Olá para todos.
Como vocês estão?
Espero que estejam todos bem, após aproximadamente vinte anos. (risos nervosos)
Sei que muitos, talvez, não acompanhem mais fanfics e estejam envolvidos com outros projetos e outros interesses em suas vidas. Espero que todos vocês estejam bem e tenham prosperado. Espero que sejam extremamente felizes. Se eu não agradeci o suficiente pelas reviews que recebi na época, gostaria de agradecê-los novamente. Muito obrigada!
No início dos anos 2000, a fanfic de Os Marotos era um projeto para eu tentar melhorar a minha escrita e criar um espaço em que pudesse exercer uma criatividade experimental e, durante muito tempo, fui feliz escrevendo.
No entanto, na primeira década de 2000 ainda, eu desenvolvi muitos problemas e era difícil para mim ser tão triste. Muitos sentimentos descritos na fanfic eram genuínos e, na época, precisei dar atenção a eles, antes que se tornassem predatórios. Então, procurei ajuda especializada e me pus de pé como a pessoa que eu queria ser, podendo me voltar para a escrita não como desabafo, mas como a força criativa que queria nutrir em mim.
Hoje, eu trabalho na minha área de formação e estou sempre muito perto da Literatura. Os livros de Harry Potter me são ainda muito queridos e, de certa forma, nunca esqueci de Os Marotos. O enredo foi se conduzindo na minha cabeça, mesmo no decorrer desses anos e ganhou mais força na pandemia em que fui obrigada a me voltar para este lugar, após ler o livro Mulheres que Correm com os Lobos de Clarissa Pinkola Estés. Depois da leitura dessa excelente obra, não apenas consegui estabelecer melhor porque o Remus me fascinava tanto, como fui tocada por um parágrafo em que a autora falava da necessidade de se mergulhar na própria alma.
No mesmo dia em que li esse trecho, busquei pela fanfic de Os Marotos e a devorei madrugada adentro, sabendo exatamente por que ela era tão especial para mim.
Então, escrevi a continuação primeiramente, após a ruptura de Sirius e de James e pude estabelecer o caminho que a história seguia com o namoro de Black e Lupin. No entanto, quando me voltei para os capítulos primeiros, percebi que havia alguns problemas muito pontuais na obra que queria alterar. Isso era uma necessidade.
Um deles era, sem dúvida, o Remus reagir a muitas coisas com vitimização e não estabelecer um limite para o que o afetava. Me peguei muitas vezes, pensando: "Reage, Remus! O que você sente também é importante pra caramba!"
Outro problema era o caráter de James Potter, que, apesar de ser um personagem difícil na obra original, deveria ter a sua insegurança maquilada com agressividade mais bem desenvolvida. E eu amo o James dessa fanfic e o defendo com unhas e dentes.
Os outros dois problemas (que julgo os mais graves) é o mau-caratismo egocêntrico do Sirius e o fato de ele, em muitos momentos, parecer mais apaixonado pelo James do que pelo Remus. A intenção era a de construir um personagem que flertasse com a sombra, mas que pudesse manter uma integridade dentro de si mesmo. Isso precisava ser mudado.
Por último, havia condutas, comportamentos e visões sobre a vida que não envelheceram bem, seja por haver transcorrido vinte anos, seja por eu ter uma visão muito pessimista da vida na época. Como disse, eu era uma garota com muitos problemas.
Também gostaria de balancear o angst com algum bom-humor porque, afinal, eles são garotos que estão começando a vida e o humor possui algo de mágico também que nos torna poderosos. Além disso, o formato muito subjetivo não conseguia abarcar o encadeamento da história que eu queria contar e isso foi uma das coisas que me travou na época. Apesar de ainda haver subjetividade, há um assentamento maior agora.
A longfic, que vai ser publicada desde o início, será postada na outra aba com o título Os Marotos: O Livro das Sombras.
Obrigada novamente a todos que leram o meu trabalho na época e esta mensagem é um parecer tardio sobre o abandono. Não sei se alguém lerá essas palavras, mas eu senti que deveria dizê-las. É um sincero pedido de desculpas também. Estou feliz por poder voltar para este mundo.
Escrever é o que toca a minha alma. Mas, antes, eu precisei cuidar dessa alma para poder escrever.
Com todo o meu amor,
Brilliant Green
