Mais um capítulo para a nossa divertida side story! Muito obrigada ao Cajango fofo, fofo, fofo pela revisão e review! Eu ri DEMAIS com a expressão "o pão que o titio Haku amassou"! Não consigo pensar em uma expressão mais adequada para o que os leoninos passam com ele! XD Dohko que o diga, no próximo capítulo teremos um pouco mais sobre o passado aterrorizante de Hakurei como o cunhado que ninguém gostaria de ter. Hakurei tem sido muito contraditório, justamente por estar passando por uma situação que nunca imaginou que ocorreria consigo. Imagine o nó na cabeça dele depois de descobrir que 'a encantadora namorada de Mu' era um homem, para depois perceber que sente atração por ele, para depois juntas as peças e chegar à conclusão de que ama o garoto que tem idade para ser filho do irmão mais novo dele? hehehe Sorte Asmita ser tão insistente, pois o titio Haku não é fácil de se lidar não... se bem que Asmita também não é exatamente fácil de se lidar também. lol
Confuso Amor
-O quê? Perdeu o juízo de vez? – Os olhos de Hakurei arregalaram-se, demonstrando a surpresa do pai de família ao escutar o ousado pedido de Asmita ser verbalizado de forma tão clara e sem nenhum pudor.
- Não. Estou pedindo, em alto e bom tom, que você faça comigo exatamente o que nós dois queremos que você faça neste momento.
- De onde você tirou essa ideia maluca? Seu pi... – O mais velho parou de falar ao sentir o dedo polegar do garoto pousar sobre seus lábios.
- Não vou deixar você escapar do assunto, outra vez, com toda aquela ladainha de que eu sou um pirralho e tudo mais. Não com você em cima de mim, nesta cama, por vontade própria! Como foi mesmo que eu cheguei até aqui? Com as minhas pernas ou com as suas? – Hakurei fez menção de se levantar, mas Asmita segurou firmemente uma mecha de cabelo dele, impedindo-o de se mover.
- Solte o meu cabelo, fedelho! Você não tem nenhum respeito pelos mais velhos? – Hakurei bufou, esforçando-se para manter o autocontrole e não atender ao pedido tentador do garoto. Já mentalizava mantras para tirar-lhe o foco da situação.
- Não solto enquanto você não me responder de forma coerente. Não subestime o meu discernimento. A quem você pensa que está enganando com frases que refletem o senso comum, mas que não condizem com os seus próprios atos? Você não tem coragem de assumir o que sente por mim, Hakurei?
Os olhos de Asmita apresentavam um brilho diferente, que transparecia toda a irritação que ele sentia. Hakurei engoliu seco, sabendo que não teria como se esquivar do jovem naquele momento.
- Por mais que você tenha mil desculpas prontas para despejar na minha cara, você não tem como negar que sente desejo por mim. É apenas desejo? Ou você está tentando me proteger porque me ama? Eu quero uma resposta sincera, não um amontoado de inverdades!
- Por que raios você está fazendo isso comigo? Sou apenas um capricho para você, não sou? Por que não escolheu outra pessoa para provocar? – Hakurei mirou intensamente os olhos de Asmita, demonstrando a sua insegurança quanto às verdadeiras intenções do garoto.
- Por que um jovem lindo e cheio de vida amaria, em sã consciência, um velho rabugento como eu? Você se diverte em destruir as minhas certezas? O que você quer de verdade? Provar que está certo? Que eu estou errado?
- Não, Hakurei! Eu realmente amo você, de todo o meu coração. Eu odeio ter que desestruturar as suas verdades, mas eu não tenho outra saída para mostrar a você o quão vivo está, apesar de ter vivido tantos anos como se estivesse morto. Sage, Shion, Mu, Yuzuriha, Atla. Seu mundo se resume a eles. Sua vida se resume a viver por eles, a cuidar de todos eles. Mas quando tentam cuidar de você, você reage de forma a afastá-los antes que destruam o ciclo unilateral do seu mundo perfeito.
- Você esperava que eu vivesse de outra forma? Que eu me casasse novamente quando era um jovem viúvo, por conveniência e sem amor? E que conveniência seria essa se eu nunca poderia ter a certeza de que uma outra mulher cuidaria dos meus filhos pequenos como se fosse mãe deles e, ainda, dividiria a atenção deles com ela? Não entende a dor que meus filhos sentiram? Não entende a dor que eu senti?
- Eu procuro entender, mas não tenho como calcular uma dor que não senti em minha própria alma. Contudo, entendo que você rejeita novas pessoas no seu mundo e não deixa que ninguém se aproxime. Você está sempre de guarda, sempre se desgastando em discussões sobre como a vida dos outros deve ser, evitando pensar se a sua vida deveria ser de outra forma.
- Eu sequer tive tempo para pensar nisso. Aliás, nem tempo nem vontade. A vida não é a mesma depois que um homem se torna pai. A prioridade se torna o cuidado com os filhos. Eu quis morrer quando meu filho mais velho e minha esposa morreram, mas quis viver para cuidar de Yuzuriha e Atla. É incoerente, mas é assim que tenho vivido. É por minha família que vivo, não por mim!
- E isso não está certo! Você deve viver por si mesmo. Você se julga velho justamente por não se permitir viver. Não acha que esse luto já durou tempo demais? Seus filhos estão enormes. Em alguns anos, eles terão cada qual sua própria família, assim como o seu sobrinho. E seus irmãos já estão muito bem criados, você não precisa mais tomar conta deles.
- Eu não sei viver de outra forma, Asmita. Vivo para preservar o que me restou. Mesmo que eles me odeiem, por me intrometer na vida deles, eles são tudo o que eu tenho! – Hakurei baixou os olhos, no que sentiu os dedos finos do jovem lhe tocarem as têmporas carinhosamente.
- Então permita que eu faça parte do seu mundo. Quero que cuide de mim, mas que permita que eu cuide de você também. Permita que eu o faça um homem mais feliz, e não como o pirralho que você acha que eu sou, mas como o homem que eu realmente me tornei.
- Mas você ainda nem completou dezoito anos. Como espera que eu veja um homem em um rosto tão jovem e andrógino? – Hakurei disse gentilmente, alargando o próprio sorriso ao notar um belo sorriso estampar o rosto de Asmita.
- Veja a minha alma então. – O jovem tapou os olhos do mais velho, enquanto admirava o sorriso sincero nos lábios dele, mas logo seus olhos também foram tapados.
- Você não mencionou o nome de uma pessoa que vive no meu mundo embora não seja parte de minha família. Essa pessoa invadiu o meu mundo antes que eu percebesse e eu não quero mais que ela vá embora... você faz ideia de quem é essa pessoa?
- Não faço a menor ideia de quem possa ser. Que tal se você me desse uma dica? – Asmita murmurou provocativamente, mordendo os lábios para conter o sorriso bobo em seu rosto.
Hakurei tomou os lábios de Asmita sem pressa, degustando do sabor enquanto as mãos do mais jovem desciam-lhe pelas faces em suaves carícias. O beijo se tornou mais intenso à medida que as línguas se buscavam afoitamente e os corpos se roçavam por instinto. As mãos do mais jovem se espalmaram pela camisa do mais velho, desabotoando-a para, depois, tocarem o tórax delineado. Foi quando Hakurei subitamente segurou os pulsos de Asmita, impedindo que ele continuasse a provocá-lo.
- Hakurei? – Asmita encarou os olhos do companheiro interrogativamente, e percebeu que ele arfava com intensidade. Sentiu o rosto queimar ao perceber que o membro do mais velho estava ainda maior e mais rígido do que da última vez em que o havia sentido.
- Estamos atrasados! Seu cabelo está completamente desalinhado! Nossas roupas estão amarrotadas! - O mais velho se levantou da cama em um ímpeto, como que em pânico, visivelmente desconcertado, andando de um lado para o outro dentro do cômodo, logo, desfazendo-se de sua camisa e desamarrando os cabelos para, então, amarrá-los novamente em um rabo de cavalo alto.
Asmita suspirava enquanto seus olhos acompanhavam o belo corpo seminu de Hakurei desfilar de um lado para o outro à sua frente, mas achou por bem não se aproximar enquanto o outro permanecesse tão confuso e perdido em seus próprios pensamentos.
- Você quer mesmo ir para a casa da minha mãe... agora?
- É CLARO QUE EU QUERO! – Asmita suspirou ao ouvir o grito de Hakurei e o observou pegar o ferro de passar roupas e ligá-lo, para passar a própria camisa. Nessa hora, decidiu aproximar-se dele, ainda com algum receio, por mais que esperasse que o rompante de nervosismo dele já tivesse passado, antes que queimasse a própria mão no ferro quente.
- Tire logo essas roupas, eu irei passá-las enquanto você refaz a sua trança.
- Mas e... – O mais jovem achou melhor não contrariar o outro, retirando a túnica do sherwani e entregando-a.
Asmita observou que a calça não se encontrava amarrotada e suspirou novamente, andando para o lado contrário do quarto e soltando os cabelos cuidadosamente. Tentava se concentrar em arrumar-se ao invés de dar atenção à incômoda dor em seu baixo ventre. Suspirava ainda mais, sem dar-se conta disso, ao notar como Hakurei ficava mais atraente com o torso nu, e perguntava-se como um homem em forma física invejável, como o outro, poderia considerar-se velho.
- Você treina kendo todos os dias com o Atla, não é?
- Tai-chi-chuan e kung-fu também. – Hakurei mirou Asmita de canto de olho, impressionando-se ao ver como o corpo andrógino dele era simplesmente maravilhoso; o corpo não era nem musculoso nem flácido, mas bem definido, embora, não fosse másculo. Completamente ambíguo e misterioso. Só então Hakurei percebeu que continuava pressionando o ferro sobre o edredom, o que fez com que o puxasse bruscamente e queimasse a própria mão.
- Droga!
- Você se machucou? – Asmita correu para perto de Hakurei, observando que ele havia cerrado os olhos por alguns instantes antes de voltar a passar a roupa.
- Não foi nada! Faz parte da minha profissão, queimar-me ocasionalmente, então, estou acostumado.
- Mas deve estar doendo... e a roupa já está muito bem passada. Obrigado! – Asmita desligou o ferro da tomada, retirando-o da mão de Hakurei e pousando-o com cuidado sobre a cama.
Hakurei suspirou, entregando a túnica do sherwani a Asmita e ajudando-o a se vestir. O mais novo riu, perguntando-se como um homem tão agressivo conseguia ser tão cuidadoso com pequenos detalhes, como ajustar uma roupa no corpo de alguém ou abrir a porta do carro para outras pessoas entrarem.
- O que é tão engraçado? – Hakurei franziu o cenho, mas desfez a carranca ao ter os lábios selados pelos do mais jovem.
- Quando eu o conheci, me questionei se acreditava estar me apaixonando por você pelas semelhanças que você possui com o meu primeiro amor platônico. Mas logo percebi que foram as suas diferenças que me chamaram a atenção. Você é único, e muito diferente de todas as pessoas que conheço. É a única pessoa que conheço que faz questão de esconder a própria docilidade com atitudes ásperas, e também que procura viver pelos outros mesmo correndo o risco de ser odiado por todos eles. Você é, além disso, o homem mais íntegro e corajoso que já conheci. Sem mencionar que é o homem mais carinhoso que conheço, embora, faça o máximo de esforço para ocultar esse aspecto da sua personalidade.
- Você é completamente louco, Asmita! – Desconcertado, Hakurei pegou sua própria camisa e a vestiu enquanto olhava-se no espelho, surpreso com a percepção do garoto. Fingiu, ainda, não prestar atenção ao menor, que atendeu a um telefonema do irmão gêmeo – Shaka – e, aparentemente, levava uma bronca por não ter telefonado antes.
- Espero por você no saguão do hotel. Não demore! – Hakurei aproveitou-se da distração de Asmita para 'fugir' do quarto, ao menos, antes que perdesse o controle e atirasse o garoto novamente na cama.
xxxxx
- Mestra Arjava, Asmita acabou de chegar. Devo chamá-lo para entrar? Há um convidado com ele.
- Oh! Pensei que ele não viesse mais, já que não é costume dele se atrasar. Ao menos não quando está com Shaka, o que não é o caso, pelo visto. – A mulher sorriu de canto, saindo da posição de iogue de vela e alongando-se, antes de se erguer sobre os pés enquanto o serviçal aguardava pelas próximas ordens dela. - Oras, mas por que a pergunta? Não deixe meu filho esperando!
- Sim, senhora! – O rapaz correu rapidamente até o extenso hall da casa, para então levar Asmita e Hakurei para uma sala onde todas as cortinas estavam fechadas, dando uma impressão de meia-luz ao recinto. Hakurei observava atentamente a mistura de cores e formas no interior do cômodo, sentando-se no tapete e tomando uma almofada para si. Asmita agachou-se à frente dele, aproveitando-se da distração do outro para roubar-lhe um beijo.
- Energúmeno! O que pensa que está fazendo? – Ao contrário das outras vezes, Hakurei ralhou com o mais novo de forma comedida, uma vez que não estavam completamente sozinhos.
- Céus, foi apenas um estalo!
- Quem disse que você pode fazer isso aqui, idiota?
- Significa que posso fazer isso se não for aqui?
- Não!
- Devo entender a sua negativa como "eu adoraria"?
- Não comece agora, não me deixe nervoso quando estou prestes a conhecer a sua mãe.
- Está apreensivo? Pensando em como vai pedir a minha mão a ela? – Asmita riu, sentando-se ao lado do mais alto e recostando a cabeça no braço dele.
- Asmita!
- Não se preocupe, ela não vai notar que estou me apoiando em você.
- Como não vai notar, idiota?
- Você vai ver.
- Desencosta!
- Não... quero ficar assim com você um pouco.
Hakurei bufou, mas não conseguiu reunir força de vontade para afastar Asmita de seu braço. Escutaram vozes vindas do corredor e logo surgiu, diante deles, a elegante figura de uma senhora vestida com um sari azul; ela tinha longos cabelos negros presos em uma trança; a franja extensa penteada de lado, deixando à vista uma pedra azul que lhe ornamentava o centro da testa. A tonalidade de pele da mulher era um pouco mais escura do que a de Asmita, mas o formato dos olhos e do rosto era muito semelhante ao dos gêmeos. Os olhos dela mantinham-se completamente fechados, mesmo durante o percurso que fez pelo cômodo com naturalidade, em passos tão leves que pareciam flutuar ao invés de andar. Hakurei franziu o cenho, intrigado.
- Mãe. – Asmita ergueu-se e anunciou-se, tomando a mão da mãe para beijá-la, no que, logo em seguida, ela o abraçou carinhosamente. A mulher sorriu ao tocar o tecido da vestimenta do filho, reconhecendo-a de pronto.
- Está usando o seu sherwani preferido, querido?
- Sim!
- E onde está o ingrato e descuidado do seu irmão? Por que ele não veio com você? Não acredito que Shaka o deixou sozinho!
- Ele não me deixou sozinho, eu trouxe um amigo comigo.
- E não irá apresentá-lo?
- Mas é claro! – Hakurei não esperou até que Asmita o chamasse, erguendo-se diante da mulher.
- Sou Hakurei Kahdro, senhora. Encantado em conhecê-la! – Hakurei fez uma reverência a Arjava, que correspondeu à mesma como se pudesse ver de olhos fechados, deixando o visitante, se possível, ainda mais intrigado.
- Então você trouxe o seu namorado? Por que não disse antes?
- Er... bem. Não somos namorados, mãe.
- Não me diga que aderiu às modas britânicas... estão apenas se conhecendo melhor então?
- Perdoe-me, senhora! Há um en... – Hakurei desistiu de falar ao ouvir Arjava interrompê-lo.
- Vocês dois, não tentem me enganar! Posso sentir o aroma de Hakurei em Asmita, e o aroma de Asmita em Hakurei. Estão mesclados! Caso a pretensão fosse esconder algo de mim, deveriam ter se dado ao trabalho de tomarem um banho e trocarem de roupas antes de se aproximarem!
- Perdão, senhora! Eu assumo a responsabilidade como namorado de Asmita. – O jovem ficou boquiaberto ao ouvir a inesperada declaração de Hakurei. - Mas peço à senhora que guarde este segredo ao menos até ele alcançar a maioridade.
- Compreendo! Meus filhos completam dezoito anos em pouco mais de dois meses, e tanto Asmita quanto Shaka são maduros o suficiente para decidirem o rumo que tomarão em suas vidas. Embora, eu não saiba dizer se é essa a opinião do meu ex-marido.
- Por favor, mãe... não conte nada ao meu pai nem ao Shaka. Eles não compreenderiam como você! – Hakurei suspirou, apreensivo, no que observou a mulher abrir os olhos. Não soube discernir se ela podia enxergar ou não, mas nunca havia visto olhos como os dela: as íris bem azuis e claras, em um tom que parecia fluorescente, elétrico, em absoluto contraste com a pele mais escura.
- Posso confiar em você, Hakurei Kahdro? Cuidará bem de meu filho? Está disposto a se tornar os olhos dele, caso ele venha a ficar completamente cego? – Hakurei sentiu um calafrio ao escutar a última pergunta de Arjava, como se fosse uma profecia ao invés de um questionamento. O mais velho não hesitaria em cuidar de Asmita se o menor ficasse cego, mas não havia cogitado essa hipótese até aquele momento.
- Sim! Por favor, entregue o seu filho aos meus cuidados. – Hakurei instintivamente buscou a mão trêmula de Asmita e a apertou firmemente por perceber o quanto ele estava nervoso com os questionamentos da mãe. O jovem emocionou-se com o gesto do outro, encarando-o com os olhos lacrimejantes.
- Hakurei... eu preciso lhe contar uma coisa.
- Eu sei, eu sei... conte-me quando voltarmos ao hotel.
- Mas é importante...
- Tudo bem, apenas se acalme.
- Mas...
- Shhh... – Hakurei abraçou Asmita com carinho, no que este afundou o rosto no peito dele.
- Quando você vai aprender a contar com os outros, meu filho? – Arjava sorriu melancolicamente, com o olhar perdido na direção do casal, e Hakurei cerrou os olhos ao notar em um relance o óbvio, que só agora lhe viera em mente: a mãe de Asmita era mais nova do que ele.
Suspirou, pensando no que teria de escutar do restante da família do jovem e da sua própria família. "Será este o meu castigo por ter condenado o meu próprio irmão por amar outro homem? Os deuses prepararam uma provação que me fizesse sentir na carne o mal que causei a ele? Será mesmo certo tomar este jovem para mim? Será que ao menos Sage entenderia? Nós sempre nos entendemos... mas o que ele diria neste caso?"
De repente, o celular de Hakurei chamou em seu bolso. Ele arregalou os olhos ao ver o nome do gêmeo no visor, e sorriu ao reiterar do fato de que ele e o irmão sempre percebiam, como que por telepatia, quando um pensava firmemente no outro.
- Sage... – Esperou para ouvir a voz idêntica à sua perguntar se estava tudo bem com ele. – Sim, está! Quero conversar com você mais tarde, estou ocupado agora. Você também? Certo, eu ligo quando chegar em Londres no domingo. Até mais, cuide-se!
O serviçal da mulher se aproximou trazendo uma bandeja com chá e diversos quitutes, que foram servidos aos visitantes. Asmita acalmou-se um pouco ao sentir o aroma familiar de chá e doces feitos por sua mãe, enquanto Hakurei permanecia intrigado.
-Você é exatamente como eu previa. – Hakurei franziu o cenho ao escutar a afirmação da mulher.
- Como você previa?
- Sim! Como eu previa que seria o homem que meu filho amaria um dia. Conheço bem o meu filho para saber que ele não se enganaria com o caráter de alguém. Creio que vocês têm muito o que conversar, de forma que não lhes convêm se demorarem aqui. Mas venham novamente com mais tempo e hospedem-se em minha casa da próxima vez.
- Sendo assim, levarei Hakurei para conhecer alguns pontos turísticos da cidade, nos intervalos entre as reuniões de trabalho. - Asmita sorriu, abraçando a mãe carinhosamente e estalando um beijo na bochecha dela. Os dois cochicharam alguma coisa e riram, fazendo com que Hakurei franzisse o cenho.
- Vamos, Hakurei? Despeça-se da sua sogra. – Asmita riu ainda mais ao ver o rosto de Hakurei ficar avermelhado, deixando seu 'namorado' irritado.
- Com licença, senhora! Muito obrigado por nos receber, estou encantado em conhecê-la.
- Igualmente! - A mulher se ergueu sobre os pés habilmente, e andou à frente pelos corredores, cerrando os olhos novamente antes de chegarem ao hall de entrada. Despediram-se e Asmita colocou os óculos escuros, tomando, como de costume, o braço de Hakurei. Entraram no táxi pedido por Arjava.
- Leve-nos ao Lodhi Gardens, por favor!
- O QUÊ? – Hakurei se assustou ao escutar Asmita pedir ao motorista para levá-los a um lugar turístico ao invés de adiantarem a primeira visita de negócios.
- Você já conhece?
- Não! Não é isso! Eu preciso visitar os fornecedores de pedras e ouro, você sabe disso.
- Sim, mas... demoramos menos tempo do que o previsto na casa de minha mãe.
- Mas eu não visitei nenhum fornecedor ontem.
- Onde você estava então? Foi visitar alguém que conhece aqui? – Asmita estreitou os olhos para Hakurei, em uma clara demonstração de ciúmes.
- Pode-se dizer que sim. – Hakurei ergueu um dos pontos avermelhados sob a testa ao notar a expressão de Asmita se tornar ainda mais tensa. – Os monges tibetanos e os refugiados, ninguém em especial. Idiota!
- Eu passei quase um dia inteiro trancado em um quarto de hotel porque você me mandou não sair... como compensação, quero que tire um dia para passear comigo.
- Quem disse a você que eu tenho tempo para isso?
- Não seja tão rabugento! Eu bem sei que você planeja suas visitas com espaço de sobra entre uma e outra, para não correr riscos. Basta adiantar as visitas e realizá-las em um só dia. Podemos começar depois do almoço e seguir até a hora do jantar. Amanhã começaremos cedo e, com sorte, terminaremos na hora do almoço. Dessa forma, teremos o resto da sexta-feira e o sábado inteiro para descansarmos.
- Isso é impossível, não tem como fazer todas essas visitas em tão pouco tempo!
- Não é! Eu organizei os endereços enquanto você estava fora ontem. Fiz uma lista com todos eles, telefonei para saber o horário de funcionamento de cada um e tracei um planejamento para as visitas. Eu havia separado o dia inteiro de hoje para visitarmos minha mãe, então, terminaremos antes do previsto. – Asmita retirou do bolso o papel com o que havia planejado, deixando Hakurei boquiaberto com a organização e precisão do jovem, que havia traçado o melhor trajeto para que gastassem menos tempo no percurso entre um local e outro.
- Céus... você deve ter gastado horas fazendo isso!
- Tudo bem, o importante é ganharmos tempo. Você está precisando de férias... devia tirar uns dias para descansar. Preferencialmente quando eu estiver em férias também. – Asmita sorriu, observando a expressão de Hakurei um tanto mais branda do que o normal.
- Obrigado!
- Não há de quê. – Ambos passaram alguns minutos em silêncio, observando o carro se aproximar do enorme parque onde muitas pessoas passeavam animadamente.
- Já chegamos? – Hakurei não admitiria, mas estava impressionado com a tranquilidade que pairava no local, tão diferente do centro movimentado de Nova Delhi, que nem parecia fazer parte da mesma cidade.
- Esse lugar continua lindo e tranquilo como sempre. – Os olhos de Asmita estavam bem arregalados, ávidos pela bela paisagem à frente. Pagaram o taxista e começaram o passeio, como se fossem dois turistas em busca de um passeio relaxante ao ar livre.
- Por isso eu vivo dizendo que não tem como viver enjaulado em um apartamento... não depois de ter passado parte da minha infância em um lugar lindo como este. – Asmita sorriu, olhando para os lados e se encantado com a beleza do local, como se já não o conhecesse. Andaram até as mesquitas e os túmulos e começaram a admirar a harmonia entre a natureza e as obras arquitetônicas.
- Veja, ali era onde eu mais gostava de correr com Shaka. Uma vez ele caiu dos degraus enquanto corria atrás de mim, e caiu com a cara na grama. Ficou o resto do dia sem conversar comigo só porque eu ri da cara suja dele. – Asmita ria tranquilamente, puxando Hakurei pelo braço para conhecer o lago. Sentaram-se na grama, à beira da água e um ao lado do outro, e o mais jovem recostou a cabeça no braço do mais velho.
- O som das aves me soa tão nostálgico... obrigado por me acompanhar. – Asmita virou o rosto de lado, encarando o rosto do outro de rabo de olho.
- Eu quero saber o que você tinha para me dizer... acho que é uma boa hora para conversarmos, não? – Hakurei surpreendeu Asmita, após lhe fazer um carinho na face e, o mais surpreendente, tomar-lhe os lábios num beijo lento. O mais jovem mordeu o lábio inferior, encantado com o sabor daquele beijo.
- Eu não disse antes porque não queria que você aceitasse meus sentimentos por piedade, nem que você me tratasse de forma diferente das outras pessoas por me julgar frágil. Na verdade, o que a minha mãe disse sobre eu ficar cego não é apenas uma hipótese distante, é uma grande probabilidade que poderá se concretizar mais cedo ou mais tarde, já que os médicos não sabem dizer quando nem como. Pode ser de repente, ou seguido de outros sintomas.
- Isso significa que... – Hakurei não conseguiu se atrever a dizer o que lhe veio em mente, mirando Asmita com uma impressão assombrada.
- Sim, Hakurei... é o que você está pensando. É bem provável que eu fique cego.
xxxxx
FIM DESTE CAPÍTULO
GOSTOU? MANDE REVIEW!
MUITO OBRIGADA,
NATHALIE CHAN
