N/A: Este capítulo vai ser curto, mas amanhã, quer dizer hoje (madrugadas me confundem, ahah!) depois do meio dia tem mais. Isso quer dizer: Depois que eu efetivamente acordar! Baaah. :P
Beijos, meninës!
SsSsSsSs
O tempo estava ainda mais frio e chuvoso em Spinner's End.
Snape havia desaparatado a poucos metros de sua antiga casa, num vilarejo trouxa e fabril do Reino Unido. Não gostava daquele lugar pelas lembranças que lhe traziam, mas como este havia sido sua casa por muitos anos, inclusive na vida adulta, adotara-o como uma espécie de refúgio. Caminhou alguns metros na chuva, o suficiente para encharcar a sua capa negra. Olhou para os lados, para certificar-se de que nenhum trouxa havia percebido sua presença ali. Tocou a porta com a varinha e murmurou um encantamento, fazendo com que a mesma se abrisse. O lugar estava escuro e com cheiro de mofo. Alguns acenos de varinha resolveram o problema. Snape tirou a capa sem magia, deixando-a em algum canto. Observou ao redor e percebeu que a casa estava bem cuidada, provavelmente obra dos elfos domésticos que certamente dormiam a esta hora; mas os móveis eram os mesmos e muito simples. O sofá de couro antigo estava um pouco deteriorado e a cópia do quadro de sua mãe dormia em uma moldura que valia mais do que toda a mobília da casa. Ele lhe observou um pouco com o olhar pesaroso e subiu as escadas, que rangiam. Entrou em seus aposentos. Havia apenas a sua velha cama de solteiro, um bidê, um pequeno roupeiro e uma escrivaninha muito antiga.
— Accio roupas!
Um conjunto de calça e camiseta de algodão, na cor preta, voou em sua direção. Ainda muito tenso e irritadiço, rumou para o banheiro da casa. Era pequeno, com ladrilhos verdes, duas peças de louça e um chuveiro que precisou aquecer com magia, pois já não funcionava mais. Depois de dar um jeito no aparato trouxa (este ele sabia usar!), despiu-se e enfiou-se debaixo do jato quente de água, deixando que o pequeno fluxo de água quente lhe caísse pelo pescoço. Havia encostado a cabeça na parede, buscando autocontrole:
— Por Merlim, eu vou enlouquecer. Como essa garota pode ser minha filha se eu não me lembro de absolutamente nada?
Realmente, para Snape nada fazia sentido. Como poderia ser pai de uma garota cuja mãe tinha pouquíssimos registros em Hogwarts em sua época de estudante? No começo, sempre que se encontrava com Helena, ele tinha sensações esquisitas, que os trouxas e até mesmo os bruxos chamam de dejàvi. Mas haveria de ser bobagem ou apenas os primeiros sinais de que ele havia se apaixonado novamente e desta vez, para valer.
Também havia outra coisa: Se ela teve Amy com quinze para dezesseis anos, ela teria recém interrompido os estudos. Ele tinha então 35 anos na época e jamais se envolveria com uma aluna, não com os rumores de uma guerra que ele sabia que viria a explodir alguns anos depois. E não se tratava apenas da guerra, mas da abissal diferença de idade. Helena tinha a idade de sua filha Sofia na época e para ele isto era inconcebível.
Não importava quão inconcebíveis as hipóteses lhe pareciam, Severo tinha em mente apenas uma certeza:
— "Se não lembro, não aconteceu".
Foi com esse pensamento que o Mestre saiu do banho envolto nas roupas que havia trazido e tendo por cima um pesado robe negro, para estancar o frio. Sentou-se em sua velha e gasta poltrona com um copo cheio de firewhisky e, encarando o nada, não conseguia tirar Helena do pensamento. Acendeu a lareira e o crepitar das chamas quase lhe hipnotizou. Snape estava experimentando um estado mental de confusão que há muito não sentia...
Serviu-se de várias doses de firewhisky e nada de Helena sair do pensamento e de hipóteses absurdas fervilharem em sua cabeça.
— Maldição! — gritou, atirando o copo contra a lareira, acordando o quadro de Eileen.
— Severo? — disse cautelosa.
— Me desculpe, mãe. Volte a dormir. — falava como se ela estivesse viva e isto lhe doía muito.
— O que você tem, meu filho? Por que você não está em casa?
— E aqui não é minha casa, mãe? — desdenhou.
— Você sabe que de certo modo é, mas me refiro à sua casa como sendo a casa em que você mora com sua esposa e suas filhas. Aconteceu alguma coisa?
Severo recostou a cabeça para trás. Apertava as têmporas com as mãos, numa busca desesperada por respostas.
— Sempre tem alguma coisa. — disse azedo — Eu deveria ter morrido no dia em que a Lily morreu. Assim teria me poupado de tantas delongas e teria ido para o inferno de vez.
— Meu filho, não diga isso! Sei que a amizade da menina Evans significava muito para você, mas já pagaste pelo teu erro, Severo. Você teve uma nova chance de fazer a coisa certa e era essa a sua missão. Então, por favor, não se comporte como o rapazote bobo e deslumbrado com o poder que você foi!
— Mãe, por favor. Sem sermões pós morte. — Severo foi ríspido e, ao perceber Eileen encolher-se, abrandou a voz. — Me desculpe, mãe.
— Tudo bem. Eu sei que o que lhe aflige é Helena. Que tal você rever suas memórias? — disse com brandura.
— Ahaha! — riu sarcasticamente — E a senhora acha que eu não tentei? Que eu quase não enlouqueci tentando lembrar onde e quando essa mulher apareceu na minha vida antes? — disse debochado.
— Severo, às vezes você é tão burro! — disse Eileen perdendo a paciência. — Eu lembro cada passo e cada ocasião em que você esteve nesta casa. Que tal você dar uma olhada naquela tábua solta que tem no seu quarto?
— O que isso tem a ver? Como a senhora sabe disso se eu mesmo desconheço essa táb... — Ele dizendo também quase perdendo a paciência, mas Eileen interrompeu:
— Tem tudo a ver: Nossas memórias nem sempre ficam na nossa cabeça!
Instantes após refletir sobre o que o quadro de sua mãe havia dito, Snape teve um assomo e subiu as escadas em disparada, como se tivesse lembrado algo:
Algo que estava na terceira tábua frouxa, debaixo de sua cama.
Snape afastou a cama e tateou em busca da tábua. Afoito, encontrou-a. Removeu depressa o obstáculo e deparou-se com um fundo falso. Agradeceu a Merlin e todos os feiticeiros da Bretanha por sua mãe saber, em ocasiões sutis, usar melhor a sua intuição sonserina do que ele. No fundo falso, havia uma caixa de madeira de tamanho médio, com as iniciais "S.S" entalhadas. Abriu-a ansiosamente para "redescobrir" seu conteúdo e o que viu lhe iluminou imediatamente as ideias: Ali havia frascos que, em seu interior, memórias de cor negra rodopiavam.
E ele precisava urgentemente de uma penseira.
SsSsSsSsS
Mme. Anita: Me desgrace, me odeie, mas o próximo capítulo vai ficar para amanhã porque eu estou morrendo de sono! E my God, suas reviews me deixaram emocionada. Eu achei que tinha feito um imenso papelão com o desfecho desta fic e fico imensamente feliz que tu tenhas achado legal. Só me desculpe os efeitos colaterais, também foi difícil pro Sev ser irônico num momento daqueles e dizer uma coisa feia daquelas! :P
N/A: Amor por conveniência está acabando. :/ Mas eu já estou pensando em outra fic e prometo que ela não vai ser tão longa, ahaha! Se isso aqui virasse filme, ia ser DVD ou VHS duplo, tchê! Ahaha! Mazah!
Beijo da Madi.
