The unforgettable walk

A primeira coisa que veio à cabeça de Bella quando acordou foi que não poderia quebrar nem uma unha durante a caminhada. Elas deviam estar grandes e bonitas para o casamento.

— Parece até que é o seu casamento — provocou Ângela, um dia antes.

Porém, Bella estava alheia a provocações, pois estava determinada a mostrar a B.J e Jacob, bem como aos amigos comuns, que ela estava ótima, que nunca estivera melhor.

Acordava cedo naturalmente e antes das sete já tinha todos os sanduíches prontos e a cama arrumada. Havia tempo de sobra para alguns abdominais.

Trocou a água das rosas, colocou-as de volta na mesa de centro e ficou admirando-as. Havia sido um gesto muito gentil da parte de Edward, pensou. Na mesma hora, porém, pensou que, com certeza, a idéia tinha vindo do livro. Balançou a cabeça, contrariada, e se concentrou nos abdominais.

Quando ele tocou a campainha, Bella já estava prontinha. Ao vê-lo, a pressão caiu um pouco. Não tinham se encontrado desde o beijo. Passou a língua pelos lábios instintivamente e os olhos de Edward escureceram enquanto observava a cena. Ao dar-se conta do que fazia, procurou se recompor.

— Vamos?

Foram no carro de Edward. A bela caminhonete estava suja e arranhada, indicando que o rapaz gostava de aventuras.

— Vão ser mais ou menos cinco horas de caminhada. Tudo bem para você?

Se soubesse que seriam tantas horas de exercício, nem teria feito os abdominais, pensou Bella. As pernas também estavam um pouco doloridas dos exercícios da noite anterior. No entanto, faltavam apenas três semanas para o casamento.

— Por mim está ótimo.

— Gosto muito desse percurso que vamos fazer. Segue por um rio e tem algumas subidas com vistas incríveis.

Conversaram durante a viagem como se fossem apenas bons amigos. No entanto, o clima no carro carregava uma tensão que contradizia as aparências. Bella começou a suspeitar se não havia sido uma má idéia ter aceitado aquele convite.

Porém, ao chegarem no lugar, ficou feliz por estar lá. O ar era puro e fresco. Sentia o perfume dos pinheiros e das flores campestres que enfeitavam a paisagem. O céu estava azul com pequenas nuvens esparsas. Os músculos foram aquecendo e relaxando enquanto caminhavam. Tinha que admitir que aquelas cinco horas eram a receita perfeita Para tonificar o corpo e queimar as calorias desejadas.

Pássaros, flores, o verde e a paisagem...

Bem, a paisagem mais chamativa era a de Edward caminhando na frente de shortinho, que até que combinava com o resto da vista. As pernas musculosas avançando pela mata em perfeito movimento a fizeram se lembrar, de que sentia sede.

— Oi! — gritou ela.

Edward se virou, em resposta. Ao contrário de Bella, ele não transpirava nem um pouco.

— Preciso de água.

Ele tirou uma garrafa da mochila e entregou a ela.

— Vou mais devagar. Desculpa.

Bella deu vários goles e só então respondeu.

— Não precisa. Estou bem. — Não, não estava. Mas precisava estar magra e elegante para o casamento de B.J. Valia o sacrifício.

— Tenho mais na mochila. Pode beber o quanto quiser.

Depois de uma pausa para ganhar fôlego, voltou a andar, empurrando Edward. Continuou com a garrafa de água na mão, pois estava certa de que precisaria dela em breve.

Depois de um tempo, notou que o caminho havia se tomado mais íngreme. Surpreendentemente, o corpo ganhou nova carga de energia.

— Como está se sentindo? — perguntou Edward, virando-se para ela.

— Ótima — Bella respondeu, sem conseguir deixar de reparar na camisa que marcava o abdome definido dele. Tinha, enfim, transpirado e a blusa estava úmida o suficiente para deixar à mostra os músculos que eram mesmo uma delícia. Não pôde evitar imaginar como seria sentir aquele tórax e abdome nus. Sentir seus seios roçando naquele peito forte. Tinha o pressentimento que deveria ser uma experiência fantástica. Para ele, principalmente, pensou. Será que seria tão generosa e benevolente a ponto de arriscar ir para uma outra etapa com o "idiota completo". Havia aceitado dar uns beijinhos, nada além. Toques de peles nuas, certamente, seria um extra, um ato de extrema magnanimidade da parte dela.

No entanto, ele estava sendo muito gentil em se oferecer como personal, levá-la àquele lugar tão bonito. Talvez ele merecesse um gesto caridoso.

Ela fitou novamente o tórax sob a blusa úmida e se perguntou se ele seria peludo. Adorava peitos peludos. É, o coração lhe confirmava: esse era um daqueles dias para se fazer uma boa ação.

Com sua experiência e autoconfiança, devia tomar o controle da situação. Afinal, quem era a professora ali? Era hora de começar a fazer o que sabia de melhor: ensinar.

— Quanto você acha que já caminhamos? — perguntou a ele. Ele fez uma pausa e se virou para ela. Aproveitou para beber um pouco de água.

— Acho que uns seis ou sete quilômetros. Por quê?

— Quero ter certeza de que já gastei as calorias que vou ganhar com esses confetes de chocolate.—Ela olhou para a mochila cheia de guloseimas que carregava.

Edward riu.

— Por que não espera mais um pouco? Daqui a dois quilômetros, tem um lugar ótimo para um piquenique.

É, poderia esperar mais uns dois quilômetros, para entrar em ação. Edward a guiou para fora da trilha principal e seguiram por um caminho estreito até chegarem na margem do rio, onde havia um lindo campo coberto de grama verde e flores do campo. De onde estavam, podiam ver um banco de areia, mais abaixo, onde um casal se preparava para arrumar a toalha do piquenique.

— Lá, termina a trilha principal, mas prefiro esse lugar. É mais sossegado. Podemos ter mais privacidade — disse Edward, enquanto observava a vista.

Ela o olhou, desconfiada, tentando decifrar o significado daquelas palavras. Esqueceu-se que, fazia pouco, tinha tido pensamentos impróprios com o peito musculoso, entre outras características de Edward, e estreitou os olhos. Será que ele tinha planejado alguma coisa? Pois ela mostraria prontamente que o dia de seguir o manual era sexta-feira. Durante o resto da semana, ele devia se comportar como uma pessoa normal.

No entanto, enquanto arrumavam a toalha para o lanche, ele não mostrou qualquer intenção de se aproximar. Pelo contrário, estava tão bem comportado que ela relaxou. Bocejou e se espreguiçou na grama que estava morna pelo calor do sol.

— Cansada? — quis saber ele, também se espreguiçando.

—Fazia um tempinho que não caminhava tanto assim. — Os pés estavam quentes e incômodos dentro das botas pesadas. Não pensou duas vezes, desamarrou o cadarço, tirou as botas, as meias e ficou descalça.

Uma delícia. A brisa refrescou de imediato os dedos dos pés de Bella. Fitou Edward de relance e viu que ele olhava fixamente para os seus pés. Algo na expressão do rosto dele fez com que a temperatura do corpo de Bella aumentasse. Ele desviou o olhar para o rosto dela e por um breve instante, porém inquietante, os dois se observaram de modo intenso.

Ela engoliu em seco e tentou quebrar o feitiço, abrindo a mochila e pegando os sanduíches.

— Espero que goste de queijo e presunto.

— Adoro — ele respondeu com tranqüilidade.

Tomando cuidado para que as peles não se tocassem, ela entregou um sanduíche a Edward. Ele abriu a embalagem e deu uma mordida.

— Está muito bom. Obrigado.

Ela provou o que tinha à mão, enquanto abria um saco de batatas fritas. Quando se sentiu satisfeita, relaxou completamente sobre a grama. Edward agia como se fosse um simples colega de caminhada. E para surpresa de Bella, aquilo a incomodava. Perguntou-se por que ele não estava tentando avançar nas lições, aproveitando o clima e a paisagem, e acima de tudo, a privacidade. O lugar era o ambiente perfeito para um encontro romântico.

Talvez fosse muito tímido, pensou. Quem sabe não queria ser inconveniente e respeitar o que haviam combinado?

Respeitava e admirava o comportamento dele, mas não entendia o porquê de se desperdiçar um momento tão oportuno para se ensinar e aprender. Além disso, não conseguia parar de pensar no peito másculo de Edward.

Ele estava catando os restos da ameixa e colocando em um saquinho. Parecia que estava se aprontando para caminhar mais. E ela não tinha nenhuma intenção de continuar caminhando tão cedo.

Aproximou-se de Edward, até que ele deixasse o que estava fazendo e a encarasse. Ele a olhou com as sobrancelhas sutilmente erguidas.

— Você esqueceu algumas ameixas — disse Bella, sensual. Enquanto olhava para ele, apanhou uma das ameixas e levou, sedutoramente, à boca.

— Adoro ameixas. — Mal pronunciou as palavras, aproximou aos poucos seus lábios dos dele, roçando-os levemente. Em seguida, passou a língua pelo lábio inferior de Edward, de ponta a ponta.

Saboreou cada milímetro daquele lábio antes de encaixar sua boca na dele. Ai, ele era quente e tinha um sabor maravilhoso! Parecia contido. Qualquer outro cara já teria se deitado com ,ela e estaria fora de si. Talvez por timidez ou precaução, ele deixava que ela tomasse o controle da situação.

Bella estava adorando a oportunidade de assumir a liderança, sentia um gostinho bom de poder. Olhou-o bem nos olhos e lá dentro viu paixão e excitação. Não podia resistir e aumentou a intensidade do beijo que parecia tão perfeito. Quando retirava a língua, ele a provocava, com a sua. Quando ela o atiçava, ele a acompanhava no mesmo compasso. Era, sem dúvida, um aluno aplicado e inteligente.

A temperatura ia aumentando por todas as partes do corpo de Bella e ela não conseguia tirar da cabeça a imagem do peito nu e musculoso de Edward. Precisava ver aquele torso.

Olhou rapidamente ao redor para se certificar de que continuavam a sós e passou as mãos por debaixo da camisa de Edward, erguendo-a. Ele a ajudou, erguendo a coluna e os braços. O abdome e o tórax eram muito mais incríveis do que havia imaginado. A quantidade de pêlos estava na medida certa. O fôlego lhe faltou e as pernas ficaram bambas, quando chegou a tocá-los.

— Uau! — ela deixou escapar entre suspiros. — Você tem a quantidade perfeita de pêlo no peito.

— Qual a medida considerada perfeita? — O tom era de ironia, mas ele parecia um pouco constrangido com o comentário. Pobrezinho, devia ser mesmo muito tímido. Talvez essa fosse a origem de todo o problema, porque, aparentemente, ele não tinha nada de idiota completo no assunto. Muito pelo contrário. Era lindo, perfumado, gostoso e o desejo era evidente, como ela pôde se certificar, ao subir em seu colo.

— Difícil explicar. É algo muito pessoal. Odeio peito muito liso. Parece bumbum de bebê. Mas também não dá para gostar de peito tipo carpete, não é?

Bella já não estava se satisfazendo apenas em acariciar o peito. Agora queria que o seu também fosse tocado. Era hora para mais uma lição.

— Estou muito excitada — ela murmurou, tendo o prazer de ver os olhos de Edward escurecendo de desejo.

Ele desviou o olhar para os seios dela, que estavam rijos e excitados como se gritassem por atenção. Bella arqueou as costas, como um gato se espreguiçando.

Ele fez que sim com a cabeça.

— Como você sabe?

Edward ergueu as mãos. Porém, em vez de ir na direção desejada por ela, foram para o rosto de Bella.

— Você está bastante corada. Estava?

Ele passou o dedo pelos lábios dela de uma forma inesperada e ela estremeceu.

— Seus lábios estão inchados.

Ela lambeu os próprios lábios e concordou.

— O coração está acelerado — continuou. —A respiração está ofegante.

O homem estava fazendo um verdadeiro check-up.

— Parabéns, bastante observador, você — comentou ela. — Ficou faltando apenas um sintoma. Bem, na verdade, dois. — Cansada de esperar que ele finalmente tocasse nas partes de seu corpo mais necessitadas, ela pegou as mãos dele, ajeitando-as com as palmas em seus seios, os bicos marcavam a camisa devido à forte excitação.

As mãos se encaixaram delicadamente em cada seio e ela deixou escapar um gemido. Não se lembrava da última vez que havia se sentido tão... tão sexy.

— Quero que tire minha blusa — ela sugeriu em voz baixa, contente porque estava vestindo uma camiseta fácil de sair.

Edward a encarou e as íris dos seus olhos pareciam estar em chamas. Edward fez o que ela pediu, bem devagar, como se tivesse toda a eternidade para despi-la. Bella desejava que ele arrancasse a blusa como se não houvesse amanhã. Decidiu que era hora de bancar a professora outra vez, ajudando-o na tarefa e, em seguida, retirando o sutiã.

Edward observava os seios de Bella como se nunca tivesse visto algo parecido antes. Depois de um longo silêncio, depois de notar que ele estava embevecido, ela disse:

— Obrigada. Quer tocar?

— Não imagina o quanto. — A voz dele era suave como a brisa que passava. As mãos quentes e macias não tardaram em cobrir os seios desnudos e ardentes de Bella. Ainda de joelhos, sobre Edward, ela cobriu as mãos dele com as suas, para, assim, mostrar a ele exatamente como gostava de ser tocada.

Sentia os dedos dele sob os seus, enquanto juntos apertavam, acariciavam e provocavam os mamilos do jeito que a excitava. Depois, inclinou-se deixando que os seios tocassem o peito de Edward. Bella estava totalmente entregue ao desejo. Beijou-o com voracidade, sendo generosa com a língua. Ele era tão másculo e quente, que ela sentia vontade de devorá-lo. Abraçou-o, buscando deixar a maior parte de seu corpo colado ao dele.

De repente, ouviu um cachorro latindo ao longe. Porém, Edward havia dito que aquele era um local sossegado. Não devia se preocupar, pensou. Enroscou as pernas nas dele e começou a roçar o bico dos seios sobre a pele de Edward, maravilhando-se com a sensação do friccionar de pele com pele.

Aquilo era demais para ela. Precisava consumar aquele momento de volúpia, precisava senti-lo dentro dela. Estava dormente e embriagada de prazer. Os dois estavam excitados o suficiente, o lugar era tranqüilo o suficiente, a temperatura ideal. O que estava esperando? Não via a hora de dar a lição mais importante da vida de Edward. De repente, lembrou de um detalhe importante. Aliás, fundamental. Não havia levado camisinha para o passeio.

Parou o que estava fazendo na mesma hora. Edward sorriu, como se houvesse entendido o recado. Tocou alguns fios de cabelo que caíam no rosto de Bella e os ajeitou atrás da orelha.

— Acho que devíamos continuar nosso passeio. Que tipo de personal trainer deixa a aluna tirar duas horas de intervalo para lanchar?

Surpresa com a atitude madura e inesperada de Edward, ela forçou um sorriso.

— Tem razão.

Vestiu a blusa e as botas. Ele colocou a camisa e os dois arrumaram as mochilas para partirem. Bella ainda não conseguia acreditar que ele havia tomado a dianteira e encerrado o interlúdio. Afinal, era ela quem tinha planejado aquilo. Que outro homem faria isso, com uma mulher seminua e totalmente entregue, sobre ele?

Edward se sentia um perfeito imbecil. Do jeito que estava se comportando, Bella ia acabar achando que ele era gay. Um homem de verdade teria ficado de joelhos e implorado a Bella Swan por tudo que ela estava disposta a dar. Bastava provar apenas uma única vez daqueles seios do outro mundo e ele podia morrer feliz.

No entanto, se provasse um único seio de Bella, se chegasse a encostar em um daqueles seios fartos e deliciosos, não tinha dúvidas de que acabaria de joelhos, implorando por mais. E perderia a chance de saber se seu livro funcionava.

E, até agora, apesar de que estava sofrendo física e psicologicamente, como um adolescente, tinha que admitir que o livro, pelos menos até o capítulo dois, era um sucesso. Bella havia cuidado pessoalmente da segunda parte e tomado a iniciativa. Fora tão generosa, sexy e... doce.

Tinha feito o possível para passar alguns conhecimentos sem parecer professoral, respeitando a auto-estima do aluno, apesar de quase ter arruinando com o autocontrole de Edward. Alguma vez havia desejado uma mulher tanto quanto agora? Tentou se lembrar, mas não conseguiu.

Por certo, era por causa das imposições que havia criado para si mesmo. Era a primeira vez que agia como mandava a cartilha. A cartilha criada por ele mesmo.

Bella foi na frente na volta, indo tão rápido que mais parecia que fugia dele. Não podia culpá-la. Assim como ele, tinha muita energia sexual para liberar. Mas estava difícil para Edward ter que ir atrás, assistindo àqueles quadris remexendo na sua frente, às pernas sensuais movimentando-se graciosamente. Não podia se dar ao luxo de fantasiar coisas com aquele corpo provocante e muito menos queria cogitar a hipótese de seguir os instintos e agarrá-la ali mesmo, fartar-se com os seios estonteantes que o haviam enlouquecido, poucos minutos antes, lambendo-os e o abocanhando-os como um bebê faminto... depois arrancar aquele short e... não... hoje não.

Ao chegarem no carro, Edward não se reconhecia mais, havia dispensado uma mulher incrível e totalmente disponível por causa de um estúpido livro. Bella apanhou um saco de confetes de chocolate e enfiou vários na boca.

As mãos de Edward cocavam, loucas para tomar Bella nos braços e levá-la para algum lugar com mais privacidade, nas redondezas, onde pudessem desfrutar um ao outro sem se preocupar com mais nada.

Sexo para idiotas completos era apenas um livro, afinal de contas. Papel e tinta. Bella era de carne e osso. Ele não conseguia esquecer os seios divinos de Bella, iluminados pela luz do sol. Pareciam o busto de uma deusa grega. Tinha que vê-los novamente, tocá-los, prová-los... que se danasse o livro.

A esta altura, Bella já havia devorado o saco de confetes.

— Bella — ele a chamou. Ela nem se virou.

— Vamos rápido. Tenho que passar no mercado. — falava como uma viciada em cigarro tendo uma crise de abstinência. — Meus chocolates acabaram. Preciso comprar mais.

Surprise!

Bella andava de um lado para o outro do apartamento, como se fosse uma tigresa selvagem enjaulada.

Aquilo era ridículo! Era apenas sexo.

Bem, não. Não era apenas sexo. Na verdade, não havia sexo nenhum e esse era o motivo de sua frustração. Desejava Edward. Estava completamente confusa com ele.

— Será que ele é? — Não, não podia ser. Devia ter uns trinta anos. Seria impossível que nunca tivesse transado na vida.

No entanto, enquanto ela estava toda oferecida e desesperada por ele, Edward parecia indiferente, desinteressado, sem tomar qualquer iniciativa. Não era surpresa que precisasse de um livro para guiá-lo.

Desde a caminhada, no dia anterior, Bella sentia-se estranha, inquieta, como se fosse sair da própria pele, saltar de seu corpo tamanho o seu desejo. Era uma loucura. Normalmente, eram os homens que tinham que lidar com o descontrole, quando estavam com ela. Era Bella quem sempre dava as cartas. Bem, não desta vez.

Continuava andando de um lado a outro. Perguntava-se se aquela sensação angustiante seria crônica. Não hesitaria em tomar uma pílula, caso houvesse, para apagar aquele fogo contido. Porém sabia que só havia uma cura para o seu mal. Fazer amor com Edward. Quanto antes, melhor seria.

Não estava nem aí para os capítulos do manual, não ia esperar até sexta-feira. Edward não queria umas lições para aprender a satisfazer uma mulher? Pois iria aprender a maior de todas as lições.

Era uma ótima professora e sabia disso. Ele, por sua vez, havia provado ser um excelente aluno. Estava na hora de fazer o que se fazia com aprendizes avançados: acelerar na matéria.

Teria que planejar tudo muito bem. Homens eram criaturas que funcionavam com a visão e o tato, principalmente. Teria que enviar uma mensagem impossível de ser incompreendida, mostrando que ela o queria da forma mais íntima que uma mulher poderia querer um homem.

Parou de vagar como uma tigresa agoniada e esboçou um sorriso.

Foi direto para o banheiro e preparou um bom banho de banheira, com os óleos e as essências preferidos, sendo que um deles, o ylang-ylang, especialmente para ajudar a libido.

Edward iria aprender uma lição inesquecível.

Edward estava incrédulo com o desfecho do passeio, mas, de alguma forma, a frustração havia acabado se transformando em criatividade. Por duas vezes, depois de chegar em casa, tinha aberto a porta da saída, com o intuito de ir atrás de Bella. Já não estava nem aí para o livro.

Ainda sentia o fogo lhe queimando as entranhas. Ela havia ficado magnífica com os seios à mostra, iluminados pelo sol. Balançou a cabeça como um animal enjaulado.

Se continuasse em casa, sem dúvida, acabaria à porta de Bella. Mas já havia ido longe demais e não podia desistir agora. Releu os capítulos três e quatro e tentaria usá-los ainda naquela semana, Até sexta-feira, com alguma sorte, já estaria brincando como gente grande, e finalmente, depois do capítulo seis, estaria no paraíso.

Tomou uma ducha rápida, vestiu jeans escuro, um blusão estilo havaiano de botões e foi andando para seu bar favorito, a poucas quadras de casa.

O cheiro de cerveja, misturado ao dos famosos hambúrgueres do lugar, formava a combinação prefeita. O Laszlo's estava sempre lotado de gente bem-humorada e divertida. Sentou-se no bar, sem ignorar o número de mulheres que já se encontrava no recinto. Acenou para algumas pessoas que conhecia e pediu uma cerveja. Virou-se de costas para o balcão e ficou observando a movimentação, os diversos jogos de sedução que ocorriam concomitantemente, que eleja havia praticado tantas vezes e sobre os quais escrevera em seus artigos. Procurou uma mulher para que fosse a vítima da noite.

Do lado da porta da saída, viu uma de costas que lhe chamou a atenção. Cachos castanhos e bem delineados, curvas generosas. Era alta e demonstrava confiança, mesmo não podendo ver o rosto dela, Até parecia com... bastou cogitar a hipótese e a mulher se virou para falar com um cara ao lado, deixando claro que não era Bella. E ele soube naquele instante que nenhuma mulher naquele bar iria poder ajudá-lo.

Pediu um hambúrguer, terminou a cerveja, bateu um papo com um colega que o cumprimentou e foi embora.

De repente, não se sentia mais animado para tumulto e azaração. Caso continuasse lá, acabaria levando para a cama a primeira mulher que encontrasse, o que não ajudaria em nada.

Ele queria apenas uma mulher. E, ironicamente, a havia rejeitado naquele mesmo dia.

Ao entrar no apartamento, sabia que não conseguiria dormir. Ficou zapeando os canais de televisão. Nada lhe chamava a atenção. Fez algumas flexões no tapete e vários abdominais. Percebeu que estava pensando em Bella e nos exercícios diários que ela fazia e no quanto desejava que ela estivesse por debaixo dele, naquele exato momento.

Era cedo demais para ir para a cama e no único lugar onde queria estar — no apartamento do andar de cima —, Edward sentia que não seria bem-vindo. Desesperado para distrair a cabeça, ligou o computador e abriu o arquivo do romance inacabado. Fazia tempo que não trabalhava no texto, principalmente por causa do guia, que havia consumido muito tempo para ser feito. Quem sabe naquela noite ele não conseguiria focar em algo que não fosse o desejo físico?

Sentou-se na cadeira e resolveu entreter-se com o livro por algumas horas. Era um romance de suspense psicológico, um projeto pessoal, que era levado a cabo entre um artigo e outro. Um dia se dedicaria apenas a escrever romances, mas, no momento, precisava do dinheiro que as revistas e jornais pagavam por seus textos.

Releu os primeiros quatro capítulos, até onde havia escrito. Havia parado na parte em que o herói, um policial estava a ponto de ter um colapso. Agora lembrava por que não tinha conseguido avançar. Havia posto o pobre coitado em um manicômio e não sabia como tirá-lo de lá... Parecia uma ironia do destino, pois, assim como o policial, Edward seguia as regras à risca, e agora precisava quebrar as normas para poder se libertar. Tinha que escapar da prisão que suas idéias preconcebidas haviam construído.

Claro! Subitamente, os dedos de Edward bailavam em ritmo frenético pelas teclas do computador. Tinha que acompanhar a velocidade de seus pensamentos.

Em determinada altura, sentiu o pescoço dolorido. Olhou o relógio. Eram quatro da manhã. No entanto, não estava nem um pouco cansando e o assassino estava prestes a atacar novamente. Uma das maravilhas de sua profissão era que ele podia fazer o próprio horário. Levantou-se, espreguiçou-se e foi até a cozinha preparar um café.

Em seguida, voltou ao trabalho.

Horas depois, o café havia acabado. Edward fez mais.

O tempo deixava de ter importância. O telefone tocou algumas vezes, mas ele ignorou. Seu herói ardia por justiça e por uma mulher — no caso a psiquiatra — personagem que, na história, era capaz de salvar ou arruinar com a vida do policial.

Edward fez uma pausa finalmente, sentindo os olhos dormentes. Os músculos estavam tensos, devido a horas em uma única posição e ao estresse de ter que lidar com assassinatos e com os problemas psíquicos de seu herói. Pelo menos, Edward já tinha novos e consistentes capítulos e um roteiro mais ou menos definido para o resto da história.

Recostou-se na cadeira e esfregou os olhos cansados Estava satisfeito. Claro, não tão satisfeito quanto se tivesse passado a noite toda fazendo amor com Bella Swan, mas ainda assim estava feliz com seu rompante de criatividade. Ficou olhando a tela do computador e uma onda de alegria o invadiu. E se aquela história não fosse apenas um hobby? E se o que escrevia fosse um suspense altamente vendável e lucrativo?

Levantou-se, animado e zonzo. Não virava a noite acordado desde a faculdade. Sete horas, mostrava o relógio. Por um instante bizarro, pensou que eram sete da manhã. Mas não, era noite. Ele havia trabalhado por mais de vinte e quatro horas, sem descanso. Havia ingerido café e nada mais.

Sorriu com gosto ao pensar que se continuasse tentando evitar a vizinha de cima, acabaria terminando uma série de histórias de suspense.

O estômago chiou com a falta de alimento e o excesso de café. Edward costumava comer bem, com pequenos intervalos. Precisava de uma comida decente, de um bom banho e de sua cama.

Sem pensar muito, saiu para comer algo. Sentia-se como um sobrevivente de um acidente de avião, no meio de uma terra estranha e exótica. O corpo permanecia em Seattle, mas sua mente estava no livro.

Ao passar pela padaria dinamarquesa, Edward se deu conta que havia ido longe demais. A padaria estava fechada. Os pães e tortas na vitrine fizeram o estômago revirar de fome. Resolveu voltar para casa, pois estava fraco demais para continuar procurando algum lugar. Tremia de fadiga e fome. Ao chegar em casa, arrastou-se até o chuveiro e resolveu ir a um bom restaurante antes de dormir.

O telefone tocou, enquanto ele abria a porta, sem haver decidido se iria pedir massa ou carne. Checou o identificador de chamadas.

Bella.

— Alô? — A voz estava incrivelmente rouca e Edward lembrou que não falava havia mais de vinte e quatro horas.

— Edward, é Bella — ela soava estranha.

— Está tudo bem?

— Preciso que você venha aqui agora. — Foi tudo o que ela disse antes que a ligação fosse interrompida.

— Bella? — Influenciado pelos assassinatos que o acompanharam durante toda a noite, Edward saiu correndo pelas escadas gritando o nome de Bella. A porta da casa dela estava entreaberta. Ele entrou abruptamente. O assassino estava indo atrás da psiquiatra para atingir de maneira indireta o policial. Edward tinha que impedi-lo.

Foram necessários alguns segundos para que o pânico desse lugar ao assombro. Bella Swan estava no meio da sala de estar. Havia velas espelhadas pelo ambiente e um perfume erótico no ar.

Uma música suave tocava ao fundo, mas tudo aquilo foi registrado de leve na mente de Edward.

Pois Bella estava espetacularmente, gloriosamente, nua.

NA: I'm sorry, pelo atraso, e eu sinto muito, mas eu não tenho nenhuma desculpa a dar porque é uma adaptação então, não tive atraso para criação de capítulos. É que eu estou muito viciada em anime agora e isso atrapalha bastante – esperando sair episódio do Naruto Shippuuden no NarutoProject /D. Espero que vocês tenham curtido o capítulo, um dos meus favoritos.

Hell.