Com as mãos, a Uzumaki preparou um jutsu de selamento.
Quando Madara estava prestes a golpear Hashirama, parou ao notar a Kyuubi transformando-se numa massa de chakra, que seguia para um ponto atrás das árvores.
- Não pode ser... – murmurou.
- É a...? – o outro comentou, sem precisar terminar a pergunta.
Chocados, os dois homens observaram Mito surgir dentre as árvores, arfando, apoiando-se no tronco com uma mão, e a outra sobre o ventre.
- O que você fez? – Madara gritou, correndo até ela.
- Eu... Selei a Kyuubi dentro de mim.
- Você não devia ter feito isso! – disse Hashirama, aproximando-se também – E se não agüentasse?
- Eu iria morrer levando a Kyuubi comigo.
- Como consegue dizer isso com tanta tranquilidade? – o Uchiha estava tão revoltado que nem pensava em disfarçar sua preocupação – Você é louca!
- Eu tinha que fazer alguma coisa!
- Grrr...Não devia ter se envolvido nisso!
- Sabe que já estou envolvida há muito tempo!
Um constrangedor silêncio instalou-se ali, e Hashirama o quebrou.
- Mito... Você está se sentindo bem?
- Sim... Acho que meu chakra está se adaptando muito bem ao da Kyuubi.
- Pode ter efeitos colaterais a qualquer momento... Pode ter um ponto fraco no selo... Você foi mesmo muito precipitada!
- Me desculpe, mas... Não me arrependo. Era o mínimo que eu poderia fazer por vocês dois. – eles ficaram surpresos e ela prosseguiu – Eu... Sei que vocês vão lutar até que alguém morra... E não posso evitar isso... Mas se eu podia evitar que os dois acabassem morrendo... Não me importo com esse sacrifício. Então não me venham com sermão!
Eles se entreolharam, e Madara disse:
- Se ela quer assim, então vamos terminar essa luta dignamente.
- Vamos...
Hashirama deu meia volta, e Madara lançou um último olhar para Mito.
Ela conseguia suportar o chakra de uma fera gigante dentro dela, mas...
Não podia suportar aquele olhar de Madara.
Aquele olhar desolado.
Aquele olhar pesaroso.
Aquele olhar de um adeus definitivo.
Pois seu chakra já estava esgotado.
O que lhe restava ele pretendia usar naquele golpe contra Hashirama.
E ele poderia tê-lo usado quando este se distraiu olhando o chakra da Kyuubi sendo sugado numa direção qualquer.
Mas toda a racionalidade que possuía se esvaiu diante da possibilidade de Mito estar sentenciando a própria morte ao se tornar jinchuuriki.
Perdeu a grande chance de acabar com Hashirama porque queria ver com seus próprios olhos o que tinha acontecido a ela.
Ela...
É verdade que já havia conversado com uma certa pessoa sobre a possibilidade de ser ressuscitado, mas estava confiante de que não era ali que a morte lhe acometeria. Acreditava que finalmente venceria Hashirama.
Dominaria Konoha, e... Poderia tomar Mito como esposa.
Mas ele seria para sempre o assassino do Primeiro Hokage. Não iria manchar a imagem de Mito casar com um cara desses?
Talvez fosse melhor que voltasse para a Vila do Turbilhão.
Constatar que nem se tornando Hokage poderia ter a mulher que amava lhe deixava mais enfurecido.
Ódio... Quanto ódio tinha naquele momento...
Ficou imóvel, aguardando o ataque final de Hashirama.
- Pode vir, Senju. Estou esgotado de chakra. A vitória é sua.
- Mas... Madara... Tem certeza disso? Não precisamos ir tão longe... Posso te dar um bom cargo lá na vila e...!
- "Bom cargo"?! Eu não quero um "bom cargo", Hashirama, eu quero O MELHOR cargo. Quero provar a superioridade dos Uchiha. Mas, já que não é possível... Prefiro morrer a me juntar a você. – destilou, enojado.
A admiração que tinha por aquele homem tornou-se uma inveja incontrolável.
Por suas habilidades, por ser querido pelo povo, por ser Hokage, mas, principalmente... Por ter lhe tirado aquela que o fazia querer ser diferente e deixar qualquer rancor para trás.
Sim... Ele estava disposto a mudar por ela.
Mas, quando até a chance de ser feliz ao seu lado lhe foi tirada, qualquer resquício de sentimentos bons que possuía foi tomado pelos ruins.
Reencontrá-la aquela noite, tê-la em seus braços e possuí-la com um cuidado que jamais imaginou que pudesse ter com uma mulher, por pouco não o fez desistir de tudo.
Mas já havia ido longe demais. Seu ego clamava por justiça. Mesmo seu conceito de justiça contrariando a justiça da maioria.
Contrariando a justiça daquela irritante e encantadora Uzumaki.
Hashirama suspirou, lastimoso.
Mito, ao longe, virou o rosto na direção oposta à deles, fechando os olhos.
Era agora.
O Senju preparou-se para dar o último golpe. Entretanto, antes de desferi-lo, aproximou-se do Uchiha e murmurou:
- Você sabe que tem algo no qual eu nunca consegui te vencer.
Madara arregalou os olhos.
- Do que está falando?
- Você sabe muito bem.
Ele bufou.
- Apenas acabe logo com isso.
- Como quiser.
"Pelo menos nisso... Eu..."
E o corpo de Madara foi lançado ao rio, sendo arrastado pelo mesmo.
"Mas de que adianta, se nem pude ficar com ela?"
Sua consciência sumia.
"Nem... Pude..."
Não havia certeza se aquilo o mataria, porém era o mais provável que acontecesse.
Hashirama pendeu ao chão, exausto.
Mito, caminhando com dificuldade, passou por ele, ajoelhando-se em frente ao rio.
Inclinou-se, abraçando fortemente a si mesma.
E suas lágrimas misturavam-se àquela água agitada.
A água que, como o destino anos atrás, arrastou seu grande amor para longe dela.
Ai, gente... )':
Com isso, a fanfic se aproxima do fim. O próximo capítulo já é o epílogo.
