Lembranças de uma Escuridão Eterna

2ª Lembrança

Amigos

"A gente não faz amigos, reconhece-os" - Vinucius de Moraes

Com toda certeza a vida de soldado não era fácil. Tinhamos de acordar extremamente cedo, treinavaos até sentir que os ossos viraram gelatina, comiamos mal e durmiamos mal. Tinhamos direito a um banho frio por dia, e duas refeições. Era dificil, mas até o momento estava suportando.

Depois de ter levado um fora de Draco e um sermão de Albert, o guia dos novatos, fomos direto para o campo de treinamento, o lugar que um dia fora o campo de Quadribol. Toda aquela armação imensa tinha sido retirada, restava apenas uma pradaria lisa, com apenas grama. Era um vasto campo. Em alguns pontos soldados treinavam feitiços, outros praticava o combate corpo a corpo, e outros apenas faziam exercicios. Apesar da desordem aparente, claramente havia uma organização, um território demarcado para cada setor. E cada individuo sabia seu lugar.

Um espaço havia sido reservado para a pescagem dos novatos, um lugar com bonecos, parecidos, se não os mesmos, que haviam na Sala Precisa. No total eramos 20 e tinha a leve impressão que apenas 5 conseguiriam ingressar no exercito.

-Seu bando de maricas! –gritou Albert ao se virar. – Formem uma fila já!

Imediatamente todos se posicionaram, numa fila indiana, porém de ombro a ombro. Alguns tremiam de nervosismo, outros estavam tranquilos, e outros não sabiam o que esperar, como eu.

- Nem parece que são aspirantes a soldados... –Albert fez um muxoxo, claramente desapontado. – Veremos do que são capazes. Agora o verdadeiro desafio começa, dentro de...

- Deixe comigo Al... –disse outra pessoa. Não ousei virar a cabeça, pois tinha medo de ser repreendio pelo récem chegado. Sua voz era tranquila, mas era suficiente para calar Albert. Então já inspirava medo suficiente em mim.

-Tenente-Coronel... –disse o moreno numa reverencia.

O sujeito caminhou sem pressa, demorou um pouco para entrar no meu campo de visão. Era alto, possuía mais ou menos a minha estatura, se vestia da mesma maneria que Draco, porém seu terno era verde-musgo, e possuía menos medalhas em seu peito. Suas feições indicavam que era uma pessoa tranqüila, e um sorriso maldoso, não tão gentil. Seus cabelos eram de um tom prateado, e olhos de um incomum tom de rosa.

- Prazer em conhecê-los, sou o Tenente-Coronel Erik Buttslof- ao falar andava com paciência de uma extremidade a outra da fila de cadetes. Sempre ao passar por mim ele, discretamente dava um sorriso, como se me conhecesse. – Agora vocês serão testados, divididos e guiados para cada setor. O teste consiste em uma bateria de feitiços cruciais no campo de batalha, não achem que será fácil, pois a guerra está durando três anos por algum motivo, e também não pensem que só porque engressaram num esquadrão as coisas vão ficar mais fáceis...

Ele parou de andar, fez um gesto com a mão e uma prancheta apareceu. Erik levantou alguns papéis, levantou o olhar e sorriu. Não ousei seguir seu olhar, depois de alguns segundos pude ouvir passadas, e ajulgar pelo numero de baques, parecia ser duas ou três pessoas.

Ao entrar no meu campo de visão vi que eram duas pessoas. O General, que havia me dado uma sapatada na cara, Draco, e mais outro homem, da mesma estatura de Erik e vestido da mesma maneira que ele. Porém os cabelos eram castanhos, e seus olhos de um dourado liquido, suas feições eram rusticas, seus ombros eram largos e cintura esguia, mal parecia caber no terno verde musgo. O desconhecido caminhava ao lado de Draco. Vê-lo ao redor de dois homens, deixando delicado, me deixava com o coração angustiado. Não podia fazer nada para separá-lo.

O desconhecido comentou algo com Erik, e fez aparecer uma cadeira de madeira simples. Draco se sentou nela, e de imediato Erik e o desconhecido se acomodaram em ambos os lados. Erik estendeu a prancheta a Draco e ele o escarou sério por um momento.

- E o que é isso?

- É a lista de novatos, General. –disse Erik após dar um sorriso paciente.

- E você espera que eu faça isso?- perguntou Draco indignado. Não tinha coragem de encará-lo para ver suas feições, me sentia muito envergonhado depois do nosso reencontro. – Vincent esse é o seu trabalho.

-Já conversamos sobre isso, é a sua vez. –disse o castanho.

Draco encarou Vincent. Ele sutentaram o olhar, até o General suspirou e pegou a prancheta. Erik abriu um sorriso e continuou.

-Este, para aqueles que não o conhecem- ele olhou diretamente para mim.- é o General Draco Malfoy, tem 18 anos, é jovem mas não se metam com ele, não é a toa que ele é General. Ele será o carcereiro de vocês.

Draco o olhou irritado, mas não se levantou ou vez nada para rebater o insulto. Ele foleou algumas folhas, chamou Albert e lhe pediu para que trouxesse algo.

-Silverwater, um passo a frente. –um homem esmirrado, cuja estatura não era muito admiravel, possuia cabelos loiros, e olhos grandes e azuis. Ele tremia levemente, mas não aparentava estar com medo.

-Senhor!- disse uma oitava de seu tom. Percebi o quão nervoso, e alguns dos meus companheiros também, e em resposta soltaram algumas risadas abafadas.

-Senhor Silverwater, de onde vem? – disse Draco num tom pasciente.

-Irlanda, Senhor. –respondeu ainda nervoso, mas agora com seu tom normal.

-Muito bem, o Senhor irá enfrentar um de seus companheiros, e espero que o derrote. Assim garantirá sua entrada no exército. Poderá usar todos os feitiços possíveis e imagináveis, menos maldições imperdoáveis. Estou entendido?

-Senhor, sim Senhor!

-Stone, o Senhor irá enfrentar o Senhor Silverwater.

Um homem alto, musculoso, de cabelos negros deu um passo a frente. Seus olhos eram de um tom verde azulado e ele parecia confiante ao andar em direçao ao pequeno, que se encolheu apertando a varinha entre as mãos.

Abriu-se um espaço para que a disputa começasse. Todos nós deveriamos ter pensado que Silverwater não teria a menor chance contra Stone. Mas o que aconteceu surpreendeu a todos, incluindo os superiores.

Silverwater avansou contra Stone e quando achamos que ele iria pular sobre o maior, agilmente o loiro mudou de direção, rápido demais para Stone a companhar, rapidamente o menor se encontrava atrás do moreno, e num movimento rápido com a mão espalmda sobre o pescoço de Stone, o fez desmanhar.

O maior caiu contra o chão num baque, e Silverwater se virou para os superiores esperado por uma aprovação.

-Isso não vale, voce não usou feitços.- disse Erik.

-O General não disse nada quanto a não usar feitiços.

-El...Ele esta certo.* –disse Draco.- Algum comentario Vencent?

-Han? Eu gosto. – disse num tom aerio.

Os outros combates foram acontecendo, e a medida que os soldados iam lutando os que ficavam se entreolhavam, teriam que se enfrentar mais cedo ou mais tarde. Os que venciam os cambates ficavam perto dos superiores.

-Potter e Morgan. –disse Draco. Dei um passo a frente e me posicionei no campo de duelos emprovisado. Morgan era mediano, meio franzinho, com os cabelos encaracolados, rosto sardento, olhos castanhos e uma expressão que não sabia o que fazer.

Ele foi o primeiro a atacar, lançou um levicorpus que pude evitar com facilidade com um protego, conjurei o expeliarmus e sua varinha saiu de sua mão e vaio até a minha. Com um estupefassa eu o derrubei. Foi fácil, pensei.

Draco deu continuidade a seleção me ignorando completamente, nem sequer olhou para mim. Quando os dez de nos estavam ao lado dos superiores, Vincent começou a falar.

-Muito bem fadinhas, demostraram que sabem usar suas varinhas de condão. Agora sem espalhar purpurina irei mostrar os quartos que vocês irão ficar. – ele estendeu a mão a Draco, que lhe entregou a prancheta.

-Seja bonzinho com eles. –disse como se falasse com uma criança.

-Não. –respondeu infantil. – Vamos, vamos, mecham seus trazeiros, não temos o dia todo!

Seguimos até o interior do castelo, tive tempo de olhar para trás para ver o que Draco faria. Ele se levantou e me olhou nos olhos, senti em seus olhos o mesmo que calor que antes da guerra, e um timido sorriso surguiu nos seus lábios. Mais rapido que surguiu, o sorriso desmanchou, se virou para Erik e disse algo. Não consegui acompanhar a cena por muito mais tempo, pois adentramos o castelo.

Fomos guiados até onde ficava o antigo dormitório da Grifinória, as escadas que antes se moviam foram desativadas, se é que era possivel, todos os quatros foram removidos e as portas ocultas foram expostas. A sala comunal fora praticamente reconstruida, não havia nada além da pardes, nada de tapetes, quadros, até a lareira estava sem um único vestigio de sujeira.

-Agora vamos a divisão de quartos suas fadinhas. – olhou a prancheta, e foi dissendo os nomes, o meu foi o ultimo- Potter e Silverwater, quarto 5.

O mesmo loiro baixinho que derrubou um trasgo num só gospe veio até mim e sorriu. Tentei fazer o mesmo mas acho que saiu tremido, devo admitir que estava com medo dele. Subimos as escadas (que também foram modificadas, onde ficava o dormitório feminino havia sido transformado em mais uma ala para os homens).

O quarto não era grande, como tudo, não havia nada nas paredes, apenas duas camas de ferro fundido, colchões com lençois brancos, e um travesseiro, cada uma de um lado. Escolhi a do canto direito, e coloquei minha pequena mochila lá. Não havia muita coisa lá, apenas um livro de feitiços, objetos de primeira decessidade e uma foto, a foto que eu e Draco tiramos num parque de diversões trouxa.

- Quem é? –perguntou Silverwater, guardei a foto na mochila, antes que pudesse identificar quem era.

-Ah... Ninguém... – respondi não muito convincente.

-Era sua namorada?-perguntou.

-Quase isso... – respondi meio encabulado. Ele não fez mais perguntas, pareceu se concentrar nas próprias coisas.

Ficamos em silêncio por um tempo, até que ouvimos um sino que badalou repetidas vezes. Abri a porta para ver o que era e vi que todos estavam descendo, parecendo reclamar que comeriam mal de novo. A partir daquele dia estava no exercito, para mim era uma realização, depois de dois anos sem vê-lo e de um reencontro desastroso, tinha um vislumbre de como ele era, mas ainda queria que pudessemos ficar juntos. Tinha que me contentar com o que tinha.

Será que conseguiria ser amigo de Silverwater? Isso era uma coisa que só a convivencia diria.