3ª lição: Sorvete no parque
- Agora faça o favor de me explicar como o seu namorado não te espancou depois disso?
- Ainda to tentando entender. Aliás, quero saber como eu não me espanquei depois disso. Acho que se eu não tivesse ido embora, as coisas teriam acontecido.
- Não duvido disso.
- Eu sou um idiota.
- Disso eu sei desde a quinta série. Mas depois disso vocês se falaram?
- Ele me ligou a noite. Perguntou se tinha certeza que eu queria que ele viesse me ver.
- Parecia bravo?
- Parecia sério.
- Hum.
- Hum? Eu não gosto de "huns", "huns" são sempre ruins. Sempre aparecem em situações impossíveis de serem resolvidas. Pode fazer o favor de ser um bom professor e eliminar esse "hum" da nossa conversa.
- Tudo bem. Tudo bem! Vamos consertar isso... Mas acho que vamos ter que adiantar um pouco as lições.
- Adiantar? Como assim, adiantar? Você já quer que eu dê pra ele hoje?
- Seria interessante você dar alguma coisa a ele hoje a noite. Não necessariamente dar pra ele. Apenas dar alguma coisa a mais para ele não surtar.
Vinte minutos depois, Stiles estacionava o jipe próximo ao parque de diversão. Desligou o veículo e encarou o amigo sentado no banco do passageiro.
- Tem certeza? – ele ainda estava constrangido, pensando o que diriam se o vissem andando pelo parque com Danny? Pior, se alguém falasse para Derek que ele estava no parque com outro cara?
- Absoluta. Só aqui vamos achar o que eu preciso para te ensinar a próxima lição.
Eles andaram menos de cinco minutos, Stiles sentindo suor escorrer pela sua espinha. Até Danny sorrir e anunciar:
- Encontrei.
Stiles olhou em volta, tentando entender porque precisavam ir até a praça de alimentação do parque. Ele achava que levar maçãs do amor e algodão doce para Derek não resolveria seu problema. E seu namorado também não era exatamente o tipo que poderia gostar de bichinhos de pelúcia ganhados em barraquinhas de tiro ao alvo.
Foi então que Stiles visualizou Danny pagando por dois sorvetes de máquina. Desses que saem em forma de cone em cima das casquinhas. Sorvetes típicos de parques de diversão. E mais uma vez sua mente entrou em choque, tentando não imaginar o que viria a seguir.
Afastaram-se do movimento do parque que aquela hora da tarde nem era tão grande assim e Danny sorriu, indicando a Stiles que comesse seu sorvete.
O rapaz deu de ombros e começou a lamber o doce por alguns segundos, até Danny o interromper:
- Pode parar! Desse jeito é capaz que você faz o cara broxar na mesma hora.
- Do que você tá falando? Quer que eu leve ele para tomar sorvete e o quê?
- Stiles, não seja tão ingênuo. Você não vai levar seu namorado para tomar sorvete. O seu namorado vai SER o sorvete.
- Ouch!
- Sim, ele vai precisar disso. Ou melhor, ele merece isso depois do que fez com ele.
- Você quer mesmo que eu... – ele coçava a cabeça nervoso, o sorvete quase escorrendo por suas mãos – Quer que eu faça um boquete nele?
- É bem essa a ideia.
- Merda!
Ele praguejou, pela ideia e por sentir o doce escorrendo em seus dedos. Lambeu os dedos e depois colocou o sorvete todo na boca, para evitar que se sujasse ainda mais. Depois, olhou Danny que o encarava com a boca aberta.
- O que foi?
- Comprei um pra mim porque pensei que teria que te mostrar como fazer. Mas depois dessa última demonstração... Pode até ser que você tenha algum talento. - ele gracejou, vendo Stiles ficar com as bochechas vermelhas.
- Não é tão simples assim...
- É sim! Na verdade você pode se atrapalhar um pouco, porque me disse que ele é grande. Mas vamos fazer assim, primeira coisa é não ter nojo, não ter medo de olhar, de tocar, de segurar. Você já segurou o seu e sabe que ele não quebra. Pode pegar sem medo.
- Pegar não é um problema. Já peguei algumas vezes, por cima da cueca, mas já é alguma coisa, né?
- Com certeza! Então, um mito que você precisa deixar de lado: não precisa colocar tudo na boca.
Stiles arregalou os olhos. A maioria dos filmes pornôs que já havia assistido (e isso incluía as tentativas de assistir filmes gays) o "engolir tudo, até o fim" era como uma lenda. O clássico dos pornôs endeusado em todo mundo chamava-se justamente Garganta Profunda.
- Mas eu pensei que a graça estava...
- Errado! A graça está em como fazer acontecer. Tudo o que você já fez com o pescoço e os mamilos do seu namorado, pode concentrar lá embaixo.
- Até morder? – Stiles parecia horrorizado com a hipótese de cravar os dentes no pênis do namorado.
- Até morder. Mas não é pra arrancar pedaço também, né? – Danny ria das expressões que o rapaz fazia enquanto terminavam o sorvete.
Eles ficaram em silêncio por um tempo, Stiles pensando em como faria aquilo acontecer. Não podia simplesmente ajoelhar diante de Derek, abrir sua calça e já cair de boca.
- Ainda confuso? – Danny perguntou sem olhar para o rapaz.
- Muito. – Stiles respondeu também sem encarar o outro.
- Ok. Vamos usar métodos mais claros. – ele disse, buscando outro sorvete e voltando para onde Stiles continuava, encostado atrás de um dos trailers dos funcionários do parque. – Preste atenção, porque só vou fazer uma vez.
Stiles não teve tempo de protestar e depois que Danny começou a aula "prática" ele perdeu a capacidade de falar.
Danny segurava o sorvete com firmeza, mas sem apertar muito. Ia explicando para Stiles que "boquete não era só uma chupada com tudo dentro da boca". Um boquete bem feito não ficava restrito ao pênis, envolvia a virilha, as coxas, até mesmo o umbigo.
- Como você não tem experiência, Stiles, pode começar com calma. Uma lambida de um lado – ele mostrava no sorvete – Depois pro outro lado. – e voltava sua atenção para o doce gelado em sua mão. – Depois pode arriscar passar os dentes, assim.
E o rapaz foi assistindo o amigo lamber o sorvete horas com calma, depois com mais rapidez, até colocar a boca em volta do que havia sobrado e aí sim, chupar com vontade, deixando a língua passar pelo topo do sorvete.
- Entendeu? – ele perguntou, mordendo uma parte da casquinha e fazendo Stiles engolir em seco.
- Sim! – ele respondeu com a voz um tanto fina, pigarreando em seguida e tornando a falar com a voz normal. – Digo, sim, entendi. Entendi muito bem.
- Uma última coisa, Stiles.
- Ainda tem mais?
- Tem. O final.
Stiles abriu a boca involuntariamente. Estava acostumado a separar as coisas, um passo de cada vez, quando o assunto era sua relação com Derek, mas isso era um problema porque o impedia de visualizar todas as possibilidades da situação. E agora Danny falava do "final" e Stiles sabia bem o que ele queria dizer.
- O que... Merda. – ele coçou a cabeça, num gesto de nervosismo – O que você acha que eu devo fazer?
- Honestamente?
- Honestamente.
- Depende de como vocês fizerem. Se estiver de camisinha, não tem com o que se preocupar, mas vai ter que acostumar com o gosto meio plástico na boca. Tem algumas com sabores, mas na minha opinião, é tudo enjoativo do mesmo jeito.
- E se... – ele pigarreou – E se estiver sem camisinha?
- Bom, aí é o lugar que vocês estiverem que vai definir. Se estiver no carro, por exemplo, abra a janela e cuspa fora. Agora se estiverem no seu quarto, ou na sala da casa dele, acho que você não vai ter muita opção. A menos que não queira fazer até o fim. Você pode começar com um boquete e terminar com um handjob.
O rapaz meneou a cabeça, ouvindo as dicas e tentando pensar qual das opções lhe parecia mais fácil, até que Danny voltou a falar:
- E não se iluda: não vai ser nada parecido com chocolate branco derretido, ok? Se optar por ir até o fim, é bom saber o que vai encontrar.
- Não muda de pessoa para pessoa?
- Bom, não sou tão galinha assim para te responder isso com precisão científica, mas dizem que hábitos alimentares podem mudar um pouco o gosto da coisa, mas não a ponto de fazer ficar realmente saboroso.
- Ok.
Stiles deu a partida no jipe e já saíam do estacionamento do parque, quando Danny segurou seu antebraço:
- Espera aí. Ok? Só isso? Sem um surto, mesmo que pequeno?
- É. – Stiles não entendia onde o amigo queria chegar.
- Você só pode estar de brincadeira comigo! – o sorriso sacana tomava conta do rosto de Danny – Você já provou!
Stiles freou o carro bruscamente.
- Do que você tá falando?
- Para de bancar o santo, Stiles. Certeza que você já provou. Por isso não ficou apavorado, por isso perguntou sobre mudar o gosto de pessoa pra pessoa.
O rubor que cobriu a pele branca de Stiles o denunciava, mesmo que ele tentasse fazer sua melhor poker face.
- De quem foi?
Stiles revirou os olhos e suspirou resignado. Não podia esconder nada de Danny mesmo. Malditos gays e seus sextos sentidos que ele ainda não aprendeu a ter.
- O meu. – e antes que os olhos de Danny se arregalassem a ponto de caírem das órbitas, ele continuou – E nem vem com essa expressão de espanto. Todo cara da nossa escola já fez isso pelo menos uma vez. Aliás, acho que todo cara do mundo todo já lambeu a própria porra pra saber que gosto tinha.
Danny gargalhou alto no carro, dando um tapinha amistoso no ombro do amigo.
- Eu sei disso. Peguei no pé do Jackson por um mês quando ele me contou que tinha feito isso.
E eles seguiram para suas casas, agora contando as coisas sexualmente bizarras no comportamento de seus outros amigos, Jackson e Scott.
Esperar por Derek nunca foi tão ruim quanto aquela noite. Stiles já havia olhado no relógio umas quatro vezes e agora constatava que o alfa estava atrasado dois minutos. Derek já havia se atrasado mais que isso em outras ocasiões, mas naquele dia os dois minutos eram mais que suficientes para o rapaz achar que ele não apareceria mais. Não só naquela noite, como naquela vida.
Deitou em sua cama, apagou a luz, deixando apenas a luminária da cabeceira acesa e fechou os olhos, respirando profundamente. Precisava se acalmar. Ainda havia uma mínima chance dele aparecer, certo?
Não iria olhar no relógio mais uma vez. Sabia que não havia passado nem cinco minutos. Balançou a cabeça ainda sem abrir os olhos, mantendo o ritmo da respiração o mais controlado que conseguia.
- Não sabia que gostava de meditar. – a voz de Derek soou baixa, fazendo ele pular da cama e encarar o alfa que estava parado há poucos centímetros dele.
- Eu não... eu não estava meditando. – ele respondeu, sentando na beirada oposta da cama – Estava só quieto.
- Você quieto não é o que eu estou acostumado a ver. – Derek também se sentou, ficando de frente para o rapaz, sem se preocupar em acender a luz.
- Só estava esperando você. Só isso. Nada demais.
Derek não respondeu nada, apenas ficou quieto, observando como o namorado se portava. Achava que Stiles andava muito estranho nos últimos dias. Não que não tivesse apreciado a mudança, mas queria descobrir o que estava havendo e tentar conciliar os dois Stiles que agora conhecia: o seu Stiles hiperativo e um pouco tímido e o Stiles de agora, atirado e provocador.
- Ok, pode me xingar! – o garoto interrompeu o silêncio.
- Xingar?
- É, por ontem. Pelo meu jeito idiota e a minha estupidez de te deixar na mão, literalmente.
- Não pretendo xingar você.
- Não?
- Não.
- Então, vai fazer o quê? Me torturar, terminar comigo...?
- Também, não. Eu só quero entender.
- Entender o quê?
- O que está acontecendo, Stiles. É que você está diferente!
Stiles pensava que se há um ano lhe dissessem que Derek Hale podia ser carinhoso, sensível e preocupado, ele iria rir na cara da pessoa, antes de chamar uma ambulância e mandar o doido pro hospício. Agora era tudo isso o que ele estava sendo, sentado há menos de dois palmos de distância dele.
- Você vai me achar um idiota.
- Bom, não vai mudar muita coisa então. – ele esboçou um sorriso, fazendo finalmente o coração do mais jovem voltar ao ritmo quase normal.
- Eu só queria ter certeza que você me quer. É isso. Idiota, como eu disse.
- Você ainda tinha alguma dúvida sobre eu querer você? – o alfa parecia confuso, chocado, quase magoado.
- Sim. Digo, não. Quer dizer, eu sei que você gosta de mim. Mas eu precisava saber se você me queria, entende?
- E por que você duvidou disso, pra começo de conversa?
- Melhor deixar esse assunto quieto.
- Não, Stiles, agora eu quero saber.
- Não vale a pena, Derek.
- Como não vale a pena? Meu namorado está agindo totalmente diferente nos últimos dias, acho que tenho o direito de entender o que está acontecendo de verdade.
- Eu já disse antes, só insegurança. Idiotice minha.
- Não vai colar, Stiles. Fala de uma vez, por que você ainda duvida que eu queira você?
- Porque a gente ainda não transou, ok? – ele respondeu, rápido, antes que pudesse se impedir de dizer aquilo em voz alta.
Se Derek Hale estava chateado antes, agora sua reação era totalmente diferente. Ele sorria abertamente para o rapaz que ainda respirava acelerado. Stiles por sua vez queria bater a cabeça na parede do quarto até fazer uma nova janela, irritado consigo mesmo.
O alfa puxou o rapaz pelas mãos, aconchegando-o entre seus braços, roubando um beijo apaixonado. Primeiro um beijo, depois outro e mais outro. E quando Stiles parecia finalmente relaxar ele o soltou e olhou em seus olhos:
- Stiles, a gente não transou não é porque eu não queira você. Eu quero. Muito. Quero tanto que chega a doer. Ok?
- Ok. Então, por que... – ele não precisou terminar a pergunta.
- Por que eu não queria que isso acontecesse de qualquer jeito. É a sua primeira vez e eu acho que isso tem que ser especial. Eu queria que a minha primeira vez não tivesse sido tão precipitada quanto foi. – ele sacudiu a cabeça, não queria pensar no desastre passado que foi seu primeiro e único relacionamento amoroso – Mas agora vai ser como uma primeira vez pra mim também, e eu quero muito que seja com você e que seja do jeito que nós dois merecemos.
E foi a vez de Stiles beijar Derek com todo o sentimento que possuía. Paixão, amor, carinho, cuidado, tesão. Ele já havia perdido as contas de quantas vezes o alfa tinha se mostrado apaixonado e preocupado com seus sentimentos, feito o improvável para que aquele relacionamento desse certo. Não era justo que toda essa insegurança que ele, Stiles, sentia, prejudicasse os dois.
Queria deixar claro para Derek que entendia, queria que ele tivesse certeza de seus sentimentos. Mas, por incrível que pareça, Stiles não tinha palavras. Não sabia como dizer, como verbalizar tudo o que lhe ia por dentro. Então, apenas continuou beijando o namorado. Cada vez mais, com mais paixão, com mais intensidade.
Antes que percebesse estava praticamente ajoelhado na cama, uma das pernas entre as pernas de Derek, sentindo as mãos firmes dele uma em sua nuca e outra em sua cintura. Recomeçou com o mesmo ritual dos beijos e lambidas no pescoço e quando fez menção de tirar a camiseta preta que o namorado vestia, sentiu as mãos do alfa sobre as suas. Parou de beijá-lo e falou:
- Não estou fazendo isso para te provocar. – deu mais um beijo demorado, perto da orelha e sussurrou – Não quero que você faça nada comigo, hoje, Derek. Mas quero poder fazer com você o que eu estou com vontade. Tudo bem, assim?
O alfa não respondeu. Apenas soltou as mãos do rapaz que voltaram à tarefa de lhe livrar da peça de roupa. A camiseta de Derek caiu ao lado da cama e Stiles foi gentilmente empurrando o namorado que deitou de costas no colchão macio.
O rapaz continuou com os beijos, mordidas, abraços e agora, depois daquela conversa, Derek se sentia mais a vontade para também se deixar levar e correspondia a altura, tudo o que Stiles fazia nele.
Sorria, entre os beijos, notando o quanto era fácil deixar aquela pele tão pálida marcada com as carícias mais intensas. E a medida que os minutos passavam, Derek se sentia mais e mais conectado, sincronizado a Stiles. Conseguia até mesmo prever os gestos, suspiros e ações do namorado. Ele só não conseguiu prever o que Stiles fez a seguir.
Notando que o alfa estava mais relaxado, Stiles deixou os lábios dele, descendo com beijos molhados e mordidas delicadas pelo pescoço e peito do mais velho. Mas não parou muito tempo na já conhecida brincadeira com os mamilos. Logo, deixou uma das mãos segurando Derek de encontro ao colchão, enquanto passou dos limites até então conhecidos.
Dedicou um tempo especial no baixo ventre do namorado e não conteve o sorriso de satisfação com o gemido mais alto que Derek deu quando enfiou a língua em seu umbigo. Depois, continuou descendo até chegar ao cós da calça e só então soltou o lobisomem, descendo a mão para desabotoar o jeans escuro.
Derek demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo e quando percebeu que Stiles já descia o zíper de sua calça, sentiu o fôlego desaparecer de vez e sentou-se na cama, saindo parcialmente de perto do rapaz.
Stiles não pareceu ofendido, mas também não mudou de posição. Continuou ajoelhado ao lado da cama, entre as pernas do alfa e o encarava com um sorriso misto de diversão e tesão. O brilho em seus olhos revelava o quanto ele estava determinado e o lobisomem suspirou fundo, pensando quão sexy um adolescente quanto aquele poderia ser.
- Você não precisa... – a voz dele era grave.
- Eu sei. – Stiles também tinha a voz mais grossa, mas ainda assim calma – Eu sei que não preciso, mas também sei que eu quero isso.
- Stiles...
O rapaz sorriu novamente e puxou Derek pelas pernas para mais perto. Desceu os dedos pelo cós da calça e pelo elástico da cueca do alfa e os puxou juntos deixando a ereção do lobisomem finalmente à mostra.
Derek se apoiava nos braços, o coração disparado de um jeito que ele nunca sentira. Era como se ele pudesse quebrar seus ossos e escapar do peito, tamanha era a adrenalina ali, naquele momento. Queria falar alguma coisa, queria impedir que o rapaz fizesse o que estava prestes a fazer, mas ao mesmo tempo não sentia forças para mais nada além de esperar. E sentir a respiração quente de Stiles cada vez mais perto de seu membro o fez perder o último fio de sanidade.
O rapaz fez exatamente como Danny sugeriu, primeiro segurando o pênis do namorado com firmeza, mas sem força. Não tinha mais volta, ele ia mesmo fazer um boquete em Derek Hale. Procurou não pensar muito, e logo a primeira lambida por todo o membro rígido em sua mão arrancou de Derek um rosnado alto. E era exatamente isso que Stiles queria ouvir.
Sem tirar a mão, ainda contornou toda a extensão daquele membro com a ponta da língua, demorando mais tempo na ponta, que já estava consideravelmente molhada. Antes de se decidir a colocar tudo na boca de uma vez, deixou o rosto afundar entre as pernas do namorado e primeiro lambeu, depois mordeu a virilha, ganhando um gemido de aprovação. Mordeu com um pouco mais de força e ouviu Derek soltar um grunhido. Ele resmungava algumas coisas desconexas e Stiles não se importava em distinguir o que ele dizia. Continuava a morder e dar pequenos chupões pela virilha e também pela coxa do alfa.
Quando Derek parecia finalmente estar menos descontrolado, Stiles envolveu seu membro com a boca inteira, passando os dentes pela glande, chupando com vontade e colocando o que conseguia dentro da boca.
O alfa se jogou de vez contra o colchão e se contorcia, gemendo alto, rosnando, quase ganindo de prazer. Stiles sentia-se orgulhos, excitado ao ver Derek tão entregue, tão submisso a ele.
Assim, continuou com os movimentos da língua, as chupadas ora fortes, ora mais fracas, o raspar de dentes e deslizou a mão que antes acariciava a perna do namorado para dentro de sua própria calça, se masturbando ao mesmo tempo.
Era uma sensação indescritível para o rapaz, que sentia como se um buraco se abrisse dentro de si em espasmos de prazer. E ele estava tão concentrado no que fazia em Derek e em si mesmo que não notou quando o alfa lhe chamou, a voz rouca, arfante:
- Stiles... melhor parar... – ele ainda gemia – eu não posso mais... desse jeito eu vou... Ooooh!
E com um gemido ainda mais alto, quase um uivo, Derek gozou na boca de Stiles. O mais novo, por sua vez, também estava no seu limite e assim que percebeu a mistura do uivo mais o líquido quente em sua boca, acabou gozando também.
Derek arfava deitado na cama, Stiles se atrapalhava consideravelmente, tentando engolir tudo o que Derek despejou em sua boca, incomodado com o sabor adstringente. Tossiu, rindo depois e limpando a mão na beirada da colcha e subiu para a cama, se jogando ao lado de Derek.
Os dois ficaram em silêncio por um bom tempo, até que o rapaz começou a voltar a seu estado normal de agitação e virou-se de bruços, apoiando o peso do corpo nos braços e encarando o namorado.
- Completamente clichê, mas, foi bom pra você?
- Foi perfeito. – o alfa sussurrou, olhando diretamente nos olhos de Stiles – Mas você não precisava, sabe, fazer tudo. Espero que não tenha sido ruim para você.
Stiles sorriu. Derek Hale era a única pessoa no mundo tão insegura quanto ele mesmo. Será que ele não tinha visto o quanto Stiles gostou, e gozou, de tudo aquilo?
- Nada ruim. – ele falou, dando um selinho no namorado – Ainda prefiro o Caramelo Machiatto do Starbucks, mas posso me acostumar com isso também.
Derek riu, vestindo a cueca e antes de vestir as calças perguntou pra Stiles:
- A que horas seu pai volta pra casa?
- As onze, talvez. Ele está de plantão. Por quê?
- Porque eu odeio dormir de calça jeans. – o alfa falou, uma expressão divertida no rosto.
Tirou os tênis, a calça jeans e puxou Stiles para deitar com ele na cama macia. Stiles também se livrou da camiseta, dos sapatos e se enroscou em Derek comentando, ao sentir a pele dele em contato bem direto com a sua:
- Você não é muito mais quente que o normal.
- Uns dois graus, cinco quando me transformo. Por quê? Imaginou que fosse mais?
- Não, por nada. Só um comentário. – ele jamais iria admitir que havia lido em Crepúsculo que os lobisomens tinha temperatura de mais de 40°. – Mas acho que isso nos livra da necessidade de um cobertor.
Derek sorriu e passou os braços ao redor do corpo magro do namorado e ainda trocaram algumas palavras antes de pegarem no sono.
O xerife, cansado, entrou em casa com um suspiro fundo. Será que Stiles estaria por ali? Observou o ambiente e um celular largado numa mesa deu provas de que seu filho já havia chegado. Estava tudo bem silencioso, mas precisava ao menos avisar que estava em casa. Dirigiu-se ao quarto do filho e abriu a porta sem maiores barulhos.
Desde o "incidente de rapel" que ele sabia que Stiles era gay. Nada que merecesse maiores dramas, mas tinham suas regras sobre o que poderia ser falado e principalmente mostrado sobre o assunto e sobre a relação dele com Derek Hale. Isso significava que ele não estava preparado para ver o rapaz seminu, ao lado do namorado...
Sentiu uma dor no peito, a garganta secar, o ar sumir de seus pulmões. Queria apenas sair dali, o quanto antes e fingir que nada aconteceu, mas ao dar meia volta, pisou numa madeira solta do assoalho e o estalo fez Derek abrir os olhos, alerta.
O lobisomem basicamente pulou da cama, farejando no quarto mal iluminado quem poderia ter feito tal barulho, as mãos para trás, escondendo as garras que já estavam prontas para o ataque e apenas quando viu a expressão constrangida do xerife é que se lembrou que estava apenas de cueca. Pegou a camiseta no chão, vestindo-a ainda do avesso e cumprimentou o "sogro".
- Sou apenas eu. – o Xerife disse, espantado com a reação de Derek, e ao mesmo tempo envergonhado pelo rapaz que agora tentava achar suas calças emboladas juntas com a de Stiles. Viu o filho levantar assustado e ficar praticamente em pânico ao vê-lo ali.
- Pai? O que está... Que horas são? Você só deveria voltar daqui dez minutos. E não sabe bater? Eu já sou praticamente adulto, sabia que tenho direito à privacidade? Eu e Derek, bom, estávamos apenas conversando, mas vai saber? E se tivesse pego a gente numa situação pior? Duvido que quisesse pegar seu filho na cama com um animal! - Arrependeu-se no momento em que falou a frase e olhou para Derek que tinha um bico enfezado - Bom, não é isso, Derek, foi só força de expressão – ele se justificava com o namorado e voltava a falar com o pai - Você entendeu o que eu quis dizer, né pai?
- Força de expressão? – Derek murmurou, enquanto calçava o tênis.
- Vou pedir uma pizza. – o xerife sentenciou, saindo do quarto.
- Pizza? – Stiles parecia chocado.
- Sim! – o xerife gritou do corredor – Quatro queijos com pepperoni.
Stiles colocou as duas mãos na cabeça, quase em desespero.
Aproximou-se de Derek, ainda sentado na cama, deu um beijo rápido e falou:
- Me espera cinco minutos. Meu pai não pode comer isso. É suicídio.
Saiu do quarto feito um doido, ainda só de cueca, desceu as escadas e foi pra cozinha discutir com o pai.
- Tarde demais. Já pedi.
- Isso é exagero, pai. Você não viu nada, afinal de contas. Quantas vezes o Scott já veio dormir aqui e nós ficamos de cueca no quarto assistindo futebol?
- Várias vezes. Tantas vezes que eu nem sei contar. Mas eu nunca entrei no seu quarto e te peguei dormindo de conchinha com o Scott.
- Isso não é motivo para uma quatro queijos. E com pepperoni, pai!
- Se eu não morri vendo você do jeito que eu vi agora há pouco, não vai ser uma pizza que vai me matar. – e ele deu a discussão por encerrada, abrindo uma garrafa de cerveja e bebendo um bom gole, batendo a porta da geladeira.
Stiles subiu as escadas correndo, mas achou o quarto vazio. Já ia olhar no banheiro quando ouviu o barulho do carro de Derek cantando pneu lá fora. Correu pra janela só a tempo de ver o camaro virando a esquina.
- Droga! – ele deu um murro na parede, fazendo careta ao sentir os dedos doerem e um deles já começar a inchar.
Aquilo ali ia dar muito mais trabalho para consertar.
