Curiosidade

Talvez ela não tivesse bochechas tão grandes quanto as de Molly, mas com certeza ela sabia o que fazer com a boca. Ele olhou para baixo e viu o vermelho escorrendo pelas suas costas, balançando levemente pelo movimento da cabeça dela. Jogou a cabeça pra trás e enterrou suas mãos nos fios ruivos, empurrando a cabeça dela.

Rose não parecia se importar porque quando ele a olhou o olhar que ela tinha mostrava apenas desejo.

Ele não conseguiria aguentar mais, quando veio olhou para o vermelho e afundou no prazer.

Merda! Acordou sobressaltado, olhando para todos os lados e, para o mais importante, o lugar no meio das suas pernas. Pelo que parecia os sonhos ainda estavam tendo um efeito nele.

Resmungou e saiu da cama.

Tinham se passado cinco dias desde que ele não dormia com ela e os sonhos eróticos eram cada vez mais reais. A maldição conseguia cada vez mais fazer efeito nele e James se pegou pensando em coisas estúpidas como, por exemplo, como o nome dela soaria se fosse Rose Potter ou com quem seus bebês iriam parecer.

Estava lunático, precisando de ajuda urgente.

Felizmente, quando saiu do quarto para ir tomar um banho não encontrou sua mãe no corredor. Tirou as roupas rápido e jogou tudo no cesto, acordava todas as noites ensopados, se não de suor, de seu próprio sêmen. Era extremamente errado sonhar com sua prima e, só com esses sonhos ter um maldito orgasmo. Era a maneira mais submissa que ele já esteve com uma mulher e seria mais humilhante se seu cérebro se concentrasse menos na ideia de como Rose ficaria sexy no comando.

Entrou na ducha e não demorou, por mais que quisesse. A parte obsessiva louca dele tinha que revirar cada canto da casa para ter certeza de que a ruiva não estava lá, por mais que seu lado racional soubesse que ela estava no curso.

Se trocou e, depois de ser praticamente obrigado a vasculhar sua casa, foi tomar café.

- Está procurando alguma coisa, James? - sua mãe perguntou quando ele passou pela sala.

Ela estava vendo algum programa culinário na TV e tinha um laptop no colo. Ele gostava das parafernálias trouxas, mas sua mãe pareceu criar a fixação que seu avô tinha. Provavelmente ela estava escrevendo a próxima matéria para o Profeta Diário.

- Não. - falou enquanto ia para a cozinha.

- Então por que todo dia você entra em todos os cômodos da casa? - ela gritou da sala.

Ótimo, ou ele explicava ou dava uma desculpa.

- Ah, isso? É que eu to procurando uma blusa minha e às vezes os elfos botam no lugar errado minhas roupas. - ele gritou de volta.

- Mas você disse que não estava procurando por nada! - sua mãe gritou de volta.

- Eu não lembrava da blusa, mãe. Agora deixa eu comer! - respondeu irritado.

Desde que a maldição foi lançada ele sempre tinha metade do seu ser pensando em Rose e a outra metade pensando em como ela estaria, então inventar desculpas nunca foi mais difícil.

Por incrível que pareça Gina o deixou quieto.

James aproveitou e tomou o café mais lentamente do que estava acostumado. Era bom estar de férias, mas uma parte dos seus amigos estavam viajando com as namoradas e a outra viajou junta. Ele tinha falado que iria encontrar os que viajaram sozinhos depois, mas agora não conseguia pensar em deixar a Inglaterra com Rose ainda aqui.

Ela era como uma âncora que o deixava parado.

E então a primeira coisa animadora aconteceu no dia. Ele ouviu um pio de coruja e Voss entrou pela janela, pousando na mesa e quase derrubando seu copo, mas James estava tão feliz que apenas ignorou e pegou a carta amarrada na pata da coruja. Mal percebeu que ela começou a comer seu café.

James Potter,

É bom conhecer você, mesmo que por carta, meu jovem. Devo dizer que não esperava uma carta sua ou de seu pai até o dia de minha morte, mas estou feliz que recebi Voss novamente em minha casa.

Pelo que você disse me parece que foi a maldição mesmo que fez efeito, mas se quiser confirmar mesmo existe um feitiço para checar se você está sobre uma maldição. Se ela for ativada a pouco tempo provavelmente vai aparecer que você está, depois de um tempo, porém, ela começa a fazer parte de você.

Sem querer enrolar mais: A maldição. Primeiramente, temo que a maldição não possa ser desfeita. A única pessoa que podia ter feito isso ou era a feiticeira que a botou o primeiro Potter que a recebeu, mas como nenhum deles fez questão e ambos estão mortos, você terá que viver com isso. Devo acrescentar também que não se pode mudar a ruiva uma vez que a maldição se perpetua por ela, só se ela morrer, mas acredito que não vá matar sua prima. E, sim, a maldição faz efeito enquanto você estiver vivo, então provavelmente vai ser para sempre.

Sobre a sua pergunta de laços familiares, essa é a terceira vez que Potters ativam a maldição com primas, pelas minhas pesquisas, mas nunca vi com irmãs ou qualquer outro parente de sangue.

Com o tempo, a maldição só vai ficando pior e, quanto mais carícias vocês trocarem, mais laços vocês vão ter. Já que esse foi um dos pontos em que você parecia mais focado em falar, talvez seja por isso que ela dormiu com você, os resquícios da maldição podem tê-la feito se sentir da mesma maneira que você.

Fiquei surpreso ao descobrir que você foi tardiamente atingido pela sina dos Potter, geralmente se descobre no final da adolescência e não quando já se é um adulto com vinte e um anos. Talvez isso seja porque vocês sempre se viram como primos, mas devo avisar que isso pode fazer suas reações ficarem mais exageradas, já que a maldição está atrasada ela pode atacar com mais força que o normal.

Com o tempo você deve conseguir controlar mais a maldição e assim que sua prima firmar uma relação com você as coisas devem ficar mais calmas para você.

Peço desculpas pelo tempo que demorei para responder, mas deixei sua coruja descansar um pouco, a viagem é longa e cansativa. Qualquer outra dúvida pode me mandar outra carta, estarei feliz em responder.

Atenciosamente,

Bernard Potter

É claro que ele já tinha descoberto algumas coisas, como que não se podia trocar de ruiva, mas mesmo assim gostou de ter a confirmação de tudo na carta. Dobrou o pergaminho e foi até seu quarto deixá-lo na sua mesa de cabeceira.


Os dias iam melhorando a cada dia mais longe da noite em que a maldição se desencadeou e Rose agradecia por isso. Ela já conseguia prestar atenção nas aulas e responder as perguntas, como estava acostumada, e bem a tempo das provas do período começarem.

Ela e James não estavam mais se evitando e agiam educadamente um com o outro, ainda bem, já que ela não ia aguentar aquela tensão que geralmente ficava quando os dois estavam no mesmo cômodo.

- Rose? - ela revirou os olhos e continuou tentando andar, já que estava na hora de voltar para casa - Rose! Espera! - ele gritou e pegou seu braço.

- O que é Charles? - ela perguntou.

Tudo bem, Molly não contou o que houve pra ninguém da família, mas podia ter contado e aquilo não ia ser algo que ela gostaria de ver acontecer.

- Você tem me ignorado desde segunda. - ele resmungou - Já pedi desculpas!

- É mesmo? Bem, venha me pedir desculpas se Molly contar pra minha família toda o que eu contei pra você porque eu confiava que isso ficaria só entre nós dois.

- Ah, Ro, para com isso. - ele pediu fazendo os olhos de cachorro abandonado.

Ela tentou desviar o olhar, mas ele pegou seu rosto e virou em sua direção. Bufando, ela olhou para os olhos brilhantes castanhos dele e sorriu. Ele era seu amigo, ela não conseguia ficar irritada com ele, ainda mais agora que Molly não falou nada para ninguém era como se nada tivesse acontecido e ela estivesse ignorando ele à toa.

Suspirando derrotada, Rose o abraçou sem se importar se o seu peso mais o da sua bolsa quase o fez cair. Ele a abraçou de volta e começou a rir.

- Não consigo ficar irritada com você e essa é a sua sorte, Char. - ela falou se soltando dele - Mas para me compensar por todos os dias longe de você eu vou obrigar você a me levar pra tomar um chá. - sorrindo, ela pegou a mão dele e o puxou.


Já estava tarde e ela ainda não estava em casa. Todos já tinham chegado em casa, até Lily que sempre era a última, e Rose ainda não. Ele estava sentado no sofá olhando para seu relógio de pulso a todo segundo.

- Ela vai chegar logo. - seu pai falou sentando-se do lado dele.

- Não sei do que você está falando. - respondeu sem se importar com o sorriso que Harry deu.

- Claro que sabe. Está esperando Rose, ela está fora do horário dela e por isso você está esperando por ela. Não é vergonha. - seu pai falou agora se levantando, só foi ali para falar um pouco com ele - Sua mãe disse que você recebeu uma carta hoje de manhã, foi a de Bernard?

- Foi. Ele me enviou detalhes da maldição e também falou que existia um feiti-

Assim que a porta da frente foi aberta ele parou de falar e todas as sensações que sentia quando Rose estava perto o invadiram. Uma, particularmente, mais forte que todas as outras: alívio.

- Bem, depois você me conta. Boa noite, Rose. - ele falou educado e foi embora deixando apenas os dois na sala.

A menina lançou um olhar estranho para seu tio, mas depois deu de ombros. Já ia passando para subir para seu quarto, quando James a chamou. Não é como se ela ficasse nervosa no mesmo cômodo que ele, isso já tinha acabado a um tempo, mas ela estava realmente cansada.

- Sim, James? - ela virou-se para ele.

- Pode vir aqui um segundo? - pediu e ela apenas cedeu, sentando-se do lado dele sem entender muito bem sobre o que aquilo tudo se tratava.

- Você estava me esperando? - ela perguntou.

Pela primeira vez ela viu James corar e achou graça. Então percebeu que ele estava com um pergaminho nas mãos.

- O que é isso? - perguntou tirando a bolsa e botando-a perto da mesa de centro da sala.

- Uma carta. Eu enviei Voss para a Alemanha atrás do meu tio que sabia da maldição no mesma manhã em que meus pais souberam. Ele enviou a resposta agora e como você também faz parte da maldição, pode ler. - ele entregou a carta pra ela.

Rose pegou o pergaminho e passou os olhos rapidamente por ele, curiosa sobre a maldição. O moreno percebeu várias emoções se esboçarem no seu rosto em formato de coração. Alguma delas foram vitória, apreensão e um pouco de diversão, então ela finalmente terminou de ler e entregou a carta pra ele.

- Sinto muito. - ela falou parecendo realmente sentir.

- Pelo que, exatamente?

- Por você estar preso comigo pra sempre. - ela resmungou - Pela maldição não poder ser quebrada, por... Eu não sei. - por um momento ele achou que ela fosse começar a chorar.

Ela sentia algum aperto estranho no peito, algo meio melancólico quando ela pensou que talvez se ela não estivesse na casa dos Potters tudo seria diferente. Respirando fundo, ela tentou não chorar, não sabia porque, mas aquela vontade veio forte e ela teria que ser mais forte ainda para impedir-se de deixar as lágrimas escaparem.

- Rose? - ele perguntou e tocou sua bochecha, só para fazê-la perceber que ela já estava chorando.

Ótimo!

Em um ato meio involuntário ele a envolveu em um abraço e Rose não pode não corresponder.

- Eu não sei o que fazer. - ela confessou em uma voz baixa e incerta.

Rose Weasley não sabia o que fazer, o que falar ou pensar, aquilo era um feito inédito em que ela perdeu todas as habilidades de que tanto se gabava de dominar. Os braços dela também o envolveram e ele sentiu algo apertar mais no seu peito.

- Se te consola, eu não me sinto tão mal por isso. - ele murmurou.

E aquilo era verdade. Com ela tão perto dele, mais do que nunca a maldição o inebriava e a única coisa que parecia existir no mundo era Rose. Aquilo era estranho e ele provavelmente ia demorar a se acostumar, mas era bom se sentir tão seguro perto de alguém.

Ele não teve muitos relacionamentos, preferia não ter compromisso, e levou quase nenhum a sério, então se sentir tão tranquilo ao lado de alguém que não fosse seu amigo ou seus pais era estranho. Uma sensação totalmente nova, assim como a adoração que ele parecia sentir por ela, era tudo surreal pra quem não tinha muita experiência em ter alguém como o centro do seu mundo.

- Claro que não, - ela deu uma risada seca - você tem a maldição. Eu não sei o quão forte ela é, mas você tem sido ótimo comigo, então eu imagino que ela esteja realmente fazendo efeito.

- É meio assustador às vezes. - ele falou sorrindo - Ainda mais pra mim.

Ela saiu do abraço dele e um vento frio preencheu o lugar que antes ela estava. Rose tirou os cabelos do rosto e deu um sorriso pra ele.

- Bem, pelo menos a carta prova que eu não tive muita culpa nem escolha naquela noite.

Ele deu um meio sorriso e desviou o olhar. E então Rose pensou: se ela só tinha sido atingida por um resquício da maldição, como deveria estar James que tinha a praga inteira sobre ele? Um brilho que sempre havia no olhar dela em uma aula apareceu de repente: curiosidade.

- Como é?

- O quê?

- Isso.

- A maldição?

- É. Como você se sente quando eu estou por perto? - ela perguntou se aproximando.

Meio sem-graça com o repentino interesse da sua prima ele não soube o que falar.

- Não vou te falar. - ele revirou os olhos.

- Ah, por favor, Jay! - ela pediu imitando os olhos de cachorrinho que Charles sempre fazia com ela.

Só que seus olhos eram azuis da cor do céu depois que o sol se põe e brilhava como se tivesse realmente cheio de estrelas. James corou novamente e desviou o olhar.

- Tchau, Rose. - ele falou se levantando do sofá e passando por ela.

- Não! - ela gritou e pegou seu braço, o puxando.

Ele caiu meio desajeitado no sofá e ela soltou uma risada. Depois dele lhe lançar um olhar reprovador ela parou, por mais que ele achasse que ela ficava adorável rindo.

- Prometo que não vou rir ou ter qualquer outro tipo de comportamento que você não aprove. - ela falou sorrindo.

- Você vai achar idiota. - ele resmungou e se ajeitou no sofá.

- Não vou, juro, James. - ela falou agora séria - Me conta.

Ele deu um suspiro e jogou a cabeça para trás, olhando o teto.

- É estranho explicar. Meu estômago se torce, meu corpo formiga, meu corpo fica tenso, mas minha mente relaxa. Às vezes eu quero continuar perto, mas às vezes eu só quero sair de perto de você e do que eu sinto. - ele falou ainda olhando para cima - Acho que é assim que alguém apaixonado deve se sentir. - ele falou coçando a cabeça, sem perceber o que tinha acabado de falar.

Rose olhava pra ele com os olhos arregalados. O moreno virou a cabeça na direção dela e a olhou, fazendo Rose corar. O rosto dela estava surpreso e ele achou graça da reação dela.

Dessa vez ele estava consciente, ou tão consciente quanto se podia estar com a maldição. Ele se moveu e ficou de frente para ela. Uma mão dele se afundou no vermelho da cabeça dela e a puxou. Rose continuava quieta e surpresa.

Ele demorou, mostrando claramente o que ia fazer e ela não se moveu. Sem querer perder mais tempo, ele desceu sua cabeça na direção da dela e a beijou. A outra mão dele pousou na cintura dela e as mãos dela foram para os pulsos dele, mas em momento nenhum ela tentou se afastar do que ele lhe estava proporcionando.

Fosse o resquício de maldição, fosse a tristeza ou a confusão, ela o beijou sem culpa.


N/A: Três mil palavras de NADA. De verdade. Nada, nada e nada. Nada aconteceu nesse capítulo '-'

Nossa, encher linguiça é um dom kkkk