugar dele.

Vegeta não respondeu. Na verdade, não havia entendido a última frase proferida por seu pai.

- Já vi que não herdou tanta perspicácia assim de seu pai, não é, Vegeta? Eu tinha dois planos, caso Freeza decidisse nos trair. O "plano A" era eu mesmo tomar o poder dele. Mas logo eu calculei que, caso eu morresse, ele poderia querer te tutelar. A partir daí, se iniciava o "plano B", para retomar a supremacia da raça saiyajin. Na verdade, você foi o "plano B" o tempo todo. Uma pena que tenha sido um completo fracasso.

- "Plano B"...? Eu era um "plano B"...? Então, você sabia que eu era um "rebelde" e que eu poderia trair aquele lagarto asqueroso, certo? Eu bem que gostaria de ter acabado com Freeza, mas é uma pena que não foi conforme seus planos. Odeio ter que dizer isso, mas o "plano B" aqui falhou.

- Eu sei disso. Mas ainda não me conformo de ver um príncipe ser superado e humilhado por um guerreiro de classe inferior! Até onde eu sei, a linhagem real deve ser superior!

- Até uns tempos atrás, eu também tinha esse discurso... Papai. – Vegeta ainda achava estranho demais pronunciar tal palavra. – Levei anos pra aprender da pior maneira que as coisas não funcionam assim. E que o Universo não gira em torno de mim.

- A convivência com seres inferiores deve ter corrompido seu cérebro, Vegeta...

O príncipe Vegeta deu um sorriso sarcástico:

- Acho que o seu é que foi corrompido e parou no tempo.

- Insolente...!

- Se você sabe tanta coisa a respeito de seus filhos, deveria saber que ainda sou considerado insolente. Que pai é esse que sabe tão pouco a respeito de suas crias? Até o imbecil do Kakarotto, que ficou longe de casa por sete anos, conhece os filhos dele melhor do que você conhece os seus.

- É melhor não me provocar, Vegeta, ou então...

- "Ou então", o quê? Não tenho medo de saber o seu real poder de luta. Se aquele inseto cretino do Babidi fez a você o mesmo que me fez, então posso deduzir que esse "M" na sua testa não está aí de enfeite.

- Tem razão... Isto aqui não está de enfeite... – o rei deu um sorriso maldosamente confiante. – Agora você verá de quem herdou seus poderes de Super Saiyajin!

Sem mais delongas, o rei dos saiyajins colocou-se em posição de luta, com os punhos fortemente cerrados. Respirou fundo e sorriu sarcasticamente para o filho, que manteve-se impassível. Este, por seu turno, somente observava, de braços cruzados, o aumento de poder de luta de seu pai, cujo corpo estava rodeado por uma aura clara. Em seguida, surgiram descargas elétricas de coloração vermelho-escarlate. Veias estufavam em seus músculos retesados, ao mesmo tempo em que os olhos passavam de negros para verdes. Um urro selvagem e uma explosão de energia, acompanhada da mudança da cor dos cabelos negros para dourados selavam a transformação em Super Saiyajin, que acabava de ser concluída.

O príncipe Vegeta não se deixou abalar de momento. Perto de seus atuais poderes, a transformação de seu pai era quase que irrisória. Um Super Saiyajin comum não poderia vencer um Super Saiyajin Nível 2 quando em uso de seu pleno potencial.

Não poderia subestimar o poder de seu pai. Seria ridículo demais ele exibir um poder de luta tão baixo, após julgar-se tão "conhecedor" dos passos do filho.

- Pare de se exibir e mostre seu verdadeiro poder de luta, velho. Eu sei que você não tem só isso. Se eu herdei seu DNA, e o seu poder de Super Saiyajin, sei que tem mais do que isso.

- Como você sabe? – o rei ironizou.

- Não se faça de idiota. Se Babidi fez o mesmo que foi comigo, então seu poder de luta é maior. Não tem como isso passar só de uma bravata sua!

- Impressionante a sua capacidade de dedução, Vegeta...

Vegeta rosnou ao mesmo tempo em que se transformava diretamente em Super Saiyajin 2:

- Feche a sua maldita boca e lute com todo o seu poder...!

Os olhos verdes de ambos se encararam detidamente. Em ambos, era possível ver a furiosa chama do instinto de luta saiyajin começar a arder mais intensamente.

O embate entre pai e filho seria – e era – iminente. Era só questão de tempo para um deles fazer o primeiro movimento.