Chegamos ao capítulo final desta fic! Gostaria de agradecer ao meu fofíssimo carneiro revisor Orphelin pelo apoio durante todo o andamento da história, bem como pelos comentários. Agradeço também à Sandra Alencar pelo constante apoio e pelos comentários. Muito obrigada a todos que acompanharam a história, ela continuará na fic principal, e se entrelaçará com a próxima side, intitulada "Em Família", na qual contarei mais sobre Sage e Albafica (e o totoso Manigoldo também, claro!) =P

Amor Pacificador

Asmita que, até então, estava atônito e sem saber se deveria interromper a briga dos irmãos ou não se intrometer, levantou-se imediatamente da cadeira em que estava sentado ao ouvir o grito de Albafica e o rosnado do dog alemão, avançando corajosamente sobre o cão e segurando o pedaço da corrente que ainda estava presa à coleira dele. Sem dar atenção a Asmita e apesar do solavanco sentido pela contenção, Odin ainda tentou avançar na direção dos gêmeos, mas o jovem virginiano conseguiu se equilibrar para imobilizá-lo.

- ODIN! SENTADO! ODIN! – Sage começou a gritar com o cão até que ele o obedeceu, como se percebesse que a situação de atrito entre o seu dono e o irmão gêmeo dele havia passado. O enorme cão choramingou e, só então, olhou para Asmita, que parecia perplexo com a situação.

- Odin, seu bruto! – Albafica nem percebeu que havia prendido a respiração por alguns segundos, ainda no chão, soltando o ar preso lentamente com o intento de se acalmar. Sage soltou a gola da camisa do irmão e correu na direção do recém-chegado, ajudando-o a se levantar cuidadosamente.

- Você se machucou, Alba? – Sage observou bem o corpo andrógino do outro e ergueu o queixo dele com a mão, averiguando se não havia sofrido nenhum ferimento aparente. Albafica, por sua vez, pegou uma das mãos do mais alto e despejou sobre ela o pedaço da corrente de Odin, que continuava em sua mão.

- Sage, você poderia me explicar por qual motivo agrediu o seu irmão desta vez?

- Eu agredi aquele energúmeno porque ele está namorando... o Asmita! E ainda teve a audácia de dormir com ele!

- Ah! Sim... – Albafica demonstrava uma expressão entre a seriedade e o sarcasmo enquanto ajeitava as roupas um pouco amassadas pela queda, tratando com naturalidade a declaração do outro. – É surpreendente a notícia vinda de Hakurei, concordo! Mas... você não deveria estar feliz por eles, Sage? Você nunca concordou com a ideia de Hakurei passar a vida inteira sozinho, isso é, depois da morte da esposa. Sem dizer que o fato de ele estar namorando outro homem pode solucionar problemas que toda a sua família tem, até hoje, devido ao comportamento homofóbico dele. Não consigo entender qual é o drama.

- O problema é que ele não está se relacionando com outro homem, está se relacionando com um garoto... e amigo do Mu! Ele é mais novo do que a Yuzu!

- Asmita não é filho de Hakurei, não misture as coisas. E se bem me lembro, Mu comentou que o aniversário dos gêmeos está próximo, ou seja, que logo eles completarão dezoito anos.

- Não importa a idade, veja o rosto dele! Ainda é um garoto! – Albafica mexeu nervosamente numa mecha de cabelo que lhe caía sobre o olho e se desvencilhou de Sage em silêncio, observando Asmita disfarçar o nervosismo frente às declarações do cunhado. Andou até o frigobar e retirou dele duas bolsas de gelo, uma vez que sempre as mantinha refrigeradas para casos como aquele, em que os irmãos se agrediam.

- Por que você pegou duas bolsas de gelo se eu acertei Hakurei em apenas uma das faces? – Sage questionou, recebendo, como resposta, um olhar intenso de Albafica, que teimava em jogar os cabelos que lhe caíam sobre os ombros para trás, demonstrando certa irritação.

- Quantos anos tinha mesmo aquela modelo com quem você saía quando nos conhecemos?

- A Rossella? – Sage sentiu calafrios ao notar Albafica estreitar os olhos. O pisciano parecia nervoso, para o receio do mais velho, que sabia que o outro não era exatamente a mais simpática das criaturas do universo quando chateado.

- Exatamente! Rossella. E quantos anos ela tinha mesmo? – Albafica respirou longamente ao observar Sage fazer um enorme esforço para se lembrar da modelo. Enquanto isso, andou até Hakurei, entregando ao mesmo uma das bolsas de gelo.

- Vinte.

- Vinte? Foi o que ela disse?

- Sim. Por quê?

- Ela mentiu. Tinha dezesseis. E o rosto dela era tão ou mais jovem do que o de Asmita. Aliás, ambos são parecidos fisicamente se pensarmos melhor, o que me leva a crer que vocês realmente têm um gosto semelhante. – Albafica sentou-se sobre a mesa de Sage e cruzou as pernas, fitando o gêmeo em questão ficar mais pálido do que uma folha de papel enquanto o outro já estava completamente vermelho de raiva.

- O quê? Não pode ser! – Sage estava boquiaberto, tentando se recordar de algum traço da moça que pudesse denunciar a idade dela. Em sua distração, foi acertado em cheio na face por um soco desferido por Hakurei. Odin chegou a se levantar para avançar em Hakurei, mas desistiu ao notar o olhar do irmão gêmeo de seu dono se voltar enfurecido para ele. O gesto não passou desapercebido por Asmita, que teve a certeza de que o cão respeitava muito mais a Hakurei do que ao próprio Sage.

- Maldito! Eu tenho reunião mais tarde! – Sage bradou ao levar a mão até o local acertado. A bolsa de gelo que se encontrava com Albafica, nesse instante, foi atirada contra o tibetano, que, por reflexo, conseguiu segurá-la no ar.

- Você não me perguntou se eu tinha alguma reunião antes de me esbofetear, Sage! Então, você se divertia com uma garota de dezesseis anos e teve a coragem de me bater porque eu estou em um relacionamento sério com o Asmita? Pelo menos eu assumo a responsabilidade pelos meus atos! Irresponsável! Você não aprendeu nada com os seus próprios erros?

- Droga, eu não sabia! Acha que eu iria me arriscar desse jeito se soubesse? Céus! Por que você não contou na época, Albafica?

- Eu? Por que deveria? Pensei que você tivesse algum discernimento...

- Albafica, eles sempre discutem assim? – Asmita assistia à cena um tanto catatônico, impressionado com o surrealismo da situação.

- É normal, não se preocupe. Aliás, fique atento apenas se eles estiverem perto demais de alguma janela. Por precaução, também mantenha longe deles qualquer material caro, cortante, ou que possa se tornar cortante, como xícaras e copos de vidro. Ah, sobretudo as katanas, mesmo as de madeira são perigosas, embora, o maior problema apareça quando eles cismam em resolver os assuntos com as katanas metálicas.

- Droga! E eu ainda nem conversei com você sobre o principal motivo que me levou a chamá-lo aqui! – resmungou Sage.

- Não era o coaching com os funcionários?

- Não!

- Nem aquela proposta ridícula de que eu me passasse por você novamente?

- Não!

- Então, por que ainda não falou, idiota? Eu sabia que o assunto não era profissional!

- Vai me deixar falar, afinal? Eu estava aguardando o momento mais propício!

- Você não engravidou ninguém desta vez, não foi? – Hakurei rosnou, puxando a gola de Sage. Albafica teve um acesso súbito de tosse nervosa, sendo acudido por Asmita.

- Eu vou me casar. E quero que você seja o meu padrinho. Nós prometemos, lembra? Eu fui o seu padrinho e você será o meu.

- Como assim casar, Sage? Que eu lembre, não há ninguém com quem você esteja saindo nos últimos cinco anos...

- Desculpa, Haku! Acontece que eu estou namorando alguém há cinco anos já... só não consegui dizer antes...

-O QUÊ? CINCO ANOS? Você traiu a minha confiança, Sage! Eu pensei que não houvesse mais nenhum segredo entre nós. Juramos que sempre contaríamos um com o outro, por mais difícil que fosse, não foi? Por que raios você escondeu o seu namoro de mim por cinco anos? – Hakurei se surpreendeu ao notar os olhos do irmão se desviarem dos seus, denunciando o quanto ele havia sido afetado pelas palavras do mais velho.

- Eu não queria que você fizesse comigo o que fez com o Shion. Eu não suportaria se você deixasse de falar comigo, seu estúpido! Eu gostaria de ter contado desde o princípio, mas tinha certeza de que você não aceitaria que eu também namorasse outro homem! – O cenho de Sage estava trêmulo frente ao nervosismo e à espera de uma resposta ruim do irmão, mas se surpreendeu ao ser abraçado fortemente pelo outro.

- Desculpa, mano! Por minha culpa, você não pôde contar comigo. A verdade é que ninguém pôde contar comigo.

- Tudo bem, Haku, não precisa me abraçar como se eu ainda fosse criança. Já passou... anda, me solta. – Sage tentava disfarçar a emoção, mas logo algumas lágrimas silenciosas escorriam de seu rosto sem que ele pudesse detê-las. Abraçou Hakurei com a mesma intensidade, deixando toda a mágoa de lado. Afinal, não conseguiam sentir raiva, um do outro, por muito tempo.

- Buddha Amida... e eu achando que tinha problemas com Shaka. – Asmita se surpreendeu ao perceber que Albafica enxugava algumas lágrimas com as pontas dos dedos ao assistir à cena que se desenrolava entre os irmãos Khadro.

- Às vezes, esses dois conseguem ser tão idiotas, mas, ao mesmo tempo, tão humanos. Todos eles... não sei o que seria de mim sem essa família tibetana tresloucada. Talvez, eu nem tivesse conseguido ter um amigo, ou, muito menos, tivesse aprendido a amar... – o loiro já desconfiava, mas não teve dúvidas de quem era o amado de Albafica, não depois de vê-lo sorrir bobamente entre as lágrimas enquanto observava um dos gêmeos em especial.

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Yuzuriha e Atla estranharam a presença de Asmita em uma conversa de família, por mais que tivessem alguma percepção dos sentimentos do loiro para com o pai deles e desconfiassem dos sentimentos do pai para com o loiro também. A questão é que, apesar de estarem cientes do que se passava, nunca cogitaram a hipótese de que o pai fosse ceder aos encantos de Asmita. Tanto que tiveram de disfarçar a surpresa ao notarem o pai tomar uma das mãos do loiro entre as suas, falando em seguida:

- Yuzu, Atla... eu nunca imaginei que este dia chegaria, assim como imagino que vocês também não. Eu sempre procurei viver de acordo com o que me foi ensinado pelos meus pais e, por isso mesmo, nunca havia questionado as valiosas lições que eles me deram enquanto ainda eram vivos. Muitas vezes, eu briguei com Shion por não aceitar o relacionamento dele com o Dohko, tanto que cheguei a rejeitá-lo como meu irmão. Procurei agir com ele da mesma forma como o nosso pai agiria, já que tive de me tornar o chefe da nossa família muito cedo. E, com isso, causei um sofrimento indescritível a todos vocês, sobretu-...

- Pai, por favor! De novo não... – Yuzuriha abaixou os olhos ao se lembrar da perda do irmão gêmeo e da mãe, e Hakurei acenou positivamente com a cabeça, interrompendo suas lamúrias para não torturar ainda mais os filhos em razão dos seus próprios erros.

- Certo! – suspirou pesadamente. – Deixemos o passado no passado e voltemos ao tempo presente. O que eu quero dizer é que fui pego por uma armadilha do destino. Apaixonei-me pelo Asmita e acabei ouvindo de Sage algumas coisas semelhantes às que eu disse ao Shion no passado, embora, o tio de vocês tenha sido bem mais comedido do que eu. Mas, descobri que ser repreendido pouco importa quando o coração pesado se torna leve...

- Papai, isso significa que você e Asmita irão se casar? – Atla mal conseguia conter a ansiedade, simultaneamente surpreso e feliz pela mudança de comportamento do pai. Para ele era como se uma luz no final do túnel começasse a acender, um lampejo de que o pai talvez pudesse compreendê-lo e aceitá-lo também.

- Sim, Atla. Iremos nos casar no devido momento. Enquanto isso, em nossa família apenas Sage e Albafica deverão saber a respeito do meu relacionamento com Asmita. Peço a vocês que mantenham segredo.

- Mas e o Manigoldo, papai?

- O Manigoldo também. Apenas os três. Shion não deve sequer desconfiar. – Hakurei franziu o cenho ao se lembrar do 'trombadinha' adotivo do irmão.

- E o Mu? Pretendem esconder a verdade dele mesmo sendo amigo do Asmita?

- Yuzuriha, o Mu é suscetível demais aos apelos do pai. E, a quem mais o Shion perguntaria se desconfiasse de alguma coisa? – Hakurei ergueu um dos pontos vermelhos sobre a testa, observando a filha concordar. – Você acha que Mu seria capaz de guardar um segredo nessas circunstâncias? Ele não mentiria para o pai e Shion descobriria rapidamente. Contudo, se o próprio Mu não souber, meu irmão confiará na resposta do filho.

- Eu não me sinto bem tendo que esconder a verdade de um amigo a quem tanto prezo, mas além do próprio Shion, o Mu também é bem próximo a Shaka, e meu irmão é um exímio investigador. Se Shaka acabasse desconfiando do Mu, não demoraria a pressioná-lo até descobrir exatamente o quê está acontecendo. Quero poupar meu amigo de inúmeras situações difíceis nas quais ele poderia ser envolvido, e tenho certeza de que ele concordará com o meu ponto de vista quando souber de tudo.

- Se é assim, prometo não dizer nada ao Mu nem dar razões a ele para desconfiar. Asmita, eu não tenho nenhuma objeção ao relacionamento de vocês. Acho ótimo, aliás, que meu pai tenha finalmente decidido tocar a vida em frente. E, para ser sincera, consigo entender o porquê dele ter escolhido você, por mais que isso possa parecer estranho à primeira vista. Mas, pai... o que fez você mudar tanto?

- Não foi o quê, Yuzu. Foi quem.

A resposta do homem fez com que um enorme sorriso se abrisse no rosto da garota, que prontamente cutucou a cintura do irmão mais novo, livrando-o de um aparente estado de choque. Asmita, por sua vez, sentiu o coração se derreter novamente ao notar o olhar tenro que Hakurei lhe dirigia.

- Atla, por que está tão calado? Veja só, o papai está completamente apaixonado! Ele não parece até mais novo? Se eu não soubesse a idade dele, não daria mais do que uns trinta e quatro, tanto que se não fosse meu pai e comprometido, seria um excelente partido!

- Yuzuriha, não fale de mim como se eu não estivesse aqui! E não diga asneiras ao seu irmão!

- Papai... então... – Atla tentava falar, mas não conseguia reunir a coragem necessária.

Hakurei beijou a mão de Asmita e ergueu-se do sofá, agachando à altura de Atla para ficar na mesma altura do filho. Tinha a mania de, sempre que possível e adequado ao ambiente, colocar-se em posição de igualdade ao menor. Depois da morte da esposa, tinha passado a se esforçar ao máximo para minimizar o sofrimento dos filhos em relação à perda da mãe, comportando-se da forma menos rígida e mais afetuosa possível. Em especial com Atla, aquele que sequer tinha maiores lembranças do rosto ou da voz da mãe, já que a tinha perdido quando ainda era muito novo.

- Então... como eu disse ao Reggie, vocês dois são muito novos para se casarem. Vocês têm apenas doze anos e precisam se concentrar nos estudos e outros assuntos da sua idade. O kendo vai fazer bem a ele, não será um tempo gasto em coisas fúteis. Também, servirá como uma distração e renovação de energias.

- Mas, você não disse que ele precisava me vencer no kendo para se casar comigo?

- Que fique como um segredo nosso: se o Regulus mostrar que possui a maturidade necessária para se casar com você, eu permitirei que aconteça, mesmo ele perdendo. Até lá, você não precisa ter pressa. Continue treinando e estudando como sempre fez.

- Isso significa que você permite o nosso namoro?

- Namoro? Que namoro? Por acaso você está namorando escondido, meu filho? – Hakurei franziu o cenho, irritado.

- Ele me pediu em namoro... – Atla demonstrou-se apreensivo novamente, temendo uma resposta negativa do pai.

- Então, diga a ele que eu permito. Com restrições, claro! Teremos uma conversa, eu, você, Regulus e o tio dele. Vamos deixar bem claras as regras desse namoro. E nada de contar a ele sobre o kendo.

Hakurei se surpreendeu ao ter o pescoço subitamente abraçado pelo filho, o que quase o derrubou no chão. O garoto o abraçava fortemente, contendo a emoção para não chorar de felicidade. Yuzuriha alargou o sorriso, apertando a mão de Asmita fortemente, em agradecimento pela mudança de comportamento do pai.

- Bem-vindo à nossa louca família, Asmita.

- Obrigado, Yuzu. – O loiro respondeu um tanto desconcertado.

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Um ano e seis meses depois...

Asmita sentiu o peito disparar ao ver Hakurei abrir a porta de casa, levando suas últimas 'bagagens' consigo. Era um acontecimento planejado já há mais de um ano, por ambos, mas não havia nada que o jovem pudesse fazer para afastar o nervosismo diante daquela que certamente seria a maior alteração de rotina em toda a sua vida. Não teria mais que esconder seu relacionamento amoroso com um homem mais velho, mas teria de aprender a viver longe daquele que esteve consigo desde o ventre da mãe. Temia o desespero de Shaka quando descobrisse a novidade, então resolveu deixar o irmão sem notícias por alguns dias – ou semanas – até que a raiva pudesse amenizar o choque que ele sofreria.

- Seu telefone está tocando, pela milionésima vez. Não dirá nada a ele? – O loiro pegou o aparelho que tocava no bolso da calça social, suspirando e desligando-o enquanto Hakurei deixava suas malas na suíte.

- Eu já enviei uma mensagem dizendo a ele que faria um passeio de última hora e que ficaria incomunicável. Irei utilizar o seu telefone para me comunicar com Camus, ele nos informará se algo grave acontecer com o meu irmão...

- Como o quê? Internarem Shaka em um hospício devido a uma crise nervosa? Ele já não está nervoso o suficiente por estar longe do meu sobrinho Mu? Não seria melhor a verdade de uma vez por todas? No mínimo, seu irmão deve pensar que você foi sequestrado por algum meliante que o está impedindo de se comunicar com a família.

- Se eu contar a verdade agora, ele não nos deixará em paz. Vamos aguardar um pouco mais, até que ele se acostume com a ideia da minha ausência... – Hakurei suspirou ao notar a expressão pesarosa de Asmita em ter de agir daquela forma com Shaka.

- Então não fique assim... – O mais velho se abaixou e abraçou o mais novo, prensando o corpo dele no seu e erguendo-o na altura de seus olhos, sentindo como os batimentos cardíacos dele estavam acelerados. – Está arrependido?

- É claro que não! Só estou um pouco mais nervoso do que havia previsto... e sentindo-me culpado por ter mentido para o meu irmão. – O loiro tocou as faces do outro com as palmas das mãos, acarinhando-as suavemente, e estalando os lábios nos dele repetidas vezes.

- Você não tem culpa por ele ser tão rabugento e superprotetor... sabe bem que não teria de agir dessa forma se o seu irmão fosse diferente.

- Ok, procurarei não me culpar mais. Eu prometo... – Asmita sorriu, subitamente circulando a cintura de Hakurei com as pernas e abraçando-o com mais força. Teve os lábios capturados em um beijo intenso, enquanto o mais velho andava consigo até a cama, prensando o corpo dele no colchão.

- É a sua última oportunidade de fugir... ou irei consumar o nosso casamento agora mesmo. – Hakurei se debruçou sobre Asmita, desfazendo o nó da gravata vermelha que ele usava e atirando-a longe. Começou a desabotoar a camisa dele com uma das mãos, enfiando a outra por dentro dela para acariciar-lhe o torso nu.

- Se algum dia eu fugir de você, significa que você pegou o gêmeo errado. – O mais velho gargalhou com a brincadeira do mais novo, livrando-o do blazer e da camisa, para então desabotoar e arrancar-lhe a calça, desfazendo-se da peça íntima em seguida.

- A recíproca é verdadeira, mas vocês possuem auras bem diferentes. E só você tem esse jeito de olhar para mim... – Hakurei mordiscava o pescoço de Asmita enquanto sentia os dedos ágeis do loiro o livrarem da gravata verde, para então deslizarem pelos botões da camisa social que usava.

- É bom que você também só olhe para mim com esse jeito de quem tiraria minhas roupas por telecinese. - O jovem demorava-se na tarefa de despi-lo, espalmando as mãos pelo tórax definido do tibetano.

- Você não se cansa de me tocar assim? – O mais velho sorriu de canto, orgulhoso em perceber que Asmita parecia hipnotizado com seu físico invejável, mantido através de árduos e habituais treinos de kendo e artes marciais correlatas.

- Você é tão perfeito que não tenho como me cansar de apreciá-lo... as roupas costumam esconder o seu corpo de forma a disfarçar tamanha perfeição. – Sem maiores desculpas ou pudores, o jovem retirou o blazer e a camisa do outro para então 'secar' o abdômen dele com o olhar enquanto o tateava, descendo com as mãos pelo zíper da calça dele e abrindo-a. Fixou os olhos nos dele, mordendo os lábios para não verbalizar seus pensamentos impuros, como que pedindo-lhe que o ajudasse na tarefa de despi-lo, e sorrindo com satisfação ao notar o outro se livrar da própria calça e peça íntima.

Hakurei observava Asmita atentamente, sem conseguir manter-se imune ao olhar e aos trejeitos do loiro, que o admirava com um olhar que transitava entre a mais inocente curiosidade até o mais lascivo desejo. A incoerência estampada nos olhos profundamente azuis lhe instigava a provocá-lo ainda mais, para observar como o desejo e o prazer exerciam sobre eles um poder absoluto.

Ergueu-se brevemente para abrir a gaveta da cômoda e retirar dali uma bisnaga de gel lubrificante, destampando-a em seguida. Despejou um pouco de gel em uma das mãos, deixando a bisnaga de lado e untando a própria virilidade e dedos, circulando e massageando tortuosamente a entrada de Asmita com os dígitos lambuzados. Sentiu seus cabelos serem puxados levemente para baixo e se debruçou sobre o loiro, tendo os lábios capturados enquanto finalmente introduzia um dos dedos no interior apertado do outro.

Interrompeu o beijo para mordiscar o pescoço do loiro, deliciando-se com os gemidos agoniados que ele deixava escapar enquanto arranhava-lhe o torso e as costas, e adicionou mais dois dedos ao interior dele. O jovem retesou as costas e mordeu os lábios para evitar um gemido bem mais alto, puxando o rosto de Hakurei para si e mirando intensamente os olhos puxados.

- Você não disse que... consumaria o nosso casamento... agora mesmo? – Asmita esforçava para se comunicar coerentemente, apesar de se encontrar completamente arfante.

- Agora mesmo... não quer dizer nesse instante. – E aumentou o ritmo da massagem que lhe fazia com os dedos, prensando o corpo do outro fortemente no colchão com a mão livre espalmada, quando ele tentava se mover. Asmita sentia espasmos por todo o corpo, sem conseguir reagir racionalmente enquanto erra 'torturado' por Hakurei.

Hakurei subitamente retirou os dedos do interior de Asmita e introduziu-se nele por completo, grunhindo alto pela sensação de ter seu membro sendo esmagado pela carne do outro. O interior de Asmita ainda se contraía, mas era perfeitamente possível a Hakurei identificar a inconfundível expressão de intenso prazer no rosto do loiro, apesar do cenho ligeiramente franzido pela dor.

- Irresistivelmente masoquista... – Murmurou baixo, próximo ao ouvido de Asmita, no que os olhos azuis se abriram para observarem as feições sádicas do tibetano.

- Impiedoso você, hum? – O loiro ignorou a dor que sentia e ergueu-se sobre os cotovelos, roçando a ponta do nariz no rosto de Hakurei e lambendo os lábios dele antes de beijá-los avidamente, quando sentiu o corpo maior dar início às fortes estocadas que lhe faziam perder qualquer resquício de sanidade em meio a um prazer que só poderia comparar-se ao nirvana. Em poucos minutos atingia o ápice, sem que as mãos possessivas em seus quadris precisassem se mover para tocá-lo ainda mais.

- Já? – Hakurei não escondeu a satisfação, esboçando um sorriso sádico enquanto interrompia seus movimentos e observava o loiro com o rosto afogueado lhe dirigir um olhar pedinte. Sem trocarem uma palavra, o mais velho fez exatamente o que o mais novo lhe pedia com aquele olhar, envolvendo-o firmemente em seus braços e invertendo as posições para que ele pudesse se recostar em seu corpo enquanto se recompunha.

Asmita sentia as mãos firmes de Hakurei deslizarem suavemente por seus cabelos, afastando-os de uma lateral de seu pescoço para beijá-lo, descendo com os lábios pelo ombro exposto. Sentiu como se um choque percorresse seu corpo quando os dentes de Hakurei cravaram-se ali e a boca dele passou a sugar-lhe a pele fortemente, resultando em um enorme hematoma. O marido afastou um pouco o rosto para ver o resultado que havia feito, abrindo um enorme sorriso ao ver sua marca registrada nem um pouco discreta no ombro do loiro.

- Pelas suas feições de satisfação, posso imaginar que você fez um estrago enorme no meu pescoço... – Asmita riu, levando a mão onde sua pele havia sido sugada. Hakurei adorava marcá-lo daquela forma, forçando-o a manter os cabelos sempre soltos.

- Vejo que já recuperou o fôlego... – Hakurei desceu com as mãos firmemente pelas laterais do corpo de Asmita, deslizando-as pelas nádegas dele e apertando-as, voltando a estocá-lo fortemente. O loiro não conseguiu evitar um gemido bem mais alto, finalmente desistindo de controlar o volume da voz enquanto sentia o membro de Hakurei se movimentar dentro dele cada vez mais rápido e forte. Sentiu o líquido morno dele se derramar dentro de si e transbordar por suas nádegas, tendo o corpo novamente empurrado no colchão.

Separaram-se por instantes, quando Hakurei agarrou as coxas de Asmita, empurrando-as contra o tórax do loiro, aproveitando-se da posição em que se encontravam para penetrá-lo profundamente. Passou a alternar movimentos lentos com outros mais fortes, incitando o loiro a perder a paciência e agarrar-lhe fortemente os cabelos para que ele se movimentasse com mais vigor. Atingiram o ápice novamente, Hakurei deitando-se ao lado de Asmita e puxando o corpo dele para junto do seu, envolvendo-o protetoramente em seus braços.

- Está consumado... – Hakurei murmurou no ouvido de Asmita, recebendo como resposta um abraço mais forte. O loiro ergueu o rosto para fitar os olhos do marido, destinando-lhe um olhar apaixonado.

- Está realizado o meu maior desejo... – Asmita sorriu, cerrando os olhos ao senti uma das mãos de Hakurei afastar-lhe a franja.

- O meu também...

Logo adormeceram, extasiados, alheios ao mundo e aos problemas que certamente enfrentariam dali em diante, dispostos a enfrentarem a tudo e a todos para permanecerem juntos.

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Muito obrigada!

Gostou? Peço que deixe seu comentário!

Grande abraço a todos, até mais,

Espero encontrá-los novamente,

Nathalie Chan