Maldição

Rose achou que o que a acordou tinha sido um palavrão, mas não tinha certeza. A única coisa que ela sabia era que a cama de hóspedes da casa dos Potter era tão macia quanto a sua e que ela estava quente e confortável, obrigada, então o que a acordou não era realmente importante, desde que ela pudesse continuar deitada.

- Puta que pariu! - com certeza foi esse mesmo palavrão que a acordou.

Mexendo-se ela encontrou uma coisa quente e se aconchegou mais a isso, quem sabe se a pessoa não insistisse ela podia fingir que estava dormindo, assim não teria que acordar e...

- Puta que pariu. - a voz agora parecia menos surpresa e mais chocada.

Ela resmungou e logo depois sentiu uma mão no seu braço. Realmente queriam que ela acordasse. Bufando, ela abriu os olhos preguiçosamente e deu de cara com a pele branca do peito definido de alguém. A ruiva quase pulou pra trás com o susto e sentiu-se mais surpresa ainda ao olhar pra cima e dar de cara com James, que não olhava pra ela.

Virando na direção em que James olhava ela encontrou seu Tio Harry parado na porta olhando para os dois com os olhos arregalados e queixo caído. Seria uma imagem extremamente engraçada ver O Escolhido com uma cara assim, mas ela não tinha tempo de rir quando o mesmo Escolhido tinha pegado seu filho e ela na cama.

Falar 'não é o que você está pensando' estava fora de cogitação já que era aquilo mesmo o que ele estava pensando. Eles tinham feito sexo. Eles eram primos. Aquilo era errado em vários sentidos.

Rose só conseguiu soltar um grunhido e enterrar sua cabeça no travesseiro. Imaginou que seu rosto estava vermelho de vergonha e tinha toda razão.

- E-eu vou descer. - Harry anunciou pateticamente e ela ouviu a porta se fechando.

Depois disso o quarto ficou em total silêncio, tirando a respiração pesada de Rose por ela estar com a cabeça enfiada no travesseiro. James moveu o polegar no braço dela, fazendo ela se lembrar de que ele ainda estava tocando nela.

- Sai! - ela gritou irritada e se afastou do seu toque.

- O quê? - ele perguntou também se afastando, surpreso com a reação dela.

- Você... Você! - ela foi em direção a ele na cama, sem ligar se o lençol tinha descoberto seu tronco, deixando seus seios expostos - Você é o culpado disso tudo, James! Você e essa sua cabeça imbecil que achou que seria muito legal vir no meu quarto no meio da madrugada e-

- Ah! - ele respondeu irritado - Então agora a culpa é minha, né? Bem, Rose, deixa eu te dizer uma coisinha: você não reclamou muito noite passada enquanto eu estava den-

- Cale a boca! - ela bateu no peito dele, raiva borbulhando dentro dela - Cale a boca! Calado! Você veio aqui, a culpa é sua!

Ela continuou atingindo ele e por isso James foi obrigado a pegar seus pulsos. Por sorte sua perna estava posicionada no lugar certo e o chute que Rose deu não pegou-o em um lugar extremamente sensível do seu corpo. Ela soltou um silvo de dor pela colisão de pernas e o moreno subiu nela, prendendo as pernas dela embaixo das dele até ela parar de se bater de um lado para o outro.

Ele estava em cima dela! Rose tentou empurrá-lo e se sacudiu, mas nada do que fizesse adiantou. Ela também não podia gritar, afinal, se qualquer um a visse naquela posição com James enquanto ambos estavam nus as coisas iam piorar, se possível. Então imagine só o que ia acontecer se te pegassem naquelas posições ontem a noite?, sua consciência fez o favor de lembrar.

Ele já ia gritar com ela, mandando ela parar quando ela fez exatamente o que ele queria, soltando um grunhido de derrota. Um suspiro de alívio saiu dos seus lábios, enfim ela ficaria quieta.

A ruiva não acreditava que aquilo estava acontecendo mesmo. Fechou os olhos e trincou a mandíbula de uma maneira que seus dentes cerrados aparecessem por entre os seus lábios.

James já ia agradecer por ela estar quieta e soltá-la, mas quando ele olhou para seu rosto e viu uma lágrima sair dos seus olhos e descer por sua bochecha vermelha, até chegar na mandíbula (a mesma que ele beijou na noite anterior) ficou quase paralisado. Como se tivesse levado um soco ele se afastou e a puxou para um abraço, tentando acalmá-la.

Não importava se eles tinham feito sexo, ela ainda era sua priminha e vê-la chorar era estranho.

- Rose, shh, ta tudo bem. - ele murmurou enquanto a embalava em seus braços.

Incerto, ele também deu um beijo na testa dela o que só a fez chorar ainda mais. Primeiro ela tinha gritado com ele, depois batido nele e agora ela chorava? Não tinha algo de errado com essas reações?

Ele sentiu o aperto que tinha no peito quando ela chorou diminuir ao senti-la o puxar para mais perto. Pelo menos ela não estava chutando ele pra longe e xingando.

- Não, James, não tem nada bem. - ela sussurrou com a voz rouca de choro.


Harry estava na cozinha sentado a mesa enquanto Gina servia o café-da-manhã, como sempre. Albus mexia na sua refeição sem muito interesse e Lily Luna estava lendo uma revista enquanto comia sem dar a menor atenção a qualquer coisa ao seu redor. James e Rose estavam faltando e ele era o único naquela mesa que sabia o porquê.

- Harry? - sua esposa perguntou incerta quando o viu distraído - Quer mais suco, querido?

Ele negou e fingiu não perceber o olhar preocupado da sua esposa. Ela ia perguntar o que havia de errado e ele ia ter que responder com a verdade, mesmo que a reação de Gina devesse ser a pior possível. Agradeceu por ter sido ele a chamar os dois e não sua esposa ou algum de seus outros filhos.

- Você chamou os dois? - ela perguntou pra ele enquanto tinha começado a lavar a louça, mesmo que houvesse elfos (devidamente pagos graças à Hermione Granger) que fariam aquilo. Segundo sua esposa aquilo acalmava.

- Chamei.

- Eles estavam dormindo?

Juntos.

- Sim. E eu acordei os dois.

Gina resmungou qualquer coisa e voltou a se concentrar na sujeira dos pratos copos e talheres.

O Menino-Que-Sobreviveu ainda não conseguia acreditar que viu seu filho e sua sobrinha dormindo juntos. É claro que, no momento em que ele abriu a porta, ele pensou que talvez não fosse nada do que ele estava pensando. Talvez James tivesse aparecido no quarto da prima para pregar uma peça e acabou dormindo, ou quem eles ficaram conversando até que ficou tarde e eles acabaram adormecidos na mesma cama, já tinha acontecido várias vezes com Albus e ela.

Infelizmente, todas as desculpas em que ele pode pensar acabaram ao perceber que seu filho estava bem acordado e, para a surpresa dele, mexendo nos cabelos de Rose com o olhar mais carinhoso que ele já tinha visto no seu rosto. Depois também de ver o choque no rosto do filho ao perceber que ele estava ali e o vermelho típico dos Weasley no rosto da sua sobrinha quando o viu parado na porta do quarto, Harry soube exatamente o que tinha acontecido ali. Ah, e ele podia dizer com toda certeza que James estava nu na cama e não só porque estava sem uma camisa.

Com o indicador e o dedão, Harry apertou seu osso nasal e tentou esquecer esse problema. Ah, sim, era um problema. Só de imaginar o que Gina, Hermione e Ron... Oh, pobre Ron. Só de imaginar como cada um deles mais o resto da família Weasley iam lidar com situação seria complicado.

O Escolhido só saiu de seus devaneios quando viu os motivos do seu problema entrarem na cozinha dando um 'bom dia' geral. James sentou no costumeiro lugar perto dele enquanto Rose tomou o lugar ao lado de Albus.

Para Rose era constrangedor estar sentada a mesa com seu tio sendo que ele tinha visto eles dois juntos, mas se não aparecesse poderia parecer culpada.

- Dormiu bem? - Albus perguntou educadamente quando ela sentou do lado dele.

- Bem. - murmurou e botou suco pra ela.

- Então, eu e Scorpius vamos sair hoje. Ele pediu pra perguntar se você não queria ir com a gente. - por algum motivo irracional Rose olhou para James, como se ele tivesse alguma coisa haver com seus planos para sair.

Ao ver que ele também olhava pra ela, a ruiva voltou sua atenção na comida.

- Ah, claro. Vamos fazer o que?

- Ainda não sabemos, Rosie. - usou o apelido carinhoso - Mas temos muitas coisas pra fazer em Londres, com certeza.

A ruiva devolveu o sorriso que Al tinha no rosto e tentou ficar sempre de boca cheia, para assim não precisar realmente conversar. Não que ela não gostasse de Albus. Na verdade, de todos os primos que tinha ele era o que ela tinha mais intimidade. Bem, você transou com James. Revirando os olhos para si mesma ela tentou só pensar na comida.

- Ei, mãe! Cadê o resto da comida? - o filho mais velho perguntou, emburrado por não terem os três ovos que ele comia toda manhã.

- Você e sua prima, por terem dormido mais que a cama, estão pegando o resto do café, James. - Gina respondeu enquanto secava as mãos - E, como você pode perceber eu acabei de lavar a louça e não vou fazer mais comida.

- Mas só tem dois ovos. - ele resmungou.

- Mais do que o suficiente pra você dividir com Rose, não acha? - a matriarca falou sorrindo.

Ele bufou e pegou um ovo, logo depois empurrou o prato de ovos para Rose. Percebeu que ela estava quase rindo dele e se sentiu estúpido por ter feito aquilo por ovos, mas, poxa, era sua rotina desde Hogwarts. Viu sua prima cortar metade do ovo e empurrar o prato com a outra metade para ele.

- Rose, querida, pode comer. Jay não vai morrer por não ter comido seus ovos. - Gina falou enquanto olhava para o ato generoso da sobrinha.

- Acho melhor não arriscarmos, tia. - a jovem falou sorrindo e a mãe do garoto a acompanhou.

- Sabe, você sempre foi a mais generosa dos primos. - Gina falou - Acho que isso veio de Hermione porque meu irmão é mais egoísta do que alguém que tem seis irmãos pode ser. - ela se aproximou dela e passou a mão nos cabelos de Rose.

O gosto de culpa invadiu sua boca e ela não soube o que falar depois disso. Gina sempre a tratou como se fosse sua própria filha e o que ela fez pra retribuir a tia? Ah, sim, dormiu com o filho dela.

- James, Rose, quero falar com vocês. - Harry falou de repente e os dois prenderam a respiração.

Merda! Seu pai ia dar neles um sermão.

O Menino-Que-Sobreviveu percebeu os olhares quase assustados do seu filho e da sua sobrinha, mas aquilo tinha que ser feito, eles tinham que ouvir aquilo. Albus e Lily olhavam pra ele como se ele estivesse louco, mas, como já tinham acabado de tomar café, levantaram-se da mesa e deixaram a cozinha com olhares curiosos.

Gina continuou parada, olhando para ele com uma pergunta bem óbvia no olhar. Ele com certeza preferia ele com essa expressão do que a que ela ia ficar quando soubesse o assunto.

Esperou seus outros filhos saírem da cozinha e lançou um Feitiço Silenciador, só para ter certeza de que o assunto ia ficar entre eles.

- Harry, o que houve? - sua esposa perguntou saindo de perto de Rose e se aproximando dele.

- Sente-se, querida. - ela fez como ele pediu - Bem, você também tem que ficar ciente disso, então eu quero que você tente se controlar, ok? - ele perguntou enquanto esticava a mão sobre a mesa para tocar a dela.

- O que está acontecendo? - ela perguntou olhando para as outras três pessoas na sala.

- James e Rose dormiram juntos. - ele falou com a voz mais indiferente que conseguiu.

Primeiro o rosto de Gina se franziu e ela olhou incrédula para seu marido. Depois o rosto começou a ficar vermelho, começando pelas orelhas, e ela parecia irritada com a testa franzida e os lábios crispados. A mão dela se soltou da de Harry como se ele a estivesse machucando e ela a bateu na mesa.

- Como assim eles dormiram juntos? - ela perguntou como se isso fosse algum tipo de doença, e talvez até fosse se seu filho e sua sobrinha estão com isso.

- Você ouviu muito bem, Gina. - ele respondeu.

Sua esposa virou-se para os dois jovens e pela cara de pânico que eles fizeram Harry quase sentiu pena.

- O que vocês estavam pensando, seus desmiolados? Vocês são primos! E eu ainda aposta que nenhum dos dois bebês lembrou de usar qualquer tipo de proteção, mágico ou trouxa, não é mesmo? - pelos rostos corados ela tinha toda razão - Se, por acaso, eu virar avó eu vou garantir que os do-

- Gina! - Harry interrompeu a esposa - Eu sei que eles tem que receber uma bronca por terem sido irresponsáveis, mas antes eu preciso conversar uma outra coisa com os dois.

- Outra coisa? Outra coisa mais importante do que tudo o que nós, como pais e responsáveis de Rose enquanto ela estiver aqui, vamos falar? - a voz da sua esposa dizia que não, mas o que ele tinha pra falar era realmente importante.

- Querida, por favor. - ele murmurou e, sem conseguir resistir, a senhora Potter se calou, mas não sem antes bufar irritadamente. - Obrigada. James, não pense que o que eu vou dizer tira sua culpa, mas é algo que você tem que saber. Depois que a guerra acabou eu recebi uma mensagem de um tal de Bernard Potter, que dizia ser primo do meu pai. Ele morava na Alemanha e pediu para eu visitá-lo.

- Foi por isso que você falou pra Mione e Ron que tinha que resolver algumas coisas e sumiu da Inglaterra por dois meses? - Gina perguntou ainda emburrada, mas curiosa.

- É, foi por isso. Eu fui e fiquei esse tempo lá vendo o que tinha restado da minha família. Nós conversamos sobre várias coisas enquanto eu estive lá, desde porquê ele resolveu se mudar pra lá até sobre Damas Vermelhas.

Harry fez uma pausa e olhou para as outras pessoas que estavam na cozinha. Gina e James pareciam confusos, sem ter certeza de como aquilo tinha alguma coisa haver com o que aconteceu, mas Rose tinha os olhos brilhando pela informação nova. Realmente era filha da sua melhor amiga.

- E o que são Damas Vermelhas? - ela perguntou sem conseguir se segurar.

- Eram as amantes ruivas dos Potters. Isso começou há muito tempo, quando uma bruxa ruiva se apaixonou por um Potter, mas ele já era casado com outra mulher. Mesmo assim a mulher declarou seu amor e, meu ancestral, brincou, dizendo que preferia morenas. - ele deu um sorriso - Brincadeira infeliz que fez a louca por amor jogar uma maldição em todos os Potters e criar uma certa... Hm, preferência por ruivas no sangue da família.

- Então é por isso que ele foi no meu quarto ontem? - Rose perguntou pegando uma mecha do cabelo - Por que eu sou ruiva? - ela perguntou sem saber ao certo como deveria reagir.

- Acredito eu que sim, nós não nos aprofundamos no assunto e eu já tinha Gina, então não perguntei muito sobre isso. - ele falou pedindo desculpas com o tom da sua voz. - Eu acho que seja isso porque você e James nunca deram qualquer sinal de que nutriam sentimentos um pelo outro, então ontem a noite foi algo fora do comum, provavelmente causado pela maldição.

- Mas por que eles não se casavam com essas ruivas ao invés de deixarem elas como amantes? - James perguntou.

- Para manter o sangue-puro. - Harry admitiu, envergonhado - Eles tinham filhos legítimos com morenas e loiras, mas mantinham uma amante ruiva pela maldição.

Ok, era muita informação e isso porque ela nem sabia de tudo. Rose apoiou a testa na mão e suspirou. As férias não podiam ser melhores, pensou sarcástica. Seu primo invadiu seu quarto e transou com ela só porque o cabelo dela era vermelho! Que coisa mais sem sentido!

- Então a culpa não foi minha! - James respondeu - Foi essa maldição que me fez correr atrás da Rose.

- Eu acho que pode ter sido a maldição. E eu não corri atrás da sua mãe. - Harry respondeu, não querendo tirar a culpa do seu filho.

- Na verdade foi ao contrário, eu fui quem gostou do seu pai desde o início e corri atrás dele. - Gina falou pensativa.

- Talvez fosse por isso que tio Harry não fez nada com você. - Rose falou como se fosse óbvio - Ele já sabia que você seria sua Dama Vermelha ou qualquer coisa assim, então a maldição deve ter sido acalmada e ele pode salvar todo o mundo bruxo. Mas eu e James nunca fomos mais que primos, então o lado amaldiçoado dele resolveu... - ela mordeu o lábio. Ela não podia falar estuprar, porque não tinha sido bem assim, em algum momento ela tinha deixado ele fazer o que queria com ela.

- Resolveu tomar você. - Gina completou.

Sua sobrinha apenas concordou com a cabeça e olhou para o que sobrava do seu café-da-manhã, sentindo seu estômago se contorcer.

- Mas você não estava sobre nenhuma maldição! - James acusou.

- Ah, então agora a culpa é minha? - Rose revidou, cansada desse assunto.

- Bem, você não reclamou ontem a noite. Se você não tivesse sido tão fácil eu pudesse voltar a tomar o controle das minhas ações e nada disso estaria acontecendo! - a ruiva levantou-se da mesa em um salto e ele acompanhou seu movimento.

- Eu queria te empurrar. Quando você me agarrou eu tentei te empurrar, mas quando... - ela olhou para o chão envergonhada e sentindo-se atacada pelas palavras do primo - Quando você me beijou por algum motivo parecia que uma névoa cobria minha mente e eu só conseguia corresponder.

James fez um barulho com a boca que dizia claramente que ele não acreditava naquilo. Em uma explosão de raiva Rose jogou a cadeira no chão. Ah, mas é claro que era muito mais fácil jogar a culpa toda nela! Antes de sair da cozinha se virou e viu dois pares de olhos acusadores a olhando.

Ótimo, agora ela era a culpada.


N/A .: Uffa! Fiquei feliz com as reviews! *-*

Achei que minha loucura de fazer essa fic fosse ser ignorada pelos seres vivos desse site. kkkk

Sim, as coisas não vão ser le mar de rosas com beijos e carinhos. Essa porra dessa maldição ainda vai encher muito o saco.

Ah, e peço desculpas pelas vírgulas, pontos e qualquer outro erro. Não escrevo faz muito tempo, então perdi algumas manhas D:

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