— Mais vinho?
Sem refletir, Helena assentiu com um aceno de ca beça. Arrependeu-se logo depois quando o terraço começou a girar a sua volta, pois já havia bebido mais do que estava acostumada. Além do vinho, Snape também tinha pedido champanhe, que tomaram antes do jantar. E esse era seu terceiro copo de vinho. A refeição havia sido deliciosa e ela havia apreciado cada garfada, porém, agora estava entregue de cansaço. Era quase uma hora da manhã e a diferença de fusos horários começava a surtir efeito, estimulado pela bebida.
— Quer tomar café? — Snape perguntou.
Desta vez não encontrou forças para acenar com a cabeça nem para formular a palavra "sim". A incapa cidade física de reação também não a preocupou. Snape levantou-se e foi ajudá-la a fazer o mesmo. Consciente da cabeça um tanto atordoada, ela deixou a cadeira bem devagar e com cuidado. Ao virar-se, notou um resto de um sorriso divertido desaparecer do rosto de Snape. Com certeza, por ter mais resis tência ao álcool, ele achava graça em sua fraqueza, pensou desinteressada.
Helena dirigiu-se para o quarto andando com cautela. Snape seguiu-a levando uma bandeja com o café e os copos de vinho. Ela notou que estavam cheios.
— Nunca vou conseguir beber tudo isso — protestou.
— Beba devagarzinho — Snape aconselhou. — Isso vai ajudá-la a dormir melhor. Até se acostumar com a mudança de horários, não se dorme bem fora da Inglaterra...
Acomodada no sofá que havia na suíte, Helena não sentiu disposição para discordar dele desta vez. Continuou a sorver goles de vinho intercalados com os do delicioso café que lhe servira. Snape tornou a sair para o terraço. Toda sorte de ruídos noturnos e desconhecidos eclodiam suavemente pelo quarto. Helena o observava com vontade de segui-lo, sentindo, pela primeira vez, excitação por se encontrar na Toscana. Meio cambaleante, levantou-se e foi para fora com o copo de vinho que Snape segurou enquanto ria baixinho.
— Por que está rindo de mim? — perguntou ela.
— Não é de você — Snape afirmou ao mesmo tempo em que lhe passava o braço pela cintura e a ajudava a equilibrar-se.
Helena achava que devia protestar, porém, resolveu que não valia a pena. A bem da verdade era bem mais fácil apoiar-se em Snape que tentar ficar em pé sozinha.
— Então de que está rindo? — insistiu ela.
— De sua tentativa de andar em linha reta. Não fazia ideia de que sua resistência ao álcool fosse tão pequena.
Mais tarde, Helena se lembraria dessas palavras, mas nesse momento, apenas franziu a testa e disse devagar:
— Pensei que lhe houvesse dito isso.
— Se disse, foi em conversa e não como aviso.
De repente, a voz dele mostrava-se tão seca que Helena levantou a cabeça a fim de fitá-lo e ver o que se passava.
— Nunca vi olhos tão negros como os seus — Helena afirmou depois de um esforço para focalizar o rosto dele. — A não ser nos retratos a óleo lá da mansão — acrescentou.
— Ah, os meus antepassados de má fama. – brincou.
Sliêncio.
— Você faz ideia de quão pouco eu sei a seu respeito, Helena? — murmurou ele baixinho. — Isto é, da verdadeira Helena. Você parece um avarento que esconde o ouro.
Helena não gostou da comparação, que parecia atri buir maldade e não cautela a sua personalidade.
— O que quer saber? — indagou ela.
— Várias coisas.
— Como o quê, por exemplo.
— Por que tem tanto medo de sexo?
Helena ficou tensa com as palavras sussurradas que lhe penetravam a mente meio nublada. Tentou se afas tar de Snape, porém ele a impediu.
— Você tem verdadeiro pavor dele, não tem Helena?
— Naturalmente que não. E por que haveria de ter? Apenas não ligo muito, é só isso.
Todo o prazer sentido até agora com o jantar e por se encontrar ali desapareceu por completo.
— Estou cansada e quero ir dormir — disse ela.
— Já é bem tarde mesmo. Consegue ir sozinha ou quer ajuda? — Snape ofereceu.
— Não se preocupe, eu estou bem.
Snape soltou-lhe a cintura e Helena deu uns passos incertos. No mesmo instante, ele a ergueu nos braços e disse:
— Deste jeito é mais rápido e seguro.
Jamais se sentiria segura nos braços de qualquer homem e muito menos nos dele, dada a situação em que se encontravam: — Por favor, ponha-me já no chão.
Snape não lhe deu ouvidos e levou-a para o quarto. Ao colocá-la na cama, um dos sapatos caiu no chão e ele tirou-lhe o outro. Helena havia deixado uma luz acesa e via as malas ainda cheias abertas pelo chão. Snape tinha recomen dado que não se incomodasse porque a camareira se incumbiria de arrumar tudo na manhã seguinte. Agora tinha a sensação de que as roupas expostas davam um ar de intimidade ao ambiente.
O vestido que usava era uma peça delicada, de seda, com a saia em vários panos de diversos tons de verdes claros. Atrás, ela apresentava, do decote à cintura, uma fileira de botõezinhos de madrepérola.
— Como é que você tira isto? — Snape perguntou examinando a blusa. — Ah, já sei — acrescentou assim que abriu os primeiros botões junto ao decote.
— Pode deixar, faço isso sozinha — Helena afirmou, mas, ao virar a cabeça por sobre o ombro a fim de fitá-lo, perdeu o equilíbrio.
Quando Snape alcançou o último botão, ela estava com medo. Embora sua coordenação motora estivesse preju dicada com o efeito do excesso de bebida, mentalmente ela percebia o que se passava. A blusa escorregou e ex pôs-lhe um dos ombros. Ela a puxou depressa e pediu:
— Por favor, Snape, pare.
— Helena, do que tem tanto medo? Não é de mim, é?
— Não, mas...
— Não sei o que provoca esse seu pavor, porém, já é tempo de perdê-lo. Que exemplo pretende dar a Amy e Sofia? Não percebe que pode influenciá-las negativamente?
— Eu sei, mas não acredito que resolva alguma coisa conversarmos sobre isso agora.
— Concordo, pelo menos nesta situação.
— Então, o que sugere?
— Isto — respondeu ele, antes de tocar-lhe os lábios com um beijo suave.
Helena recuou assustada e protestou.
— Você prometeu, deu-me sua palavra...
— Que não forçaria minhas atenções sexuais contra a sua vontade e pretendo cumprir minha promessa. Apenas, Helena, não estou convencido de que você não as deseje.
Helena sentia-se presa numa armadilha cuidadosa mente preparada por Snape.
— Se me fizer qualquer coisa, será estupro.
— Essa é uma palavra muito forte que implica agres são e violência, e eu lhe prometo que não haverá ne nhuma delas no amor que eu lhe fizer.
— Mas por quê? Por quê? Você não me deseja. Você... - Snape curvou-se sobre ela, encostou a mão em seu pescoço e com o polegar levantou-lhe o rosto pelo queixo para que o fitasse.
— Naturalmente eu a desejo, Helena — sussurrou ele com imensa suavidade. — Eu a quis desde o pri meiro momento em que a vi.
