Muito obrigada ao Cajango fofíssimo pela revisão e pelo review! Também acho que Hakurei e Asmita formam um belo casal apesar da diferença de idade (e de temperamento também kkkkk). Quanto aos segredos do nosso querido Mu, ainda há mais por vir... e sim, onde há Hakurei, há confusão. Ele realmente não me parece ser alguém que consegue passar despercebido em qualquer lugar que seja, mesmo que assim queira! rsrs (e se ele sozinho já arruma confusão, imagine acompanhado do Sage). 8D
OBS: Esta é mais uma Side Story de Encanto Grego, em seis capítulos, a qual conta parte da (divertida) história de Hakurei e Asmita. Desejo-lhes uma ótima leitura!
Oculto Amor
Hakurei? – Asmita suspirou ao ouvir largos e pesados passos do outro na direção contrária à porta do banheiro, e mirou o próprio reflexo no espelho. Abriu a torneira e molhou o rosto para melhorar seu aspecto, secando-o depois. Só então inspirou profundamente e abriu a porta, andando até a janela disposto a continuar a 'conversa'.
Hakurei se voltou para o lado ao perceber a aproximação de Asmita, e a luz do Sol instantaneamente refletiu no garoto, fazendo com que ele apertasse os olhos e levasse as mãos à frente do rosto. O mais velho puxou a cortina para impedir que a claridade chegasse até o mais novo, no que este agradeceu e se aproximou mais dele.
- Sente-se.
- Ok. – Asmita obedeceu, sentando-se na beirada da cama mais próxima, observando Hakurei pegar uma cadeira e sentar-se de frente para si.
- O que você me disse não é mais uma de suas brincadeiras inconsequentes, certo?
- Não é. – Hakurei bufou com a confirmação, perdendo a paciência com o garoto de uma vez por todas.
- Como eu esperava. - E inspirou profundamente, contendo o ímpeto de chacoalhar o garoto para trazê-lo 'de volta à realidade' - VOCÊ É UM PERFFEITO IDIOTA! E SE EU FOSSE UM MALDITO PEDÓFILO? VOCÊ NÃO SE ENXERGA? POR QUE ACHA QUE TODOS CONFUNDEM VOCÊ COM MULHER? NÃO CONSEGUE PERCEBER QUE É INEGAVELMENTE MAIS BELO DO QUE A MAIORIA DAS MULHERES? QUE PROVOCA DESEJO NOS HOMENS? VOCÊ ACHA QUE PODE SAIR POR AÍ DIZENDO QUE AMA UM HOMEM EXPERIENTE SEM CORRER O RISCO DE SER USADO POR ELE, PARA DEPOIS SER JOGADO FORA? E SE EU QUISESSE BRINCAR COM OS SEUS SENTIMENTOS, PIRRALHO? VOCÊ SÓ TEM DEZESSETE ANOS, NÃO SABE NADA SOBRE A VIDA! INCONSEQUENTE!
- Mas Hakurei, pessoas assim existem mesmo na minha idade. Na sua família mesmo...
- CALE A BOCA! NÃO OUSE TERMINAR O QUE VOCÊ IA DIZER!
- A título de exemplo. Não estou julgando ninguém!
- MESMO ASSIM! NÃO DESENTERRE O QUE ESTÁ MORTO E ENTERRADO!
- Não está enterrado! É como um cadáver fétido exposto ao vento que chega às suas narinas, sem que alguém vá até ele para enterrá-lo!
- ESTÁ INSINUANDO QUE O MEU IRMÃO É COVARDE? – Hakurei puxou Asmita pela gola da camisa, visivelmente alterado.
- Não! Você interpreta o que eu digo como o que quer entender, não como o que eu quero dizer! Eu diria apenas que o assunto é intocado porque todos preferem evitá-lo. Mas ele continua ali, apertando o coração de todos vocês. Ainda hoje estão todos sofrendo por causa disso...
- EU NÃO PEDI OS SEUS CONSELHOS! - Asmita pousou a mão sobre a mão de Hakurei que puxava sua gola, em um pedido mudo para que ele a soltasse. O mais velho soltou a gola da blusa do outro ao notar os olhos azuis lacrimejarem, abrandando um pouco a própria agressividade.
- Perdoe-me. Então voltemos ao assunto anterior... – O mais jovem suspirou antes de prosseguir, reunindo paciência para argumentar com o outro. - Não creio que seja mais ou menos seguro me relacionar com alguém da sua idade. As pessoas não são todas iguais, conheço jovens maduros e velhos imaturos. Idade por si não diz nada sobre alguém.
- Mas experiência diz. Por acaso você tem alguma?
- Não. Apenas amores platônicos, sendo este o segundo.
- Então este irá passar logo, como o primeiro. Não estou interessado, desista de uma vez por todas.
- O primeiro passou somente quando conheci você.
- Então conheça outro que lhe interesse mais do que eu.
- Não é assim que funciona. Tenho certeza de que não passará desta vez... é ainda mais forte do que o primeiro. E... se trata de um amor possível.
- Amor possível? Não me diga que antes de mim você amava algum homem casado.
- Exatamente.
- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO? TENTANDO DESTRUIR UM LAR? FEDELHO IDIOTA!
- Céus, eu nunca disse isso! Eu nunca disse a ele! O amei em silêncio e sem esperanças até conhecer você e superar o amor que sentia por ele!
- Pelo menos você tem resquícios de bom senso.
- Mas agora é diferente. Não há nada que possa me deter desta vez... eu não irei desistir de você. Desista de me fazer desistir, posso ser mais teimoso do que você.
- O que você é? Um masoquista? Por que insistir em amar um homem que não gosta de homens e que não quer se casar novamente?
- Porque você também gosta de mim.
- O QUÊ? FICOU LOUCO, FEDELHO? EM QUE MUNDO VOCÊ ESTÁ PARA ACHAR QUE EU GOSTARIA DE UM GAROTO CHEIRANDO A LEITE COMO VOCÊ?
- Você me trata de forma diferente das outras pessoas e não consegue se afastar de mim mesmo quando lhe seria conveniente. Você grita comigo, mas não consegue ficar nervoso de todo. E mesmo eu sendo um garoto, você se sente atraído por mim.
- BLASFÊMIA!
- Não é nenhuma blasfêmia e você bem sabe disso! Acha mesmo que eu nunca notaria como você passa minutos me observando e sempre inventa alguma desculpa? Eu posso ser inexperiente, mas sei muito bem identificar quando olham para mim de uma outra forma!
- Você está confundindo as coisas! Não é porque eu tenho afeição por você que me sentiria atraído! Gosto de você porque sempre me pareceu um garoto sensato, uma boa companhia para conversar apesar de tão jovem. Você é estranho... é isso. Acho você estranho, nada mais. Não confunda isso com outras coisas!
- Sou... estranho? Você inventou um novo vocábulo para 'interessante'?
- Estranho sempre foi estranho, continua sendo estranho e nunca irá deixar de ser estranho. Interessante é outra coisa, algo que você nunca será para mim! – Asmita estreitou os olhos para Hakurei, furioso. O mais velho engoliu seco ao notar o brilho de fúria nos olhos intensamente azuis, pois nunca havia visto o loiro verdadeiramente nervoso.
- Você pediu por isso, Hakurei Kahdro. Vou lhe mostrar o que é estranho.
Sem desviar os olhos dos dele, Asmita puxou-lhe uma mecha de cabelo, obrigando o mais velho a abaixar o rosto. Sorriu com ironia, erguendo o próprio rosto e capturando os lábios dele com os seus, mordiscando para que ele fornecesse passagem à sua língua no que tentasse reclamar. Insinuou sua língua na dele, envolvendo a nuca de Hakurei com os braços para impedi-lo de se afastar.
Foi quando sentiu o outro finalmente perder a paciência, envolvendo sua cintura bruscamente com os braços para trazê-lo mais perto de si, tomando seus lábios e deslizando as mãos espalmadas pelas costas e cintura do loiro, de forma a demonstrar todo seu desejo contido. Beijaram-se ardentemente, e Asmita aproveitou-se do momento de desconcentração de Hakurei para abraçá-lo mais forte e recostar sua cabeça no ombro dele.
- Wow. Agora sim, posso perceber o quanto lhe pareço estranho! – Asmita sorriu sarcasticamente ao sentir um enorme volume lhe pressionar o baixo ventre, e só então Hakurei percebeu que havia puxado o garoto para se sentar em seu colo em uma posição completamente comprometedora. O mais velho se levantou de súbito, empurrando o garoto na cama e encarando-o com fúria.
- IDIOTA! É CLARO QUE EU FICARIA EXCITADO COM UM BEIJO, NÃO FIQUE SE ACHANDO POR ISSO! NÃO TEM NENHUM JUÍZO EM PROVOCAR UM HOMEM QUE NÃO FAZ SEXO HÁ DEZ ANOS? SOU UM HOMEM VIÚVO! MALDITO PIRRALHO INSOLENTE! – Hakurei andou a largas passadas na direção da porta, batendo-a com força. Voltou atrás, abrindo a porta novamente para berrar com o garoto.
- E NÃO OUSE SAIR DESTE QUARTO ENQUANTO EU NÃO VOLTAR, FEDELHO! VOCÊ SABE QUE NÃO TEM CONDIÇÕES DE SAIR NA RUA SOZINHO! SE FIZER ISSO EU JURO QUE ENTREGO VOCÊ PARA A SUA MÃE E ELA QUE SE VIRE PARA DEVOLVÊ-LO À INGLATERRA!
- Buddha, que pegada esse homem tem! – Asmita ignorou as ameaças dele e continuou jogado na cama, catatônico, sentindo o corpo arder onde Hakurei o havia tocado.
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Hakurei andava nervosamente pelas ruas de Nova Delhi, perguntando-se por que raios o destino havia lhe pregado a peça de colocar um garoto tão espirituoso e tentador em sua vida. Desde o falecimento da esposa, o joalheiro não havia pensado em nada além de sua família e seu trabalho. Pai rigoroso, sempre dedicou horas ao ensino de moral, religião e bons costumes aos filhos, bem como sempre realizou cerimônias em homenagem aos antepassados diariamente. Cuidou dos irmãos como pôde, tendo criado Shion como um substituto do pai quando este faleceu, e aconselhando Sage, apesar de que este nem sempre aceitava intervenções em seus assuntos.
"O que eu fiz? Como vou encarar meus irmãos novamente? Como vou encarar meus filhos, meu sobrinho? Como vou encarar o pai daquela criança? Sou um completo fracasso como pai e como tutor. Logo eu, que tanto me esforcei para tentar Shion daquele caminho... como pude beijar uma criança? Sempre tive tanto orgulho de ser a minha mulher a única pessoa com quem me relacionei em toda a minha vida... Seria algum castigo? Uma provação?"
Hakurei adentrou o pequeno templo budista tibetano - local de passagem obrigatória em todas as suas visitas a Nova Delhi - e suspirou ao notar que havia mais de seus compatriotas refugiados acampados no jardim do que na ocasião de sua última visita. Os abençoou e deu graças mais uma vez pelo destino diferente daqueles refugiados, agradecendo por possuir condições de dar conforto à sua família. Era um costume antigo ir até o templo para fazer doações aos tibetanos, pedir proteção e agradecer pela prosperidade em sua vida, mas até então nunca havia pensado em pedir orientação às divindades. Sentou-se em posição de meditação e ali permaneceu por algum tempo, procurando limpar de sua mente todos os pensamentos insanos. Porém, Asmita não lhe saía da cabeça. Teve de admitir para si que realmente gostava do loiro, por quem ele era, mais do que pela aparência andrógina e atraente do garoto.
Por detrás das aparências, tinha de admitir também que eram bastante parecidos. Não que Hakurei tivesse o costume de sorrir ou de ser gentil com as pessoas ao seu redor, mas seu costume de aguentar seu sofrimento sozinho para não permitir que ninguém fosse atingido era exatamente o mesmo do jovem. Em seu íntimo, sempre conseguiu compreendê-lo por perceber que ele carregava um enorme peso sob os ombros, dizendo aos parentes que tudo estava bem consigo quando ele próprio parecia estar com o coração partido em pedaços.
Hakurei nunca se enganou com a aparência alegre de Asmita, sabendo muito bem que o sorriso dele era fruto de um tremendo e constante esforço, que o jovem fazia para alegrar a si próprio e aos demais ao seu redor. Já Asmita percebeu desde o princípio a bondade no coração de Hakurei, e o esforço que ele fazia para manter uma distância segura dos outros, para poder observá-los e salvá-los dos mais diversos apuros.
Assim, um entendia o outro sem palavras, através de olhares, sorrisos e suspiros, e Asmita se aproximou de Hakurei sem que ele tivesse forças para mandá-lo embora. Tornaram-se amigos apesar da diferença de idade e de comportamento, contavam um com o outro e conversavam sobre os mais diversos assuntos. Agora Hakurei se lamentava por saber que ele próprio necessitava do garoto próximo a si. Nunca havia pensado nele de uma forma lasciva ou romântica, mas aquele beijo o havia despertado para o tipo e a intensidade de seus próprios sentimentos pelo rapaz.
Teria de aprender a lidar com esses sentimentos, classificá-los, suprimi-los, para manter a sua própria dignidade como um convicto viúvo decidido a viver todo o resto de sua vida pelos outros, e não por si. Deveria deixar de ser egoísta, assumindo que ele próprio jamais seria o homem ideal para Asmita, um rapaz tão novo e cheio de vida, com um leque de possibilidades à sua frente. Pelo bem do garoto, Hakurei deveria se conter. Mesmo que fosse amor o sentimento nutrido pelo rapaz, tratar-se-ia de um amor impossível e inconveniente, completamente insólito. A essa conclusão chegava o pai de família.
Horas mais tarde, Hakurei adentrava o quarto ainda sem saber como enfrentar o garoto, quando o encontrou sentado numa cadeira à frente da janela. Asmita dormia sobre o braço esquerdo, recostado no parapeito da janela, como que cansado de observar a rua à espera de seu companheiro de viagem. Os longos cabelos iluminados pelo Sol poente caíam-lhe pela face parcialmente exposta, ombros e costas, dando um aspecto angelical ao garoto. O rosário japamala enroscado entre o antebraço e os dedos delgados indicava a Hakurei que o jovem recitava mantras antes de cair no sono. "É realmente um fedelho! Que sacrilégio dormir quando deveria estar focado nos mantras!"
Resignado, Hakurei se aproximou e tomou cuidadosamente o corpo do jovem nos braços. O levava para a cama quando sentiu o rosto dele aconchegar entre seu ombro e pescoço. Bufou, irritado, perguntando a si mesmo se o garoto ainda dormia ou se aproveitava da situação.
- Fica até eu dormir, Sha... – Asmita resmungou enquanto agarrava-se ao pescoço do outro ao sentir que ele se afastava, mas os habituais resmungos e impropérios do irmão não vieram seguidos da brincadeira. Foi quando notou que aquele corpo era demasiado grande e musculoso para ser o de seu gêmeo, e finalmente lembrou-se de que Shaka estava bem longe de si naquele momento. Sonolento, abraçou o outro mais forte e adormeceu novamente.
Hakurei suspirou, perguntando-se por que raios não conseguia soltar o garoto. Porém, em seu íntimo, sabia bem a resposta, mentalizada enquanto seus dedos se moviam como que por conta própria pelas madeixas desalinhadas do garoto, explorando a textura macia dos fios loiros. Custou a fechar os olhos, pois devaneava enquanto observava os traços exóticos de Asmita, a pele em um belo tom de bege ligeiramente mais escuro do que o tom de pele da maioria dos britânicos; o formato enigmático dos olhos que, quando abertos, lhe pareciam duas preciosas e enormes safiras curiosíssimas em decifrar-lhe os pensamentos...
Asmita acordou admirado em perceber que não havia sonhado com Hakurei carregando-o até a cama e permitindo que ele o abraçasse para dormir, e aproveitou a oportunidade para acarinhar o rosto do outro, que, mesmo adormecido, apresentava feições sérias e mal-humoradas. Não resistiu ao apertar as bochechas do outro e puxá-las levemente para simular um sorriso, no que acabou rindo da própria travessura. Porém, como que onipresente, Hakurei abriu os olhos e franziu ainda mais o cenho já franzido, desvencilhando-se dos braços de Asmita. Ergueu-se e aprumou-se em silêncio, andando na direção do banheiro.
- Deixe a sua roupa preparada para quando eu terminar de tomar o meu banho! Não devemos nos atrasar para a visita à casa da sua mãe!
- Eu sei, eu sei... – Asmita resmungou e virou-se de lado, voltando a dormir.
- PIRRALHO MALDITO! – Hakurei puxou o lençol do outro bruscamente ao retornar do banho e notar que Asmita dormia. O garoto se levantou assustado, esfregando os olhos ao mirar o mais velho usando apenas uma toalha, com o corpo másculo e torneado à mostra.
- O QUE FOI, IDIOTA? PERDEU ALGUMA COISA? NUNCA VIU UM HOMEM SEMINU? RECOMPONHA-SE E VÁ LOGO TOMAR O SEU BANHO, FEDELHO! E SE OUSAR FAZER MOVIMENTOS INDECENTES QUANDO ESTIVER SE BANHANDO, EU JURO QUE EU TE MATO!
- Quer dizer que você vai fiscalizar o meu banho? Por que não aproveita que está apenas de toalha e me dá uma mãozinha, já que eu não posso fazer movimentos indecentes? – Asmita finalmente saiu de seu estado catatônico, despindo-se da bata branca e encarando Hakurei de lado com um sorriso sarcástico no rosto.
- VÁ PARA O INFERNO, DESGRAÇADO! FAÇA O QUE VOCÊ QUISER AÍ DENTRO, EU VOU TOMAR O MEU CAFÉ ENQUANTO ISSO!
Hakurei vestiu-se apressadamente com uma cueca boxer branca, calça social, sapato beges, camisa verde-clara, e saiu às pressas enquanto o mais novo ainda escolhia suas roupas. Bateu a porta atrás de si e voltou atrás, gritando a Asmita que não ousasse em demorar a se arrumar, provocando uma sensação de dejá vù no garoto. Retornou ao quarto uma hora depois, um pouco menos nervoso do que se encontrava anteriormente, mas ainda devaneava sobre o motivo de estar passando por uma 'provação' tão grande em sua vida.
Hakurei ficou boquiaberto ao se deparar com Asmita usando um belo sherwani perolado com detalhes em vermelho, que lhe cobria desde a base do pescoço até pouco abaixo dos joelhos, deixando à mostra apenas um pequeno pedaço da folgada calça vermelha que usava por baixo, e os sapatos indianos no mesmo tom do sherwani. O garoto ainda havia prendido os cabelos em uma impecável trança embutida, fazendo com que seu rosto bonito e de traços finos se destacasse.
- O que foi, Hakurei? Por que essa cara?
- Você vai sair assim na rua?
- Claro. Por que não?
- Essas roupas largas fazem você definitivamente parecer uma garota em trajes masculinos. Seria melhor você usar suas roupas normais, fica menos feminino.
- Ah, sim. Mas qual o problema? Não me diga que você está desconcertado com a minha aparência... – Asmita sorriu de canto, satisfeito com as reações óbvias de Hakurei.
- CLARO QUE NÃO, IDIOTA! É QUE VOCÊ JÁ CHAMA ATENÇÃO DEMAIS VESTIDO COM ROUPAS COMUNS!
- Céus, eu não tenho culpa se as pessoas acham que sou uma garota. E esse traje indiano foi um presente de minha adorável mãe! Mas se você prefere, posso pedir alguns saris a ela e me passo por mulher, para não chamar tanta atenção quando estiver ao seu lado. Não imaginava que você tivesse esse tipo de fetiche... deveria ter dito antes. – Asmita respondeu enquanto pegava um frasco de perfume em sua mala, virando o rosto de lado para encarar Hakurei enquanto lhe sorria, deliberadamente provocando-o enquanto se perfumava.
- NEM PENSE NISSO, SEU MALDITO FEDELHO PERVERTIDO! O QUE A SUA MÃE VAI PENSAR A MEU RESPEITO SE VOCÊ PEDIR SARIS EMPRESTADOS A ELA? IDIOTA! ENERGÚMENO!
- Oras, mas é óbvio que ela vai pensar o mesmo que eu pensei. Que você tem fetiche em ver o fedelho aqui vestido como mulher! – Asmita girava calmamente sobre os calcanhares, de frente para o espelho, conferindo cada detalhe de sua vestimenta à procura de imperfeições.
- EU MATO VOCÊ!
- Eu não faria isso se fosse você. Além do karma, eu posso assombrá-lo em seus sonhos. E vestindo um belo sari... que tal a cor rubi para combinar com os meus olhos, como o motorista sugeriu? – Asmita gargalhou alto ao notar o estado catatônico de Hakurei, parando para aplicar uma fina camada de delineador nos olhos e realçá-los ainda mais. Finalmente havia conseguido deixar o outro sem uma resposta pronta na ponta da língua, pois ele demorou a responder.
- Vista-se como quiser! Faça o que quiser! Eu estava tentando aconselhá-lo, insolente!
- Então não reclame se eu precisar me passar por sua esposa. O que mais pensariam de uma jovem moça acompanhando um homem tão viril?
- CALE ESSA BOCA, PROFANO! OH DEUSA DA MISERICÓRDIA, NÃO HÁ NADA QUE PRESTE VINDO DESSE PIRRALHO?
- Você pode me calar a qualquer momento que desejar, sabe como me manter calado por alguns minutos. – Asmita terminou o que fazia, mirando Hakurei de baixo para cima.
- Se eu calasse você por alguns minutos, prometeria ficar calado por pelo menos algumas horas? – Hakurei bufou. Não admitiria que desejava beijar o garoto, mas não aguentava mais as provocações dele e precisava de uma desculpa para beijá-lo sem maiores explicações.
- Significa que você quer um beijo?
- Significa que quero você calado.
- Feito. É uma troca justa, muitíssimo justa... – Asmita sorriu, fingindo acreditar na desculpa esfarrapada dele. Aproximou-se de Hakurei a passos lentos quando este envolveu sua cintura e o puxou bruscamente para si, tomando os lábios dele com voracidade. As grandes mãos calejadas de Hakurei subiram-lhe firmemente pelas costas, ombros, nuca e cabelos, transpassando-lhe a trança e puxando-a com firmeza para baixo.
O loiro deixou escapar um gemido agoniado entre o beijo, no que Hakurei desceu um dos braços até a cintura dele e o ergueu, prensando o corpo menor no seu de forma que este não pudesse tocar o chão com os pés. Asmita tateava o corpo muitíssimo definido por cima da camisa, surpreendendo-se ao sentir os lábios quentes dele abandonarem os seus para tocarem-lhe o pescoço, que foi repetidamente mordiscado em seguida. O garoto gemia deliciado quando sentiu o olhar do outro pousar sobre o seu, e logo as pernas dele moviam-se na direção da cama até que seus corpos caíssem bruscamente sobre ela. Entreolharam-se, hipnotizados pelo desejo, e Hakurei logo se ergueu sobre os braços para ver melhor o rosto ofegante e os lábios inchados do jovem.
- Hakurei... faz amor comigo? – Asmita murmurou no ouvido dele enquanto suas unhas arranhavam-lhe de leve os ombros largos.
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FIM DESTE CAPÍTULO
GOSTOU? MANDE REVIEW!
MUITO OBRIGADA,
NATHALIE CHAN
