Culpa
Depois de ter sido acusada de ter sido fácil, ela subiu as escadas correndo e deu de cara com Albus e Lily no corredor, olhando para qualquer lado, menos para ela, fingindo que não estavam tentando ouvir a conversa. Pelo menos eles não ouviram, ou também a estariam chamando de fácil também. Foi em direção ao seu quarto ignorando os dois.
Fácil!
Ela não se lembrava de ter sido tão ofendida! Diferente da maioria das garotas, seu corpo demorou mais tempo para amadurecer e por isso os meninos só foram prestar atenção nela depois de algum tempo, então sua paixão adolescente tinha demorado muito tempo pra notar a existência dela. E nem mesmo para ele, Theon Semple, ela foi fácil.
Bateu a porta do quarto de hóspedes e trancou-a com um feitiço. Quando se jogou na cama e aninhou-se contra seu travesseiro ela sentiu vontade de chorar, mas ignorou a vontade e apenas deitou de barriga para cima, mirando o teto branco.
James e Gina achavam que a culpa era dela e o último olhar que recebeu deles na cozinha deixava isso bem claro, mas seu tio não parecia convencido disso, para sua sorte. Ela até entendia sua tia, quem ia querer acreditar que seu bebê atacou a prima dele, afinal? Mas James devia saber, ele devia entender ela ou pelo menos tentar.
- Estúpido! - ela gritou querendo que ele pudesse ouvi-la.
Quando Rose saiu como um tornado da cozinha ele não se sentiu tão satisfeito quanto deveria por ter mostrado que a culpa não era só dele. Ela também tinha meio que colaborado para tudo o que aconteceu.
Sentiu um tapa ser dado na parte de trás da sua cabeça.
- Ouch! - gritou e passou a mão pelo local que latejava - Por que você fez isso? - ele perguntou para seu pai.
- Porque você foi um imbecil. Ao invés de jogar a culpa nela vocês deveriam se ajudar. - Harry retrucou.
- Ajudar? Não tem nada mais que eles possam fazer a não ser esquecer isso. - Gina falou ainda olhando para a porta, como se Rose ainda estivesse ali - Eu amo Rose, mas não acredito nela.
- Eu acredito. - seu pai respondeu, pegando sua mãe de surpresa. - Mesmo que você não tenha sentido a mesma coisa comigo, eu confio nela, até porque a situação deles é totalmente diferente da nossa.
A boca de Gina se abriu e por um momento ela ia responder, mas resolveu não brigar com o marido. Ela iria começar uma briga à toa, já que sua verdadeira irritação era com a situação entre James e Rose.
- Por que você nunca falou disso com os meninos se você sabia da maldição, Harry? - perguntou com a voz baixa, respirando fundo pra se acalmar.
- Porque não é algo relevante. Qual seria o problema dos meninos se casarem com uma ruiva? Nenhum. Só ia criar uma neurose nos dois se eu avisasse que eles iam conhecer uma ruiva e de repente querê-la para sempre. Eu teria avisado se soubesse que isso podia acontecer entre membros da família.
- Opa, opa. O que você quer dizer com para sempre? - James perguntou não gostando muito de como aquela palavra lhe saiu pelos lábios. Era muito tempo esse para sempre.
- Bem, os Potters antigos mantinham sempre a mesma amante ruiva pelo que Bernard me disse e meus pais ficaram juntos até o último momento. Eu pretendo ficar com sua mãe até o último momento também, James.
- Então eu vou ter que ficar com a Rose para sempre? - perguntou se sentindo surpreso, infelizmente não conseguia sentir a repulsa que queria. Aquilo não podia estar acontecendo com ele.
- Não sei, mas os relatos não estão a seu favor. - Harry falou olhando para a esposa que parecia tão feliz quanto seu filho com essa notícia. Podia ser pior, mas ele não ia falar isso, já que Gina e James não pareciam pensar assim.
A mulher suspirou e se levantou da mesa, cansada dessa conversa. Não era muito do feitio dela fugir de um assunto, mas aquilo estava pegando nos nervos dela, e não só por James e Rose agora. Não podia acreditar que Harry só estava com ela pela maldição. Talvez não fosse só por isso. Mas talvez fosse. E a segunda opção doía demais. Saiu da cozinha sem falar mais nada e foi para seu quarto, cansada.
- Mulheres e suas saídas dramáticas. - o mais novo Potter resmungou.
Harry até que tentou sorrir para o filho, mas não conseguiu porque ele sabia exatamente o que sua esposa estava pensando e não podia culpá-la. É claro que essa dúvida ia surgir na sua cabeça e talvez aquele também fosse um dos motivos pelo qual ele não falou sobre isso mais cedo. Ao menos ele sabia a verdade, ele a amava. Ruiva, loira, morena, ele amava Gina pela personalidade dela.
- Vai pedir desculpas para Rose? - O Menino-Que-Sobreviveu perguntou como se não soubesse a resposta do filho.
- Eu não. - ele resmungou - Ela não devia ficar irritada só porque eu falei a verdade.
- Você não sabe a verdade. - Harry falou enquanto ajeitava a mesa que a esposa tinha deixado - Talvez o que ela disse seja verdade e a culpa não seja toda de vocês dois. Se for a maldição mes-
- Como assim se for a maldição? É óbvio que é! Por que outro motivo eu iria procurar Rose sem saber muito bem o que eu estava fazendo? Eu me sentia quase sobre um Imperius. Eu sabia o que eu estava fazendo, mas não conseguia me impedir. - o filho retrucou.
- Rose já é uma mulher, James. - Harry respondeu - E bem bonita. Não é como se todo mundo precisasse de uma maldição para perceber isso.
Por um momento o mais novo ficou sem fala e se pegou pensando na prima. É, ela não era nada mal mesmo. Balançou a cabeça e lançou um olhar irritado para seu pai ao perceber que ele sorria olhando pra ele, como se soubesse o que estava pensando.
- Como eu ia dizendo, se for a maldição mesmo você deveria culpar a bruxa que a lançou e não sua prima.
- Culpar a feiticeira que fez isso não vai adiantar nada. - falou quando Harry virou-se para a saída da cozinha.
- Culpar Rose também não.
James bufou e viu seu pai começar a caminhar para sair da cozinha, mas o chamou. Ele tinha quase certeza de que era a maldição e, como seu pai não sabia muito do assunto, ele ia precisar de ajuda. No batente da porta o mais velho se virou e esperou seu filho falar.
- Qual é mesmo o nome do parente que você foi visitar? - perguntou inseguro.
- Bernard Potter. Se quiser pode usar Voss, ela sabe o caminho até a casa do seu tio avô, já que foi com ela que nós combinamos minha estadia. - e com um último sorriso ele deixou o filho na cozinha.
Mas é claro que seu pai sabia o que ele estava pensando. Ficou grato de que fosse Voss a coruja usada já que a outra, Melva, nunca foi muito com a cara dele e sempre lhe deixava com a mão sangrando.
James sorriu e foi até o escritório do seu pai, onde Voss ficava em uma gaiola, pegou um tinteiro e uma pensa, pronto para escrever uma carta para Bernard. Primeiro explicou quem era e comentou o que seu pai contou sobre ter ido à Alemanha. Depois, em um parágrafo que ficou bem maior do que ele tinha planejado, explicou o que aconteceu e o que seu pai explicou para ele. Por fim pediu mais informações sobre a maldição.
Enrolou o pergaminho, selou e depois o deu a Voss mandando a coruja entregar para Bernard. Em resposta ela lhe bicou os dedos gentilmente e saiu voando pela janela. Só quando ele a perdeu de vista saiu do escritório.
Em um momento se viu querendo passar pelo quarto de hóspedes e quem sabe dar uma espiada no que Rose estava fazendo, mas resolveu deixá-la em paz por enquanto. Vai que ela ainda estava super sensível.
Quando ela ouviu o clik que a porta fez depois de ser destrancada, abriu os olhos e pegou a varinha que estava no lado do seu travesseiro. A porta abriu e ela continuou deitada na mesma posição, esperando a pessoa chegar mais perto. Quando ela viu cabelos negros bagunçados e óculos quadrados, sorriu e largou a varinha.
- Espero não ter te acordado. - Albus resmungou sentando-se na beirada da cama.
Como um bebê Rose enrolou seus braços na cintura do seu primo e o puxou pra mais perto. O moreno apenas bagunçou o cabelo dela e a fez sentar-se na cama. Rose sentou-se mesmo que precisasse se aninhar a alguém.
- O que papai queria com você e James? Meu irmão fez algo de errado com você? - a ruiva sorriu.
Nunca podia ser ela a fazer algo de errado. Tinha que ter sido James quem implicou com ela ou pregou uma peça, sempre foi assim. Infelizmente ela também tinha feito algo de errado dessa vez.
- Mais ou menos. - resmungou e abaixou o olhar.
Seu cabelo vermelho caiu sobre seus ombros e lhe cobriu parte do rosto. Albus tirou o cabelo que cobriu seu rosto e botou atrás da orelha dela, depois levantou seu rosto pelo queixo. Ele estava sorrindo e ela também sorriu porque Albus era seu primo e seu melhor amigo, ele se preocupava com ela de verdade. Por um momento perguntou-se porque a maldição que tinha nele não a tomou primeiro que a de James.
- Não quer falar? Tudo bem. Mas eu não vou deixar você ficar deitada aí o dia inteiro.
Rose apenas sorriu. Devia ter no máximo uma hora desde que ela estava deitada e ele já exagerava dizendo o dia inteiro.
- Não há nada pra fazer, mas já que você está aqui tenho certeza de que já tem uma programação pra nós dois. Então o que você sugere? - perguntou sorrindo. Ela conhecia Albus como sua palma, eles cresceram juntos e em todo esse tempo nunca deixaram de ser amigos.
- Primeiro eu pensei em nós irmos para o meu quarto, deitarmos na minha cama com um balde de pipoca e quem sabe assistir algum filme de comédia forçada que você tanto gosta. - ela gostou desse plano - Depois podemos nos arrumar, almoçar e sair para encontrar Scorpius. O que acha da sua programação para o dia?
Considerando que no dia seguinte ela ia ter que passar o dia todo estudando e precisava relaxar, Rose não pensou duas vezes.
- Perfeita.
Ele só estava ali porque para chegar no seu quarto ele tinha que passar por aquele corredor e não porque ele esperava que Rose saísse do quarto enquanto ele estivesse ali. Talvez ele estivesse andando um pouco mais devagar do que o necessário, mas não era por isso. Ele já tinha passado do quarto dela e estava se controlando para não virar a cabeça e ficar observando a porta, esperando que ela saísse.
Quando ouviu a porta do quarto se abrindo ele se virou já esperando vê-la, não sabia porque estava tão desesperando. Ele estava querendo ver Rose mesmo depois dela ter botado a culpa nele e não se importava com isso. Tinha que ser a maldição.
Qual não foi a surpresa dele ao ver Albus saindo do quarto de Rose com a própria garota dando as mãos para ele, ambos rindo. Eles nem perceberam James ali, já que seguiram na direção contrária, indo para o quarto de Albus aos risos.
Ele sentiu algo parecido com um rosnado querer deixar sua garganta, mas se impediu, com medo de que eles o vissem. E ele também não era nenhum tipo de cachorro no cio pra ficar rosnando por aí.
Quando os dois finalmente entraram no quarto do seu irmão, James revirou os olhos e tentou ignorar a queimação que sentia no estômago. É só por causa da maldição, ele se consolou. Nunca tinha tido ciúmes de Rose. Pensar que era só porque os cabelos dela eram vermelhos e uma louca decidiu que seria muito legal fazer todos os Potters terem uma tara por ruivas que ele estava assim.
Voltou a caminhar para seu quarto e viu que sua irmã estava na porta do dela, observando a cena como se soubesse o que estava acontecendo. Exibia um sorriso pomposo, braços cruzados e corpo apoiado na porta com pés cruzados, típica pose em que ela achava que parecia legal.
- O que foi, Lily? Não tem nenhuma revista idiota pra ler? - perguntou e, sem resposta, seguiu para seu quarto, tentando ignorar a irmã.
N/A.: Não muito grande devo admitir, mas deixou algumas coisas claras. Tem bem mais coisa por vir... :3
O próximo, em compensação é o maior que eu escrevi até agora.
