Sejam todos bem-vindos a mais um capítulo desta side story! Agradeço mais uma vez ao meu fofíssimo amigo Cajango pela revisão e pelo review, e agradeço também à Sandra Alencar pelo review e pelos elogios recebidos. Adorei! Vamos aos comentários sobre os reviews: o quarto capítulo realmente foi um capítulo intenso, provavelmente o mais intenso de todos, porque lida com emoções e feridas que nunca cicatrizaram, com remorsos, medos e anseios do nosso casal. Acho que Hakurei tem por natureza o dom de fazer qualquer pessoa se sentir intimidada ou protegida, dependendo da postura que ele adota. Fiquei feliz com o comentário de que o último capítulo mexeu com vocês, pois acredito que ele possui uma mensagem realista que demonstra bem como temos o poder de ferirmos a nós mesmos quanto tentamos atingir aos outros.
Já neste capítulo, teremos um outro tipo de intensidade, não recomendável para pessoas sensíveis a cenas mais íntimas, como o próprio título sugere... Para os que apreciam sem moderação, desejo uma excelente leitura! Grande abraço a todos!
Tórrido Amor
- Mas isso é quase... – Hakurei engoliu seco mesmo antes que pudesse terminar a frase, reunindo forças para não cair na tentação de fazer logo o que Asmita havia lhe pedido.
- Sexo? - Asmita mordeu os lábios em uma tentativa vã de conter um sorriso divertido em notar o quanto aquela única palavra havia deixado Hakurei ruborizado. Tocou o rosto dele com as costas da mão direita, ao terminar de desabotoar o sherwani, para então mirar-lhe intensamente os olhos.
- Reconheço que você é um verdadeiro gentleman, além de possuir um autocontrole invejável. Eu jamais conseguiria me fixar apenas nos seus olhos, caso você despisse a sua camisa à minha frente... – Asmita sorriu abertamente ao notar Hakurei engolir seco mais uma vez, como que convencendo-se de que não seria certo baixar os olhos para observar o torso semi-nu do outro. – E mais... Eu entendo o seu cuidado por mim e o aprecio, mas peço que você abra uma exceção e se permita ter alguma intimidade maior comigo. Necessito de alívio e sei que você necessita também, embora, prefira ignorar as suas próprias necessidades.
- Eu não quero que você se arrependa de um ato impensado, mesmo que não se trate de sexo... não de todo. – Hakurei estava visivelmente encabulado, tentando conter os pensamentos 'impróprios' que lhe passavam pela mente.
- Como seria um ato impensado? Você não faz ideia do quanto tenho pensado nisso! – Asmita suspirou, inconformado com os argumentos de Hakurei. - Aliás, tenho me preocupado. Chego a pensar que sou anormal por pensar tanto nisso a ponto de não conseguir me concentrar em mais nada. Preciso materializar o meu desejo antes que ele me enlouqueça de vez! Não consigo sequer meditar para abstrair, e fico tão impaciente que não consigo terminar um rosário inteiro... tudo, absolutamente tudo o que me vem em mente gira em torno de você.
- Asmita... – Hakurei cerrou os olhos por alguns instantes e apertou levemente as mãos do outro, que lhe percorriam o rosto. Estava boquiaberto pela coragem do jovem em lhe fazer uma confissão tão íntima como aquela, além de surpreso com a intensidade do desejo de Asmita por um 'velho' como ele.
O tibetano chegou à conclusão de que não tinha mais como manter seu autocontrole, pois o que havia sobrado dele acabara de ser completamente minado pela mistura de sensualidade e inocência do outro. Os gestos e as palavras do loiro exalavam um tom de erotismo, desejo, ansiedade, e, ao mesmo tempo, uma inocência que quase levava o jovem à incoerência, despertando em Hakurei um ardente desejo de deixar sua razão de lado e tomar o tentador jovem para si.
Mesmo com os olhos cerrados, era como se Hakurei ainda pudesse ver os enormes e enigmáticos olhos de Asmita, transparecendo a profundidade de seus sentimentos. O jovem não havia se dado conta disso, mas suas declarações haviam tirado do mais velho qualquer dúvida que ele pudesse ter de que suas palavras eram verdadeiras. Tão transparente quanto um lago de água límpida era o amor estampado naqueles olhos azuis.
Abriu os olhos novamente e mirou Asmita de cima a baixo, deslizando as mãos que tocavam as dele por dentro do sherwani;tocou o ventre do mais novo para, então, subir com as mãos espalmadas pelo abdômen e tórax do mesmo. O sentia respirar sofregamente e deslizou as mãos firmemente pelos ombros tensos dele, retirando habilmente a peça de roupa que as impediam de descerem pelos braços do rapaz.
- Asmita... você está bem? – Tomado pela surpresa e pela ansiedade diante dos repentinos avanços de Hakurei, o jovem sentiu o peito disparar imediatamente, seu rosto ruborizando como nunca imaginou que poderia ruborizar. Não tinha como esconder que a expectativa do que poderia vir a seguir o havia deixado inesperadamente nervoso, até mesmo porque tudo o que ele sabia sobre seduzir alguém se tratava somente de teorias a serem testadas, ao contrário do experiente Hakurei. Mas, também, não deixaria seu próprio nervosismo interromper aquele momento em que as barreiras do mais velho pareciam finalmente ter desmoronado.
- Estou... perfeitamente bem. – Hakurei arregalou os olhos ao notar como o jovem estava avermelhado e ofegava ainda mais. Suspirou, envolvendo o corpo dele carinhosamente em seus braços e dando início a um beijo lento, o que fez com que os batimentos cardíacos de Asmita voltassem gradualmente ao normal.
Ambos estavam tão entretidos no beijo que pouco se importaram quando a água da banheira começou a transbordar, no que Hakurei se aproveitou da estatura avantajada para fechar as torneiras sem interromper o contato com Asmita. Entreolharam-se quando perderam o fôlego, Asmita abraçando Hakurei mais forte e rindo compulsivamente.
- Por que está rindo? Não me diga que gostou de se molhar... – Hakurei ergueu um dos pontos avermelhados sob a testa, sentindo um imenso alívio pelo nervosismo de Asmita ter passado.
- Não que seja ruim, é até refrescante... mas ver você molhado apenas do joelho para baixo, nos antebraços e nas pontas dos cabelos, é impagável!
- Hum... está falando quem está mais encharcado do que eu.
- Então... que tal ficarmos encharcados de forma igual? – disse Asmita, surpreendendo-se ao notar Hakurei observar a si próprio e rir descontraidamente do ridículo da situação de ambos. Então, o loiro circulou o pescoço do maior, com seus braços, sem deixar de observar as feições divertidas de seu amado. Foi novamente surpreendido quando o mais velho segurou seu corpo firmemente e o ergueu em seus braços, entrando na banheira com ele e roubando-lhe um beijo mais intenso no percurso. Hakurei, sem partir do abraço, empurrou o corpo de Asmita na água, ficando por cima dele enquanto apoiava-se no fundo com o outro braço.
E mais água transbordava da banheira na medida em que as mãos de Asmita desciam ousadamente pelas laterais do corpo de Hakurei, para, então, subirem pelas coxas e deslizarem à vontade pelo abdômen e tórax impressionantemente definidos. As pontas dos dedos do mais novo pareciam ter vontade própria, desabotoando a camisa de Hakurei e arrancando-a com alguma dificuldade, observando o quanto o mais velho se deleitava em mordiscar seu pescoço.
Hakurei segurou os pulsos do jovem com firmeza e inverteu as posições, depois de perceber os dedos de Asmita deslizarem perigosamente pelos botões de sua calça. Arrependeu-se logo em seguida, pois o mais novo acabou sentado por cima de seu corpo e, assim, pareceu ainda mais tentador com o corpo e os cabelos completamente molhados. Os lábios de Asmita entreabertos e inchados pareciam-lhe um convite mudo, tal como a pele arrepiada e os mamilos enrijecidos do jovem.
Sem que Hakurei tomasse consciência de seus atos, suas mãos subiram em uma lenta e minuciosa exploração ao corpo acima do seu, e logo seu tronco se ergueu para que seus lábios pudessem tocar a pele do outro e degustar dela. Não foi surpresa atiçar-se mais, ouvindo aos gemidos de puro prazer, primeiramente tímidos, de Asmita, para, depois, mordiscar-lhe um dos pequenos mamilos arroxeados pelo choque térmico.
- Não... me torture... assim... Haku. – Asmita tentava falar, parando para morder os lábios em uma tentativa de conter gemidos mais altos, que escapavam por entre eles enquanto Hakurei subia e descia as mãos por sua nuca, costas e nádegas, apertando firmemente as carnes do loiro.
- Não foi você quem me pediu por alívio? – Hakurei murmurou no ouvido dele, enfiando uma das mãos por dentro da calça e da peça íntima de Asmita para tomar-lhe o membro, massageando-o lentamente ao mesmo tempo em que invadia a boca do loiro com sua língua. O jovem correspondia ao beijo descoordenadamente, sentindo-se no limiar da loucura com os toques do tibetano.
- Haku, assim... eu... – Asmita tocou o pulso de Hakurei com uma das mãos, tentando impedi-lo de continuar, mas acabou apertando o antebraço do maior e se contorcendo de prazer ao atingir o ápice, gemendo alto e lambuzando a mão do companheiro por dentro da água. Entorpecido, deixou-se envolver pelos braços fortes de Hakurei, que circularam sua cintura e o puxaram possessivamente para si. Estava envergonhado por não demonstrar nenhum autocontrole, mas era quase impossível se conter quando as mãos pesadas e hábeis de Hakurei tocavam seu corpo.
- Desculpe... – O mais velho apenas sorriu de canto ao escutar o pedido de desculpas do outro, levando a mão lambuzada entre as nádegas de Asmita e deslizando-a até tocar-lhe a entrada. Passou a massageá-la, sem aprofundar o contato, mas, ainda assim, arrancou mais alguns gemidos do loiro.
- Você não cansa de me torturar?
- Você não tem medo de que eu perca o controle?
- Eu perguntei primeiro.
- Não, eu não me canso. – Hakurei sorriu sarcasticamente, acariciando os cabelos gelados de Asmita com a mão livre e, logo após, começando a se preocupar ao notar como ele tremia levemente.
- Eu não tenho medo algum de você. A propósito, estou tremendo de frio, não de medo. – Hakurei gargalhou frente à resposta do outro, invertendo novamente as posições para que Asmita ficasse confortavelmente dentro da água quente.
- Por que tanto frio se a temperatura está tão agradável?
- Porque você e a água estão bem quentes, mas o ar condicionado foi ajustado por você... o que significa que estamos à temperatura local do... Tibete... seu país.
- Bem, acho que meu corpo é naturalmente à prova de choques térmicos. Mas providenciarei para que você não sinta frio novamente. – Asmita sentia seu peito se derreter com o jeito galante do outro, parando de tremer aos poucos em meio aos braços fortes de Hakurei. Lembrava-se de que já havia sentido frio em muitas ocasiões, como, por exemplo, na casa de Hakurei e dos irmãos dele. Mas, ao que tudo indicava, todos os tibetanos residentes no exterior tinham a terrível mania de ajustarem o ar condicionado à menor temperatura possível – o que era, inclusive, motivo de discussões constantes entre Shaka e Mu.
- Eu... já estou aquecido novamente... – Hakurei arregalou os olhos ao sentir os dedos de Asmita desabotoarem sua calça e adentrarem sua cueca, para então apalparem o seu vasto conteúdo. Cerrou os olhos por mais alguns instantes, reunindo mais autocontrole para não atacar o loiro de uma vez por todas, respirando longamente durante a massagem que recebia.
- Você gosta assim ou prefere de outra forma? – Asmita sussurrou no ouvido de Hakurei e, em resposta, teve os seus dedos cerrados ao do mais velho, que o instigou a fazer movimentos mais rápidos e de forma mais firme. O loiro logo aprendeu o novo ritmo e, então, as mãos de Hakurei passaram a se movimentar livremente pelo corpo de Asmita, despindo-lhe habilmente a calça e a peça íntima. Hakurei deslizou os dedos pelas nádegas do menor, passando a, novamente, massagear-lhe a entrada de leve; circulava-a e insinuava ultrapassar aquela pequena barreira que ainda havia entre eles de forma torturante.
- Você tem certeza de que deseja isso? - Hakurei, por mais excitado que estivesse, perguntou ao amado. E não demorou a receber uma resposta, depois que o jovem moveu o corpo de modo a ter, definitivamente, um dos dedos do maior dentro de si, que não tardou a atingir-lhe um ponto mais sensível. Um gemido deliciado escapou pelos lábios do loiro, antes que ele pudesse formular uma resposta, e sentir o membro de Hakurei latejar em sua mão o deixou – se possível – ainda mais entregue.
- Céus... eu já não pedi por isso? Deseja que eu repita em alto e bom tom o que eu disse antes? – Hakurei finalmente calou-se, suspirando pesadamente. Apertou Asmita em seus braços, introduzindo mais um de seus dedos no interior dele; explorava-o lentamente, interrompendo os movimentos quando o sentia se contrair, e, principalmente, deleitava-se com os espasmos que provocava no loiro.
- Mais... – O jovem arfava baixo, apertando a cintura de Hakurei ao sentir outro dedo invadi-lo.
- Está doendo?
- Um pouco... mas... não é ruim... – O mais velho sorriu de canto, beijando a testa do jovem.
- Eu sabia. Você é masoquista.
- Eu? Não -ahhh... – Hakurei estocou o interior de Asmita com um pouco mais de força, comprovando sua constatação. Asmita, por sua vez, mal conseguia se concentrar em massagear o membro intumescido do tibetano, que continuava a pulsar entre os seus dedos.
- Não devíamos fazer o que estamos fazendo... é melhor pararmos antes que percamos o controle... – O mais velho murmurava sem muita convicção, como que revelando em voz alta seus próprios pensamentos.
- Você... definitivamente... não vai... parar... agora. – Os olhos azuis se fixaram com determinação nos verdes, em claro tom de ameaça. Os olhos verdes arregalaram-se, impressionados com o ardor nos olhos do 'pacato' Asmita.
- Eu não tenho escolha então... – Hakurei sorriu de canto, deixando, de uma vez por todas, todo o seu autocontrole – no que dizia respeito a hesitar em tomar o outro – de lado. Levou a mão livre a um dos mamilos de Asmita e o massageou, continuando a estocar o interior do loiro com os dedos e a movimentá-los como faria se o estivesse tomando para si. A imaginação de ambos voava para além do que efetivamente faziam, e, dessa forma, não tardaram a atingir o ápice.
Entreolhavam-se com cumplicidade enquanto tentavam acalmar a respiração, observando as reações que haviam causado um ao outro com toda aquela ânsia por prazer e intimidade. Os dedos de Asmita deslizaram pelo rosto de Hakurei, mapeando cada detalhe das feições másculas do outro. Hakurei, por sua vez, proferia xingamentos mentais ao próprio corpo por seu membro estar novamente ereto apesar do breve alívio que havia alcançado.
- Você não colocou nada afrodisíaco na minha bebida, colocou? – Asmita riu da pergunta do outro, tornando a levar a mão direita ao membro do mais velho e massageá-lo de leve, pousando os dedos da mão esquerda sobre os lábios do maior – que ensaiou dizer algo frente à iniciativa do mais novo.
- Como se você precisasse de algo assim... – Asmita tocou os lábios de Hakurei com os seus, iniciando um beijo lento que se intensificou em poucos instantes, ao menos até o mais velho abandonar o beijo para, premeditadamente, mordiscar os ombros do menor e provar do gosto da sua pele, que se misturava ao da água com a essência de jasmim.
- Caso esteja tentando descobrir se culpa é da fragrância de jasmim, porque não me leva para a cama? – Em um ímpeto, Hakurei pegou Asmita nos braços e se ergueu da banheira, pousando o jovem no chão e pegando uma toalha para ele. O frio percorreu o corpo do loiro assim que sua pele entrou em contato com o ar frio do ar condicionado, mas logo a toalha felpuda era esfregada com carinho em seu corpo. Acabou rindo da superproteção do outro, que o enrolou na toalha e, somente então, foi enxugar-se.
O olhar de Asmita subia e descia pelo corpo escultural de Hakurei, admirado com as formas bem definidas e másculas do tibetano. Tomou a toalha das mãos do maior com o pretexto de ajudá-lo, e passou a subir e descer por aquele corpo sem a menor pressa. Asmita notava que ali havia algumas cicatrizes, provavelmente de queimaduras causadas pelo contato da pele com metais aquecidos.
Por fim, enrolou a toalha no corpo do mais alto e tocou em uma das mãos dele com a sua, puxando-o para o quarto e pedindo que se sentasse na cama para que pudesse enxugar-lhe os cabelos. O mais velho suspirou, mas fez como o mais jovem pediu, e não se surpreendeu quando ele terminou de enxugar seus cabelos e se sentou sob suas pernas, aconchegando-se em seu tronco.
- Não estava reclamando do frio? Pois é melhor que entre debaixo das cobertas.
- Não sem você. – Asmita se levantou e se desfez da toalha, deitando-se na cama por debaixo das cobertas e aguardando que o maior fizesse o mesmo. Assim que teve sua "ordem" atendida, girou na cama de modo a ficar por cima do mais velho, encarando-o com intensidade. - Não vou conseguir dormir assim... nem você.
- E acha que vai conseguir dormir se fizermos o que você quer? Duvido que consiga se sentar, quanto mais dormir...
- Isso pouco importa... e você fala como se eu fosse o único a desejá-lo. Você não me deseja? - Hakurei cerrou os olhos na tentativa de conter seus ímpetos de agarrar o loiro.
- Asmita... eu nem sei mais como estou conseguindo me controlar. Não serei capaz de me segurar novamente se continuarmos o que estávamos fazendo naquela banheira. Eu não quero te machucar e eu já disse as minhas razões para você esperar um pouco mais.
- Não tenho medo de que você me machuque, e não quero nem aguento esperar mais. – Hakurei suspirou longamente, rolando por cima de Asmita e prensando o corpo dele na cama. Sem aviso, inseriu três de seus dedos no interior do loiro e surpreendeu-se ao notar que ele continuava um pouco mais largo devido à massagem realizada na banheira. Começou a estocá-lo fortemente com os dedos para testar suas reações, arrancando gemidos simultaneamente agoniados e deliciados do jovem. Assustou-se com um gemido mais alto, que Asmita deixou escapar, quando seus dedos tocaram-lhe novamente um ponto mais esponjoso, e voltou a estocar o jovem ali, deleitando-se com os ruídos que o mais novo fazia.
Em um rompante, retirou os dedos de dentro de Asmita e afastou as pernas dele, encaixando-se entre elas para, em seguida, insinuar sua glande naquela entrada; passou a adentrá-la lentamente, parando ao sentir o interior do jovem apertá-lo, mas voltando a se movimentar ao sentir o corpo dele ceder ao contato. Envolveu Asmita em seus braços e foi abraçado com força, esperando que o menor se recompusesse da dor inicial. Hakurei tomou os lábios do jovem com os seus, fazendo com que ele se distraísse da dor que ainda parecia parti-lo ao meio, permanecendo com o corpo imóvel até que Asmita se atrevesse a mover o quadril – testando se a dor havia realmente passado.
Hakurei se movimentou lentamente, saindo quase que por completo de dentro de Asmita para, no momento seguinte, voltar a invadi-lo vagarosamente, sempre atento às reações do jovem. O olhar de desejo do loiro não deixou dúvidas ao mais velho, que passou a estocá-lo com menor preocupação, que se dissipou de vez quando Asmita segurou o rosto dele entre as mãos e ergueu um pouco o tronco, para roubar-lhe um beijo mais ardente.
As estocadas de Hakurei se tornaram mais intensas à medida que as mãos firmes voltaram a deslizar pelo corpo de Asmita, apalpando-o com gosto. As mãos enormes se firmaram nas nádegas do loiro, apertando-as enquanto diminuía a velocidade das estocadas até alcançar um ritmo tortuoso para o jovem, que mal conseguia conter gemidos e silvos cada vez mais altos – que ecoavam pelo quarto somados aos gemidos e grunhidos de Hakurei. Para a surpresa do mais velho, Asmita entrelaçou os dedos em seus cabelos e os puxou levemente, em protesto, mirando-o com um olhar completamente lascivo.
Hakurei sorriu em satisfação ao ver o rosto do pacato jovem se transformar completamente diante de si, e decidiu torturá-lo ainda mais, alternando estocadas intensas com grandes períodos de imobilidade. Sentia o corpo de Asmita se contrair quando parava, e segurava o quadril dele firmemente para que não pudesse se mover e 'estragar' a tortura, até que ele mesmo não aguentava mais se segurar e voltava ao ritmo intenso, para a satisfação de ambos.
Debruçou-se sobre o corpo do loiro, quando finalmente gozaram, e sentiu as mãos trêmulas dele afastarem as mechas de cabelo que cobriam seu rosto, para observá-lo melhor. Cerrou os olhos mais uma vez antes de voltar a mirar o loiro, decidido a não lamentar mais por haver perdido o controle sobre seus próprios desejos. Tomaria plena responsabilidade pelos seus atos, por mais que as consequências pudessem se apresentar assustadoras. Conversaria primeiro com Sage, seu cúmplice em todos seus segredos, e pensaria em uma forma de abrandar a notícia quando e mesma chegasse até Shion. Os filhos certamente não iriam se opor à sua decisão, mesmo que, por ventura, não concordassem com ela, pois sempre tiveram profundo respeito e admiração por ele.
- Hakurei? – A voz de Asmita saiu baixa e arfante, chamando a atenção dos olhos verdes que, imediatamente, se abriram em resposta. – Pensei que estivesse dormindo... – O jovem sorriu levemente, no que teve os dedos capturados e beijados pelos lábios do mais velho.
- Não. Estive pensando... quando chegarmos em Londres, quero apresentá-lo a Sage como meu namorado.
- Eu... confesso que temo a reação do seu irmão, mas... apoio a sua decisão.
- Ele não faria mal a você, não se preocupe.
- Não me preocupo por mim, mas por você.
- Não se preocupe, eu sei lidar com o Sage. Nós sempre brigamos muito, mas, no final, sempre chegamos a algum consenso. E você, está bem? Não está dolorido?
- Um pouco... nada que me impeça de querer um pouco mais de você... – Asmita sorriu dubiamente, capturando os lábios de Hakurei em um beijo carregado de desejo. Atracaram-se sem pressa e o mais velho rolou pela cama, empurrando o corpo do mais novo para cima do seu. Sentou-se na cama e fez com que o menor se sentasse em seu baixo-ventre, com as pernas ladeando seus quadris. - Você fica tão lindo assim... quero vê-lo enquanto se serve de mim.
Asmita sorriu de canto, sem nenhum resquício da timidez apresentada outrora, mordiscando e beijando os ombros de Hakurei tal como o próprio havia feito consigo, para, então, segurar o enorme membro rígido do mais velho em uma das mãos, massageando-o enquanto trocavam mais um beijo tórrido. A mão livre de Asmita tateava o tórax do outro, arranhando-o de leve; sentia, também, suas pernas e nádegas serem apertadas em diversos lugares pelas mãos viris de Hakurei.
Asmita apertou o membro de Hakurei com um pouco mais de força, encaixando-se nele e descendo lentamente até penetrar-se por completo. Circulou os ombros largos em busca de apoio, no que teve a cintura cingida pelos braços fortes que tanto lhe tiraram o sono, e passou a se movimentar lentamente, sentindo a virilidade de Hakurei explorar cada canto de seu interior. O mais velho passou a ajudá-lo em seus movimentos, com as mãos em sua cintura, ora instigando-o a se mover, ora paralisando-o e se movendo por ele.
As mãos protetoras de Hakurei subiram pelas costas de Asmita, apoiando-as para que ele pudesse debruçar o tronco sobre o loiro, distribuindo beijos e mordidas pelo pescoço do jovem, para, segundos depois, descer pelos mamilos enrijecidos. Circulava-os com a língua enquanto Asmita tinha os movimentos facilitados pela posição em que se encontravam, com as mãos livres para arranharem as costas do mais velho. Hakurei grunhia em resposta, ouvindo aos gemidos de ambos ecoarem pelo quarto. O mais velho passou a amparar o corpo do mais novo com apenas um dos braços, tomando-o o membro em sua mão e passando a massageá-lo firmemente. Mais uma vez atingiram o ápice, lambuzando um ao outro e a cama de solteiro, que havia sido ignorada por Hakurei na noite anterior devido às circunstâncias.
- Ainda bem que temos duas camas. – Asmita conseguiu balbuciar depois de algum tempo ofegando, abraçando os ombros de Hakurei novamente e se debruçando sobre ele.
- Ainda bem... – Hakurei suspirou, notando que os lençóis e até mesmo o cobertor estavam molhados e sujos. – Banho? – O mais velho suspirou novamente, erguendo Asmita consigo mais uma vez.
- Eu tenho pernas, sabia? – Asmita riu por ser tratado, outra vez, como uma donzela.
- Sim, e elas estão tremendo tanto que chego a duvidar que você conseguiria se sustentar sobre elas. – Hakurei bufou, descendo Asmita à frente da banheira e observando que ele realmente mal conseguia ficar de pé. Ajudou o jovem a se sentar na beirada da banheira, franzindo o cenho ao perceber ele soltar um breve gemido ao ter contato com a cerâmica fria em suas nádegas – agora, provavelmente doloridas. Colocou a água da banheira para reaquecer, entrou na água e ajudou o loiro a entrar também, ensaboando o corpo dele com cuidado. Asmita passou a ensaboar o corpo de Hakurei, aproveitando-se mais uma vez da situação para tatear o corpo torneado do outro.
- Eu te amo. – O jovem foi pego de surpresa pela declaração espontânea do mais velho, estalando um beijo nos lábios dele antes de continuar em sua tarefa de ensaboá-lo.
- Eu também te amo. Aliás, já amava mesmo antes de ser correspondido...
Ambos deixaram o banheiro enrolados nas toalhas, Hakurei perdendo a paciência em observar a tentativa estabanada de Asmita em andar normalmente, o que fez com que carregasse o loiro em seus braços mais uma vez. O proibiu de deixar o quarto no dia seguinte, pedindo a ele que tirasse o dia para repousar e telefonasse imediatamente caso sentisse alguma dor anormal em seu corpo.
Acabaram por dormir juntos na mesma cama em que haviam dormido na noite anterior, e Asmita, ao invés de descansar, no dia seguinte passou a telefonar para os locais que Hakurei percorreria, adiantando o trabalho do mais velho. Com a colaboração voluntária do jovem, o ourives conseguiu terminar todas as visitas aos fornecedores e lojas um dia antes do previsto, restando um dia de viagem exclusivo para o lazer de ambos.
Para a surpresa de Hakurei, Asmita se vestiu com um sari vermelho e ornamentou o centro da testa com um enfeite na mesma cor, cobrindo parcialmente os cabelos e o pescoço com um véu vermelho. O tibetano ficou perplexo com a beleza do jovem, que certamente jamais seria julgado como homem naqueles trajes, e aproveitou-se da situação para passarem despercebidos como um casal heterossexual durante o passeio.
Visitaram inúmeros templos, almoçaram em um restaurante badalado, mas nenhum lugar encantou tanto a Hakurei como o Templo do Lótus Bahai, embora, não fosse um templo budista. O local, construído em forma de flor de lótus, impressionou Hakurei a ponto de ele sentar-se em um dos bancos que se encontravam no local, munido de seu bloco de papel vegetal, e de reproduzir, com um lápis de desenho, as formas das pétalas em um esboço fiel. Asmita tirou fotografias em seu celular para repassá-las a Hakurei, mas o mais velho afirmou não confiar em cópias mecânicas para captar o que os olhos enxergavam.
Maravilharam-se com a vista do pôr-do-sol, que refletia-se sobre o lótus juntamente com as luzes artificiais, que ascenderam mesmo com a luz natural ainda não tendo desaparecido por completo. Ao saírem para jantar, foi a vez de Asmita ser surpreendido por Hakurei, que fez questão de reservar, para ambos, um mesa em um lugar bem reservado e à luz de velas, candelabros e lanternas de vidros coloridos, e em um restaurante sofisticadíssimo. O jovem pôde roubar inúmeros beijos do mais velho sem serem perturbados, e a noite de ambos terminou em clima de tórrido romance, uma vez que Asmita já não estava incomodado com as dores sentidas no dia seguinte à sua primeira vez.
Pela manhã, Hakurei encontrou Asmita sentado mais uma vez na cadeira próxima à janela, observando a paisagem com um ar de melancolia. Sentou-se recostado na cabeceira, observando o loiro, com demasiado interesse, até que ele se desse conta de que o mais velho já estava acordado.
- Bom dia, Hakurei.
- Bom dia... o que está fazendo?
- Despedindo-me de Nova Delhi. – O loiro sorriu melancolicamente, erguendo-se e andando até a cama, para, sem constrangimento algum, sentar-se no colo de Hakurei – que observou o menor morder o lábio inferior de leve ao se sentar.
- Ainda dói?
- Quando me sento e apenas por alguns instantes. Mas a dor logo passa, não chega a incomodar... pelo contrário, é até agradável.
- Agradável? – Hakurei franziu o cenho novamente, estranhando a afirmação de Asmita, no que o menor se aproximou e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha.
- Huhum... me lembra a sensação de ter você dentro de mim... – O jovem disse no ouvido do mais velho, tendo o corpo empurrado sobre cama como consequência.
E atrasaram-se para o vôo...
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- Você se preocupa demais com o Asmita, amor. – Dohko resmungou, sentindo uma pontada de ciúmes da preocupação do marido para com o loiro.
- Me preocupo demais com qualquer ser vivo que esteja acompanhado por Hakurei!
- Quem ouve você falar assim dele não tem como imaginar o quanto você admira o seu irmão... – Dohko riu, divertindo-se com a careta do marido.
-Mas a situação é preocupante, Hakurei deve estar furioso com Asmita! Eu disse a ele que deveria contar a Hakurei sobre seus problemas de visão... tenho certeza de que se atrasaram porque meu irmão deixou Asmita para trás e ele não conseguiu segui-lo!
- Suas conclusões são precipitadas e pessimistas demais, amor. E por demais inocentes...
-Você e suas teorias da conspiração... – Shion mirou o marido com o cenho franzido, perguntando-se sobre o que ele se referia. Nada perguntou, temendo mais uma discussão por causa do loiro em questão. Dohko insistia em afirmar que Asmita tinha intenções ocultas por Shion, e o ariano sempre afirmava ao marido que o jovem admirava o seu irmão como se admira a uma figura paterna.
- Veja só quem se aproxima, oferecendo o braço como apoio a Asmita enquanto carrega a bagagem dele. Eu não disse que você se preocupa demais? Não quero que sofra um infarto, amor... deveria deixar de se preocupar tanto com os outros e cuidar melhor de si mesmo. Quero você ao meu lado por, pelo menos, mais uns sessenta anos... – Dohko sorriu de lado, acariciando o rosto de Shion com uma das mãos. Em contrapartida, o ariano segurou o rosto do marido firmemente entre as mãos e selou os lábios dele com força, chamando a atenção das pessoas que passavam por perto.
Ouviram um alto pigarrear de Hakurei, que exibia um olhar de reprovação e assustador. Embora ele aparentemente houvesse aceitado o relacionamento de Shion e Dohko, não havia retomado a amizade que tinha com o segundo, nem aparentava tolerar bem qualquer tipo de carinho entre o casal, ao menos aqueles que lembrassem Hakurei das coisas que o irmão fazia com o outro.
- Hakurei, antes de chegarmos em casa, eu preciso lhe informar... você se lembra do nosso amigo Ilias Femanis? – A carranca do mais velho se desfez quando ele se lembrou do amigo grego que, diga-se de passagem, não via há muito tempo.
- O Juba-de-leão? Teve notícias dele? – Hakurei sorriu de canto, recordando os bons tempos em que ele, Sage, Ilias e Dohko saíam para beber juntos.
- Sim. Infelizmente, ele se acidentou com o carro... e não resistiu.
- O quê? O Ilias? – Hakurei soltou as malas que carregava no chão, desvencilhando-se do braço de Asmita e passando as mãos nervosamente pelo rosto. – Mas o Ilias era tão cheio de vida... céus... ele era pai! E o garoto, o Reggie? Andava sempre com ele! Não me diga que o garoto também... – Dohko se surpreendeu ao notar Hakurei se aproximar dele e chacoalhá-lo pelos ombros, com os olhos marejados.
- O Reggie estava com ele, mas não saiu ferido. Nós soubemos pelo irmão do Ilias... o garoto está na minha casa, estava jogando videogame com Atla quando viemos ao aeroporto.
- Pelos deuses, o garoto nunca teve mãe... agora também o pai? – Notando que Hakurei estava visivelmente atordoado, Dohko deu um passo à frente, abraçando-lhe e dando-lhe dois tapinhas nas costas.
- Eu também vou sentir falta dele! – Hakurei ficou sem reação por alguns instantes, mas acabou dando dois tapinhas no ombro de Dohko também, como que dizendo a ele que estava tudo se resolveria da melhor forma.
Shion observou que os olhos do marido também estavam marejados, e que ele só havia disfarçado a tristeza em casa para não deixar os parentes do amigo ainda mais tristes. Suspirou aliviado ao ver que Hakurei não havia se enfurecido com o gesto do marido e observou que Asmita exibia uma feição atordoada, como se estivesse se segurando para não consolar Hakurei ao vê-lo tão transtornado.
O mais velho rapidamente se recompôs, afastando-se de Dohko e pegando as malas novamente, e um silêncio se instalou no carro durante o retorno. Já na casa de Shion, Hakurei foi pego de surpresa com o pedido de Reggie, de que lhe entregasse seu próprio filho caçula e único homem – Atla –, além disso, o único que demonstrava interesse pela joalheria e pelo kendo, em casamento.
Teve vontade de dar uma sova no garoto para colocar os miolos dele no lugar, mas não faria isso com o filho de Ilias. Decidiu fingir concordar desde que o pequeno rapaz vencesse Atla no kendo, até por saber que isso nunca aconteceria. Contudo, surpreendeu-se ao notar que o filho calmo e comedido estava subitamente nervoso e procurava poupar o outro garoto de um esforço inútil.
Não havia como não perceber que Atla gostava do garoto, também, que talvez se mostrasse reticente por não querer decepcioná-lo enquanto filho. Sentiu um nó na garganta ao pensar no quanto reprimiu Atla e Yuzuriha ao educá-los, bem como no quanto Atla deveria estar sofrendo, isto é, se estivesse consciente dos seus sentimentos por Reggie. Conversaria com o filho e tiraria a história a limpo, só que mais tarde. Primeiramente, havia outra pessoa com quem deveria conversar.
Shion e Dohko entreolharam-se, atônitos com a tolerância de Hakurei para com o possível romance do filho caçula, mesmo que se lembrassem de que o outro garoto havia acabado de perder o pai. Não era típico de Hakurei ser tolerante com quem quer que fosse, ainda mais se o seu precioso filho, Atla, estivesse envolvido na história. Alguma coisa havia mudado e apenas Dohko havia percebido o quê, ao que tudo indicava.
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Tendo deixado as bagagens na casa de Shion e prolongado a estadia de Atla na casa do tio, Hakurei e Asmita chegaram ao enorme e belo prédio onde funcionava a sede administrativa da Logística Kahdro – empresa fundada e presidida por Sage. Foram recebidos imediatamente pelos funcionários da portaria, sem apresentarem qualquer documentação, uma vez que ninguém ali conseguia distinguir Hakurei de seu irmão gêmeo. Os funcionários trataram de ligar para o escritório pessoal de Sage para se certificarem de qual gêmeo se tratava aquele que acabara de adentrar o prédio, no que informaram ao presidente da empresa a chegada de seu irmão. Enquanto isso, Asmita e Hakurei tomaram o elevador para o vigésimo andar, local espaçosamente ocupado por Sage, composto pela recepção, copa, área de lazer decorada em estilo oriental, escritório pessoal, e até mesmo uma espaçosa suíte no fundo do escritório, local este onde o tibetano costuma dormir quando não possui tempo para retornar ao seu apartamento.
Sage pediu à secretária e recepcionista do andar que se retirasse, que fosse tomar um lanche ou qualquer outra coisa, desde que não interrompesse a conversa que ele teria com o irmão. Na verdade, as brigas entre ambos eram tão constantes que, muitas vezes, podiam ser ouvidos trechos delas nos andares vizinhos, apesar do ótimo isolamento acústico. E não era raro um ou ambos terminarem aquelas "conversas" com machucados evidentes, ou com as roupas desalinhadas pelos embates. A mulher era sempre dispensada quando Hakurei chegava, e Albafica era o único 'funcionário' que ocasionalmente acompanhava as conversas dos irmãos e, especialmente, chegava a separar suas brigas, estando já habituado com a forma agressiva com que lidavam entre si.
Hakurei sorriu de canto ao se deparar com a secretária saindo apressadamente ao vê-lo, não sem antes cumprimentar os visitantes e pedir licença a eles. Asmita estava impressionado com a reação da mulher, e também com o fato do andar parecer completamente vazio. Aliás, ao contrário do andar térreo, aquele andar mais parecia um apartamento do que um estabelecimento comercial. Hakurei encontrou a porta do escritório de Sage destrancada, abrindo-a para Asmita e trancando a porta atrás de si. O jovem estranhou a situação, mas estava apreensivo demais para fazer quaisquer perguntas.
- Sage, precisamos conversar.
- Mas é claro que precisamos conversar, não fui eu quem o convidou para vir aqui? Sentem-se, por favor! Asmita, certo? – Sage sempre sabia identificar os gêmeos, uma vez identificava o mal-humorado como namorado de Mu e o bem-humorado apenas como o amigo dele. O jovem apenas acenou positivamente com a cabeça, um tanto encabulado, observando atentamente a figura idêntica a de Hakurei sentada em uma poltrona enorme – que mais parecia um trono do que qualquer outra coisa.
- Seja bem-vindo, aceita um chá? Aceita, Hakurei? Café?
- Não por hora, obrigado! – Hakurei respondeu pelos dois. Não arriscaria ter à frente de Sage qualquer objeto que pudesse se tornar cortante durante uma discussão entre eles.
- Eu preciso que você faça outra sessão de coaching com os funcionários. Eles adoraram a última e estão me cobrando uma nova data. Aliás, na semana que vem eu preciso viajar e não posso atrasar o andamento da empresa. Você se importaria em ficar aqui novamente? Só por um dia...
- Sage... você não deveria me pedir para me passar por você habitualmente.
- Você se passa habitualmente pelo Sage na empresa dele? Ninguém percebe? – Asmita arregalou os olhos, impressionado com a conversa dos gêmeos.
- Albafica percebe. Mas não é habitualmente, é só ocasionalmente.
- Suas ocasiões são habituais. – Hakurei bufou, irritado.
- Não são, apenas um tanto frequentes.
- Céus... vamos conversar sobre isso mais tarde. Há algo sério que preciso tratar com você neste momento.
- E o que poderia ser mais sério do que negócios? Não me diga que Asmita está aqui porque o assunto é o Mu... – Sage ficou apreensivo, temendo que Hakurei tivesse descoberto o relacionamento amoroso entre Shaka e Mu.
-Não, Mu está perfeitamente bem.
- Que bom! – Sage suspirou aliviado, perguntando-se até quando o casal conseguiria esconder o namoro de Hakurei.
- Sage, eu sei que eu errei muito com você, com o Shion e com o Dohko... com toda a minha família. E que nada vai apagar o que aconteceu.
- Haku... – Sage suspirou longamente antes de continuar. – Você continua se culpando? Não tínhamos acordado sobre não tocar mais nesses assuntos, até por não poderem ser alterados? De que adianta remoer o passado?
- Não estou remoendo... é que... – Sage se remexeu na cadeira ao ver o irmão tão reticente. Nunca o tinha visto pisar tanto em ovos para lhe dizer qualquer coisa que fosse.
- Ok! O que você quer me dizer que não conseguiu dizer ainda? Não é do seu feitio ser indireto assim. Você não matou ninguém, matou? – Sage ergueu um dos pontos sobre a testa, perguntando-se que o que poderia deixar Hakurei constrangido. Foi quando viu Asmita pousar uma das mãos sobre a mão de Hakurei e os dois trocarem um olhar cúmplice.
- Eu e Hakurei estamos juntos. Digo... como namorados. – Hakurei se surpreendeu ao notar Asmita tomar a frente e contar a verdade antes mesmo que ele tivesse a coragem para verbalizá-la.
-Aham... Não tem graça pregar uma peça fora do dia da mentira, Haku. E ainda usar um amigo do Mu para isso... – Sage riu da situação, por mais que Asmita e Hakurei permanecessem sérios e sustentassem seu olhar.
- Tá! Eu sei que eu peguei pesado com você no último dia da mentira e que você quase enfartou, depois que eu e Yuzuhira tentamos convencê-lo de que ela estava grávida... mas também não precisava me imitar.
- Não é mentira, Sage. Eu não tenho o seu senso de humor duvidoso. Foi o destino quem me pregou uma peça. Eu, que passei a minha vida inteira criticando os homossexuais e que cheguei a agredir o namorado do meu próprio irmão, além de ameaçá-lo a ficar sem o filho, descobri que amo outro homem... e bem mais jovem do que eu. – Asmita sorriu levemente, apertando a mão de Hakurei. Sage observou os dois, voltando seu olhar para Hakurei e suspirando novamente.
- Não faz sentido, Haku. Qualquer outra pessoa faria sentido. Não você. Não com outro homem. Ou melhor, um garoto. Quantos anos ele tem? A idade do Mu? Não, não pode ser. O meu irmão mais velho, que sempre fez questão de me pregar moral e bons costumes, não seria capaz de se aproveitar da inocência de uma criança. Ele é mais novo do que o Tokusei seria, caso estivesse vivo. Eu me recuso a acreditar nisso. Você já me chateou o suficiente para revidar a brincadeira com a Yuzuhira, por isso, pode parar com a farsa agora.
- Não é farsa, Sage. Não foi intencional, eu tentei me convencer por todas essas razões e muitas outras, mas eu não consigo mais fingir que não amo o Asmita, não depois de descobrir que ele me ama apesar de todas as nossas diferenças. Ele ainda é um garoto, mas tem uma maturidade muito além da idade dele. Eu quis apresentá-lo a você como meu namorado, pois pretendo me casar com ele no futuro, e preciso que você me ajude a lidar com o nosso irmão quando o momento chegar. Nunca tivemos segredos um com o outro, e não será agora a termos.
- Você está falando sério, Hakurei? – Sage encarou os olhos do gêmeo com intensidade, tendo a certeza de que ele dizia a verdade. - ele tem idade para ser seu filho, para ser meu filho! você Quer matar o Shion do coração? Ele é hipertenso! é claro que ele vai enfartar, eu enfartaria no lugar dele! E você é um... – Sage conteve-se para não ofender o irmão com palavras, mas o olhar que trocaram foi o suficiente para fazer Hakurei sentir-se ofendido; nunca havia imaginado receber do gêmeo um olhar de desprezo ou decepção. Nem mesmo no passado, Sage nunca o havia criticado daquela forma.
- Sage. Eu sei que não será fácil. Não peço que você aceite, só peço que me compreenda. Você bem sabe que eu nunca olhei para ninguém depois da morte da minha esposa, e que pretendia passar todo o resto da minha vida sozinho. Não está sendo fácil para mim também... mas eu preciso ter Asmita ao meu lado... não posso voltar atrás... não mais.
- Você não teve a audácia de dormir com o garoto, Hakurei... – Sage bufou de raiva, revoltado com a situação. Havia admirado Hakurei a vida inteira pelo seu caráter inquebrantável e pelas ações que sempre condiziam com as verdades que ele mesmo pregava. Mirava intensamente os olhos do gêmeo, vendo a verdade estampada neles sem que o irmão precisasse dizer uma só palavra ou alterar a fisionomia. Empurrou a poltrona para trás e saiu a largas passadas detrás da mesa, puxando o irmão para cima – pela gola da camisa – e desferindo um soco em cheio no rosto dele, tudo sem que Hakurei oferecesse qualquer resistência ao ataque do irmão.
- Sage, o Odin comeu a bolinha nova que eu joguei para ele e... – A porta do escritório de Sage foi destrancada por fora e aberta de súbito, dando passagem a um rapaz alto e andrógino, de longos cabelos lisos e azulados, que ficou estático ao ver o que acontecia dentro daquela sala. O cão preto e branco, da raça dog alemão e que era segurado pelo recém-chegado, deu um solavanco, arrebentando a corrente que o prendia e derrubando o rapaz que o segurava no chão, correndo perigosamente para avançar no próprio dono.
- SAGE! O ODIN!
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FIM DESTE CAPÍTULO
GOSTOU? MANDE REVIEW!
MUITO OBRIGADA,
NATHALIE CHAN
