Correr

O café foi uma bagunça total, como sempre era aos finais de semana. Ao contrário dos Potters, que sentavam-se a mesa e deixavam elfos (assalariados, é claro) lhes servir a comida, os Weasleys tinham um jeitinho próprio de fazer o desjejum. Ficavam em pé, rondando pela cozinha e derrubando coisas, já que todos tinham um certo quê para serem desastrados.

- Ron! - sua esposa gritou quando ele jogou os farelos no chão.

- Desculpe, Mione. - ele respondeu com a boca cheia e recebeu uma careta de sua esposa em resposta, o que fez com que Rose e Hugo rissem.

- Vamos logo, vou botar os pratos na pia! Encham as bocas! - Hermione falou e Hugo ainda conseguiu engolir um último pedaço particularmente grande do waffle antes de seu prato acabar na pia, sendo ensaboado e lavado por mãos invisíveis.

- Mamãe! - ele resmungou com a boca cheia.

- Se eu fosse você eu ia beber logo, porque assim que eu terminar com os pratos seus copos são meus. - ela falou sorrindo, o que fez com que Hugo quase babasse enquanto tentava desengasgar com seu suco.

Ron estava na mesma situação, o que tornava tudo mais engraçado, só que o homem já tinha aprendido que não adiantava nada reclamar com a esposa. Rose apenas riu dos dois, já tinha terminado seu café fazia tempos.

Assim que o último prato foi botado no escorredor, os copos voaram em direção a pia e também foram lavados. Nessa hora Hugo e Ron já tinham terminado suas bebidas e estavam rindo bobos com a barriga cheia do café da manhã.

- Vocês dois, agora que terminaram de comer, podem ir embora da minha cozinha. - Hermione falou brincando, mas os dois saíram e foram para a sala ver algum canal de esportes, discutindo no caminho sobre times que Rose não fazia a menor questão de acompanhar.

Ela podia estar feliz e sorridente com o café, que foi exatamente como sempre era, o que a fez pensar que talvez tudo não fosse mudar entre ela e seus pais, mas não seria inocente de não perceber o que sua mãe tinha feito. Talvez eles tivessem combinado isso, Hermione sempre foi quem melhor se comunicava com os filhos.

Na verdade, quando se tratava de comunicação em geral, era ela quem melhor do casal lidava com essa parte.

- Ok, pode falar. - Rose disse quando ouviu o barulho da televisão vindo da sala, não muito alto, mas a possibilidade de seu irmão e pai as escutarem falando era bem perto de nula. - Eu sei que você não mandou eles irem embora e papai não saiu facilmente por qualquer banalidade.

Hermione sorriu e sentou-se na bancada, onde Rose estava apoiada, não fazia questão de sentar para comer, preferia andar pela cozinha.

- Bem, se não tivesse percebido ia ficar meio decepcionada com você, Rosie. - ela falou carinhosamente e acariciou a bochecha da filha.

Elas eram bem parecidas, a menina era quase uma versão ruiva de olhos safiras da mãe, mas suas bochechas mais redondas e o formato de coração do seu rosto vinham dos Weasleys. Os cabelos revoltos eram iguais, o nariz arrebitado e o sorriso. Iguais. Todos falavam isso, mesmo com as diferenças claras.

- Ah, Rosie... - a morena suspirou cansada - Eu sei bem que Gina exagerou, ela é uma leoa louca quando alguém se mete com um dos filhotes dela e eu até entendo, mas quero que você saiba que, se em algum momento ela te prejudicar ou machucar, vou lutar como uma leoa por você, bebê.

Rose sorriu e sentiu lágrimas nos olhos, mesmo que não fosse liberá-las. Estava precisando disso, de apoio, precisava de alguém que ficasse com ela e a protegesse. Deveria saber que sua mãe sempre seria essa pessoa. Quando se jogou nos braços de Hermione a cadeira deu uma bambeada, mas nenhuma das duas se sobressaltou.

- Mãe, - ela choramingou - que saudades.

Hermione sorriu e passou a mão pelos cabelos da filha, beijando a testa da mesma quando ela se afastou um pouco do abraço.

- Também, querida. Mas agora preciso que você me conte o que aconteceu de verdade e, por favor, não me venha com essa história de amor.

Aquilo fez ambas rirem, por mais patético que fosse.

- Começou um semana antes de vocês chegarem só. - Rose começou a contar, mas então parou, pensando como ia contar o que realmente aconteceu, incluindo o que começou isso tudo, ele invadindo o quarto dela no meio da noite.

- Sim, pode continuar. - Hermione falou ao perceber a hesitação da filha.

- É... Bem, ele meio que entrou no meu quarto no meio da noite tomado pela maldição que o tio Harry falou, aquilo é verdade sim, e parece ser bem poderosa também. - olhou para a porta aberta da cozinha temerosa, mesmo que seu pai e irmão não pudessem ouvir ela não estava afim de olhar para a mãe.

A morena soltou um 'oh' de compreensão.

- Entendo. - falou com o tom de quem estudava um caso particularmente complicado - E depois que isso aconteceu, o que houve?

- Tio Harry foi me acordar no dia seguinte e encontrou nós dois juntos, depois do café ele falou para Gina e nós quatro tivemos uma conversa... - suspirou ao se lembrar das acusações que foram trocadas naquele dia - Depois disso eu me irritei e fui pro meu quarto porque acabamos brigando. Eles disseram que James estava sobre a maldição, então tinha motivo para ter feito o que fez, mas eu não! Disseram que eu queria aquilo! - ela falou um pouco mais alto, mas logo diminuiu o tom - James provou mais tarde que a maldição também se estende um pouco para a ruiva que o Potter escolhe. Mas como eu fiquei irritada quando eles insinuaram que a culpa era minha!

- Gina. - Hermione suspirou, conhecendo a amiga - Está tudo bem, Rose. - passou mais uma vez a mão pelos cabelos da filha. Pode continuar contando.

- Depois disso nossa próxima interação foi quando eu estava saindo pra almoçar com Charlie, meu amigo, e encontramos ele em um restaurante com Molly, nossa prima. Descobri que ele estava vendo se a maldição podia se estender para outras ruivas, mas pelo visto não deu muito certo. - ela lembrou-se dele seguindo ela depois deles saírem do restaurante e sorriu.

Hermione percebeu isso, mas não falou nada, apenas ficou quieta, esperando que a filha continuasse seu relato.

- Ele veio depois me mostrar uma carta que ele tinha mandado para o parente na Alemanha, pedindo algumas informações sobre a maldição e me mostrou as respostas. Nós terminamos nos beijando depois disso. - ela obviamente desviou o olhar de sua mãe quando deu a última informação, que nem era importante, mas ela não conseguiu omitir - Foi nessa carta que eu descobri sobre a maldição também me afetar um pouco, mas bem menos. E a próxima coisa que aconteceu foi a chegada de vocês, com ele me ajudando a arrumar minhas malas. - também a beijando e eles quase fazendo coisas impróprias, mas não ia falar isso para sua mãe, já se sentia exposta demais.

Hermione ficou em silêncio, pensando em tudo o que sua filha tinha lhe contado, mas ainda precisava saber um pouco mais, sempre precisava.

- Albus e Lily sabem do que está acontecendo?

- Não, nenhum dos dois sabem. Só tia Gina, que é completamente contra, e Harry, que tenta apaziguar as coisas.

- Mas no fundo ele é a favor, você sabe, não sabe? - Hermione perguntou como se fosse algo óbvio.

- A favor? Não diria isso, mamãe. - Rose falou incrédula.

Sua mãe suspirou, como se pensasse 'tolinha'.

- Rose, com quem James se parece? - começou com uma pergunta simples, não ia dar a resposta de cara para ela, ia fazer Rose pensar, nada seria acrescentado se ela não pensasse sozinha.

- Com tio Harry. Tirando os olhos que são castanhos, como o de Gina... Se bem que às vezes eles parecem ter um brilho esverdeado dos do pai. - se prolongou na resposta sobre os olhos dele mais do que deveria, mas sua mãe não parecia totalmente decepcionada.

- Sim, e, agora me responda, com quem Harry se parece?

- Bem, eu não saberia responder sozinha, mas pelo que todos falam ele se parece com o pai dele. - franziu a testa, pensando onde sua mãe queria chegar com aquela conversa.

- Exatamente, ele se parece com o pai, mas tem os olhos da mãe. O pai dele tinha olhos castanhos. - Rose não entendeu o porquê da ênfase - E como era a mãe dele, você saberia me responder, querida?

- Era ruiva, é claro, a maldição não deixaria ser de outra maneira. - ela respondeu.

- Ruiva com os olhos verdes de Harry, tinha acabado de se formar curandeira antes de morrer. - sua mãe completou como quem não quer nada.

A mãe de Harry então era ruiva e curandeira, enquanto seu pai era moreno de olhos castanhos. Então... A ficha finalmente caiu. Harry estava transferindo a lembrança de seus pais para eles dois. Podia ser sem querer, mas era algo que, se você parasse pra pensar, fazia total sentido. Era claro que sua mãe ia ter percebido o padrão.

A própria Rose era ruiva e estava se formando no curso de curandeira, enquanto James era a cópia do pai, que por sua vez era a cópia de seu pai, o que quer dizer que, além de se parecerem fisicamente, James também tinha os cabelos e olhos do avô.

- Não estou dizendo que é só porque é você, querida. Se James tivesse arrumado outra ruiva tenho certeza que Harry também ia idealizar a situação, como está fazendo agora, mas quero que você saiba o que está acontecendo. - Hermione disse ao ver sua filha, aos poucos, entender a verdade.

- Mesmo assim, mesmo sabendo o que tio Harry está fazendo, eu ainda me sinto feliz que ele não esteja louco de raiva como Gina, sinceramente.

Sua mãe sorriu, orgulhosa. Não queira que ela ficasse com raiva de Harry, de maneira nenhuma.

- Mas sobre a maldição, como isso funciona? Harry disse que a maldição 'escolheu' você e, pelo que você disse, ela não pode ser reprimida. Você já pensou sobre isso, Rose? Que James está preso eternamente com você e você talvez também esteja presa com ele, já que a maldição também te afeta? - podia ser brusco, mas ela era mãe, não ia enganar sua filha ou falar que estava tudo bem, não estava.

- Não, não pensei. - admitiu, tinha medo de pensar sobre isso - A maldição funciona como se eu fosse um planeta e James fosse o meu satélite, ele está sempre ao meu redor e nem sempre de uma maneira sufocante. Ele também está tentando lidar com isso da melhor maneira que pode, aposto. Ele está tentando lutar contra a maldição.

- Tenho pena dele, então, porque pelo que eu entendi vocês dois vão ficar juntos de qualquer maneira e precisam se acostumar com a ideia, Rose, a maldição não vai esperar.


Assim que acordou James não fez a menor questão de ficar em casa e ter que conversar com sua mãe, o que, claramente, era o que ela pretendia fazer assim que tivesse a chance de o pegar sozinho. Ele, sinceramente, não queria saber o que quer que seja sobre a opinião dela a respeito da maldição. O problema era dele e de Rose, que agora não estava mais ao alcance de suas mãos, então ele teria que lidar com aquilo sozinho por um tempo, não tinha certeza de quando ia ver ela novamente.

Aquilo era algo que fazia seu interior se contorcer, impossibilidade de tê-la a qualquer momento ao alcance dos olhos e a incerteza de quando será a próxima vez que eles irão se ver. Bem, ele ia aprender a lidar com aquilo... Esperava que aprendesse a lidar por toda a sua vida.

Quando ela estava longe, a maldição não tinha força total, mas ainda assim ela aparecia mais frequentemente do que seria saudável em seus pensamentos. Se a maldição dos Potters o atingisse com toda a força mesmo quando ela não estava por perto James ia virar um vegetal que só age em razão da garota.

Sempre que Rose estava por perto ele sentia vontade de tocá-la. Não importa se era só um toque leve no ombro nu dela (tinha que haver pele com pele) ou um beijo, mas a necessidade de ter algum tipo, qualquer tipo de contato era abrasiva e queimava quando ele não tinha seus desejos realizados. Já quando a prima estava longe, sua mente adorava rever os momentos em que esteve com ela, antes ou depois da maldição, e criar situações tão realistas que James se arrepiava só de pensar.

Mas agora ela estava longe e, se ele aprendesse a controlar sua mente, talvez as coisas ficassem melhores. Em casa era fácil se distrair com sua mãe gritando no seu ouvido. Seu pai não parecia querer tomar partido na situação e James agradecia por isso, só ia agradecer mais ao seu velho se ele conseguisse domar sua mãe para fazer o mesmo.

- Ei, Potter, olhos aqui. - ele seguiu a voz e encontrou Eddie jogando a goles para ele.

Por sorte tinha um bom reflexo e pegou sem problema a bola.

- O jogo começou, seu idiota! - o amigo gritou antes de avançar.

James sorriu e desviou de um garoto do outro time, que veio na sua direção como um touro louco. Tocou para Ruby, que era do seu time se não estava enganado e ela seguiu com o ataque.

Sempre que estava irritado podia contar com Eddie para organizar um jogo de quadribol no humilde quintal da sua casa que tinha um campo, só que em proporções menores. Mesmo assim era algo majestoso e fazia James se lembrar de Hogwarts.

Tudo bem que ele trabalha com quadribol, por Merlin, tinha uma hora que ele não queria jogar e estava fatigado demais, só que, quando estava sob estresse, era a melhor coisa do mundo. É claro que com os amigos ele não era tão competitivo, preferia brincar e testar jogadas individuais do time, mas como brincadeira apenas.

Demorou um tempo para limpar a mente o suficiente para jogar e quando o fez o outro time não teve a chance. Nenhum outro jogava profissionalmente, mas tentavam acompanhar seu pique o máximo e faziam um bom trabalho, talvez meio enferrujado, mas ainda assim um bom trabalho.

- Direita! - gritou pedindo a goles de Ruby.

Ela passou e ele deu um giro de 360º horizontal na vassoura ao mesmo tempo em que descia o cabo da sua Nimbus 5000 para desviar de seu marcador, que ficou realmente confuso. Tocou novamente para Ruby, que tinha conseguido se desmarcar com habilidade, e ela fez o ponto.

- Yeah! - a menina gritou indo na sua direção e exigindo um high five.

James riu e bateu sua mão na dela.

- Está bom já, não está? - Eddie perguntou para o outro time, que apenas concordou.

Eles não jogavam com apanhadores e batedores, era apenas um passe de bolas e um goleiro, algo bem simples, mas divertido ao mesmo tempo. Todos desceram de suas vassouras e guardaram elas no lugar certo. Eddie, o dono da casa, cuidou de guardar as bolas e supervisionou suas vassouras de última geração serem guardadas, uma a uma.

Só então eles saíram do campo e foram para a casa principal, dez jogadores suados de quadribol na cozinha comendo tudo o que viam pela frente.

- Hey, você tem algum firewhiskey por aqui, Eddie? - se James não se enganava o nome da garota que perguntou era Esther.

- Nada disso, Esther, da última vez que você tomou isso eu tive que limpar seu vômito do carpete. - o moreno respondeu, o que fez a loira corar e os outros rirem.

- Mas bem que você podia fazer uma festa! - Ruby falou animada tomando leite direto da garrafa.

- Posso pensar nisso, - Eddie falou abrindo os armários da cozinha - mas por enquanto sirvam-se, galera.

Eles podiam ter facilmente acabado com o estoque de comida daquela casa, mas não fizeram. Afinal, eram sete homens e três mulheres famintas. Mas as garotas mal comeram alguma coisa por cinco minutos e tiveram que ir embora. Três garotos foram com elas e os que sobraram pareciam estar acanhados na hora de devorar a comida.

James não era um desses e continuou comendo até, meia hora depois, os dois garotos irem embora.

- Porra, você não para de manter a boca cheia, Potter! - Eddie resmungou e arrancou o pacote de biscoito da mão dele, virando os farelos finais direto na boca.

- Estou em crescimento, Ed.

- Você então sempre esteve em crescimento, seu gordo.

- E sempre vou estar. - James falou sorridente.

Eddie olhou para James sentado em seu sofá totalmente torto e com cara de quem estava cansado. Eles eram amigos desde o primeiro ano de Hogwarts e, se havia algo que Eddie aprendeu nesses anos, foi que James desconta suas raivas no jogo ou em qualquer outra coisa que não vai realmente ajudar no problema.

Algo bem estúpido, então ele não esperava outra coisa do amigo.

- Qual foi o problema da vez, então? - finalmente quebrou o silêncio entre eles.

James já estava esperando que Eddie lhe perguntasse isso uma hora, ainda mais depois de quase implorar pra ele marcar um jogo de quadribol tão em cima da hora. Estava pensando em como começaria a falar isso, decidiu ir com calma.

- Lembra da Rose? Minha prima? Pequena, ruiva, dois anos mais nova? - adorável, incrível, linda... É, já estava bom.

- Lembro, claro. - Eddie respondeu e se lembrava mesmo da garota.

Mandona e exigente, mas era bonita e parecia ser simpática com quem ela gostava. Ela era simpática com ele. Não entendeu ao certo o que ela pudesse ter feito que afetasse tanto James, mas esperou o amigo continuar.

- Nós transamos. - Eddie quase engasgou com a própria saliva.

- Vocês o quê? - mesmo que sua pele fosse morena dava pra ver bem o avermelhado que cobriu o rosto dele. - Até sua prima, Potter? Como assim?

James se irritou com o segundo comentário. Até Rose? Não era até Rose, ela não era exatamente como as outras garotas com quem ele já esteve, ela era quem a maldição tinha escolhido, quem ele não conseguia tirar da cabeça ou se controlar quando estava perto.

- Não é tão simples quanto parece. - continuou - Parece que todos os Potters tem fetiches por ruivas graças à uma ruiva que amaldiçoou a família, Groopland, e Rose acabou sendo a ruiva que minha maldição escolheu, apenas isso. Nós transamos quando ela estava lá em casa e nunca mais depois disso. Ontem ela foi embora porque os pais dela chegaram, mas até aí tudo bem, o problema é que eu não consigo parar de pensar nela, faz parte da maldição, parece. Virei um maldito escravo, Eddie, isso está uma merda total.

O amigo não respondeu, por um momento pensou se não seria uma pegadinha de James, mas ao ver sua expressão enquanto falava e o pedido do jogo hoje, acreditou. Mesmo assim não sabia como reagir.

- Você nunca mais vai conseguir ficar com outra garota? - ele perguntou como se aquilo fosse o pior pesadelo possível.

- Sim, nunca mais. - resmungou.

- Bem, então acho melhor eu avisar isso pra Esther, ela vai ficar decepcionada, mas tenho certeza que posso consolar ela depois de dar essa péssima notícia.

Aquilo fez os dois rirem e James dar um soco no braço do amigo.

- Estou falando sério. - ele disse tentando parecer sério, mas ainda rindo.

- Eu também, seu viado. - Eddie respondeu. - Mas então, se você sabe que ela é a única garota com quem você vai ficar, o que, exatamente, você está fazendo aqui?

- Vim pedir sua opinião sobre o assunto, não parece óbvio?

- É, já entendi a parte da opinião, mas não há muito que eu possa falar que você já não tenha pensado, não é mesmo. Nessa situação você só pode aceitar as coisas, mesmo que elas não sejam do jeito que você quer, não é mesmo? A maldição não vai se desfazer, você não vai arrumar outra garota... Me parece que sua adorável prima ficou sendo a única opção mesmo.

Pela cara de James, Eddie entendeu que não, ele não tinha pensado em Rose como a única alternativa.

- Ah, vamos lá, cara, você já foi mais inteligente que isso! - provocou - Você está aí, caindo de amores pela sua prima e não porque você quer, claro, mas isso não muda nada. Qual é a única coisa que você pode fazer já que isso não vai mudar? Aceitar. Qual é, Jay, não é tão difícil aceitar algo que está fora da programação. Ainda mais se for algo bonito como sua priminha.

O soco que James deu no braço do amigo foi um pouco mais forte do que o necessário para ser uma brincadeira, mas nenhum dos dois comentou sobre isso.

- Então é isso mesmo, Eddie? Eu vou ter que correr atrás dela... - suspirou.

- E se eu fosse você correria rápido, porque pelo o que eu entendi só você está preso a ela, amigão. Rose ainda pode encontrar alguém mais charmoso, inteligente e interessante que você. - ao ver a expressão raivosa do amigo, completou - Não que esse tipo de pessoa exista, mas só pra garantir, não é mesmo, grande Jay?

Mais uma vez eles riram, mesmo que não houvesse graça nessa verdade.

Pelo visto ele ia ter que fazer algo a respeito de Rose e não seria tentar livrá-la sua mente dela.


N/A.: Salut, filles. Cá estou eu com um capítulo que não demorou! Pelo menos se for ser comparado com o último... Sem comentários, né! :)

A cena com ela conversando com a mãe foi uma das primeiras que me deram a ideia de fazer a fic, junto com o primeiro capítulo. Não que isso seja relevante, mas sei lá, gosto de falar.

Até 1 de julho, então, que é quando pretendo atualizar essa, um dia antes do meu aniversário. E no meu aniversário vai ter algo mais especial que atualização dessa fic (dã). Postarei uma nova, mas deixemos quieto.