Ato VII – Conveniência.

What if love will leave your heart an open sore
And I can't reveal what even I don't know
The love you feel you waste away on me
What kind of love will let us bleed away
No kind of love would make us bleed away

Seus olhos azuis brilhavam admirando o rosto de Hermione Granger. Mesmo que parte do rosto da garota estivesse coberto pelos cabelos castanhos. A franja caía-lhe sobre a testa, os olhos e um pouco do nariz. Enquanto ele a admirava, Hermione admirava o chão do Expresso de Hogwarts.

Os dois estavam sentados lado a lado no chão da locomotiva, já completamente vestidos, embora qualquer um que entrasse ali poderia perceber o que sucedera naquela cabine. O aroma dos dois ainda se misturavam com o cheiro de sexo presente no local. Estavam calados. Nem sussurros faziam.

Malfoy até procurava algo para dizer, mas tudo parecia efêmero perto daquilo. Perto daquela garota. Ele pensou em perguntar a ela várias coisas, se ela havia gostado; se ela tinha noção do que haviam acabado de fazer; se ela sempre quisera aquilo... Mas ele definitivamente não achava uma boa ideia perguntar aquilo para Granger, então continuava ficar calado.

Ele desviou os olhos da menina para o teto e fechou os olhos sentindo a brisa que entrara pela janela bater-lhe no rosto. Sua própria mente repetia a cena várias e várias na sua cabeça. Ele deu um sorriso torto com o canto dos lábios. Nunca em seus maiores sonhos, ele sonhara com aquilo. Ele nunca acreditaria que uma dia aquilo pudesse acontecer entre eles. Era uma sensação esquisita. Seu coração fornicava no peito, e ele não sabia o motivo. Ele só sabia que aquilo não era normal, principalmente para alguém como ele. Ali, ele já não podia mais negar ou fingir. Draco Malfoy estava realmente apaixonado por Hermione Granger. Não. Ele percebera. Ele não estava apaixonado. Ele sempre estivera. Ele já estava apaixonado por aquela garota quando a pediu para dançar com ele. Ele só não sabia ainda. Ele passou anos da vida dele sem se dar conta daquilo. "Tudo é uma questão de despertar sua alma". Dissera Astoria, e finalmente, Malfoy, compreendera.

Um sorriso infantil se fez nos seus lábios e ele sentiu como se o corpo e alma estivesse alcançado o nirvana. Ah, então aquilo era o que os religiosos chamavam de paz. Aquilo eram o os escritores e poetas chamavam de amor. Quem diria que logo ele, puro-sangue, depois de tudo, ia se perceber apaixonando por uma sangue-ruim? Apaixonado pela CDF da escola? Pela amiga chata e neurótica de Harry Potter? Pela namoradinha de Rony Weasley?

Mas ele logo sentiu o estômago se revirar quando se lembrou disso. Ela era a namorada do Weaselbee. Bile foi á sua boca quando teve uma visão embaçada e doente de Granger trasando com Weasley. Ele abriu os olhos azuis e engoliu em seco, ainda sentindo o gosto sem nome de Hermione.

'Granger...' Ele chamou rouco, olhando para ela. Hermione não moveu um músculo, Malfoy sequer sabia se ela estava realmente escutando. 'Você já tinha feito isso com... Weaselbee?' O nome de Ron saíra baixo com um tom de secura.

Draco percebeu a mão esquerda de Hermione fechar-se, comprimindo as unhas dentro da própria carne. Ele piscou os olhos. '...?' Ela parecia morder os dentes tão fortes quanto cerrava as mãos.

Ela respondeu tão baixo que Draco não escutara. Ele teve a impressão de ser um 'não'. Internamente, ele se sentiu profundamente aliviado. Seus olhos azuis brilharam de satisfação e ele se sentiu o cara mais sortudo do mundo, e isso, novamente, ele não sabia dizer o porquê. Depois, ele percebeu que as bochechas de Hermione estavam rosadas, e algumas lágrimas desciam dos olhos cobertos.

'Granger?'

'O que há de errado comigo?' Ela perguntou a si mesmo com a voz mergulhada no choro. 'Qual o meu problema?' Ela indagou mais alto, levantando as mãos a altura dos olhos, querendo que alguém a respondesse. Draco permaneceu calado. 'Isso não está certo!'

Ela levantou-se do chão devagar, dando as costas para Malfoy, e ele rapidamente levantou-se também. Talvez com medo que ela fosse embora e o largasse ali sem mais nem menos. Malfoy percebeu ela cerrar as mãos com força, parecendo raiva. Então ele piscou os olhos assustados quando Hermione chutou a porta da cabine com força. Ele começou a perceber que ela estava chutando aquela porta como medida para esvaziar a raiva que sentia. Permaneceu calado, parando de achar graça no que havia acontecido.

Hermione continuou com o monólogo. A voz já estava fina pelo choro e rosto ainda mais molhado pelas lágrimas. 'Isso não é justo! Isso não está certo! Toda minha vida tive Ron como o garoto que sempre quis... e.. o que não sinto... pelo meu namorado...sinto pelo meu... POR QUÊ?' Ela gritou chutando a porta da cabine, assustando Malfoy. Ele permaneceu sério, calado e sem saber o que dizer. Logo, Draco sentiu todo o peso em cima de si. Ele estava entendendo. Ele começava a sentir a mesma coisa.

Hermione continuou chutando a porta, extravasando a raiva, a impotência, a imprudência e a dor. 'POR QUÊ? DROGA! MERDA!' Ela passou a mão sobre o rosto limpando as lágrimas e os rastros do choro, mesmo que fosse inevitável. 'Não é justo. Ron não merece isso. Nem Harry, nem Gina, nem ninguém... '

'Granger...'

'Nada!' Ela disse chutando ainda a porta, ignorando Malfoy. 'Eu não sinto nada! Eu não consigo sentir nada pelo meu namorado... POR QUÊ?' Ela respirava forte, sem ar, completamente sem compostura. 'Malfoy?' Ela chamou e ele olhou para ela. 'A porta da cabine...está quebrada?' Ela perguntou olhando para o chão.

Draco franziu a testa e aproximou-se da menina para ver o estado da porta. 'Não.' Ele disse em sussurro.

'MERDA DE PORTA!' Chutou mais forte.

Draco engoliu em seco. Ele não sabia o que fazer, ou o que dizer. Seus olhos azuis apenas vagavam pelo chão do Expresso de Hogwarts. Hermione continuou com o seu suposto monólogo. 'Era pra você me deixar em paz! Era pra você ir pra sua casa, viver sua vida feliz com seus pais, e eu com os meus! Era pra nunca ter nos falado socialmente naquele dia! Era nunca pra ter nos encostado naquele dia!'

Tudo o que Malfoy conseguiu dizer foi um 'Sinto Muito, Granger.'

'Não sente não!' Ela retrucou irritada, agora virando os olhos castanhos pra ele. 'Você não sente nada, e esse é o seu problema! Você não sente que nunca deveríamos ter dançado aquela merda de valsa! Você não sente pelo que aquilo se tornou e que tudo isso fez da minha vida um inferno! Você não entende tudo que passei com Harry e Ron, você não entende nada! Você não sente nada! Agora, minha vida com Ron está indo pro espaço e isso tudo é culpa sua! Ai você vem dizer um 'Sinto muito?'

'Eu pelo menos estou sendo educado. Você nem isso é!' Ele disse com uma voz estranha. Hermione calou-se, mais surpresa pelo comentário do que qualquer outra coisa. Malfoy levantou os olhos cinzas, torcidos visivelmente em raiva, e encontraram os âmbares de Hermione. 'Você quer ficar com o Weasley, está tudo bem, chegue pra ele e diga e você ficará com ele. Ele vai te perdoar. Não porque ele é babaca, mas porque é fácil. É fácil ele continuar sendo seu namorado e isso está longe de ser o inferno.'

'Viu? Você não sente nada! Acha que tudo é mil maravilhas! Acha que é só me desculpar e tudo vai ficar bem! Ron nunca mais vai confiar em mim! Harry, Ron, Ginny vão me odiar pro resto da vida!'

'EU VOU ME ODIAR PRO RESTO DA VIDA!' Ele gritou fazendo uma careta. Hermione arregalou os olhos âmbares assustados. Malfoy passou as mãos nos cabelos de forma frenética baguçando-os. Irritado, ele chutou a porta com força. "Meus... meus pais nunca... eles nunca vão me perdoar.'

Os olhos castanhos de Hermione perderam o foco por um momento. Ela pôde perceber que ele estava mais irritado com aquilo do que ela. 'Você arruinou minha vida. Me fez... me fez sentir essas coisas. Faça parar, Granger! FAÇA PARAR!'

'Eu não consigo!' Chorou Hermione forte. Sua mão direita se colocou sobre o seu rosto e ela não sabia que aquilo poderia doer tanto.

'Eu também não.' Ele terminou sussurrando. Suas pernas pareceram perderem a força e ele se deixou sentar no banco de couro do trem. Hermione continuou de pé, cabisbaixa, deixando as lágrimas caírem. 'Me sinto um merda. Um traidor. O idiota que amou a raça que um dia jurou odiar. E isso dói, Granger. Mata a gente. A gente se sente um lixo e tudo o que podemos fazer é... Sentir.'

Hermione levantou o rosto para ele. Ela deixou escapar mais uma lágrima. Malfoy puxou Hermione com força, fazendo-a cair em seu colo. Suas mãos logo agarraram a camisa de Malfoy e ela se deirou chorar, encostando seu rosto no ombro do garoto. Aquilo doía tanto que parecia que seu coração estava queimando em brasa viva. Ele a abraçou e ficou mudo, deixando o silêncio tomar conta do aposento mais uma vez.

'Você sempre acreditou em fantasmas, Malfoy?' Ela perguntou com o rosto ainda afundado em seu ombro depois de um tempo. Draco franziu a testa sem entender o que ela queria dizer. Seus olhos castanhos encaravam um ponto acima do estofado preto.

'Sim.'

'Eu não.' Ela disse com a voz rouca. Draco continuou calado esperando o que ela tinha a dizer. 'Quando eu era pequena, antes de entrar em Hogwarts, eu não acreditava em fantasmas. Há pessoas no mundo Trouxa que vivem à procura de rastro de fantasmas, mesmo sem vê-los. E há outras pessoas que já viram fantasmas, mas tudo o que mais querem é esquecer que já viram-nos alguma vez. É engraçado, não é? Que uns queiram encontrar o que outros querem tanto esquecer?' Ela indagou soltando um soluço de choro.

'Depende do ponto de vista.' Ele tentou levantando os ombros largos.

'Há algumas garotas que procuram por certos garotos enquanto há aquelas que dizem que eles não existem. Eu sou uma das garotas que dizem que eles não existem. Mas se existem fantasmas, por que tais garotos não podem existir, não é?' Hermione limpou o rosto mais uma vez. Ela levantou-se do colo dele e olhou-o nos olhos. 'Eu encontrei um garoto... mas o que mais quero é esquecer que eu o encontrei.'

Malfoy sentiu seu coração pular em sobressalto. Ele levantou-se do estofado de uma vez, agarrando a mão de Hermione antes que ela caísse correndo dali. 'Granger...'

'Eu-... eu não posso, Malfoy. Eu...'

'Você não pode fazer isso comigo, Granger.' Ela olhou para o chão.

'É você que não pode fazer isso comigo, Malfoy. Ron e eu...'

'FODA-SE!' Hermione recuou dois passos quando o garoto gritou. 'Foda-se o Weasel, Granger!'

'Foda-se o Ron? É isso que você diz? Foda-se o MEU NAMORADO?' Ela gritou com ele raivosa. 'FODA-SE MEUS AMIGOS E MINHA VIDA? É ISSO O QUE TEM A DIZER, MALFOY?'

'É! É ISSO QUE DIGO!' Ele respondeu no mesmo tom. A voz já estava por sair fora de linha. Era uma voz huskyana, que saía da garganta como se tivesse sido cortada por um golpe de faca. 'Você mesma disse que não sente o mesmo por ele! Não se ATREVA a me deixar por aquele babaca!'

'Não chame Ron de babaca!'

'CERTO! QUER QUE EU O CHAME DE OUTRO NOME? Não se atreva a me deixar por CONVENIÊNCIA, Granger!'

Hermione arregalou os olhos castanhos assustada. Ele respirava forte , o rosto suado e os olhos vermelhos. Os punhos cerrados completavam o desespero do garoto e só então Hermione pareceu notar o estado deturpado que Malfoy se encontrava. Só então ela percebera o que havia sucedido com ele. O que havia sucedido com eles dois. Malfoy não precisou dizer mais nada, ela entendeu o sussurro que se passou ali.

'Foi... sempre assim, não foi?' Ela indagou fitando o chão da locomotiva. 'Todos esses anos... Ficamos nos tratando pelo que era mais conveniente.'

'...' Malfoy ficou calado. Só o que fez foi engolir em seco.

'Você não me chamou pra dançar aquela valsa porque ia sentir minha falta...' Ela começou, direcionando o olhar para o garoto. Ele engoliu em seco mais uma vez. Suas mãos tremiam. 'Você quis dançar comigo porque...'

'Eu amo você' Ele sussurrou. Mas ele não precisou falar novamente, nem mais alto. Aquele sussurro ele fez questão dela escutar. Hermione engoliu em seco. Ele fechou os olhos com força e respirou forte mais uma vez. 'Eu estava cansado daquela merda de vida. Fingir. Fingir que eu odiava você só me frustrava, me deixava irritado. Pedi aquela dança com você porque... pelo menos... pela primeira vez... eu estaria sendo inconveniente. Comigo mesmo.'

Hermione fechou os olhos e uma lágrima escapou. Ela logo fungou o nariz e limprou o rastro da lágrima com a mão.

'E pela primeira vez... eu estava fazendo algo que eu realmente gostaria de fazer'.

'Todos esses anos?' Ela perguntou sem voz.

'Não sei. Nunca dei tanta atenção a isso. Mas acho que foi no Terceiro Ano, quando você me levou pra Ala Hospitalar depois que a Galinha quebrou meu braço.'

Hermione sentiu uma onda de dor e desespero a engolir por inteira. Ela não tinha mais voz. Sua boca fazia o movimento de fala e Malfoy só compreendia porque ele era bom em leitura labial. 'Por quê? Por que você me tratou tão mal por todos esses anos então?'

'Conveniência'.

'E nunca te passou pela cabeça que se você continuasse a me tratar da forma que me tratava, jamais poderia acontecer algo entre nós?'

'Eu não queria que algo acontecesse entre nós.' Ele respondeu seco. Ele fez um movimento negativo com a cabeça. 'Você não entende isso? Eu nunca quis que nada acontecesse entre nós. Todos os problemas que eu teria... meus pais... amigos... Mas eu não consigo mais aguentar isso. Eu... eu sou uma pessoa, Granger. Eu tenho pensamentos e... sentimentos... e desejos. Eu não posso viver seguindo expectativas dos outros.'

'Malfoy... eu sinto muito.'

'Eu sei.' Ele disse balançando a cabeça. 'Nós dois sentimos muito, não é, Granger?'

Hermione ficou calada, sem dizer uma palavra. Já havia chorado tanto que sua voz já estava sem timbre e seu nariz tão congestionado que ela fungava a quase todo instante.

'Como isso foi acontecer conosco?' Ela perguntou negando com a cabeça. Como aquilo poderia ter contecido com eles dois? Dois inimigos juramentados ao ódio e ao preconceito?

'Tudo é uma questão de despertar sua alma.' Ele falou sabichão, repetindo o que Astoria lhe dissera mais cedo. Hermione encarou seus olhos azuis. 'Foi o que aconteceu conosco naquela valsa na sexta-feira.'

Duas batidas na porta do vagão em um ritmo coordenado foram feitos. Hermione abriu a porta de forma cautelosa e reconheceu Astoria Greengrass.

'Yo! Desculpa atrapalhar o momento mágico de vocês dois... mas o Weaselbee... meio que... está fora de controle.' Ela disse levantando os olhos um pouco insegura.

'Ai, não...' Hermione fechou os olhos, limpando as lágrimas e deixou Malfoy na cabine com Greengrass para ir atrás de Ron.

Astoria olhou para Draco e ela deu um sorriso malicioso. Malfoy não precisa dizer nada para ela saber o que havia acontecido naquela cabine. Com um movimento com a cabeça, Astoria disse 'vai, vai atrás dela.'

Draco respirou fundo e caminhando sem pressas chegou ao corredor onde Weasley estava com os amigos. Potter tentava fazê-lo se acalmar, o que o sonserino achou uma atitude bem inútil. Weasley nunca foi do tipo que se acalmava muito facilmente.

Hermione não dizia nada, apenas se deixava fitar Ron. Ele já estava com os dentes postos no lugar, talvez com um feitiço de cura feito por Gina, e o sangue já não era mais visível. A raiva e a ira de Ron, no entanto, era num estágio que Hermione jamais vira na vida. Seus ouvidos estavam entorpecidos e ela não parecia escutar o que o garoto dizia. A boca mexia, mas som nenhum parecia sair da boca do garoto. Atrás dele, Harry, Ginny, Luna e Neville estavam calados, esperando alguma reação dela.

Hermione deixou mais uma lágrima escorrer de seus olhos. E só então ela foi capaz de escutar:

'VOCÊ VAI ME TRAIU COM ESSE MERDA, HERMIONE?'

'Nós só conversamos.' Respondeu Malfoy de uma vez, negando o que havia acontecido na cabine mais cedo.

'CALE-SE, FILHO DA PUTA!' Xingou Ron apontando o dedo indicador a Malfoy. Draco se calou. Ron se virou para Hermione, os olhos azuis completamente irritados. 'Você fez isso comigo mesmo, Hermione? Depois de tudo? De tudo que passamos? Do que sentimos?'

'Ron...'

'Você vai ter que decidir, Granger...' Interrompeu Malfoy sério, cansado. Estava cansado daquilo. Hermione olhou para ele insegura. 'Nem eu nem Weasley podemos continuar nessa merda que estamos. Você vai ter que escolher. Eu – o incoveniente - ou Weasley – o expectativa dos outros.'

Hermione sentiu os lábios secos e ela passou a língua sobre eles. Ela sabia que realmente tinha que decidir. Não podia ficar naquele chove-não-molha. Ou ela escolhia aquele loiro a sua frente ou o ruivo que sempre estivera do seu lado. E isso poderia ser uma situação fácil para Hermione se não fosse o fato de todo o âmago da menina estar no estado de tormenta. Aquele garoto á sua frente, completamente incoveniente, havia despertado algo nela. Ele habitava seus sonhos mais íntimos e muitas vezes (após o que se sucedera na valsa) ela já se pegara pensando nele com certa frequência. Ele a deixava assustada, sem chão e seus órgãos pareciam gritar quando os dois se afastavam. Hermione nunca sentira tais coisas antes. Era bruto e assustador. Ron, por outro lado, a acalmava. Era a relação morna-romântica que sempre imaginara em sua vida. Os dois estavam namorando já fazia alguns meses, mas nunca tiveram um contato mais íntimo que beijos. Hermione jamais sentiu com todos os beijos de Ron somados o que sentiu quando beijara Malfoy pela primeira vez. E ali, nm vagão minúsculo de trem, ela e o sonserino haviam chegado ao estágio que Ron sempre sonhara com ela. Outra lágrima escapuliu de seus olhos.

O que ela poderia fazer? Iria jogar a vida que sempre sonhara ao lado de Ron para o alto? Ou iria começar uma totalmente nova e inexperada com um garoto que ela sequer tolerava a quatro dias atrás?

Hermione desviou o olhar de Malfoy para Ron. Engolindo em seco, a menina aproximou-se do ruivo e o abraçou forte. Ron respirou fundo e a abraçou de volta, colocando suas mãos na cintura da namorada.

Draco piscou os olhos azuis e os abaixou, fitando o chão do expresso de Hogwarts. Ao seu lado, Astoria Greengrass pegou sua mão, apertando-a forte. Ele olhou para a amiga e ela deu um olhar de 'sinto muito'. Malfoy negou com a cabeça e saiu do corredor, voltando para a cabine onde estava com Hermione.

Ele já não podia fazer nada. Hermione havia se decidido pela conveniência.

If only you could be
The one to take a look inside
I feel so incomplete
A broken man in need of mother love
I'm suffering in silence
And no one wants to see
What Kind of Love - Avantasia