Lembranças de uma Escuridão Eterna

4ª lembrança

Desafio

"Só progredimos na vida nos desfiando, construindo nossa estrada tijolo após tijolo; erros se superam escolhas erradas também, mas viver sem felicidade é único erro que não tem perdão"

A.B.

- Você pode até tentar. – no mesmo dia, uma pequena arena foi construída com galhos de salgueiro formando uma circunferência. Draco se trajava igual a mim, enfaixava as mão com ataduras e nem uma vez direcionou o olhar para mim.

- Lutadores, no centro do ringue- chamou Vincent numa voz dramática. Ambos nos aproximamos, e foi a primeira vez Draco olhou nos meus olhos, eles estavam gélidos, e sua cicatriz, sobre o olho direito tornava-o amedrontador, apesar de eu ser bem mais alto que ele.- As regras são simples, quem cair do circulo primeiro perde. Será uma luta de apenas um round, sob minhas as condições, se Draco perder, Bambu entra para o Exército da Fênix. Se Bambu perder, será meu brinquedo por uma semana inteirinha. –ele gargalhou no final da sentença. – Comecem!

Draco adotou uma postura felina, corpo curvado para frente, com as mãos na altura dos olhos, tentei fazer o mesmo, mas tenho certeza que parecia bem mais desajeitado. Ele investiu, tentando me acertar com um soco, só que não alcançou meu rosto, logo percebi que aquele soco era uma distração e que o seu objetivo eram as minhas pernas ele tentou me dar uma rasteira, mas fui mais rápido, apoiei meu peso na perna que receberia o impacto, e quando Draco deferiu o golpe, foi forçado a recuar. Ele ficou agachado, me analisando, sua analise pareceu levar alguns segundos, pois logo voltou a avançar. Consegui furar sua investida com um soco, tentando atingir sua face direita, ele se esquivou. Voltou a se afastar, e de uma maneira estranha girou levemente o corpo para a direita, por aquele momento baixei a guarda e foi o suficiente para Draco, com apenas um soco no meu peito cai sentado bem em cima dos galhos.

-Temos um vencedor! - Vincent se aproximou de Draco, pegou uma das mão e levantou-a em direção do céu. – General Malfoy!

Ouvi aplausos; olhei para os lados e percebi que uma platéia havia se formado, todos olhavam para mim com uma expressão desdém. Fiquei envergonhado pela minha derrota e rapidamente me levantei e bati a poeira das minhas calças.

-Bambu!-chamou Vincent – Nossa diversão começa as seis!

Lembro-me que Draco deu um passo a frente e estendeu a mão. Apertei-a, senti a necessidade de fitar seus olhos, estes estavam cálidos e mornos, franzi a testa e virei o rosto, não podia faltar com respeito, tinha de ser submisso, seria quase motivo para uma expulsão se beijasse o General, não?

-Lembre-se de quando estávamos em Hogwarts, seja uma Grifinório.

Ele soltou minha mão e se afastou, fiquei com aquelas palavras ecoando na minha cabeça. Fui para o campo de treinamento clarear as ideias, fiquei um pouco triste me lembrando de Hogwarts, dos meus amigos, da minha teimosia, e de Draco. Éramos felizes, pelo menos até o dia que ele se afastou para entrar no Exercito comandado pelo Ministério da Magia.

Porque ele disse para eu me lembrar de Hogwarts? Para ser um Grifinório? Eu era teimoso, talvez ele quisesse dizer para que tentasse novamente. Por algum motivo lembrei-me dos seus olhos frios realçados pela cicatriz.

"-Não consigo enxergar com esse olho."

Por um momento fiquei empolgado com a lembrança, pois, talvez, com aquilo Draco quisesse me ajudar, mas minha empolgação logo foi barrada por um sádico de cabelo castanho.

-It's show time! Siga-me e vamos brincar.

Mesmo empapado de suor por causa dos exercícios, eu o segui. Reconheci o caminho, Vincent me levava para a sala de Poções, quando abriu a porta que o local fora revirado, as estantes com vidros de ingredientes para poções ainda estavam lá, acrescente mais estantes, papéis sobre todas mesas, caldeirões e um labirinto de vidro, que parecia sair de um laboratório de um cientista louco e você terá a atual sala de poções.

-Seja bem-vindo a Divisão de Ciências, minha toca. –olhei para o Coronel, em resposta ele sorriu- Não vou te dissecar, não se preocupe.

-Vai fazer o que então?

-Vai ser minha cobaia de testes. – Sinto-me muito mais seguro obrigado- Vai experimentar algumas poções que estou desenvolvendo.

Ele caminhou para sala, passou por uma mesa e pegou um óculos de cobre, que parecia um daqueles usados por nadadores olímpicos; as lentes pareciam poder girar, ajustando a visão, quando ele olhou para mim ele girou ambas as lentes e voltou a vascular em sua mesa. Voltou com um fraco com um liquido avermelhado.

-Podem aparecer alguns efeitos colaterais, como dores pelo corpo, mudança de coloração e descontrole da pressão arterial. –disse me entregando o vidro.

- O que esse ultimo significa?

-Boom.

Devo admitir que fiquei nervoso com aquilo e acho que deixei transparecer pois ele sorriu como um demônio e pegou um caderno de couro surrado, abriu numa pagina marca e ficou me olhando esperando alguma reação minha.

- O que isso faz?

- Não lembro, vamos descobrir agora.

Respirei fundo, tirei a tampa e engoli o liquido. Na mesma hora minha garganta começou a arder como se eu tivesse engolido pimenta, comecei a tossir, meu corpo ficou extremamente quente, e senti como se fosse desmaiar.

-Interessante, mudança de coloração.

Não havia entendido aquela afirmação, até que olhei para os meus braços. Eles estavam vermelhos. Quando digo vermelho, não digo rosa, digo escarlate.

-Sente alguma coisa, calor ou frio?

-Quente! –consegui dizer entre a tosse.

-Ah! Essa é a poção de fogo, achei que tinha perdido!

-Faz parar!

No que demorou uma eternidade ele trouxe o antídoto. Mas Vincent fez com que a tortura não parasse por ali, deu-me mais algumas poções desconhecidas, com colorações suspeitas, uma deixou minha língua inchada, outra me fez falar ao contrário. Perguntei-me qual o objetivo daquelas poções, pois eram completamente inúteis.

Finalmente Dalton veio me resgatar.

-Na mesma hora amanha! –gritou Vincent quando estávamos de partida.

-Filho, você foi incrível hoje!- parabenizou-me, dando tapinhas no meu ombro.

-Incrivelmente tonto, você diz.

-Ninguém nunca ficou tanto tempo com o General num duelo. Fiquei impressionado! –ele acrescentou que eu tinha alguma chance de entrar no Exército.

o.o.o

Devo admitir que fiquei preocupado em machucar Harry, mas tive de aceitar o desafio, assim como já aceitei vários. Fiquei surpreso com a sua cautela, era claro que não tinha a intenção de me ferir, mas tive que fazer o que fiz, para manter meu posto no Exército.

Depois daquele evento, segui para os meus afazeres, fui até o meu escritório e comecei a ler os papeis, a maioria eram autorizações para entrada de novos soldados, também tinha de assinar os registros dos recrutas, verificar seus nomes e números. Supervisionava também os suprimentos, tanto de armas quanto de alimentos; pedidos eram feitos e eu tinha que atender a todos. Mas, para mim, os documentos mais importantes eram as alianças que fazia com diversos exércitos.

Naquele momento não havia nenhum tratado a ser revisado, por isso conjurei para que o carimbo fizesse sozinho o serviço por mim. Levantei-me e fiquei a frente da fogueira, me perguntei se Harry havia entendido meu recado.

o.o.o

Quando aquela semana de torturas acabou a primeira coisa que eu fiz foi desafiar Draco novamente, pois naquele dia seria a entrega das plaquinhas. Me julgaram de louco, mas arrumaram tudo novamente, o circulo com galhos de salgueiro, e dessa fez uma platéia ainda maior se formou.

-Pelo visto, temos um teimoso. –anunciou Vincent, ele seria novamente o juiz. –Já sabem as regras comecem!

Quem adotou a postura de ataque daquela vez fui eu, e não esperei Draco se preparar, contava com o ataque surpresa. Rapidamente deu um soco na parte esquerda de seu rosto, bem no olho, no mesmo instante ele ficou desorientado e com uma rasteira o derrubei do circulo.

Um silencio sobre o ruído que estava, Vincent estava boquiaberto a me olhar, Dalton deixara o cigarro cair, e Erik sorriu para mim.

-Temos um vencedor. –anunciou Erik.

Rapidamente me agachei, olhei para Draco que estava ainda sentado com a mão sobre o olho direito, pensei que ele ficaria com raiva, mas estava sorrindo.

-Perdoe-me, você está bem?

-Bem? Eu estou ótimo! Você acaba de entrar no Exercito da Fênix. –ele abriu um sorriso qe a muito não via, levantou-se um inchaço se formou ao redor do olho direito. –Saba que você é o primeiro que me vence, e espero que seja o ultimo. – ele riu. Sentei no chão, não sabia o que devia fazer, não sabia o queria fazer, fiquei lá sentado, enquanto ele ria. – Vincent me traz a plaquinha dele.

E sem demorar ele trouxe, era uma plaquinha de prata, num formado que lembrava um retângulo arredondado nas laterais.

-Parabéns Harry. –disse Draco, ele se ajoelhou e colou a plaquinha em mim. Ao se levantar ele bagunçou meus cabelos, senti vontade se chorar, de felicidade e de angustia, estava feliz por ter entrado no Exercito, mas estava angustiado por não poder tocá-lo.

Olhei para a plaquinha, e lá estava inscritos:

HARRY J POTTER

N° 1025

ESQUADÃO 1