Desculpem a demora na atualização, andei ocupada com algumas coisas da faculdade.
Foi o capítulo mais divertido de se escrever até o momento, espero que vocês se divirtam lendo também.
Mais uma vez Santana estava sozinha em casa. Seus pais estavam em um jantar com sócios importantes e Fernando estava na casa de sua nova e misteriosa namorada. Ela até poderia ligar para Puck e marcar um encontro, mas aquele dia estava sendo péssimo que só mesmo uma boa noite de sono seria capaz de resolver.
As palavras de Julian ainda ecoavam em sua cabeça repetindo-se e deixando-a com um nó na garganta, mas o que aconteceu em seguida lhe assustou ainda mais. Alguém bateu na janela de seu quarto. Assustada ela sentou-se na cama e ouviu mais uma vez as batidas.
"Santana, é a Brittany." A voz da loira veio do lado de fora, fazendo Santana sacudir a cabeça em descrença. "Eu preciso falar com você." Santana poderia ignorar e deixá-la ali mesmo, mas se seus pais chegassem e encontrassem a filha do inimigo em sua janela, ela estaria bastante encrencada, e o seu maior desejo naquele momento era sossego.
Levantou-se a caminhou até a janela, e ao abri-la encontrou a loira sorridente.
"Oi" Brittany lhe disse animada, mas a latina não demonstrou nenhum entusiasmo em resposta, ao contrário, fez uma expressão de muito pouco caso. "Eu posso entrar?"
"Cinco minutos." Santana sentenciou deixando um espaço para a loira entrar em seu quarto. Brittany esteve lá pela última vez anos atrás, e as coisas eram totalmente diferentes. As paredes não eram escuras, e sim rosa e branca, bichinhos de pelúcia e brinquedos estavam por toda parte, e ela se lembrava muito bem que Santana não deixava nenhuma outra criança brincar com eles, só ela. "Ei, seu tempo está passando." A latina estava impaciente, Brittany olhava para seu quarto do mesmo modo que ela olhou para o Mickey Mouse em sua primeira visita à Disneylândia. "Você aprendeu a escalar a casa dos outros com o macaco que sua família cria no fundo do quintal?"
"Não, nós não temos nenhum macaco, só dois gatos, um cachorro, um bode, um coelho, um porquinho-da-índia, uma iguana, um passarinho e quatro galinhas." Brittany esclareceu, deixando Santana atônita, ela não sabia naquele momento se Brittany tinha mais irmãos ou animais de estimação. "Mas macaco seria legal, principalmente depois que eu me mudar..."
"Depois você resolve a questão da ampliação do seu zoológico, agora me fala porque você veio aqui!" Brittany não entendeu o porquê da latina mencionar um zoológico, sendo que esse nem era um assunto em pauta, mas na verdade isso não importava, o que ela não podia era perder mais tempo, então começou a se aproximar lentamente da outra com um sorriso confiante nos lábios. A morena por sua vez, não se moveu nenhum centímetro, encantada com aquele belo sorriso.
"Você é tão sexy Santana, posso te beijar?" A voz da loira ao fazer essa pergunta estava baixa em um tom sensual, que fez a latina sentir borboletas no estômago e recuar tão bruscamente que ela acabou tropeçando em seus próprios pés, e caindo sentada em sua cama. Brittany deu uma risadinha, seu charme nunca falhava. "Por que eu te deixo tão nervosa?" E com seu sorriso mais sedutor, ela sentou-se ao lado da outra na cama, que fazia o seu máximo para evitar o contato entre os olhares. "Acho que o seu silêncio significa sim, não é?" A hippie tocou o rosto de Santana com a ponta de seus dedos, e fechou os olhos, passou a língua rapidamente por seus lábios, pronta para provar do beijo proibido de sua vizinha, já podia até sentir a respiração dela, quando finalmente...
"Não!" A latina falou ao levantar-se de uma vez da cama, enquanto Brittany continuou sentada, ainda em estado de torpor com a ilusão do beijo. "Você é louca? Como você ousa a vir na minha casa me assediar assim? Você não enxerga a situação?" As bochechas de Santana estavam vermelhas, e sua respiração ofegante. "Nós vivemos no meio de uma guerra!" A latina não se conformava com o jeito inconseqüente da loira, suas famílias só faltavam pegar em armas quando se encontravam, e ela queria fazer o quê? Beijar a filha do arquiinimigo de seu pai.
"Faça amor, não faça guerra." A loira respondeu com simplicidade, porque era nisso que ela acreditava nessa idéia hippie que infelizmente sua família não seguia.
"Você quer dizer o que com isso?" Santana não duvidou que Brittany estivesse lhe dizendo aquilo no sentido literal da palavra.
"Nós éramos amigas, e por causa dos nossos pais pensarem diferente nós não podemos mais ser, e eu não gosto disso, dessas brigas todas e tudo mais." O aborrecimento estava estampado no rosto da loira. Santana não gostava daquilo também, na verdade ela nem odiava os Pierce como ela esbravejava pelos quatro cantos, ela apenas se contagiava por aquela animosidade que pairava na atmosfera entre seus familiares quando se tratava dos hippies. "Eu gosto de você, e eu cheguei a pensar que você gostava de mim também." As pernas da morena ficaram trêmulas assim que Brittany se levantou, definitivamente ela não conseguiria parar outra daquelas investidas, mas a hippie não foi em sua direção e sim na direção da janela. "Nos vemos por aí, quando nossas famílias estiverem trocando algumas farpas talvez."
"Ei Brittany!" O coração de Santana batia tão forte, que ela tinha a impressão que ele fosse arrebentar seu peito. Brittany olhou para ela, surpresa e sem imaginação para tentar adivinhar o que se passava na cabeça de sua vizinha. "Você quer ir ao cinema comigo amanhã?" Brittany riu, uma felicidade arrebatadora e inexplicável tomou conta de seu interior e ela nem sabia explicar porquê.
"Sim, eu quero." Os olhos azuis da hippie estavam ainda mais brilhosos ao responder.
"Legal... Mas é um programa entre amigas, não um encontro!" Santana não queria deixar espaço para nenhuma confusão, e Brittany era o tipo de pessoa que precisava das coisas bem claras.
"Tudo bem." Brittany estava feliz demais para por qualquer objeção naquele programa, e ela queria abraçar Santana naquele momento, mas era melhor não abusar da boa vontade da latina, ela nunca saberia quando teria uma outra oportunidade como essa. "Aonde vamos?"
"No Star Cine." Santana pensou no cinema mais longe do bairro, diminuindo drasticamente a possibilidade de um encontro indesejado com membros de ambas as famílias. "As seis, tudo bem para você?"
"Tudo bem, eu vou estar lá." A hippie assegurou, Santana sorriu fazendo o coração da outra acelerar, ela nunca vira um sorriso tão bonito assim antes.
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Brittany bateu na porta do quarto de Tina, logo que a senhora Cohen-Chang lhe deu permissão para subir até o quarto da garota.
"Quem é?" Tina perguntou.
"Sou eu, Brittany." Logo que terminou sua resposta, a porta do quarto fora aberta, por uma sorridente Tina.
"Oi Britt, entra aí." A asiática abriu completamente a porta para sua amiga entrar, e não pôde deixar de notar que Brittany estava diferente, aprecia animada e com um sorriso bobo nos lábios, e aquilo só podia significar uma coisa.
"Tina, eu vou precisar de um favor seu." A loira disse toda animada, logo que sentou-se na cama ao lado da gótica. "É muito importante para mim."
"Claro, pode falar, é para isso que servem os amigos." Tina respondeu, com seu sorriso simpático, mas Brittany estava um pouco receosa em relação à isso, apesar da ajuda de Tina ser totalmente necessária, e ela podia mudar de idéia ao saber do que se tratava.
"Santana e eu vamos sair hoje." Tina ficou estática ao ouvir aquilo, talvez ela tivesse ouvido errado. "Eu preciso que você vá comigo."
"Você está falando sério Brittany?" No fundo ela estava torcendo para ser apenas uma brincadeira de sua amiga.
"Sim, ontem depois que nós chegamos da sorveteria, eu fui na casa dela, e eu ..." As bochechas da loira coraram nesse momento. "Eu tentei beijar ela..." Tina ficou surpresa, aquela não era uma imagem que seu cérebro conseguia imaginar, não o fato de Brittany tentar beijar uma menina, porque ela já havia presenciado isso ao ver sua amiga beijando duas Cheerios, mas porque Santana era tipo a pessoa mais hétero que ela conhecia, mesmo sendo ela a primeira a desconfiar dos sentimentos da latina. "Mas depois nós conversamos e ela me convidou para ir ao cinema." Brittany simplificou o resto dos acontecimentos.
"E você confia nela?" Tina estava perplexa , era impossível para ela pensar no nome Santana Lopez sem logo lhe vir a cabeça adjetivos como maldosa, perigosa e cruel . "Você não acha que ela pode estar querendo te enganar ou algo assim? Sei lá, planejando alguma maldade..."
"Você acha, Tina?" Brittany sempre demonstrava preocupação ao morder o lábio inferior, como fizera naquele momento. "De verdade, ontem a Santana não me pareceu mal-intencionada, eu sei que eu deixei ela um pouco confusa com o meu charme..."
"Britt, isso por acaso seria um encontro, tipo romântico?" Brittany riu.
"Claro que não, ela mesma disse que era só amizade, e se fosse um encontro eu não iria chamar você, duh!" Brittany explicou o que para ela era óbvio. "Eu acho que ela sente falta da nossa amizade, mas você sabe todo esse rolo das nossas famílias." Tina sabia muito bem, e isso lhe preocupava. "Agora que eu vou embora, é nossa única chance de tentar consertar as coisas."
"Tudo bem." Tina concordou. "E aonde vocês pretendem ir?" Ela não gostava da idéia, mas estava disposta a dar o braço a torcer.
"No cinema, Star Cine, às seis." O sorriso de Brittany deixava a asiática com medo de vê-la se machucando, porque sua inocência já a deixava confiar em Santana, que durante anos a humilhou de várias formas.
"Britt, eu sinceramente não sei se é uma boa idéia, eu não confio na Santana e eu acho que você não deveria confiar também." Tina sabia que tinha que alertar a amiga, às vezes ela precisava de ajuda para ver algumas coisas.
"Olha, eu sei que você não gosta dela, e eu entendo, mas eu aprendi que todo mundo merece uma segunda chance, meus pais me ensinaram isso." E isso era verdade, seus pais sempre lhe disseram que todas as pessoas cometiam erros, mas nem por isso deveriam ser julgadas e condenadas para sempre, todos os humanos mereciam uma segunda chance (menos os Lopez, claro, porque eles eram um tipinho nojento, escória da humanidade) mas mesmo assim a adolescente achava que Santana merecia um voto de confiança naquele momento, afinal, ela era humana não era? "Além do mais, quando eu falei com a minha mãe sobre isso, ela me disse que eu só poderia ir se fosse com você."
"Tudo bem Britt, eu vou com você." Tina concordou, ainda não achava aquilo uma idéia aconselhável, mas Brittany era sua melhor amiga, e era isso que amigos faziam, não?
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Tina bateu na porta da residência dos Pierce às cinco e meia, como combinara com Brittany. Douglas lhe atendeu.
"Oi Tina." O garoto lhe cumprimentou. "Entre." A asiática entrou naquele ambiente tão familiar para ela. "Britt ainda está se arrumando." Logo que disse isso o garoto foi para a cozinha, e sua mãe veio de lá para a sala.
"Olá Tina." Ela cumprimentou um pouco mais simpática que o habitual.
"Olá Sra. Pierce, tudo bem com a senhora?" a asiática não conseguia decifrar aquele sorriso no rosto da Sra. Pierce.
"Eu estou muito feliz por você e Britt." Tina arregalou os olhos e sentiu um frio na barriga. "Eu sinceramente não podia esperar que a Brittany namorasse alguém melhor." O sorriso orgulhoso no rosto de Joan era o que mais deixava a asiática embaraçada.
"Não, não é is..."
"Ei Tina!" Brittany interrompeu a amiga sem querer, e sua animação era tanta que ela nem percebeu o clima estranho ali da sala. "Não podemos nos atrasar, vamos!"
"E a mamãe não ganha nem um beijo mais?" Joan perguntou sorrindo, Brittany se aproximou dela e lhe deu um beijo na bochecha. "Divirtam-se meninas, e lembrem-se ,juízo e se foram fazer qualquer coisa, façam de forma segura." Tina provavelmente gostaria de ser um avestruz para enfiar sua cabeça na terra naquele momento. Tinha certeza que suas bochechas deveriam estar mais vermelhas do que qualquer maquiagem. Brittany não entendeu o porque sua mãe mencionara aquilo, mas não importava, ela queria mesmo era chegar no cinema o mais rápido possível.
Tina apenas acenou para Joan antes de deixar a casa dos Pierce, e ir até o carro de seu pai, que estava estacionado em frente à sua residência.
"Britt, você disse para a sua mãe que nós estamos... Namorando?" A asiática perguntou, logo que ambas entraram no carro.
"Não, eles pensam isso porque nós passamos muito tempo juntas." Brittany respondeu com a maior naturalidade do mundo, como se aquilo fosse normal para ela. "Eu já disse que nós somos só amigas, mas eles não acreditam."
"Isso é embaraçoso!" Tina falou frustrada, ela gostava de Brittany como se gostava de uma irmã, por que tinha que ser tão difícil para as pessoas enxergarem isso?
"Eu sei, desculpa." Brittany respondeu, com os olhos baixos, deixando Tina com um gosto de culpa, talvez ela não devesse se frustrar tanto.
"Tudo bem, é melhor irmos agora não podemos nos atrasar." Tina sorriu para a amiga que sorriu de volta. Sua cabeça borbulhava com os pensamentos a medida que se aproximavam do ponto de encontro. Na mente de Tina se passava todos os desaforos que ela já tinha engolido de Santana e sua intenção em convidar Brittany para o cinema. Ela não comentou nada com a loira, mas em seu íntimo ela pensava que aquilo não passava de uma armadilha para uma humilhação da loira, ou talvez ela tivesse apenas blefando, fazendo Brittany ir ao outro lado da cidade para perceber que tomara um "bolo", e no fundo ela estava torcendo para que fosse isso mesmo, porque assim ela poderia ajudar Brittany a perceber que Santana não era uma pessoa boa, e resolver aquilo de uma vez por todas levando sua amiga para tomar um sorvete.
"Olha a Santana ali!" Brittany apontou para a latina que olhava os cartazes dos filmes em exibição, logo que elas viraram a esquina. Já era a esperança de Tina de que aquilo acabasse ali.
A asiática estacionou do outro lado da rua, e as duas desceram e foram até Santana, que olhou com estranhamento devido a presença de Tina ali.
"Oi Brittany." Em seguida ela olhou para Tina, com um desprezo impossível de esconder. "Eu não sabia que você ia trazer sua amiga." Fora algo totalmente inesperado, não que ela se importasse, mas não podia negar que ficara surpresa.
"Minha mãe não gosta que eu saia sozinha, e além do mais eu não poderia pedir para o Julian me trazer, e eu não tenho carta." Brittany fizera seu exame de motorista ao mesmo tempo que Santana e Tina, mas ao contrário das duas ela fora reprovada, porém ela não havia desistido, ela iria ter sua carta, não importa quanto tempo demorasse. Santana por sua vez, agradeceu em pensamento o fato de Brittany não dirigir, porque a imagem da loira chegando ali dirigindo aquela perua colorida de sua família era muito parecida com um circo dos horrores.
"Tudo bem, eu vou comprar os ingressos, eu estava pensando em vermos Madrugada dos Mortos." Santana comentou, tentando ser simpática.
"Todo mundo está comentando desse filme." Tina falou, tentando quebrar o gelo entre ela e a latina, mas Brittany se distraiu com outra coisa.
"Ah que lindo!" A loira exclamou animadamente ao ver atrás de Santana um cartaz do filme Tinker Bell. "Nós podemos ver esse filme?" Santana e Tina se entreolharam, enquanto os olhos da hippie brilhavam. Ele adorava Peter Pan, era seu filme favorito depois de A Dama e o Vagabundo e Rei Leão.
"Brittany, eu estava pensando em outra coisa, assim mais para nossa idade..." A latina argumentou, mas Brittany lhe olhou de um jeito que era impossível de dizer não.
"Tudo bem, vamos assistir Tinker Bell." Ela concordou, mesmo pensando que seria uma perda de dinheiro e tempo ver um filme tão idiota.
"Obrigada Santana, você é tão legal!" Num impulso Brittany deu um beijo no rosto de Santana, causando-lhe ardência na bochecha e uma pequena taquicardia.
"Eu vou comprar os ingressos...Nossos," Ela olhou para Tina. "O seu não!"Santana não conseguia ser simpática com um número "grande" de pessoas por muito tempo. Além do mais, ela não havia sido convidada. Tina levantou uma das sobrancelhas sem nenhuma surpresa, aquilo já era de se esperar e ela nem queria que Santana lhe pagasse nada.
"Eu vou pagar o meu também." Brittany respondeu, e Santana não escondeu sua confusão. "Afinal, isso não é um encontro romântico, não?"
"É, quer dizer não é... Você entendeu." Santana falou confusa, queria evitar ao máximo as ambigüidades, assim que recolheu o dinheiro das duas garotas e foi para a fila dos ingressos. Brittany cruzou os braços com um sorriso mais que satisfeito nos lábios..
"Está vendo, ela também tem seu lado bom, todo mundo tem." Tina apenas revirou os olhos ao ouvir isso, não queria estragar a felicidade de sua amiga. "Talvez você esteja certa, talvez ela esteja mesmo gostando de..." Brittany suspirou.
"Você?" Tina completou com certa dúvida, e o sorriso da hippie foi um mau sinal, porque fora um grande sim. "Britt, você não está pensando em...Você sabe o que sua família pensa dela e da família dela, e o principal, o que eles pensam de você e sua família!" Era mais claro que água, que se por um acaso irônico da vida, Brittany e Santana ou qualquer outro membro de ambas as famílias começassem qualquer espécie de relacionamento final não seria bom, na verdade seria terrível, e Tina odiava pensar que Brittany tivesse que passar por aquilo.
" A sessão começa daqui a vinte minutos, é melhor nos mexermos." Santana disse, entregando os bilhetes para as meninas.
As três entraram na fila, que eram as únicas adolescentes ali, no meio de umas vinte crianças mais ou menos. Ao lado estava a fila para madrugada dos Mortos, recheada de adolescentes, que obviamente, riram das três meninas.
Não demorou para que com seu jeito extrovertido, Brittany fizesse uma nova amiga, de uns nove anos de idade chamada Natalie, que estava tão animada com o filme quanto ela.
"... Eu sei fazer uma pipoca doce colorida que os meus irmãos adoram." Brittany falou com orgulho. "Toda vez que eu faço todo mundo pede mais."
"Isso é tão legal Brittany, eu quero muito conhecer sua casa." A garota respondeu animada. "Anota o meu celular." Brittany riu, uma menina de nove anos com um celular, talvez ela jogasse no mesmo time de Santana e não fosse bem-vinda na sua casa, mas ela decidiu anotar o número da menina mesmo assim. A hippie tirou do bolso seu celular, modelo antigo, muito diferente do de Tina, por exemplo, que tinha GPS e Wi-Fi, enquanto o dela tinha o jogo da cobrinha, que ela nomeara Johnny. A menina falou animadamente seu número para Brittany.
Finalmente elas entraram na sala, para o alívio de Santana, que se ficasse mais cinco minutos perto daqueles moleques idiotas que estavam zombando dela, iria perder a cabeça e fazer um estrago ali mesmo.
Uma vez dentro da sala, as três adolescentes sentaram-se na última fileira, Brittany entre Tina e Santana. Pipoca e refrigerante em mãos quando finalmente o filme começou. Santana estava tão entediada que quase dormiu durante os primeiros vinte minutos, mas seu sono passou rapidamente no momento em que Brittany tocou sua mão com a ponta de seus dedos. Santana estava de olhos arregalados, mas a outra agia como se nada tivesse acontecendo. Se antes ela não via o filme por tédio, agora não via por uma inquietação causada por um simples toque de mãos. Brittany parecia estar se divertindo, ela soltava uma risadinha em pequenos intervalos de tempo, mesmo quando nada engraçado estava acontecendo no filme.
Finalmente a latina desvencilhou-se da hippie e levantou-se.
"Eu vou ao banheiro." Santana murmurou, sem dar tempo para nenhuma das duas meninas responderem qualquer coisa.
Seus batimentos cardíacos estavam acelerados, e a última vez que seu coração bateu naquela velocidade foi quando ela encontrou a coleção de revistas Playboy de seu irmão, que ela admirou escondida, claro. Lavou o rosto com a água gelada da torneira do banheiro, arrependida por ter essa maldita idéia de passeio.
"Você está bem?" Santana olhou para a porta e lá estava Brittany, que se espantou ao vê-la naquele estado, a pele morena da latina estava pálida. " O que aconteceu, você viu algum fantasma?"
"Vi." Santana respondeu irônica e impacientemente, a loira levantou uma sobrancelha.
"Sério?" Brittany sempre achou que os fantasmas gostassem de lugares mais freqüentados como cinemas, teatros, óperas, talvez ali naquele cinema houvesse algum.
"Claro que não, Brittany! Você sempre acredita em tudo o que os outros falam?" Aquela garota era ingênua demais.
"Eu não minto para ninguém, não sei por que as pessoas mentem para mim." A loira respondeu com simplicidade. " Eu posso te ajudar?"
"Não, me deixa em paz!" Brittany encarou Santana, que procurou evitar seu olhar.
"Eu sei como é, eu me sinto da mesma maneira." Santana sacudiu a cabeça, fingindo não entender o que a hippie estava lhe dizendo. "Eu gosto de você também, e eu também tenho medo do que a minha família vai pensar." Brittany se aproximou da latina, e tirou uma mexa de cabelo da frente de seu rosto. "Eu adoro seus olhos, eles não mudaram nada mesmo depois de tanto tempo."
"Os seus também não." Santana disse, e as duas sorriram, praticamente esquecendo-se que estavam em um banheiro público e que qualquer menina ou funcionária poderia chegar a qualquer momento. A latina sentiu a taquicardia voltar com o dobro da força, quando Brittany segurou levemente seu queixo, e fechou os olhos. Sem dizer nada fechou os olhos também e entreabriu os lábios assim que o calor de Brittany se tornou mais próximo. Quando os lábios macios de Brittany tocaram os seus, Santana sentiu suas pernas amolecerem, e chegou a pensar que fosse desmaiar conforme a intensidade aumentava.
Nem mesmo em sonho ela se via fazendo alguma coisa assim, beijando a filha do hippie que seu pai tanto odiava, mas ela queria que o mundo todo se danasse, ela estava com Brittany e isso era o que importava, o resto ela resolvia depois.
*Aqui, diferentemente de Glee, Brittana tem beijo e Tina tem falas.
*Deixem reviews, meu coração agradece ;)
