Meninassssssss, eu sei, eu sei, faz quase um século que eu não posto, mas eu tenho minhas explicações! kkk
Estou em final de semestre da faculdade e, acreditem ou não, ainda tive que mandar meu note para formatar justo nessa época (imaginem meu desespero). Massss, eu já tinha escrito dois capítulos antes disso acontecer, só não tive chance de postar.
Aqui vai um deles, o outro vai amanhã e o resto vem logo mais também.
Mil desculpas, mesmo, espero que continuem por aí. 3
Eu nunca havia experimentado uma noite de sono tão vívida como aquela.
Eu acordei suada e desconfortável, parecendo ter saído do meio de um pesadelo horrível – mas não, fora só meus sonhos +18 com meu mais novo vizinho. Minha cabeça estava zunindo um pouco com as imagens ainda vívidas.
Acordar sozinha no meio da cama foi um pouco decepcionante para quem vivenciara incríveis rounds de calor e corpo contra corpo com Edward Masen, mesmo que fosse no mundo da imaginação.
E esse era um motivo para me deixar com um mau-humor de uma velha de setenta anos. Chutei as cobertas para fora da cama, arrastando meus pés sobre o chão do quarto com uma lentidão desesperadora.
Eu podia dizer, pela altura do Sol na minha janela, que não passara das oito da manhã.
Oito da manhã de um domingo. A droga de um domingo. Eu só podia estar louca.
Não me preocupei em colocar uma roupa de verdade. Ninguém iria me ver com a minha regata furada e shorts de pijama manchados de calda de chocolate. Eu era uma mulher livre que podia usar trapos na sua própria casa.
Na sala, encontrei a luz vermelha da secretária eletrônica piscando. Apertei no botão enquanto rumava para abrir as cortinas das minhas janelas. Eu começava a me arrepender por ter instalado janelas de vidro que iam do chão ao teto, como portas de correr, pois agora eu tinha um vizinho acima do nível gostoso que poderia flagrar momentos embaraçosos, como eu usando shorts manchados.
- Hey, Bells. Ligando para avisar que estou de saída de Seattle amanhã, mas vou dormir em Miles City no caminho. Estarei aí, no mais tardar, na quinta-feira se tudo ocorrer. Te vejo em breve. – Meu pai assumia este tom de caminhoneiro viajante toda vez que me contava as rotas de sua viagem. Pelo menos ele agora telefonava antes de simplesmente aparecer na minha porta.
A secretária emitiu um bip informando que a mensagem tinha acabado.
Parecia que a minha temporada de assistir futebol na televisão com três ventiladores me rodeando estava prestes a começar.
Charlie, basicamente, não fazia muita coisa. Ele simplesmente dormia no meu confortável sofá, fazia pedidos especiais para o jantar – assim ele podia sentir o verdadeiro gosto da comida caseira, como ele mesmo dizia – e tentava forçar alguns maços de dinheiro pela casa, assim eu não poderia devolvê-los uma vez que ele fosse embora. Isso realmente nunca funcionava, pois ele começou a esconder nos mesmos lugares no segundo ano em que começara a me visitar, então eu só os recolocava dentro da mala dele. Eu me perguntava se Charlie nunca havia desconfiado que, de repente, ele parecia ter uma reserva sem fim de dinheiro dentro da sua bagagem.
Ele ainda não sabia que eu escrevia o que eu escrevia.
Eu tinha um emprego de verdade que ajudava a despistar. Eu era responsável por responder perguntas domésticas de uma coluna do jornal local, um trabalho que eu podia fazer em casa, não tendo que trabalhar mais do que uma vez por semana. Aquilo parecia ser bom o suficiente para Charlie, e ele não achava nada estranho que apenas responder perguntas domésticas do Forks's Postal conseguia manter a casa e o meu estilo guloso de vida.
Rumei para a cozinha, de repente o pensamento do churrasco pela noite batendo em minha cabeça. Como eu havia esquecido isso? Eu ainda nem sabia o que vestir. O que se podia vestir para ir num churrasco de boas vindas do meu novo-velho-vizinho/obcessão? Resolvi que apenas cereais e torradas iriam me ajudar e me empenhei em fazer meu café da manhã sem pensar em Edward por um limite saudável de tempo.
Era cedo e eu tinha praticamente um dia inteiro até a hora do jantar. Eu poderia me dedicar aos meus novos rascunhos – eu tinha certeza que muitas ideias flutuariam pela minha cabeça depois dos meus sonhos desta noite, embora eu estivesse bloqueando certas imagens na minha cabeça para me impedir de fazer alguma besteira.
Só esperava que as figuras masculinas dos meus contos não saíssem em modelos padrões acobreados sarados e gentis que não sabiam cozinhar omeletes.
Eu pensaria em um disfarce muito bom para Edward no meio do universo de Lola.
Ao pegar o leite na geladeira, avistei os pacotes de creamcheese lotando minha prateleira superior. Provavelmente eu estava pensando em Charlie e seu amor por cheesecakes quando eu comprara aquela quantidade de produto. Eu não os deixaria ali até a quinta-feira, eu faria um dos meus cheesecakes especiais para Edward, como agradecimento por seu convite.
Após matar minha vontade de comer cereais, passei a me dedicar ao cheesecake, já que levaria uma boa parte do dia para deixá-lo gelado e no ponto.
Quando finalmente acabei tudo, era quase onze horas e Edward estava em pleno vapor em seu quintal. Eu só podia ouvir o barulho de moto-serra, marteladas e a risada dele, mas resolvi que eu já estava infectada o suficiente para querer saber o que ele estava fazendo, então controlei minha vontade de correr até a janela mais próxima.
Invés de qualquer movimento stalker, tomei um banho para tirar todo o calor do dia do meu corpo. Eu precisaria ir no mercado, abastecer meu estoque de cervejas geladas e também comprar um pequeno presente de boas vindas para Edward. Eu pelo menos seria uma boa vizinha para ele.
O dia estava ótimo e seria bom andar até o mercado dos Newton, o maior que nós tínhamos em Forks. Assim que cheguei a calçada, uma voz conhecida me chamou animadamente e logo o seu dono estava ao meu lado, todo sorrisos.
- Jake – cumprimentei o garoto que costumava a fazer o serviço de jardinagem para mim por um preço realmente bom.
Ele morava fora de Forks, em uma pequena reserva indígena e fazia bicos para poder comprar o primeiro carro. Jake era do tipo extremamente alto e grande para sua idade, parecendo ainda não saber como controlar seus braços e pernas ao mesmo tempo.
- Bells. Como está? – Ele indagou, acompanhando-me pelo caminho sombreado que tínhamos pela frente.
- Bem. O que você está fazendo por aqui? – Ele geralmente ia para o lago com os amigos, onde ele gastava a maior parte do dinheiro que guardava durante a semana. Eu sempre ouvia seus resmungos sobre nunca conseguir comprar um carro pois não sabia economizar.
- Tem esse cara novo, Edward. Ele me pediu para ajudá-lo com algumas coisas por uns trocados.
- Uau, trabalhando no final de semana, huh? Quem diria – eu sorri, ignorando o fato de que Jake passara as últimas horas na situação mais sortuda do mundo.
- Eu tenho minhas responsabilidades – ele piscou, bem-humorado. – Ei, escute, você vai vir para o churrasco dele hoje?
Tentei manter o ritmo dos meus pés, embora eu quisesse ter parado bem onde eu estava e segurado Jake pelos ombros.
- Vo-você foi convidado?
- Ele mencionou algo sobre um churrasco, então eu acho que sim – Jake pareceu confuso, pois minha expressão estava à beira da desolação.
- Bem – dei de ombros futilmente. – Eu não tenho mais nada para fazer, então, eu acho que vou… E você?
- Se Leah quiser vir…
- Oh! Alguém está namorando e não me contou nada?
- Ela não é uma namorada, com todas as letras, assim – Jake sorriu sem graça e se ele não fosse tão queimado do sol, tenho certeza que ele teria corado ao melhor estilo Bella Swan.
- Bom, eu acho que você deve levá-la, eu vou adorar conhecer essa corajosa defensora do sexo feminino.
Jake me deu um soquinho amigável no ombro e nós entramos no Newton. Ele rapidamente se despediu, desviando-se por outras fileiras de prateleiras enquanto eu fazia minhas próprias compras. Seria mais tranquilo ter Jake e a namorada ao redor durante o churrasco, assim eu não ficaria diretamente exposta a Edward. Provavelmente teriam outros convidados e talvez eu nem mesmo conseguisse falar direito com o anfitrião, se Deus fosse bom comigo – ou eu posso considerar isso uma extrema falta de sorte? Eu não poderia ter Edward só para mim.
Comprei dois packs de cerveja, pretendendo levar um para o churrasco e gastei um bom tempo escolhendo o seu presente. Eu tinha que pensar na coisa certa, para ele poder lembrar-se de mim toda vez que o visse. Aquilo seria difícil, pois eu não imaginava uma maneira de Edward Masen permitir minha entrada em sua cabeça.
Talvez eu tivesse um complexo de inferioridade muito acentuado. Uma vez, Renée me levara numa psicóloga, pois minha infância fora marcada por problemas de relacionamento social – meu círculo social incluía apenas Alice, esse fato assustava Renée, pois as demais crianças tinham receio de se aproximarem de mim. No fim, tudo girava em torno de traumas por meus pais terem se divorciado cedo demais e eu relacionar todas as suas brigas com as minhas atitudes. Mas eu achava tudo uma grande invenção de psicólogos para ganharem dinheiro, pois eu mal pronunciava algumas palavras quando Renée e Charlie decidiram se separar e com certeza eu só falava com Alice porque achava as outras crianças chatas e estúpidas.
Minha "preguiça" social somente diminuíra quando eu fiquei grande o suficiente para notar que talvez fazer alguns "contatos" na escola não me fariam mal algum. Em outras palavras, eu queria poder me aproximar do garoto mais sensacional do colégio e deixei minha timidez e mau-humor de lado para conseguir isso. Um tanto fútil da minha parte, verdade.
E hoje em dia, o garoto sensacional morava ao meu lado e eu estava andando para casa com meu cérebro trabalhando somente ao redor dele.
Assim que cheguei em casa, procurei com avidez um bloco de notas em branco. Eu mantinha um pequeno estoque destas belezinhas no meu closet, geralmente eu gastava de dois a três por livro novo, sempre rabiscando minhas ideias e fazendo minhas conexões nas páginas em branco antes de realmente escrever. Eu não pretendia escrever um livro sobre Edward, mas eu tinha que dar vazão aos pensamentos mais loucos que estavam passando pela minha cabeça, antes que eu enfrentasse ele logo mais tarde e acabasse falando alguma bobagem comprometedora.
Tudo bem, eu confesso que Jacob me desanimou um pouco com a notícia do convite de Edward – não vou esconder isso de mim mesma. Mas eu também não posso fingir que, se Jacob ou outro convidado não fosse, e apenas eu e Edward passássemos a noite sozinhos, faria alguma grande diferença, eu não teria a capacidade de desempenhar nenhum papel sedutor em frente ao meu vizinho.
Essa era a diferença mais gritante entre eu mesma e Lola – eu não tinha a desenvoltura nem a experiência sexual que eu havia construído para Lola. Eu era a Bella, e a Bella era desajeitada, estranha, um pouco desastrosa e com uma incrível habilidade de enfiar os pés pelas mãos nas horas mais erradas. Nós poderíamos ser a mesma pessoa, eu criei ela, mas todo o crédito desse fenômeno sexual que Lola era tinha de ser dado a minha incrível imaginação e ao meu romantismo incurável, sem contar nos inúmeros livros e vídeos que eu tinha que estudar para… você sabe, variar o repertório.
Me empoleirei sobre a minha poltrona favorita, no canto mais retirado da sala e esperei a enxurrada de pensamentos inundar as folhas em branco.
Mas nada aconteceu.
Meu lápis 2B apenas pairou sobre o bloco, esperando algum incentivo do meu cérebro. Mas eu apenas não encontrava palavras certas para descrever aquelas coisas. Mesmo tendo sido acordada com um sonho recheado de coisas que com certeza encheriam várias páginas, não havia um jeito fácil de expressar aquilo no papel.
Droga.
Seria esse o maldito bloqueio literário?
Eu sou, agora, uma autora em crise?
Justo agora, quando eu tenho uma fonte infinita de inspiração na porta ao lado, eu não estava conseguindo produzir nada? Eu sou tão ferrada.
Me contorci, desconfortável, na poltrona, tentando pegar um vislumbre da casa vizinha pela janela, como se ver a figura alta e incrível de Edward fosse fazer meu lápis trabalhar. Minha vigília foi interrompida pelo telefone estridente.
Era Alice, gritando desesperadamente após o meu "Alô?", não me dando nenhuma chance de afastar o aparelho antes que meus tímpanos fossem comprometidos. Jasper havia mesmo proposto, com um anel do tamanho de um melão, segundo minha melhor amiga. O casamento sairia no fim do ano, se tudo desse certo e eu estava sendo convocada como madrinha oficial.
Não preciso dizer que começamos a fazer os preparativos pelo telefone mesmo, trocando dicas sobre estilistas e cardápios. Porém, eu sabia que tudo isso ficaria por conta de Alice, ela nunca me deixaria escolher nada – meu posto de madrinha era apenas um título simbólico.
Alice me liberou algumas horas depois, quando minha orelha já estava vermelha e quente e o sol começava a baixar no céu. Notei que eu não tinha comido nada desde os meus cereais quando meu estômago roncou audivelmente.
Me despedi com certa dificuldade da minha amiga, recebendo algumas palavras de incentivo e dicas de maquiagem dela para a "minha noite". Eu não iria me maquiar, não quando tudo poderia derreter-se no calor abafado que fazia.
Tomei um segundo banho, lavando meus cabelos para que eu pudesse moldá-los em algo decente.
Enquanto a água refrescante caía sobre mim, alguns trechos começaram a passar em minha mente. Definitivamente eu escreveria alguma coisa hoje, pois eu teria uma sobrecarga de Edward em meus sentidos durante o churrasco. Era uma questão de honra.
Quando cheguei na cozinha, completamente pronta, chequei o cheesecake. Por um momento, fiquei com medo de que um apenas não fosse o suficiente, pois Jake estaria no jantar também e só Deus sabia quanto aquele garoto poderia comer.
Eu seguira as instruções de Alice e não colocara nada que gritasse que eu estava interessada em Edward. Meu vestido era simples, fechado com uma linha de botões na parte frontal, onde eu poderia regular o meu decote conforme eu quisesse. Eu estava sendo conservadora aquela noite, por isso abrira apenas três botões, assim nada seria revelado além do meu pescoço e parte do meu peito. Uma parte inocente.
Não haveria jeito de usar meus cabelos soltos, não com aquele calor, então eu havia feito um rabo-de-cavalo, embora tivesse passado quase quinze minutos enrolando e escovando cada mecha de cabelo para que ficasse perfeito.
Jake ainda não tinha chegado quando eu adentrei no quintal pela minha passagem particular. As palavras "passagem particular" soavam um pouco presunçosas em minha cabeça, pois assim dava a impressão de uma relação mais íntima com meu vizinho, mas que certamente não era. Eu era apenas uma intrometida que estava usando uma falha na cerca para invadir o território do meu vizinho e não adentrando pela porta da frente, como pessoas normais e educadas faziam.
Encontrei Edward sozinho, usando uma bermuda e uma camiseta, especialmente magníficas, pois seu porte físico estava ótimo. Ele estava parado em sua varanda traseira, o telefone contra o ouvido e a expressão carregada.
Meus pés vacilaram, não querendo interromper o que parecia ser um momento pessoal dele. Fiquei parada, equilibrando meu cheesecake em uma mão e um fardo de cerveja na outra, me sentindo muito estúpida por ter chegado tão cedo.
A churrasqueira estava posicionada perto da varanda, ao lado de uma mesa de madeira de aparência pesada que havia brotado ali, no meio do gramado. Ele parecia ter uma capacidade incrível de construir coisas, pois um galpão de grandes proporções fora erguido onde não havia nada além de grama, em apenas um dia. Era um prédio grande e totalmente feito de madeira, que ocupava toda a parte anterior do quintal. Ainda faltava colocar o telhado, mas fora isso, era impressionante saber que ele conseguira erguer aquilo em menos de 24hs.
Aquilo, de certa forma, me intimidou um pouco.
- Eu tenho que desligar – Edward estava vindo em minha direção, o cenho um pouco menos carregado. Ele acenou para mim gentilmente e eu corei. Intrometida. – E você nem pense em fazer isto, nós temos um acordo.
Ele desligou o aparelho assim que rugiu a última palavra.
- Um pouco cedo? – Indaguei, chamando a sua atenção. Eu havia sentado pacientemente em minha sala, contando os minutos enquanto meus olhos encaravam a televisão sem realmente assistir o que quer que estivesse passando na tela até decidir que já estava bom o suficiente para aparecer no churrasco.
Eu podia estar totalmente adiantada, mas Edward abriu um sorriso, vindo em meu auxílio para pegar as cervejas e a torta como se eu fosse a pessoa mais bem-vinda do mundo.
- Você não precisava ter trazido nada – ele seguiu para a cozinha e antes que eu pudesse fazer minha decisão entre segui-lo ou não, ele voltou falar. – Desculpe por aquilo, sabe, no telefone.
- Você não tem que se desculpar! – Eu balbuciei apressadamente, indo em direção a casa.
Havia uma grande tábua de carnes onde Edward parecia estar preparando bifes e hambúrgueres sobre o balcão.
- É só que ela me tira do sério – Edward bufou exasperado, escondendo a cabeça dentro da geladeira para guardar minhas contribuições para o jantar. Sua voz tão raivosa e rouca que era quase irreconhecível, era claro que sobre o que quer que fosse o telefonema, havia tocado em Edward profundamente. Eu não consegui formar nenhum comentário decente em meu cérebro, uma vez que ele parecia estar falando de algo que eu provavelmente não saberia se Alice não tivesse fofocado comigo. Eu imaginava que ele estivesse falando da ex-mulher, mas não forçaria uma conversa sobre ela, não hoje. – Você não se importa em me ajudar, certo?
Não preciso dizer que quase saltitei por ter sido escolhida por Edward para fazer a salada e por ele ter mudado de assunto tão rapidamente.
Ele me passou a alface para que eu lavasse e partisse dentro de uma grande tigela. Pela quantidade de comida que Edward estava preparando, não seria um jantar de casais.
- Então, encontrei o Jacob Black hoje, ele parecia animado sobre você – decidi arriscar, talvez ele me desse alguma indicação da proporção de sua pequena festinha.
Edward sorriu animado para mim. Estávamos lado a lado em sua cozinha, ele temperando a carne e eu selecionando as folhas de alface. Aquilo fez uma pequena vibração formar-se no meu peito e eu me permiti voltar às imagens do meu sonho vespertino – com certeza eu estaria sonhando sobre cozinhar com Edward nesta noite.
- Você conhece o Jake?
- Sim… - eu poderia dizer que todos nesta cidade se conheciam, mas eu não sabia se isso representaria um aspecto positivo ou negativo para Edward em relação a Forks. E, no momento, tudo o que eu queria era que Edward amasse Forks. – Ele faz algumas coisas no meu jardim, de vez em quando.
- Ele é um bom garoto – meu parceiro de cozinha aprovou, a alegria voltando lentamente para sua voz. – Eu e ele conseguimos montar aquela mesa ali fora em menos de duas horas.
- Você montou a mesa? – Olhei desconfiada para ele, percebendo que ainda não sabia a ocupação de Edward.
- Bem, eu projetei, grande parte de montar ficou por conta de Jake.
- O quê? Você é carpinteiro ou algo assim? – Quais as chances? A imagem de Edward usando coletes de jeans de um cinto de ferramentas instantaneamente brotou na minha cabeça, me fazendo corar.
Ele pareceu achar graça da minha definição, abandonando o posto que ocupava no seu lado da cozinha para vir checar meu desempenho com a salada.
- Quase isso – ele puxou algumas coisas do armário abaixo de nós e começou a juntar tudo em uma pequena vasilha, fazendo um molho para a salada. Admirei suas mãos trabalharem rápidas e de um jeito fácil, dosando as quantidades de condimentos. – Eu me formei em arquitetura, mas eu deixei isso me levar e acabei me perdendo do que eu realmente queria ser…
Encarei a expressão distante de Edward por um instante, imaginando como seria um Edward de terno e gravata, trabalhando em um escritório feito um workaholic.
Quantas imagens eu teria de Edward até o fim desta noite? Meu Deus.
- E você queria ser um projetista de móveis? – Indaguei curiosa.
- Eu gosto – ele deu de ombros. – Querendo ou não, esse vai ser meu ganha-pão de agora em diante.
- Oh, eu tenho certeza que muitas mulheres daqui vão gostar da ideia – deixei escapar, corando novamente. Edward me olhou com um misto de diversão e confusão. – Você sabe, nós só temos a loja dos Weber aqui em Forks. Imagine você projetando e usando um cinto de ferramentas.
Ele explodiu em uma gargalhada, automaticamente me fazendo rir junto.
- Será que vai ser bom o suficiente para me colocar como um personagem em um livro seu?
- O quê? – Esganicei, olhos arregalados e chocada.
- O quê? Não mereço um posto como um galã temporário em algum livro da Lola?
- Bem… - eu não me permiti corar novamente, tentando mostrar um pouco de ética falsamente profissional. – Eu tenho que analisar muito bem o seu perfil antes de deixar você se candidatar, sabe? Eu estou em busca de um carpinteiro de Wisconsin, não um arquiteto de Chicago, você ainda está muito cru para o papel.
Edward fez um beicinho adorável, concordando com a cabeça.
- Entendo. Vamos esperar alguns meses, então – nós trocamos algumas risadas divertidas. – Mas você pode colocar isto no meu perfil: Edward é o melhor churrasqueiro de Forks. Prove isto.
Ele enfiou uma colher cheia do seu molho recém feito e eu acho que eu gemi audivelmente.
Ele não sabia fazer uma omelete, mas conseguia fazer molhos finos como acompanhamentos de salada para um churrasco melhor que qualquer chef da região conseguiria?
- Uau – sussurrei, aproveitando a festa das minhas papilas gustativas por mais um tempinho.
- Eu sei, certo? – Ele sorriu brilhantemente.
Eu poderia ter suspirado apaixonadamente e ter comido toda a vasilha de molho sozinha, desde que Edward continuasse cozinhando para mim, mas a campainha tocou e me tirou dos meus devaneios.
Eu estava perdida.
Onde está meu bloquinho de notas?
