Até que não demorei muito nãoé mesmo? Esse capítulo é um presente de ANO NOVO. FELIZ 2012 para todos vocês!1

Disclaimer: o de sempre...


BOOM!

Música do capítulo: First Time- Lifehouse

Canção ouvida no Parque Hanford: Standing right in front of you- Keith Urban

Pretendia voltar a fechar os olhos quando a escutei dizer:

...Edward...

Meus olhos se arregalaram por causa da impressão, Isabella tinha dito meu nome enquanto dormia. Senti claramente como meu coração pulou duas batidas, não acreditava no que tinha escutado. Meu anjo estava sonhando... comigo!

... Edward, não, não posso... - Repetiu depois de alguns segundos. Fixei o olhar nela, notei que estava com a testa franzida e tinha começado a se remexer de novo. Que tipo de sonho estava tendo?

... Não posso te machucar Edward... - duas grandes lágrimas haviam começado a rolar por seu rosto. Do que estava falando Isabella? Era eu quem havia chegado em sua vida para machucá- la, não o inverso. Vi como meu anjo tinha começado a soluçar muito devagar, me doía a alma ver- La assim.

- Isabella, Isabella... Acorde por favor. - sussurrei próximo ao seu ouvido enquanto passava minhas mãos por seus cabelos. Começou a se mexer um pouco mais forte enquanto negava com a cabeça.

... Não, não, não... - levado pelo impulso tomei seu rosto em minhas mãos e beijei sua testa, me afastei de imediato quando senti que seus tremores tinham parado. Abriu lentamente os olhos e me viu.

- Edward- baixou a cabeça e um belo rubor tomou suas bochechas. O que aconteceu?

-Estava tendo um sonho.. Ou talvez um pesadelo. - Estremeci pela realidade de min hás palavras. Diante de todos os sinais dados por Isabella era certo dizer que ela estava tendo um pesadelo. – Não é de se surpreender que tenha pesadelos com você Cullen, se você é um monstro. - disse a voz que tanto me perseguia esses dias.

- Eu... Eu não me lembro. - disse um pouco encabulada. –Lamento muito ter interrompido seu sono.

- Não se preocupe, não consegui dormir. Quer que eu peça algo à aeromoça, para que te sintas melhor? – ela negou com a cabeça ao mesmo tempo em que se afastou de mim. A vi arrumar seu casaco e colocar as mãos em seu colo.

Apesar de ainda faltar algumas horas para aterrissar, Isabella não voltou a dormir e eu tão pouco. Mantivemos-nos em silêncio durante o restante do trajeto até quando nos avisaram que o avião desceria. De imediato vi como procurava nervosamente por seu cinto de segurança para afivela- lo, mas estava procurando no lado errado. Decidi ajudá- la um pouco, assim me aproximei devagar e contornei sua cintura com uma de minhas mãos, senti como se assustou.

-Aqui, estava escondido do outro lado do assento. - lhe disse enquanto lhe entregava um dos lados do cinto.

- Obrigada. - respondeu.

O avião começou a descer e com isso seu nervoso se multiplicou. Havia começado a mover seus dedos sobre seu colo, se não parasse ia me deixar nervoso. Estiquei minha mão esquerda para alcançar as suas, ela abriu seus olhos e me olhou, sorri.

-Shhh, calma. Em poucos minutos estará terminado. - comecei a desenhar círculos no dorso de sua mão para acalmá- La.

- Deve achar que sou uma covarde. - novamente baixou sua cabeça e começou a morder seu lábio.

-Não, não é covarde. Tem medo de voar, só isso. - O avião havia tocado o solo e ainda que não tivesse amanhecido completamente, estávamos prontos para começar o dia. Com minha mão livre, desafivelei o cinto e me inclinando um pouco sobre o dela, repeti o processo. –Vamos, temos um grande dia pela frente. - a ajudei a ficar de pé e saímos.

Ao chegar no Sea- Tac a primeira coisa que deveríamos fazer era arrumar um carro para alugar para o fim de semana. Encontrei um com características semelhantes ao meu querido Volvo, era um Lexus RX350 híbrido. Peguei nossa bagagem e coloquei no carro. Nunca tinha estado em Seattle mas, Isabella tinha morado aqui alguns anos o que com certeza ajudaria. Saímos do aeroporto, ela ia me guiando, mas quando soube que iríamos rumo aos escritórios da Swan Editors, me detive.

- Isabella não acha que está muito cedo para irmos? São só 7:00am de sábado, o escritório nem está aberto.

- Mas podemos esperar do lado de fora- seu olhar fixo na rua.

-Isabella olha pra mim. – peguei sua mão a obrigando a se virar. - é sério que você quer ficar sentada do lado de fora do escritório aguentando o frio? Por que não vamos nos registrar no hotel e tomar café para aproveitar o tempo? Angela fez a reserva no Fairmont Olympic. Me diga como chegar lá, por favor?- Ia protestar, mas fiz minha melhor cara de convencimento e assim ela concordou, soltei sua mão para voltar ao volante. Assim que começamos a andar, ela me guiou.

Angela tinha escolhido duas belas suítes, o hotel era luxuoso, mas acolhedor ao mesmo tempo. Uma vez acomodados nos encontramos para o desjejum. Isabella continuava muito calada.

- Em que você está pensando?- lhe disse tomando um gole do meu café.

- O que disse?- estava olhando pela janela há um bom tempo, ao escutar minha voz, fixou seu olhar na omelete ainda intacto.

- Está muito calada desde que saímos do avião. Está se sentindo bem?

- Pensava em Charlie, não acho que tenha sido bom deixá- lo sozinho.

- Não está sozinho e sabe disso Isabella, ele está bem. - continuei tomando meu café mas notei que seu semblante não mudava.- Tem certeza que está assim só por causa de Charlie?.- Por uma reação que não entendi, aproximei minha mão até a de Isabella, o que provocou que nossos olhares se cruzassem.

- Sim... Sim. - Respondeu retirando sua mão enquanto pegava seu guardanapo e tiritava sua cadeira.- Me desculpe Edward, vou... Vou. - Antes de que se afastasse a peguei pelo braço impedindo que se movesse.

- Vai se sentar e comer. Isabella seu café da manhã está intacto, e temos um longo dia pela frente. Não acha que esqueci o mal estar de quinta, deve se alimentar. Como advogado posso ser bastante convincente. - Lhe sorri. Ela relaxou um pouco sua postura e voltou a se sentar.

- Não estou com fome Edward, não vai me obrigar a comer se eu não quero. - encolheu os ombros.

-Alguém já te disse que é muito teimosa?- a vi sorrir e aproveitei sua mudança de humor para animá- la a comer. - Vamos, só um pouco.- Empurrei seu prato para mais próximo dela e começou a comer. Meia hora depois e sem perceber tinha acabado com a metade de sua omelete e quase todo o prato de frutas

Saímos do hotel por volta das 10h em direção ao escritório, ao chegarmos fiquei surpreso por Isabella cumprimentar todos os empregados por quem passou, pelo nome. Tomamos o elevador e chegamos a uma sala, uma jovem se aproximadamente 20 anos se encontrava ali.

- Olá Bree, bom dia. - disse Isabella ao se aproximar de sua mesa.- Como você está? Como vão estão as coisas por aqui?

- Bom dia Srta. Swan. Estou bem, você está bela como sempre. As coisas aqui caminham sobre rodas. Vieram pela reunião com a escritora da saga, não foi?- a cada segundo Isabella me surpreendia mais, ela usava um tom amistoso com seus empregados e não um tom hierárquico.

-Sim Bree, tinha um horário com ela às 9:30, mas me atrasei- Isabella me deu uma olhada assassina e eu só encolhi de ombros. -Ela já chegou?

- Por volta das 9h seu agente ligou para avisar que houve uma mudança de planos e que não viria. A esta hora já devem estar chegando ao Spring Fest.

- Algo deu errado para que fossem primeiro para Richland?-pelo que parece Isabella estava por dentro de todas as escalas do tour de sua autora.

- Não, pelo contrário. O festival teve uma acolhida maravilhosa e a quantidade de gente que a esperava era imensa. Por isso tiveram que ir mais cedo para conseguir autografar todos os livros e dar algumas entrevistas.

- Isso quer dizer que não volta para Seattle hoje?

-Não Srta. Swan, seu agente me disse que de Richland partem direto para Tacoma.

- Sabia que era uma má ideia essa viagem. - sussurrou Isabella baixando a cabeça.- Obrigada por tudo Bree, Edward voltaremos para Chicago.- disse me dando as costas e caminhando para a saída.

- Isabella espera. - a alcancei e apeguei pelo braço.- Não fizemos uma viagem tão longa para não irmos atrás da autora no condenado festival. Vamos a Richland agora mesmo.

- Está louco Edward?- disse soltando- se de minha mão com violência. - Isso fica a duas horas daqui e eu preciso voltar...

- E eu preciso trabalhar, então vamos a Richland. Temos como ir, lembra-se que temos um carro alugado essa manhã.

-Eu disse que não, que vamos para Chicago agora. -a teimosia de Isabella era algo que jamais havia visto em outro ser humano, mas de certa forma gostava disso... Resultava desafiador.

- E eu disse que sim- voltei a toma- la pelo braço e a aproximei de mim.- Vamos sim e não me importaria de te levar à força.- seu intenso olhar chocolate se cravou em mim.

- Me solte Edward, sabe que tecnicamente eu sou sua chefe e que posso te despedir por isso? Sem contar que poderia te denunciar por sequestro.

- Claro que eu sei Isabella, mas não vai fazer nenhu8ma das duas coisas. - sussurrei próximo ao seu ouvido, seu aroma concentrado em seu cabelo me golpeou.- Sem soltar a mão que estava em seu braço passei minha outra mão por seu cabelo e a aproximei ainda mais a meu corpo. – Iremos a Richland, falaremos com a escritora, nos distrairemos um pouco e logo voltaremos a Chicago, entendido?- a olhei fixamente assim como ela. Pressentia que fosse dar uma de petulante, mas me surpreendeu dando- me só um sorriso.

- Está bem, iremos. Agora, por favor, me solta?- Imediatamente a liberei da prisão que meus braços tinham se convertido. Demos apenas alguns passos quando ela começou a correr em direção ao elevador que estava aponto de fechar as portas.

- Nos vemos em Chicago- mostrou a língua e sorriu divertida. Ah não! Isabella tentava escapar de maneira muito infantil. Junto ao elevador estavam as escadas que desci de duas em duas. Cheguei ao mesmo tempo em que o elevador que parece ter feito uma parada no segundo piso. A vi sair e corri para me colocar na sua frente.

- Achou que fosse ser mais rápida que eu?-dito isso a agarrei pelas pernas e a joguei sobre meus ombros.

- Edward me solta!- começou a bater nas minhas costas com socos. Me desça, já falei.

- Não senhorita, não pretendo perseguir uma fugitiva por toda Seattle. - saímos do edifício e a desci unicamente para fazê- la entrar no carro. Quando me sentei, notei que estava com os punhos cerrados e os braços muito apertados sobre o peito- Preciso da sua colaboração Isabella, estamos juntos nisso. Tem que me guiar até chegarmos lá. - Ela continuava em silêncio.

Tinha memorizado o caminho do hotel até o edifício e então usei a mesma rota para voltar ao hotel. Quando estávamos perto, Isabella por fim falou.

- O que fazemos no hotel?- exigiu saber.

- Não acha que iremos seguir viagem e usando "esse" tipo roupa. - fiz um pequeno sinal apontando meu casaco.

-Mas eu não trouxe nada mais do que "esse" tipo de roupa. - disse com tom irônico imitando minha postura.

-Então devemos ir fazer compras. Uns jeans e uma camiseta bem cômoda servirão. Me fala como chegar ao shopping?

- É você que quer ir e não eu!- Com o que Isabella queria jogar? Vamos seguir com a birra então.

- Está bem, o acharei sozinho. - Procurei no painel do carro pelo GPS e me deixei guiar pela vozinha dele.

Uma hora depois estava começando a me desesperar, esse horrível aparelho tinha me feito dar voltas em círculo diante de Isabella e de sua paciência. A vi sorrindo algumas vezes enquanto eu bufava furioso ao me ver no mesmo lugar que tínhamos começado.

-Lynnwood está a exatamente três ruas daqui. - disse divertindo-se.

- Só três ruas? Por que demorou tanto para falar? Pensei que tinha alguma pressa em voltar para casa. - Franzi a testa.

- eu tenho Edward, só queria me certificar de quanto tempo você ia continuar a dar voltas antes de ficar louco. - voltou a sorrir.

Usando algo de senso comum, encontrei em alguns minutos um dos shoppings de Seattle: Lynnwood. Era suficientemente grande para o que eu procurava. Estacionei e me apressei em abrir sua porta. Me olhou um pouco irritada por uns segundos para logo desviar o olhar.

- Não vai descer? – lhe disse ao ver que se recusava a sair.

-Não. - respondeu de forma taxativa sem se quer me olhar para ! Minha pequena Isabella!

- Bem, não me deixa outra opção. - me agachei um pouco dentro do carro para soltar o cinto de segurança e pegá- la em meus braços no estilo noiva.

-o que está fazendo? Edward me coloque no chão, posso ir sozinha. Isabella Swan, birra 2 tomada 543... ação!

-Se te soltar, vai sair fugindo daqui. E eu não vou correr o risco.-Entrei no shopping com ela em meus braços. Tomo mundo imediatamente fixou os olhos em nós, suas bochechas ruborizaram violentamente. Pelo que parece não gostava de chamar a atenção.

- Edward me coloca no chão. Te prometo que não vou fugir. Isso é muito vergonhoso.- Abaixou um pouco sua cabeça encondendo- a em meu peito. Dei mais alguns passos e a coloquei no chão.

- Obrigada. - disse de maneira sarcástica enquanto levantava uma sobrancelha.

-Com todo prazer. - sorri enquanto começávamos a braços começaram a sentir a ausência de seu delicioso calor, era uma sensação indescritível, como se com ele tivesse aquecido não só meu corpo, se não que também minha pensar duas vezes, encurtei a distância que nos separava e envolvi sua cintura com meu braço esquerdo.

- Que... Que está fazendo?- exclamou fixando seus olhos nos meus.

- Só cubro minhas apostas. - bufou devagar e a convidei a continuas caminhando. Durante um bom tempo estivemos em silêncio só percorrendo os corredores do lugar. Entramos em uma enorme loja de departamentos, alguns minutos depois, duas senhoritas no cercaram.

- Bom dia, podemos ajudar- los em algo? – expliquei especificamente que tipo de roupa estávamos procurando. Levaram Isabella que ainda estava com a testa franzida. A vi afastar-se até a área feminina e eu fiquei escolhendo algumas coisas para mim na área masculina, escolhi um jeans escuro, bastante confortável, uma camiseta branca com decote V e uma jaqueta também azul, que aquecia, mas também me dava esse look relaxado que teria ter na viagem. Finalmente na sessão de calçados me decidi por uns tênis da cor marrom café. Me dirigi ao caixa para pagar, mas me distrai vendo um Ray Ban preto que chamou minha atenção, sem duvidar e a agreguei às compras. Sentado esperando que ela estivesse pronta, aproveitei esse tempo para averiguar em meu telefone a forma mais rápida para chegar em Richland, pelo que parece, se pegasse a autopista 46 estaria no pequeno povoado em duas horas aproximadamente. Estava bastante distraído tratando de memorizar as saídas corretas dos viadutos que não me dei conta de que uma das vendedoras vinha em minha direção.

-Isabella está pronta- perguntei me colocando de pé;

- Isso... um... senhor, o que acontece é que a senhorita se trancou em um dos provadores e se nega a sair, disse que você a sequestrou. - a pobre garota estava aponto de cair na gargalhada. Eu não sabia se a acompanhava na gargalhada ou se estalava de raiva.

- Minha prometida pode ser bastante brincalhona quando quer, me ajude indicando onde a encontrar?- ela concordou e me guiou até a área dos provadores. Me apontou a porta do provador número 3. -bati na porta.- Isabella, céus... Poderia sair daí?

- Não vou sair até que chamem a polícia. Acreditem em mim, esse homem está me sequestrando. - Por um momento vi dúvida nos olhos da vendedora o que tentei desvanecer com meu sorriso torto.

- Amor, eu sei que você quer brincar, mas esse não é o momento para isso, temos um pouco de pressa. Ainda que tenha me feito recordar de quando estivemos na loja da GAP. Creio que espantamos a todos com nossos gemidos. Ou como quando nos expulsaram da Macy´s por que nos encontrávamos muito românticos no armazém. - a pobre vendedora estava de todas as cores. Não imaginava a cara de Isabella, mas era a única maneira de tirá- la dali. Ela queria jogar?Pois eu também!

-Está louco Edward?- abriu um pouco a porta, aproveitei essa brecha para entrar no provador a força. Ainda estava com sua roupa de viagem.

-O mesmo pergunto eu, por que falou que te estava sequestrando?- O espaço era realmente pequeno, era uma tortura tê- la ali. Seu aroma me golpeava com força.

- Por acaso é mentira?- perguntou.

- Tão pouco é tudo verdade. - Minhas mãos formigavam por tocar suas bochechas toda ruborizada.- precisamos dar uma pausa em tudo isso,não podemos passar dois dias brigando assim com o crianças..- a escutei grunhir baixinho.

- Se me desculpa, preciso trocar de roupa. - pegou com violência a roupa que estava sobre um pequeno banco no canto do provador.

- te espero la fora então. - saí dali e voltei para o lugar que estava sentado. Alguns minutos depois a reconheci de longe. Fiquei surpreso, se achava que Isabella não poderia ficar mais bonita do que quando usava seus caros vestidos de estilista e seus saltos de enfartar, estava bastante equivocado, meus olhos estavam presenciando um espetáculo sem precedentes. Vestida com um jeans branco que se moldavam a seu corpo como se fosse uma segunda pele, uma delicada blusa azul que ressaltava seu belo rosto, um cardigã cinza acompanhado de um sapatos baixos da mesma cor e uma bolsa que em conjunto falavam do seu extremo bom gosto. Não importava se ela estava usando sapatos baixos, saltos, vestidos, jeans, provavelmente usaria um lençol e continuaria ressaltando a elegância com a qual poderia usar- lo. Só uma palavra: Deslumbrante, Isabella estava deslumbrante. Caminhou até o caixa para pagar, a vi tirar de sua bolsa um cartão de crédito, sendo um pouco mais rápido que ela, me adiantei e estendi meu cartão á senhorita que se encontrava ali. - Me permite?- Se vou te sequestrar como você diz, pelo menos devo pagar pelo seu vestuário.

- Edward eu posso pagar pelas minhas coisas. - murmurou em um tom irritado.

- Eu sei Isabella, mas como você, também posso ser bastante tolo. - A moça do caixa olhava atenta nossa pequena discussão sem saber o que fazer.- Me ajude com a fatura senhorita? Temos um pouco de pressa.- Isabella me fulminou com o olhar enquanto guardava seu cartão de crédito na bolsa. Antes de sairmos da loja se virou para me olhar.

- Sinceramente não sei por que faz isso tudo. - moveu sua cabeça em sinal de negação.-mas tem razão em algo, se vamos estar 48h juntos é melhor darmos uma trégua. Não ache que estou gostando disso, mas quanto mias rápido sairmos disso, mais rápido voltaremos para Chicago. - Meu coração se encolheu, Isabella tinha decidido colaborar porque devia e não porque queria.

Saímos do shopping rumo a autopista, já tinha me informado o suficiente para que desta vez, não desse tantas voltar em círculos. Vi de canto de olho como Isabella arregalava os olhos pela surpresa, não imaginou que eu saberia que saída pegar.

- Como... como você sabia. - perguntou.

- Eu também sei jogar sujo- sorri. Pelos próximos 45 minutos permanecemos em silêncio sem nenhum outro som que não fosse o do motor.

- Me lembro de ter estado em Richland algumas vezes. Renee dizia que era o lugar perfeito para descansar. - murmurou sem tirar o olhar da fileira de árvores que adornavam o acostamento da autopista.

- Me conta então o que tem lá. - pedi.

- É um lugar pequeno, o festival que veremos se realiza todos os anos no início da primavera, é um evento ao ar livre organizado pelo governador no Parque Hanford. Tem comida e apresentações de grupos locais, suponho que este ano a atração seja nosso livro.

-Já veio antes?

-Sim, já faz muitos anos... aí conheci Matt.-De imediato minhas mãos apertaram com força o volante e emiti um ligeiro rosnado. Maldição! O fantasma do verme do Stone me seguia até quando estava do outro lado do país.

-Então será uma guia excelente. Decidi não aprofundar o tema de Matt para dar impressão que essa informação não me interessava. É boa em tudo o que faz, e sei que isso não será uma exceção.

- Há! Não faço nada bem, como se nota que não me conhece.

- Angela tinha razão então, você não se enxerga claramente. _ Tirando uma de minhas mãos do volante peguei suas mãos que descansavam tranquilamente em seu colo. Suas bochechas ficaram rosa. Ainda que tenha razão, não te conheço bem, mas para isso tem solução. O que você acha se jogarmos algo?- a senti remexendo inquieta em seu banco.

- Jogar? Está dirigindo Edward, não deve se distrair. - replicou.

-Confie em mim. Não vou me distrair, só responda minhas perguntas com a primeira coisa que te venha à cabeça, certo?

- Está um pouco demente Edward. - Sem dar tempos para que negasse, comecei a disparar minhas perguntas:

- Céu

-Avião. - Ummm resposta estranha de Isabella, qualquer um responderia pássaros, ou azul. Devia ser por seu medo de voar.

- Livros.

-Alegria. - Ok, estava claro... seu mundo era a literatura.

-Sorvete.

-Morango. Cullen, essa informação é importante. Nota mental: lembrar em um encontro.

-Chicago.

-Frio. Senti como estremeceu enquanto fazia uma careta.

-Cor.

-Azul. - Com razão o azul de sua blusa lhe caia bem. Tinha nascido para vestir essa cor.

-Música.

-Clássica. - Tinha escutado bem? Isabella gostava de música clássica como eu?

- Amor.

-Dor. Inclinou um pouco a cabeça apertando suas mãos nas minhas. Sua resposta me deixou fora de combate, o que a havia levado a responder isso? Seria a perda de seus pais por acaso? Alguma decepção antiga? Neste momento quis saber de tudo, cada minuto que passava com ela, me interessava mais. Desviei o olhar da estrada por um momento, para olhá- la tinha exatamente o mesmo semblante triste do dia que a conheci na porta da Swan Editors. Passei minha mão em sua bochecha para tentar confortá- la.

- Sinto muito, não quis te deixar assim. - Sorriu levemente sem que atingisse os seus olhos.

-Esquece, não foi nada. - respondeu.- Sua vez: Preto.

- Xadrez. - respondi. Era minha cor favorita para jogar.

-Crianças.

-Fraldas. – Fiz minha melhor cara de nojo.

-Milho doce.

-Cáries. - Até o momento minhas respostas eram um pouco ácidas e sem vida. Como eu...

- Chocolate.

-Seu olhar. - Merda, subconsciente traidor. Belo! Era dessa forma como magistralmente e só com 2 palavras acabara de fuder tudo! Que raios me deu? Eu não quis dizer isso... ou quis? Sua reação tão pouco fez esperar, me olhava assustada. E agora o que eu faço, que digo!

- Estamos entrando em Richland. Me orienta para encontrar Hanford?- Graças aos céus tínhamos chegado em tempo.

-Ummmm, só seguir por essa mesma via mais uns 2 km. - A expressão de surpresa ainda refletida no rosto de Isabella. Novamente um cômodo silêncio nos cercou. De longe se via a multidão, supus que tínhamos chegado, estacionei rapidamente apesar da quantidade de carros que havia. Se escutava a música e a algazarra dos presentes no festival, pelo que parece era um evento para todos os habitantes de Richland. Saímos do carro a caminho do parque.

Não sei como vamos encontrá-la no meio de toda essa gente, te falei que era uma má ideia. - Isabella olhava em todas as direções, tentando ver os possíveis lugares onde deveríamos começar a procurar a célebre escritora.

- Vamos, não seja pessimista Isabella. Pelo menos se não a encontrarmos, vamos nos divertir aqui. - Seu olhar glacial me disse que não tinha gostado de meu comentário. Isabella acelerou o passo dirigindo- se ao extremo sul do parque, pelo que parece ela tinha uma boa ideia de onde começar a procurar. De longe vi uma pequena tenda.

- Bingo... ali está, vamos. - A famosa escritora estava rodeada de algumas pessoas que escutavam atentamente sentadas sobre a grama. Estava lendo uma parte de um de seus livros

"E desse modo o leão se apaixonou pela ovelha"...

-Que ovelha tão estúpida!- murmurou a jovem,

- Que leão mórbido e masoquista!- respondeu seu vampiro"

Se escutou um suspiro coletivo no local. Isabella sorria satisfeita ao ver a resposta do público. Seus olhos brilhavam e em suas bochechas se formavam uns pequenos buraquinhos quando estava feliz. Estava começando a reconhecê- la pelos gestos e expressões. Meu coração se alegrou ao vê- la feliz.

Esperamos que a tenda esvaziasse após os autógrafos e nos aproximamos. De imediato a escritora reconheceu Isabella.

- Bella, que boa surpresa vê- la aqui. Lamento muito não ter podido me encontrar com você em Seattle essa manhã. - disse enquanto se colocava de pé para cumprimenta- la.

- A surpresa é minha, vejo que a resposta ao livro segue sento maciça. Te apresento Edward Cullen, nosso advogado no caso do processo sobre plágio. Disse Isabella enquanto olhava para mim.

- Sr. Cullen, um prazer conhecê- lo. - estendeu a mão para apertar a minha.

- O prazer é meu. - respondi.

- Pensava em ligar esta tarde ao chegar em Tacoma para reprogramar a reunião, mas parece que já não será necessário. Sentem- se por favor.- Ocupamos as duas pequenas cadeiras que estavam próximas à mesa que a escritora usava para dar os autógrafos.

- Lamentamos ter vindo assim, mas temos um pouco de pressa com a coleta de informações, a primeira audiência é em 3 meses e não queremos contar com a sorte. - A escritora e Isabella me escutavam atentamente, duas vítimas de um plano de vingança que cada dia me custava mais sustentar.

- Entendo . Agora me conte, em que posso ajudar?

- Edward, me chame de Edward. Necessitamos de seu testemunho na corte no primeiro dia em que os jurados se reúnam. Terá que ser o suficientemente verdadeira para derrubar os argumentos de Denali. Preciso que me explique como nasceu essa história de escrever esses livros e se fez sozinha ou em algum momento se comunicou com alguém ou pediu ajuda externa.

- Então, devo supor que tenham algum tempo disponível para me escutar. - Isabella e eu concordamos ao mesmo tempo.- Bem, tudo começa com um sonho...

Pelas próximas duas horas estivemos escutando atentos sua história. Era fascinante o que essa senhora havia criado baseado só em um sonho. A saga tinha um êxito impressionante a ponto de estar trabalhando já em scripts para o cinema. Mentalmente ia anotando cada detalhe relevante desta conversa, era importantíssimo se quisesse seguir com o plano traçado.

- E bem... isso é tudo o que posso dizer. - finalizou.

- Estou gratamente surpreso com seu talento e imaginação. - Comentei.- Para ser sincero jamais havia escutado falar sobre seus livros e todo o mistério sobrenatural que os envolve.

- Edward, não é só o mistério que os faz interessantes. A chave é o amor, esse sentimento tão puro que procuramos desesperadamente e que tantos autores, durante gerações têm tratado de descrever. Ilógico, carente de sentido como o de minha história. Duas pessoas, dois mundos diferentes que quebram todas as regras para estarem juntos.

- Entendo. - sua resposta tinha me pegado desprevenido.

-Oh. olhem como está tarde. - baixei o olhar para ver a hora:2pm.- já está um pouco tarde para ir para Tacoma e vocês tão pouco comeram. Separei na agenda a semana da audiência para estar em Chicago durante esses dias.

- Agradeço muito seu tempo, sabemos o quão apertada é sua agenda, mas era necessário. - Isabella se colocou de pé ao mesmo tempo que a escritora, as imitei.

- Ao contrário Bella, lamento que tenha vindo tão longe. Agora, porque não ficam para o final do festival? Devem aproveitar um pouco antes de irem.

- Faremos isso. - interr0ompi.- muito obrigado pela ajuda. Entraremos em contato por qualquer novidade.

-Estou segura de que você irá seguir em diante com esse caso Edward. Se nota que é tenaz e dedicado a seu trabalho. E você, céu- olhou para Isabella e pegou suas mãos- Ânimo, Charlie irá se recuperar logo. Mande meus cumprimentos. - A escritora se despediu de nós e saiu acompanhada de outra senhora que supus ser sua agente.

- Pronta?

- Nem um pouquinho. - respondeu olhando distraidamente para o chão.

-Vamos dar uma volta. Isabella assentiu debilmente e começamos a caminhar. O lugar era um formigueiro de gente: crianças acompanhadas dos pais, jovens namorados de mãos dadas, idosos aproveitando os jogos de tabuleiro, mascotes brincando com seus donos, enquanto algumas notas de música country tocavam ao fundo.

- É como você se lembrava?- sussurrei próximo ao seu ouvido. A senti estremecer.

- Na.. naõ.- gaguejou. A peguei pela cintura para guia- la até a próxima tenda.

- Devo conseguir algo para comermos, preciso que...

- Não... eu não tenho fome Edward, não é nescessá...- a silenciei colocando um dedo sobre seus lindo e cheinhos lábios.

- Não estava te perguntando Isabella. - peguei seu rosto com ambas as mãos enquanto a olhava fixamente. Preciso que fique aqui e não tente fugir, seria muito difícil te encontrar. - sorri. Faria isso por mim Isabella?- ficou em silêncio. - então vou considerar seu silêncio como um sim, vem.. sente aqui que já volto. - a deixei pacificamente sentada em um rústico banco de madeira e me afastei.

Avistei uma churrasqueira com muitas pessoas ao redor, o cheiro inundava o lugar. Me aproximei e confirmei visualmente o que meu olfato tinha reconhecido: Steak à barbacoa com batatas assadas. Comprei dois, além de refrigerante. Tomei o caminho de volta para onde tinha deixado Isabella, mas ela não estava.

- Pequena bruxa!- bufei enquanto deixava a comida em uma mesa próxima. Sem saber por onde começar a procura- la, saí da tenda. Não tive que procurar muito, uns quatro passos mais e à direita, a vi sentada na grama comas pernas estiradas. Não tinha ido embora, tinha cumprido a promessa de ficar.

Não quis interrompê- la, se via tão inocente, assim me sentei na grama próximo a ela sem que me visse. A esta altura poderia afirmar sem medo de errar que eu era capaz de passar horas, dias inteiros só contemplando- a sem me cansar. Sua cabeça estava tombada para trás enquanto seus cachos se moviam com o compasso do vento que soprava. Parecia desfrutar a sensação de calor que o sol proporcionava. Estava maravilhado ao observá- la, em que estaria pensando agora? A vi passar sensualmente a língua por seu lábio superior para logo morder o inferior, esse lábio... esse lábio que seriam minha perdição. Como ansiava beijá- la...!

Um pequeno cachorro se aproximou dela e ela deu um sobressalto. Por acaso teria medo de cachorro? Minha dúvida foi dissipada já que Isabella o trouxe até seu colo e começou a acaricia-lo. Poderia haver no mundo mulher mais perfeita que ela? Eu duvidava. Perto de onde nos encontrávamos umas guitarras no estilo country começaram a tocar, um espetáculo estava para começar. Reconheci a música, era Keith Urban...

One, two, three, four!

Out on the street corner

Just like every morning I sit here

And I watch you walk my way

And even though I don't know you

As you get closer I swear I feel

My heart start racing, aching

Maybe it's in my mind

And maybe I'm only dreaming

And I swear you catch my eye

As you walk on by

Oh why you gotta leave me so blue

Baby why can't you see

That I'm the only one for you

You could search the world over

But you'll never find another so true

Cause if you're looking for love

I'm standing right in front of you

I bet your heart, like mine

Has been broken by someone

We never should have given it to (oh no)

So we put up a wall to keep from falling so hard

It's so sad

Cause there's such good love inside

And I've been hoping that I might find

Someone who feels the same way

Someone to share my life

On this beautiful ride together

We could see it all through

Baby why can't you see

That I'm the only one for you

You could search the world over

But you'll never find another so true

Cause if you're looking for love

I'm standing right in front of you

Isabella sabia a letra da música, tinha cantado enquanto continuava a acariciar o cachorrinho. Subitamente se colocou de pé e começou a dançar com o pequeno animal em seus braços.

So this morning I'm just going to walk up and say hello to you

Cause if given a choice between love and being alone

I know which one

I know which one I choose

And give me a chance

I'd be a better man for you (I believe I would)

And open your heart girl

Let me make your dreams come true

Meu autocontrole se esvaiu neste momento ao escutar essas últimas linhas e somo se estivesse sendo impulsionado me coloquei de pé e caminhei até onde ela estava. Isabella não me viu, claro, estava de costas. Continuava seu delicado vai e vem de quadris ao mesmo tempo em que balançava a cabeça enquanto cantava. O cachorrinho estava no chão aos seus pés como se quisesse acompanhar o ritmo. Me coloquei exatamente atrás dela e permiti que seguisse com seus movimentos espontâneos.

You can search the world over

But I can take it to the moon

Cause if you're looking for love

I'm standing right in front of you (yes I am)

Standing right in front of you

Open your eyes, I'm standing right in front of you

Just give me a chance baby

I'm standing right in front of you

Finalmente se virou e abriu os olhos…

- Me dê uma chance... estou aqui, de pé bem diante de ti. - Isabella gemeu diante da surpresa. Meu plano de conquista- la estava indo pro caralho, deveria admitir: era ela que estava me conquistando.

- O que... que você falou?

- Só estava cantando, era isso que dizia a última frase, não era? – menti. - não sabia que gostava de música country.- repliquei imediatamente.

- Gosto desta música. - inclinou um pouco a cabeça como se estivesse com vergonha de sua confissão.

- Hey, não fique com vergonha. - levantei seu rosto tomando- a pelo queixo.- Adorava escutar Willie Nelson se te faz sentir melhor.

-Willie Nelson? –notei um tom de zombaria em sua pergunta.

= Vamos, agora está zombando de mim?- perguntei levantando uma sobrancelha.

-Não- sua resposta foi interrompida por um súbito ataque de risos que a fez se dobrar. - Bem, sim, um pouco. Willie Nelson, sério Edward?- disse se acalmando um pouco.

- Muito engraçadinha Senhorita Swan, melhor irmos comer antes que esfrie... - a vi fazer um biquinho.- E não quero reclamações.

-Pfff... que mandão!- seu semblante tinha mudado completamente da Isabella que havia chegado em Seattle, estava relaxada e espontânea. Se desculpou uns minutos para ir ao banheiro. Por um minuto pensei que desta vez fugiria. Como se pudesse ler minha mente, se aproximou de mim.

- Não vou fugir, se isso te preocupa, relaxe você também. - com seu pequeno dedo indicador roçou a ponta do meu nariz e se afastou sorridente.

Depois de alguns minutos voltou e começamos a comer, a comida estava quase tão gostosa quanto recendia. Isabella também gostou da carne, fazia os mesmos barulhinhos graciosos do dia da comida chinesa. Comemos em silêncio, enquanto o concerto de música era escutado ao fundo. Por volta das 4pm o sol começou a se ocultar em meio às densas nuvens, uma chuva eminente se aproximava.

- A que hora é nosso voo amanhã?- perguntou Isabella me tirando dos meus devaneios.

- Por volta das 2pm deveremos estar no aeroporto. - A vi ficar de pé e despejar os pratos em um lixo próximo.

-Vamos voltar para Seattle, por favor? Não quero chegar tarde.

- Mas ainda falta muito para vermos Isabella, é impôs...- levantou sua mão para me interromper.

- Edward aceitei mesmo que contra minha vontade vir a Seattle e deixar Charlie sozinho, vir até Richland, deixei que pagasse as roupas, comprasse comida e me obrigar a comê-la. Pelo menos deveria me conceder isso. - colocou as mãos em seus quadris enquanto batia na grama com seu pé.- Além do mais estou cansada.

- Ganhou desta vez, vamos voltar a Seattle. - bufei enquanto me levantava. Caminhamos até o carro em companhia de umas quantas gotas de chuva que havia começado a cair. Em completo silêncio saímos da área do parque até a autopista. As pequenas gotas haviam se convertido em uma terrível chuva em questão de minutos. Havia preocupação no olhar de Isabella.

- O que foi?- peguei com minha mão direita uma mecha de cabelo que havia escapado e coloquei atrás de sua orelha.

- Não gosto de chuva. - respondeu.

-é uma simples chuva Isabella, verá que daqui a pouco se acalma. - como que querendo rebater, o clarão de um poderoso relâmpago iluminou o céu.

- O que você dizia?- disse depois do ruído do trovão. Pelo que parece a chuva não iria parar em pouco tempo, assim me concentrei no volante. Não queria ter um acidente.

Viajamos acompanhados da mesma chuva cerca de uma hora, mas adiante não havia melhorado, mas piorado. Parecia um dilúvio!

- devia ter te avisado que em Washington sempre acontece isso. Os poucos dias onde há sol, é porque vai chover.

- Chover? Isabella parece que o céu está vindo abaixo. - o ruído que a chuva fazia no teto do carro, fazia com que falássemos quase gritando.

Alguns quilômetros depois o carro começou a fazer uns barulhos estranhos. Vá.. era o que faltava! Aos poucos comecei a diminuir a marcha esperando que fosse uma falha momentânea, até que de repente o maldito carro apagou. Consegui manobrar até chegar ao acostamento.

-O que aconteceu Edward? –exigiu.

- Não sei Isabella, talvez tenha molhado o distribuidor ou algo assim. Mas é um carro novo, não deveria dar defeito, ainda que com esses híbridos, nunca se sabe.

- E agora o que faremos? Temos que chegar em Seattle. - disse com um pouco de raiva.

- duvido que possamos fazê- lo agora e neste carro Isabella. Temos que esperar que a chuva passe um pouco.

-Edward isso vai demorar horas, provavelmente a noite toda. Devemos voltar já!-gritou exasperada. Tomei seu rosto em minhas mãos para acalmá- la.

-Shhhhh, eu sei que devemos voltar Isabella. Mas se você se desesperar, não conseguiremos fazer nada. O primeiro que temos que fazer é sair daqui. - desviei o olhar para confirmar em meu celular o que suspeitava: não tinha sinal.- e procurar um telefone. Precisamos de um de um guincho ao algo assim.

- Edward toda essa área é morta, estamos no meio de nada!- protestou enquanto apontava a autopista.

- Calma, algo vai acontecer. Olha. - apontei com a cabeça um pequeno celeiro que estava perto.- pode ser que alguém ali nos ajude. Vou descer e pedir ajuda. - Soltei seu rosto mas de imediato me pegou pelos pulsos.

- Não me deixe sozinha, eu... eu... eu vou contigo. - pude ver algum temor em seu olhar, minha doce Bella está em pânico diante da ideia de se ver sozinha.

- Poderia ficar doente Isabella, melhor que fique aqui.

-Não! Vou com você. - Teimosa do jeito que era, abriu a porta do carro ao mesmo tempo que eu.

-Trate de correr para que não se molhe muito. - assentiu. Vamos nos 3: um, d...- Isabella já havia começado a correr. Trapaceira!

Ainda que ela tivesse alguma vantagem, consegui chegar primeiro. A esperei debaixo do beiral do celeiro sorrindo por ter ganhado a corrida. UM sorriso que se transformou em surpresa quando uns quantos passos antes de chegar Isabella tropeçou em seus próprios pés. Desta vez não estava perto como na primeira ocasião em que tropeçou na minha frente. A vi aterrissar em uma imensa poça de lodo.

- Bella está bem minha pequena?- a ajudei a ficar de pé. Um segundo. a tinha chamado de Bella? E minha pequena? Maldita consciência justo agora que preciso de você, me trai.

- Sim, estou bem... bem atolada!- apesar da queda que tinha levado ainda tinha um pouco de humor.

- Venha, venha... entraremos para pedir ajuda. - Ingressamos no pequeno celeiro com a esperança de encontrar algum ser vivo, mas não havia nem grilos.

- E agora? Estamos pior que no começo. Sem carro, completamente coberta de lodo e invadindo propriedade privada. Alguma outra ideia. - cruzou os braços em sinal de raiva.

- Acho que isso nos leva ao plano inicial, esperar que a chuva passe. Disse em tom casual.

- Parece que não me escutou quando disse que isso ia levar a noite toda.

- Então esperaremos aqui a noite toda. Que outra coisa podemos fazer?- o lugar não parecia muito cômodo. Tinha palha por todos os lados e um armazém de trigo improvisado no canto. - Será melhor que tire a camiseta, poderia ficar doente.- Isabella começou a olhar em volta, como se procurando por algo.

- O problema é que não trouxe comigo a bolsa da Mulher Maravilha para conseguir uma camiseta limpa. Acho que deixei em Seattle, onde deveríamos estar!- Pronto, uma nova birra a caminho.

- Seu sarcasmo me agrada. - Sorri.- Toma, minha jaqueta não está tão molhada, prometo não ver nada. – a tirei e a estendi para ela, em seguida tampei meus olhos com a mão.

-Pode tirar sua mão do rosto não vou tirar a camiseta. A jaqueta é sua e não vou toma- la de você.

-Isabella não seja tão teimosa. Pode ficar doente, e se seu pai ficar sabendo que eu poderia evitar e não o fiz, quando se levantar, poderá me bater. - Sorriu a o escutar a menção de Charlie. Voltei a tampar meus olhos com as mãos. - Não vejo nada, anda... troque de roupa.

A escutei caminhar até o outro extremo do celeiro, entre meus dedos filtravam algumas imagens difusas. Estava de costas para mim, de um só golpe tirou sua camiseta e a jogou no chão. Suas costas perfeitas ficaram completamente descobertas. Tinha um pequeno sutiã branco que se misturava com sua pele de neve. Sua cintura fina convidava a se perder nela, me sentia como um depravado espiando. Raios! A quem estava enganando? Deixei a farsa e decido vê- la sem o molesto obstáculo de minha mão sobre meus olhos. Quase em seguida vestiu minha jaqueta e fechou o zíper. Me virei para dar as costas para ela também, e assim fingir que não tinha visto nada. Caminhou de volta para onde estava, que sensual estava, vestindo minha roupa. A vi sentar- se no chão e a acompanhei.

- Devíamos estar em Seattle a essas alturas. - murmurou depois de um longo tempo em silêncio. Sua insistência estava me deixando louco.

- Isabella tem uma coisa que eu quero saber. Você queria voltar logo para Seattle porque estava cansada ou por que não suporta minha companhia?- pronto.. já disse.

- Eu não... estou, eu- não conseguia coordenar uma mentira acreditável.

-Entendo, não suporta minha companhia. Eu lamento tê- la obrigado a fazer tudo isso e ...- me interrompeu.

- Não, não entendeu nada. - Negou com a cabeça.- Não deveria se aproximar de mim, não sou boa companhia para você, me entenda.- disse a ultima parte em um sussurro.

- Por que diz isso Isabella? – peguei uma de suas mãos e comecei a acaricia- las bem devagar.

- Deveria se afastar de mim, é melhor para todo mundo. Cada coisa que faço sempre machuca alguém. E não quero que saia machucado. - então era disso que Isabella falava no sonho.

- E você acha que vai me machucar?- assentiu devagar. Soltei sua mão e comecei a acariciar sua bochecha. A dona das poças de chocolate me presenteou com um sorriso, a qual respondi com outro sorriso. Seu rosto se cobriu do mais adorável rubor ao mesmo tempo em que mordia nervosamente seu lábio inferior. Não aguentei mais, ela, de maneira inocente estava me tentando a beijá- la.

- Não Isabella, o lábio não. - Tomei seu rosto com ambas as mãos e encurtei a distância para roçar seus lábios com os meus em um beijo e libertá- los assim da pressão que ela exercia.

Seus lábios carnudos, comovidos pela surpresa inicial, se moviam lentamente como que querendo reconhecer o terreno enquanto eu desfrutava do sublime momento. Poucos segundos depois senti como meu sangue fervia, querendo me queimar a pele. Comecei a mover meus lábios com um pouco mais de força, ao que ela respondeu com um forte gemido. Agarrou meus cabelos com seus dedos, atraindo- me mais para ela. Abriu um pouco os lábios o que me permitiu respirar seu hálito embriagador. Passei minha mão por suas costas para deixa-la completamente colada em meu peito. Sentia seu coração palpitar em mim, igual ao meu.

Mas o beijo estava causando outras reações em meu corpo e no de Isabella. A pesar da jaqueta que carregava, senti como seus mamilos endureciam por causa da excitação... e eu, ... eu não me encontrava em melhor situação que ela. Nossas respirações tinham se convertido em fortes suspiros. Minha mão livre deslizou pela deliciosa curva de seus quadris, no mesmo tempo em que sua pequena mão deslizava de meu cabelo para meu peito. Minhas mãos pediam mais, mais de seu corpo, mas de minha Bella. Discretamente subi a mão que descansava em seu quadril, até seus peitos, onde minha mão aninhou um deles. Era simplesmente perfeito, sua delicada forma cabia exata em minha mão, como se fosse seu lugar desde o início dos tempos. Ligeiramente rocei um de seus mamilos ao que ela respondeu com um forte suspiro em minha boca enquanto agarrava fortemente à minha camisa com se quisesse arrancá-la. Estava no limite do meu autocontrole quando parece que uma luz se acendeu em sua cabeça e se separou de mim.

- Sinto muito Edward, isso não deveria ter acontecido. Isso foi muito errado.. eu não... é só que...você é meu advogado e eu sou...- a interrompi com um novo beijo. Esta vez foi mais terno, mais cálido e menos prolongado. Havia beijado mais mulheres do que poderia me lembrar, mas jamais havia beijado ninguém como fiz com Isabella. Era a primeira vez que o desejo ficava em segundo plano sendo deslocado por um sentimento que não era capaz de distinguir. Nossos lábios continuaram compartilhando uma das mais delicadas danças, seguindo cada um o compasso do outro, desfrutando cada segundo do elixir que seu hálito me bridava. Me separei dela bem devagar e aninhei seu posto na palma das minhas mãos.

-... E você é uma mulher, uma bela mulher que está me deixando louco- juntei sua testa com a minha.- Acredite Bella, está me deixando louco.

- Sinto muito?- sorriu timidamente.

- Queria dizer o mesmo, mas simplesmente não posso- um adorável rubor cobriu suas bochechas, sorri com sua reação. - Está mais que perdoada minha pequena, venha...- A convidei a sentar- se em meu colo, ela apoiou suas costas em meu peito e ficou ali, sem dizer palavra alguma. Comecei a passar minha mão por seu cabelo embaraçado enquanto cantarolava uma cantiga de ninar para ela. Não demorou a dormir, pelo que parece estava sim, muito cansada. O frenesi do beijo tinha me deixado bastante inquieto para conseguir dormir, por isso me dediquei a estudar cada um dos seus gestos ao dormir. Tão delicada, tão perfeita, tão MINHA. Completamente deslumbrado por sua simplicidade, lembrei de algo que tinha escutado essa tarde:

"E o leão se apaixonou pela ovelha..."

Foi neste instante que a verdade me devastou: a semelhança com o vampiro apaixonado por sua frágil humana com a minha situação atual era impressionante. Poderia eu, um malvado leão, me apaixonar pro esta pequena e inofensiva ovelha? No fundo da minha cabeça, uma vozinha gritava a todo pulmão: SIM.

A observei por mais algumas horas, escutando com alegria quando repetia meu nome em seus sonhos. Ficou calada pouco tempo depois, não demorei em me render ao sonho. Enquanto ela permanecia em meus braços dormi como nunca antes, apesar do local incomodo.

Os primeiros raios de sol começaram a entrar pelas janelas do celeiro, devia ter parado de chover a muito tempo. A senti mover- se em meus braços.

- Bom dia Bella Adormecida. - disse com voz rouca ,mas sem abrir os olhos.

-Bo... bom dia Edward. Olho como está mal acomodado. - de imediato se colocou de pé e estendeu a mão para me ajudar.

- Foi uma das melhores noites da minha vida. - confessei.- Vou ver se o carro está funcionando, você vem?.-estendi minha mão e ela fez o mesmo. As pequenas descargas elétricas que nosso contato geravam já não eram incomodas, ao contrário, eram tranquilizadoras. Em seguida saímos atrás do infame carro. Ainda se sentia muita umidade no ambiente, inclusive dentro do carro mas não podia esperar por menos.. eram os efeitos do dilúvio. Pus a chave no contato e o carro ligou imediatamente. Nos colocamos a caminho de Seattle, antes de chegarmos Isabella perguntou:

- Edward o que aconteceu com o carro não foi uma estratégia para passarmos a noite no celeiro, certo?

- Claro que não. - ainda que a ideia não era de tudo cabeluda, se eu tivesse planejado não teria saído tão certo como foi. Voltamos a ficar em silêncio. Chegamos no hotel por volta das 9h, Isabella pediu que levassem seu café da manha no quarto, eu também pedi o mesmo. Por volta do meio dia fui até seu quarto para irmos para o aeroporto, ela já estava pronta. Todo o voo de volta para casa foi feito em silêncio, parecia que ela não queria comentar o que aconteceu à noite. Eu também não queria forçar a barra. A contemplei durante vários minutos, ela tinha adormecido fazendo uns biquinhos ternos com seus lábios. Neste momento me lembrei da conversa que tivemos dias atrás:

"A situação da editora era realmente ruim, inclusive se agravou com a saída do sócio do vovô, era seu melhor amigo e o abandonou."

Não sei o vovô nunca me disse seu nome. Creio que era porque sempre viveu ressentido com ele por ter feito isso. Ele nunca levou o dinheiro investido, simplesmente desapareceu um dia."

Havia algo que não se enquadrava na equação, Isabella tinha me contado uma história que era muito diferente da que o vovô Edward havia me contado inúmeras vezes. Não tinha lógica, o vovô não pode simplesmente ter ido embora deixando tudo nas mãos do avô de Isabella. Algo estava faltando aqui, e era justamente isso que eu iria esclarecer o que realmente aconteceu há 50 anos atrás. Durante o relato de Isabella não houve um só indício de demonstração de culpa por parte da família Swan, na realidade seria Isabella totalmente alheia a todo esse rolo? Me questionei por uns segundos se era justo estragar uma alma inocente como a de Bella. Esgotado mentalmente caí em sono profundo um tempo depois.

Chegamos por volta das 10pm em Chicago, ao sair nos encontramos com Billy, seu rosto era inescrutável. Isabella acelerou o passo.

- Sim senhorita Bella... Charlie acaba de acordar ...


N/T: Boom! Ele acordou! Como serão as coisas agora? E o beijo? Ficará só por isso mesmo?
Veremos no próximo capítulo.

FELIZ ANO NOVO PARA TODOS VOCÊS.

SAÚDE E PAZ!

Bj, Lu.