Ei, meninas! Sei que sumi de novo, mas as coisas estão muito tensas. Como estou com medo de deixar a fic inacabada, resolvi antecipar algumas coisas e deixar uma cena entre a filha do Snape e a da Helena para depois. Também pulei outras cenas auxiliares. Muito obrigada a todas que ainda se dispõem a vir aqui! Madame Anita, Amanda Laís e Neglle Snape, espero que vocês gostem dos capítulos a seguir! Escrevi com muito carinho e enquanto o arroz queimava! HAHA.

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- Severo Prince Snape, aceita esta mulher, Helena Georgina Mitchel como sua legítima esposa?

- Sim. – concordou Snape, a voz grave e decidida.

Um leve arrepio percorreu a espinha de Helena. Era fim de tarde e um perfume de rosas estava em toda a parte, levado pelo vento que se abatia em todo o campo aberto e florido. Ela mal podia acreditar que se tratava de seu próprio casamento...

- Helena Georgina Mitchel, aceita este homem, Severo Prince Snape, como seu legítimo esposo?

Hesitação. Seguiu-se um momento de expectativa geral e o ar repio tornou-se mais intenso. Ela, todavia, conseguiu dizer tremulamente que...

- S-sim.

Helena já ia se afastar um pouco de Snape, mas, apavorada, viu que ele a mantinha imóvel com os dedos firmes à volta do seu pulso. Antes de poder definir suas intenções, ele já curvava a cabeça sobre a sua. A respiração roçou-lhe a pele e os lábios tocaram os seus. A mesma sensação estranha experi mentada quando Snape a beijara na noite em que lhe dera o anel de noivado apossou-se dela. Deviam ser os nervos que estavam à flor da pele, refletiu ao sentir o braço solto novamente. O beijo inesperado desta vez não passara de uma convenção com a qual não deveria se preocupar: Precisava manter a calma para enfrentar o jantar que seria oferecido aos convidados. Eleonor e Jamie, a convite de Snape, estavam ali hos pedados. O quarto deles tinha uma cama com dossel, contara a amiga arquiteta, entusiasmada, enquanto ajudava Helena a se vestir naquela manhã.

Ao lembrar-se da aflição com que havia se arrumado, ela baixou os olhos para o vestido, alheia às vozes ani madas a seu redor. Encontrara-o numa pequena loja em Hogsmeade. Eleonor, que tinha ido junto para ajudar na escolha, ficara encantada. Era em renda de cor creme e modelo tomara que caia, com a saia longa, linha evasé.

Mesmo sendo um modelo simples e discreto, Helena não se sentia muito à vontade nele. Para a cabeça decidira-se por um chapeuzinho tam bém de cor creme, que se equilibrava precariamente sobre os cabelos. Felizmente, para beijá-la Snape não levantara o véuzinho que o enfeitava e cobria parte do rosto, pois ele poderia ter caído.

Para Helena, o jantar transcorreu numa confusão de vozes e rostos. Snape tinha convidado não só o corpo docente de Hogwarts e as autoridades do mundo bruxo, mas também seus contatos do mundo acadêmico e do mercado de investimentos em pesquisas com poções; ou seja, com quem convivia e as respectivas esposas.

Os professores de Hogwarts e as autoridades do mundo bruxo ela conhecia bem, mas os demais contatos, ela conhe cera somente duas semanas antes numa festa oferecida aos noi vos por um dos investidores. Quanto a seus convidados, limitavam-se, além de Eleonor e Jamie, a algumas poucas pessoas amigas.

Helena estava exausta e a perspectiva de uma lua de mel que ainda não sabia o destino (segundo Snape era para ser surpresa) lhe deixava nervosa e um tanto que angustiada. A correria das últimas semanas quase a esgotara e, inclusive, lhe fizera emagrecer.

Eles ficariam fora num total de sete dias, que Amy passaria na companhia de Sofia, na casa de Eleonor e Jamie. Essa parte tinha sido organizada por Snape e tão bem que Helena sentira uma ponta de irritação com a efi ciência dele. Sofia mostrava leves sinais de recupe ração, pois, de fato, a sensibilidade começava a voltar. Amy encontrava-se mais feliz e dócil e as acomodações provisórias na mansão tinham ficado prontas. Tudo correra bem.

Helena supervisionara a colocação das cortinas e todos os detalhes finais da arrumação. Snape ainda não tinha visto nada e ela se indagava se o seu trabalho iria agradá-lo. Estranhava que isso fosse im portante, porém, justificava a preocupação com seu gran de senso de responsabilidade...

— Pronta para irmos embora?

Snape estava ao seu lado e segurava-lhe o braço.

— Só mais um minutinho. Quero me despedir de Amy e Sofia...

Já era tarde da noite quando todos os convidados haviam ido embora. O casamento havia sido tumultuado por jornalistas eufóricos com a notícia repentina, que até então estava em absoluto sigilo, sendo descoberta pela inconveniente Rita Skeeter. Demorou um pouco, mas Snape conseguiu banir todos eles – inclusive os que estavam em sua forma animaga – do local. Ao ver que Helena havia se despedido das garotas e andava em sua direção, ofereceu o braço para que aparatassem.

Aparataram. Afastaram-se, um pouco embaraçados. Era mais difícil de lidar com a intimidade depois que tudo o que era necessário havia sido feito. Silêncio...

— Parece que tudo saiu bem — ele comentou, na tentativa de quebrar o silêncio, desfazendo o nó da gravata e folgando o colarinho da camisa.

— Acho que sim — ela confirmou. E notando que ele a observava, enquanto ela massageava o pescoço com uma das mãos, fechando os olhos mediante a automassagem.

— Cansada?

— Um pouco...

— Eu sei. – disse ele carinhoso e compadecido, aproximando-se dela.

Helena abriu os olhos e viu que Snape continuava a fitá-la.

— Fique à vontade se quiser usar meu ombro como travesseiro — ele ofereceu.

Helena sabia que não existia razão para se sentir nervosa com a proximidade de Snape, porém não con seguia evitar isso. Era como se os seus instintos fe mininos mais profundos soubessem de algo que a men te ignorasse.

— Quer conhecer o lugar enquanto esperamos pelo vinho e pelo jantar? — perguntou Snape – Nenhum de nós conseguiu comer direito...

Helena apontou para as enormes portas de carvalho e perguntou:

— Para onde elas dão?

— Venha ver — convidou ele.

A luz inundou um pequeno pátio de aparência en cantadora. Cheio de jardineiras de plantas, ele era fe chado por muros de tijolinhos, que davam vista para um vasto vinhedo: Estavam na Toscana!

— Jamais imaginei nada tão lindo — confessou sincero. — E não sei por que escolhi este lugar. Parece que já estive aqui e sentia saudades.

Um arrepio percorreu a espinha de Helena. Ela sabia por que ele escolheu aquele lugar... Quis fa lar, porém não encontrou o que dizer. Foi salva pelas malas que encontrou a um canto do quarto. Aproximou-se das várias malas e reconheceu apenas sua frasqueira, as outras malas não estavam ali. Exa minou as etiquetas, leu o próprio nome em três delas e reconheceu a letra de Snape. Contudo, as finas malas de couro azul-marinho não eram suas.

— Algum problema? — Snape indagou da porta.

— Estas malas. Você escreveu meu nome nelas, mas confundiu, porque elas não são minhas.

— Ah, sim. — disse como se estivesse lembrando-se de algo — Agora são. Resolvi tomar certas medidas, certo de que você não ia atender ao meu pedido.

Helena compreendeu no mesmo instante. Abriu a primeira mala e não conseguiu esconder o choque ao vê-la repleta de lingerie finíssima de seda e de algodão. Na segunda, deparou-se com roupas informais e esportivas. Na segunda, encontrou vestidos de seda, alguns longos, sapa tos e acessórios. Com os dentes cerrados para impedir a explosão de raiva que ameaçava escapar de seu controle, ela tirou da mala um vestido finíssimo, pregueado, de seda verde escuro, com um decote exagerado nas costas. Aliás, percebia que as cores de tudo limitavam-se às de que ele parecia gostar: verde, preto e branco.

Fechou as malas e virou-se para Snape. Sua vontade era gritar de ódio e atirar tudo janela abaixo. Todavia mesmo no auge da fúria, Helena re conhecia que não desejava ficar trancada ali sem nada para vestir além do vestido de casamento.

— Eu bem que avisei — Snape disse com suavidade.

— Eu comprei roupa nova — informou ela fora de si.

— Eu sei, Amy me contou. Tudo de liquidação.

— E daí? O que tem isso? Só porque sou sua mulher, você não tem o direito de resolver o que devo vestir.

— Mas você é minha mulher e vai ser julgada como tal. Se fosse vista na lua-de-mel com as roupas baratas que comprou começaria o pânico no mundo dos negócios e dos tabloides — disse ele, caçoísta. — Eu não podia permitir tal coisa, pois tenho de zelar por minha reputação.

— Quero que vá para o inferno! — exclamou ela. Snape fez que não ouviu e consultou o relógio na parede.— Você tem meia hora para tomar um banho e se vestir, Helena. Se não fizer isso, juro que eu mesmo lhe darei o banho e a vestirei — ameaçou ele ao apa nhar uma das malas a caminho da porta. — Lembre-se, meia hora, nem mais um segundo.