Helena tinha consciência de ter gritado e podia ouvir o eco do doloroso protesto morrer de encontro às paredes do quarto. Tentou es capar das mãos de Snape, porém ele a deixou ir à beira da cama e a trouxe de volta. Com uma das mãos, segurou-a pelos pulsos e com a outra, entranhada em seus cabelos, forçou-a a fitá-lo.

— Quando você está brava, seus olhos brilham como fogo — murmurou ele com suavidade. — Gostaria de saber o que seria necessário para fazê-los brilhar de desejo.

— Jamais vai ficar sabendo — Helena garantiu.

— Acho que vou sim. Tenho quase certeza de que, sob esse medo em que você se esconde, existe uma mulher extremamente sensual e quente.

Helena crispou os dedos com raiva, porém, Snape a mantinha presa, embora não a machucasse. Com o polegar, ele fazia movimentos circulares sobre o pulso, quase como se a acariciasse. Depressa, ela afastou qualquer pensamento que não ajudasse a se concentrar na raiva sentida. Ela já notava certa ambivalência de seus princípios. Isso era muito perturbador para uma mulher que dizia ter se tornado indiferente e imune ao desejo de um homem.

— Acho que podemos nos livrar disto — Snape afir mou, referindo-se ao vestido.

Embora Helena lutasse com fúria, ele conseguiu des pir ambas as peças com relativa facilidade. Ela per cebeu que estava apenas se cansando e o medo co meçou a se insinuar junto com a raiva. Todavia, não era uma sensação forte e sim uma sombra da torrente que costumava inundá-la. O seu único recurso era gritar por socorro, porém, como se lhe adivinhasse o pensamento, Snape cobriu-lhe a boca com a dele abafando qualquer ruído possível.

Não havia razão para corresponder ao contato, nem ela desejava fazer isso, porém, os movimentos da boca de Snape de encontro à sua começavam a ter uma certa sedução. Contra a vontade, seus lábios suaviza ram-se um pouco como se tivessem sido tocados por uma magia tão antiga quanto o mundo e que ela não reconhecia. Furiosa, contraiu-os com raiva.

— Não adianta, Helena, cedo ou tarde, vou quebrar essas suas barreiras. – murmurou deliciado...

— Nunca!

Snape riu baixinho, porém, a expressão dos olhos dele não denotava divertimento e sim de desejo. Um desejo reprimido há muito tempo. Ele observava com atenção cada centímetro do corpo exposto pela exiguidade do sutiã e da calcinha. Parecia não ter pressa e seu olhar era tão intenso que Helena quase podia sentir como se um fogo abrasador lhe quei masse a pele.

Ela estremeceu ao ver a cabeça dele curvar-se sobre a sua. Sentiu o hálito morno na pele sensível entre o pescoço e os ombros. Os lábios dele se moveram para cima, em carícias úmidas e quentes que aumen tavam a tensão no seu íntimo.

Os dentes de Snape tocaram de leve o lóbulo da orelha e a ponta da língua começou a explorar seu interior. Helena gemeu agoniada e implorou:

— Por favor, pare.

Esperava que ele caçoasse de seu protesto, porém, Snape afastou-se um pouco e segurou-lhe o rosto com uma das mãos.

— O que a amedronta tanto?

— Não posso dizer — respondeu ela, consciente de que jamais poderia explicar o pavor arraigado que sen tia por qualquer envolvimento sexual.

Sabia ainda que no caso de Snape o medo parecia mais intenso, como se ele tivesse o poder de torná-la vulnerável. A todo custo, precisava impedir uma apro ximação dele, tanto física como mental.

— Helena, prometo não magoá-la. – disse ele sincero.

Essas palavras foram suficientes para desencadear uma avalanche de temores ligados aos sofrimentos passados de Helena, que perdeu completamente o autocontrole emocional. Lágrimas de ódio e medo misturados começaram a rolar pelas faces enquanto continuava deitada imóvel e presa por Snape pelos pulsos. Recusava-se a mexer um músculo sequer ou a fechar os olhos e por isso tinha a visão tomada pelo rosto de Snape. A boca dele, mais possessiva, mexia-se de encontro à sua. Snape gemeu satisfeito quando a língua conseguiu vencer a barreira daqueles lábios e começou a acariciá-los na parte interna e mais sensível. Incapaz de impedir que as lágrimas parassem; Helena tentou soltar os pulsos, mas a outra mão de Snape em sua nuca a manteve imóvel.

— Helena — murmurou ele, tão próximo de sua boca que os lábios sentiram as vibrações da palavra.

Snape deitou-se de costas e puxou-a de encontro a ele, porém, Helena conseguiu se ajoelhar na cama. Sua impressão era de que a coluna se partiria ao meio sob a força com que ele procurava atraí-la, mesmo assim não se dispunha a deitar-se. A simples ideia de ter aquele corpo másculo e viril de encontro ao seu a amedrontava profundamente. Quase dobrada em duas, seu rosto continuava rente ao dele e uma nova torrente de lágrimas caiu na pele dele. Snape passou a língua de leve sobre as lá grimas que ainda estavam no rosto dela e sussurrou:

— Da próxima vez em que chorar nos meus braços, Helena, será de prazer.

— Jamais! E não vou deixar que continue a fazer isso comigo. Quero que me solte já!

Cega de pavor, Helena não estava segura sobre a quem mais temia, se a Snape ou a si mesma. Por um momento apenas, com as carícias dos lábios dele nos seus, sentiu uma reação curiosa tomar vulto no seu íntimo. Não saberia defini-la, contudo notara que lhe apressara as batidas do coração e enfraquecera sua força de vontade. Deu-se conta de que precisaria de toda determinação para rejeitá-lo.

Não deveria lutar e sim permanecer imóvel e in sensível, ela resolveu; consciente do que o antagonismo físico poderia provocar. Imagens desenfreadas do passado subiram à tona em sua mente e Helena fechou os olhos a fim de bani-las. A boca de Snape prosseguia com os afagos úmidos e quentes. Os lábios relaxaram receptivos, do que ela só se deu conta quando já era tarde demais.

A confusão mental tornara-se completa. Helena sen tia as mãos que lhe afagavam a pele e via-se impotente para refrear a onda de sensualidade provocada por elas. Snape acariciava os lábios trêmulos, ao longo do corpo e à volta dos seios dela...

Severo, Severo, Severo! Ela repetiu mentalmente na ânsia de conseguir livrar-se da sedução. Mesmo assim, um ziguezague de imagens persistiu até que não lhe restasse nada mais além do desejo desenfreado e que fora provocado pelo homem de respiração ofegante junto a ela.

Ao sentir os dedos de Snape tocarem o fecho do sutiã, Helena recuperou-se o suficiente para protestar.

— Não faça isso!

Os dedos se aquietaram por um segundo, mas mo veram-se de novo soltando a peça enquanto ele mur murava rouco:

— Sim... Faço sim...

Helena levantou as mãos, numa tentativa de cobrir os seios, porém, Snape a fez abaixá-las de novo segu rando-lhe os pulsos ao mesmo tempo em que pedia:

— Não os esconda, são lindos!

As palavras a deixaram mais tensa. Helena teve de lutar contra uma nova onda de lágrimas de humilhação por ter parte do corpo exposto ao olhar de Snape. Ele levou algum tempo admirando-a, a atenção des cendo devagar dos olhos verdes para a boca, o pescoço, os ombros e, finalmente, para os seios. A morosidade parecia tão deliberada que se assemelhava a uma re finada forma de tortura.

Quando finalmente Snape lhe soltou os pulsos, Helena fechou os olhos para não ver nos seios as mãos fortes. Contudo, ele não fez isso, mas se gurou-a pelos ombros e a puxou sobre si. Ela ficou rígida, porém, de nada adiantou, pois, devagar seu cor po cedeu sobre o dele.

Helena abriu os olhos e viu que Snape admirava-lhe a boca cujos lábios traidores se entreabriam, convida tivos. Com ódio de si mesma, virou o rosto, e, então, ouviu-o rir.

— Está bem, Helena, se não quer, eu não a beijo. Sabia que sua pele parece de alabastro? Só que o alabastro é frio e insensível e você difunde um calor excitante...

Ela soltou uma exclamação de choque ao sentir um beijo leve entre os seios. Ergueu as mãos para o peito de Snape a fim de empurrá-lo. Pôde sentir as batidas fortes do coração dele, o que a deixou curiosamente estimulada.

— Gosto que me toque, Helena, porém seria bem melhor se não estivesse com esta camisa. Não quer me ajudar a tirá-la?

Helena cerrou os dentes e não respondeu. Sentia o peito dele tremer com o riso abafado, enquanto a boca dele continuava a explorar os seios de uma maneira completa e suave que lhe provocava um efeito estranho no corpo. Pequenas vibrações pareciam percorrer seus nervos até alcançarem a superfície da pele. Inespera damente, os mamilos se tornaram rijos e sua humi lhação foi completa ao ver que Snape constatava a excitação dela com um murmúrio satisfeito.

Como se não tivesse vontade própria, Helena entregou-se submissa às sensações provocadas em seu âmago pelo contato dos lábios úmidos na pele sen sível. Um estremecimento de excitação sacudiu-lhe o corpo quando Snape tomou, primeiro um e depois o outro, os mamilos na boca e os massageou com a língua até desabrocharem completamente. A doçura da carícia poderosa e intensa empolgou-a, obliteran do qualquer outro pensamento que não fosse o da satisfação dos sentidos.

Então cheia de espontaneidade, Helena arqueava o corpo numa oferenda aos desejos dele, ao mesmo tempo em que murmurava expressões de prazer.

Quando Snape separou-se um pouco para se despir, ela nem mais se lembrou da vontade de escapar e estendeu as mãos para acariciar o peito que se expunha tentador. Sob a ponta dos dedos, sentiu a vibração do desejo dele e sua excitação cresceu. As bocas se uniram numa ansiedade louca de contato ín timo e de troca de sensações de prazer enquanto os corpos, juntos, experimentavam o calor estimulante de cada um. Fascinada entregou-se por completo às mãos de Snape, que exploravam cada centímetro de sua pele para depois imprimir-lhe o hálito quente e úmido. Ela retribuía os afagos e o incitava a continuar.

Ele soergueu-se um pouco, firmou cada joelho ao lado de seus quadris e tocou-lhe os ombros com as mãos. Deixou, então, que escorregassem ao longo do corpo até chegarem à calcinha, que removeu. As mãos masculinas percorreram o caminho de vol ta, desde os tornozelos, passando pelas pernas, atrás dos joelhos e pararam no alto das coxas, que ele afastou sem encontrar resistência. Uma carícia íntima desen cadeou reações que quase a fizeram perder o fôlego e gemer alto. Helena quis resistir ao contato profundo e ao que ele provocava, porém, não conseguiu, pois seu corpo movia-se acolhedor, num estímulo à carícia.

Ondas cada vez mais altas formavam-se em seu âmago, numa intensidade crescente. Cheias de pro messas atormentadoras e fascinantes ao mesmo tempo, elas a levaram ao auge da necessidade de experimentar a sensação gratificante com que lhe acenavam.

Snape acomodou-se entre suas pernas e Helena acon chegou o corpo ao dele enquanto as mãos o prendiam pelos ombros. Ele a beijou possessivo, a língua per correndo os recônditos da boca, enquanto as mãos afagavam seus seios. O sexo dele latejava em sua pele macia e Helena ansiava por senti-lo mais intimamente.

Vergando o corpo num convite óbvio, ela percebeu uma tensão igual à sua em Snape. Ele soltou-lhe a boca para poder respirar fundo e Helena sentiu o início da penetração do corpo. O pânico a dominou por um segundo numa antecipação de dor, porém, Snape mur murou-lhe ao ouvido.

— Tudo bem, sei que faz muito tempo, mas prometo não machucá-la...

A afirmação foi o suficiente para fazê-la relaxar e permitir que o desejo voltasse a dominá-la. Apesar de um breve momento de pressão dolorida, o corpo o aco lheu. Helena aconchegou-se mais e apertou os seios de encontro ao peito dele.

A penetração se aprofundou acompanhada da res piração ofegante e dos espasmos do corpo de Snape. Ao sentir o movimento rítmico em seu âmago, ela le vantou os quadris e as pernas enlaçaram-se nas dele. Num crescente, os impulsos foram se tornando mais rápidos e dominadores até que o corpo de Helena, sob uma tensão violenta, clamou pela libertação.

Helena teve consciência de gritar o nome de Severo e de enterrar o rosto na curva do pescoço dele. Ondas de prazer cada vez maiores e poderosas a inundavam e submergiam até que, numa investida mais forte e final de Snape em seu corpo, ambos atingiram a sa tisfação completa. Tinham a respiração ofegante e o coração descompassado.

Agora, quando já era tarde demais, Helena era as saltada por uma sensação tão grande de culpa e de desespero próprio que chegava a sentir dor física no peito. Ao se deixar levar pelo desejo, alcançara a gra tificação física, porém, isso lhe causava um ódio intenso de si mesma e a fazia esquecer tudo o mais.

— Helena — Snape murmurou, puxando-a de en contro a ele.

Com um gesto violento, ela o empurrou, cheia de repulsa.

— Ora, deixe disso, agora não adianta mais. Você me quis e me aceitou, Helena — afirmou ele com sarcasmo.

— Apenas porque você me fez desejá-lo — respondeu exasperada. — E por isso, Snape, eu o odeio. Ouviu bem? Eu o odeio!

Afastou-se até a beira da cama e manteve-se imóvel. Quando percebeu, pela regularidade da respiração, que Snape dormia, levantou-se e foi tomar um banho.

Esfregou minuciosamente cada centímetro do corpo e enfureceu-se mais ainda ao perceber que os seios continuavam sensíveis. Snape estava certo ao afirmar que ela o desejara, admitiu revoltada. Quase preferia que Snape a tivesse forçado fisicamente e deixado marcas em seu corpo. Pelo menos assim, teria argumentos para apaziguar a consciência, refletiu desolada.

De repente, deu-se conta de que quase adormecia no banho, tal era seu cansaço. Saiu da água, enxu gou-se e depois enrolou o corpo em outra toalha. Foi direto para a cama, a letargia que a dominava impediu-a até de procurar uma camisola entre as rou pas que Snape lhe comprara. Sua última lembrança antes de adormecer foi de Snape revelando-lhe que a queria desde que se conhe ceram. Ele havia escondido muito bem esse sentimento antes de se casarem.

Já quase amanhecia quando Helena despertou. Sentiu o braço de Snape sobre seus seios. Ele continuava num sono profundo e mes mo assim persistia em se apossar de seu corpo, pensou amargurada. Com que intensidade odiava-se ao lembrar a forma como o tinha desejado! Encolheu-se eno jada com a própria irresponsabilidade.

Voltou a adormecer e só acordou bem mais tarde. Percebeu que estava sozinha na cama e teve a sensação de que Snape não se encontrava na suíte. Sentiu-se exaurida e morta de sede. Lembrou-se do champanhe e do vinho bebidos em exagero na noite anterior, e isso a ajudou a desprezar-se menos. Eram parcialmente os responsáveis pelo abandono com que se entregara às carícias de Snape e também pela dor de cabeça que a incomodava. Ao menos era nisso que tentaria acreditar com afinco.