My love slave – a wedding invitation
— Nunca fiquei tão desapontada — disse Bella à amiga Ângela Martin, enquanto comiam no restaurante chinês preferido. Ângela ria tanto que quase engasgou com o chá de erva-doce.
Trabalhavam juntas na escola, mas deixavam os assuntos pessoais para quando saíam juntas à noite. A sala dos professores não tinha qualquer privacidade e era onde os rumores e fofocas se propagavam. Bella e Ângela, que eram jovens e solteiras, evitavam o lugar tanto quanto possível.
Quando Ângela conseguiu parar de rir, caçoou da amiga.
— Sexo para idiotas completos. Mas você escolhe suas paqueras a dedo!
— Eu sei. — Bella já não achava tanta graça assim. Se fosse outro homem também estaria morrendo de rir.
— Mas Edward parecia tão experiente, seguro. Além disso, ele é lindo demais. Não consigo entender até agora. Como um cara daqueles precisa de um guia para ensinar a fazer amor?
— Isso é fácil — arriscou Ângela. — Quanto mais bonito, mais vaidoso e autocentrado o homem é. Só um manual para mostrar o que ele não consegue ver.
Bella não pôde deixar de visualizar o lindo rosto de Edward sorrindo para ela.
— Como assim?
— Ué, nunca aconteceu com você de sair com um cara e ele ficar a maior parte do tempo falando dele?
Ela concordou com a cabeça.
— Aí, na hora da verdade, o cara só faz o que é interessante para ele. Teve uma vez que cheguei para um infeliz e disse "Sabia que eu tenho um ponto de grande sensibilidade?" Ele não tinha idéia de como descobri-lo.
Bella engasgou com a cerveja.
— Você inventou essa história.
Ângela ergueu a sobrancelha ao estilo "acredite se puder".
— Estou te dizendo. Os bonitões são os piores. — Ela fez uma pausa e sorriu maliciosamente. — Agora saia com um cujos genes não tenham sido muito generosos, que talvez não seja alto o suficiente, magro demais ou com aquela pancinha descontraída. Ele tem que trabalhar muito mais para conquistar uma mulher. Afinal, nenhuma mulher vai querê-lo pela aparência, concorda?
— Odeio pensar que as mulheres sejam tão fúteis assim. Mas, na teoria, acho que você tem razão.
— O feio tem que mostrar que tem outras qualidades, tem que se esforçar muito mais. Vai querer saber mais sobre ela do que ficar falando de si. Evitar falar de futebol, do trabalho, do carro novo. E ao fazer amor, ele vai tentar levar a mulher a se sentir única e insubstituível.
Bella ficou olhando ao redor, procurando analisar os casais sentados por perto. Alguns conversavam animadamente, se tocavam, olhando-se nos olhos, provando a comida do outro. Outros casais pareciam fazer esforço para não dormir em cima da mesa. Porém, não eram necessariamente os homens feios que participavam das conversar animadas.
— Deixa de papo, Ângela. Cansei de ver você com homens bonitos.
— Tenho que confessar que a carne é fraca. — Ela suspirou. — Acabo fazendo amor com ele e tenho que exercer a profissão de professora extraclasse.
Bella caiu na gargalhada.
— E aquele professor de esqui? Ele parecia ser bastante sensual.
— Todd era excepcional. Fisicamente. Me deixava completamente satisfeita.
— Nossa, não está exagerando? Ângela deu de ombros.
— Claro que devem existir homens que são sensacionais física e sexualmente. Apenas acho que há homens que têm grandes vantagens depois que as luzes se apagam. Pense nisso. O que você prefere? Um cara que faz você babar só de olhar para ele ou um que saiba o que fazer com seu corpo como se ele fosse o músico e você o instrumento?
Bella deu uma garfada da comida e analisou a pergunta.
— Seria bom poder ter os dois.
— É, eu sei. Esse é o que todas procuramos, querida. Pena que esse homem não exista. O seu idiota completo de carteirinha é o exemplo perfeito.
— Pelo menos o fato de ele ter encomendado o livro mostra que ele está se esforçando, não acha? Alguém deve ter dito para ele que as coisas não iam muito bem por debaixo dos lençóis e agora ele quer recuperar o tempo perdido.
— Com certeza, ele vai pular as partes que falam da mulher e ler só as coisas de homem.
— Nossa, qual o motivo de você estar tão amarga, hoje? — Estava falando só por falar, por isso, ficou surpresa quando a amiga respondeu.
— Um cara chamado Brad.
— Nunca me falou dele. — O que era algo raro. Elas não costumavam ter segredos uma para a outra.
— Conto tudo no caminho para o cinema. Já estou com o traseiro doendo de tanto ficar sentada. Vamos pedir a conta?
Do lado de fora, no ar fresco da primavera, Ângela ficou curiosamente silenciosa. Bella esperou pacientemente, pois sabia que a amiga falaria quando estivesse pronta.
— Na última escola onde trabalhei, do outro lado da cidade, comecei a namorar um professor de física. Não era nem um pouco bonito e tinha a minha altura quando eu não estava de salto. Mas ele possuía algo de especial.
O sinal fechou e elas cruzaram a rua.
— Não sei explicar direito. Ele me escutava, como se o que eu tivesse para dizer fosse algo fascinante. Como se eu fosse uma mulher fascinante. Era atencioso, me respeitava e não ficava se exibindo como a maioria. Era muito divertido também, o que acho fundamental em um homem.
— Quer dizer que você se enfeitiçou por um baixinho, engraçado que te escutava?
— Já disse que ele era careca?
— Não.
— Pois era. Começamos como amigos e uma coisa foi levando à outra. Quando me dei conta, estava na cama dele. Juro que acendi a luz depois que a gente fez amor, só para ter certeza de que era o mesmo homem. Quer dizer, ele era... incrível.
— Entendi. O segredo é procurar um baixinho, careca, divertido. Acho que não vai ser muito difícil.
— Estou falando sério, Bella. Ele sabia tocar em uma mulher como ninguém... — Ela fez uma pausa para respirar. — Uau! Estou te dizendo, o cara tinha que estar na olimpíada da arte de amar.
— E o que aconteceu com ele?
O sorriso esvaiu-se do rosto de Ângela.
— Me largou por uma ex-miss Minnesota.
— Mas você é linda.
— Obrigada, mas ela era mais. O idiota me fez enxergá-lo por dentro, a beleza interior dele e o que faz em seguida é me trocar por uma patricinha melosa.
— Então, é roubada procurar um careca, baixinho, engraçado com um poder incrível de fazer amor?
— Ah, pode sair com quem você quiser. Mas não esqueça: vai ter que se consolar sozinha depois.
Bella voltou para casa, cedo demais para o seu gosto. Ficou pensando na teoria maluca da amiga. Antes de subir para o apartamento, checou a caixa do correio. Mais duas cartas para o vizinho de baixo. Desta vez, o carteiro já não lhe parecia tão simpático como antes. Infelizmente, a caixa de correio do prédio tinha dispositivos de segurança e não dava para apenas enfiar as cartas dele na caixa correta. Bem, de qualquer forma, pensou, Edward não havia feito nada de mal. Apanhou as cartas e resolveu passá-las por debaixo da porta dele, mais tarde. Quando chegou ao seu andar, ofegante por ter subido dois andares de escada, viu uma figura familiar em frente a sua porta.
Ela começou a ficar vermelha e se odiou por isso. Ele , se virou quando a ouviu chegar. Bella não conseguia ; evitar. Suas pernas estavam bambas. Os olhos, o sorriso, a covinha... Seria mesmo possível que um campeão olímpico na arte de amar pudesse competir com aquela beldade a sua frente?
— Oi — disse Edward. Ele não parecia constrangido. Ela tentou fazer o mesmo.
— Oi. — Bella aproveitou o momento para entregar as duas cartas extraviadas.
— Obrigado. Essas são para você. — Ele tinha nas mãos alguns envelopes também. — Desculpa por hoje cedo.
Por que ele tinha que lembrá-la desse assunto? E agora, o que ela devia responder? Espero que você aprenda direitinho? Se precisar de ajuda nos deveres de casa, é só me chamar?
Olhou nos olhos dele e pôde jurar que aquele brilho parecia de alguém que estava se divertindo. Será que Edward achava a situação dele engraçada? Será que ele precisava de estimulantes sexuais? Bella não pôde evitar olhar de relance para o "equipamento" de Edward.
— Está tudo funcionando, se essa é sua preocupação — Edward garantiu.
Dessa vez, quem estava ficando envergonhada era ela. Olhou para ele aturdida e depois para o corredor, a fim de certificar-se de que não havia mais ninguém por perto. — Seu funcionamento... não é problema meu.
— Eu sei — ele disse se aproximando dela. A voz agora saia mais baixa e mais rouca. — Estava pensando em mudar esse quadro.
— Como é? — perguntou em um tom de professora indignada com o aluno malcriado.
Ao contrário dos alunos insolentes que se assustavam com o tom e a cara que Bella fazia quando passavam dos limites, Edward parecia estar se divertindo muito com aquela situação.
— Tem uma coisa que queria te perguntar. Tem a ver com a noite passada.
Do outro lado do corredor, uma porta se abriu. Era o fofoqueiro do senhor Forrester. Se ele a visse ali com Edward, aquela história ia virar uma novela.
Bella pegou as chaves de casa e abriu a porta, praticamente puxando Edward para dentro.
— É melhor conversarmos sem público.
— Claro, obrigado. — Ele passou pelo o hall e parou ao chegar na sala. — Muito bonito. — Ele apontava para o sofá antigo que ela havia reformado, cheio de almofadas com cores vibrantes.
— Obrigada. Quer se sentar? — Ai, Senhor, por que não tinha ficado no corredor, apesar do cricri do senhor Forrester? Ter convidado Edward para entrar o estava encorajando. Aquilo não ia acabar bem.
Ele sentou-se no sofá e ela optou pela poltrona do lado oposto.
Edward a olhou de relance e em seguida para as cartas que tinha nas mãos. Deixou-as na mesa de centro e se recostou no sofá. Estava relaxado e confiante. E bonito demais para o azar de Bella.
Apesar de saber do segredo de Edward, o corpo de Bella não parecia se importar com o fato. Sentia a mesma forte atração de sempre, o mesmo desejo ardente. Não era justo. Provavelmente, aquele fogo sem sentido era um sintoma de que ela estava há muito tempo sem namorado.
Bella fez o mesmo que ele e deixou as cartas sobre a mesa. Entre as contas, havia um enorme convite de casamento. Mais parecia uma epidemia, pensou ela. Todas as amigas na faixa dos trinta anos estavam se casando.
Olhou rapidamente o endereço do remetente e empalideceu.
— Ah, não! — resmungou.
— Qual o problema?
Ela levou um susto, pois não tinha se dado conta que havia falado em voz alta.
— B.J. McLaren vai se casar.
— Ah. Meus pêsames. — Edward estava muito engraçadinho. Ela até achou graça mas estava sentindo-se abalada com o casamento de B.J.
— Ela era uma das minhas melhores amigas. Até roubar meu namorado, na faculdade. — O orgulho ferido que nunca havia sarado por completo veio à tona quando lembrou do flagrante dos dois aos beijos na biblioteca.
— Fizeram uma aula de poesia juntos e juram que se apaixonaram lendo "Folhas da relva", do Walt Whitman.
— E você, onde estava?
— Lendo Milton. Paraíso perdido. Não vejo B.J. há... já deve ter uns três ou quatro anos. Agora vai se casar com ele e quer esfregar mais uma vez no meu nariz a humilhação que me fez passar.
— Que safada! Ela riu.
— Tirou as palavras da minha boca. — Abriu o envelope e começou a ler o convite. — Esperamos ter a honra da sua presença... blá, blá, blá. Ah, tem um recado escrito a mão. Por favor, traga seu acompanhante. Eu e Jacob vamos adorar conhecê-lo.
— Parece que ela está querendo medir forças.
— Parece que ela descobriu que estou solteira e quer fazer me sentir uma perdedora. — Talvez o bichinho do casamento também a tivesse mordido, pois a verdade era que gostava da idéia de sossegar e arranjar alguém para valer. Tinha um ótimo emprego, adorava morar em Seattle, seu corpo era jovem e fértil. Era uma mulher na idade ideal para casar e ter filhos. Só faltava o progenitor. Onde afinal estava ele?
Edward deu de ombros.
— Então não vá ao casamento.
Bella deixou o queixo cair, mas a atenção se voltou de imediato para o guarda-roupa.
— Não ir? Tenho que ir. Isso — Ela sacudiu o convite pomposo na frente dele. — É uma afronta, uma provocação. Vou nesse casamento nem que chova canivete.
Olhou a data. Seria em um mês.
— Tenho quatro semanas para me preparar — disse, sem plena consciência de que estava se abrindo para um estranho, o vizinho do andar de cima. — Vou precisar de um vestido impecável e uma companhia de parar o trânsito. — Passou a mão pela barriga e apertou-a buscando gordurinhas. — Também vou precisar de um regime radical. Vou cortar fritura. Quem sabe perco alguns quilinhos?
Olhou para o relógio. Ia tentar se livrar logo de Edward e fazer umas abdominais no tapete. Tinha apenas um mês e não podia perder um minuto sequer.
A verdade era que nunca tinha superado ter perdido Jacob para B.J. Também,nunca tentou esconder a dor de cotovelo de ninguém. Todas as colegas de classe deviam achar até hoje que ela era uma pobre coitada que não tinha conseguido segurar o namorado.
B.J. estava querendo um segundo round? Bella estava mais do que pronta para a briga. Estava mais velha, mais madura e mais senhora de suas emoções. Tinha um emprego interessante e uma vida muito boa.
Aquela seria a chance de provar isso para a amiga traidora. Precisava de um vestido fabuloso e novos acessórios. Resmungou, mentalmente. O acessório mais importante que precisava não era uma bolsa nova ou um par de saltos altos. E sim um homem lindo e maravilhoso a tiracolo. Onde encontraria um desses?
Faltando apenas um mês para o casamento, não podia perder tempo. Voltou sua atenção para Edward. Quanto mais rápido se livrasse dele, mais tempo teria para bolar algum plano infalível.
— Você queria conversar alguma coisa comigo?
— Bella, preciso da sua ajuda.
Ela fez uma pausa e se esforçou para esquecer B.J., a ladra de namorados.
— Precisa da minha ajuda para quê?
— Sabe aquele livro que você viu cair no chão? Sexo para idiotas completos!
— Sei. — Dessa vez, não ia ficar ruborizada. Afinal, era ele quem deveria sentir vergonha e não ela.
— E que ele é para casais. Ela arregalou os olhos.
— Quer dizer que é para um casal de idiotas completos? Edward sorriu.
— Não exatamente. O livro é dividido em capítulos... com lições e, bem, alguns exercícios. Preciso de alguém com quem praticar. Como você é a única mulher que conheço que sabe da existência do livro, fiquei pensando se você não faria os exercícios comigo.
Ela se levantou bruscamente. Não acreditava no que ouvia.
— Está me pedindo para fazer amor com você? Acho que está precisando é de um guia prático sobre bons modos para idiotas completos. É óbvio que a resposta é não.
Bella foi até a porta. Que jogo ridículo esse lunático estava tentando fazer com ela? Não era de admirar que ele não tivesse conseguido sair com ninguém até hoje.
— Não, espera. — Ele se levantou e a seguiu. — Você me entendeu mal. Não quero que faça amor comigo. Por favor. Você parece uma pessoa com um bom coração.
— Também tenho o cérebro maior que uma laranja, sabia? — Nervosa, abriu a porta e o encarou, possessa de raiva.
— Tchau.
— Não tem nada além de beijos até o capítulo quatro.
— Arranja outra.
— Não me expressei bem. Desculpa. Escuta. — Ele passou as mãos pelos cabelos já despenteados. Parecia um menino assustado e carente. — As mulheres que conheço já têm idéias preconcebidas s,obre mim. Elas esperam certas coisas... mas você é diferente. Você não me vê assim. Achei que pudesse me ajudar. Só para começar. Os primeiros capítulos. Prometo que nunca faria nada que não quisesse.
Mais uma vez, ela se espantou com o fato de que um homem tão lindo pudesse ser um desastre com as mulheres. Um daqueles mistérios da vida.
— Quer que faça amor com você por pena?
— Mas quem está falando de sexo? Só quero descobrir se o livro funciona. Se você topasse praticar os primeiros capítulos comigo, tipo, toda sexta-feira, seria eternamente grato.
Ela estava com um veemente "Não!", na ponta da língua. Mas o convite continuava ali, preso entre o polegar e o dedo indicador. De repente, foi como se tivesse descoberto a pólvora. Ficou olhando para Edward, enquanto um turbilhão de idéias passava por sua cabeça. Apesar do pequeno problema do qual ninguém precisava saber, Edward era o cara mais bonito que encontraria no curto espaço de tempo que tinha. Era só fazer com que ele não falasse muito durante a recepção e poderia se passar por príncipe encantado de qualquer donzela.
— Você disse que até o capítulo quatro só tem beijos, certo?
Um sorriso cheio de esperança iluminou o rosto de Edward.
— Certo.
— Quero propor um trato. Vou até o capítulo quatro com você, se aceitar ir ao casamento de B.J. e Jacob comigo.
O sorriso se desfez e ele fez cara de desgosto.
— Quer que vá a esse casamento cafona como seu namorado?
— Não. Quero que vá a esse casamento cafona como meu escravo do amor.
NA: Como prometido aqui o segundo capítulo no domingo, e logo após o terceiro. ENJOY!
