N/a: É isso, meus queridos. Este capítulo precisou de mais ponderação e reflexão, mas finalmente me sinto satisfeita com ele, que nos guia ao fim. Também postarei logo na sequência um presente de despedida - um pequeno epílogo. Gostaria de agradecer imensamente a todos que leram, favoritaram e tiraram um pouco de seu tempo para deixar um comentário. Estou sempre ouvindo suas impressões e sugestões, e as levo em conta na hora de escrever. Também gostaria de agradecer à minha beta, Deia, por ter achado um tempo em sua agenda para me ajudar a tornar esta história o melhor que ela poderia ser. A todos desejo uma boa leitura, e até a próxima!
Capítulo 21 - First day of my life
Elizabeth sentiu, ao ver Darcy entrar na sala, que algo não estava certo. Seus ombros estavam mais retesados que o normal, como se ele estivesse tenso, e ele não varreu a sala com um olhar e lhe sorriu, como sempre fazia ao visitá-la em Longbourn. Então Lucy correu para abraçá-lo e ela espantou o pensamento.
Mais tarde, no entanto, a impressão voltou. Lucy estava sentada sobre um lençol no gramado, dividindo guloseimas com Kitty e Lydia, e Darcy e Elizabeth se sentaram em um banco do jardim, de forma que ainda pudessem ver as três mas também pudessem conversar com mais privacidade.
-Algo está em seus pensamentos, William. - Ela disse, pegando na mão dele com delicadeza. - Gostaria de me contar?
Ele a olhou, primeiro com surpresa, depois com carinho. Respirou fundo, parecendo pesar a decisão. Então falou:
-Eu estive com meu advogado ontem. Discutindo alguns documentos para o casamento, mas também… outras questões. Não quero que fique zangada comigo, eu não estava tentando tratar de seus negócios sem seu consentimento… Queria apenas me certificar de que estava tudo em ordem com o que você ainda tinha direito a possuir, de seu casamento com Mr. Sheffield.
-Que seria apenas a casa em Norfolk, mas quanto a isto já estava tudo em ordem, não?
-Sim, a casa é sua. Mas aparentemente parte dos lucros da fábrica também.
-O que quer dizer?
-Os lucros que você vinha recebendo não eram todos no nome de Lucy… havia uma porcentagem que era destinada a você, como viúva, que Lord Henry não tinha o direito de receber.
-Você o encontrou? - ela perguntou, tentando ler suas expressões. Ele mantinha os olhos no chão.
-Foi necessário. Ele não foi muito colaborativo.
-Por que… por que não me disse? Eu poderia ter tratado disso, poderia ter lhe ajudado. Lidei com ele por anos!
-A princípio não quis lhe preocupar, achando que seria algo fácil de resolver. Então a questão se prolongou e me lembrei do que você havia me falado… sobre respeitar a sua opinião e deixar que participasse das decisões. E percebi que eu estava fazendo exatamente o oposto, justamente com questões que só lhe dizem respeito.
-Por isso você esteve tenso desde que chegou?
Ele finalmente ergueu os olhos.
-Sabia que ficaria desapontada comigo, e com razão.
-Eu estou desapontada. - ela confessou. - Mas também entendo que você está acostumado a se responsabilizar por todas as questões que envolvem sua família. Tenho certeza que da próxima vez, irá se lembrar que pode dividir o fardo comigo.
Ele respirou fundo, os olhos brilhantes.
-Eu prometo.
Ela beijou sua mão, e finalmente viu os ombros dele relaxarem.
-Lord Henry não lhe destratou, espero?
-Não diretamente, como minha tia faria. Ele tem uma forma mais refinada de destratar as pessoas.
Elizabeth riu, conseguindo entender perfeitamente a descrição.
-Ao longo do processo eu também descobri algumas coisas a respeito de sua antiga empregada, Grace. Se for de seu desejo, posso compartilhar o que descobri.
Elizabeth permitiu com um meneio de cabeça. O que quer que Grace tenha intencionado fazer ao prejudicá-la, havia levado ela, Elizabeth, a confrontar seus maiores medos, assim como seus sentimentos. O saldo final era positivo.
-Um homem que trabalhava para Lord Henry a enganou. Se passou por um funcionário de uma padaria, que por vezes visitava sua casa, e demonstrou um falso interesse romântico. Ela compartilhou o que havia acontecido em Norfolk com ele… então ele a forçou a escrever a carta, que foi entregue a Lord Henry, com a alegação de que Lucy não era filha de Mr. Sheffield.
-Lord Henry desconfiava de algo então? - falou Elizabeth, se perguntando em qual momento poderiam ter sido descuidados.
-Não, ele procurava por qualquer brecha no testamento de Mr. Sheffield da qual pudesse ter alguma vantagem. Imagino que não achava que conseguiria tanto.
Elizabeth suspirou, tendo a certeza de que não queria mais relação alguma com o homem.
-A propriedade em Norfolk, no entanto, é incontestavelmente sua. O que gostaria de fazer com ela?
-Não quero vendê-la, não ainda, mas William… ainda não tenho a coragem de voltar lá e foi isso que mais me assustou quando Lord Henry me tomou Portland Place.
Ele beijou a têmpora dela levemente, então sussurrou:
-Está tudo bem, não precisa tomar uma decisão ainda. Quando você estiver pronta para tomar uma decisão, estarei pronto para ajudá-la no que for necessário.
Ela sorriu, pousando a cabeça em seu ombro e se sentindo satisfeita.
~X~
Elizabeth desceu da carruagem e olhou para a igreja. Nunca imaginara que se casaria novamente, tampouco que esse casamento seria tão cedo, e menos ainda que seria com alguém como Mr. Darcy. Ainda assim, ao olhar para trás e pensar em tudo que havia acontecido, ela não tinha arrependimento algum - apenas a certeza do que estava fazendo.
Ela segurou o braço de seu pai, o que a ajudou a firmar os passos. E assim adentrou a igreja, ainda com uma atitude reflexiva ao olhar para os convidados.
Ela sorriu para Charlotte, sentada ao lado do Conde e sua esposa - os pais de Richard. Com o filho na França e a nora grávida - e sofrendo terrivelmente com enjôos e tonturas - os dois haviam se aproximado de Charlotte. A amizade trouxe o benefício deles estarem mais abertos à ideia de Darcy também se casar fora do círculo de mulheres esperados pela família. No entanto, ao passar pelo grupo, Elizabeth sentiu os olhares avaliadores do casal e soube que também teria que provar seu valor.
Jane e Bingley, de volta de uma viagem para a Escócia, pareciam tão leves e felizes como Elizabeth imaginou que estariam. Darcy havia lhe contado que Bingley expressara o desejo de comprar uma propriedade mas, conhecendo o amigo, a empreitada poderia levar anos. Mr. Hurst e a esposa haviam acompanhado Mr. Bingley mas Caroline não estava presente. No dia do casamento de Jane e Charles ela havia encurralado Elizabeth quando ela voltava para junto dos pais. Elizabeth havia acabado de deixar a companhia de Darcy, que fora se certificar que a tia iria embora sem alarde. Caroline lhe dissera então que via as atenções que ela estava dedicando a Darcy e, como se fosse uma velha amiga dando conselhos, dissera que ela não deveria fazer isso pois Darcy estava noivo de Anne, a filha de Lady Catherine. Elizabeth, fingindo espanto, lhe garantiu que não sabia disso e que a informação colocava tudo em uma nova perspectiva. Desde então não mais ouvira falar de Caroline - nem mesmo recebera resposta quando a convidaram para o casamento.
Ela chegou aos primeiros bancos, de sua família, e viu Mary na companhia de sua mãe. Ela sabia o significado de tal ato. Com Lady Catherine totalmente contra a união, Mr. Collins havia se negado a estar presente no casamento. Sua irmã havia vindo mesmo sob a proibição do marido. Quando Elizabeth demonstrou preocupação com o que poderia acontecer quando Mary voltasse para casa ela garantiu que havia aprendido a lidar com o homem, e ela teve a certeza que a irmã ficaria bem.
Kitty e Lydia a olharam com desdém. O período que ela passara em casa, se dedicou a dar imensa atenção às irmãs. Fora uma batalha da qual se arrependera de comprar - as conversas constantes tanto com o pai como com a mãe, assim como sua insistência em instruir as irmãs haviam frustrado-a terrivelmente em um período que deveria ser mais leve. Mas todo o esforço dera frutos e ela finalmente convencera os pais de que as duas filhas mais novas precisam de mais limite e direção. Com mais da metade das filhas casadas, e uma delas com Mr. Collins, a quem a propriedade estava ligada, Mrs. Bennett se permitiu ouvir Elizabeth e concordar que era melhor que as duas tivessem uma boa formação para que conseguissem melhores casamentos do que empreitar uma busca desesperada por pretendentes. As duas meninas, acostumadas a sair à caça de atenções da milícia e de outros jovens, não gostaram de ter suas liberdades encurtadas de forma tão repentina. Elizabeth, se sentindo em parte responsável, as convidou a passarem um tempo em Pemberley mais tarde no ano, esperando que Kitty, Lydia e Georgiana pudessem se beneficiar mutuamente da companhia.
Georgiana e Lucy, lado a lado, lhe deram sorrisos tão parecidos que, por apenas um momento, ela se sentiu mal pela filha se parecer tanto com a tia e não com ela. Então ela espantou o pensamento, lembrando que, da mesma forma que ela e James acolheram Lucy em sua família, incondicionalmente, Georgiana e Darcy faziam o mesmo agora. Ela ergueu os olhos para o noivo então, finalmente sentindo que estava pronta para iniciar uma nova página com ele . Ele estava sério, a olhando com um olhar penetrante e, ela sabia, ele não estava totalmente confortável com a atenção. Ela também sabia que quando ele olhava com tanta intensidade para ela não a estava julgando ou avaliando, mas se concentrando nela e unicamente nela, e isso o ajudava a enfrentar o desconforto. Ela também conseguia ver em seu olhar inúmeras emoções e se considerou sortuda por lher ser permitido ter tal intimidade a ponto de lê-lo tão bem.
A cerimônia passou em um borrão. Mais tarde ela pouco se lembraria das palavras proferidas pelo pastor, mas o toque suave dos lábios dele nos dela, seu primeiro beijo como Mr. e Mrs. Darcy, assim como a exclamação de Lucy de Finalmente! ficariam para sempre impressos em sua memória.
Eles haviam decidido que não fariam uma viagem a sós logo após o casamento. O que a família mais precisava naquele momento era ordem e rotina, por isso retornariam para Pemberley juntos e poderiam pensar em viajar sozinhos em alguns meses, quando Lucy estivesse à vontade na nova casa. Assim, logo após o casamento os quatro iniciaram a jornada de dias, que passou de forma mais leve do que qualquer um deles teria antecipado. Qualquer desconforto inicial que Georgiana pudesse ter sentido por viajar junto com os recém-casados foi rapidamente dissipado, e Lucy ajudava muito a deixar a viagem mais leve.
-Devo acordá-la? Quero que ela aproveite o primeiro vislumbre de Pemberley. - Elizabeth disse, vendo a filha dormir com a cabeça recostada no ombro de Georgiana.
Darcy sorriu.
-Ela terá a chance de ver muitas vezes, sempre que voltar para casa.
Elizabeth se inclinou para a janela da carruagem, registrando as palavras lentamente. Sempre que voltar para casa.
-Elizabeth?
Ela ficou um tempo mais na janela, querendo esconder as lágrimas. Mas ele puxou sua mão levemente, a trazendo para perto e deixando um beijo em sua têmpora. Georgiana, sentada ao lado de Lucy, olhou para o outro lado e corou levemente.
-Eu sei que você teria conseguido tudo que precisa sem mim. - Ele disse baixinho, vendo os olhos lacrimejantes dela fixos na paisagem - Manter uma casa e dar uma boa educação à Lucy. Mas eu fico feliz que tenha decidido compartilhar tudo comigo. Fico feliz que Pemberley será agora a nossa casa.
-William… - ela disse, rindo mas ainda com lágrimas nos olhos.
-Papai, o que você fez?
Os dois olharam para o banco em frente ao deles e os olhos verdes de Lucy, abertos e atentos, miravam de um para o outro dos dois. Seu rosto contorcido em uma expressão zangada guardava tantas semelhanças com a expressão que Elizabeth fazia quando estava zangada que por um momento ele se esqueceu que as duas não eram, biologicamente, mãe e filha.
-A mamãe está chorando!
-Eu lhe juro que não fiz mal nenhum a ela, estávamos simplesmente conversando. - seu tom era de preocupação, o que divertiu Georgiana e Elizabeth. Mas esta última se compadeceu do marido - marido! E interveio.
-São lágrimas de felicidade, Lucy. Porque estamos chegando em casa. E porque seu pai é extremamente habilidoso quando decide exercer sua eloquência.
-Como assim?
-Quando quer, ele sabe expressar exatamente aquilo que preciso ouvir.
Lucy olhou para o pai ainda desconfiada, e Elizabeth riu.
Darcy nada disse. Ele sabia que, pelo tempo em que só haviam as duas, elas precisaram ser extremamente protetivas uma com a outra, assim como acontecia com ele e Georgiana. Da mesma forma, Elizabeth havia sido sincera com ele com relação ao temperamento de seu falecido marido, James. Apesar de ser um homem responsável a maior parte do tempo, sua personalidade impulsiva às vezes fazia com que falasse e fizesse coisas que mais tarde se arrependia e, quando bebia, esse aspecto de sua personalidade vinha à tona com mais força. Elizabeth garantira que ele nunca levantara um dedo para Lucy, que nas discussões que tinham, só os dois estavam presentes, mas Lucy era uma criança sensitiva.
A preocupação que Lucy tinha com Elizabeth não o ofendia, mas o orgulhava.
-Aquilo é Pemberley? - a menina perguntou, finalmente notando que se aproximavam da propriedade. - É gigante!
-Espero que você conheça cada esconderijo existente. - disse Elizabeth à Darcy - Pois nossa filha com certeza irá encontrar todos eles.
-Exatamente como eu fiz quando criança.
Mrs. Reynolds havia preparado uma recepção para a família e foi com surpresa que, ao descer da carruagem e se deparar com os funcionários enfileirados à frente da casa, Elizabeth viu a governanta esconder uma discreta lágrima assim que Lucy desceu da carruagem acompanhada de Georgiana, à frente dela e de Darcy. Só então ela percebeu a importância que aquele retorno tinha para todos em Pemberley - o retorno de uma criança que, até pouco tempo, eles acreditavam perdida para sempre.
Lucy se acostumou rápido à nova vida. Agora que sua mãe tinha mais responsabilidades, não conseguia passar tanto tempo com ela como antes. Mas a presença do pai e da tia supriam qualquer falta que ela pudesse sentir. Fiel à previsão dos pais, Lucy descobriu cada esconderijo, cada canto escondido que a propriedade podia oferecer, e sua babá seria vista frequentemente a caminhar pela propriedade, os olhos varrendo cada ambiente. Elizabeth, que sempre se lembrava da vez que a menina desapareceu em Portland Place, ficava extremamente apreensiva mas, à medida que o tempo passou e a felicidade da criança se tornou mais evidente e contagiante, ela se tranquilizou.
Elizabeth descobriu no marido um companheiro inigualável. Desde a primeira noite em Pemberley, quando a porta interconectando os dois quartos foi aberta, não mais precisou ser fechada. Os dois dividiam a cama, as responsabilidades e as preocupações. Problemas na propriedade, assim como questões financeiras, eram discutidas em detalhes. Elizabeth sentia que sua opinião era levada em conta com cuidado mesmo que, mais de uma vez ela e o marido se perdessem em uma discussão por horas, cada um orgulhoso demais para abandonar seu ponto-de-vista.
Georgiana Darcy, seu irmão percebeu, ria mais do que ele jamais se lembrava. A presença de Elizabeth e Lucy na casa a tornara mais confiante e bem-humorada e foi com surpresa que ele notou que a irmã agora o provocava e ria às suas custas. Aquele parecia ser o seu destino, refletia ele ao pensar nas três mulheres de sua vida.
Mas o equilíbrio da casa mudaria. Um ano após o casamento, Elizabeth culpava a si mesma por não ter engravidado. Darcy lhe garantia que ela e Lucy eram tudo que ele precisava, e mesmo que não tivessem mais filhos, seriam felizes. Ainda assim ela se preocupava e foi só depois de mais um ano que, com a menstruação atrasada em dois meses, Elizabeth se permitiu ter esperança.
Darcy, que já era extremamente protetor com a família, se tornou quase insuportável. Sabendo do que havia acontecido no passado, Elizabeth segurava a língua, deixando-o cuidar dela e de sua saúde, mesmo quando os cuidados eram exagerados. Ela sabia como eram os medos irracionais advindos de experiências passadas e ela mesma tomava muitos cuidados extras, querendo que aquela gravidez chegasse a termo.
-Você precisa de água? Talvez uma limonada?
Elizabeth olhou para o marido com carinho. Por sorte o período de enjôos havia passado. Mas ele nunca deixara de oferecer-se para ajudar ao notar a mínima mudança em sua expressão.
-Está tudo bem, só estou cansada. - ela disse, olhando para a filha, que dormia estendida ao seu lado na chaise, depois de ter passado horas 'conversando' com o irmão ou irmã.
-Vou levá-la para a cama, depois será a sua vez. - ele disse, o rosto ainda preocupado.
-Se quiser, chamo a babá.
-Já a peguei. - ele disse, sorrindo. Ele nunca perdia a oportunidade de pegar a filha nos braços. O fato de que a menina havia crescido vários centímetros nos últimos meses só parecia aumentar a vontade dele de tê-la próxima.
Ele voltou depois de alguns minutos, sentando-se ao seu lado, também cansado.
-Bingley irá precisar de ajuda com a propriedade de novo. Ele tem quase certeza de que esta é a propriedade perfeita.
-Não foi o mesmo que ele falou da última vez?
Darcy esfregou os olhos.
-Prometi a ele que essa será a última vez que poderei ajudá-lo, ao menos até a criança nascer.
Elizabeth pousou a mão sobre a barriga, sentindo o movimento de seu bebê lá dentro, sempre algo reconfortante.
-Lucy começou a chamá-lo de Arthur. Ela tem certeza de que terá um irmão.
Darcy fechou os olhos, um sorriso no rosto.
-De onde surgiu o nome?
-De nossas leituras, é claro.
-Por mais que o nome me pareça nobre, não seria o primeiro que pensaria.
-Que nome pensaria? Se tivermos um menino, gostaria de lhe dar seu nome?
-Não. - ele disse, rindo - Costumava pensar que gostaria de dar-lhe o nome de meu pai, mas acredito que já tivemos o suficiente de George nesta família.
Elizabeth meneou a cabeça, sabendo que o nome de Georgiana vinha do nome do pai - mas também o nome de George Wickham, cuja história Darcy havia compartilhado.
-Você não consideraria… Bennet? - ele perguntou de repente, abrindo os olhos. - Seria a mesma coisa que meus pais fizeram, ao transformar o sobrenome de minha mãe em um nome, mas um nome muito mais simples e atrativo.
Elizabeth sentiu as lágrimas encherem seus olhos.
-William, fico tocada que você tenha sugerido tal coisa. Sei quão importante é para você sua família e sua genealogia, por isso fico honrada que você cogite dar o nome de minha família para nosso filho. Mas ao mesmo tempo…
Ela riu.
-Tudo que consigo pensar é em minha mãe, chamando meu pai aos berros. O nome está tão ligado a esta imagem que não sei se conseguiria colocá-lo em nosso bebê.
Os dois riram juntos por alguns segundos, permitindo-se relaxar. Como em tudo, sabiam que chegariam a um consenso.
-Bennet… seria a mesma raiz de Benedict, não? Abençoado? - ele disse depois de vários segundos em que os dois ficaram em um confortável silêncio.
-Onde quer chegar?
-Podemos iniciar uma nova tradição, dando um nome novo à criança. Lucy também tem um nome não tradicional na família, mas que teve sua razão para existir.
-E você acha que esse nome pode ser Benedict?
-Se você achar adequado.
-E se realmente tivermos um filho. Lembre-se que pode ser que tenhamos uma segunda filha.
-Eu confio na intuição de Lucy. Você sabia que a origem do nome dela remonta à palavra luz, em latim?
-Você, senhor, tem dado mais atenção ao assunto do que eu imaginava. - disse Elizabeth, tendo a certeza que o marido andara pesquisando nomes e suas origens.
Pouco tempo depois os Darcy dariam as boas-vindas à Benedict.
*This is the first day of my life
Swear I was born right in the doorway
I went out in the rain, suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach
Yours was the first face that I saw
I think I was blind before I met you
And I don't know where I am, I don't know where I've been
But I know where I want to go
And so I thought I'd let you know
Yeah, these things take forever, I especially am slow
But I realized that I need you
And I wondered if I could come home
*Música First day of my life - Bright eyes
