Minhas queridas leitoras! Consegui fazer sinal de fumaça! E peço, encarecidamente, mil perdões pelo sumiço sem justificativa alguma. Minhas últimas semanas foram terríveis e recheadas de problemas pessoais e profissionais. Nem consegui fazer reviews nas fics de algumas de vocês, mas as coisas devem melhorar esta semana. Paciência comigo, ta? Vocês todas moram no meu coração e eu jamais sumiria do mapa sem considerar o carinho de vocês. Mil perdões!
o-o-o-o
A última coisa que Helena queria era sair para jantar, sentar-se à mesa como se nada houvesse acontecido e ainda fazer planos com Snape. Mas ali estavam. O vestíbulo de entrada não se diferenciava do de outros restaurantes da mesma categoria: Era elegante, discreto e acolhedor. O lugar também era espaçoso, com mesas amplas, cadeiras estofadas e iluminação indireta. Um carpete cinza-escuro cobria o chão e fazia um contraste suave com o papel róseo das paredes: Estavam na Londres trouxa! E Snape, como sempre, portava-se perfeitamente como alguém que jamais houvera conhecido magia. Ao vê-los, o maitre veio ao seu encontro e levou-os a uma mesa num canto discreto. Helena abriu o cardápio, aliviada por poder esconder o rosto atrás dele por uns momentos. As letras dan çavam e foi com esforço que fez a escolha. Recolocou-o na mesa e viu que Snape continuava a estudar o dele. Era uma boa oportunidade para observá-lo de perto sem que ele percebesse: Os cabelos negros estavam com um brilho saudável, além de serem tratados com esmero. Dis traída, Helena imaginou se eles seriam sedosos ao tato como davam a impressão de serem. Assustou-se com a ideia fora de propósito e arregalou os olhos no momento exato em que Snape abaixava o cardápio:
- Alguma coisa errada? — perguntou ele.
Ela apenas conseguiu sacudir a cabeça em sinal negativo.
- O que vai querer? — Snape indagou.
Helena explicou ao garçom o que desejava e pouco depois se surpreendeu quando o encarregado dos vi nhos apareceu e Snape a consultou antes de fazer o pedido.
- Não tenho nenhuma preferência. Qualquer vinho branco seco está bom...
- Espero que aprove a minha escolha. É tão difícil selecionar vinho para o paladar de outra pessoa como escolher perfume para uma mulher que não se co nhece bem.
- Não tem importância, eu quase não bebo — disse ela.
Logo em seguida, o garçom serviu a bebida e a co mida e se retirou.
- O que você faz na vida, além de trabalhar? Tenho a impressão de que, mesmo sendo uma bela mulher, você, por incrível que pareça, despreza muitos dos prazeres da vida. Até suas roupas sugerem certa falta de...
- Feminilidade? — indagou com frieza. — Lamento muito se a minha aparência não satisfaz seu gosto exigente.
- Não é nada disso — Snape a contradisse com calma. — Você parece cultivar uma indiferença pelo que os homens pensam de sua pessoa. Eu apenas que ria saber por quê.
A percepção dele lhe incomodava e a fazia sen tir-se acuada mais uma vez.
- Será que precisa haver uma razão?
- Acho que sim. É alguma coisa ligada ao pai de Amy? — Snape insistiu com determinação.
Helena largou o garfo, chocada. O que ele poderia saber a esse respeito, para ser assim, tão incisivo? Levou o copo de vinho à boca e tomou um gole. O líquido refrescante lhe acalmou os espasmos da garganta e restituiu-lhe parte da calma. Snape continuou a comer, indiferente a sua pertur bação. Só voltou a falar depois de o garçom ter retirado os pratos.
— Acertei, não foi Helena? Ele te abandonou grávida.
O alívio sentido pela conjectura errada foi tão grande que Helena teve vontade de rir. Afinal, Snape não era o ser todo-poderoso capaz de descobrir seus segredos mais íntimos. Realmente, ele não fazia a mínima ideia de quem era o pai de Amy.
— Pense o que quiser — respondeu com frieza e começou a comer o filé de peixe com o apetite restau rado. Então bebeu mais vinho, deliciando-se com a suavidade do sabor e não protestou quando o garçom lhe encheu o copo.
— Quanto tempo você acha que vai levar até poder se instalar na mansão? — Snape indagou mudando de assunto e aparentemente satisfeito com a suposta explicação de sua antipatia pelos homens.
— Depende. Se a estrutura for sólida como creio que seja, logo. Quero supervisionar de perto o anda mento dos trabalhos. Isso me faz lembrar que você não poderá tomar conta de Hogwarts e morar lá, não é?
— Posso, sim. Da mesma forma que faço isso morando na minha casa.
— Mas a mansão vai ficar um bom tempo sob a maior confusão e você vai se sentir mal lá.
— De forma alguma, acho que vai ser interessantíssimo.
— E quanto aos seus experimentos com poções?
— Descobri que a mansão tem uma masmorra perfeita para elas... – comentou com naturalidade. – E se a estrutura da mansão for sólida – ele continuou - vamos nos casar no fim do mês.
Com um sentimento crescente de pânico, Helena viu-se forçada a ouvir. Snape continuou:
— Assim que voltarmos da lua de mel, iremos para a mansão. Como a reforma vai levar muito tempo, sugiro que você providencie instalações temporárias para nós dois, Amy e Sofia. Ficaremos lá até que a mansão fique completamente restaurada. Se tiver algum problema, avise e eu verei o que posso fazer.
Espicaçada pela pretensão de Snape em se considerar mais capaz que ela na remoção de empecilhos, Helena levantou o queixo e declarou com ar de superioridade:
— Não será preciso, eu cuidarei de tudo.
Tarde demais! Ela percebeu pelo olhar de triunfo de Snape que havia caído numa armadilha bem prepa rada. Dispunha-se a colaborar para que fossem morar juntos logo, situação que desejava evitar a todo custo. Sentiu a raiva crescer, mas, com esforço, manteve a calma aparente.
— Mais alguma coisa? — indagou irônica e espan tou-se com o riso bem-humorado dele. (Ele, de fato, havia adquirido o hábito de sorrir!).
— Sim... — disse ele, lacônico, remexendo nos bolsos da calça.
Snape era um homem de per cepção perigosa, temia-o e desejava com todo o ardor não ter de se casar com ele. No entanto, sabia que não a deixaria escapar, pois a mansão lhe era muito valiosa. Ele, por sua vez, segurou a mão dela que, ao sentir o contato morno da dele, tremeu um pouco. Fitou-o surpresa e, por razões alheias à sua vontade, não con seguiu baixar os olhos. Percebeu, então, que algo de metal deslizava-lhe pelo dedo e ouviu Snape dizer:
— Pode olhar agora.
Ela obedeceu e, sem querer, exclamou atônita:
— Severo! Você não devia. Dever ter custado uma fortuna!
— Que bobagem, minha cara! Eu poderia te cobrir de diamantes...
Ela examinou o anel antigo cujo aro de ouro, num trabalho delicado, engastava a esmeralda perfeita.
— Bem interessante. Você tem bom gosto. Ele é muito bonito! — disse ela com simplicidade.
Descrever aquela preciosidade antiga em seu dedo como "muito bonita" pareceu cômico a Helena, que teve uma vontade enorme de rir. Estava nervosa, e não sem razão, reconheceu.
— Snape...
Ela queria dizer-lhe que o anel era valioso demais para que o usasse, porém, ele havia se mexido e estava mais perto do que imaginara. Ao virar a cabeça, o rosto roçou na camisa branca que ele trajava e o aroma amadeirado de colônia mas culina que pairava a seu redor tomou-se mais forte ain da, projetando-se numa onda de intimidade estranha. Helena já ia se afastar, mas a mão de Snape em seu pescoço a impediu. Com o polegar, ele levantou-lhe o queixo e a obrigou a fitá-lo. Havia um brilho malicioso nos olhos negros que ainda pôde ver antes que ele abai xasse a cabeça e murmurasse de encontro aos lábios:
— Fico contente que goste do anel.
O dedo soltou-lhe o queixo e acariciou de leve os lábios. Instintivamente, Helena os entreabriu e ficou atônita com a presteza com que a boca de Snape cobriu a sua.
Foi apenas um beijo suave e breve, todavia, muito depois de ele ter se afastado, os lábios ainda sentiam a lembrança do calor envolvente. A carícia provocara em Helena uma emoção tão profunda que a impedia de raciocinar. Isso lhe estimulou a apreensão que quase se transformou em pânico. Era a primeira vez que sentia medo sem o derrame de adrenalina no sangue que a raiva ausente poderia ter destilado.
— Aqui ao lado há um hotel que é famoso pela excelência das suítes — Snape comentou com maldade. — Se não fosse sua repulsa a sexo, eu iria sugerir que fizéssemos uma experiência.
Pronto. Ele tinha de estragar tudo...
