Disclaimer: Os personagens de autoria saga Crepúsculo de Stephenie Meyer são fabulosas a quem apresentamos um mundo de fantasia excelente. Eu só registo nesta história retorcida a tradução gentilmente cedida por lenenisita.


Capítulo 6: Homens: Meu passado, presente; futuro?

Música do capítulo: I run to you- Lady Antebellum.

Tic...

Toc…

2 a.m.

Tic...

Toc...

3 a.m.

Tic...

Toc...

4 a.m.

Suspirei derrotada na última vez que olhei o relógio na mesinha de cabeceira. Eram quase 5 a.m. e eu não tinha conseguido dormir nada a noite toda. Soquei o travesseiro várias vezes em sinal de frustração. O que estava acontecendo?

Fechei novamente os olhos para tentar conciliar o sono mas as sensações que meu corpo havia registrado no dia de ontem eram sem dúvida mais poderosas do que eu. Aquele lindo homem acabou sendo meu advogado, e a quem, por minha falta de jeito, manchei de café. Tinha ficado registrado em minha retina seu belo sorriso, seu cabelo cor de cobre um pouco despenteado, talvez por seus próprios dedos. Em meus ouvidos ainda ecoava essa voz aveludada que horas atrás voltei a escutar na festa em que Matt me levou. No início pensei que meu subconsciente estava brincando comigo, mas ao me virar e vê- lo parado ali tão perfeito como a versão humana de Michelangelo, soube que estava delirando.

Me explicou que Alice era sua irmã e me convidou a atravessar para o outro lado da sua casa para descansar. Duvidei no começo, mas havia algo em Edward que fazia com que minha força de vontade fosse bloqueada, ele podia me levar até o inferno se quisesse e eu iria feliz e cantando e dando gritinhos de emoção. O segui até chegar a uma pequena fonte onde descansei uns segundos. Sentia seu olhar penetrante em mim, abri os olhos e o vi. Suas verdes piscinas me convidavam a mergulhar nelas, brilhavam a luz da lua o que os deixava mais lindos ainda, uma pequena suspeita no seu olhar me deixou entrever que ele também disfrutava desta situação tanto quanto eu. Me pediu para dançar com ele, o que neguei por razões óbvias devido à minha total falta de equilíbrio, mas ali estava novamente minha consciência inútil se deixando curvar por ele, como um escravo a seu amo! A música era linda sem dúvida, era perfeita para o momento: estava deslumbrada pela forma com se via esta noite.

Com o passar dos segundos comecei a apertar involuntariamente meu corpo ao dele. O contato com sua pele sentia como fogo que estava me deixando marcada para sempre. Apoiando minha cabeça em seu ombro senti como ele percorria com a ponta do seu nariz, caminhos inexplorados por nenhum outro homem. Um forte calafrio percorreu minhas costas e neste instante debilitou minhas pernas. Se Edward não estivesse me segurando, da forma como estava, provavelmente teria caído de bruços. Começou a sussurrar pedaços da música enquanto nos movíamos lentamente, cantava bem devagar como se fosse para ele, algo como uma confissão. O triste momento chegou um instante depois quando a música acabou e tivemos que nos separar, confesso que tive uma sensação muito estranha: por um lado queria sair correndo dali, mas por outro lado não queria me mover, me sentia tão bem assim, como se meu corpo pertencesse a esse lugar em que estava.

Matt e Alice chegaram a meu resgate e aproveitei essa pequena vantagem para fugir para o banheiro, tinha medo que Edward notasse o efeito que havia causado em mim. Alice me levou até o banheiro do seu quarto e retirou por uns minutos para me dar alguma privacidade. Tomei uma respiração profunda e a soltei em seguida repetindo o mesmo processo por 3 vezes seguidas, não tinha percebido que estava hiperventilando até este momento. Demorei alguns minutos para me acalmar, quando o fiz, me senti muito melhor, mas ainda não estava pronta para sair. Me aproximei do espelho para ver como estava e voltei a ver a mesma Bella desta manhã: o olhar da pequena luxuriosa com suas bochechas com um vergonhoso tom de cereja. Peguei um dos lencinhos que Alice tinha em sua pia e passei em meu rosto quase com violência para tratar de com isso, dissolver essa mulher que eu não sabia que existia dentro de mim.

Saí do banheiro alguns minutos depois, o quarto estava escuro o que me dificultou encontrar a saída. Tratei de acomodar meus olhos à falta de luz, mas não tive êxito, tropecei no que parecia uma estante de livros. Meu tropeção fez com que um objeto um pouco pesado caísse nos meus pés. Me agachei para pegá – lo e vi que era um porta retrato mas pela escuridão não conseguia ver que estava na foto. A porta do quarto de Alice se abriu neste mesmo instante permitindo que um pouco de luz chegasse até a mim.

-Esses somos Edward e eu juntos de nosso avô. - Alice havia entrado no quarto e caminhou até onde eu estava. Estirei meu braço nervosamente para devolver o porta retrato, não queria que ela pensasse que eu era uma intrusa bisbilhoteira.

-Sinto muito Alice, tropecei na estante de livros e isso caiu. Desculpe, não era minha intenção causar problemas. - terra porque não faz um trabalho completo e me engole de uma vez? Pensei.

- Edward tinha uns 11 anos aproximadamente u tinha acabado de fazer 8. Esta foto foi tirada um ano antes do avô Edward ficar doente e falecer. - Alice havia pego a foto em suas mãos e passava ligeiramente os dedos sobre ela. Seu olhar se perdeu por uns segundos e seu rosto se retorceu de dor.

- Sinto muito Alice, sei como se sente ao perder alguém que você ama. Perdi minha mãe faz9 meses e ainda sinto como se fosse ontem. - Minha voz se quebrou um pouco ao lembrar a visita ao cemitério esta manhã.

-Oh, lamento muito Bella. - Do nada, Alice saltou sobre mim e me abraçou . Era a segunda vez na noite que Alice fazia isso, e eu não podia negar pois realmente necessitava desses abraços mais frequentemente.

- Matt está la fora perguntando por você, quer mais alguns minutos sozinha ou vem comigo?- Pude notar que haviam escapado algumas lágrimas à Alice, ela rapidamente as secou com sua mão, sendo muito cuidadosa para não estragar a maquiagem e caminhou até a estante para recolocar o porta retrato em seu lugar original.

- Não se preocupe, estou bem. Vamos antes que termine derrubando a porta do quarto- Alice havia acendido a luz e agora podia ver com clareza o lugar. Uma bela decoração com um toque clássico vanguardista, de linhas fortes onde predominava os contrastes entre os tons terra e tons frios. Alice se uniu a mim ao chegar à porta e saímos procurando por Matt, não precisamos procurar muito. Ele estava no início da escada, batendo seu pé no chão, se notava desesperado.

- Bella o que aconteceu? Está bem?- perguntou pegando minha mão e me ajudando a descer as escadas.

-Sim, estou bem. Só estava com calor e queria me refrescar.

-Bella estamos a 10 graus. É praticamente impossível que tenha calor. -Oh não, Matt estava equivocado, eu sabia exatamente a razão do aumento da minha temperatura e quem havia sido o causador.

-Ummm já viu Matt, sempre funciono ao contrário- Não prestei atenção em que momento havíamos feito isso, mas já estávamos de volta à tenda de Alice. Um jovem loiro se aproximou para convidá- la para dançar e ela assentiu satisfeita. A música que tocava neste momento era uma das favoritas minhas e de Matt.

-Vamos Bella- disse me pegando pelo braço e me arrastando para a pista. - É nossa canção, lembra?

- Claro Matt, mas não estou segura de quere dançar. Me sinto muito cansada.

-É só essa música. Depois desta vamos beber um pouco. - fez uma cara de cãozinho abandonado e faminto que não me restou outra coisa a não ser aceitar. Me movi um pouco para a direita para ficar de frente para Matt. Vi que ele olhava fixamente para algum ponto atrás de mim, mas não me virei para ver. Quase neste mesmo instante o escutei bufar ligeiramente e senti como aproximou seu corpo do meu.

- Matt tá acontecendo alguma coisa? Você nunca dança essa música assim. - levantei uma sobrancelha em sinal de desconcerto diante da rara situação.

-Sim, mas ESTA noite quis fazer as coisas um pouco diferente. - a medida que a música avançava, seu aperto ia ficando cada vez mais forte.

-Realmente agradeço que tenha resolvido variar por uma noite, mas senão me soltar um pouco provavelmente morrerei asfixiada e não poderei brindar-te outra dança assim. - brinquei com ele. Uns segundos depois e graças ao fato de estarmos tão próximos, pude sentir uma ligeira vibração que vinha do bolso dianteiro de sua calça.

-Quando meus pacientes aprenderão que não posso atende- los depois das 10 da noite?- disse Matt enquanto me soltava e atendia seu telefone. Seu semblante se decompôs ao ver o identificador de chamadas. Aconteceu alguma coisa?- Sim, sim...não se preocupe. Vamos para lá neste mesmo momento. Obrigado por ligar. - Matt voltou a guardar o telefone e pegou minha mão me tirando da pista de dança.

- o que está acontecendo Matt? Quem era?-Matt não diminuiu o ritmo de seus passos, estávamos quase correndo quando chegamos à entrada do pátio.

- Ligaram da sua casa, era Sue. Não conseguiu te achar no seu telefone e supôs que estava comigo.

- Aconteceu alguma coisa com meu pai?- Senti como o sangue tinha descido todo para meus pés, estava aterrorizada- Te falei Matt que não era boa ideia vir, o que aconteceu com meu pai? Fale logo. - disse em uma espécie de grito misturado com choro. Matt parou e pegou meu rosto em suas mãos.

-Shhh antes de qualquer coisa preciso que fique calma, respire Bella. - devia estar ficando azul para que meu amigo me desse essa recomendação. - Seu pai está bem, só que Sue notou que ele ficou um pouco inquieto há algumas horas. Poderia ser porque notou que você ainda não chegou em casa, mas é praticamente impossível que tenha essas reações pelo estado em que ele se encontra. Ele não pode sentir nad...-Peguei suas mãos nas minhas e as tirei do meu rosto com um movimento rápido.

- Não se atreva a dizer que ele não escuta, ou não sente.. Charlie pode não estar acordado, mas ele sabe tudo o que acontece ao seu redor. Não preciso que meu melhor amigo passe para o lado dos pessimistas. Agora só fecha essa boca e me leva para casa. - Comecei a caminhar o deixando para trás apesar de estar em cima de saltos assassinos, lembrei neste momento as palavras da minha mãe:

Nunca subestime o poder de uma mulher de salto alto.

Sobrevivi apesar da superfície assassina e cheguei em uma peça só à saída onde me encontrei com Alice recebendo um senhor alto, um pouco loiro e arrojado.

-Bella, venha...te apresento meu pai o Cullen.- O pai de Alice esticou sua mão para apertar a minha, dava para ver que Alice era sua pequena, assim com eu era a pequena de Charlie.- Papai, ela é Bella.

-Muito prazer Dr. Cullen, Alice. - me dirigi a ela- Me desculpe mas tenho uma emergência e preciso ir.- Neste momento Matt me alcançou e ao chegar até onde eu estava colocou suas mãos em suas pernas, para tomar fôlego.

- Oh, claro Bella, foi um prazer te conhecer esta noite. Quem sabe algum dia poderemos sair para fazer compras.

-Sim Alice, adoraria fazer isso, desculpa novamente por sair assim, mas é urgente. Obrigada por tudo. -Me retirei dali fazendo um pequeno gesto com a mão em sinal de despedida. Matt já havia entrado no carro e estava me esperando. Fizemos o trajeto em silêncio, não tinha vontade de falar. Se algo acontecesse ao meu pai, tudo estaria acabado para mim também. Chegamos relativamente rápido, sue estava atenta a minha chegada e me esperava na porta.

-Como está papai? – Disse enquanto subia as escadas a toda velocidade.

-Tem estado um pouco inquieto desde as 9 que é a hora que você costuma passar para lhe dar boa noite.

-Sue, pode me explicar porque esperou quase 4 horas para me avisar?- Gritei enquanto me virava para vê-la, se podia ver que ela estava quase tão assustada quanto eu.

- , estou tentando desde as 10h, mas você não atendeu seu telefone. - Demônios, neste momento me lembrei que tinha esquecido o telefone no escritório. Graças ao desespero de Matt para me tirar do escritório não o peguei na gaveta.

- Desculpa, Sue, não quis gritar com você. Foi um erro não avisar onde estaria. - Tratei de recompor meu semblante e abri a porta do quarto de Charlie. Tirei meus saltos para não fazer barulho e caminhei até a beirada da sua cama. Sue tinha razão, seu cenho estava franzido..ele estava preocupado.

- Olá papai, já estou aqui. Desculpe o atraso... tive algo para fazer antes de chegar em casa, mas estou bem. Estou aqui com você. - peguei sua mão e comecei a traçar movimentos circulares no seu dorso.- Prometo que isso não irá acontecer outra vez. Agora quero que fique tranquilo, sim?

Demorou cerca de 30 minutos para que relaxasse sua expressão de estresse. Me aproximei de sua cabeça, onde depositei um beijo.

- Já vejo que está mais calmo, vou para meu quarto para descansar também. Te quero muito Charlie. Te vejo em algumas horas. - Saí devagar de seu quarto e fechei a porta. Ao me virar encontrei Matt.

-Como está Charlie? – sabia que ele estava preocupado, mas não queria falar com ele.

-Ele está bem, mas o que você fez essa noite foi uma imprudência terrível. Não quero falar contigo neste momento. Vou tratar de descansar. Até amanhã. - Caminhei até meu quarto e fechei a porta o deixando no corredor.

Já tinha perdido a conta de quantas vezes havia olhado as horas. Era aproximadamente 6 da manhã. Sabia que tentar dormir a esta altura era caso perdido, assim que afastei os lençóis e pegando minha roupa de ginástica fui para o banheiro, tinha um aspecto terrível e umas olheiras um tanto marcadas. Só molhei um pouco minha cabeça e troquei de roupa para minha seção de exercícios matutinos.

Cheguei à academia e liguei a esteira. Perdi a conta de quantos quilômetros corri esta manhã, apesar de não ter dormido nada, me sentia cheia de energia.

Isso se chama: Efeitos colaterais causados por |Edward Cullen

Não negue... você gosta... morrer por estar com ele.

O lado positivo de minha consciência gritava em meu interior como que querendo me dar conforto, mas teria razão? A noite passada havia sido de longe a melhor em muito tempo, claro sem contar com o susto de Charlie. Não, essa vozinha deveria estar equivocada.. Não poderia permitir meu cérebro que fantasiasse com Edward, e muito menos permitir que meu corpo se tornasse viciado por seu calor. Para o lado realista de minha consciência só bastou um argumento para terminar com o conflito interno que havia sido gerado dentro de mim.

Todas as pessoas que você ama mais cedo ou mais tarde se vão da sua vida.

Se você se importa de verdade com Edward Cullen, não pode condená-lo a esse destino fatal.

Ela sim que tinha razão, a relação com Edward deveria se manter do tipo profissional. Comecei a diminuir o ritmo quando realmente me senti sem fôlego, olhei a hora: 8H, tinha corrido durante quase duas horas. Peguei uma das toalhas do cabide iro e fui para meu quarto para começar com min há rotina diária: Um banho, alguma fruta para o café da manhã, encontrar alguma roupa adequada para o dia, ler um pouco o jornal, passar pelo quarto de Charlie e falar com ele alguns minutos antes de sair. Desci até a cozinha para cumprimentar Sue. Realmente me sentia mal pela maneira qual a havia tratado, ela tem sido minha babá desde os 3 anos de idade eu não podia ter sido tão imbecil a ponto de gritar com ela e não me desculpar por isso. A encontrei guardando os alimentos na despensa.

-Sue bom dia. Lamento muito pelo de ontem à noite.

- Não se preocupe , entendo. Billy está pronto para sair.

-Obrigada, Sue.- Disse retirando – me da cozinha.

-Ah, Srta Bella seu traje de ontem não se perdeu. O salvamos a tempo. - Era assim, Sue tinha conseguido de novo.- Deixe- me dizer que hoje estas radiante.

-Obrigada Sue, você é um amor. Voltarei cedo hoje. - Caminhei até a sala para me olhar no espelho novamente, sue tinha razão: o traje era um vestido bege areia DNKY da recente coleção de verão, bem ajustado e com várias pregas com um toque de sedução desde seu decote tomara que caia até acima do joelho, o qual acompanhei com uns sapatos da mesma estilista e um casaco bege DC com um pequeno laço preto no centro, bastante elegante que lhe dava a sobriedade ideal e corte executivo ao vestuário, mas que em seu conjunto geral denotava algo mais, se via belo... era do traje que Sue falava?

Cheguei ao escritório uns minutos depois das 9h, Angela já tinha deixado meu café sobre minha mesa. Liguei meu notebook e respondi alguns e mails, um som distante quebrou minha concentração, era meu telefone celular que ainda estava na gaveta.

Lamento muito pelo de ontem à noite, por favor, não fique com raiva de mim. Matt.

Tinha esquecido o assunto até este momento, não era uma mulher ressentida mas ainda assim pensava em fazê – lo sofre um pouco e logo o perdoaria. Não poderia estar com raiva de meu melhor amigo, nossas brigas nunca duravam mais de um dia, e mais não poderíamos ficar sem nos falar por muito tempo, bem... houve uma exceção:

Flashback – 3 anos atrás.

- Você escolhe: verdade ou consequência- disse Charlotte quando foi a vez de Matt. O pobre já estava um pouco passado de drinks e temia por sua vida se dissesse Verdade. Deus me livre de que coisa embaraçosa poderia dizer.

-Escolho Consequência. - tomou o último gole de cerveja que restava em seu copo e se colocou de pé.

- Ok, a consequência é que beije Isabella. - disse Charlotte rindo.

-Oh não, não... não, me nego a participar disso- Me coloquei de pé e comecei a caminhar para a saída. Senti uma mão me agarrar pelo pulso e me fazer virar com força. Os lábios de Matt se chocaram com os meus quase com violência. Estava em shock, meu cérebro não conseguia processar o que estava acontecendo: Matt meu melhor amigo estava me beijando e sem meu consentimento. Consegui me separar dele empurrando seu peito com minhas mãos.

- Que diabos está acontecendo com você Matt Stone. - gritei enquanto comecei a correr para a saída da festa em que estávamos. Ele saiu correndo atrás de mim e me alcançou.

-Bella, Bella eu ... eu sinto muito. Não sei o que me passou, sinto muito.

- Não volte a falar comigo nunca mais, esqueça de sua amiga Isabella Swan... – Peguei as chaves do carro e dirigi até meu apartamento.

Já tinha passado3 semanas e eu continuava sem falar com ele, não houve um só dia que ele não me pedisse desculpas. Eu, de minha parte continuava muito irritada, o que tinha passado na cabeça dele para que tomasse uma decisão tão estúpida como essa? Um dia, ao sair da minha aula o encontrei do lado de fora da faculdade.

- Bella por favor. Posso falar um minuto com você? – disse se aproximando de mim.

-Já está falando então aproveite seus 60 segundos. Olhei meu relógio em um gesto cruel.

-Sinto muito pelo que aconteceu aquele dia, estava muito bêbado e não pensei no que estava fazendo. Não quero te perder Bella...

- Deveria ter pensado melhor antes de fazer. - vi uma imensa tristeza em seus olhos, eu a estava provocando.

-Sim, e não há um dia que não me arrependa disso. Sou um imbecil.

- Sim sei que é. Lhe sorri.

-Isto significa que estou perdoado? – o sorriso havia voltado para seu rosto.

- Só se prometer que nunca mais vai voltar a fazer isso, é meu melhor amigo Matt por Deus. Foi como beijar meu irmão...e isso porque não tenho um.- Seu semblante desmoronou um pouco, o que disse agora?

-Claro Bella, te prometo que jamais voltarei a te beijar- me aproximei dele e lhe dei um abraço, a guerra havia acabado.

Fim do flashback.

O telefone me trouxe de volta a realidade. Vi o relógio: 9h58.

- Sim Angela?- respondi colocando no viva voz.

-Edward está aqui, está pronto para a reunião das 10h.

- Oh, sim, me dê alguns minutos. Ao soltar o botão do viva voz notei que minha mão tinha começado a tremer ligeiramente. Nervosa a essa altura? O que está acontecendo com você Bella? Você não é assim! Respirei profundamente e me coloquei de pé, alisei as inexistentes rugas de meu vestido e caminhei até a porta. Ao abri- la o impacto foi quase tão demolidor quanto da primeira vez...

- Olá Edward, entre. - Esta manhã estava impecavelmente vestido, o maldito James Bond se retorceria em sua miséria de tanta inveja se o visse. Entrou no hall do meu escritório e começou a passar as mãos nervosamente em seus cabelos. Foi neste momento que notei algo em sua mão que não estava ali na última vez que o vi.

- Onde você se enfiou à noite? Quando fui te procurar já não estava.

- Edward santo Deus. O que aconteceu com sua mão. - Edward tinha uma faixa em sua mão direita.

- Não respondeu minha pergunta. - Sua atitude me desconcertou, tinha o cenho franzido e se notava frustrado por alguma coisa, nem se que havia respondido meu cumprimento.

- Você tão pouco responde as minhas. Nem se quer disse bom dia- Levantei uma de minhas sobrancelhas em sinal de desgosto.

- Sinto muito Bella, bom dia. Desculpe esta explosão, o que acontece é que fiquei muito preocupado porque não voltei a te ver depois que foi ao banheiro. - Relaxou sua postura e trocou seu cenho franzido por um adorável sorriso de lado que me desconcertou. Pelo que parece tinha um advogado bipolar... genial!

- Tive uma emergência em casa. Disse secamente enquanto voltava para meu escritório e ele me seguiu.

- Oh sinto muito. Está tudo bem?- Perguntou enquanto se sentava em uma das cadeiras. – Por certo isso na mão foi um pequeno acidente com uma taça ontem à noite. Nada grave.

- sim, foi só um susto. Mas está tudo bem.. obrigada por perguntar. - Devia mudar rapidamente o tema, não queria terminar chorando outra vez na frente de Edward.- Espero que se recupere logo da mão.- Outro tema Isabella, por Deus, mude de tema. Porque não é imaginativa? – Por certo como foi com as informações que você revisou ontem?

- Excelente, devo dizer que Angela foi de grande ajuda. Revisei os argumentos que Tanya Denali detalhou em sua carta de demanda e pelas quais ela reclama a autoria da saga. Quase poderia confirmar minhas suspeitas.

-E quais são suas suspeitas Edward?- Apoiei os cotovelos sobre a mesa e o olhei fixamente.

- Que a Srta. Denali está completamente louca. - Sorriu ao confessar sua divertida teoria, não pude deixar de rir com ele.

- Me agrada seu senso de humor, mas não podemos usar esta cartada no tribunal, devemos ser um pouco mais... convincentes?

- Estava brincando Isabella. Minha verdadeira teoria é de que Denalli está atrás de dinheiro, ela parou de escrever faz muito tempo e não tem nada novo para publicar. Provavelmente suas economias acabaram e esse seja o objetivo de sua demanda: conseguir esse dinheiro de qualquer maneira. Tanya é uma mulher ambiciosa, Isabella.

- A conhece? – perguntei confusa ao notar a segurança com que falava.

- Oh, não, claro que não a conheço. Estive averiguando muitos dados dela, em sua própria editora e com as pessoas do meio.

-Oh entendo. - Meu olhar se perdeu por uns segundos em seus profundos olhos verdes, eram cativantes. Tentei voltar a prestar atenção ao que estava falando e notei que havia estendido a pasta com documentos e estava esperando que eu pegasse. Creio que em grande parte estando com Edward, perdia a capacidade de observar meu panorama por ter a atenção fixada em outra coisa.

- Então como vamos nos defender?- perguntei.

- Isabella, acabei de te explicar. Talvez tenha usado termos muito técnicos. - Era melhor que ele pensasse que não havia entendido, seria vergonhoso se soubesse que não estava prestando atenção.- Vejamos, te dizia que vamos apresentar no tribunal os primeiros escritos da saga, além do mais poderíamos contar com o testemunho da autora para sustentar nossa defesa. Há mais informações na pasta que está em suas mãos.

- Excelente, vou tratar de me comunicar com a autora hoje mesmo. Ela está na última parte da promoção do livro e preciso saber quando poderá estar em Chicago. Quanto aos escritos, estes estão bem resguardados em uma área especial do edifício. Vou pedir que os tragam para que você tenha uma cópia.

- Perfeito Isabella, gostaria de revisá-los para ter mais bases para o dia da acareação. Não será muito difícil descobrir sua farsa e... – sua voz foi interrompida pelo som do telefone.

- Me desculpe Edward?-assentiu levemente- Diga Angela...

- Bella acaba de chegar um buquê de rosas. O entregador da floricultura está aqui mas não me deixa assinar o recibo.

- E por que não? – perguntei irritada.

- Por que disse que recebeu instruções expressas de entrega- las em suas mãos, senão o fizer, perderá seu emprego.

- Ok, deixe – o entrar. - Encerrei chamada e fiquei de pé para atende- lo na porta .O rapaz timidamente me estendeu o buquê e me fez assinar o recibo. Procurei o cartão ainda que já soubesse de quem era.

Bella,

Espero que essas rosas possam advogar por mim e me perdoe pelo que aconteceu ontem à noite. Realmente sinto muito.

Matt.

As flores eram lindas, mas apesar de que Matt me conhecer a anos, sabia que adorava as frésias, não as rosas. Deixei as rosas na mesinha de café do escritório, já pediria a Angela que as colocasse na água. Voltei a minha poltrona e peguei meu telefone, mandando uma pequena mensagem.

As rosas definitivamente não compram o perdão, mas ao menos sei que está arrependido. Nos falamos depois.

B.

- Problemas no paraíso?- Ao escutar sua voz, percebi que Edward ainda estava ali, maldição! Como pude esquecer? Tinha que ter visto toda a cenas sem dúvida.

- Eh? – Tombei um pouco a cabeça ao não entender o que me dizia.

- Um buquê de rosas a esta hora da manhã, seu namorado deve ter feito uma besteira terrível- meu namorado? Um segundo, havia um grande mal entendido aqui. Edward achava que as rosas tinham sido enviadas pelo meu inexistente namorado. Deveria esclarecer rapidamente a confusão criada.

-Oh não, não. Quem me mandou as rosas foi Matt, eu não.. - estava a ponto de fazer um vergonhosa revelação, limpei a garganta e respirei- não tenho namorado. Ele é só meu melhor amigo, quase meu irmão.

-Oh me desculpe Isabella não quis te colocar em uma situação incômoda.

- Não se preocupe Edward. Voltando ao assunto, quando teremos a primeira audiência?- Perguntei enquanto guardava o cartão, deveria mantê- la fora do campo visual de Edward, não queria que ele visse.

- A primeira será na terceira semana de julho, então teremos pouco menos de 4 meses para nos preparar.

- então mãos à obra. Vou tratar de conseguir a autora o mais rápido possível e estarei te avisando sobre meus progressos.

- Feito Isabella, vou para meu escritório, ainda me restam alguns documentos para revisar. Por acaso devo lhe dizer que você tem um excelente gosto para decoração. - Se colocou de pé e caminhou até a saída, eu o acompanhei.

-Que bom que tenha gostado, queria fazer sua estadia em nossos escritório o mais cômoda possível. - Edward havia chegado até a porta, mas com um rápido movimento se virou e ficou a poucos centímetros de mim.

- Me sinto terrível por ter me comportado como imbecil duas vezes essa manhã. Aceitaria um convite para jantar esta noite? – Todo o meu sistema paralisou, Mr. Perfeição estava me propondo um encontro? Deveria reagir e rápido, não queria ficar como idiota.

- Sinto tanto Edward, lastimosamente esta noite eu não posso- fiz uma pausa ao ver sua reação, pensaria que sairia com Matt?- Prometi chegar cedo em casa e jantar lá. - Esperava que com essa declaração suas dúvidas dispersassem.

- Claro, desculpe Isabella... Foi precipitado da minha parte, que tenha um bom dia. Abriu a porta e saiu do escritório. Quando estava chegando à mesa de Angela soube que deveria lhe dizer algo.

- Amanhã, 8PM. Pode me pegar em casa? – De onde tinha saído essa voz? Do meu corpo? Definitivamente essa não era eu. Estava me recriminando em minha consciência: Quem é você, e o que você fez com a verdadeira Isabella Swan?

O vi esboçar seu sorriso de lado que definitivamente era capaz de abrir- lhe portas... e pernas! Regressou alguns passos para não ter que levantar um pouco a voz.

- Será todo um prazer para mim. Perguntarei a Angela o seu endereço. Adeus Isabella-pegou minha mão direita e deixou um ligeiro beijo no dorso da mesma. O vi afastar-se e entrar em seu escritório. Eu entrei na minha e fechei a porta, caminhei até minha poltrona e me deixei cair. Passei alguns minutos admirando minha mão direita como se fosse a maior obra de arte renascentista. Tratei de fazer um reconto do que tinha acontecido. Meu fodido subconsciente havia me traído vilmente. Havia aceitado o convite para jantar com meu advogado. A sempre inoportuna voz em minha cabeça fez sua magistral aparição:

"Não Bella, amanhã você vai ter um encontro com Edward Cullen.

Seu primeiro encontro com um homem de verdade"

Suspirei derrotada... essa vez a maldita vozinha tinha razão.


N/T: E aí, pessoal? O que vocês acharam deste capítulo? O próximo será POV do Edward.

Querem que atualize logo? É só deixar review. Vou ser bem modesta, se chegar a 15 reviews, posto outro na quarta- feira. Bj. Lu.