Distance is covering your way,
Tears your memory
All this beauty is killing me

Então, chegara, Segunda-feira. 14 de Junho. Ele acordara duas vezes de madrugada antes das quatro horas, apreensivo, ansioso e aflito de como seria aquele dia. O incomodava de certa maneira que ninguém parecia dividir o mesmo sentimento dele. Blaise parecia satisfeito em ir embora dali, Crabbe estava um pouco inseguro por achar que não conseguiria arrumar emprego no Ministério e Goyle parecia animado em visitar seus pais no País de Gales.

Nenhum deles realmente parecia sentir a saudade que ele sentia, a nostalgia que ele sentia. Nem do castelo, nem de suas casas, nem de seus professores, nem dela.

Passou o restante do tempo acordado, fitando o céu negro da madrugada, através do teto mágico. O detestável sentimento nostálgico ia e voltava como movimentos peristálticos de seus próprios órgãos. A embriaguez muda, latente e viril da sua derrota deixava sua garganta seca e uma sensação de que um balão havia inflado dentro do seu peito, apertando seus pulmões e espremendo o coração de tal forma que doía a cada batida involuntária.

Ás nove horas, o Expresso de Hogwarts, havia chegado. E desde então, ele decidira subir abordo ao lado de Astoria. Draco a considerava bastante. Ela era do tipo que o entendia bem sem nem ele mesmo precisar dizer. Diversas vezes, ele já pensara em seguir certos conselhos dela já que soavam bastante pertinentes. Ele poderia dizer que ela era sua companheira. Não sua parceira. Não sua namorada. Sua pessoa de confiança. Algo parecido com sua amiga. Se ele um dia fosse Ministro, ela estaria lá, ao lado dele sendo sua secretária de confiança. Se ele fosse Führer, ela seria sua General de Brigada. Se ele fosse o próprio Diabo, ela seria um de seus juízes.

'Eu realmente espero que o Kingsley não faça besteira no Ministério.' Ela comentou com ele quando os dois acharam uma cabine boa no penúltimo vagão.

'Ele é um idiota.' Adicionou Malfoy sentando-se sobre o estofado de couro e apoiando o braço na janela da locomotiva. 'Vai abrir postos de cargos altos para Sangues-Ruins. Não me surpreenderei se ele fizer direitos para Abortos ou Elfos-Domésticos.'

'Não entendo como a sociedade aponta ele Ministro. Ele irá destruir o mundo bruxo. Está tentando implantar a lei da Igualdade e Emancipação dos Trouxas enquanto somos obrigados a ficarmos escondidos daquele mundo medíocre. Bruxos-Puros serão exterminados e muitos deles jogados para postos baixos como jornalistas, exploradores e donos de lojas de doces.'

Donos de lojas de doces. Weasley era dono de lojas de doces. Bom, não ele, mas seus irmãos gêmeos. Ele fez uma careta com o pensamento de como alguém pode ter orgulho de ser um dono de lojas de doces. Ouvira dizer que a Weasley Mãe não gostava da ideia, até plausível, mas ao ver que estavam ganhando bem, ela os apoiou. Supostamente iria. Já que sendo pobre, era interesseira. Provavelmente ficava feliz com um simples galeão que os filhos ganhavam.

'O que vai fazer?' Ela perguntou curiosa enquanto olhava para os pontos que ele também olhava através da janela do trem de Hogwarts.

'Não sei o que esperar de agora.' Ele respondeu sincero.

'Eu estava pensando em viajar.' Ele levantou os olhos e a fitou. Astoria continuou. 'Sei que vou sentir raiva das mudanças de Kingsley então seria bacana dar uma relaxada por um tempo. Conhecer vários lugares, como Machu Picchu ou As Cataratas de Victoria's Devils.'

'Eu não sei se entro logo no Ministério.' Ele respondeu a ela indeciso.

'Por quê?'

Ele estancou na resposta.

Ele sabia a resposta. Ele entraria no Ministério quando ela entrasse também. Estava com medo de que talvez, ela desistisse do que pensava e fosse para algo diferente e distante dele. Por quê? Por que o incomodava a distância que teria de Granger?

'Você está bem, Draco?"

'Sim.' Ele respondeu automaticamente. Através da janela viu Crabbe, Goyle, Parkinson e Zabini subirem a bordo do Expresso. Ele respirou fundo um pouco desconfortável. 'Eu realmente gostaria de não dividir a cabine com eles.'

'Bom, irei falar com eles então.' Draco piscou os olhos azuis e acompanhou Astoria levantar-se do assento e sair da cabine para se encontrar com os outros sonserinos. Ele agradeceu mentalmente por Astoria se comportar como uma pessoa com total ciência de tato.

Ele voltou os olhos para a janela e seus olhos se abriram um pouco quando a viu rir entre os dois amigos. Ele não sabia responder se preferia vê-la ao lado de Weasley, ao lado de Potter, ou entre os dois. Sua cabeça se inclinou em pensamento se acaso aqueles três já tiveram um ménage juntos. O balão pareceu ter estourado entre o peito e o corpo ardeu como brasa em boi.

A porta da cabine foi aberta e ele desviou os olhos para o chão da locomotiva quando Astoria retornou. 'Sinceramente, não entendo como Vincent irá conseguir o emprego no Departamento de Regulamentação de Criaturas Mágicas, ele nem sabe o que se fazer contra um hinkypunk'.

'Ele não conseguirá. Kingsley jamais daria o emprego a ele. Fiquei sabendo que seu pai libertou um dragão marroquino perto de Altenberg depois deste ter matado três bruxos pisoteados.' Devolveu Draco numa voz seca.

'Tal pai tal filho, não é?' Ela indagou num sorriso gélido.

Tal pai tal filho.

Ele era como seu pai? Seu pai era como ele? Seu pai já passara por aquela situação de nostalgia, confusão e incompreensão sobre si mesmo? Ele realmente era tão perturbado quanto seu filho? Draco piscou os olhos indeciso.

As pessoas costumaram dizer a ele que se envelhece quando este começa a ficar parecido com o pai. Ele estava envelhecendo. Estava perdendo o espírito jovial e feliz que era tão comum na adolescência. Estava perdendo a amorosa graça de fazer promessas muitas e não cumprir nenhuma.

O trem fez seu último apito, e Draco olhou para a janela vendo a estação de Hogwarts, bem como o castelo, e sua vida até ali ficar para trás. O pensamento voou até a garota de sangue de lama em uma das cabines do trem. Provavelmente estava se agarrando com o Weasley.

'Você está bem?' Astoria perguntou vendo os olhos azuis do garoto se moverem para trás, olhando a paisagem ao fundo da janela.

Ele olhou nos olhos verdes. A resposta que dera não condizia com o acordo protocolar dos dois. 'Não muito'.

'Você tem estado calado e meio triste esses dias.' Ela se permitiu dizer ao ouvir a resposta dele. Quando ele dizia que estava bem, ela o deixava em paz com sua resposta. Quando ele dizia não, ela deveria dizer o porquê pensava que ele estava mal.

O que ele responderia? O que ele poderia responder? 'Estou só um pouco nostálgico.'

'De Hogwarts? Vamos, você nem era tão apegado assim a esse lugar...' Ela tentou animá-lo de forma breve. 'Vai sentir falta de algo especial... Talvez Quaribol. Você adora Quadribol.'

'Não.' Ele respondeu seguro piscando os olhos azuis. 'Não sei dizer. Não é algo muito específico. É mais como um todo.'

'Um todo? Faça-me rir, Malfoy, você odeia o corpo docente da escola. Detesta os Lufas-Lufas sem exceções e vive a xingar os Grifinórios bastardos.' Draco piscou os olhos sem responder. Seu rosto ainda encarando o chão do trem.

'É a Granger?'

A velocidade com que ele levantou o próprio rosto fez um pequeno estralo no pescoço, e ele olhou para a garota ali à sua frente com os olhos um pouco abertos em susto, ansiedade e inanimo. A bile indo à sua boca. 'O quê?'

Ela sorriu percebendo o desespero do garoto. 'Não sou idiota, Malfoy. Na Sexta-feira, no Baile de Formatura, lhe vi a observando enquanto ela dançava com o Weaselbee. No sábado, no jantar, seus olhos estavam fixados neles como se os dois fossem dois elefantes trapezistas de um circo tchecoeslovaco, e no domingo de manhã, você a seguiu como se ela fosse abandonar a ideia de deixar Hogwarts e ficasse por lá.'

Ele sentiu raiva dele mesmo. Sentiu-se sujo. Como fora idiota ao ponto de nem tentar perceber se os outros percebiam o que estava passando com ele. E se os outros soubessem? E se Crabbe, Goyle, Blaise e Pansy soubessem? Ele não soube o que dizer. Não respondeu. Isso deu a resposta afirmativa à Astoria.

'Você gosta dela?'

'Não.' Ele respondeu imediatamente.

'Então por que vai sentir falta dela?'

Ele piscou os olhos tentando entender aquilo também. Ele estava ciente de que na verdade, aquele sentimento de que não estava acostumado, aquele sentimento de merda, era o sentimento de que talvez fosse o responsável pela embriaguez. Ele compreendera, em certo tempo, que o desprezo que guardava por Granger se inclinara a um sentimento desconhecido. Um sentimento latente, morno, e que até então estava adormecido. Tinha algo dentro dele desconhecido. Ele não sabia dizer. Era como um feitiço. Feito coisa-feita. Ela era estar próximo a ela e ele sentia bem, era ela estar triste e ele perdia o sossego. E percebera, mais dia menos dia, gostava dela. Ele realmente compreendera que gostava dela. Na realidade, ele estava amando aquela garota. O desejo de esquecê-la se tornara o mais forte estímulo para se lembrar dela.

'As coisas tem vida própria, Draco e elas podem durar pela eternidade. Tudo é uma questão de despertar sua alma. Você não tinha isso despertado até Quinta-feira. Aconteceu algo naquele Baile, enquanto eu dormia, e isso o causou essa sua nostalgia.' Draco fez um ruído com a língua, desaprovando o comentário ridículo da menina. Como se ele fosse parte do mundo ridículo.

'Eu não tenho nada despertado.' Ele disse recomposto. Astoria levantou as sobrancelhas.

'Seus cabelos estão despentados, ficou três dias sem fazer a barba e, por Merlin, seu colarinho está amassado.' Ela o reprovou furtivamente.

'O que isso tem a ver?'

'O amor me ensinou que você se arruma por alguém. Você se perfuma para alguém. E quando já não se faz mais isso, a tristeza e decepção tomou lugar.' Ela disse agora olhando para a janela do trem. 'Você gosta dela?' Ela perguntou e ele entendeu que ela quis que ele dissesse a resposta de sempre. Sim.

Ele deu de ombros preferindo ignorar a resposta. Ele não poderia dizer aquilo a ela.

'Você sabe o que vai acontecer daqui a seis horas, não sabe?'

Ele deu de ombros preferindo esconder a resposta.

'Draco.' Ela chamou atenciosamente. Ele levantou os olhos encarando-a. Ela o olhou nos olhos, parecendo medir as sensações do seu corpo com o que ela dissera. 'É sua última chance.'

Ele continuou a encarar os olhos verdes oliva da menina. O coração batia fora do ritmo num pavor que ele nunca sentira. Sua última chance. Ele também parecia saber disso. Ele engoliu em seco e olhou para a paisagem de verão da janela.

'Não seja idiota, Astoria. Jamais teria sentimento pela Sangue-Ruim.'

'Eu realmente acreditaria nisso se em vez de Granger fosse Parkinson ou Maureen.' Ela disse rindo mais uma vez. 'Vai realmente ficar aqui sentado esperando as horas se passarem?'

'O que você quer que eu faça?" Ele perguntou a contragosto. Numa voz seca, ríspida e gelada. 'Que eu seja um imbecil? Que eu vá até ela dizendo o que sinto por aquele estorvo?' Ele fez uma careta. 'Eu sou um bruxo Puro-Sangue, Astoria, não um hippie.' Ela sorriu com o comentário dele.

'E você passará o resto da sua vida se lembrando dos momentos em que o estorvo o trocou pelo weaselbee. Você passará o resto da sua vida lutando para pelo menos uma vez, ter uma conversa digna com o estorvo. Mas ela terá seus filhos, seu marido, e jamais voltaria a se aproximar de você. Entrará para o Ministério e todo santo dia irá ver este estorvo com o garoto que mais odeia. O estorvo então passará a ser você, Draco.'

Ele fez uma careta. Não era de desdém, de esnobe ou de asco. Era de dor. 'Juramos odiar um ao outro pelo resto da eternidade. Não que isso valha algo para dois adolescentes. Mas não dá, Astoria. Sei que não dá. Aquela garota jamais se livraria do Weasley!'

'Eu não estou falando de você fazê-la se livrar do Weaselbee. Não seja tão ridículo a ponto de achar que ela se libertará do Weasley e correrá por entre campos de dentes-de-leões à seus braços, Malfoy!" Ela o repreendeu instantaneamente. 'Estou falando de você ir atrás dela, fazê-la entender o que sente.'

Ele se levantou do próprio assento e negou com a cabeça. 'Perdeste a cabeça? Jamais falaria o que sinto por aquela garota.'

'Do que você tem medo, Draco?' Ela perguntou com a voz mais áspera. Ele trincou os dentes com força.

'De nada.'

'De nada? Não seja ridículo. Tem medo do não dela. Tem medo dela lhe humilhar na frente dos amigos. Tem medo de seu pai descobrir que você um dia gostou da raça que você um dia jurou odiar. Tem medo de passar os dias sozinhos. Tem medo de nunca mais a ver de novo. Tem medo de perder esse estorvo para sempre. Tem medo de amar este estorvo pra sempre.'

'Não tenho esses medos ridículos. Não seja tão sonsa, Astoria...'

'Você tem cinco horas, Malfoy.' Ela disse e ele abriu os olhos mais que o normal um pouco assustado. 'você sabe o que são cinco horas?'

'Maiores que três minutos.' Ele respondeu engolindo em seco.

'E menores do que seis.' Ela completou. Ele entendeu. O tempo dele estava se esgotando. O tempo dele de fazer algo que ele sabia que não teria como se arrepender, estava se acabando. Ele fechou os olhos azuis com força.

'Vai, seu idiota, vai atrás dela.' Ela falou alto numa voz mais disciplinante. Seu pé direito atingiu o esquerdo de Draco por um leve chute que ela dera. ' O que você viveu, ninguém rouba, Malfoy. O que você tá esperando? Não deixe isso passar! Vai! Vai procurar essa garota, mas sem romantismo ridículo e barato, acorde ela e fode ela até as orelhas!' Ela rosnou pra ele empurrando o garoto para fora da cabine do vagão. 'De verdade, Malfoy,' ela disse com as mãos em suas costas e a voz suave e doce em seu ouvido esquerdo, 'não morra sem saber qual é a sensação que se tem quando se transa com amor!'

Draco sentia algo desconhecido e novo. Uma felicidade plena, tão plena, tão intensa, que lhe causava medo. Draco percebera. Naquele momento, ele estava embriagado. Da felicidade plena. Logo ele, que sempre se arredondou sendo o mais soturno dos humanos. Logo ele, que fora tão controlador de si mesmo e seus sentimentos. Logo ele, que tinha orgias de mulheres, mas era ainda virgem de amor.

Ia cambaleando, meio penso, sem realmente parecer se preocupar com o que aquilo lhe causaria. Ia caminhando entre vagões e vagões e cabines e cabines pela garota que o encantava de tal forma. A imaginação desatada de como ela poderia dizer sim a ele, e ele sim a ela, ia além do mais alto engenho da natureza. A desatada imaginação dele e dela juntos iam além do esperado, até mesmo do milagre e da magia.

Ele apurou os ouvidos e reconheceu a risada da menina entre uma das cabines. Ele empurrou um aluno do segundo ano para fora do corredor e tomou fôlego em frente à porta. Cerrou a mão esquerda e bateu na porta da cabine três vezes seguidas. O coração batia tão depressa que ele o sentia nas pontas dos dedos. A porta foi puxada para o lado e ele encarou os olhos castanhos da menina. As pupilas logo se alargaram, tomando as cores de âmbar, e ela franziu as sobrancelhas.

"Tudo é uma questão de despertar a sua alma, Malfoy. O que você vive, ninguém rouba. Vai lá atrás dela. Fode ela até as orelhas!"

'Que você quer?' Perguntou irritada.

Sem resposta, Draco beijou Hermione. Suas mãos paradas sobre o rosto da garota enquanto forçava a entrada da sua língua na boca da menina. Não fora escrotamente lento como a última vez, ao contrário, fora escrotamente viril e dominante. Assustada, seus olhos castanhos perderam o foco do que realmente viam, e sua mente se esvairou.

Estava possuída. Estava sendo possuída. Por Malfoy. Pela língua de Malfoy. Por algo extremamente quente, bruto e vigoroso. Sentiu-se frouxa. Fraca. Sentiu-se molhada. Formigamentos nos dedos dos pés apareceram e suas mãos não eram capazes de se mexerem. Seu cérebro ricocheteava vozes, embora pareciam desconhecidas para ela.

A própria língua então se entrelaçou com a de Malfoy, ficando por cima, e enquanto sentia o molhado correr pelas coxas, pernas e pés, fechou os olhos. A lembrança do sonho que tivera com o garoto voltara de forma tão arrebatadora que o seu corpo já se passava do nível conhecido dela mesmo. Ela sentiu como se o coração explodisse em milhões de pedacinhos em segundos. Como se um lacre tivesse sido cortado, a coisa molhada, maciça e turbulenta inundou Hermione por completo. Seus pêlos se arrepiaram, seus dedos dos pés se dobraram, e o próprio sexo se contraiu. Hermione percebera que nunca sentira aquilo, ao mesmo tempo que não demorara para entender o que aquilo representava. Ela estava excitada.

Perdera o juízo, e por isso a língua seguia a do garoto de forma brevemente ensaiada. O gosto doce descendo pela sua garganta acompanhando as novas sensações de prazer. Estava fora de si. Estava sendo completamente rasgada de seus lençóis. Seu coração batia oco entre o intestino e o estômago e a única coisa lúcida em sua cabeça era o sentimento desconhecido arranhando-a por dentro e levando para dentro de si uma singela sensação morna.

'Hermione!' Alguém gritou de longe e ela pareceu recuperar a sensibilidade que até pouco tempo o corpo perdera. Seus braços, antes frouxos, ficaram duros feito vassoura e ela empurrou Malfoy com tanta força que ele, penso, caiu no chão da locomotiva. Ela tampou a boca com a mão direita em uma expressão de puro horror e tentava controlar a respiração ofegante. Engoliu em seco, sentindo o gosto dele descer pela garganta, tampou o rosto envergonhada com o que fizera e sentira.

Ron tinha o rosto incrédulo e os olhos azuis tão secos que a lembrava mercúrio. 'Ron..' Ele ignorou Hermione e os olhos de profundo ódio se estendeu a Malfoy, que já se ainda estava no chão do Expresso com uma expressão indecifrável em seu rosto. Parecia existir, no canto dos lábios, um esnobe sorriso. Um sorriso de vitória.

Hermione sentia medo. Jamais sentira tais coisas. Jamais seu corpo a fizera sentir tais coisas. Estava insegura, tonta, amarrada e confusa. Como Malfoy, o seu potencial arqui-inimigo, tinha capacidade de fazê-la se desprover de todo o seu comportamento moral e ético? Como ele a fazia ter coisas tão desconhecidas como aquelas sensações? Logo ela, que era tão segura de si. Logo ela que era tão leal a todo seu paradigma. Logo ela, que conhecia tão bem as regras do escrever e do amar. Logo ela que tinha todos aqueles anos de amores calculados.

Depois de tantos anos de amores calculados, o gosto desabrido da inocência e infantilidade tinha o encanto de uma perversão renovadora. De uma perversão libertadora. Eram apenas dois virgens. Virgens de amor, de sensações, de liberdade. Eram virgens de si mesmos.

I fear I will never, never find anyone
And I know my greatest pain is yet to come
Will we find each other in the dark
My long lost love? - Beauty of the Beast, Nightwish.