No banho Jensen tentava conter sua sensação de culpa, principalmente pelo olhar magoado de Jared. Não que em algum momento ele tenha iludido o moreno. "Será que é tão difícil ele entender a situação e curtir, serão quinze dias de pura diversão, e depois cada um para o seu lado." Pensava o loiro.

"Droga por que esse aperto, essa apreensão ao pensar que não vamos mais nos ver? Jensen você não é burro, o manda embora, enquanto você não está apaixonado." – O loiro sabia que Jared tinha arranhado a redoma de vidro que tinha colocado em sua volta. "Isso não vai acontecer."

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- Vai ficar emburrado até que horas? – Jensen perguntou debochado, quando chegou à sala.

- Quer mandar no meu humor também? – Jared replicou.

- Desculpa, mas não quero nenhum tipo de mal entendido entre a gente, nenhuma ilusão. Se tivermos isso em mente, quando a viagem terminar, seguiremos sem mágoas ou arrependimentos. – Disse Jensen sem olhar para o moreno. – Você está agindo como se nunca tivesse ido para a cama com alguém apenas por sexo.

- Quando fui com alguém para cama apenas por sexo, ambos estavam de acordo. – Falou Jared.

- Posso ter te seduzido, mas não me lembro de ter te obrigado.

- Jensen a questão não é essa...

- Então qual é a questão? – O loiro interrompeu. – Por que não quero me entregar para você? Sinto muito, mas isso não vai rolar.

- Por quê? Eu me entreguei para você, e sempre me conservei. Sei que essa expressão é patética, mas o ato de ser passivo, para mim sempre foi um ato de rendição, de entrega. Sempre quis que acontecesse com alguém especial, que me amasse, que houvesse a troca de posição, confiança... – Jared baixou os olhos antes de completar. – Mas aconteceu... E não tem nada disso, poderia ter pelo menos uma troca...

- Sinto muito ter acabado com o teu sonho de princesa. – Jared olhou com raiva para Jensen. – Mas não adianta fica chorando pelo leite derramado, então vamos aproveitar a situação, que pelos seus gemidos é muito prazerosa. – Completou o loiro, ignorando a cara feia do moreno. – Vamos almoçar, por que brincar de tubarão me deu uma fome, aquela minhoquinha não deu para nada. – Disse de maneira bem safada. – Ainda estou com vontade.

- Pois vai ficar na vontade. – Disse Jared sentando à mesa.

- Nem vou discutir. – Jensen comentou, apesar de não querer magoar o moreno, não conseguia se controlar, parecia que Jared acionava um mecanismo em si cuja melhor defesa era o ataque.

Após o almoço que ocorreu em um silêncio pesado. Jared se trancou no quarto, e Jensen deitou no sofá. Aquela situação com o moreno o incomodava demais, não apenas pelas atitudes do moreno, mas pelas suas. Por obrigar o outro ficar do seu lado, de ter que seduzi-lo sempre que queria sexo, o esforço que fazia para deixa-lo feliz e o mesmo esforço para provocar e magoá-lo.

Essa instabilidade de comportamento o confundia, pois sempre fora muito centrado. Na verdade nem sempre, mas sim desde que tomou a decisão de sair daquele quarto, onde se trancou por seis meses, depois do que aconteceu.

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- Jared? Abre a porta. – Jensen pediu depois de uma tarde remoendo seus pensamentos. Na voz um tom conciliador.

- O que você quer? – Perguntou o moreno sem abrir.

- Jantar. – Disse simplesmente o loiro.

- Não estou com fome. E não vou abrir a porta e nem adianta tentar a janela, pois já dei um jeitinho. – Falou Jared. – Boa noite.

Jared estava deitado na cama de olhos fechados pensando no quanto ridículo era ter de trancar a porta para não se entregar a Jensen, pois mesmo com raiva ele, o desejava. Queria esquecer as sensações que o corpo do loiro provocava no seu, e quando percebeu estava de pau duro, e sem resistir começou a se tocar.

Quase teve um ataque cardíaco ao sentir uma boca envolvendo o seu membro, e ao abrir os olhos encontrou o olhar safado de Jensen lhe encarando, e se perdeu na visão daquela boca perfeita lhe sugando e lambendo.

- Como você entrou? – Perguntou o moreno gemendo, mas o loiro não parou em nenhum minuto o que estava fazendo, e Jared desistiu. Apenas começou a gemer e dizer o nome do loiro, soltando um grito quando gozou na concavidade quente e gostosa que era a boca de Jensen.

- Mais calmo? – Perguntou de maneira cínica. – Eu queria apenas...

- Provar que você me tem na hora que quiser. – Disse Jared interrompendo o loiro.

- Não. Eu vim me desculpar, mas ao entrar pela porta do banheiro que dá acesso a cozinha, que deixou aberta, lhe encontrei em um gesto de prazer solitário e quis dá uma mãozinha e acabei fazendo uma boquinha. – Explicou o loiro. – Jared... Eu... – Jensen mudou o seu tom ao ver que a feição relaxada do gozo recente foi substituída pela mágoa.

- Está procurando palavras para me ofender mais? Não é preciso. – Disse Jared baixando a vista estava envergonhado por ter se deixado levar novamente pelo prazer.

- Me desculpa! Eu sei que fui um babaca, mas realmente quando você fala que me quer de quatro, quer me possuir, a irritação é tanta que não meço palavras. – Disse Jensen em um só impulso segurando o rosto do moreno entre as mãos para encarar os olhos do moreno, que mordeu os lábios.

- Você acha que uma simples desculpa muda tudo? – Jared estava magoado com Jensen, porém estava mais irritado consigo mesmo, com raiva de seu corpo que traia suas convicções e se entregava para o loiro com um simples toque dele. Por isso manteve a porta fechada, pois caso Jensen o procurasse saberia que ia ceder, e só não estava de quatro agora por que o loiro não foi adiante.

- Eu sei que não muda, se eu pudesse o deixaria com os seus sonhos românticos, mas não sabia o quanto isso era importante para você. Porém sua negação era tão fraca diante da intensa reação do seu corpo com as minhas caricias. – Jensen nesse momento tocou no rosto de Jared e sua pele se arrepiou concordando com o loiro. – Não deu para recuar.

- Para compensar você poderia...

- Não poderia. – Jensen interrompeu o moreno e a sua voz se tornou fria de repente.

- Jensen eu sempre fui o ativo em uma relação e agora você quer que eu me torne totalmente passivo, se pelo menos tivesse um bom motivo para negar. – Falou o moreno.

- Você fala como se isso fosse durar a vida toda. – Jensen já estava irritado com a conversa, o moreno sempre levava para o mesmo ponto.

- Eu sei que não vai durar a vida toda, no final da viagem serei jogado fora como um objeto que não presta mais. – Jared falou no mesmo tom.

- Qual é a diferença se eu me entregar para você? No final da viagem vai continuar cada um para o seu lado. – Jensen sentiu o seu coração apertar com essa possibilidade, mas ignorou o sentimento.

- A diferença que haveria uma troca justa, e não me sentiria como uma vadia sem amor próprio. – Falou Jared.

-Você se sente uma vadia? – Perguntou o loiro surpreso. – Te faz tão mal assim ir para cama comigo? Por que não me falou nada?

- Você fala assim com se fizesse alguma diferença? Claro que me sinto uma vadia ordinária. – Jared estranhou quando o loiro saiu de perto dele. – Você me comprou, me obrigou a ir para cama, tudo bem que não usou a força, mas realmente não era uma coisa que eu queria viver. Tive muito prazer na hora, acho que nunca encontrei um amante melhor, mas o depois... Suas palavras, seu jeito, claro que é só sexo... Mas de repente eu queria ser enganado mesmo, viver a ilusão de não ter me entregado a alguém que quer apenas a satisfação carnal, sou romântico, não nego.

- Pode parecer estranho, mas saber que se sente como uma vadia faz toda a diferença. Não vou negar que sexo para mim é apenas uma necessidade. Poucas vezes repeti parceiros, às vezes até encontrava alguém que gostaria de conviver mais, desfrutar um pouco da companhia, porém nunca quis me envolver e sempre fui sincero sobre isso. – Jensen se se sentou na cama, pensativo.

- E você nunca achou que tratava essas pessoas como vadias? – Perguntou Jared.

- Sempre tivemos em comum acordo, prazer: eles me davam prazer e eu retribuía. – Respondeu Jensen. – Simples assim.

- Você usava e era usado. – Disse Jared de maneira irônica. – Simples assim.

- Você tem razão, mas realmente me incomoda a palavra. Vadia: Ela é muito forte, nunca a uso e quando meus parceiros usam a relação acaba no mesmo momento. Já deixei homens belíssimos nus na cama sozinhos, por usarem essa palavra. – Jensen mordeu os lábios. – Não me pergunte por que, mas saber que alguém na cama comigo se sente igual a uma vadia, me tira o tesão... Não irei tocar mais em você. – Jensen pegou um travesseiro e um cobertor, e foi arrumar o sofá. – Mas não sou de ferro. – Jared realmente não acreditava na atitude do loiro.

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Jensen demorou a dormir a palavra 'vadia' ecoava em sua cabeça. Apesar de às vezes usar palavrões, existiam exatamente três que tiravam o seu tesão: Vadia, putinha e veadinho. Ele sabia que devia estar ligado com o que lhe aconteceu, mas não se aprofundava nisso. Seu cérebro guardou em um local que não tinha acesso e agradecia, bastava as lembranças das consequências. Não tinha por que mexer, e quando essas palavras surgiam durante o sexo simplesmente interrompia o ato.

- Oi. – Um rapaz loiro, alto e magro, mas com músculos definidos disse quando um homem bem mais velho que os seus dezoito anos, atendeu a porta.

- Jensen, que surpresa! – Respondeu. – Entra, seu pai sabe que está aqui?

- Jeffrey, hoje é a minha festa de 18 anos. Meu pai e meu avô vão ter de aceitar o nosso relacionamento. – Respondeu o rapazinho cheio de atitude. – Qualquer coisa me viro sozinho, já estou no segundo ano de administração, logo começarei um estágio e posso vencer por mim mesmo.

- Pode mesmo, e nem precisa se esforçar tanto – Jeffrey disse segurando Jensen pela cintura. – Vou te levar para Nova York, conheço uns amigos que conhecem outros amigos que adoram veadinhos e com essa boquinha...

- Eu não estou entendendo. - Jensen falou tentando se afastar.

- Jensen sua atitude de ir contra a sua família, farão que eles não queriam mais nada com você, estou sem emprego, temos que ter dinheiro para sobreviver, e por isso terei de dividir a minha vadiazinha, mas antes vou ter de ensinar tudinho. – E Jeffrey lhe segurou pelo rosto. – Você fará isso por mim, certo?

- Não. – Disse Jensen empurrando o moreno.

- Deixa de bobagem, você sempre quis isso, vivia indo para o meu quarto se oferecer.

- Não eu pensei que me amava. – Jensen continuava a protestar, e agora beira as lágrimas seu sonho romântico estava sendo transformado em pesadelos.

- Relaxa você vai gostar. – E Jeffrey sufocou sua voz com um beijo violento que o deixou sem folego. – Isso mesmo. – E sem muita delicadeza começou a desabotoar a calça do loiro que não reagiu de primeira. – Preparado para receber seu presente de aniversário? Minha vadia.

Tudo escureceu e raios com cenas não nítidas apareciam rapidamente e sumiam e de repente Jensen estava em um quarto, em uma cama desconhecida e quando olhou para o lado reconheceu o homem que o olhava.

- Vô? – O loiro perguntou.

- Sua vadia. – E um tapa ardeu em seu rosto.

- Não. – Jensen gritou e acordou com Jared lhe chamando.

- Jensen, calma. – Disse o moreno quando o loiro o empurrou. – Sou eu, Jared. – O loiro respirava forte e no olhar uma dor, um medo, o moreno não conseguiu definir, pois logo um brilho frio surgiu e o loiro se levantou passando por ele, evitando qualquer contato.

Jensen foi até a geladeira, pegou um copo com água e bebeu escorado no móvel, parecia que ainda buscava o seu alto controle. "Droga, fazia muito tempo que esse sonho não ocorria, é um sinal que tenho de mandar esse garoto embora." – Amanhã, depois do seu mergulho com os golfinhos, você poderá ir embora. Tem um helicóptero, que sempre parte daqui as sextas, ligarei para o aeroporto e deixarei uma passagem em seu nome com o destino em aberto, e mais um cartão de crédito para eventuais despesas. – Falou Jensen sem olhar para o moreno, caso contrário veria no olhar a decepção, apesar de isso ser o que ele mais queria.

Jared foi para o seu quarto e por debaixo da porta ficou observando que a luz da sala continuava acessa. "Tudo que eu queria era ir embora, mas por que não estou feliz?" refletia olhando para a escuridão da noite pelas vidraças da janela.

Jensen não conseguia dormir, o sonho na verdade era uma lembrança. E após isso apenas o depois doloroso, a vergonha, a humilhação, o afastamento da universidade e a decisão de nunca mais amar ninguém. Apenas com 21 anos voltou a fazer sexo, suas necessidades orgânicas exigiram, mas era apenas físico, nenhum envolvimento emocional, depois da satisfação, o vazio que procurou ignorar.

No começo era difícil, mas depois se acostumou, e assim ele se tornou o que era hoje, estava bem consigo mesmo, protegido e queria continuar dessa maneira, por tanto, mandar o moreno embora era a melhor atitude a ser tomada.

"Mas por que doí tanto?"

Nota: Meus amados leitores no momento estou passando por uma situação de falta de privacidade para ler, escrever, responder reviews e etc. Além da falta de tempo, coisa normal, tem semana que apenas consigo escrever na madrugada, por isso não respondi os reviews, o tempo que tenho aproveito para escrever as fics, imagine escrever lemon com um bando de gente nas tuas costas? Gente que não tem idade e outros que não entenderiam. Por isso peço perdão por não responder os comentários que tanto adoro receber, mas já atraso normalmente se for responder atraso mais ainda, porém se vocês acharem que mereço, mesmo com essa falta comentem, pois fazem parte da minha inspiração.

Um 2013 fantástico a cada um de vocês, pois todos fizeram parte do meu 2012 perfeito. Muita luz, paz, amor e saúde!

OBRIGADA pelo carinho de tantos que estão na minha vida por causa das fic e principalmente por causa desse seriado maravilhoso chamado SUPERNATURAL!

Comentários da beta:

(até eu to ficando brava com a insistência do Jay... Ele podia tentar de outras formas! Ele já viu que palavras não convencer o loiro!)

(Loiro idiota! O que custa, também, fazer a vontade do meu moreno? Os dois mereciam apanhar! Eu me candidato a bater! ;))

(E lindo, também não nego!)

(Ai morenão... Esse loiro é mais louco do que nós imaginávamos!)