Oi, gente! :D'
Eu tinha falado que este seria o epílogo, mas acabou ficando grande demais HAHAHAHAHA então resolvi dividi-lo e postar a primeira parte como capítulo. Porém, este foge do padrão "presente - passado", pois achei que ficaria mais interessante assim rs.
Desde aquele dia, Mito e Madara raramente se viram.
Ele foi convidado à cerimônia de casamento, mas não compareceu. Alegou estar ocupado com alguma missão - e realmente estava, numa longa missão que resolveu pegar justo na semana do casamento.
Mito devia passar a imagem da recém-casada plenamente satisfeita, quando por dentro estava em pedaços. Assinar a certidão de casamento era assinar que estava oficialmente comprometida com um homem que até respeitava, porém não amava.
E aquele que ela amava certamente lhe odiava agora que era parte da família Senju.
Mas não foi ódio que demonstrou quando estavam na caverna, era... Ressentimento.
A ela, pelo menos, não era dirigido nenhum ódio. E sentiu-se culpada por esse alívio egoísta. Contudo, era seu consolo diante de tanto sofrimento.
Cinco anos se passaram, e a Vila do Turbilhão foi restaurada. Os Uzumaki até então hospedados com os Senju voltaram para lá, e Mito permaneceu ao lado do marido.
A rivalidade entre Senjus e Uchihas já estava ficando insuportável, e Hashirama decidiu que estava na hora de pedir uma trégua àquele clã. Madara ficou relutante, mas os demais Uchiha concordaram.
Juntos, fundaram a Vila da Folha (Konoha). Precisavam agora eleger quem seria o líder.
A maioria dos moradores escolheu Hashirama.
Para Madara, aquilo era um absurdo. Ele achava que os Uchiha estavam sendo subjugados, que deveriam estar no poder no lugar dos Senju, mas ninguém quis ouvi-lo, pois não queriam confusão. Estavam satisfeitos.
Revoltado, Madara trancou-se em sua moradia,, e alguns Uchiha comentaram com Hashirama a possibilidade de Konoha ser atacada dependendo da fúria daquele homem impulsivo.
Até que, numa reunião com os Conselheiros, Mito sugeriu um certo plano para persuadir Madara.
- Pode ser perigoso... Você pode acabar morrendo! – um dos conselheiros disse, preocupado.
- Mas talvez seja o melhor jeito de conseguir arrancar dele alguma coisa. Eu sei que no passado ele já teve interesse por mim... – manteve-se impassível falando que somente ele teve interesse – Além disso, há a rivalidade com meu marido. Para ele, seria uma chance de se vingar. Dificilmente esse plano dará errado.
Após pesar prós e contras, chegaram a um consenso: Mito iria seduzir Madara, mas apenas os presentes na reunião saberiam disso.
- Espero que saiba o que está fazendo. – murmurou Hashirama quando chegaram em casa.
- É claro que sei. Não precisa se preocupar. Sairei ilesa.
- Tem certeza?
Ela estranhou aquele tom de voz, e o fitou:
- Como assim?
- Não quero que sofra.
Mito queria manter-se indiferente. Completamente indiferente. Tão indiferente a ponto de simular uma indignação diante de tamanha audácia.
Porém, o rubor que invadiu seu rosto a traiu.
- Escuta, Hashirama... – ela disse, tentando não gaguejar – Eu... Eu já superei esse passado. Nos casamos, cuidamos bem de Konoha, no futuro teremos filhos... Eu abri mão dele por tudo isso.
- Sim, mas... Você vai acabar revivendo esse passado. E não quero te ver abalada. – ele afagou seu rosto com as costas da mão – Mito... Eu sei que nunca consegui entrar em seu coração como ele entrou. Se é que realmente consegui entrar. – suspirou e, abraçando-a, prosseguiu – Eu não te amava quando nos casamos, mas aprendi a te amar com o tempo. E quero que você seja feliz, Mito. Então, faça o que quiser. Pode esquecer de mim quando pôr o plano em ação. Só peço que não esqueça de Konoha.
Ela havia conseguido não gaguejar, mas agora não conseguia segurar as lágrimas.
- Eu não te mereço, Hashirama... – sussurrava, enquanto retribuía o abraço – Me perdoe... Me perdoe por não conseguir te corresponder ainda...
- Shhh... Não se torture... Essas coisas acontecem naturalmente... Mas você tem sido uma esposa maravilhosa, Mito. De verdade.
Ela não conseguia falar mais nada. Em silêncio, permitiu que as lágrimas caíssem.
Deitaram-se, mas, diferente das outras noites, sem abraços ou sexo. Permaneceram apenas de mãos dadas. Pois sabiam que, mesmo que nunca vivessem um amor intenso, continuariam sendo companheiros, e aquele singelo gesto simbolizava tal união.
No dia seguinte, a ruiva dirigiu-se ao Distrito Uchiha e pediu para chamarem Madara, pois precisava conversar em particular com ele.
Sempre evitaram se olhar desde que brigaram.
Naquele dia, porém, seus olhos se cruzaram e...
...o tempo parecia ter parado.
Ou voltado.
Pois tudo de bom que viveram, antes suprimido na memória, veio à tona.
E a tensão podia ser sentida no ar.
Até que Madara indagou:
- O que quer comigo?
- Me acompanhe. Tenho uma proposta interessante para você, Uchiha.
Ele sabia que havia algo estranho. Mito nunca o havia procurado. E nunca mais havia falado com ele a sós, isso quando se falavam. Na verdade, não lembrava de ter conversado com ela desde aquele fatídico dia. Apenas se olhavam constrangidos em reuniões de Senjus e Uchihas.
"Ela está aprontando alguma. Eu deveria matá-la agora mesmo.", pensava, enquanto observava aonde era levado.
- Vamos sair de Konoha? O quão "particular" é esse assunto?
Então ela o encarou com um sorriso sensual, e, de certa forma, melancólico:
- O suficiente para ninguém jamais saber.
Adentrou a mansão dos Senju no meio da madrugada. O sol ainda não dava sinal de nascer.
Na sala, seu marido a esperava tomando chá e lendo documentos importantes.
- Hashirama? – perguntou retoricamente, surpresa – Não deveria estar dormindo?
- Deveria, mas mesmo se eu tentasse não conseguiria. – confessou, deixando os papéis sobre a mesinha e fitando-a – Venha cá.
- Eu... Vou tomar um banho primeiro. – respondeu, ruborizando.
Mesmo que ele tenha pedido para esquecê-lo enquanto exercia o plano, sua boa índole não permitiu que esquecesse totalmente.
Esperava que o banho lavasse um pouco da culpa que sentia, e a lembrança dos toques e beijos de Madara, que o tempo todo lhe vinham à mente.
Ao voltar, ajoelhou-se ao lado do líder Senju.
- Você... Conseguiu o que queria? – ele percebeu o duplo sentido da questão – Er... D-digo... S-sobre descobrir os planos dele...
Ambos se sentiam constrangidos. Porém, iriam ignorar o que obviamente havia acontecido, e focar no que realmente importava.
- Sim. – Mito o fitou seriamente – Vai ser hoje, Hashirama. Madara irá atacar Konoha hoje.
Seus olhos se arregalaram.
- Ele não disse a hora?
- Não. Só o dia. Temos que nos preparar para a batalha agora mesmo.
Doía-lhe a idéia de lutar contra o homem que amava, mas, naquele momento, ela não podia pensar como a "injustiçada pelo destino": havia uma família e uma vila para defender.
Mesmo que o inimigo não lhe despertasse um traço de ódio.
- Mito... Vá descansar um pouco. Quando o sol nascer, farei um pronunciamento para todos se prepararem e ficarem em alerta.
- Tudo bem.
Ela levantou-se em direção ao quarto, quando Hashirama a segurou pelo punho.
- Tem certeza que quer lutar dessa vez?
- Essa não é uma opção. É um dever.
O moreno observou aquele olhar triste, porém determinado, e suspirou, soltando-a. Se estava tão disposta assim, não poderia impedi-la.
O tempo foi passando, e nada de Madara aparecer. Manhã, tarde... Todos estavam aflitos.
Para Mito, era um pesadelo que precisava logo de um fim.
Cada minuto era agonizante.
Cada hora era irritante.
A ansiedade já estava quase se sobrepondo à calma que tinha que manter.
Até que, à noite, de repente um rosnado estrondoso pôde ser ouvido.
Assustados, os moradores da vila observaram a silhueta de uma raposa se aproximar e destruir tudo o que encontrava pela frente.
E, em suas costas, estava Madara Uchiha.
- Mas essa é... A Raposa de Nove Caudas? – Mito perguntou, de olhos arregalados – Como ele a conseguiu?
- Não sei, mas ela parece hipnotizada... Parece estar sendo controlada por ele. – deduziu Hashirama – Se fosse só ele talvez pudéssemos lutar dentro da vila mesmo, mas com a bijuu não dá. Temos que afastá-los daqui.
Ao se aproximarem da fera e do vingador solitário, Hashirama gritou:
- Seu problema é só comigo, não é, Madara? Podemos resolver isso em outro lugar, mas não destrua Konoha!
Ele daria uma resposta atravessada para aquele ultrajante Senju.
E então avistou uma certa ruiva ao seu lado, com um olhar suplicante.
"Droga...", pensou.
- Só aceito lutar fora da vila com uma condição: se eu vencer, serei o Hokage!
Murmurinhos começaram. Vários ninjas chegaram a Hashirama dizendo que aquilo era loucura, que seria entregar o poder a um ditador.
- Prefiro arriscar essa loucura em vez de deixar tudo e todos serem destruídos. – respondeu, virando-se para Mito para saber qual seria sua reação.
- Sabe que... Esse "vencer" dele significa... Matar, não é?
- Sim... Eu sei.
Ela engoliu em seco, olhando de um para o outro. Lamentava que as coisas chegassem a esse ponto, mas... Agora era tarde demais.
- Aceito sua condição, Madara. – o Senju disse.
- Ótimo. – ele fez um selo que sumiu com a Kyuubi – Me siga. Os demais ficam aqui. – falou, olhando de relance para Mito.
Ela fingiu concordar com isso.
Quando eles saíram de Konoha, Mito dirigiu-se ao portão da vila, alegando que iria vigiar os arredores para o caso de haver aliados de Madara por ali.
O que fez foi fugir sorrateiramente e, usando um animal rastreador que possuía, chegou ao local que mais tarde seria conhecido como Vale do Fim, onde Madara e Hashirama travavam sua batalha épica.
Estavam tão concentrados que não notaram sua presença. Ela ficou escondida, observando. Queria poder fazer alguma coisa, mas não sabia o que. E cada vez mais se sentia inútil.
Até que viu Hashirama conseguindo tirar a Kyuubi do controle de Madara. Porém, ele estava fraco por causa da luta. Só tinha forças para continuar domando a fera, ou para voltar a lutar contra o Uchiha. Porém, liberando a Kyuubi, esta poderia matar ambos e depois voltar para Konoha, atacando-a em vingança por ser controlada à força.
Então Mito percebeu o que poderia fazer por aqueles dois.
