Mito estava disposta a morrer em missão.

Mesmo se fosse pelas mãos do homem que amava.

No entanto, em vez de fazer selos de um jutsu qualquer, ou usar genjutsu, ou até mesmo taijutsu, o homem à sua frente simplesmente a pegou no colo, deixando o quimono no chão.

- Afogamento? Por essa eu não esperava.

Ele apenas bufou enquanto saía da caverna, sentindo a água da cachoeira respingando sobre si.

Parou à beira do rio, e entrou com ela na água.

- E-ei, o que pensa q-

- Shhh... Apenas prepare-se.

- Pra quê?! – ela estava tensa, e aquela água gelada só piorava tudo.

- Eu disse que iria te matar... – ele sorriu maliciosamente – Mas não no sentido que pensou.

- E em que sentido é? – perguntou, nervosa.

Já estavam no meio do rio.

- No sentido de que... – ele aproximou-se de seu ouvido, e sussurrou – Irei matá-la de prazer.

Um arrepio percorreu o corpo da Uzumaki, e não era por causa do frio. De repente, assim como na caverna, seu corpo começou a esquentar diante da idéia de ser tomada por Madara.

Agora, mais uma vez.

- Só me responda uma coisa primeiro. – falou enquanto ainda era capaz de raciocinar – Você ainda me ama?

Encararam-se, sérios. Até que ele a soltou, deixando-a de pé, e a abraçou. E apertou o abraço.

Ela entendeu que era sua maneira de dizer sim.

Sentindo alívio misturado a dor pela separação iminente e pelo destino incerto do homem que amava, retribuiu o abraço, beijando seu rosto várias vezes antes de seguir para aqueles lábios incapazes de pronunciar "eu te amo" mesmo num momento crítico, por causa de seu orgulho ferido.

Ela havia casado com a pessoa que ele mais admirava e invejava: Hashirama Senju. Sentia-se duplamente traído.

Ali, novamente, os dois amantes entregaram-se um ao outro. E perderam a noção do tempo.

O que sabiam era que, de repente, a madrugada já havia chegado.

Mito precisava partir, pois passar a noite com ele denunciaria a situação, além de que... Madara iria descansar para o ataque que faria naquele dia.

E Mito iria avisar a todos.

E iria lutar contra ele.

Voltou à caverna, onde vestiu seu quimono. Saiu, e Madara ainda estava dentro d'água, recostado na beirada, de costas para ela.

Mito andou até ele e agachou-se.

- Nos veremos mais tarde...

O Uchiha fitou-a de cabeça para baixo.

Na posição em que estavam, trocaram um último beijo.

Quando se afastaram, Madara sentiu uma lágrima caindo sobre sua testa enquanto Mito se levantava depressa.

Sem olhar para trás, ela saiu correndo dali.

Chorou boa parte do caminho até Konoha.


Após o primeiro beijo, Mito e Madara resolveram namorar em segredo, pois a jovem queria esperar o melhor momento para contar ao pai que o companheiro de trabalho tornou-se aquele com quem pretendia casar um dia. Pois por mais eficiente que Madara fosse, ainda era um Uchiha, e ainda tinha fama de problemático por estar sempre arranjando briga com Hashirama Senju.

Um dia, quando voltaram de uma missão, os dois encontraram a Vila do Turbilhão completamente destruída.

- O que houve aqui? – perguntou, desesperada – Cadê meu pai? Minha família? Cadê?

- Eu e meus homens levamos os sobreviventes ao País do Fogo. – uma voz masculina disse.

Virando-se para ver quem era, deparou-se com Hashirama, rapaz que só conhecia de vista nas reuniões em sua mansão.

- O que faz aqui? – Madara indagou, não muito contente em ver seu maior rival ali.

- Senjus e Uzumakis são parentes distantes. Você foi chamado para ajudá-los daquela vez porque era urgente e, de algum modo, ganhou a confiança pelo menos do líder e de sua filha. Porém, ainda há rivalidade entre nossos clãs. Então, os Senjus foram enviados para ajudar os sobreviventes. Resolvemos levar os que encontramos para o nosso país. E um grupo ficou para esperar o retorno dela. – olhou em direção a Mito.

- Mas... Mas por que fizeram isso com a gente? – a ruiva estava aos prantos.

- Parece que... A habilidade de selamento de vocês, e sua longevidade... Começaram a assustar algumas pessoas...

- Não... Não... Não! – ela abraçou Madara, buscando conforto, e ele a envolveu em seus braços.

Hashirama lançou um olhar curioso sobre os dois.

Chegando ao País do Fogo, Mito reencontrou seu pai e seus parentes sobreviventes, além de outros poucos Uzumakis.

Ela agora morava no mesmo país de Madara. Por causa de uma tragédia irreparável, mas pelo menos isso a deixava feliz, poder vê-lo sempre sem precisar de missões.

Porém, a relação deles começou a levantar suspeitas. E os murmurinhos chegaram aos dois clãs.

Um dia, Madara e Mito foram chamados a uma sala, onde se encontrava o antigo líder do clã Uchiha (Madara era o atual), o líder do clã Uzumaki e o líder do clã Senju, Hashirama.

- O que houve?

- Mito, minha filha... Eu e estes homens andamos conversando, e não está sendo vista com bons olhos a proximidade entre você e Madara.

- Mas...!

- A rivalidade entre Senjus e Uchihas ainda é muito forte. E nós, Uzumakis, devemos ficar do lado dos Senjus, mesmo que muitos Uchihas nos ajudem, ou sejam nossos amigos... – havia uma indireta nesse "amigos".

- Mas nossa união não poderia amenizar essa rivalidade? – ela corou – I-isso, claro, se realmente fôssemos mais que amigos...

- Por enquanto, não. – disse o antigo líder dos Uchiha - É algo que uma união de clãs não resolveria. Deveria ser algo maior. Então, se for para se envolver com alguém fora da família, que seja com algum parente distante.

- O que está insinuando? – Madara perguntou, já prevendo o que seria dito, e não gostando nem um pouco.

- Como agradecimento pela ajuda dos Senju e para manter a linhagem dos Uzumaki na nobreza após perderem tudo nessa guerra... – o pai de Mito voltou a falar – E para acabar com os boatos sobre vocês... Decidimos que você e Hashirama vão se casar.

- O quê? – ela fitou o Senju, que estava cabisbaixo – Você concorda com isso? Hein, Hashirama?

- Eu não acho má idéia. Sempre te admirei à distância. – confessou – Porém, já deixei claro que não irei obrigá-la a nada. Pense e me dê uma resposta.

- A resposta dela é não! – vociferou Madara – Acho isso um cúmulo! Se o problema são boatos, é só nos afastarmos! Vocês Senjus, como sempre, querem se sair bem em tudo, não é? Você principalmente, Hashirama!

- Não é isso, Mad-

- Pra mim chega! – e saiu do recinto, furioso.

- Espera, Madara! – ela foi atrás dele.

Madara não era de se irritar facilmente; porém, quando se irritava, era para valer.

Foram para algum beco onde nenhum curioso lhes importunaria.

- Mito, isso não está certo! Você sabe, não sabe?

- Eu... Eu sei, mas...

- Então, vamos fugir!

- Q-quê?!

- Vamos fugir e ser felizes! Se aqui não dá, deve haver algum lugar que dê! Onde não tenhamos mais que fazer nada escondido!

- Madara... – seus olhos encheram d'água – Madara, fico muito feliz de te ver tão disposto a isso, mas... Isso é loucura! Não posso abandonar minha família! Não posso dar as costas a quem me ajudou!

- Está dizendo que vai aceitar a proposta?

- Parece que é o único jeito de recuperar a honra do meu clã... E nossas riquezas...- Não acredito no que estou ouvindo...

- Entenda! Eu não posso abandoná-los! Essa é minha vila agora!

- Você nem ama aquele cara!

Um silêncio instalou-se entre os dois.

Um silêncio perturbador.

Um silêncio que prenunciava o que mais temiam.

- Me desculpe... Madara... Mas nossa história termina aqui.

- É... Então é assim... Eu pensei que você fosse diferente, Mito. No fim, você também prefere os Senju. Dá mais valor aos Senju. E agora, casando, se tornará um deles no papel.

- Pára... Não fala assim... – pedia, com a voz embargada – Você sabe que eu queria falar com meu pai sobre nós, mas nunca houve oportunidade, e agora, com essa rivalidade tão grande... No futuro talvez seja possível, Hashirama parece mais tolerante e pregará essa tolerância, então...!

- Cala a boca!

Ela arregalou os olhos, e ele lhe deu as costas, afastando-se.

- P-peraí! – ela agarrou seu braço, do qual ele se desvencilhou bruscamente.

- Você já fez sua escolha. Agora vá e corra pros braços do seu noivo, futura Senju.


Aaaaaaai geeeeeeeeeente... )': Com isso, encerra-se os capítulos, e o próximo será o epílogo. Aproveitem!