*Hoje faz exatamente um mês da última atualização da fic, me desculpem de verdade, eu tive alguns problemas de horários e também familiares que me impediram de postar antes, mas eu realmente espero que vocês gostem do capítulo.


"Dios mio, que pasas?" Fernando perguntou abismado, olhando Eileen e sua nova roupa. "Que lugar é esse Eileen?" Ele perguntou e riu.

"Essa é minha casa." Ela respondeu com simplicidade, e deu os ombros, então Brittany sorriu.

"Você é hippie, Eileen? Que legal!" Brittany falou animada, observando a casa da garota. "Gostei da sua casa, tão bonita e colorida, quando a gente casar a gente pode ter uma assim, né San?" Santana segurou a respiração, nunca que ela queria uma casa daquelas.

"Quem sabe, né?" Ela não podia decepcionar a namorada.

"Quer dizer então que... Eu também me apaixonei por uma hippie?" Ele não estava acreditando muito naquilo.

"Sim." A jovem de cabelos escuros confirmou.

"E por que você dizia que odiava os Pierce se é igual à eles?" Ele perguntou meio chateado. "Você é muita falsa Eileen, você me fez fazer coisas horríveis garota, e você é igual à eles!" Fernando falou impaciente.

"Fernando, fique calmo, não é o fim do mundo." Santana comentou e deu um tapinha amigável no braço do irmão. "Eu sei que é difícil aceitar estar apaixonar por uma hippie, mas..."

"Eu não estou falando disso." Ele se defendeu, e olhou para Eileen. "Você é uma pessoa horrível!" A garota baixou os olhos diante daquelas acusações, e no fundo ela sabia que o rapaz tinha uma certa razão.

"Fernando não exagera, eu sei que ela errou, mas você não é santo também." Santana defendeu a garota que estava sendo muito boa para ela.

"Eu vou embora daqui, vem comigo Brittany?" Ele perguntou para agora a sua cunhada, que mordeu o lábio inferior.

"Na verdade eu fugi de casa, meu pai ficou fazendo cara feia o dia todo e nós brigamos porque eu contei a verdade para ele." A loira explicou, sentido-se um pouco mal por ter feito aquilo. "Agora eu não sei para onde vou."

"Caramba Britt." Santana comentou, e a loira suspirou. "Mas meu pai me expulsou, então, acho que estamos quites." Brittany a abraçou.

"É, estamos ferradas." Ela disse.

"Você pode ficar aqui se quiser, Brittany." Eileen disse a ela. "Eu sei que eu errei com você principalmente, mas eu quero me redimir de alguma forma."

"Ora, toda casa de hippie é uma pensão?" Fernando ironizou, atraindo um olhar nada amigável da irmã. "Eu vou nessa, vejo vocês por aí, Santana e Brittany." Ele frisou antes de virar as costas entrar em seu carro e ir embora.

"E agora, o que vamos fazer?" Brittany perguntou séria. "Talvez essa fosse a hora de irmos para São Francisco." Ela sugeriu com uma piscadela.

/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/

Simon estava na sala com a tevê desligada quando ouviu fortes batidas na porta da frente de sua casa.

"Abre essa porta Lopez, eu quero falar com você!" O latino reconheceu a voz furiosa de seu vizinho hippie e rolou os olhos. "Vamos Lopez!"

"O que é isso Simon?" Angélica perguntou assim que ela apareceu ali, e as batidas continuavam.

"É aquele hipongo do inferno, deixa que eu resolvo isso." Ele se levantou e caminhou até a porta, abrindo-a com certa impaciência. "Quem você acha que é para vir na minha casa a essa hora da noite, bater na minha porta com essas mãos sujas de forma violenta?" Ele questionou o loiro impacientemente.

"Cadê a minha filha?" Gregory perguntou sem rodeios.

"Acho que eu não entendi a sua pergunta." O moreno respondeu, assim que Angélica surgiu ao seu lado.

"Eu perguntei onde está a minha filha Brittany!" Gregory falou mais alto ainda.

"E eu vou saber? Se você que é o pai não sabe." Simon respondeu.

"Eu sei que ela está com Santana, agora me diga, onde sua filha está?" Ele estava visivelmente nervoso.

"Escuta aqui seu hipongo, mantenha essa sua filha lésbica longe da minha Santana, já não basta toda a merda que ela fez?" Angélica interviu. "Mas aposto que vocês estão mancomunados nisso, aposto como foi ordem sua para ela seduzir a minha filha!" Os olhos de Gregory se arregalaram com aquela acusação.

"Eu só quero saber da minha filha, e se vocês querem saber, eu detesto a idéia dela ter se envolvido com aquela arrogante da Santana, e eu sou um homem de princípios, jamais mandaria minha filha fazer algo tão baixo com pessoas mais baixas ainda que são vocês!" Ele se defendeu.

"Ora, você tem tantos princípios que tem filhos sexualmente desviados que você nem sabe onde estão!" Angélica o atacou.

"Pelo visto eu não sou o único que tem filhos assim não é? Aposto que vocês nem sabem onde Santana está." Ele ironizou e deu os ombros. "Ótimos pais vocês são."

"Ora seu hipongo..." Simon vociferou e ameaçou ir para a cima de seu vizinho, quando Fernando apareceu ali, e o segurou..

"Ei pai, fique calmo." O rapaz falou.

"Qual o problema Lopez? Só sabe resolver as coisas na porrada?" Gregory o provocou.

"Eu sei sim onde a minha filha está! E eu vou buscá-la para você ver!" Simon vociferou. "Você é que é um péssimo pai, perdeu a própria filha!"

"Pelo menos eu não a expulsei, porque eu não sou um homofóbico retrógrado como você, perdedor!" O hippie respondeu.

"Nós querermos que nossa filha viva de um jeito certo não como você e essa sua família, toda errada!" Angélica respondeu.

"Ora mãe, isso nem é o fim do mundo." Fernando se intrometeu na briga. "Faz tanto tempo que isso aconteceu e essa briga ridícula parece interminável, talvez papai e o Sr. Pierce só precisem se trancar em um quarto por algumas horas e então eles resolveriam todas as suas frustrações." O garoto deu os ombros diante do olhar incrédulo de seus pais. "Isso funcionou com Santana e Brittany."

"Seu moleque..." O rapaz foi rápido ao desviar de um tapa de seu pai. "Me respeita, hein Fernando!"

"Mas é verdade, eu acho que já passou da hora de parar com essa coisa ridícula, a porcaria do espaço que motivou tudo isso hoje não é nem shopping, nem área preservada, é uma droga de um estacionamento, e ninguém ganhou nada com isso." Ele cruzou os braços. "Nós perdemos anos com provocações, brigas, nervoso, pai você quase teve um enfarto fulminante por causa de um bode, e agora nós perdemos a Santana." Em seguida ele olhou para Gregory. "E você e sua família perderam a Brittany." Os três adultos mantiveram seus olhares baixos, pensativos. "Elas não deixaram de ser as meninas que nós amamos, porque se gostam, e não é justo elas serem privadas de viverem com suas famílias por causa de um sentimento, vocês não acham?"

Simon sentiu seu coração doer. Ele amava tanto Santana, seu jeito determinado, e até mesmo aquela rudeza por algumas vezes, mas ela sabia que por trás daquilo havia uma menina doce, apaixonada por sua família, e que sempre dera o seu melhor por todos eles. Ela era uma parte dele, sangue de sangue, e ele prometeu para si mesmo assim que ela nasceu que não deixaria nunca nada abalar sua relação com seus familiares, e naquele momento ele estava deixando exatamente aquilo acontecer. Sentiu vergonha de si mesmo.

Gregory podia ver um filme diante de seus olhos. Sua família era tudo o que ele tinha de mais valioso em tudo. Ele não tinha um emprego bem remunerado, ele não tinha uma casa dos sonhos, ou um carro novo a cada ano, ele apenas tinha a sua esposa e seus filhos e isso era o que importava. Ele nunca fora tão insensível antes, e nem sabia o que pensar de si mesmo naquele momento, ele só queria olhar nos olhos de sua filha e lhe dizer o quanto ela era importante para ele.

"Você sabe onde elas estão garoto?" Gregory perguntou. Fernando afirmou com a cabeça. "Me leve até Brittany, eu preciso falar com ela."

"Eu também quero ver Santana." Simon suspirou e colocou as mãos na cintura.

/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/

Brittany, Santana e Eileen já estavam prontas para dormir. De mãos dadas e sem dizer uma única palavra, ambas pensavam em como seriam seu futuro dali para frente. Sem casa, sem família, sem dinheiro ou qualquer coisa pudesse ajudar de alguma forma elas seguirem através de seu último ano da escola até alcançarem a faculdade e a independência. Era difícil saber o que fazer numa situação dessas, e os exemplos que elas tinham só remetiam ao caminho mais doloroso, como Romeu e Julieta.

Eles só queriam viver em um tempo para eles, onde seu amor seria livre, e mesmo tanto tempo após essa história ser contada e recontada em diversas versões, elas ainda viviam uma situação parecida a dois adolescentes italianos.

A time for us someday there'll be

(Um tempo para nós, algum dia existirá)

When chains are torn by courage born

(Quando correntes serão quebradas pela coragem nascida)

Of a love that's free

(De um amor que é livre)

A time when dreams so long denied

(Um tempo em que sonhos, por tanto tempo negados)

Can flourish as we unveil the love

(Podem florescer, enquanto nós descobrimos o amor)

We now must hide

(Que agora nós devemos esconder)

A time for us at last to see

(Um tempo para nós, para enfim vermos)

A life worthwhile for you and me

(Uma vida que valha a pena para você e eu)

Brittany acariciou o rosto de Santana e lhe deu um beijo nos lábios, da forma mais silenciosa para não chamar a atenção de Eileen e ela acabar pensando que elas fossem fazer algo a mais do que aquilo.

"Vai ficar tudo bem, você vai ver, nós vamos passar por isso juntas." Brittany sussurrou em seu ouvido, antes de alguém bater na porta, fazendo Eileen se levantar e as duas se afastarem evitando algum mal entendido.

Eileen abriu uma fresta da porta, e viu seu pai.

"Eileen tem um par de pessoas querendo falar com as meninas." Ele falou. "Eles pareciam preocupados." Ele frisou, antes de sair. Eileen fechou a porta do quarto, já imaginando quem poderiam ser essas pessoas. Ela virou-se e encarou as duas meninas que pareciam preocupadas, sentadas no chão.

"Algum problema Eileen?" Santana perguntou.

"Não na verdade, é... Meu pai disse que tem algumas pessoas aí querendo falar com vocês." As duas adolescentes se entreolharam, ansiosas e temerosas.

/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/=/

Simon cruzou os braços e olhou confuso para aquela casa que lembrava tanto a de seu vizinho hippie.

"Apesar de tudo, eu não entendo como a Santana veio parar aqui." Ele falou e olhou para confuso. "Afinal que lugar é esse, Fernando?" O rapaz corou e suspirou.

"Eileen mora aqui, ela é... Enfim, acho que você já sabe o que ela é." Ele sacudiu os ombros.

"Ela é hippie também?" Angélica perguntou incrédula. Nem em mil anos ela poderia imaginar uma coisa dessas. Gregory riu ironicamente baixinho, e levou uma cotovelada da esposa.

"Para com isso!" Ela ordenou. "Você prometeu Gregory."

"Amor, eu só acho engraçado o fato dos filhos dele terem uma atração natural pelos hippies." O homem comentou ainda entre risinhos. Simon balançou a cabeça, afinal, aquilo era uma verdade, mesmo que ele não gostasse muito.

Finalmente as duas adolescentes apareceram na porta da casa, timidamente. Elas levaram um certo tempo até irem de encontro aos seus pais que estavam na calçada.

Seus olhos se cruzaram, e elas seguraram firmes uma na mão da outra e caminharam de cabeça erguida até eles.

And with our love through tears and thorns

(E com nosso amor, entre lágrimas e espinhos)

We will endure

(Nós resistiremos)

As we pass surely through every storm

(Enquanto nós passarmos pelas tempestades)

A time for us someday there'll be

(Um tempo para nós, algum dia existirá)

A new world

(Um novo mundo)

A world of shining and hopes

(Um mundo de brilhos e esperanças)

For you and me

(Para você e eu)

Gregory foi o primeiro a fazer um movimento, andando até Brittany, e sorriu para ela antes de abraçá-la. A adolescente começou a chorar e isso quebrou Gregory, que se sentiu uma péssima pessoa por fazer sua filha adorada sofrer.

"Ei Britt, não chore, por favor." Ele sussurrou, já chorando também. "Eu... Por favor, me perdoe, eu fui um idiota egoísta quando te disse aquelas coisas, eu só quero que você volte para casa, lá é o seu lugar." Brittany sorriu em resposta, bastante feliz por ouvir aquelas palavras de seu pai. "Você volta com a gente?" A loira olhou para a sua mãe que sorria orgulhosa de seu marido há poucos metros de distância, e em seguida ela olhou para a sua namorada, que assentiu com a cabeça, ela queria que Brittany voltasse para a sua casa. "Britt, seus irmãos estão te esperando."

"Eu volto, mas não sem antes saber se você vai me deixar namorar Santana." Ela perguntou bastante séria, fazendo Gregory olhar para a latina por alguns segundos e em seguida voltar seus olhos para Brittany.

"Sem problemas de minha parte, eu prometo." Um sorriso enorme cresceu no rosto da garota, e seus olhos brilharam radiantes ao abraçar seu pai tão apertado, como nunca antes.

Gregory sentia-se feliz, apesar de estar deixando a filha tomar uma decisão da qual ele não aprovava. Ele não gostava de Santana, a achava arrogante e pretensiosa, mas se é claro que havia qualidades na garota que ele não enxergava, mas que foram o motivo de Brittany se apaixonar. É claro que ele tinha medo de que a latina talvez partisse o coração de sua filha, deixando-a desolada, mas se isso viesse a acontecer ele estaria ao seu lado, e se a situação fosse outra, e Brittany acabasse em um casamento feliz e com filhos, ele estaria lá também, até o último dia de sua vida.

"Eu te amo." Ele falou, quando sentiu uma lágrima escorrer pela sua face.

"Eu te amo também, papai." Ela murmurou em resposta.

"Santana." A atenção da garota que estava com os Pierce naquele instante voltou para a sua família após o chamado de seu pai. Ela caminhou até eles com certo temor, os seus olhares estavam indecifráveis. "Eu... Me desculpa pelas coisas que eu fiz e falei para você, eu só queria te guiar pelo caminho que eu achava que era o certo, mas eu acabei sendo um egoísta."

"Santana, eu também quero te pedir desculpas." A garota surpreendeu-se com a mãe. "Eu não vou dizer que gosto desse jeito que você decidiu levar a sua vida, mas eu posso aceitá-lo." Santana sentiu seu coração leve com aquilo. Sua mãe não dissera aquilo por maldade, ela apenas não entendia porque toda a sua vida ela acreditou em uma coisa diferente, mas Santana não tinha dúvidas que ela iria aprender a aceitar verdadeiramente o seu amor por Brittany.

"Então... Está tudo bem?" Ela perguntou confusa, ela imaginou que morreria sem ver uma possível conciliação entre sua família e seus vizinhos hippies. Os olhares de Simon e Gregory se cruzaram, então o latino andou até ele e estendeu a sua mão.

"Pierce, trégua? Em nome das nossas filhas." Gregory olhou para Joan que piscou para ele, então ele apertou a mão de Simon.

"Trégua." Ele disse para a felicidade radiante das duas adolescentes apaixonadas. Nesse momento Fernando deu uma cotovelada de leve em Santana.

"Você e seus bebês hippies terão que ser sempre gratos ao Tio Nando por esse momento." Ele murmurou, fazendo a irmã sorrir, sentindo verdadeiramente orgulhosa de seu irmão e todo o seu apoio.

"Valeu Nando." Ela respondeu e o abraçou.

"Eu não queria admitir isso, mas Brittany é uma escolha muito melhor que Puckerman e seu esquilo morto que serve de chapéu." Ele comentou fazendo a irmã rir. "Quando diziam que nós éramos parecidos eu não imaginava que fosse tanto, temos bom gosto para garotas." Aquilo estava começando a ficar embaraçoso.

"Está na hora de voltarmos para casa." Simon falou, envolvendo um braço em volta de Santana outro em volta de Fernando. "Meus filhos, os dias de cão acabaram."

Antes de entrar no carro de seu pai, Santana lançou um último olhar para a sua namorada que piscou para ela, e Fernando olhou para a casa e viu Eileen ao lado de seu pai na porta, sorrindo, feliz. Ele acenou para ela que acenou de volta, e em seguida entrou no carro e voltou para a casa, agora com a família completa.


*Música: A time for us (Andy Williams)- Tema de Romeu e Julieta.
*Faltam dois capítulo para o final da fic, estejam preparados.
*Reviews, por favor.