Capítulo 34 - Ciúmes

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Esperei Naruto no pátio depois que as aulas tinham acabado. Passei o resto das aulas lembrando de Hinata e de Ino, e não podia deixar de me sentir magoada por sua atitude de me ignorar. Não sabia que tipo de veneno Hinata havia soltado, mas ela conseguiu com maestria afastar Ino de mim.

Suspirei, encostando minhas costas na pilastra redonda de sustentação, observando o portão de saída a muitos metros de distância e os alunos saindo por ela. Desviei minha atenção para o meu celular em minhas mãos. Liguei o display entrando no aplicativo de mensagem e mandei uma para Sasuke, mesmo sabendo que ele não estava online.

VOCÊ JÁ FEZ A PROVA?

E como imaginava não obtive resposta.

Mordi o canto de minha boca e subi as mensagens anteriores. Havia muitas mensagens de áudio de muitas noites - com cada um em seu quarto - e parei numa foto que ele havia me mandado anteontem que ele mesmo havia tirado da gente quando estávamos deitados e espremidos no sofá de casa enquanto assistíamos um filme à tarde. Posso dizer que era uma fotografia bem comprometedora, pois ele havia tirado quando eu havia virado meu rosto para trás e ele me beijou.

Palhaço.

Sorri, pois naquele dia eu estava irritada por que ele estava implicando comigo o filme inteiro, me cutucando com o dedo em minhas costelas quando menos esperava. Detestava quando ele estava em modo criança, ele ficava insuportavelmente metido.

- Ah, aí está você – a voz de Naruto me fez desligar o celular rapidamente e fitar seu perfil. – Pensei que tivesse ido embora, pois não havia te visto.

Sorri, guardando meu celular na mochila. Olhei exatamente aonde eu havia ficado.

- Acho que fiquei escondida mesmo.

Naruto sorriu também.

- Vamos?

Assenti com a cabeça e me desencostei da pilastra. Quando dei três passos para a frente, escutei Naruto praguejar baixinho e antes de virar meu rosto para ele, senti suas mãos agarrarem meus ombros, me virando em direção a pilastra, contornando-a, ficando atrás dela.

Franzi meu cenho e virei meu corpo bruscamente para Naruto, não entendendo aquela atitude repentina.

- Porque você fez isso?

E como resposta Naruto agarrou meu pulso, me escondendo ainda mais na pilastra, junto dele.

- Foi mal, Sakura – disse, para depois olhar algo por detrás da pilastra, em direção ao portão. Tentei ver o que estava acontecendo, mas Naruto me impediu, agora virando-se para mim. – Eu estou com um probleminha.

Inclinei minha cabeça para o lado e observei seu rosto pouco aflito.

- Problema?

Naruto olhou mais uma vez para detrás da pilastra e logo em seguida se escondeu mais, ficando bem próximo de mim e me fitou com aqueles olhos azuis.

- Você se lembra quando disse uma vez que terminei um relacionamento conturbado?

- Sim... eu me lembro.

Como não lembrar o dia que havia declarado o que eu sentia e ele ter me dispensado de um jeito que não deixou dramático. Nunca esquecerei o dia que percebi o erro que iria cometer se Naruto tivesse aceitado meus sentimentos sem imaginar que meu coração estava dividido e que possivelmente todos poderiam sair magoados no final. Hoje agradeço internamente por Naruto ter me libertado de uma paixão platônica.

- A minha ex é louca o suficiente para não entender que não estamos mais juntos. Ela costuma me seguir para aonde vou e está fazendo vigília novamente no portão do colégio. E se ela me ver com você, vai pensar que temos algo e uma confusão vai rolar.

Senti meus olhos se abrirem mais, e contive a curiosidade de olhar por detrás da pilastra e ver a garota problemática que estava ali.

- Minha nossa!

O rosto de Naruto se contorceu numa pequena careta.

- Não quero vê-la sendo alvo da Shion. Ela é ciumenta demais para transformar a vida de qualquer garota que chegar perto de mim num verdadeiro inferno.

Não pude conter um pequeno friozinho de pânico circular meu estômago e o que eu havia me livrado sem saber. Minha vida se transformando num inferno caso eu tivesse levado a minha paixão por Naruto mais adiante, se ele não tivesse me detido. Eu já tinha problemas com Hinata que era uma ex-amiga, imagina com uma ex-namorada neurótica? Nem queria imaginar.

- Naruto, isso é completamente tóxico. Você tem que falar com ela e resolver esse assunto pacificamente. Por que do jeito que você me está contando, a sua ex é capaz de fazer qualquer coisa e alguém pode sair machucado no final disso tudo.

- E você não acha que eu não sei? – Ele passou a mão pelo rosto, claramente nervoso. – Eu já conversei com ela, tentei por um ponto final, mas ela não entende ou finge que não quer entender... – e depois suspirou, cansado. - Desculpe por jogar os meus problemas para cima de você, mas não imaginava que ela estaria aqui no portão da escola de novo.

Toquei seu braço, tentando lhe passar um pouco de conforto.

- Tudo bem, Naruto. Não se preocupe. Você pode desabafar comigo se quiser. Somos amigos, não somos?

Naruto abriu um pequeno sorriso cansado, relaxando um pouco seu corpo.

- Obrigado, Sakura. Você é a primeira pessoa que entende os meus problemas. Não é um assunto que posso conversar com Kiba ou o Sai. Eles não entendem. – Seu sorriso aumentou e sua mão segurou a minha, ela era grande e quente, diferente da mão de Sasuke que era sempre gelada ou suada. – Quero que saiba que gosto de ser seu amigo.

Sorri comprimido, sentindo pouco confortável por ele estar segurando a minha mão, mas logo ele a soltou. Olhou mais uma vez para detrás da pilastra e voltou a me fitar.

- Nós podemos nos encontrar na estação da sua casa? É a estação 5B, não é? – Assenti com a cabeça e ele continuou: - Tenho certeza que a Shion vai me seguir e irei despistá-la por entre os vagões.

- Ok.

Ele apontou com o polegar para atrás de seus ombros.

- Então vou primeiro e depois você vá, ok?

Assenti novamente com a cabeça para cima e para baixo.

- Tudo bem, vai lá.

Naruto sorriu comprimido para mim e saiu detrás da pilastra redonda de sustentação. Eu fiquei mais alguns minutinhos ali escondida, processando tudo o que Naruto havia despejado, e depois de um grande suspiro eu saí da pilastra também.

Eu podia ver Naruto no portão falando com uma garota, e conforme eu me aproximava da saída eu podia visualizar melhor sua fisionomia alta, cabelos longos e loiros, estava de uniforme escolar que não era da Academia Ashford. Estava de costas para o prédio, por isso não pude ver seu rosto, mas sim o de Naruto, a expressão era fechada e parecia que ele estava passando um sermão na garota que acabou encolhendo os ombros.

Resolvi apertar os passos, segurando as alças de minha mochila e foquei sempre em frente, mas quando passei pelo casal eu não pude evitar escutar um pouquinho da conversa.

- Eu já disse que não, Shion.

Era a primeira vez que eu via Naruto tão zangado. Para falar a verdade, eu nunca poderia imaginá-lo assim, geralmente ele era só sorrisos como um sol iluminado.

- Você tem outra, não têm? – A voz da tal Shion havia soado insegura e desconfiada. – É por isso que você está me desprezando.

- Shion, entenda, eu não tenho ninguém! Quantas vezes eu tenho que dizer...

Não consegui mais escutar o restante da frase, pois havia distanciado muito deles, tendo consciência agora do problema que Naruto vinha enfrentando. Isso me fez lembrar de Hinata e o seu amor platônico obsessivo por Naruto. Meu Deus, nem queria imaginar o desastre que seria um combate entre Hinata e Shion.

Eu tinha pena do Naruto.

Coitado.

A viagem de metrô não havia sido tão turbulenta como das outras vezes, o que achei bom, pois geralmente Sasuke estava sempre comigo nos vagões, sendo a minha barreira protetora contra os que distribuem assédios gratuitos. Era por isso que eu odiava pegar esse meio de transporte.

Desci na minha estação e fiquei esperando Naruto na plataforma, encostada numa das paredes. Posso dizer que ele demorou bastantes, pois três metrôs haviam passado e nada dele. Quando comecei a pensar que talvez ele pudesse ter desistido ele apareceu no quarto metrô.

Ele me viu logo de cara e veio até mim com passos rápidos.

- Desculpe, demorei mais do que devia.

- Pelo jeito ela deve ter dado trabalho para despistá-la.

Naruto suspirou e começamos a andar para a saída, a luz do sol brilhava forte lá fora.

- Na boa, acho que a Shion tem um radar que capta todos os meus passos.

Virei meu rosto para fitá-lo, sentindo o sol queimar minha pele quando saímos da estação para rua.

- O que fez para despistá-la?

Naruto me fitou.

- Eu fui um ninja.

A sua resposta acabou me arrancando risadas e ele acabou me acompanhando.

- É sério – sua voz era risonha -, eu tenho dons para essa profissão.

- Ok, senhor ninja, então presumo que pulou algum prédio ou escalou algumas árvores.

Naruto ergueu as sobrancelhas, a mão no peito, fingindo está indignado.

- Está duvidando dos meus dons, Sakura Haruno?

Ergui minhas mãos para cima, em sinal de rendição, entrando na brincadeira.

- Claro que não. Sei que você é um ninja completo.

Naruto acabou gargalhando. Mordi o lábio para prender uma risada.

- Você é demais, Sakura – disse, voltando a olhar para frente. – Conversar com você é tão fácil.

- Também acho fácil conversar com você – fui sincera, por que eu realmente gostava de conversar com ele.

- Sabia que nunca vim por essas bandas? – Ele disse olhando as casas, lojinhas e a pequena pracinha que ficava do lado oposto quando atravessamos a rua para o outro lado. – Aqui é bem bonito.

- Sim. Também fiquei impressionada quando vim aqui pela primeira vez.

Fomos o restante do caminho conversando banalidades e logo já estávamos de frente a minha casa. Naruto catava tudo com o olhar a rua aonde eu morava até sua atenção ser totalmente tomada por um meliante de nome Susanoo aparecer correndo, se esfregando em minhas pernas enquanto morria de tanto miar, um verdadeiro drama. Sasuke mimava aquele gato por demais e agora ele era cheio de vontades. Era irritante as vezes.

- É o seu gato? – Naruto perguntou se agachando para fazer carinho no Susanoo.

- É do Sasuke – respondi tirando uma alça da mochila do ombro e abrindo o bolso, procurando a chave.

- Uau, não sabia que o Sasuke gostava de gatos.

Olhei rapidamente para Naruto que alisava Susanoo que estava virando de um lado para o outro no chão, se esfregando todo, daquele jeito quando via gente, se amostrando toda a sua fofura.

- Ele morre por esse bicho.

Achei a chave, encaixei na fechadura e abri a porta.

Naruto se levantou, fiz sinal com a mão para ele entrar e entrei em seguia e por último o gato.

- Sua casa é bonita.

- Obrigada

- Sakura... – a voz de Mikoto soava vindo da cozinha e não demorou para ela aparecer – vocês demoraram, eu... oh! Temos visitas?

Dei alguns passos para frente sendo acompanhada por Naruto.

- Mikoto, esse é o Naruto – apresentei. – Ahn, nós vamos fazer um trabalho de escola. – Em seguida olhei para o garoto ao meu lado. – Naruto, essa é a minha madrasta, Mikoto.

Mikoto sorriu daquele seu jeito gentil de ser. Naruto tomou as rédeas da situação e estendeu a mão para ela.

- Prazer, senhora Haruno.

- O prazer é meu. – Apertou a mão dele. – Confesso que estou um pouco surpresa, já que nem Sakura ou Sasuke trazem amigos aqui. – Em seguida sua cabeça inclinou para o lado, observando Naruto, um dedo em seu lábio, pensativa. – Mas acho que você não me é estranho?

Naruto sorriu, a mão coçando atrás de sua cabeça, daquele jeito de menino travesso.

- Eu e Sasuke jogávamos basquete na quadra pública quando éramos mais novos.

E aquilo pareceu clarear as lembranças de Mikoto.

- Ah, eu lembrei – sorriu calorosa, um dedo apontando para ele. – Você era aquele amiguinho loiro que comia os sanduíches reservas que levava para ele lá na quadra.

O sorriso de Naruto se abriu mais, diante daquela nostalgia.

- Até hoje não encontrei um sanduíche que tivesse o mesmo gosto perfeito daqueles que a senhora fazia.

Mikoto posou uma mão em sua bochecha e a outra abanou o ar.

- Eram só simples sanduíches, não tinha nada demais neles.

- Mas eram os melhores da região. – Naruto elogiou, e pelo jeito havia conquistado de vez a simpatia da minha madrasta.

Mikoto riu.

- Você é muito gentil, rapaz – em seguida seus olhos me fitaram. – E cadê o Sasuke, querida? Ele não veio com vocês não?

- O Sasuke foi para o cursinho – respondi, jogando a minha mochila no sofá. – A secretária mandou um e-mail avisando que a prova seria mais cerdo.

- Nossa! Tomara que tenha dado tudo certo. Ele deve ir para a autoescola de lá então.

- Também acho.

- Então seremos nós três a almoçarmos hoje.

- Não quero incomodar, senhora...

Mikoto abanou novamente a mão no ar.

- Que incomodar nada. Os amigos dos meus filhos são todos bem-vindos.

Naruto olhou para mim e eu apenas ergui meus ombros para cima.

- Me dê a sua mochila, vou levar lá para cima – pedi, estendendo a minha mão.

- Faça isso, Sakura – disse Mikoto e depois se virou para Naruto. – Gosta de arroz, batata frita e bife à parmegiana?

- É um dos melhores pratos da Mikoto – eu disse sorrindo, segurando a sua mochila que estava bem pesada.

- Sakura é suspeita por dizer essas coisas. – Mikoto já estava com a mão nas costas de Naruto e o guiava para a cozinha.

Naruto riu.

- A senhora está querendo que eu a sequestre para a minha casa.

E Mikoto riu.

- Então você terá que enfrentar dois homens que são super protetores antes de me sequestrar.

- Tudo bem, eu me dou por vencido.

Sorri, balançando a minha cabeça para os lados. Agarrei minha mochila e subi para o meu quarto ouvindo a conversa de Mikoto e Naruto indo para a cozinha. Naruto com certeza tinha o dom de cativar qualquer um.

Entrei no meu quarto e deixei as mochilas em cima da minha cama e liguei o meu computador. Procurei uma roupa confortável no meu guarda-roupas e fui ao banheiro tomar um banho. Quando desci as escadas minutos depois estava com o corpo mais relaxado depois do suor e a quentura do sol, marchei até a cozinha. Encontrei Mikoto no meio do caminho.

- Querida, eu já ia subir para te chamar.

- Eu tomei um banho e troquei de roupas.

- Hm. – E sua voz a seguir soou quase em um sussurro, só para eu ouvir: - Aquele garoto é o mesmo garoto que você disse que gostava?

Foi inevitável não ficar surpresa com aquela abordagem. Nossa, fazia tanto tempo que havia revelado aquilo a Mikoto que eu mal me recordava, muitas coisas haviam acontecido depois daquele dia. Mas eu não podia negar e muito menos podia dizer a verdade. O que eu poderia dizer?

- É – a única solução é ser evasiva, dizer o mínimo para não soar nada comprometedor.

Mikoto sorriu animada, passando seu braço por trás de minhas costas e segurando o meu braço, apertando-me contra seu corpo.

- Ele é muito lindo, querida, e muito gentil também. Eu quero que saiba que está mais do que aprovado.

Olhei para ela automaticamente, o sorriso era enorme em seu rosto.

– Estou torcendo para vocês dois, pois eu acho que ele gosta de você também.

Apenas soltei um pequeno sorriso desconfortável e não disse nada. O que eu iria dizer afinal? Que ela estava enganada? Que eu não gostava de Naruto dessa forma que ela imagina? Que eu estava pegando o filho dela? Acho que o mundo colorido de Mikoto acabaria.

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Depois do almoço subi para o meu quarto com Naruto e passamos a tarde toda fazendo o bendito trabalho que estava mais trabalhoso do que imaginávamos. Conversávamos vez ou outra sobre algum assunto aleatório, ou para reclamar daquele trabalho horrível que estávamos tendo, mas passamos a maior parte em silêncio, cada um concentrado no seu afazer.

Estava sentada em minha cama com o livro aberto em meu colo, destacando as partes mais importantes da matéria enquanto Naruto estava sentado na cadeira de frente para minha escrivaninha, editando a nossa pesquisa no computador.

- Sakura, vem ver se está bom?

Levantei-me da cama e inclinei meu corpo pouco para baixo, observar a edição que ele havia feito e movimentando o mouse, rolando a seta para baixo.

- Está ótimo. Só irei incrementar mais alguns tópicos e pronto.

Naruto suspirou, relaxando as costas no encosto da minha cadeira cor-de-rosa.

- Mais outro trabalho desses eu estarei acabado.

Ergui meu corpo para cima e encostei meu quadril na escrivaninha, fitando seu rosto se contorcendo numa careta cansada.

- E pensar que é só o começo de um monte de trabalhos que virá pela frente.

- Nem me fale – suspirou novamente. – Além desses trabalhos monstros ainda tenho que treinar duro para as competições de basquete e morrer de estudar para entrar numa universidade.

- E esqueceu de mencionar a ex louca como brinde.

- Sakura! – Ele virou seu corpo para mim, incrédulo. – Assim você me mata.

Acabei gargalhando com a cara engraçada que ele fez.

- Você é má.

- Own – dei tapinhas no topo de sua cabeça, ainda rindo. – Tadinho de você.

- O que ele está fazendo aqui?!

Tomei um susto com a voz de Sasuke, me fazendo virar meu rosto automaticamente e vê-lo ali parado no portal do meu quarto fitando eu e Naruto. Ele havia acabado de chegar.

- Sasuke! – E toda a graça havia acabado e meu sorriso morria, observando sua expressão fechada.

- E aí, cara – Naruto o cumprimentou, seu corpo quase todo virado para trás, o braço sob o encosto da cadeira.

Sasuke não o respondeu, apenas franziu ainda mais as sobrancelhas, fechando mais a cara. E foi inevitável não sentir um friozinho no estômago com aquele olhar frio que me fazia sentir como se estivesse pecando. Mas logo joguei aquela sensação de lado e expliquei, imaginando as mil e uma abobrinhas que deveria está passando na cabeça daquele garoto:

- Nós estamos fazendo o trabalho de biologia – a frase saiu mais rápido que eu previ e odiei isso. E logo fui alvo dos olhos acusadores de Sasuke, acusação que eu não sabia o quê, pois não estava fazendo nada de errado.

- Ah, querido, você chegou. – A voz de Mikoto soou de repente enquanto entrava no meu quarto com uma bandeja de sanduíches e dois copos de suco que presumi ser de laranja. – Olha o que eu fiz para matar a saudade daquele tempo?

E pousou a bandeja em cima da escrivaninha.

- São aqueles sanduíches? – Naruto perguntou, surpreso por ver a comida que ele tanto falou mais cedo.

- Sim. – Mikoto sorriu, assentindo com a cabeça. Ela paparicava Naruto de tal forma como se fosse seu futuro genro. E acho que na cabeça dela ele seria algum dia, já que deixou bem claro para mim que torcia por nós dois, sem ter ideia que eu era a sua nora.

Minha nossa!

Desviei meus olhos para Sasuke, ele observava toda a atenção que sua mãe dava para Naruto. Acho que nem queria saber o que se passava em sua cabeça.

- Viu quem está aqui, Sasuke? – Mikoto olhou seu filho enquanto sorria. – Aquele seu amigo Naruto.

Sasuke bufou, saiu do meu quarto e logo mais a porta de seu quarto bateu com foça.

- O que deu nele? – Naruto perguntou com a boca cheia.

Mikoto apenas abanou a mão no ar.

- Liga não. Isso tudo é fome. Então, os sanduíches estão com o mesmo gosto de antes?

Naruto pegou o copo de suco e deu um gole, depois sorriu.

- Está igualzinho.

Meu Deus, será que eu fui a única ali que percebeu a tensão que havia ficado no ar com a presença de Sasuke?

Peguei o meu copo de suco e dei um gole. Droga, estava quente.

- Eu vou lá embaixo pegar gelo para pôr no meu suco.

Mikoto olhou para mim, a mão em sua bochecha.

- Ai querida, acabei esquecendo de colocar o gelo. – Ela perguntou para Naruto: - Está muito quente?

- Está ótimo para mim.

- Eu vou colocar no meu então.

Saí do meu quarto com passos apresados, a porta de Sasuke estava fechada. Suspirei e desci as escadas, sentindo meu coração acelerando aos poucos.

Por que eu estava tão nervosa desse jeito?

O que havia sido tudo aquilo?

Quando cheguei na cozinha deixei o copo do meu suco em cima da mesa e abri o congelador, pegando a caixinha de gelo. Destaquei alguns e coloquei no meu copo, e antes de virar meu corpo novamente para guardar os gelos, senti uma mão segurar meu braço de repente. Com o susto deixei a caixinha cair no chão e os gelos se espalharam pela cozinha.

- Sasuke!? – Meu coração só faltou sair pela boca, o coração acelerado. – O que você está...

Ele me interrompeu com a voz soando irritada e entredentes, seu rosto aproximando mais do meu, o cenho franzido:

- O que aquele idiota está fazendo no seu quarto?

Pisquei os olhos algumas vezes, observando o quando ele estava irritado, a boca crispada.

- A... A gente... a gente estava fazendo um trabalho de escola. Eu já disse.

- No seu quarto?

Parei.

Apertei meus olhos, o cenho franzido.

- O que que foi, Sasuke? – Puxei meu braço de seu aperto e pousei minhas mãos nos quadris. - O que você está tentando insinuar?

Agora quem estava ficando irritada era eu.

- Com tanta gente naquela maldita sala de aula por que junto com o Uzumaki você tinha que fazer esse trabalho?

- Por que o professor quis assim. – Inclinei minha cabeça para o lado, observando seu rosto emburrado. – Não estou lhe entendendo? O que é toda essa insegurança? Isso por acaso é ciúmes?

- Você não tem ideia do quanto – e sua mão agarrou meu braço mais uma vez, me puxando contra seu corpo e colou a sua boca na minha com tanta foça que fiquei tonta.

Sasuke começou a me beijar, era diferente dos outros beijos. Era mais intenso e perigoso, suas mãos agarravam meu corpo com tamanha possessão que parecia que iria fundir nossos corpos. Era claro que não consegui resistir aquele beijo, na verdade, eu nunca conseguia resistir a Sasuke, mas a minha razão começou a gritar dentro de mim e assim consegui me separar dele, ofegante e sem ar.

- Você... está... louco? – Minha voz saiu entrecortada enquanto puxava o ar para os meus pulmões. Ele também respirava intensamente. Engoli a seco. – A sua mãe está lá encima e o Naruto também.

- Eu não estou nem aí.

E me puxou contra sua boca mais uma vez, beijando-me daquele jeito intenso e deixando meu corpo inteiramente quente.

Minha nossa, como eu estava quente.

Sasuke me imprensou contra a geladeira e colou ainda mais seu corpo no meu e outras partes também. Minhas mãos agarraram a sua nuca e cabelos, me deixando levar por aquele calor excitante e imaginando nós dois sem aquelas roupas. Ainda mais quando a mão de Sasuke descia e subia em minha coxa desnuda pelo short e as pontas de seus dedos adentrando a bainha larga e tocando a minha bunda.

O barulho da porta da cozinha nos trouxe de volta a realidade ao mesmo tempo quando a maçaneta girava. Senti a adrenalina correr por minhas veias, meus olhos e de Sasuke arregalaram e nos separamos rapidamente um do outro ainda nos efeitos dos amassos. Sasuke havia agido mais rápido do que eu e improvisou uma crise de tosses aos mesmo tempo quando a porta da cozinha se abriu. Segui a onda da atuação e comecei a dar tapas fortes nas costas deles enquanto Sasuke tossia sem parar.

- O que está acontecendo?

Meu Deus era papai que havia chegado a alguns milésimos de segundos de nos pegar no flagra. E iria ser o flagra do ano.

- O Sasuke... O Sasuke – minha voz quase não queria sair enquanto respirava rápido. – Ele... ele se engasgou.

Isso. Consegui formar a frase.

Papai se aproximou rapidamente, deixando sua maleta encima da mesa e tocou a mão nas costas de Sasuke, inclinando seu corpo mais para frente para ver seu rosto tão vermelho quanto o meu.

- Sakura, pega um copo d'água, ele parece que está ficando sem ar – a voz de papai soou preocupada enquanto dava tapinhas nas costas dele.

Peguei um copo limpo e o enchi com a água da torneira mesmo e o entreguei para ele. Estava ficando preocupada, pois, ou Sasuke havia se engasgado de verdade – o que estava bem realista – ou ele atuava muito bem.

- Respire fundo, filho – disse papai, claramente preocupado. – Bebe um pouco de água.

Sasuke levou o copo a boca, tomou alguns goles e depois respirou fundo.

- O que está acontecendo aqui? – Perguntou Mikoto aparecendo na cozinha com a expressão preocupada. Naruto estava atrás dela. – Que barulheira toda é essa?

- O Sasuke se engasgou, querida – respondeu papai, e depois fitou Sasuke. – Melhorou?

Sasuke assentiu com a cabeça deixando o copo encima da mesa.

Mikoto ficou aflita e se aproximou do filho, a mão em suas costas.

- Sasuke, você está bem?

Sasuke tossiu mais um pouco, puxando o ar para dentro dos pulmões antes de responder:

- Estou... bem.

Mikoto afastou-se do filho e olhou para mim, para ele e meu pai, as mãos nos quadris.

- Agora me digam, ele se engasgou com o quê?

Sasuke e eu tivemos uma ligeira e discreta troca de olhares, o suficiente para fazer meu rosto ficar corado. Desviei rapidamente, fitando uma Mikoto indignada e Naruto que parecia segurar um sorriso enquanto comprimia os lábios.

- Ele... – minha voz soou hesitante, ganhando a atenção de todos – ele se engasgou com... – E meus olhos varreu rapidamente a cozinha até parar na caixinha de gelo caída no chão. – Ele se engasgou com o cubo de gelo.

- O quê? – Três vozes soaram ao mesmo tempo e Sasuke arregalou os olhos, incrédulos com a minha resposta.

- Cubo de gelo? – Questionou Mikoto, o fitando. - O que você estava fazendo com o cubo de gelo na boca, menino? E que bagunça de gelo espalhado pela cozinha é essa?

Papai suspirou balançando a cabeça para os lados.

- Esses jovens de hoje com suas manias.

- Papai, o senhor chegou cedo. – Tentei mudar o assunto na cara dura mesmo, agachando-me para pegar a caixinha de gelo caída no chão e os gelinhos se derretendo também.

- Adiantei alguns trabalhos e quis fazer uma surpresa para vocês. – E seus olhos focaram em Naruto que ainda prendia uma risada. Acho que ele estava achando que somos uma família de loucos. – Temos visitas?

E isso foi o gatilho para Mikoto esquecer o assunto anterior.

- Ah, querido, esse é o Naruto, amigo de Sakura e Sasuke.

- Olá senhor Haruno, prazer em conhecê-lo.

Papai sorriu, acenando com a cabeça.

- Como vai rapaz? Seja bem-vindo.

- Obrigado. – Em seguida ele me fitou. – Sakura, eu já vou indo, está ficando tarde.

- Ah, tudo bem – fiquei de pé, colocando a caixinha de gelo com alguns gelinhos dentro que catei em cima da mesa.

- Olha, já salvei os slides no pendrive – ele disse. - Você imprime?

- Claro.

- Naruto, espero que venha mais vezes – disse Mikoto com a sua simpatia. – Gostei muito de você.

Ele sorriu, e foi aí que percebi que já estava com sua mochila no ombro.

- Também gostei da senhora. E muito obrigado pela hospitalidade e a comida, estava muito boa.

- Eu te levo até a porta – eu disse caminhando para fora da cozinha.

- Até amanhã, Sasuke.

- Hm.

Acompanhei Naruto até a porta e fiquei ainda mais dois minutinhos conversando com ele no portão antes de ele ir embora.

Entrei em casa fechando a porta, podia ouvir a voz de papai e Mikoto conversando na cozinha. Suspirei cansada diante da adrenalina de minutos atrás. Aquilo havia sido por pouco.

Caminhei em direção as escadas, escutando passos atrás de mim.

- Você é péssima com mentiras. – Sasuke havia sussurrado em meu ouvido fazendo minha nuca arrepiar.

Virei meu rosto para ele que pareava seus passos com os meus.

- Então evite de me agarrar em lugares impróprios quando estiver atacado de ciúmes.

- Eu não prometo nada, Sakurinha. - E puxou o elástico que prendia meu cabelo antes de subir as escadas.

- Ei, me devolva.

Ele apenas ergueu a mão com meu elástico entre seus dedos enquanto subia os degraus, sem me olhar.

- Está confiscado.

Bufei, revirando os olhos.

Abusado.