Com a ajuda de suas empregadas, Mito colocou um confortável quimono e ajeitou os coques do cabelo, agora grisalhos, para receber uma visita muito especial: Kushina, aquela que seria a nova jinchuuriki da Kyuubi.
Seu marido já havia falecido há alguns anos, de velhice. Mas Mito tinha grande longevidade por causa da descendência Uzumaki.
Sua parente distante da Vila do Turbilhão chegou, e estava visivelmente apavorada com a idéia de ter o espírito de uma raposa cruel aprisionada em seu corpo. Mas Mito, com toda bondade e calma, confortou aquela criança, explicando que não teria problema em ser jinchuuriki se houvesse amor para conter o ódio daquela fera.
Seu conselho, então, era simplesmente... Amar. Se encher de amor, pois isso domaria a Kyuubi.
Foi o que Mito fez, amando Hashirama, a criança que teve com ele, seus netos Tsunade e Nawaki (que, infelizmente, faleceu aos doze anos), o povo da Vila da Folha e da Vila do Turbilhão e, também... Nunca esquecendo o homem que mais amou: Madara Uchiha.
Hashirama sabia que o sentimento de Mito por ele jamais teria tamanha intensidade, mas lhe bastava que, a seu modo, ela tivesse aprendido a amá-lo, aceitando-o como marido e cultivando uma convivência pacífica até o fim.
A Uzumaki torcia, do fundo do coração, para que Kushina pudesse viver o grande amor que nem ela nem sua neta puderam. Pois Tsunade havia perdido seu noivo, Dan, durante a guerra.
Após falar sobre ser jinchuuriki, Mito conversou sobre assuntos mais leves com a pequena ruiva. E, quando esta foi embora, dirigiu-se ao jardim da casa para apreciar as flores.
"Será que eu devia ter falado sobre nosso ponto fraco? A hora do parto? Não... Ela é muito nova pra saber disso... Mas vou cuidar para que no momento certo ela seja alertada", pensava, lembrando do susto que levou ao dar à luz, pois o selo da Kyuubi enfraqueceu e esta quase escapou. Por sorte Hashirama estava lá para contê-la.
Divagava, lembrando de como ficou feliz quando pegou o bebê no colo e viu que estava bem. Até que Tsunade chegou de repente.
- Vó... Preciso de um conselho.
- Fique à vontade, meu anjo. Venha, sente comigo ali.
A loira parecia muito sem-graça.
- O que foi?
- Er... – ela coçou a cabeça, nervosa – É que... Sabe o Jiraiya?
- Sei...
- Ele é apaixonado por mim desde criança e-
- Agora me conte uma novidade.
- Vó! – ela exclamou, rubra.
- Haha, desculpe, não resisti... Continue.
- Então... Er... Eu... Eu estava pensando se... Se seria uma boa idéia dar uma chance a ele. Sabe? Pra ver se... Me apaixono e esqueço o Dan. – seu semblante ganhou a tristeza que já se tornava corriqueira para aquela jovem de coração despedaçado.
E Mito conhecia bem essa sensação.
- Tsunade... Não acho que seja uma boa idéia.
- Por que?
- Porque você ainda gosta muito do Dan... E pode fazer seu amigo sofrer. Você vai se pressionar para gostar dele, mas as chances disso acontecer são poucas. Acho que você tem que aproveitar que pode escolher com quem namorar e casar, em vez de se prender numa relação assim.
- Mas-
- Eu entendo sua dor, meu anjo... Mas pense: seria certo encher o Jiraiya de esperança? Só se envolva com ele se realmente estiver sentindo alguma coisa, mesmo que mínima. Mas nunca por pena ou para "substituir" alguém.
- Vó...
- Hum?
- Você amava o vovô?
Por essa ela não esperava.
Não conseguiu esconder o espanto no olhar.
- Por que isso agora?
- É que... Vocês sempre me pareceram mais amigos do que um casal, sei lá. Não que isso seja exatamente ruim, mas... Enfim...
Mito sorriu gentilmente.
- Digamos que... Éramos um "casal de amigos".
- Você foi obrigada a casar com ele?
- De certa forma, sim. Como Uzumaki, era meu dever.
- E você... Amava outro?
Ela ainda sorria, mas abaixou a cabeça.
- Tsunade... Só seu avô sabia disso, mas... Sim.
- O vovô sabia?!
- Sabia. Mas ele soube lidar com isso. E eu tive que saber lidar também. As circunstâncias da época nos levaram a essa situação. Podia ter dado errado, mas acabou dando certo. Só que você... – voltou a fitar a jovem – Você não precisa se arriscar assim. Você tem liberdade de escolher. Não precisa cumprir nenhum dever, a não ser o de ser feliz com aquele que amar.
- E se... Eu não conseguir amar ninguém além do Dan, nem do jeito que você amou o vovô?
- Eu não sei... Só sei que você não deve se obrigar a nada, pois não precisa. Se não conseguir esquecer o Dan, guarde esse sentimento com você. Mas não deixe de tentar ser feliz nas outras áreas da vida. Por exemplo, como ninja-médica... Você tem um potencial enorme.
Ela não respondeu. Apenas abraçou a avó e, em seu colo, permitiu-se chorar – vontade que continha desde que havia chegado.
"Tentar se fazer de forte deve ser hereditário...", Mito pensava, enquanto ela mesma segurava as lágrimas enquanto confortava a neta.
Para falar a verdade, já havia segurado por tanto tempo, por tantos anos, que já não era uma dificuldade.
Mas não havia um dia que não lembrasse de Madara.
Quando Tsunade parou de chorar, elas lancharam juntas, e Mito a levou no portão.
A loira já tinha dado alguns passos, quando se virou e disse num tom malicioso:
- Esqueci de dizer, mas o Jiraiya fez amizade com um aspirante a ninja lá da Academia, o Minato... E ele contou que está encantado com aquela menina nova que veio da sua vila, vó! A Kushina. Ela veio aqui hoje, né?
- Sim, sim. Ela é uma graça.
- Me pergunto se esses dois vão dar certo...
- Agora que você falou, estou com um ótimo pressentimento sobre isso.
- Jura? Porque eu também fiquei!
- Hehe... Vamos torcer por eles.
Assim, elas acenaram para se despedir.
Mito voltou para o jardim, fitando o céu azulado, com o vento carregando as nuvens.
Seria cruel, e até ingrato, dizer que se arrependia da vida que escolheu. Mas a saudade de Madara era inevitável.
Às vezes, em seus maiores delírios, questionava se ele havia mesmo morrido, e se voltaria para fazer de novo aquela louca proposta de fugir. Mesmo sabendo que ela, de novo, diria não.
Porém, em seus pensamentos, ela podia imaginar que sim, largaria tudo para ficar ao lado dele, mesmo como uma renegada. Como seria viver numa adrenalina assim?
Nunca saberia a resposta.
Mas a vantagem disso é que podia imaginar mil e uma possibilidades.
Era sua diversão secreta, assim como, um dia, foi desvendar os mistérios de Madara e acabou se apaixonando por ele no processo.
Lembrava da noite onde um tentou usar o outro, cada um com seu objetivo.
Em suas reflexões, concluiu que, no fundo, ambos acabaram se usando pelo mesmo motivo: entregar-se completamente a quem se ama. Mesmo que fosse a primeira e última vez.
Ainda assim...
Ao menos essa sensação puderam conhecer.
Então, gente... Esse é o fim da minha fanfic MadaMito. ;_;
Foi difícil pensar nas últimas linhas. Nada parecia bom o suficiente. E ainda não parece, mas fazer o que, uma hora tinha que acabar, né? ):
Quis escrever uma história com uma melancolia bonita, algo triste e ao mesmo tempo poético, que é ao que o amor sofrido remete. A inspiração pra essa fanfic foi tanta que o que deveria ser uma one-shot virou uma longfic que, a princípio, teria 4 capítulos + epílogo, e acabou tendo 6 + epílogo porque sou dessas. -q
E confesso que me envolvi tanto com esse casal que pra mim já é canon HAHAHAHAHAHAHA mas se o Kishi mostrar alguma coisa, certamente só vai ser algo unilateral por parte do Madara. Bom, melhor do que nada, né? 8D
Obrigada a todos que acompanharam essa história que amei tanto escrever! X3 Pelas reviews, vejo que estão conseguindo captar exatamente o que eu queria passar! Fico muito feliz com isso! E lisongeada com os elogios! :'D
obs: espero que tenham gostado dos fanservices MinaKushi e DanTsu, não pude resistir rs.
