Ciúmes
A vontade de Shikamaru era abrir a garganta daquele civil com uma kunai.
Não sabia se ele tinha nome, família ou profissão, mas aquilo não importava por que naquele momento ele estava passando uma cantada barata em Ino.
E o pior de tudo? Ela riu. Riu inclinando a cabeça um pouco para trás, de modo a oferecer uma melhor visão do pescoço e do decote do vestido que usava.
Aquilo foi a gota d'água.
Tomou o último gole de saquê do seu copo e se levantou tão rápido que a cadeira na qual estivera sentado até aquele momento caiu no chão.
Chouji não perguntou nada, nem precisava. Só levantou uma das sobrancelhas para o amigo e meneou a cabeça.
- Vocês são incorrigíveis – murmurou, antes de voltar sua atenção para a civil com quem estivera flertando desde o momento em que entraram no bar.
Ignorando o comentário do outro, Shikamaru caminhou decididamente até onde se encontravam Ino e o civil.
- Ah, oi, Shikamaru-chan – exclamou a Yamanaka ao ver o jounin se aproximar, enfatizando o 'chan', sabendo que Shikamaru iria odiar. E de fato o moreno apertou a mandíbula. – Rui estava me contando sobre uma história divertidíssima que aconteceu na vila enquanto estávamos em Suna... algo sobre um ladrão de verduras...
- Mas que interessante – as palavras do Nara gotejavam sarcasmo. – Se ele não sair daqui agora, amanhã estará contando a divertidíssima história de como um excepcional ninja castrou-o na saída de um bar.
Shikamaru podia jurar que o tal de Rui se teletransportou, tão rápido fugiu dali.
Bem, se aquilo não tinha sido fácil.
Voltou sua atenção para Ino, que ainda estava com a boca entreaberta de surpresa devido à atitude inédita do Nara, e pegou-a pelo braço, arrastando-a para fora do bar. Ao atravessarem a porta, porém, ela pareceu recuperar um pouco de sua compostura.
- Nara Shikamaru, o que você pensa que está fazendo? Me solte agora ou...
O moreno não deu chance para ela terminar a frase: jogou-a por sobre o ombro, reuniu chakra nos pés e começou a se locomover pelos telhados de Konoha. Em pouco tempo entrava pela janela de seu apartamento. Sem cerimônias, jogou Ino no sofá e postou-se diante dela, as pernas afastadas e os braços cruzados.
A loira chutou o ar, tentando se ajeitar no sofá, oferecendo a Shikamaru uma bela visão de suas pernas, porém logo ela conseguiu encontrar uma posição e o show acabou. Afastou o cabelo do rosto – que estava solto naquela noite, do jeito que o Nara preferia – e o jounin percebeu que suas bochechas estavam coradas. Ainda não sabia se por vergonha ou raiva.
- Pra que você fez isso?
- Pra você parar com aquela encenação barata. – ele deixou sair um suspiro frustrado – Ino, eu já te falei milhões de vezes que você não precisa se preocupar com a Temari!
A Yamanaka apertou os lábios. – Bem, então você não deveria ter passado toda a viagem me evitando e tendo encontros misteriosos com ela.
Shikamaru não pôde evitar um rolar de olhos. – Não foram encontros misteriosos com ela, eram reuniões confidenciais com ela e o Kazekage e Kankurou e praticamente todo o conselho de Suna!
Ino olhou para ele em silêncio por alguns segundos e franziu o cenho. – Você não negou que estava me evitando.
Tinha chegado a hora da verdade. O herdeiro Nara colocou as mãos nos bolsos. – Não. Porque eu estava. – Ele percebeu o olhar de surpresa e de dor que cruzou o rosto da mulher e, antes que ela chegasse a conclusões precipitadas como sempre fazia, ergueu o dedo indicador como um sinal para que ela esperasse por um momento, foi rapidamente até seu quarto e voltou.
- Eu estava esperando a hora certa para fazer uma coisa.
Parecia um tanto quanto ansioso, o que era estranho. Shikamaru raramente demonstrava o que estava sentindo. Parou em frente à Ino, engoliu em seco, apoiou-se sobre um dos joelhos e mostrou-lhe uma pequena caixa de veludo. Abriu-a e dentro se encontrava um anel prateado com uma pequena pedra.
- Casa comigo?
