Olá, meninas...
Sei que eu deveria ter vergonha de pedir desculpas de novo, mas além de atualizar esta fic, é o mínimo que eu posso fazer. Passei por toda a sorte de problemas neste fim de ano, desde término de relacionamento a desemprego e problemas familiares. Mas agora as coisas melhoraram... Ainda estou de férias da faculdade até dia 13 e nesta semana vou postar todos os capítulos que bem ou mal eu consegui escrever, tudo bem? Um beijo no coração de todas, sem exceções.
Madame Anita: Eu não esqueci de você e hoje pretendo tirar o atraso das tuas fics!
Amanda Laís: Eu já disse, não me condene ao mármore do inferno!
Daniela Snape: Que bom que tu gostastes, nena! Esta fic tem séculos de existência, mas eu não vou deixa-la sem final.
— Já vou indo, Helena. Volto no fim de semana.
Sem nem ao menos desviar a atenção do quadro em que trabalhava, ela acenou para Snape, parado à porta do ateliê que Helena havia montado na mansão. Só quando teve certeza de que ele se afastara, soltou um suspiro profundo. Por quanto tempo mais aguentaria o tipo de vida que estava levando? - indagou-se desanimada.
Snape nunca cumprira com o combinado de ficar em casa durante as noites e sempre dormia em Hogwarts, com a desculpa de que o trabalho era muito. Já fazia dois meses que tinham voltado da viagem de lua de mel e até agora Helena estremecia com a lembrança dos dias passados ali. Fora insultante a facilidade com que Snape lhe provara a necessidade de pedir que lhe fi zesse amor. As humilhações sofridas com isso tinham deixado marcas profundas, além de provocarem um intenso desprezo próprio. Ele, todavia, não forçava suas intenções. Sequer as demonstrava. E com isso, Helena imaginava que ele realmente estivesse satisfazendo seu desejo com outras mulheres "na rua".
Sempre que pensava na lua-de-mel - o que evitava fazer - revivia cada detalhe com nitidez como se eles fossem mais reais que a vida que levava agora.
A princípio, Snape parecia se divertir com a situação, mas depois dos primeiros dias de casados, passou a ignorá-la quando não estavam diante de Amy e Sofia.
Isso sem mencionar o controle sexual que ele exercia sobre ela: Tal controle a apavorava e fascinava ao mesmo tempo. Lutava sem parar contra ele, cheia de aversão pela capacidade que ele possuía de, com um esforço mínimo, desencadear uma paixão contra a qual se sentia impotente.
Como em todas as ocasiões, ao vê-lo partir, Helena tentava se convencer de que a separação a deixava feliz, porém, sabia que, à noite, como sempre custaria a dormir sem o calor que emanava do corpo dele nas raras vezes que decidiu dormir em casa. Helena respirou fundo na tentativa de dominar a de solação sentida. Tinha a impressão de que, quanto mais lutava contra a atração sexual que os unia, mais forte ela se tornava.
— Helena, posso entrar?
Helena encontrava-se tão longe dali, com o pensa mento envolto pelas recordações dolorosas, que não ouvira o ruído das muletas de Sofia no assoalho. Fazia uma semana que a menina, graças às melhoras obti das, passara a usá-las. Helena até havia organizado um jantar especial para comemorar o fato.
— Estou trabalhando neste quadro chato e fico con tente quando alguém me interrompe — confessou ela com um sorriso.
— O papai já foi? — indagou a enteada, de olhos baixos.
Helena suspirou. Para boas entendedoras, meia palavra basta. Sofia era mais astuta que Amy e há tempos percebia que as coisas não iam bem. Isto lhe assustava, pois com o tempo apegou-se muito à Helena e o histórico amoroso do pai não ajudava a tranquiliza-la. Por isso, Sofia tratou de mudar de assunto.
— Estou vindo da outra ala. A pintura do teto do salão está ficando muito bonita! Você nem imagina a beleza — declarou ela com um brilho de entusiasmo nos olhos.
— Eu sei, tenho acompanhado o serviço — Helena respondeu com outro sorriso.
Helena sabia que Sofia passava grande parte do dia observando o trabalho de pintura do teto, fascinada com o pro gresso da cena. Ela também era uma artista talentosa e o fato não passara despercebido a Helena.
— Helena, eu queria muito frequentar uma escola de arte — confessou a menina, meio acanhada.
— Bem, não deixa de ser uma boa ideia — concordou. Depois, escolhendo as palavras com cuidado, acrescentou:
— Mas já considerou que esse é um em preendimento muito penoso?
— Só porque sou meio aleijada? — indagou a menina com uma ponta de amargura.
— Não, minha querida, você sabe que isso não é verdade. Sua recuperação continua firme e até a época em que irá para a escola ela já estará completa. Mesmo assim, não vai ser fácil.
— Eu sei, mas se não fosse o fato de... — Sofia começou meio hesitante e se interrompeu, constrangida.
— Se não fosse pelo quê, Sofia?
— Meu pai nunca me matriculou em Hogwarts na tentativa de me preservar. Agora que estou voltando a andar, acho que ele vai ficar muito irritado se eu for frequentar uma escola que não seja de magia...
Helena consultou o relógio para ver se ainda contava com algum tempo para conversar com Sofia antes que a professora particular chegasse para a aula diária. Satisfeita, viu que ainda tinha meia hora.
— Sofia, eu acredito, honestamente, que seu pai não tentará te impedir de buscar um sonho. Ele sempre lutou para lhe dar o bom e o melhor de tudo. Coisas que ele nunca teve, entende? Talvez ele fique um pouco chateado por você não querer seguir uma carreira acadêmica como a dele, mas você sabe como seu pai é rabugento. Assim como você também sabe que ele fica assim por pouco tempo e logo reconhece o quanto está errado. Ele pode não admitir explicitamente e não vai ser fácil convencê-lo de que o que você quer é melhor para você do que o que ele espera... Mas eu e você sabemos o coração bom que o seu pai tem...
Mal terminara de dizer essas últimas palavras e Helena percebeu a relevância que encerravam a si mesma.
— Helena, acorde! Está sonhando? — Sofia brincou e depois disse, séria: — Acho que compreendo o que está tentando me dizer e, com certeza, está certa.
Nesse momento o telefone tocou. Ela fazia questão de ter o aparato trouxa em casa, que Snape, por sinal, nunca soube utilizar...
E ela atendeu.
— Helena, tudo bem? Aqui é Graham. Por acaso está livre para almoçar na quinta-feira?
Helena sentiu o rubor nas faces. Graham Wilde era um trouxa dono de um antiquário nas proximidades do vilarejo em que se encontrava a Mansão Prince e lhe telefonara várias vezes desde que se mudara para lá. Na primeira fora para avisá-la de ter encon trado a estante que ela desejava. Ambos tinham ido, então, comprá-la e depois comemoraram a aquisição com um almoço do qual ela voltara levemente embriagada para ser recebida com desaprovação por Snape.
Dois dias mais tarde, ele tornara a lhe telefonar e a convidara para jantar com ele naquela noite. Insti gada por um instinto que nem sabia possuir, Helena havia concordado em ir. Graham sabia que era casada e, portanto, não devia ter segundas intenções com as amabilidades que lhe dispensava. Snape não tinha ficado satisfeito, porém não interferira. Ela gostava da companhia de Graham e se sentia lisonjeada com a admiração que ele lhe dedicava. Snape irritava-se com essa amizade, razão suficiente para que ela a culti vasse. Era casada com Snape, porém não lhe dava o direito de escolher seus amigos pessoais.
— Acho que sim... — respondeu Helena.
Combinaram de se encontrar num restaurante co nhecido cujos pratos gozavam de boa fama e despedi ram-se. Ela notou a testa ligeiramente franzida de Sofia, mas a menina não comentou nada. Apanhou as muletas e disse:
— Está quase na hora de a sra. Holder chegar. Es pero que pelo Natal eu já esteja preparada para freqüentar a escola...
— Isso será o ideal — afirmou Helena.
Amy, por sua vez, ficava em Hogwarts, devido ao regimento interno da escola, mas voltaria com Snape no final da próxima semana, devido ao seu aniversário.
Helena tinha ficado felicíssima com o novo comporta mento afetuoso da filha, porém, o que mais a sur preendera fora o relacionamento dela com Snape. Havia contado como certo um apego excessivo da menina com ele. Ah, se eles soubessem...
Na verdade, com exceção do seu relacionamento com Snape, tudo corria bem, Helena ponderou. Sofia recu perava-se devagar, Amy mostrava-se mais assentada e feliz e algumas restaurações pendentes na mansão progrediam sem proble mas.
