Cheguei com dificuldade até a cozinha.

Eu havia acabado de aceitar um pedido de jantar com Edward Masen. E ele estava lá do lado de fora, no quintal ao lado do meu, fazendo algo que parecia ser uma mudança.

Sim, era difícil caminhar com as pernas bambas.

Larguei as sacolas rasgadas e minhas compras em uma bagunça sobre o balcão da cozinha. Eu me sentia nervosa, não sabendo o que fazer com as minhas mãos, além de afundar elas em meu cabelo e depositar meu nervosismo nos meus fios.

Eu meio que odiava minha insegurança e provavelmente Edward não tinha a menor ideia do que se passou na minha cabeça enquanto tivemos aquela troca estranha de palavras. Esta era a pior parte. Ele não fazia ideia de que meu cérebro derretia e travava no modo "idiota" quando eu estava perto dele. Por isso ele havia me convidado para o jantar.

Eu só podia esperar que não houvesse uma esposa ou algo assim no jantar. Eu realmente não sabia mais nada de sua vida atual, eu havia proibido Alice de me noticiar qualquer coisa que tivesse algo a ver com ele. Eu estava um pouco arrependida por essa decisão, mas talvez ela me ajudasse a ser um pouco menos estúpida na presença dele.

Olhei, cansada, para aquela variedade de compras sobre a ilha da minha cozinha. Eu havia comprado algumas coisas com o propósito de fazer algum jantar caprichado para me mimar um pouco, mas eu esqueci completamente qual seria o cardápio. Eu só queria ligar para alguma pizzaria e pedir alguma coisa com queijo extra e recheio gorduroso, sem me importar sobre o tamanho que ficaria meu traseiro depois disso.

Limitei-me a apenas guardar as compras, evitando qualquer olhada pelas amplas janelas da minha cozinha. Eu não queria arriscar encontrar um Edward sem camisa em seu quintal, ou algo assim.

Estava guardando a quantidade absurda de cream cheese que eu havia comprado, sem razão alguma, na geladeira quando o telefone tocou.

Eu esperava que tocasse.

Eu sabia que ela iria me dar alguma explicação.

- Alô-ô-ô, coelhinha – ela cantarolou assim que arranquei o telefone do gancho ao lado da geladeira. Alice sempre tinha esse tom de riso na voz, como se soubesse o que iria acontecer antes de realmente acontecer e estivesse escondendo isso de você.

- Olha só quem resolveu checar para ver se a pobre melhor amiga está viva – eu queria soar ácida, mas eu soei como uma miserável mimada.

Apoiei meu corpo contra o balcão da pia, admirando minhas unhas. Elas estavam em um ótimo tamanho, o que só me deixava um pouco mais triste, pois eu visava ali um meio para aliviar minha tensão. Enfiei meu dedão na boca, picotando minha unha com os dentes com habilidade.

- Você é tão dramática e mal humorada. Acho que você precisa de um namorado, queridinha – eu fechei meus olhos, Alice adorava usar diminutivos para me irritar. Com certeza Alice sabia o que estava se passando ali.

- Ok, pode começar a colocar tudo para fora.

- Isto é sobre o que eu acho que é? – Alice indagou com aquele falso tom de desentendimento que totalmente não combinava com Alice. – Ele já chegou?

- Alice… - eu choraminguei, totalmente derrotada. Minha cabeça caiu para baixo, analisando o padrão do velho piso da cozinha. – Por que você não me avisou que ele estava vindo para cá?

- Bella, querida, você é minha melhor amiga e eu te amo, mas eu simplesmente não posso ficar passando as novas de Forks enquanto eu estou no Texas – ela suspirou dramaticamente e aquilo fez sentido para mim. Se eu fosse um pouco mais social, eu teria sido informada por algum vizinho sobre o nosso novo morador e não precisaria do monitoramento de Alice. – Além do mais, você disse que não queria saber mais nada sobre ele…

- Eu sei o que eu disse. Mas como eu iria adivinhar que ele iria morar aqui do lado? – Eu estava irritada, com Alice, com Edward e com meus vizinhos que não me preveniram de nada. – Uma casa que era sua, só para deixar claro.

Alice riu sem graça. Ela totalmente sabia.

Eu havia comprado a minha casa com a herança do meu avô, pai de Reneé, quando eu fizera 21 anos. A casa parecia perfeita e localizada estrategicamente ao lado da casa da minha melhor amiga – é claro que eu não previ que dois anos depois ela conheceria o amor da sua vida e se mudaria para Dallas.

Era uma casa grande – não tão grande quanto a vizinha, que agora pertencia a Edward – e eu tentava mantê-la apresentável. Alice havia me ajudado com a decoração e reforma e eu adorava aquele lugar.

- Eu só queria ajudar. Edward está num momento tão ruim, Bella, achei que ele merecia um desconto.

- Momento, é? – Meu tom de despreocupação só fez Alice rir de novo. Ela sabia que isso iria me corroer por dentro. Eu odiaria saber que uma pessoa como Edward, sempre tão doce e educado, estava sofrendo por algum motivo. Claro, eu havia perdido 10 anos de contato com ele, mas eu acreditava que ele mantinha a mesma essência que possuía aos dezoito anos.

- É, momento. Ele passou por um divórcio complicado nesse último ano – eu arregalei meus olhos. Um misto de alegria e culpa passou por mim. Ele provavelmente amava a mulher e o divórcio devia estar sendo péssimo – tão péssimo que ele havia se mudado para Wisconsin. Eu digo, ninguém se muda para Wisconsin se a coisa está boa. Mas de certo modo, eu estava feliz por poder ver aquela confusão cor de cobre passeando pelo quintal ao lado.

- Uau… isso é novo.

- Sim, e ela está sendo uma verdadeira vadia. Edward está enfrentando alguns processos, parece que ela quer sair com setenta e cinco por cento do que é dele. Ela não quer nem saber da pequena Marlowe, e essa é a pior parte de todas, porque Edward é louco por ela.

- Quem é Marlowe? – Pequena Marlowe.

- Viu o que você faz? Me proíbe de falar sobre Edward, mas basta ele aparecer na sua frente e você já quer a ficha ê não sente vergonha?

Claro que eu sinto. Vergonha é meu segundo nome. Isabella Marie-Vergonha Swan.

- Você é péssima.

- E você tem uma boca que pode falar lindamente e é capaz de manter conversas rotineiras com o gato da porta ao lado.

- Acho que você está certa. Obrigada, de qualquer forma – resmunguei. – Você está bem?

- Estou ótima – cantarolando mais uma vez, pude ouvir o barulho dos saltos de Alice sobre o assoalho numa velocidade incrível. – Até que enfim o assunto é sobre mim.

- Nós sempre voltamos para você – eu sorri, pois aquilo não era nada menos que a verdade. Alice sempre fora muito mais interessante do que eu. – O que diabos você está fazendo aí?

Eu ainda podia ouvir o barulho dos saltos em uma velocidade que me deixava humilhada – eu não conseguia dar dez passos com esses sapatos horríveis de Alice sem fazer uma pausa ou ser jogada no chão pela gravidade.

- Ok. Eu tenho uma novidade - a pausa dramática obviamente era para me dar tempo de indagar desesperada o que era, mas Alice desistiu da ideia. – Jasper vai fazer o pedido hoje a noite.

- O quê?! – Eu empurrei meu corpo para frente, parando no meio da cozinha. Aquele era o tipo de coisa que Alice fazia: ela jogava uma bomba no meio da calmaria. – Como você sabe? Meu Deus, você está nervosa? Quando vai ser? Alice, eu vou ser sua madrinha?

- Hey, hey, calma, coelhinha – revirei meus olhos, eu odiava tanto ser chamada de coelhinha, odiava mais do que ser chamada de queridinha. – Eu só sei, eu sinto. Ele vem agindo estranho a semana toda, então resolvi bisbilhotar um pouco o armário do escritório dele, você sabe, fazendo uma checagem rotineira.

- Claro – sorri, imaginando Alice na ponta dos pés, atirando todos os documentos de Jasper pelos ares, buscando uma prova.

- Então, achei um embrulho da Cartier…

Alice continuou sua narrativa animada sobre sua descoberta. Ela iria surpreender o futuro-noivo com um jantar romântico que ela estava em volta desde hoje pela manhã. Mas eu perdi o fio da meada quando fisguei o movimento na casa ao lado.

Edward estava ajudando alguns homens a descarregar um carregamento pesado de madeira no fundo do seu quintal. Ele parecia animado, gesticulando para todos os lados para comandar o serviço dos homens da transportadora. Eram Jack e Louis Kennedy, filhos e herdeiros da Kennedy Materias de Construção e Cia.

Eles pareciam patéticos ao lado de Edward, era um fato. Edward parecia se destacar e erguer-se sobre todos os espécimes de homens da cidade – não era difícil conhecer todos os homens de uma cidade de 3 mil habitantes.

Meu corpo foi aproximando-se da janela da cozinha, sem consciência, até minha respiração embaçar o vidro e nublar minha visão.

- Bella? Bella? – Alice me fez acordar. – Oh, meu Deus, você está espiando Edward!

- Alice, de onde você tira essas coisas? – Olhei ao redor, procurando algum sinal da minha melhor amiga na sala de estar. Ela não respondeu, tampouco estava me encarando da sala, então eu dei de ombros, suspirando com vergonha. – Como você sabe?

- Porque é o Edward, bobinha - ela riu. Com os cacos da minha dignidade, me afastei da janela, sacudindo a cabeça como se isso fosse capaz de apagar alguma coisa dela.

- Isso é muito ruim, Allie – nós rimos da minha própria desgraça. – Promete me ligar depois de dizer o "sim"? No máximo dez minutos depois?

- Você está louca? Eu seria capaz de colocar você no viva-voz para ouvir tudo se Jasper não fosse tão careta.

- É, Jasper é o careta – eu sentia saudade deles, eu gostara da ideia do viva-voz, mas não precisava incentivar Alice.

- Sinto sua falta, mas dentro de um ano você virá para Dallas, pois eu vou estar me casando – ela estava novamente cantarolando com todos os motivos do mundo para estar.

Nós desligamos pouco tempo depois, com as rotineiras despedidas e promessas de nos vermos em breve, querendo evitar lágrimas ou qualquer coisa que pudesse nos fazer sentir idiotas mais tarde.

A noite já estava caindo e o ar estava terrivelmente quente.

Eu tinha que fazer alguma coisa, pois minhas mãos coçavam por alguma ação. Eu tinha que parar de ser uma covarde: eu estava com 26 anos, eu sabia falar com homens. Não era difícil. Não iria ser.

Tirei um fardo das minhas cervejas preciosas e favoritas da geladeira e saí pela porta da cozinha, onde eu podia adentrar direto no meu quintal dos fundos. Eu tentava manter aquilo apresentável, com o gramado baixo e com as cercas-vivas bem aparadas e sob controle. No fundo, uma enorme cerejeira se erguia, vivendo ali há muito mais tempo que eu ou aquela casa.

Edward não estava dentro do meu campo de vista, mas isso não importava. Me senti confortável de abrir o pequeno portão de madeira que separava nossos quintais e atravessei a grama um pouco alta do seu. As madeiras empilhadas estavam acumuladas em um canto do quintal duas vezes maior que o meu, e algumas caixas vazias também faziam sua própria pilha ali.

A luz da cozinha estava acesa, e eu movi minhas pernas em direção a porta que esparramava a luz sobre o gramado do quintal.

- Edward? – Indaguei, parada na soleira da porta.

Edward estava pairando ao lado do fogão, coçando a cabeça, quando olhou de olhos arregalados para mim.

Ele estava usando aquele tipo de regata que mostrava seus braços. Não que eles fossem musculosos ou extremamente vistosos, eles eram definidos e… não interessava, eram os braços de Edward. Droga. Droga. Droga. Eu era uma grupie.

- Bella! – Ele sorriu, um pouco sem fôlego, apoiando uma mão no fogão e balançando a cabeça. – Você me assustou, mulher.

- Desculpe – eu sorri, escolhendo meus ombros. – Má hora?

- Bem, você está prestes a assistir um crime – Edward girou sem corpo de frente para o fogão, de onde eu podia ver uma fumaça preta se erguer. – Isso era pra ser supostamente uma omelete.

Eu caminhei, balançando meu fardo de cervejas, até estar lado a lado com ele. Edward cheirava a perfume caro e madeira, uma combinação dos infernos que me levou diretamente para longe do cheiro de queimado e para fora da cozinha. Eu poderia esfregar meu nariz em seu ombro nu pela regata, mas eu ainda me considerava uma pessoa normal.

Dentro de uma frigideira, jazia um circulo queimado que em outra dimensão seria uma omelete. Estalei meus lábios, olhando penalizada para o resultado dos dotes culinários de Edward.

- O que um homem precisa fazer para ter uma refeição descente depois de um dia de trabalho duro? – Zombei, levantando meu prêmio gelado e alcoólico da noite. – Espero que isso te alegre um pouco.

Os olhos verdes de Edward brilharam e um sorriso branco e extenso surgiu em sua boca.

- É, isso pode ajudar.


Me vi sentada novamente na mesma varanda de mais cedo, sentindo uma brisa levemente refrescante correr pelo meu rosto. Eu havia prendido meu cabelo em um coque escabelado, tentando livrar minha nuca do suor que se acumulava. Bebericando minha cerveja, eu assistia com admiração o homem sentado ao meu lado.

Edward ria, sua garrafa pendendo da mão apoiada em seu joelho.

EleEdward já estava com seus 30 anos, quase 31, mas ainda parecia um adolescente. Ele era tão diferente de mim, que havia me acostumado a ser sempre ranzinza e reclamona sobre tudo ao meu redor.

Eu reclamava do calor, ele dizia que o fazia lembrar-se dos melhores dias da sua vida – as férias de verão. Minha careta o fizera indagar sobre meu ódio pelas férias de verão, onde eu nunca viajava ou fazia coisas divertidas como ele supostamente fazia.

- Bella, você passava o dia inteiro brincando no quintal da nossa casa com Alice, molhando todo mundo com aquela mangueira – ele ainda ria. Senti meu rosto ruborizar, imaginando como ele ainda devia lembrar-se de mim como aquela garotinha mal humorada e magrela.

- Você achava aquilo divertido? Era uma mangueira, nós nem ao menos tínhamos uma piscina.

- Bom, eu passava o verão inteiro dentro de um apartamento no meio de Chicago, o que me diz disso?

- Fascinante – olhei para frente, vidrada, imaginando que ele passava seus dias imerso em ar condicionado e com opções cults de lazer.

- Qual é, Bells, você sentiu o real sabor da infância – ele riu, gesticulando com as mãos.

- Se isso quer dizer ser jogada por Emmett em poças de lama o verão inteiro, eu senti mesmo – pensava em soar ranzinza, mas as imagens que invadiram minha mente só me fizeram sorrir. – Ele fazia meus dentes ficarem cheios de terra e eu o odiava por isso.

- É, eu conheço esse lado sádico de Em – o riso da voz de Edward foi morrendo, e de repente ele contemplava sua garrafa de cerveja pensativo.

Imaginei que Emmett o fazia lembrar-se de Chicago e de tudo o que estava acontecendo por lá. Me senti na obrigação de tirá-lo daquele momento triste de reflexão.

- Então, você vai viver mesmo aqui ou só vai ficar até notar que Forks continua a mesma coisa de 10 anos atrás?

Edward sorriu, esticando suas pernas longas e potentes e cruzando os tornozelos. De repente, ele era a imagem negligência com meus hormônios femininos.

- Não, eu quero ficar por aqui mesmo – respondeu, levando o bocal da garrafa até seus lábios. Acompanhei o caminho do liquido gasoso até ele sumir no interior da boca de Edward. Remexi meu corpo, desconfortável. – Vivi os meus melhores anos aqui.

- Isso é bom.

- É, é bom… Mas eu ainda me pergunto o que você faz aqui. Eu sempre achei que você seria o tipo de garota a viajar entorno do mundo.

- Eu não sei, eu só… fiquei – respondi, encolhendo os ombros. – Meu trabalho não exige que eu saia muito, então eu aproveito esse benefício e o pratico muito bem.

- Qual o seu trabalho?

Eu franzi meu cenho, sentindo a velha complicação de explicar o que eu fazia surgir.

Não era uma coisa que eu sentisse vergonha, pelo contrário. Eu havia chegado bem longe dentro do meu campo de atuação, eu me considerava uma espécie de bem-sucedida.

Mas nem todo mundo entendia.

- É complicado… Mas eu faço um meio-período no jornal local, também.

- Também? – ele ergueu as sobrancelhas, como quem se diz descrente por eu não estar lhe contando o que ele queria saber. – O que mais você faz?

- Eu… hm, eusouautoradelivroseróticos – enfiei minha cerveja em minha boca, dando goles tão longos quanto eu podia.

Edward me encarava confuso.

- Mas que diabos? – Ele riu, me olhando com um olhar interessado.

- Eu sou autora de livros eróticos – cuspi para fora, buscando meu fôlego de volta depois de ingerir tanta cerveja em uma virada só.

Edward permaneceu em silêncio e eu não fiz questão de quebrá-lo. Sim, todos precisavam de um momento para assimilar aquelas palavras, pois eu não era o tipo que parecia boazona e experiente o suficiente para escrever aquilo que eu dizia escrever.

Então, ele começou a rir. Muito alto. Muito forte.

Eu acharia ofensivo, mas era o Edward.

E logo eu estava rindo junto com ele, dobrando meu tronco sobre minhas pernas e deitando minha cabeça sobre os joelhos, sentindo as lágrimas despontarem pelos cantos dos meus olhos. Eu nem ao menos sabia do que estava rindo, mas aquele som musical e rouco que ele emitia era contagiante.

- Não ria! – O empurrei de leve.

- Ah, meu Deus, eu preciso ler isso – ele ainda emitia alguns risos, mas agora olhava com interesse para mim. – É sério, onde eu posso conseguir um desses?

- Ué, em qualquer lugar – respondi serenamente. Claro que Edward querendo ler meu trabalho me deixava um pouco nervosa, ainda mais sabendo o conteúdo que ele iria achar lá, mas eu queria parecer confiante como eu sempre me sentira em relação aos meus livros. – Procure por Lola Bordeaux.

- Lola? Sério? Isso só fica melhor.

- É… você acha que eu posso me dar ao luxo de usar meu nome real, enquanto eu moro em Forks? A-ha. Não mesmo, não para ter Mike Newton correndo atrás de mim pelos corredores da Newton's Store.

- Ah, então você tem pretendentes.

- Não, por favor, não o nomeie como meu pretendente. Ele é apenas um… fã da Lola.

- Você está sendo modesta?

- Não há pelo que me gabar aqui.

- Bom, isso nós veremos. Eu ainda tenho que ler alguma coisa dessa tal de Lola antes de formar uma opinião – ele estava totalmente zombando de mim, e eu estava adorando.

Nós terminamos nossas cervejas enquanto eu contava um pouco sobre quem era Lola Bordeaux. Edward adorou saber sobre o fato de que ela uma escritora bem sucedida, que vivia sua vida colecionando garotos ao redor do globo. Às vezes, ela encarnava outros personagens para apimentar a coisa toda, mas ela realmente possuía uma sina: Lawrence Gnecco. Eu os fazia encontrarem-se a cada dois livros escritos, sempre causando choques de paixão e consumação ardente entre ambos, que nunca acabavam com um final feliz. De certa forma, Gnecco era meu Edward imaginário.

Edward sentiu-se a vontade para me dar algumas dicas totalmente horrorosas sobre meus próximos temas a serem abordados. E eu estava completamente risonha, o que me fazia acreditar que eu deveria começar a ficar sem consumir álcool perto de Edward por um tempo, a partir de hoje.

Nos despedimos no mesmo lugar pelo qual eu havia invadido seu quintal e ele me relembrou sobre nosso jantar na noite seguinte – como se meu cérebro fosse capaz de apagar aquela informação vital.

Foi difícil dormir aquela noite, mas assim que mergulhei no meu sono, aproveitei horas infinitas com vários tipos de Edwards recheando meus sonhos.