Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Int. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém relação Homem x Homem, portanto, se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: não leia.
-x-
Em pouco tempo, Defesa Contra as Artes das Trevas se tornou a matéria favorita da maioria dos alunos. Somente alguns alfas mais cabeças-duras, como Draco e seus amigos, ainda faziam comentários sarcásticos a respeito do Prof. Lupin. Comentários como "vejam só as vestes dele, um ômega não deveria andar por aí parecendo um elfo doméstico". Mas ninguém mais se importava se as vestes de Lupin estavam remendadas e esfiapadas. As aulas seguintes tinham sido tão interessantes quanto a primeira, isto porque depois dos bichos-papões, eles estudaram os barretes vermelhos, criaturinhas de olhos esbugalhados que lembravam duendes e rondavam os lugares onde houvera derramamento de sangue – masmorras de castelos e valas dos campos de batalha desertos – à espera de abater os que se perdiam. Dos barretes vermelhos eles passaram aos kappas, seres rastejantes das águas, que lembravam macacos com escamas, cujas mãos comichavam para estrangular os banhistas desavisados que penetravam seus domínios.
Harry só desejava que fosse tão feliz com outras matérias. A pior delas, sem sombra de dúvidas, era Poções, pois Snape andava com uma disposição bem vingativa ultimamente, e ninguém tinha dúvidas do que motivara isso. A história do bicho-papão que assumira a forma dele, e a maneira com que Neville o vestira com as roupas da avó, correra a escola como fogo espontâneo. O alfa adulto, porém, não parecia ter achado graça. Seus olhos faiscavam ameaçadoramente à simples menção do nome de Lupin e ele andava implicando com Neville mais do que nunca. Harry também estava começando a temer as horas que passava na sala sufocante da Prof. a Sibila, decifrando formas e símbolos enviesados, tentando fingir que não via os olhos da professora se encherem de lágrimas todas as vezes que olhava para ele.
No início de outubro, porém, Harry ficou feliz ao descobrir que o Sr. Malfoy havia conseguido uma autorização especial para que ele visitasse Hogsmeade com os demais alunos, sempre quando estivesse acompanhado de Draco, que, aos olhos do conselho da escola, fora designado como o seu alfa responsável. Esta notícia teve um sabor agridoce. Por um lado, ele estava radiante em poder conhecer o povoado com Pansy e Hermione, por outro, o sorriso arrogante de Draco e sua postura cada vez mais autoritária em relação a ele começava a irritá-lo.
- Nós podemos amarrá-lo, amordaçá-lo e deixá-lo na Casa dos Gritos.
- Se o cobrirmos com a capa de invisibilidade, possivelmente ninguém o encontre até o Natal – Hermione ponderou.
- Sim – continuou Pansy – E se utilizarmos um feitiço de memória, voilà, ele sequer nos reconhecerá depois.
- Olhem pelo lado bom, nós vamos conhecer o povoado juntos. Eu achei que ficaria mofando aqui até vocês voltarem, mas o Sr. Malfoy pelo menos conseguiu essa autorização especial.
- É, mas com a condição de você ficar o tempo inteiro com a ratazana oxigenada do filho dele.
- Além disso – Hermione franziu o cenho, observando Draco se aproximar da mesa Ravenclaw onde eles tomavam o café da manhã naquele dia – qual a chance de Malfoy deixá-lo passear conosco?
- Tenho certeza de que ele vai preferir ficar com os amigos dele.
- Eu não teria tanta certeza... – as palavras da Ravenclaw, porém, foram interrompidas pela voz arrastada de Draco:
- Ansioso pelo nosso encontro sábado, Harry?
O aludido respirou fundo, virando-se com um pequeno sorriso forçado.
- Claro, todos nós estamos muito animados com a ida ao povoado.
- Esteja pronto cedo, planejei um dia incrível para nós, mas precisamos chegar lá antes do entardecer.
- Um dia inteiro?
- Isso mesmo – o loiro sorriu com autossuficiência – Eu sei que vocês ômegas demoram séculos para se arrumar, mas preciso que sábado você esteja pronto no salão comunal ao meio-dia em ponto.
- Certo, podemos ir juntos, mas você não prefere ficar com seus amigos lá? Tenho certeza de que Nott e Zabini estão...
- Não seja bobo, Harry, eu já reservei o meu sábado inteiro para você.
- Que sorte a minha... – Harry choramingou, observando Draco se afastar após uma piscadela sedutora.
Os três ômegas ficaram em silêncio.
- Então, a Casa dos Gritos? – perguntou Pansy.
Harry deixou a cabeça cair com um baque na mesa, ao lado da fatia intocada de torta de maçã.
-x-
O sábado chegou mais rápido do que Harry esperava e, naquele momento, ele olhava ao redor com um desconforto claro estampado em seu rosto, perguntando-se como havia ido parar ali. O lugar em questão era uma pequena loja de chá localizada em uma rua lateral da Rua Principal em Hogsmeade. A decoração tinha um gosto muito duvidoso, cheia de babados, e o sino sobre a porta anunciava a todo momento – com um tilintar irritante – a chegada de novos clientes. As mesas redondas estavam decoradas com guardanapos laçados e açucareiros de porcelana e hospedavam jovens casais sorrindo alegremente uns para os outros. Este não era o caso de Harry.
- Eu imaginei que você fosse gostar deste lugar – Draco comentou, sorrindo presunçosamente.
- É mesmo? Por quê?
- Ora, todos os ômegas amam coisas fofas, cor de rosa e com babados – disse o alfa, ignorando o tom incrédulo de Harry – e doces, aqui há vários tipos de doces. Eu não gosto muito, mas estou aqui para agradá-lo, é claro.
- É claro... – forçando um sorriso, Harry se escondeu atrás do cardápio.
Ele ficou pelo menos quinze minutos atrás do cardápio fingindo escolher alguma coisa, apenas espiando o loiro por cima da prancheta cor-de-rosa em algumas ocasiões e se perguntando como poderia escapar daquela situação. Draco, por sua vez, não parava de tagarelar sobre as aulas, seus amigos incômodos, os professores, seus pais e outros assuntos que Harry fingia escutar. Quando Madame Puddifoot veio anotar os pedidos, o loiro sequer consultou Harry antes de pedir um café para si mesmo e um chá com leite, pouco açúcar, acompanhado de uma fatia de torta de melaço para Harry, e voltou ao seu monólogo.
- Então eu disse: "pai, talvez eu não queira cuidar das Indústrias Malfoy, seria muito mais interessante trabalhar como um Inominável". E você sabe o que ele me falou?
- O que?
- Que seria uma vergonha trabalhar por um salário ridículo pago pelo Ministério da Magia quando eu sou herdeiro das Indústrias que têm o Ministério nas mãos. Quero dizer, faz sentido se pensarmos que todos os minérios que os sustentam vêm das nossas minas, mas ainda assim não é uma carreira muito emocionante.
- Entendo o que quer dizer. Eu tenho pensado em ser um Medimago, mas antes quero viajar pelo mundo aprendendo todos os tipos de magia que existem.
- Do que você está falando, Harry?
- Er... De possíveis carreiras? – respondeu, confuso com a pergunta de Draco. Eles estavam falando sobre isso, não estavam? Finalmente um assunto interessante, inclusive.
- Não seja bobo, você nunca precisará trabalhar na vida.
O ômega franziu o cenho e retrucou:
- Eu sei que meus pais me deixaram um bom dinheiro, mas sempre quis ajudar as pessoas, Draco, e ser um Medimago...
Draco riu, interrompendo-o:
- Um Medimago precisa fazer plantões dia e noite, não tem tempo para a casa e para a família, isso não é coisa para ômegas – balançando a cabeça, condescendente, Draco tomou um gole do café e fez careta, colocando na xícara cinco torrões de açúcar em seguida – E não se preocupe, se você quiser ajudar alguma instituição de caridade ou algo do tipo, pode organizar jantares e bailes beneficentes como mamãe faz com as amigas. Os ômegas Malfoy são conhecidos por dar os melhores bailes beneficentes para angariar fundos para a ala de casos irrecuperáveis de St. Mungus.
- Isso é ótimo... – murmurou, sentindo-se cada vez mais sufocado ali – Mas, como eu disse, antes de pensar numa carreira quero viajar pelo mundo e aprender novas magias.
- Eu vou levá-lo para conhecer o mundo – Draco sorriu, alcançando sua mão – Depois de nos casarmos, podemos ir para Paris, Roma, Barcelona, enfim, para qualquer lugar do mundo que você queira conhecer.
Harry piscou, incrédulo.
- Você não perde por esperar – o alfa continuou – assim que nos formarmos em Hogwarts, todos os seus sonhos serão realizados.
- Os meus sonhos?
- Sim, viajar pelo mundo, ter uma família comigo...
- Draco, por favor, não vamos apressar as coisas, sim? – Harry o interrompeu com um sorriso trêmulo, retirando as mãos das garras do amigo para fingir cortar um pedaço da torta em seu prato – até lá, com certeza, um ômega muito melhor já terá chamado sua atenção.
- Bobagens. Você é o melhor ômega que eu poderia querer.
Harry nunca desejou tanto um ataque de Trolls em Hogsmeade quanto naquele momento.
- Não vamos apressar as coisas, nossa amizade é o mais importante para mim nesse momento – disse ele, abrindo um lindo sorriso na esperança de distrair o amigo da rejeição óbvia. Funcionou, é claro, Draco se perdeu no belo sorriso e ficou sem palavras.
Quando saíram dali, após Draco pagar a conta e deixar uma generosa gorjeta, esperando que Harry ficasse impressionado, os dois passaram a explorar o povoado. Pela primeira vez no dia, Harry ficou animado. Eles percorrem a aldeia pitoresca comentando sobre os chalés e as vitrines empoeiradas das lojas, onde algumas velas flutuavam e fizeram algumas paradas na loja de pergaminho e poções para comprar alguns itens escolares que já estavam acabando. Após isso, passaram um bom tempo na livraria, onde Harry aproveitou para compra o presente de Natal de Hermione e fez algumas aquisições para si mesmo, estas voltadas para criaturas das trevas e Dementadores, pois seu último encontro com um ainda estava dolorosamente gravado na memória. A visita à loja de vassouras e itens de Quadribol, no entanto, não foi tão divertida quanto esperava. Afinal, Draco não calava a boca sobre ter passado no teste para apanhador do time na última semana.
- Eu fiz o teste com minha Nimbus e fui brilhante, mas olhando essa Firebolt agora... Bem, ela é a minha cara, não é?
- Sim, é claro – revirando os olhos, Harry não pôde deixar de notar que um pequeno pomo-de-ouro estava sobrevoando a cabeça de Draco há dez minutos, sem que este percebesse. Então, com um suspiro resignado, ele percebeu que este ano também não seria o ano que Slytherin ganharia o Torneio de Quadribol de Hogwarts.
- O senhor deseja algo mais, senhor Malfoy?
- Não, mas deixe essa vassoura separada para mim, vou mandar uma coruja para o meu pai essa noite avisando que preciso dela e venho buscá-la no próximo final de semana.
- É claro – o atendente sorriu radiante, já imaginando a comissão que receberia em breve – E seu jovem acompanhante, deseja algo?
Harry estava prestes a perguntar sobre a diferença de algumas vassouras que havia visto na vitrine quando Draco o interrompeu:
- Ele é um ômega.
- Oh, sim, peço desculpas – o homem, que parecia ser um beta de olfato fraco, curvou-se depressa. Harry, por sua vez, grunhiu um pedido de licença e saiu da loja. Era ridícula a regra de ômegas não poderem jogar no time de Quadribol de Hogwarts, mas era ainda mais ridículo ômegas não poderem ter as próprias vassouras, sendo necessário usar vassouras mais lentas – próprias para seu gênero – disponibilizadas pela escola. Além disso, estas vassouras podiam ser usadas apenas durante as aulas de voo, sob pena de detenção e perda de cem pontos para sua casa.
Após uma de suas aulas de voo, Hermione fez um discurso acalorado para ele e Pansy dizendo que discriminar ômegas nessa atividade reportava à distinção historicamente construída que os submetiam ao espaço da casa, do lar, cumprindo seu papel reprodutor e destinando aos alfas e betas o espaço público, a rua, e seu papel de provedor. Embora a forma de apropriação do espaço pelos ômegas venha se modificado através dos tempos, disse sua amiga, o discurso social que rege as condutas de gênero continua propagando relações hegemônicas de poder, dizendo "lugar de ômega é na cozinha, pilotando caldeirões, não vassouras".
Harry estava cada vez mais frustrado. Ainda que em alguns lugares da Europa e da América houvesse times de Quadribol formados apenas por ômegas, que inclusive disputavam pequenas ligas, a Grã-Bretanha ainda estava muito atrasada em relação a isso. Os alfas ingleses eram aficionados por Quadribol e não admitiam que ômegas chegassem nem perto de seu esporte favorito, reduzindo-os a animadores de torcida ou jornalistas usando roupas provocantes, cujos comentários sempre caiam em ouvidos surdos.
- Pronto, podemos ir para a Dedosdemel agora.
- Certo – Harry murmurou, deixando-se arrastar pelo sorridente alfa em direção à famosa loja de doces. E nem mesmo as sacolas abarrotadas de lesmas de geleia, bombons explosivos, delícias gasosas, tortinha de abóbora, varinhas de alcaçuz e sapos de chocolate que Draco havia insistido em comprar para ele serviram para deixá-lo com o humor mais leve. O ômega, no entanto, agradeceu com um lindo sorriso por cada doce comprado pelo alfa, conforme sua tia o havia ensinado.
-x-
Talvez Harry tivesse comido doces demais naquela noite, sentado com Pansy em sua cama enquanto contava para a amiga os detalhes de sua ida com Draco à Hogsmeade, porque durante a madrugada ele acordou de repente, com o coração disparado e a lembrança de olhos vermelhos o observando em seus sonhos. Então, ainda ofegante, ele calçou os chinelos e um roupão sobre os pijamas e silenciosamente se esgueirou para fora do dormitório a fim de tomar um pouco de ar. Por um instante, ele até pensou em acordar Pansy, mas ela parecia dormir tão tranquilamente abraçando um de seus travesseiros que não teve coragem. E assim, o jovem ômega começou a perambular pelo castelo sentindo as paredes frias de pedra contra a palma da mão acalmarem-no pouco a pouco.
Ele sabia de quem eram aqueles olhos.
E o que mais lhe assustava era que o frio na barriga que sentia não era necessariamente medo.
Quando Harry acordava daqueles pesadelos, ele não pensava no vulto horrível que o havia assustado na Floresta Proibida, no primeiro ano, tampouco naquele apêndice grotesco grudado na cabeça de Quirrell, aquilo era Voldemort e já havia desaparecido de sua vida há muito tempo. Ele pensava em Tom, em sua caligrafia elegante, em suas horas de conversa e nos ensinamentos do alfa que nunca o havia discriminado por ser um ômega. Ele pensava em seu sorriso bonito, em seu perfume tão hipnotizante e no toque suave sobre seus lábios...
- Perambulando sozinho a essas horas, Potter?
Engolindo em seco, Harry olhou para cima e se deparou com o olhar de desprezo da última pessoa que desejaria ver naquele momento: seu chefe de casa, Severus Snape.
- P-Professor...
- É extraordinário como você se parece com seu pai – disse Snape de repente, os olhos brilhando – Ele também era arrogante demais para seguir o toque de recolher e todas as outras regras da escola. Um pequeno talento no campo de quadribol o fazia pensar que estava acima dos demais. Mas nem isso você tem, não é? Um pobre ômega inútil que sequer pode subir numa vassoura e, ao contrário do seu pai, não pode se exibir voando pelos céus para toda a escola com seus amigos e admiradores aplaudindo feito idiotas logo atrás.
Harry franziu o cenho e respondeu antes que pudesse parar a si mesmo:
- Eu posso voar, voo muito bem, o senhor mesmo viu isso no primeiro ano – a lembrança de Draco gabando-se na loja de vassouras voltou a assombrá-lo. Ele não se importou que o rosto de Snape tivesse enrijecido, que os olhos negros lampejassem perigosamente – Eu seria um apanhador melhor do que qualquer um nessa escola e só não posso entrar no time por conta de uma regra imbecil e retrógrada!
- O que foi que você disse, Potter?
- Disse que essa regra de ômegas não poderem jogar Quadribol é imbecil e retrógrada – grunhiu, irritado – E tenho certeza de que o senhor a apoia porque sabe que eu seria um apanhador ainda melhor do que meu pai foi.
- Tão arrogante, igualzinho àquela escória – os olhos negros brilhavam em profundo desgosto – Diga-me agora o que você está fazendo perambulando sozinho pelo castelo ou serei forçado a fazê-lo esfregar todos os caldeirões da minha sala até o final do ano letivo.
Harry sentiu o sangue gelar e toda a cor desapareceu do seu rosto.
O que ele poderia dizer para Snape?
- E-Eu...
- Talvez esfregando caldeirões você se lembre onde é o lugar de um ômega e deixe de falar baboseiras sobre Quadribol.
- Peço desculpas, Severus – a voz suave do Prof. Lupin os interrompeu – pedi que Harry trouxesse um livro que encomendei em Hogsmeade, por isso, ele está fora da cama a essa hora da noite. Obrigado novamente, Harry.
Harry piscou devagar.
- F-Foi um prazer, professor.
Snape os encarou com frieza e ceticismo.
- Que imprudência a sua fazê-lo zanzar pelo castelo a essa hora da noite, Lupin, ainda mais com Black à espreita para atacá-lo.
- Sirius Black? – Harry franziu o cenho – O que ele poderia querer comigo?
Ele se lembrava das palavras do Sr. Malfoy dizendo que Black era um dos seguidores de Voldemort e que precisava ter cuidado, mas não conseguia entender por que aquilo deveria afetá-lo pessoalmente. Afinal, um fugitivo de Azkaban seguidor de Voldemort representava um perigo para todos os estudantes, certo?
- Você não sabe quem Black é?
- Um seguidor de Voldemort – respondeu com indiferença, ignorando o estremecimento de ambos os professores – Ele é tão perigoso para mim, quanto para todos os outros, não?
- Tão ingênuo.
- Severus, por favor.
Harry se viu no meio de uma intensa troca de olhares até Snape finalmente suspirar e grunhir:
- Volte logo para o seu dormitório, Potter, antes que eu lhe dê uma detenção e desconte pontos da minha própria casa.
- Sim, senhor. Boa noite, professores.
- Boa noite, Harry – Lupin lhe ofereceu um pequeno sorriso, que Harry retribuiu antes de sumir pelos corredores sombrios.
Na manhã seguinte, quando Harry recebeu seu exemplar do Profeta Diário durante o café da manhã, o cappuccino de canela que tomava perdeu até o sabor. Ali, na manchete de capa, em letras garrafais se destacava:
SIRIUS BLACK AVISTADO NOS ARREDORES DE HOGSMEADE!
Neste domingo, 23, testemunhas oculares confirmaram que o fugitivo de Azkaban, Sirius Black, foi visto nos arredores do Povoado de Hogsmeade.
Por ordem do Ministério da Magia, os Dementadores irão patrulhar as ruas de Hogsmeade todas as noites após o pôr do sol. A medida visa garantir a segurança dos habitantes e será revogada quando Sirius Black for capturado. É, portanto, aconselhável que os habitantes e clientes encerrem suas compras bem antes de anoitecer.
- Tão perto... – murmurou, sentindo um calafrio.
Ele esperava apenas que Black fosse capturado logo.
-x-
O recesso de final de ano veio como um sopro de alegria para Harry, que seguiu para a Mansão Parkinson para de comemorar o Natal e o Ano Novo, ou, como os sangues-puros preferiam chamar, o Solstício de Inverno com sua melhor amiga. Este ano, os Parkinson hospedariam um baile de máscaras para todas as nobres famílias da Grã-Bretanha e de alguns outros lugares do mundo, razão pela qual a Sra. Parkinson estava à beira de um ataque de nervos, visto que nada poderia sair menos do que perfeito. Obviamente, ela cumpriu seu propósito. Na noite do Solstício, o salão de festas da mansão estava simplesmente deslumbrante, com pequenas mesas de mogno redondas e cadeiras tiffany espalhadas por todo o local, espelhos gigantes, pratarias, cascatas de cristais, cortinas brilhantes e milhares de orquídeas brancas entrelaçadas aos lustres de diamantes de pendiam do teto.
Até mesmo as vestes de Harry e Pansy haviam sido cuidadosamente escolhidas pela Sra. Parkinson, sem margem para questionamentos. Por sorte, a socialite era conhecida no mundo bruxo por seu bom gosto e, por isso, os adolescentes caminhavam agora pela passarela de espelhos com velas em cristais que davam acesso ao salão ostentando visuais impecáveis. Pansy usava um vestido de chiffon lilás, com uma capa de seda que caía pelas costas, cravejado de pequenos diamantes que iluminavam suas feições delicadas a cada passo que dava. Harry, por sua vez, usava uma túnica de seda verde-esmeralda fechada no peito que se abria com movimentos fluídos a partir da cintura, delineando seu corpo esguio em conjunto com a calça branca e botas de couro de mesma cor.
Fazendo jus ao tema da festa, ambos usavam suas máscaras venezianas ocultando apenas a parte superior do rosto. A de Pansy, na cor prata, repleta de pequenos diamantes, enquanto a de Harry, na cor verde, brilhava com centenas de esmeraldas cuidadosamente bordadas no acessório.
- Perfeitos – a Sra. Parkinson aprovou, tão logo os viu entrar. Ela mesma não poderia estar mais deslumbrante em seu vestido de seda vermelho e na máscara da mesma cor adornada de pequenos rubis. Uma taça de espumante caro já estava pela metade em uma das mãos – Rápido, misturem-se aos convidados e recebam-nos com a cordialidade que já ensinei para vocês.
Ela notou o olhar cético da filha e suspirou.
- Apenas repita o que Harry fizer.
- Sim, mamãe.
Logo, os jovens ômegas circulavam pelo local oferecendo pequenos sorriso ensaiados e conversando sobre amenidades com as personalidades mais ilustres do mundo bruxo. E, quando sozinhos, aproveitavam para fazer comentários divertidos sobre cada um, além de reclamar da música clássica, sem graça, que a orquestra de uma dezena de magos e bruxas especialmente escolhidos pela Sra. Parkinson tocava ao fundo. Por sorte, eles podiam se entreter saboreando os canapés que encontravam nas inúmeras bandejas flutuantes, além de saborearem diversos drinques sem álcool preparados para eles pelos elfos da mansão.
- Eu ainda não sei por que os elfos insistem em misturar o queijo com essas geleias.
- Porque é assim que se come queijo Brie, meu querido Harry.
- Doce e salgado não se misturam.
- Isso porque você tem um paladar infantil – Pansy mostrou a língua, pegando mais um canapé – Pelo menos é o que mamãe dirá se ouvi-lo. "Oh, céus, você precisa aguçar seu paladar para, num futuro próximo, oferecer à sociedade jantares excepcionais como o ômega excepcional que você é" – ela imitou a voz da mãe, fazendo o amigo rir.
- Se existe algo que eu não quero é dar jantares como esse num futuro próximo ou distante.
- Diga isso para o seu noivo e seus sogros – sorrindo com malícia, ela indicou a família Malfoy, que acabara de chegar. Nem mesmo as elegantes máscaras de prata conseguiam esconder os olhos acinzentados soberbos que circundavam o local com aquele ar de desprezo tão característico.
Com um pequeno gemido de desgosto, Harry se escondeu atrás da pilastra mais próxima, olhando suplicante para a menina:
- Draco não é meu noivo. Ele não é nem meu namorado.
- E, obviamente, ele ainda não se deu conta disso.
- Por favor, não deixe eles me acharem.
- Só porque eu sou uma boa amiga – revirando os olhos, ela seguiu em direção aos Malfoy, que conversavam com sua mãe agora. Draco, no entanto, olhava em volta à procura de Harry.
- Que Morgana me ajude... – o ômega suspirou, cuidando para se manter o mais longe possível dos olhos de Draco.
Durante as próximas horas, Harry habilmente se manteve longe dos Malfoy, deslizando por entre os convidados como uma pequena serpente fugitiva. Sua sorte, no entanto, desapareceu quando os olhos cinzentos de Draco brilharam de reconhecimento ao vê-lo no fundo do salão, apenas há alguns metros de distância.
- "Droga" – pensou o ômega, olhando em volta à procura de uma saída milagrosa. Esta, no entanto, surgiu da forma que menos esperava.
De repente, um puxão em seu braço o trouxe para o peito forte de um alfa e um perfume que jamais seria capaz de esquecer dominou seus sentidos. Era cru e terroso, como raiz com fortes tons masculinos, notas de couro e cacau, que o fez engolir em seco e suspirar como fizera há um ano, na Câmara Secreta. Então, aquela voz sedutora e tranquila ressoou próxima ao seu ouvido, o hálito quente fazendo seu corpo arrepiar:
- Olá, pequeno.
- Tom...
- Eu disse que nos veríamos novamente.
- Você vai tentar me matar de novo? – murmurou, exibindo uma coragem que realmente não sentia. Sua mente estava confusa, os sentidos completamente hipnotizados pelo perfume e pela magia poderosa do alfa às suas costas.
- Eu não tentei matá-lo da última vez, Harry.
- Você usou a voz alfa em mim – acusou, magoado.
- E sinto muito por isso, mas era o único jeito de sair dali sem machucá-lo.
- Você matou aquela garota.
- Disso eu não posso dizer que me arrependo – a diversão podia ser ouvida em sua voz e Harry se sentiu mal por querer sorrir – afinal, graças ao poder vital dela, estou aqui com você.
- Como...?
- Há muito o que conversar, minha pequena serpente, mas hoje prefiro dançar com você.
Harry corou. Em seguida, sentiu o alfa girá-lo gentilmente para ficarem cara a cara. Então, o pouco fôlego que estava preso em sua garganta desapareceu completamente ao levantar os olhos para Tom Riddle. O alfa parecia ter pouco mais de dezesseis anos, mas, ainda assim, sua poderosa aura mágica o sobrepunha a todos os demais, que olhavam cautelosos para eles. O corpo alto estava envolto por vestes formais pretas, que se ajustavam nos lugares certos dos músculos bem definidos, o cabelo preto perfeitamente penteado sobre o rosto de traços aristocráticos que estava parcialmente oculto por uma máscara preta simples. No entanto, foram os olhos de Tom que fizeram as pernas do ômega fraquejarem. Olhos antes escuros nos quais se destacava agora um leve sombreado vermelho. Assustadores, porém, igualmente hipnotizantes.
- Você me daria a honra?
Harry não respondeu, mas aceitou a mão do alfa, ainda sem saber ao certo o que estava fazendo.
O jovem ômega se sentia entorpecido. Apenas o braço de Tom ao redor de sua cintura o mantinha em pé. E, assim, ele se deixou levar ao centro do salão onde alguns casais dançavam o que parecia ser uma valsa. Por cima do ombro de Tom, reconheceu apenas o rosto contorcido de raiva de Draco. Este, no entanto, parecia tão intimidado quanto os outros pela poderosa magia que emanava naturalmente do alfa e não se atreveu a interrompê-los.
Logo, Harry se viu deslizando pelo salão no ritmo da valsa que parecia fluir naturalmente dos pés de Tom.
Lógico que Tom seria perfeito nisso também.
- O que eu devo dizer para todas essas pessoas que estão me vendo dançar com o Lord das Trevas?
- Você não está dançando com o Lord das Trevas, pequeno, você está dançando com um jovem aluno de Durmstrang, descendente de uma nobre linhagem austríaca, cujos pais não puderam atender ao adorável convite da Sra. Parkinson, mas mandaram seu filho para representá-los.
- É claro que você criou uma identidade nova.
- Posso ensiná-lo alguns feitiços mentais muito úteis para influenciar as pessoas a acreditarem naquilo que quisermos.
- Você já os usou em mim?
- Não, Harry – Tom o encarou seriamente – Nunca.
Harry sentiu as bochechas esquentarem novamente e desviou o olhar.
- Eu disse a verdade, naquele dia na câmara, quando prometi não o machucar. Você é um jovem talentoso com um poder mágico incrível, uma aliança traria frutos promissores para nós dois no futuro.
- Não posso me aliar a Voldemort...
- Voldemort não está aqui agora – garantiu, rodopiando o ômega e trazendo-o novamente aos seus braços com um sorriso sedutor – Recuperar o meu corpo e a minha juventude me trouxe a certeza de que Voldemort e aquilo o que ele significa ficarão longe dos meus planos por um bom tempo.
- E quais são os seus planos?
- Isso eu ainda não posso dizer.
- Você quer uma aliança e não pode me contar seus planos? – Harry arqueou uma sobrancelha, mas o sorriso de Tom apenas aumentou:
- Eu posso ver perfeitamente por que o chapéu o colocou em Slytherin, minha pequena serpente.
- Não me chame assim... – murmurou, as bochechas novamente tingidas de vermelho.
- Por que não, minha pequena serpente?
- Porque... – as palavras de Harry, no entanto, morreram em seus lábios no acorde final da valsa, momento em que Pansy e a Sra. Parkinson imediatamente chegaram ao seu lado.
Elas pareciam divididas ao encarar o alfa: receio e admiração brilhando em seus olhos. Tom, é claro, tinha este efeito natural nas pessoas.
- Você vai me apresentar o seu amigo, Harry?
O ômega piscou, em choque, mas Tom se adiantou:
- É um imenso prazer conhecê-la, Sra. Parkinson. Os rumores sobre sua beleza não fazem jus à realidade, posso ver por que minha mãe se empenha tanto em usar todas as poções de beleza que você menciona em suas entrevistas para a revista Coração de Bruxa.
- Oh, querido... – a mulher imediatamente se derreteu.
- Meu nome é Thomas von Kármán, mas pode me chamar de Tom – o sorriso encantador não pareceu enganar Pansy, que imediatamente arqueou uma sobrancelha ao ouvir o nome e olhou de soslaio para Harry. Este, porém, mantinha os olhos no chão.
Pelos próximos minutos – que pareceram horas –, Tom teceu elogios à Georgia Parkinson, mergulhando-a numa história habilmente construída sobre seus amorosos pais sangues-puros, a vida tranquila no pequeno castelo da família na Áustria e os estudos em Durmstrang, que estavam cada vez mais puxados às vésperas de ingressar no último ano. O próprio Harry, em várias ocasiões, pegou-se tão envolvido pela narrativa construída pelo descendente de Slytherin que esteve a ponto de acreditar em suas palavras. Então, o olhar magnético sombreado de vermelho colidiu com o seu e Harry se obrigou a voltar a si.
A mera presença de Tom o deixava aéreo, como se a poderosa magia e o aroma do alfa envolvessem seu corpo num abraço. E o sorriso no canto dos lábios de Tom mostrava que ele sabia do efeito que causava no ômega.
- Será um imenso prazer visitá-los no próximo verão, querido. Eu não vou para Viena há séculos.
- Excelente, minha mãe ficará encantada.
- Mal posso esperar para conhecer a ômega que criou tal príncipe, um verdadeiro achado como alfa – ela olhou incisivamente para Pansy, que fez uma careta.
A Sra. Parkinson estreitou os olhos para a menina, mas uma voz fria os interrompeu:
- Você não vai nos apresentar o seu convidado, Georgia?
- Oh, é claro – sorrindo, ela indicou os recém-chegados – Estes são Lucius, Narcisa e seu filho, Draco Malfoy, amigos de longa data. E este é Thomas von Kármán, filho de Isabel e Franz von Kármán, amigos da nobreza austríaca. Infelizmente, os pais de Thomas não puderam vir hoje.
- Não faltarão oportunidades, Sra. Parkinson.
- Tenho certeza, querido.
- E de onde você conhece o Senhor Potter? – Lucius perguntou. E Draco acrescentou com grosseria:
- Ele é meu ômega – sua mão imediatamente agarrou a de Harry, que tentou recuar – Talvez seus pais devessem ensiná-lo a não convidar o ômega de outro alfa para dançar.
Os olhos de Tom brilharam perigosamente:
- Harry é capaz de fazer as próprias escolhas. E não vejo a sua marca sobre ele – apenas a minha, acrescentou em pensamento, olhando fixamente para a famosa cicatriz.
Harry imediatamente corou, o coração falhando uma batida.
Aquelas palavras o lembraram das noites conversando com Tom sobre os direitos dos ômegas e como estes eram injustamente vistos como inferiores pela sociedade.
- Como você ousa...!
- Talvez você deva controlar seu filho, Lucius.
As palavras frias de Tom chegaram ao patriarca Malfoy juntamente com uma onda de magia negra a sua volta e uma dor excruciante no antebraço esquerdo, sobre a Marca Negra. Então ele olhou para o jovem alfa mascarado e sentiu o corpo congelar ao ver olhos vermelhos como sangre encarando-o fixamente.
- Ora, seu...!
- Cale a boca, Draco.
- M-Mas...
- Cale a boca e peça desculpas. Agora!
Todos olharam boquiabertos para o rosto contorcido de ódio de Draco, que, a contragosto, murmurou:
- Sinto muito, Kármán.
- Tenho certeza de que sim – bufou divertido, mas seu olhar endureceu a notar a mão do loiro sobre Harry – Agora, solte-o.
Lucius puxou o braço do filho com veemência, fazendo-o soltar o ômega.
- Peço desculpas em nome da minha família, meu senho... Digo, jovem Kármán.
- Não se preocupe – Tom sorriu friamente para o pálido homem, cujos olhos o encaravam em choque, como se tivesse visto um fantasma – Estou ansioso para vê-lo novamente em breve, Lucius.
- D-Digo o mesmo.
- Agora, se nos dão licença, Harry comentou sobre o belo jardim de inverno que há por aqui e estou ansioso para conhecê-lo – o sorriso encantador não chegou aos olhos de Lucius, que apenas engoliu em seco, puxando o filho para trás de si a fim de silenciá-lo.
- Não é certo um alfa... – as palavras de Narcisa também morreram em seus lábios ao notar o olhar aterrorizado do marido. Apenas a Sra. Parkinson parecia encantada com a ideia:
- Tenho certeza de que você irá amá-lo. Foi tão difícil conseguir Peônias nesta época do ano.
- Eu posso acompanhá-los – disse Pansy, preocupada com a segurança Harry.
- Não é necessário, senhorita Parkinson.
- Mas...
- Está tudo bem, Pam – Harry ofereceu um sorriso fraco, tranquilizando-a – Nós estaremos no jardim.
Com o rosto adoravelmente corado, Harry aceitou o braço que Tom lhe oferecia. Ele não sabe ao certo como chegaram ao jardim, tampouco como Tom os havia guiado até ali, voltando a si apenas quando o alfa colocou um lírio branco atrás de sua orelha.
- Adorável.
Então, engolindo em seco, o ômega finalmente levantou os olhos e teve coragem de perguntar:
- O que você está fazendo aqui?
- Eu precisava vê-lo – delicadamente, Tom retirou a máscara que cobria o rosto de Harry – nos separamos abruptamente no ano passado, mas não deveria ser assim.
- Você foi embora, matou uma menina e fugiu. Como pode dizer isso?
- Já disse que não me arrependo de matá-la. Graças a isso, recuperei o meu corpo e, mais do que isso, a minha sanidade.
- Como...?
- Tenho certeza de que a morte dela não é a única coisa que você se lembra daquele dia.
Harry desviou o olhar, mas o toque delicado em seu queixo o obrigou a encará-lo novamente. Eles estavam perigosamente próximos.
- O que você quer de mim, Tom?
- Tudo – declarou o alfa.
Harry sentiu a poderosa magia envolvê-lo novamente e, em seguida, o toque suave daqueles lábios sobre os seus. Mas, diferente do ano passado, Tom aprofundou o beijo com uma fome crua, que Harry se esforçou para acompanhar. Por sorte, o alfa abraçava possessivamente sua cintura, caso contrário, Harry já teria caído desfalecido no chão.
Finalmente, quando colocaram um pequeno espaço entre seus corpos, Harry se lembrou se voltar a respirar. A boca estava seca, o coração disparado no peito e as pupilas dilatadas como luas-cheias.
- Eu gostaria de eternizar essa imagem num quadro – disse Tom, encarando-o de uma forma estranha, que Harry não conseguiu identificar. O vermelho sangue havia dominado quase a totalidade de sua íris.
- Tom...
- Vou vê-lo novamente em breve, pequeno – garantiu, colocando-o delicadamente sentado em um dos bancos de mármore do jardim – Até lá, não o deixarei se esquecer de mim.
Com um sorriso indecifrável e um último olhar demorado para os lábios agora inchados do pequeno ômega, Tom desapareceu, aparatando para longe dali. Por um instante, Harry pensou que não seria possível fazer aquilo, graças às poderosas barreiras mágicas que circundavam a mansão, obrigando todos os visitantes a usarem chaves-de-portais autorizadas ou a Rede-de-Flu. Então, lembrou-se de que aquele era Tom Riddle, também conhecido como Lord Voldemort, um dos magos mais poderosos de todos os tempos, e suspirou.
- Como se eu pudesse esquecê-lo – murmurou para si, a ponta dos dedos pairando sobre os lábios.
Instantes depois, a consciência caiu sobre Harry como um feitiço estuporante: Merlin, ele estava apaixonado por Tom Riddle. Ele havia se apaixonado pelo assassino dos seus pais há um ano e, naquela noite, percebeu que nada havia mudado. Ele ousava dizer, inclusive, que tendia a piorar.
Continua...
-x-
N/A: Olá, meus amores! Quanto tempo se passou, não? Peço desculpas pelo sumiço, mas junto com o estresse do trabalho veio um bloqueio criativo e eu não conseguia pensar em nada. Meu remédio: mergulhar em histórias Tomarry. Eu amo esse casal demais, são a minha cura.
Espero que vocês gostem desse novo capítulo! Eu estava ansiosa para eu os dois se reencontrassem de novo... O que você vocês acharam?
Deixem sua Reviews!
-x-
