Quando Helena entrou, percebeu que menos da metade dos lugares estavam ocupados, o que era animador. Ela e Snape sentaram-se em lados opostos. Ele tinha ficado sério e Helena sentiu um desconforto: Sabia que ele não pouparia esforços e que se os dois travassem uma briga de argumentos e justificativas sobre o porquê ficar com a casa, ele certamente venceria. Um leve arrepio de ansiedade lhe percorreu o corpo quando o leilão se deu por iniciado.
Com o passar dos minutos, alguns pretendentes da casa abandonaram o leilão. Consecutivamente o número de pessoas saindo aumentava, até restar somente Helena e Severo no local. Já haviam sido dados os lances mínimos e foi com um nó na garganta que Helena o viu erguer a mão esquerda, que no dedo anelar ostentava um belo anel de prata, cuja forma era a de uma serpente cravejada de rubis seguida de uma... "OPA! O QUÊ?", pensou ela...
Uma aliança de ouro.
O coração de Helena acelerou e ela sabia por quê.
Seu passado sabia o porquê desta sensação.
Helena que estava de pé tornou a se sentar, pois temia que as pernas moles a colocassem em situação constrangedora.
Tratou de voltar para seu foco: A casa. O preço continuava a subir e Helena já não poderia dar tantos lances. Snape havia levantado a mão para oferecer mais mil galeões e a casa já estava na conta de cinco mil. Helena levantou a mão tremulamente e ofereceu mais mil à quantia. Com o canto dos olhos percebeu que Snape já não prestava mais atenção na cena e que um professor de Hogwarts conversava com ele.
Enquanto o leiloeiro anunciava seu lance, Helena viu que Snape olhava para o tablado do leiloeiro, mas com o olhar preocupado e as sobrancelhas franzidas.
- Mais algum lance? Quem dá mais do que seis mil galeões? – disse o leiloeiro.
Ela já estava certa de que ele ofereceria mais um lance quando a atenção dele se voltou totalmente ao homem com quem conversava. Como o leiloeiro não obteve resposta tratou de bater seu martelo:
- VENDIDA!
O leiloeiro se aproximou de Helena para lhe passar algumas informações e quando ela virou a cabeça na direção de Snape, ele já não estava mais lá.
A velha mansão era dela. Uma mansão histórica. Ela nem conseguia acreditar. Mas e Snape? O que será que havia lhe acontecido? Foi com um aperto no coração que ela se percebeu preocupada com ele. Mas ora essa, ele sabe se cuidar, certamente...
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A semana passou sem maiores novidades. Helena estava com a conta no Gringotes praticamente vazia, mas estava animada com a sua aquisição e já trabalhava na restauração da casa. Sua primeira providência foi encontrar um local adequado para o retrato do Sr. e Sra. Prince, que ficaram em uma sala de estudo no pavimento superior, que ela destinou para todos os retratos de família. Iria oferecê-los a Snape em um momento oportuno.
Ainda que sequer tivesse noção da história daquela família e do peso de sua atitude, decidiu deixar no Hall de Entrada apenas o quadro de Eileen Prince, uma jovem de beleza comum, nada de muito exuberante... Mas que lhe despertava uma espécie de simpatia e bem estar quando lhe sorria. Sim, aquela mulher a qual ela não fazia a mínima ideia de quem seria lhe despertava simpatia e lhe sorria todas as manhãs, quando esta ia à mansão acompanhar as obras de restauração feitas por sua amiga Eleonor, uma arquiteta bruxa.
- Ah, Helena... Amanhã à noite eu e Jamie vamos oferecer uma recepção para alguns clientes. Eu gostaria que você fosse, Jamie tem um amigo interessado nos seus quadros...
- Tudo bem, talvez eu apareça por lá – disse Helena sem muito interesse.
- Você VAI aparecer lá. – disse a amiga enfaticamente – Você precisa tirar o pé de casa ou daquele sótão e lembrar que ainda tem uma vida além-trabalho!
- Ok, Eleonor. Eu te dou uns minutos de minha presença.
- Só tem uma coisa... – disse com cuidado.
- O quê? O traje é a rigor? Hahaha.
- Quem dera se a questão fosse esta – continuou, apreensiva.
- Por Merlin, mulher! Desembucha logo! – disse Helena com uma leve irritação na voz.
- Snape vai estar lá. Ele investe em algumas ações da indústria farmacêutica de meu sogro no mercado de exportação de poções... E o Jamie achou por bem convidá-lo. Meu sogro estará lá, sabe... Negócios de família.
- Que nada, Eleonor. Isso sim foi um baita incentivo. Eu vou esfregar a escritura dessa mansão na cara do Snape – disse irônica.
- Então... Vê se usa um pouco da sua diplomacia escondida no seu interior, ok?
- Claro, querida. Snape merece ser azucrinado com todos os requintes...
