Então, gurias! Voltei! Esse capítulo é curto, mas continua no 15! Só não coloquei eles juntos pra não forçar muito a leitura, ok?

Para as minhas leitoras queridas e que sempre deixam reviews, meu eterno agradecimento. E respondendo à Amanda Laís: Oi linda, acho que eu não me fiz entender direito, mas no capítulo anterior o Snape menciona que a mini rebelde vai procurar uma cartomante/vidente pra saber quem é o pai e a "profissional de adivinhação" solta a pérola...

Anna Clara Snape, leitora nova na área: Sabe que eu não planejei contar sobre a mãe da Sofia mesmo? Mas vou providenciar. O desejo de vocês é uma ordem! Fico feliz que esteja gostando. A paternidade da Amy e o desfecho da Helena e do Severo vem daqui a pouco! Beijos!

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- CASAR! ? – Helena exclamou entre incrédula e indignada, soltando-se dos braços de Severo – Que tipo de brincadeira é essa! ?

- Estou falando sério. Pensei bastante sobre isso nos últimos dias. Amy e Sofia precisam se sentir em uma família e...

- E você sugere que eu me case com você só pra dar uma substituta de mãe à sua filha! ?

-... Nós dois também. – ele completou.

Ficaram em silêncio. Nenhum dos dois ousou rompê-lo por momentos que parecera durar uma eternidade, até que ele prosseguiu:

- Pelo o que eu entendi você não pretende mesmo revelar a identidade do pai à Amy, não é?

- Não posso, nem a você.

- Quanto a mim não tem importância, aliás, esse assunto não me diz respeito. No entanto já que Amy parece tão desesperada em encontrar o pai a ponto de me tomar por ele só porque uma cartomante qualquer disse, achei que seria uma boa ideia... De repente...

- Você não confirmou essa suposição absurda, não é? Até porque nem haveria como...

- Ah, poderia sim. Por mais que eu tente lembrar eu não consigo, mas sei que você foi minha aluna. E sonserina. – frisou as palavras, com um ensaio de sorriso. – Embora eu ache impossível esquecer que se tem um filho. – concluiu.

Helena gelou. Como ele sabia? Parecendo ler a mente dela (o que não conseguiu, porque ela era excelente oclumente), ele respondeu:

- Por Merlin, mulher! Como eu fiquei sabendo disso? É óbvio! Eu sou diretor desta escola, saciei a curiosidade fazendo uma breve consulta ao arquivo morto.

Então ele tinha confessado. "Ora essa, homem! Há alguns anos atrás você era mais controlado, cale essa boca!" pensava ele com seus botões.

Havia feito uma confissão indireta de que ele, Severo Snape, teve ímpetos de curiosidade que foram mais fortes do que a sua habitual essência. Ele havia procurado por informações a respeito dela. Enquanto isso, ela não sabia se ficava "prosa" pelo feito ou se ficava preocupada, pois sabendo da obstinação dele, Severo poderia muito bem investigar mais a fundo e descobrir coisas que ela não queria que ninguém soubesse.

- O que você ganharia se casando comigo?

A pergunta o pegou de surpresa.

- Você nem precisava ter perguntado isso. – disse ele sério.

- Como sempre a velha mansão!

- Se você prefere pensar assim, que pense com cuidado e considere meu pedido. – disse ao levantar-se. – Minhas intenções são as mais sérias possíveis. Reflita bastante e veja que você é quem mais tem a ganhar com isto. Tanto em relação à Amy como aos seus negócios.

- E depois diz que a mansão não é o motivo de tudo! Claro que Severo Snape não é altruísta! – disse ela num esgar de sarcasmo.

- Então você não conhece esse Severo Snape. – disse apontando para si mesmo.

Severo caminhou em direção da porta, pegando a capa no meio do percurso.

- Aonde você vai? – perguntou ela aflita.

- Dormir nas masmorras. Se você não consegue ver nenhum benefício para si nisso tudo, ao menos pense na sua filha.

Helena não podia negar. Massageou a testa com a ponta dos dedos e disse com voz incerta:

- Vou pensar sobre o assunto.

Sua perturbação e cansaço eram tão grandes que ela nem se deu conta que não tinha recusado de imediato a proposta de Snape, como intencionava fazer. Isso porque com todas as coisas que não podia contar a seu respeito, também não conseguia ver a possibilidade de um casamento saudável nem a um palmo do seu nariz.

Helena tornou a se deitar. Não conseguia aquecer-se, mesmo com a lareira acesa. Por fim pegou no sono e teve sonhos terríveis, sonhos que a bem da verdade lhe atormentavam desde quando a guerra estava em curso. Torturas, mortes, sofrimentos e separações. O passado cronologicamente era distante, mas as lembranças de tudo aquilo ainda lhe causavam medo e dor. Acordou assustada. Sonhou que Amy tinha sido morta. Ela sentou-se na cama, encolheu os joelhos e passou os braços à volta das pernas. Pensava. Aos olhos do mundo, ela seria considerada uma mulher privilegiada por ter um marido como Severo Snape. Mas em seu íntimo, não era assim que ela queria ser vista por ele; como a esposa ideal e conveniente e tinha seus motivos para isso. Ela também estava preocupada com Amy. De onde ela tirou a ideia de ir procurar uma cartomante e, por Merlin, tomar Snape por seu pai?

Não conseguia dormir ou aquecer-se. Não trouxera roupas e contava apenas com as cobertas que ali havia. Mesmo sem nenhum agasalho, levantou-se. Sabia aonde ir e que não era a coisa mais certa a se fazer àquela hora da madrugada, mas o fez. Precisava mandar a razão calar a boca de vez em quando e escutar um pouco mais o coração.

Caminhou pelos corredores gelados de Hogwarts. Não havia uma alma viva sequer pelo caminho. As masmorras estavam ainda mais geladas. Hesitou muito antes de bater à porta dos antigos aposentos de Snape, mas o fez. Quando ele abriu a porta, trajava um grosso robe de lã negra. Ela sorriu meio sem graça. Ele estranhou e perguntou ainda sonolento:

- Aconteceu alguma coisa?

- É que... – silêncio - É que eu não consigo dormir. E está frio lá no quarto. – disse ela tiritando.

Ele olhava para ela com curiosidade. Abriu mais a porta e ficou de lado, para que ela entrasse. Diferente do que ela esperava o aposento, composto de sala e quarto, ali estava quente e aconchegante. Ele a levou até a porta do quarto:

- Você pode ficar na cama, já que lá está mais quente. Eu durmo no sofá ou nos aposentos da direção. – disse já fazendo menção de sair.

- Não. – ela falou segurando o robe dele. – Espere. Ao menos fique nas masmorras. Ou melhor, não é justo você dormir no frio por minha causa. Desde que você não coloque suas mãos onde não deve, podemos dividir a cama.

- Vejo que alguém aqui está cedendo – disse sarcástico.

Silêncio. Olhos nos olhos.

- Eu aceito. – ela disse, de supetão, sem pensar muito, mas convicta.

- Aceita o quê? Dormir comigo na minha cama? – debochou.

- Ser tua esposa.

Negros em azuis.

Azuis em negros.

- Tem certeza disso?

- Tenho.

- Sabe o que um casamento implica?

- Sei.

- Está disposta a cumprir tudo?

- Aí que está a questão. Nosso casamento é uma conveniência. Não um casamento de verdade. Aceito me casar desde que não tenhamos o contato íntimo que os casais que se amam – ela frisou bem a palavra - costumam ter. E você não me ama, Snape. Mas eu vo te respeitar, cuidar da sua casa, da sua filha, dos seus interesses. Como uma boa esposinha faria. – disse em um misto de ironia e angústia.

- Então quando eu precisar satisfazer minhas vontades estarei livre para procurar minhas acompanhantes, como você tanto gosta de me lembrar?

- Desde que você não denigra publicamente minha imagem e respeite a fachada do nosso casamento...

Ela não queria admitir, porém, se sentia desconfortável com a ideia de vê-lo com outras mulheres. Ao mesmo tempo, ela não estava pronta o suficiente para se permitir tamanha intimidade. Também tinha de admitir que não havia pensado muito bem nestas questões íntimas e quase se arrependeu de ter aceitado tão rápido, sem pensar com minúcia...

- Como você quiser, senhorita. Fique com suas filosofias sexuais do século dezenove se você conseguir...

- Por que eu não conseguiria? – ela estava começando a se arrepender de ter ido até as masmorras e o desconforto começava a aparecer, mas sem jamais deixar a ironia no tom de voz.

- Porque vindo até aqui com essa desculpa esfarrapada de estar com frio... Você já começou mal, minha cara.